SOL

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 Mudança

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Mudei para aqui.

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Para os que quiserem dar-me o prazer da sua visita: ATÉ À VISTA!

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Kurioso

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Cresci e vivi até quase aos 30 anos numa cidade. Vivo (durmo) há 30 anos numa aldeia.

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Cresci habituado ao anonimato, aproveitando a frouxidão dos laços, abusando da ausência de códigos. Ao virmos viver para uma aldeia, rapidamente nos apercebemos que nunca nos adaptaríamos aos códigos rígidos que aqui vigoram. Depois de todos os ajustes necessários para uma convivência esporádica mas inevitável, estabelecemos algumas conexões civilizadas. Para definir a coisa eu diria que somos tolerados, respeitados até, mas não pertencemos.

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Tive um chefe que fora marinheiro durante duas décadas, e que costumava dizer que num navio não há indivíduos, há somente membros de uma equipa. Acredito que também nas prisões não há espaço para a individualidade, e, para mim, uma aldeia é uma mistura de navio e prisão. Os habitantes sacrificam uma parte da sua individualidade em troca do benefício da solidariedade, da partilha, da pertença.   

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…./….

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Quando entrei para esta comunidade, há 2 anos e meio, pareceu-me haver por aqui um espírito citadino: muita gente; muitas sensibilidades; muitos interesses; vários grupos mas com interacção e volatilidade q.b.. Havia debate; troca de ideias; picardias e diversão, mas sobretudo respeito e ausência de facciosismo. Um espaço de tertúlia que dispensava deslocação e presença física. Foi óptimo enquanto durou.

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Entretanto apareceu a “peçonha”, contaminou alguns e aborreceu muitos, o respeito foi desaparecendo e, como forma de protecção, o facciosismo instalou-se e os grupos cerraram fileiras e ergueram barreiras. De repente quem não pertencia a nenhum grupo ficou sozinho no meio do nevoeiro que encobriu o SOL.

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Ora como é mais fácil estar sozinho no “campo”, eu resolvi EMIGRAR.

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Espero que em algumas sextas-feiras a curiosidade dos poucos, mas muito bons, “amigos” que ainda aqui tenho, os leve a visitar o Kurioso na sua nova morada.    

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Kurioso

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No final do ano passado escrevi um post inspirado nos “Três Macacos”, onde, com alguma esperança (pouca) e ironia (bastante), listava uma série processos judiciais que pensava se poderiam resolver este ano.

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Porque não me apetece acrescentar mais uns quantos processos à lista (que continua igualzinha…), e porque o ano que findou foi pródigo em macacadas, resolvi partilhar convosco um vídeo divertido (ou talvez não…).

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Que 2010 nos traga bananas com fartura, pois MACACOS não vão faltar.

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Aquele ABRAÇO!

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Kurioso

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Um dia o Homem inventou as palavras, e, desde então, a comunicação ficou muito mais difícil.

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Kurioso    

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"QUARTO" 

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A fotografia mostra o “quarto” de um sem abrigo, algures em Lisboa. Há muitos sem abrigo em Lisboa, para vergonha de nós todos, mas neste caso a sua localização é, pelo menos, peculiar pois o “quarto” está montado, há mais de dois meses, no átrio exterior de um prédio de luxo, vazio.

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Neste Portugal de todas as singularidades temos então um prédio de luxo, numa zona nobre da cidade, prontinho há quatro ou cinco meses e que não tem um único apartamento habitado. Não tem sequer qualquer placa ou indicação de que esteja vendido ou para venda. Cheira a esturro…

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A seguir temos um sem abrigo, ainda com uma réstia de civilização, que se deu ao trabalho de arranjar tapetes, um colchão, uma cadeira, roupa de cama, etc, tentando agarrar-se a uma última réstia de humanidade. Trata-se de um homem ainda novo, que coxeia amparado numa canadiana, e que todos os dias se levanta por volta das 9 horas para ir “fazer pela vida”. Às 19 – 20 horas, quando volto a passar junto ao seu “quarto”, ainda não regressou.

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Depois temos as centenas de pessoas que passam por ali diariamente, e que, olhando com surpresa, desgosto ou horror, pouco mais podem fazer do que deixar um saco com roupa usada ou uma esmola. Os poucos que individualmente poderiam fazer alguma coisa passam, atarefados, dentro de carros de vidros fumados, e não vêem nada.

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Finalmente temos um “sistema” que, cada vez mais, vai rejeitando os fracos ou inadaptados.

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Será este o paradigma para o nosso futuro? Prédios de luxo vazios com mendigos a dormir à porta.

