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Quercus
Núcleo de Lisboa queixa-se de «perseguição política» depois de ser destituído pela Direcção Nacional
A presidente do Núcleo de Lisboa da Quercus acusa a Direcção Nacional (DN) de «perseguição política», alegando que este núcleo regional foi destituído «sem qualquer fundamento válido», o que a estrutura dirigente contesta
 
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Aline Delgado, a presidente do Núcleo de Lisboa interpôs uma acção judicial contra a Quercus, por não lhe ter sido renovado o contrato que mantinha com a associação ambientalista enquanto arquitecta responsável pelo projecto Edifício Verde e considera estar a ser «perseguida» por ter colocado questões relativas ao financiamento da organização.

Segundo disse à Agência Lusa, foi a partir da altura em que se falou sobre «processos menos transparentes ao nível da angariação de fundos» que foi afastada do projecto Edifício Verde, em Fevereiro deste ano, tendo-lhe sido posteriormente comunicado que não seria renovado o contrato de trabalho.

Em Abril, o núcleo regional de Lisboa, a que presidia, foi destituído.

«Fomos informados da destituição por e-mail. Não tivemos acesso às actas nem à deliberação da Direcção Nacional», disse, acrescentando que a vice-presidente da Quercus informou, num outro e-mail, que a fechadura tinha sido mudada e que tinha sido dada ordem à Caixa Geral de Depósitos para alterar os titulares da conta, de forma a que os dirigentes do Núcleo de Lisboa não pudessem continuar a movimentar a conta.

A DN confirmou numa resposta escrita enviada à Agência Lusa que «convidou» os membros daquele grupo a abdicar das sua funções em meados deste mês, dando cinco dias úteis para efectivar a renúncia.

«Passados os prazos previstos e uma vez que não foram entregues pelos ex-dirigentes do Núcleo de Lisboa materiais que lhe foram solicitados, nomeadamente as chaves de acesso ao Núcleo, ontem foi mudada a fechadura do Núcleo de Lisboa, tendo tal facto sido comunicado ao Ministério Público pela Direcção Nacional. Todo o procedimento foi acompanhado por quatro testemunhas e envolveu fazer um inventário dos materiais existentes no espaço do Núcleo», refere a DN.

A Direcção Nacional alega, no entanto, que o afastamento de Aline Delgado se prende com o processo que está a correr no tribunal do trabalho e que a decisão de a destituir se fundamentou na «incompatibilidade entre a sua condição de litigante e a sua condição de dirigente da mesma associação», lembrando que a arquitecta «exige 25.000 euros por danos morais».

Quanto à não renovação do contrato, deveu-se, segundo a DN ao facto de não terem sido cumpridos os objectivos apresentados «nomeadamente, não estar ainda pronto o projecto de arquitectura nem terem sido iniciados os projectos de especialidade».

Atrasos que Aline Delgado diz, contudo, não serem de sua responsabilidade já que «o projecto de arquitectura foi concluído», reafirmando que o motivo que originou a sua destituição foi "a ousadia" de confrontar a DN com o financiamento dos projectos da Quercus.

«Vingaram-se na arquitecta, por uma posição que tomei enquanto dirigente», salientou

Documentos a que a Lusa teve acesso dão conta do mau estar que se instalou na maior associação ambientalista portuguesa devido às elevadas percentagens pagas ao angariador de fundos da Quercus (uma pessoa responsável por promover parcerias para dinamizar projectos) que levou a demissões no seio da Direcção Nacional e motivou polémicas nos fóruns de discussão dos sócios.

As críticas são desvalorizadas pela Direcção Nacional da Quercus que considera que «não reflectem o funcionamento e o viver da associação»

«Parece-nos importante sublinhar que é absolutamente normal que co-existam numa associação diversa como é a Quercus, opiniões diferentes sobre os caminhos a seguir», observa a Direcção Nacional na resposta escrita dirigida à Agência Lusa.

Quanto ao Núcleo Regional, afirma também a vontade de ver «todas as dúvidas cabalmente esclarecidas, com a maior transparência e serenidade, e que nenhum sócio seja prejudicado, por palavras ou actos, por reivindicar ou apoiar este propósito de transparência e esclarecimento».

Lusa/SOL



 

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