SOL

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Uma observação num artigo de crítica televisiva, fez-me ir à procura da notícia. Depois de ver e ler pus-me à procura de adjectivos e não consegui encontrar o adequado: patético; aberrante; escabroso?! (Se forem curiosos há imagens bem mais esclarecedoras…).

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Lembrei-me então do primeiro (e único) espectáculo de striptease ao vivo a que assisti. Foi na cidade da Beira, em 1967, durante a viagem de finalistas.

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Com dezassete aninhos, numa cidade estranha e em grupo, conseguimos arranjar coragem para enfrentar o porteiro do cabaret. Porque teve pena de nós ou porque a casa estava fraca, o “armário” cobrou a despesa mínima e deixou-nos entrar. Lá dentro era o ambiente habitual: pouca luz, muito fumo, sofás escuros, homens maduros e moças amadurecidas à pressa. Qual rebanho tresmalhado, lá nos encostámos a um canto, e cigarrando e beberricando Coca-Cola aguardámos nervosamente o grande momento. Acredito que a maior parte do grupo nunca tinha visto uma mulher nua (coisa que nenhum admitia…), pelo que o suspense era enorme.

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Lá para as duas da manhã, quando alguns já cabeceavam de sono, soam as trombetas, a luz ambiente apaga-se e, quando se acende um foco sobre a pista, lá estava ela. Mulher jovem, bem torneada, sem gorduras e com o tradicional vestido de lamé dourado a servir de segunda pele. Ao ritmo lento da música, vai abanando, torcendo e revirando (na altura ainda não havia varão…) enquanto tira uma luva, outra luva, mais um sapato e outro sapato, etc, etc. Quando finalmente tira o soutien, começam as novidades e o espanto. A jovem tinha uns seios de pedra. Nas voltas e reviravoltas aqueles ímanes do nosso olhar mal estremeciam. Habituados que estávamos a ver os peitos das mamanas que conseguiam amamentar os filhos…às costas, aquilo era algo inacreditável para nós. Até que alguém, mais versado no tema, quebrou o encanto sussurrando: “oh pá! A gaja tem mamas de plástico!”. Mais saracoteio, mais meneio e a sereia prepara-se para tirar a micro-tanga. A música sobe em crescendo, o trapinho solta-se e…apaga-se a luz. Finalmente tudo aquilo se resumiu a um topless prolongado. Saímos de lá todos orgulhosos por fora, e todos desconsolados por dentro. O dinheiro da entrada teria dado para comprar uns jeans na Rodésia. 

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Quarenta e dois anos separam estes dois espectáculos da “arte de bem despir”, e quanto evoluíram os costumes nestas quatro décadas. Se o objectivo do espectáculo continua a ser o mesmo (alguém que se mostra a quem quer ver), já a forma e a mensagem são completamente distintas, porque o espectador MUDOU ao longo destas duas gerações.

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E tudo isto tem a ver com o alargamento das fronteiras daquilo que se considera normal, e, por consequência, a definição do que é transgressão. No Webster a descrição para o verbo tease é a seguinte: “to tantalize especially by arousing desire or curiosity often without intending to satisfy it”. E é o tipo de mensagem que é necessário para “tantalizar e suscitar desejo ou curiosidade” que mudou radicalmente nesta viragem de século.

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Nos idos de 60 ver as maminhas a uma mulher, que não a lá de casa, já era transgressão, e a partir daí começava a aberração. Agora, quando nos cruzamos, (quase) sem sobressalto, com mulheres nuas em qualquer praia mais recatada, quando vemos sexo (quase) explícito nos canais generalistas, a transgressão foi empurrada para os antigos terrenos da aberração. E quando encontramos algumas vozes a classificar a performance (?) de Linda Reis como algo normal, eu penso que isto está mesmo a descambar.

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Também a mensagem é totalmente diferente. Se então a mulher procurava transmitir sensualidade, sugerindo mais do que mostrando, e tentava ainda fingir algum pudor para potenciar o sentimento de pecado, hoje a exibição é muito mais explicita, e a sugestão foi substituída pela demonstração. A inclusão do varão, óbvio símbolo fálico, é o exemplo acabado da mudança de paradigma.    

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Se há 40 anos a norma, dentro de casa, era o sexo “decente”, bastava às despideiras sugerir um pouquito mais de ousadia para fazer disparar a imaginação. Ao longo destes anos a revolução sexual trouxe o sexo “indecente” para dentro da casa de cada um, e, agora, as profissionais do varão têm que socorrer-se de acrobacias para demonstrar que fariam ainda mais do que tudo o que já se faz lá por casa.