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Kurioso

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Sou quadro médio de uma grande empresa privada. Tenho um vencimento razoável, porém, uma boa parte dele, depende do cumprimento de objectivos que nunca são fáceis de atingir. O carro, portátil, telemóvel e isenção de horário de trabalho, não são mordomias, mas antes uma forma, nada subtil, de nos fazer sentir que devemos estar disponíveis a qualquer hora. (No dia 1 de Janeiro de 2000, quando todo o mundo celebrava a passagem do milénio, eu e mais uns quantos colegas estávamos agarrados aos computadores para garantir que no dia seguinte podíamos facturar.)

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A empresa dá-nos excelentes condições de trabalho, acesso a formação permanente e uma grande autonomia, mas, em contrapartida, espera de nós a capacidade e a vontade de rentabilizar esses recursos através de uma performance elevada e sustentada. Porque o meu lugar só estará garantido enquanto a tal performance se mantiver, eu, além do estudo e actualização permanentes, vou mantendo um PPR e um seguro de saúde. Eu sei que o meu ordenado está garantido no final do mês, mas não tenho a mínima garantia de ter emprego daqui a um ano.

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Sei que posso ser considerado um privilegiado, mas eu PAGO os meus privilégios. Pago-os nos impostos que me são retirados antes de eu receber o ordenado, pago-os nas horas extra a trabalhar ou a aprender, pago-os nas noites de insónia à procura de soluções para os problemas que eu devo resolver.

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E porque eu acho que contribuo activamente para a sociedade onde estou inserido, arrogo-me o direito de classificar alguns dos meus concidadãos de PARASITAS:

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PARASITAS 

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Eu acredito que algumas (bastantes?) empresas possam não ter lucros, mas ninguém me convence que há mais de 200000 empresas que se mantêm abertas só para evitar que o desemprego aumente. Os donos destas empresas são parasitas a vários níveis: não contribuem, como empresários, com a sua quota-parte para as despesas do estado; exploram despudoradamente os seus empregados com o pretexto de que a empresa não dá lucro; e, ao atribuírem a si próprios um salário ridículo, ainda conseguem aceder às ajudas aos mais desfavorecidos. Se juntarmos a estes parasitas profissionais, os amadores da economia paralela, é fácil chegar à conclusão que há todo um exército de portugueses que contribuem muito pouco para a saúde do Estado português.

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Atenção que eu digo que não contribuem para o Estado, pois não pagam impostos, e, pagando salários de miséria, fazem com os seus empregados também pouco paguem. Mas estes parasitas são bons contribuintes da economia em geral. Aquilo que sonegam ao Estado gastam no “bem-bom”, alimentando a indústria de construção, o comércio automóvel, a indústria do turismo, do mobiliário, etc.

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Quando refiro acima que exploram os seus empregados, estou a falar dos empregados não qualificados, facilmente substituíveis. Em relação àqueles que são importantes para a manutenção do negócio “ruinoso”, o que acontece com frequência é que são contaminados com o vírus do parasitismo. Oficialmente têm o mesmo salário mixuruca que os outros, mas, pela porta do cavalo, recebem, em espécie, duas ou três vezes mais. É impressionante a quantidade de “dinheiro vivo” que circula nestes meandros, onde até automóveis são pagos em notas, para que fique o menor rasto possível das transacções.

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Mais uma vez o Estado, essa “coisa inútil”, é prejudicado sem o menor remorso, pois afinal não faz sentido nenhum estar a alimentar “aquela corja de inaptos que não fazem nada”. E a verdade é que o Estado, essa coisa indefinida e acéfala, não tem moral para atacar a sério este cancro, que finalmente acabará por se estender a todo o corpo da Sociedade.

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E à óbvia pergunta: “Como me comportaria eu se fosse empresário?”, a resposta honesta terá que ser: “Não sei”. Mas eu quero acreditar que os exemplos distantes de duas gerações de empresários cumpridores, se sobreporiam aos exemplos recentes desta classe exploradora e egoísta. Suponho que acabaria por alinhar no clube dos “parvos”.

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Kurioso      

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PS: Este post foi escrito quando a FACE ainda estava OCULTA…

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Acredito que seja muito difícil resistir-lhes. São muito bons, há-os por todo o lado, são grátis, e até o perigo escondido por detrás da sua aparência inocente, acrescenta uma aura de desafio ao acto de consumi-los.

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É claro que estou a falar de COGUMELOS, e não de qualquer outra tentação. 

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 Em frente à nossa casa há uma encosta onde, no ano passado, começaram a aparecer cogumelos. Como podem ver na fotografia não são uns cogumelozinhos quaisquer. Num terreno onde as árvores se vêem aflitas para encontrar sustento, estes malvados atingem proporções mastodônticas em meia dúzia de dias. Mas assim como crescem desmesuradamente, também em poucos dias de sol começam a amolecer e apodrecem rapidamente, servindo de iguaria a centenas de formigas.

