«Basicamente, não cabe a Gerry e Kate [a realização da reconstituição] porque eles são arguidos e, se for requerida a sua presença, eles irão, têm de ir», garantiu hoje o porta-voz do casal, Clarence Mitchell, à Agência Lusa.
«Tudo depende dos amigos, que foram convidados a ir também mas, como não são arguidos, têm o direito de questionar a utilidade do exercício e se vai ajudar a encontrar Madeleine - e a resposta neste momento parece ser não», referiu.
«As autoridades portuguesas ainda não conseguiram responder a esta simples e única pergunta», acrescentou Mitchell.
Passaram quase 13 meses desde o desaparecimento de Madeleine McCann, a 3 de Maio de 2007, de um apartamento onde passava férias com os pais e irmãos na Praia da Luz, Lagos, no Algarve.
Uma reconstituição de todos os passos dados pelos pais e seus amigos presentes na altura foi sugerida pela Polícia Judiciária (PJ) há cerca de um mês, primeiro através dos advogados dos McCann e depois por convocação individual.
A PJ terá condicionado a realização da reconstituição à presença dos nove ingleses e proposto três datas em Maio, duas delas ultrapassadas (15 e 16).
«Estamos a aproximar-nos tanto da data sugerida (29 e 30 de Maio) que penso ser muito improvável que venha a acontecer», estimou o porta-voz dos McCann.
O pouco tempo que falta até à data dificulta também a conciliação da disponibilidade de todos, dispensas do trabalho e arranjar viagens e alojamento, cujo custo não está claro sobre quem pagará.
O atraso no acerto da data deve-se, segundo Mitchell, à falta de resposta às várias questões transmitidas pelos amigos à Polícia sobre a natureza da diligência.
Uma foi o porquê da realização da reconstituição do alegado crime agora, «quando não o fazem normalmente [em Portugal] e rejeitaram uma proposta para fazer uma pelo programa Crimewatch da BBC no ano passado», disse.
Os amigos questionaram também a opção das autoridades de quererem presentes os protagonistas reais, nomeadamente o casal McCann e os sete amigos com quem passavam férias, quando «a maioria das reconstruções são feitas por actores», e perguntam por que não foram convidados outros veraneantes e funcionários do complexo turístico.
O «bem-estar mental de Kate» é outro dos factores que causa inquietação, segundo Mitchell. «É suposto que ela veja uma criança a ser raptada em frente a ela? Que tipo de angústia lhe vai causar? Ninguém parece ter pensado nisso», vincou.
Apesar das dificuldades, Clarence Mitchell negou que Kate e Gerry tenham apresentado «determinadas condições» para viajar para Portugal, como noticia hoje o jornal 24 Horas com base numa fonte do Tribunal Judicial de Portimão, e reafirmou a disponibilidade do casal para ajudar a investigação.
Kate e Gerry McCann são actualmente arguidos, juntamente com o cidadão luso-britânico Robert Murat, no processo de investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann.
Os seus sete amigos - Jane Tanner, Matthew e Rachael Oldfield, David e Fiona Payne, Russell O'Brien (companheiro de Jane) e a mãe de Fiona, Diane Webster - foram inquiridos como testemunhas em Portugal nas semanas seguintes ao desaparecimento e novamente em Abril, em Leicester, Inglaterra.
Para marcar o primeiro aniversário do desaparecimento, a campanha criada pela família para encontrar Madeleine divulgou um novo número de telefone para recolher informação de possíveis testemunhas e o resultado foi uma «resposta muito forte».
«Tivémos milhares de correios electrónicos e centenas de chamadas e entre elas há alguma informação que está a a ser analisada de perto», adiantou Mitchell.
Lusa/SOL