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E como estamos numa época de desafios, as “amadoras” caseiras decidiram adicionar ao seu arsenal as armas das profissionais, e toca de ir aprender a fazer acrobacias no varão. É claro que, em tempos de crise, as profissionais não desdenharam a hipótese de aproveitar as horas mortas durante o dia para ganhar mais uns trocos. 

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Nos dias de hoje ver uma mulher linda a despir-se já não é transgressão e, muito menos, uma surpresa (felizmente), o que deu uma enorme oportunidade às Linda Reis deste mundo.

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Há muitos, muitos, anos um filme fez enorme sucesso mostrando cenas abjectas, repugnantes, nojentas e degradantes. Chamava-se MUNDO CÃO.

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 Kurioso    

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A palavra do título surgiu-me quase imediatamente ao ler a notícia no jornal.

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VERGONHA para o País e Sociedade que permitem isto:

 VERGONHA

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 Enquanto imaginava as linhas gerais do post, tive a ingenuidade, precipitação e presunção de pensar que a Igreja Católica poderia ter sido a solução. A minha ideia “peregrina” foi pensar que uma instituição que tem, por lei, isenção de impostos, e se insurge contra as riquezas mal distribuídas, poderia ter posto a render os 80 milhões de euros que gastou na construção de determinado edifício, e utilizar os proveitos para minorar a VERGONHA.

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Porém, porque não gosto de propostas sem suporte, fui dar uma volta aos números e tive de concluir que, também eu, me devo sentir envergonhado, pela soberba de acreditar que problemas complexos podem ter soluções simples.

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Começando a fazer contas, é possível assumir que os 80 milhões renderiam cerca de 3 milhões por ano. Nada mau! O problema é que 3 milhões/ano a dividir por 40000 daria a ridícula quantia de 20 cêntimos por dia, a cada um. Pois…afinal 80 milhões não é assim tanto dinheiro.

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A seguir, resolvi fazer as contas ao contrário. Imaginemos que 5 euros por dia ajudariam a minorar as carências destas pessoas. Pois mesmo esta pequena “esmola” custaria 73 milhões de euros por ano.

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Então e se nós todos ajudássemos? Há cerca de 5 milhões de pessoas activas em  Portugal, mas como algumas estatísticas indicam que cerca de 30% já estão no limiar da pobreza, só sobram 3 milhões que vivem menos mal. Bastariam DOIS EUROS de cada um POR MÊS para arranjarmos os tais 73 milhões.

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Mas há mais possibilidades. A Banca portuguesa no ano de 2008 teve lucros de 2000 milhões de euros. Imaginando que o imposto que efectivamente pagam subia de 13.5 para 17,5% (ainda muito longe dos 27,5% legais) seria possível arrecadar mais  80 milhões de euros.

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Ou ainda outra hipótese:” Em 2005, os portugueses fumaram cerca de dois milhões de maços de cigarros por dia, num total de 797 milhões de maços ao longo de todo o ano”. Talvez os dois milhões de fumadores (eu era um deles), que gastaram 2000 milhões de euros, pudessem contribuir com qualquer coisinha…

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Sim, eu sei que as propostas acima são demagógicas e impraticáveis. Sim, eu sei que algures lá atrás deveriam ter sido criadas condições para que a VERGONHA não acontecesse. Mas continua a parecer-me estranho que um País e uma Sociedade que construiu, auto estradas, estádios, EXPO e CCB, que conseguiu pôr um automóvel debaixo do rabinho e um telemóvel no bolsinho de cada um de nós, não consiga ALIMENTAR os seus anciãos. 

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Parafraseando a Rádio Renascença:

“Já agora, valia a pena pensar nisto”

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Kurioso

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Parece ser um facto mais ou menos assente, que uma das diferenças entre Homens e Mulheres (além das evidentes…) é a sua capacidade, ou incapacidade, de “multi processamento”. Diz-se que as mulheres conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo (além do falar, que parece não exigir capacidade de processamento…), enquanto nós, pobres homens, só conseguimos fazer uma coisa de cada vez e… calados de preferência.

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Pois se eu tinha algumas dúvidas sobre a verdade deste “facto científico”, acho que tive uma prova durante este fim de semana. 