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GORDOS 

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Se naquela encosta temos os cogumelos “lutadores de sumo”, do outro lado da estrada, a umas escassas dezenas de metros, apareceu dum dia para o outro uma floresta de “top model” anorécticos. Cogumelos esguios, branquíssimos com uma cabeça oval escamuda. Também estes atingem proporções fora do vulgar, sobretudo por crescerem em campo aberto, e tal como os primos anafados também não duram muito.

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MAGROS 

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Por ter crescido noutro continente, a minha relação com cogumelos frescos iniciou-se já depois dos 25 anos, quando regressámos a Portugal. E como até aí a minha relação com a gastronomia era mais na base do consumir do que no produzir, eu quase acreditava que cogumelos eram os “champignons de Paris” (Agaricus bisporus) e mais nada.

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Desembarcados na Europa no final da Primavera, e aboletados em casa de familiares numa belíssima zona da Beira Alta, fomos sendo apresentados às delícias campestres ao longo do Verão e Outono: cerejas, morangos, ameixas, alperces, pêssegos, etc. É claro que já tínhamos comido disto tudo, mas apanhado da árvore é outra coisa. Experimentem comer uma manga madurinha colhida da mangueira, e compreenderão a diferença. Finalmente, com a aproximação do Inverno, chegaram as castanhas e as sanchas. Vencida a resistência inicial de comer uma coisa que parecia uma esponja velha (e até podia ser venenosa), provámos o arrozinho e ficámos devotos. Nesse Inverno enchemos a pança de sancha…

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Após a migração para a capital, voltámos à rotina dos champignons durante a maior parte do ano, esperando sempre pela fugaz aparição dos míscaros, nalguma mercearia de bairro, lá por alturas de Novembro. Muito mais tarde, e numa altura em que eu já punha as mãos nos tachos, a estadia em Espanha ensinou-me mais umas coisas nesta área da micologia (a do cogumelos, não a das comichões).

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Entretanto Portugal tornou-se um país moderno, entrou na Europa, aderiu ao euro e nós passámos a ter o privilégio de aceder aos fungos (e também aos fundos…) europeus. Descobrimos que, tal como os chapéus, cogumelos há muitos e é preciso começar a usar nome e apelido para distinguir uns dos outros: Pleurotos; Boletos; Cantarelos; Tortulhos, etc. Além dos enlatados de sempre, podemos agora escolhê-los frescos, desidratados ou congelados; todos iguais ou misturados; inteiros ou laminados. E porque a moda chegou também à comidinha, os cogumelos fashion são mesmo os Japoneses: Shiitake; Bunashimeji; Hiratake e os elegantíssimos Enoki.

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ENOKI 

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Deliciosas tentações!!

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Kurioso    

 

PS. Porque já não fumo, e os meus amigos não costumam andar com maços vazios no bolso, tive que “andar ao papel” para arranjar um maço de tabaco para dar escala aos cogumelos. (in)Felizmente não é difícil encontrar um maço vazio num qualquer passeio.

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No dia 24 de Novembro de 1991 (há 18 anos…) morreu Freddie Mercury. Viveu velozmente e morreu cedo, como que a fazer jus ao nome do deus me que escolhera para pseudónimo.

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A época de maior êxito dos «Queen» foram as décadas de 70 e 80, quando eu estava nos meus 20s e 30s. Na altura curti os sucessos da banda pela parte da música, não prestando grande atenção à letra.

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Muitos anos, muitas modas e muitas músicas depois, elegi « Bohemian Rhapsody » a « minha música de todos os tempos » (parece que não fui o único). E se a música é suficientemente variada para agradar a um vasto público, a letra, falando da morte, é um espantoso hino à vida. Mas, para mim, é sobretudo a ligação entre musica e letra, na forma como expressam uma montanha russa de sentimentos, que a tornam vencedora. Podemos quase sentir a surpresa, o arrependimento, a revolta, o desafio e, por fim, a resignação.

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Bohemian Rhapsody
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Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide,
No escape from reality
Open your eyes, Look up to the skies and see,
I'm just a poor boy, I need no sympathy,
Because I'm easy come, easy go, Little high, little low,
Any way the wind blows doesn't really matter to me, to me
Mama I just killed a man,
Put a gun against his head, pulled my trigger, now he's dead
Mama, life had just begun,
But now I've gone and thrown it all away
Mama, ooh, Didn't mean to make you cry,
If I'm not back again this time tomorrow,
Carry on, carry on as if nothing really matters
Too late, my time has come,
Sends shivers down my spine, body's aching all the time
Goodbye, ev'rybody, I've got to go,
Gotta leave you all behind and face the truth
Mama, ooh, I don't want to die,
I sometimes wish I'd never been born at all
I see a little silhouetto of a man,
Scaramouche, Scaramouche, will you do the Fandango
Thunderbolt and lightning, very, very fright'ning me
(Galileo) Galileo (Galileo) Galileo, Galileo figaro
Magnifico I'm just a poor boy and nobody loves me
He's just a poor boy from a poor family,
Spare him his life from this monstrosity
Easy come, easy go, will you let me go
Bismillah! No, we will not let you go
(Let him go!) Bismillah! We will not let you go
(Let him go!) Bismillah! We will not let you go
(Let me go) Will not let you go
(Let me go) Will not let you go (Let me go) Ah
No, no, no, no, no, no, no
(Oh mama mia, mama mia) Mama mia, let me go
Beelzebub has a devil put aside for me, for me, for me
So you think you can stone me and spit in my eye
So you think you can love me and leave me to die
Oh, baby, can't do this to me, baby,
Just gotta get out, just gotta get right outta here
Nothing really matters, Anyone can see,
Nothing really matters,
Nothing really matters to me
Any way the wind blows

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A minha leitura é que esta pungente letra traduz o desespero e a impotência do autor face ao conhecimento da sua doença. Assume corajosamente a responsablidade  “Mama I just killed a man, Put a gun against his head, pulled my trigger, now he's dead”, mas grita bem alto a sua frustração.

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[youtube:irp8CNj9qBI]

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Convém referir que, apesar de ouvir Queen quase todas as semanas, a ideia para estas palavras surgiu como pretexto para partilhar um video delicioso encontrado em outras paragens.

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É fácil de ver que uma obra prima pode ser genialmente adaptada, ainda que subverta totalmente o espírito inicial da letra. Apesar de ter rido com vontade ao (re)ver Os Marretas, continuo a preferir o original.

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Kurioso 

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Uma observação num artigo de crítica televisiva, fez-me ir à procura da notícia. Depois de ver e ler pus-me à procura de adjectivos e não consegui encontrar o adequado: patético; aberrante; escabroso?! (Se forem curiosos há imagens bem mais esclarecedoras…).

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Lembrei-me então do primeiro (e único) espectáculo de striptease ao vivo a que assisti. Foi na cidade da Beira, em 1967, durante a viagem de finalistas.

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Com dezassete aninhos, numa cidade estranha e em grupo, conseguimos arranjar coragem para enfrentar o porteiro do cabaret. Porque teve pena de nós ou porque a casa estava fraca, o “armário” cobrou a despesa mínima e deixou-nos entrar. Lá dentro era o ambiente habitual: pouca luz, muito fumo, sofás escuros, homens maduros e moças amadurecidas à pressa. Qual rebanho tresmalhado, lá nos encostámos a um canto, e cigarrando e beberricando Coca-Cola aguardámos nervosamente o grande momento. Acredito que a maior parte do grupo nunca tinha visto uma mulher nua (coisa que nenhum admitia…), pelo que o suspense era enorme.

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Lá para as duas da manhã, quando alguns já cabeceavam de sono, soam as trombetas, a luz ambiente apaga-se e, quando se acende um foco sobre a pista, lá estava ela. Mulher jovem, bem torneada, sem gorduras e com o tradicional vestido de lamé dourado a servir de segunda pele. Ao ritmo lento da música, vai abanando, torcendo e revirando (na altura ainda não havia varão…) enquanto tira uma luva, outra luva, mais um sapato e outro sapato, etc, etc. Quando finalmente tira o soutien, começam as novidades e o espanto. A jovem tinha uns seios de pedra. Nas voltas e reviravoltas aqueles ímanes do nosso olhar mal estremeciam. Habituados que estávamos a ver os peitos das mamanas que conseguiam amamentar os filhos…às costas, aquilo era algo inacreditável para nós. Até que alguém, mais versado no tema, quebrou o encanto sussurrando: “oh pá! A gaja tem mamas de plástico!”. Mais saracoteio, mais meneio e a sereia prepara-se para tirar a micro-tanga. A música sobe em crescendo, o trapinho solta-se e…apaga-se a luz. Finalmente tudo aquilo se resumiu a um topless prolongado. Saímos de lá todos orgulhosos por fora, e todos desconsolados por dentro. O dinheiro da entrada teria dado para comprar uns jeans na Rodésia. 

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Quarenta e dois anos separam estes dois espectáculos da “arte de bem despir”, e quanto evoluíram os costumes nestas quatro décadas. Se o objectivo do espectáculo continua a ser o mesmo (alguém que se mostra a quem quer ver), já a forma e a mensagem são completamente distintas, porque o espectador MUDOU ao longo destas duas gerações.