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Fomos ao cinema, e, já depois das luzes apagadas, passam três vultos à nossa frente para irem ocupar os lugares ao meu lado. Deu para perceber que eram duas mulheres e um homem, sendo que uma das senhoras ficou ao meu lado. Depois do natural reboliço da entrada, tira casaco, arruma carteira, critica o lugar, as coisas acalmaram.

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Passados meia dúzia de minutos, sou surpreendido por uma luz a acender-se ao meu lado. Pensei que a senhora ia desligar o télélé, mas, em vez disso, põe-se a olhar atentamente para ele e, de seguida, desata a teclar furiosamente. Mensagem enviada e a maquineta apaga-se. Finalmente eu posso voltar a ver o filme. Mas havia troco!... Uns minutinhos depois o farol volta a acender-se e… põe-se a olhar atentamente para ele e, de seguida, desata a teclar furiosamente… Este folhetim repetiu-se mais de uma dezena de vezes, e de cada uma delas eu perdi dois ou três diálogos do filme.

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Estava assim provado que a minha vizinha (MULHER) conseguia ver o filme, receber e enviar SMS e bichanar com a amiga, tudo ao mesmo tempo, e este infeliz espectador (HOMEM) só conseguia fazer uma coisa de cada vez. Felizmente eu tinha do outro lado a minha MULHER (escrever minha mulher é machismo?!...), que com a sua excelente memória recente pôde repor os elos perdidos.         

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Enfim…parece que esta batalha da “Guerra dos Sexos” nós já perdemos.

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Kurioso

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Nestes tempos de crise, desânimo e lamúrias, ainda vão aparecendo exemplos de resistência, de imaginação, de ADAPTAÇÃO.

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Perto da zona onde trabalho, havia uma loja de decoração que era, ao mesmo tempo, um atelier e escola de artes decorativas. Durou uma série de anos, sobrevivendo à custa dos habitantes de posses que foram habitando os prédios novos da zona. Porque está nas traseiras de um prédio, o negócio funcionava na base do “passa palavra”.

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Este era um tipo de negócio talhadinho para levar um tareão da CRISE. Porque a proprietária não parecia depender da baiuca para sobreviver, teria sido fácil encerrar a loja e o assunto. Mas há pessoas que NÃO DESISTEM.

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O espaço é amplo, retiram-se as bugigangas, arranjam-se uns equipamentos, fala-se com os antigos clientes e…nasce um ATL (de luxo). Os meninos têm acompanhamento de estudo, podem praticar pintura, cerâmica e até ioga. Os pais, que trabalham nas redondezas, trazem-nos de manhãzinha e sabem que ficam bem entregues até às 8 ou 9 da noite se for preciso.

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A história poderia ficar por aqui, que já era um bom exemplo, mas há mais.

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Um dos grandes problemas de qualquer instituição que tome conta de pessoas, novas ou velhas, é a alimentação. Ou não tem, e o serviço é coxo, ou, se quer ter, as condicionantes burocráticas e os encargos com pessoal são tão grandes que pode inviabilizar o negócio.

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Pois a nossa empresária adaptável resolveu o problema com a ajuda de outra empresária adaptável (a dona do restaurante do outro lado da rua).

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Então é assim. Os papás chegam de manhã, e, enquanto tomam o pequeno-almoço com os rebentos, descobrem o que estes querem para o almoço. A empregada toma nota num papelinho para cada cachopo (ainda só vi rapazes) de todos os requisitos: hambúrguer com arroz ou batatas, com ou sem ovo; bitoque, bem ou mal passado; filetes ou uma perninha de frango; doce ou fruta; sumo ou leite. Ao meio-dia, antes da hora de ponta, atravessa a rua e vai servir o almoço aos meia-leca.

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Isto é um exemplo daquilo a que os ingleses chamam uma “win-win situation”. Toda a gente ganha. A dona do “ATL”, que está acompanhada o dia todo e tem a tarefa gratificante de ajudar a formar um grupo de miúdos; a dona do restaurante, que compensa a perda de alguns clientes com esta nova fonte de receita; os pais porque têm os filhos mais perto de si; os miúdos porque vão com o pai para o serviço, e, com sorte, ao fim da tarde ainda dão um salto ao centro comercial para comprar um joguito para a Playstation.

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Mas, para mim, são também dois belos exemplos de capacidade de adaptação, e, sobretudo, entendimento do que deve ser o SERVIÇO AO CLIENTE.