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E tudo isto tem a ver com o alargamento das fronteiras daquilo que se considera normal, e, por consequência, a definição do que é transgressão. No Webster a descrição para o verbo tease é a seguinte: “to tantalize especially by arousing desire or curiosity often without intending to satisfy it”. E é o tipo de mensagem que é necessário para “tantalizar e suscitar desejo ou curiosidade” que mudou radicalmente nesta viragem de século.

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Nos idos de 60 ver as maminhas a uma mulher, que não a lá de casa, já era transgressão, e a partir daí começava a aberração. Agora, quando nos cruzamos, (quase) sem sobressalto, com mulheres nuas em qualquer praia mais recatada, quando vemos sexo (quase) explícito nos canais generalistas, a transgressão foi empurrada para os antigos terrenos da aberração. E quando encontramos algumas vozes a classificar a performance (?) de Linda Reis como algo normal, eu penso que isto está mesmo a descambar.

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Também a mensagem é totalmente diferente. Se então a mulher procurava transmitir sensualidade, sugerindo mais do que mostrando, e tentava ainda fingir algum pudor para potenciar o sentimento de pecado, hoje a exibição é muito mais explicita, e a sugestão foi substituída pela demonstração. A inclusão do varão, óbvio símbolo fálico, é o exemplo acabado da mudança de paradigma.    

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Se há 40 anos a norma, dentro de casa, era o sexo “decente”, bastava às despideiras sugerir um pouquito mais de ousadia para fazer disparar a imaginação. Ao longo destes anos a revolução sexual trouxe o sexo “indecente” para dentro da casa de cada um, e, agora, as profissionais do varão têm que socorrer-se de acrobacias para demonstrar que fariam ainda mais do que tudo o que já se faz lá por casa.

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E como estamos numa época de desafios, as “amadoras” caseiras decidiram adicionar ao seu arsenal as armas das profissionais, e toca de ir aprender a fazer acrobacias no varão. É claro que, em tempos de crise, as profissionais não desdenharam a hipótese de aproveitar as horas mortas durante o dia para ganhar mais uns trocos. 

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Nos dias de hoje ver uma mulher linda a despir-se já não é transgressão e, muito menos, uma surpresa (felizmente), o que deu uma enorme oportunidade às Linda Reis deste mundo.

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Há muitos, muitos, anos um filme fez enorme sucesso mostrando cenas abjectas, repugnantes, nojentas e degradantes. Chamava-se MUNDO CÃO.

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 Kurioso    

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A palavra do título surgiu-me quase imediatamente ao ler a notícia no jornal.

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VERGONHA para o País e Sociedade que permitem isto:

 VERGONHA

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 Enquanto imaginava as linhas gerais do post, tive a ingenuidade, precipitação e presunção de pensar que a Igreja Católica poderia ter sido a solução. A minha ideia “peregrina” foi pensar que uma instituição que tem, por lei, isenção de impostos, e se insurge contra as riquezas mal distribuídas, poderia ter posto a render os 80 milhões de euros que gastou na construção de determinado edifício, e utilizar os proveitos para minorar a VERGONHA.

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Porém, porque não gosto de propostas sem suporte, fui dar uma volta aos números e tive de concluir que, também eu, me devo sentir envergonhado, pela soberba de acreditar que problemas complexos podem ter soluções simples.

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Começando a fazer contas, é possível assumir que os 80 milhões renderiam cerca de 3 milhões por ano. Nada mau! O problema é que 3 milhões/ano a dividir por 40000 daria a ridícula quantia de 20 cêntimos por dia, a cada um. Pois…afinal 80 milhões não é assim tanto dinheiro.

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A seguir, resolvi fazer as contas ao contrário. Imaginemos que 5 euros por dia ajudariam a minorar as carências destas pessoas. Pois mesmo esta pequena “esmola” custaria 73 milhões de euros por ano.

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Então e se nós todos ajudássemos? Há cerca de 5 milhões de pessoas activas em  Portugal, mas como algumas estatísticas indicam que cerca de 30% já estão no limiar da pobreza, só sobram 3 milhões que vivem menos mal. Bastariam DOIS EUROS de cada um POR MÊS para arranjarmos os tais 73 milhões.

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Mas há mais possibilidades. A Banca portuguesa no ano de 2008 teve lucros de 2000 milhões de euros. Imaginando que o imposto que efectivamente pagam subia de 13.5 para 17,5% (ainda muito longe dos 27,5% legais) seria possível arrecadar mais  80 milhões de euros.

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Ou ainda outra hipótese:” Em 2005, os portugueses fumaram cerca de dois milhões de maços de cigarros por dia, num total de 797 milhões de maços ao longo de todo o ano”. Talvez os dois milhões de fumadores (eu era um deles), que gastaram 2000 milhões de euros, pudessem contribuir com qualquer coisinha…

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Sim, eu sei que as propostas acima são demagógicas e impraticáveis. Sim, eu sei que algures lá atrás deveriam ter sido criadas condições para que a VERGONHA não acontecesse. Mas continua a parecer-me estranho que um País e uma Sociedade que construiu, auto estradas, estádios, EXPO e CCB, que conseguiu pôr um automóvel debaixo do rabinho e um telemóvel no bolsinho de cada um de nós, não consiga ALIMENTAR os seus anciãos. 

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Parafraseando a Rádio Renascença:

“Já agora, valia a pena pensar nisto”

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Kurioso

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Parece ser um facto mais ou menos assente, que uma das diferenças entre Homens e Mulheres (além das evidentes…) é a sua capacidade, ou incapacidade, de “multi processamento”. Diz-se que as mulheres conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo (além do falar, que parece não exigir capacidade de processamento…), enquanto nós, pobres homens, só conseguimos fazer uma coisa de cada vez e… calados de preferência.

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Pois se eu tinha algumas dúvidas sobre a verdade deste “facto científico”, acho que tive uma prova durante este fim de semana. 

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Fomos ao cinema, e, já depois das luzes apagadas, passam três vultos à nossa frente para irem ocupar os lugares ao meu lado. Deu para perceber que eram duas mulheres e um homem, sendo que uma das senhoras ficou ao meu lado. Depois do natural reboliço da entrada, tira casaco, arruma carteira, critica o lugar, as coisas acalmaram.

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Passados meia dúzia de minutos, sou surpreendido por uma luz a acender-se ao meu lado. Pensei que a senhora ia desligar o télélé, mas, em vez disso, põe-se a olhar atentamente para ele e, de seguida, desata a teclar furiosamente. Mensagem enviada e a maquineta apaga-se. Finalmente eu posso voltar a ver o filme. Mas havia troco!... Uns minutinhos depois o farol volta a acender-se e… põe-se a olhar atentamente para ele e, de seguida, desata a teclar furiosamente… Este folhetim repetiu-se mais de uma dezena de vezes, e de cada uma delas eu perdi dois ou três diálogos do filme.

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Estava assim provado que a minha vizinha (MULHER) conseguia ver o filme, receber e enviar SMS e bichanar com a amiga, tudo ao mesmo tempo, e este infeliz espectador (HOMEM) só conseguia fazer uma coisa de cada vez. Felizmente eu tinha do outro lado a minha MULHER (escrever minha mulher é machismo?!...), que com a sua excelente memória recente pôde repor os elos perdidos.         

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Enfim…parece que esta batalha da “Guerra dos Sexos” nós já perdemos.

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Kurioso

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Nestes tempos de crise, desânimo e lamúrias, ainda vão aparecendo exemplos de resistência, de imaginação, de ADAPTAÇÃO.

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Perto da zona onde trabalho, havia uma loja de decoração que era, ao mesmo tempo, um atelier e escola de artes decorativas. Durou uma série de anos, sobrevivendo à custa dos habitantes de posses que foram habitando os prédios novos da zona. Porque está nas traseiras de um prédio, o negócio funcionava na base do “passa palavra”.

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Este era um tipo de negócio talhadinho para levar um tareão da CRISE. Porque a proprietária não parecia depender da baiuca para sobreviver, teria sido fácil encerrar a loja e o assunto. Mas há pessoas que NÃO DESISTEM.

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O espaço é amplo, retiram-se as bugigangas, arranjam-se uns equipamentos, fala-se com os antigos clientes e…nasce um ATL (de luxo). Os meninos têm acompanhamento de estudo, podem praticar pintura, cerâmica e até ioga. Os pais, que trabalham nas redondezas, trazem-nos de manhãzinha e sabem que ficam bem entregues até às 8 ou 9 da noite se for preciso.

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A história poderia ficar por aqui, que já era um bom exemplo, mas há mais.

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Um dos grandes problemas de qualquer instituição que tome conta de pessoas, novas ou velhas, é a alimentação. Ou não tem, e o serviço é coxo, ou, se quer ter, as condicionantes burocráticas e os encargos com pessoal são tão grandes que pode inviabilizar o negócio.

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Pois a nossa empresária adaptável resolveu o problema com a ajuda de outra empresária adaptável (a dona do restaurante do outro lado da rua).

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Então é assim. Os papás chegam de manhã, e, enquanto tomam o pequeno-almoço com os rebentos, descobrem o que estes querem para o almoço. A empregada toma nota num papelinho para cada cachopo (ainda só vi rapazes) de todos os requisitos: hambúrguer com arroz ou batatas, com ou sem ovo; bitoque, bem ou mal passado; filetes ou uma perninha de frango; doce ou fruta; sumo ou leite. Ao meio-dia, antes da hora de ponta, atravessa a rua e vai servir o almoço aos meia-leca.