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Kurioso

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O quadro em baixo estava afixado num dos muitos escritórios por onde já passei.

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A tradução para Português, muito mais palavrosa, perde algum impacto mas, mesmo assim, aqui vai uma tentativa:

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“ISSO NÃO É COMIGO

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Esta é a história de 4 pessoas: Toda-a-Gente; Alguém; Qualquer-um e Ninguém.

 

Havia uma tarefa importante para ser executada e Toda-a-Gente  tinha a certeza de que  Alguém  a faria.

 

Qualquer-um  poderia tê-la feito,  mas Ninguém  a fez.

 

Alguém  ficou muito zangado pela falha, pois era uma tarefa para Toda-a-Gente.

 

Toda-a-Gente  pensou que Qualquer-um  poderia fazê-la, mas Ninguém  se apercebeu que Toda-a-Gente  não a faria.

 

No final, Toda-a-Gente  culpou  Alguém  quando se verificou que Ninguém  fez o que Qualquer-um  poderia ter feito. “

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É claro que esta historieta ilustra aquilo que não deveria acontecer, mas acontece com frequência, na nossa vida privada, na actividade profissional, e até ao nível do País. Assim de repente vêm-me à ideia as áreas da Justiça e da Saúde.

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Ainda ontem um colega me dizia:”Não é preciso resolver o problema. Basta arranjar um culpado”.

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Receio que nos próximos tempos venhamos a ter muitos exemplos deste tipo de atitude.

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Kurioso

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Talvez nem toda a gente saiba que a indústria alimentar, a farmacêutica, algumas áreas da cosmética e sectores específicos de outras indústrias, são obrigados a garantir a tracibilidade ou rastreabilidade de todos os seus produtos. Se tiverem pachorra para abrir o link ficarão com informação completa, mas, para os menos disponíveis, tentarei resumir a coisa.

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A tracibilidade permite seguir a história de um produto até à “terra”. Imaginemos um qualquer pacote de cereais com frutas. Na sua composição entram farinha, açúcar, gorduras, cacau, frutas desidratadas, etc. Para todos estes componentes o fabricante tem de receber dos seus fornecedores a garantia de que saberão onde foram produzidas as matérias-primas, e, mais importante, em que condições. No caso das frutas e cereais, o agricultor pode ter que identificar que tipo de fertilizante ou pesticida utilizou.

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A chave que permite abrir este conjunto de “bonecas russas” é o lote de produção, aquele conjunto de letras ao lado da validade, que, podendo ter vários formatos, tende a ser algo como Lannnlltt , em que L quer dizer lote, a é o último digito do ano, nnn  são três dígitos que identificam o dia juliano, ll  são dois dígitos ou letras para identificar a linha de produção, e tt identificam o turno. Um produto com o lote L92540301 teria sido produzido na noite de 10 de Setembro de 2009 (o turno 01 começa habitualmente às 23H00) na linha 03.

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Desde os primórdios da indústria que sempre houve um qualquer tipo de registo de procedências e características das matérias-primas utilizadas na produção, mas foi só com o advento da informática, complementada com a comunicação instantânea, que se tornou possível garantir a informação da cadeia total, e dispor dessa informação em tempo útil. É frequente um fornecedor ter a possibilidade de indicar a tracibilidade completa de um produto no prazo de 4 horas. E isto implica receber resposta dos seus fornecedores, que por sua vez a receberam dos seus fornecedores, depois destes contactarem os seus fornecedores, até ao agricultor. Este é um verdadeiro exemplo de trabalho em cadeia, pois cada um só guarda os registos da sua própria actividade. O fabricante dos cereais tem na sua base de dados, para cada lote de produção, o registo de todos os lotes das matérias-primas que foram incorporadas. O fornecedor das matérias-primas terá o registo da sua própria actividade, etc, etc. até à última bonequinha russa…

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E para que diabo serve todo este trabalhão e gasto de recursos. Todos nos lembramos da história recente do leite chinês, do óleo de girassol Ucraniano, e, os mais antigos, talvez se lembrem ainda da história da água Perrier. Pois em todos estes casos, a tracibilidade permite identificar e confinar um qualquer problema, de modo a poder-se agir e informar de modo conveniente. E a comunicação flui nos dois sentidos: do consumidor até ao agricultor, quando o problema é detectado no consumo, ou do agricultor até ao consumidor, quando a incidência é detectada na origem.