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Isto é um exemplo daquilo a que os ingleses chamam uma “win-win situation”. Toda a gente ganha. A dona do “ATL”, que está acompanhada o dia todo e tem a tarefa gratificante de ajudar a formar um grupo de miúdos; a dona do restaurante, que compensa a perda de alguns clientes com esta nova fonte de receita; os pais porque têm os filhos mais perto de si; os miúdos porque vão com o pai para o serviço, e, com sorte, ao fim da tarde ainda dão um salto ao centro comercial para comprar um joguito para a Playstation.

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Mas, para mim, são também dois belos exemplos de capacidade de adaptação, e, sobretudo, entendimento do que deve ser o SERVIÇO AO CLIENTE.

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Kurioso

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O quadro em baixo estava afixado num dos muitos escritórios por onde já passei.

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A tradução para Português, muito mais palavrosa, perde algum impacto mas, mesmo assim, aqui vai uma tentativa:

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“ISSO NÃO É COMIGO

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Esta é a história de 4 pessoas: Toda-a-Gente; Alguém; Qualquer-um e Ninguém.

 

Havia uma tarefa importante para ser executada e Toda-a-Gente  tinha a certeza de que  Alguém  a faria.

 

Qualquer-um  poderia tê-la feito,  mas Ninguém  a fez.

 

Alguém  ficou muito zangado pela falha, pois era uma tarefa para Toda-a-Gente.

 

Toda-a-Gente  pensou que Qualquer-um  poderia fazê-la, mas Ninguém  se apercebeu que Toda-a-Gente  não a faria.

 

No final, Toda-a-Gente  culpou  Alguém  quando se verificou que Ninguém  fez o que Qualquer-um  poderia ter feito. “

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É claro que esta historieta ilustra aquilo que não deveria acontecer, mas acontece com frequência, na nossa vida privada, na actividade profissional, e até ao nível do País. Assim de repente vêm-me à ideia as áreas da Justiça e da Saúde.

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Ainda ontem um colega me dizia:”Não é preciso resolver o problema. Basta arranjar um culpado”.

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Receio que nos próximos tempos venhamos a ter muitos exemplos deste tipo de atitude.

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Kurioso

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Talvez nem toda a gente saiba que a indústria alimentar, a farmacêutica, algumas áreas da cosmética e sectores específicos de outras indústrias, são obrigados a garantir a tracibilidade ou rastreabilidade de todos os seus produtos. Se tiverem pachorra para abrir o link ficarão com informação completa, mas, para os menos disponíveis, tentarei resumir a coisa.

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A tracibilidade permite seguir a história de um produto até à “terra”. Imaginemos um qualquer pacote de cereais com frutas. Na sua composição entram farinha, açúcar, gorduras, cacau, frutas desidratadas, etc. Para todos estes componentes o fabricante tem de receber dos seus fornecedores a garantia de que saberão onde foram produzidas as matérias-primas, e, mais importante, em que condições. No caso das frutas e cereais, o agricultor pode ter que identificar que tipo de fertilizante ou pesticida utilizou.

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A chave que permite abrir este conjunto de “bonecas russas” é o lote de produção, aquele conjunto de letras ao lado da validade, que, podendo ter vários formatos, tende a ser algo como Lannnlltt , em que L quer dizer lote, a é o último digito do ano, nnn  são três dígitos que identificam o dia juliano, ll  são dois dígitos ou letras para identificar a linha de produção, e tt identificam o turno. Um produto com o lote L92540301 teria sido produzido na noite de 10 de Setembro de 2009 (o turno 01 começa habitualmente às 23H00) na linha 03.

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Desde os primórdios da indústria que sempre houve um qualquer tipo de registo de procedências e características das matérias-primas utilizadas na produção, mas foi só com o advento da informática, complementada com a comunicação instantânea, que se tornou possível garantir a informação da cadeia total, e dispor dessa informação em tempo útil. É frequente um fornecedor ter a possibilidade de indicar a tracibilidade completa de um produto no prazo de 4 horas. E isto implica receber resposta dos seus fornecedores, que por sua vez a receberam dos seus fornecedores, depois destes contactarem os seus fornecedores, até ao agricultor. Este é um verdadeiro exemplo de trabalho em cadeia, pois cada um só guarda os registos da sua própria actividade. O fabricante dos cereais tem na sua base de dados, para cada lote de produção, o registo de todos os lotes das matérias-primas que foram incorporadas. O fornecedor das matérias-primas terá o registo da sua própria actividade, etc, etc. até à última bonequinha russa…

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E para que diabo serve todo este trabalhão e gasto de recursos. Todos nos lembramos da história recente do leite chinês, do óleo de girassol Ucraniano, e, os mais antigos, talvez se lembrem ainda da história da água Perrier. Pois em todos estes casos, a tracibilidade permite identificar e confinar um qualquer problema, de modo a poder-se agir e informar de modo conveniente. E a comunicação flui nos dois sentidos: do consumidor até ao agricultor, quando o problema é detectado no consumo, ou do agricultor até ao consumidor, quando a incidência é detectada na origem.