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A grande vantagem deste sistema não é tanto permitir a recolha selectiva de produto do mercado (recall), que acontece de vez em quando, mas sobretudo obrigar todos os intervenientes na cadeia logística a terem especial cuidado com a qualidade dos seus produtos, pois sabem que serão responsabilizados em caso de incidente grave.

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Kuriosamente, esta divagação sobre a tracibilidade foi-me sugerida pela leitura da seguinte nota, numa revista da especialidade:

Big Brother 

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Um dos paradoxos da vida moderna, é o facto de a Internet ser considerada uma área de anonimato total quando, na verdade, é um mundo onde TODAS as nossas pegadas ficam registadas em múltiplos sítios e guardadas por tempo indeterminado.

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Quando nos sentamos aqui, depois de vestir o nosso fato de “conquistador”, de “palhaço”, de “bandido” ou de “santinho”, e partimos para visitar o mundo anonimamente, estamos de facto a deixar um rasto mais evidente que as pegadas duma gaivota numa praia deserta. E aqui não virá a maré apagá-las!

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E desenganem-se se pensam que só as autoridades poderão ter acesso às coscuvilhices do nosso IP. É claro que o eventual contratado pelo nosso ISP (Internet Service Provider) para efectuar todos os infindáveis backups que permitirão guardar as nossas pegadas, se tiver “dois dedos de testa”, vontade, e uma pen, vai poder copiá-los e…   

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Sempre se podem utilizar os Cibercafés, mas, ou eu me engano muito, não tardará que  peçam identificação aos seus clientes, e sejam obrigados a manter um registo de todas as utilizações. A bem da segurança global, é claro!

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Kurioso

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AV é o Presidente da “minha” Junta, é comunista, é um homem BOM, e eu vou votar nele no Domingo.

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AV e eu conhecemo-nos há trinta e tal anos quando ele era um “temido comuna” membro da Comissão de Trabalhadores, e eu um “estigmatizado retornado” chefe de armazém.

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Naquela época de todas as liberdades, de todas as reivindicações, de todas as vinganças, AV sempre mostrou uma moderação que, não diminuindo as suas convicções políticas, lhe permitia distinguir claramente entre a esfera Social e a esfera Laboral. Ao contrário de muitos dos seus colegas que trocaram a servidão (que houve) pela preguiça (que ainda vai havendo), AV trocou-a pelo brio de provar que um trabalhador livre não tem que ser um madraço.

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Ao longo dos anos o respeito mútuo foi crescendo, ajudado pelo facto de eu não o “temer” e ele não me “estigmatizar”. Se as nossas crenças políticas eram quase opostas, a ausência de fanatismo e a semelhança de atitude profissional facilitava o trabalho em equipa.

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Entretanto os nossos caminhos profissionais afastaram-se, mas quando, passados uns anos, AV apareceu a encabeçar uma lista de candidatos à Assembleia de Freguesia, não tive problemas nenhuns em pôr a cruzinha na CDU.

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A minha aposta (que até nem era arriscada) mostrou ser acertada. Apesar da composição social da minha terreola ter mudado completamente nos últimos 15 anos (movendo-se para a direita), a equipa de AV continua a ganhar folgadamente. A sua dedicação e imaginação têm conseguido fazer milagres com os escassíssimos recursos que são postos à disposição das freguesias pequenas. Mas, mais do que a dedicação, o que eu admiro em AV é a sua infinita paciência. Nas poucas reuniões da Assembleia a que assisti, tornou-se evidente que é preciso um espírito de “mártir” para manter a compostura perante tanta falta de educação, tanto desaforo, tanta exigência descabida. E tudo isto vindo de pais cujos filhos conseguiram destruir um parque infantil antes mesmo de ser inaugurado, que estacionam em cima dos passeios para não andarem meia dúzia de metros, que metem os sacos do lixo nas papeleiras por preguiça de irem ao contentor.

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É uma pena que estes políticos exemplares (que existem em todos os partidos) não consigam fazer caminho nas estruturas partidárias. Será por serem honestos, coerentes, trabalhadores e respeitadores das ideias dos outros?

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Kurioso     

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"A democracia é um método que assegura que não seremos

governados melhor do que merecemos."

George Bernard Shaw

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Kurioso

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Depois de ler, ouvir e ver, acabei por me ficar por uma escolha que já trazia fisgada.

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Destes todos:

 OPÇÕES

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Eu vou escolher este:

 ESCOLHA

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E se ainda pudesse ter alguns remorsos, a macacada das escutas acabou com os meus pruridos.