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A grande vantagem deste sistema não é tanto permitir a recolha selectiva de produto do mercado (recall), que acontece de vez em quando, mas sobretudo obrigar todos os intervenientes na cadeia logística a terem especial cuidado com a qualidade dos seus produtos, pois sabem que serão responsabilizados em caso de incidente grave.

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Kuriosamente, esta divagação sobre a tracibilidade foi-me sugerida pela leitura da seguinte nota, numa revista da especialidade:

Big Brother 

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Um dos paradoxos da vida moderna, é o facto de a Internet ser considerada uma área de anonimato total quando, na verdade, é um mundo onde TODAS as nossas pegadas ficam registadas em múltiplos sítios e guardadas por tempo indeterminado.

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Quando nos sentamos aqui, depois de vestir o nosso fato de “conquistador”, de “palhaço”, de “bandido” ou de “santinho”, e partimos para visitar o mundo anonimamente, estamos de facto a deixar um rasto mais evidente que as pegadas duma gaivota numa praia deserta. E aqui não virá a maré apagá-las!

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E desenganem-se se pensam que só as autoridades poderão ter acesso às coscuvilhices do nosso IP. É claro que o eventual contratado pelo nosso ISP (Internet Service Provider) para efectuar todos os infindáveis backups que permitirão guardar as nossas pegadas, se tiver “dois dedos de testa”, vontade, e uma pen, vai poder copiá-los e…   

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Sempre se podem utilizar os Cibercafés, mas, ou eu me engano muito, não tardará que  peçam identificação aos seus clientes, e sejam obrigados a manter um registo de todas as utilizações. A bem da segurança global, é claro!

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Kurioso

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AV é o Presidente da “minha” Junta, é comunista, é um homem BOM, e eu vou votar nele no Domingo.

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AV e eu conhecemo-nos há trinta e tal anos quando ele era um “temido comuna” membro da Comissão de Trabalhadores, e eu um “estigmatizado retornado” chefe de armazém.

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Naquela época de todas as liberdades, de todas as reivindicações, de todas as vinganças, AV sempre mostrou uma moderação que, não diminuindo as suas convicções políticas, lhe permitia distinguir claramente entre a esfera Social e a esfera Laboral. Ao contrário de muitos dos seus colegas que trocaram a servidão (que houve) pela preguiça (que ainda vai havendo), AV trocou-a pelo brio de provar que um trabalhador livre não tem que ser um madraço.

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Ao longo dos anos o respeito mútuo foi crescendo, ajudado pelo facto de eu não o “temer” e ele não me “estigmatizar”. Se as nossas crenças políticas eram quase opostas, a ausência de fanatismo e a semelhança de atitude profissional facilitava o trabalho em equipa.

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Entretanto os nossos caminhos profissionais afastaram-se, mas quando, passados uns anos, AV apareceu a encabeçar uma lista de candidatos à Assembleia de Freguesia, não tive problemas nenhuns em pôr a cruzinha na CDU.

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A minha aposta (que até nem era arriscada) mostrou ser acertada. Apesar da composição social da minha terreola ter mudado completamente nos últimos 15 anos (movendo-se para a direita), a equipa de AV continua a ganhar folgadamente. A sua dedicação e imaginação têm conseguido fazer milagres com os escassíssimos recursos que são postos à disposição das freguesias pequenas. Mas, mais do que a dedicação, o que eu admiro em AV é a sua infinita paciência. Nas poucas reuniões da Assembleia a que assisti, tornou-se evidente que é preciso um espírito de “mártir” para manter a compostura perante tanta falta de educação, tanto desaforo, tanta exigência descabida. E tudo isto vindo de pais cujos filhos conseguiram destruir um parque infantil antes mesmo de ser inaugurado, que estacionam em cima dos passeios para não andarem meia dúzia de metros, que metem os sacos do lixo nas papeleiras por preguiça de irem ao contentor.

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É uma pena que estes políticos exemplares (que existem em todos os partidos) não consigam fazer caminho nas estruturas partidárias. Será por serem honestos, coerentes, trabalhadores e respeitadores das ideias dos outros?

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Kurioso     

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