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Enquanto não aparecer alguém que seja COERENTE, continuarei a poupar a caneta.

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Kurioso

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Uma das minhas colegas casou-se. Como é hábito juntaram-se todas as colegas (eu sou o único homem…), para lhe oferecerem uma prenda, que, neste caso, foi um grelhador todo XPTO.

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A maquineta esteve em exposição uma série de dias, para que as ofertantes pudessem dizer de sua justiça. É claro que houve as habituais comparações com “o que tenho lá em casa”, com “o da minha mãe”, as habituais questões do “faz muito fumo?”, do “leva água por baixo, e já não faz”, as habituais trocas de dicas e receitas, etc, etc. E houve também uma coisa que me surpreendeu. Quando eu pensava que se iriam analisar características como potência, anti-aderência ou área útil, a única coisa que fez brilhar os olhos a todas aquelas donas de casa em part-time, foi o facto da chapa poder ser lavada na máquina, permitindo salvar as caríssimas unhas do Nails 4’us. Também deu para perceber que, neste Portugal novo, a máquina de lavar louça é agora um electrodoméstico standard, mas os maridos standard continuam a baldar-se às tarefas domésticas.

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Durante o fim-de-semana, a pouco mais de trinta quilómetros da capital, ao cruzar uma das novíssimas cidades deste Portugal novo passamos por um lavadouro público e, nova surpresa, vejo 3 ou 4 mulheres a lavar roupa à moda antiga: água, sabão e um tanque.

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Mais do que a diferença de gerações, o que verdadeiramente separa a(s) minha(s) colega(s) destas mulheres do lavadouro é o facto de viverem em portugais diferentes.

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A minha colega fará os possíveis para esticar o seu (bom) ordenado, de modo a que dê para comprar todas as modernices que possam poupar-lhe as unhas. As mulheres do lavadouro farão os possíveis para esticar as suas (miseráveis) reformas, de modo a que dêem para comprar a comida e os remédios que lhes permitam ir estragando as unhas nas lavagens semanais.

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A minha colega verá o seu carro vandalizado, provavelmente assaltado, e terá uma porta de segurança e um alarme, na tentativa de manter afastados os cobiçadores dos seus preciosos brinquedos. As mulheres do lavadouro, mantêm as suas portas sempre abertas e continuam a dormir com as janelas escancaradas para que entre algum fresco nas suas casitas abafadas.

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A minha colega não conhece os vizinhos e desconfia deles. As mulheres do lavadouro cresceram junto com os vizinhos e dependem deles.

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A minha colega e as mulheres do lavadouro, se se encontrassem, provavelmente não teriam nada sobre que falar, mas têm em comum o medo do futuro. Porém, por razões MUITO diferentes. A minha colega tem medo de não conseguir obter o muito que quer, as mulheres do lavadouro têm medo de não conseguir obter o pouco de que precisam.

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Uma e outras irão votar no próximo fim-de-semana, na esperança de que o próximo Super-homem, ou Super-mulher, consiga fazer diminuir o medo que sentem.

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Kurioso

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Em tempos deixei por aqui um post com o título FUTURO, que foi mal interpretado por algumas pessoas, ao pensarem estar eu a referir-me ao meu futuro. Na verdade, eu estava a tentar adivinhar o futuro da humanidade. O futuro daqueles que se estão hoje a formar como seres humanos.

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 O meu futuro foi decidido lá muito atrás, há mais de trinta anos, quando os meus valores se consolidaram. O facto de agora usar cabelo curtinho em vez de grandes caracóis, ou trazer no bolso um PDA em vez duma Bic, não faz a mínima diferença na forma como eu encaro e enfrento a VIDA.

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E, quando eu pensava que a minha geração (a tal dos hippies, do amor livre, do Maio de 68, do proibido proibir) tinha conseguido, finalmente, abolir o fosso entre gerações devido à nossa total abertura de espírito, descubro com alguma mágoa que afinal o fosso persiste. Os jovens sempre conseguirão ser diferentes dos seniores.

 

Há umas semanas atrás a revista TimeOut, que eu compro esporadicamente, trazia na capa uma fotografia de dois pacíficos goldfish, cada um em seu aquário, a mirarem-se com interesse. A fotografia pretendia ilustrar a reportagem de fundo sobre o tema ENGATE. Como já não ando nessas lides há algum tempo (mais ou menos quarenta anos), fiquei kurioso para saber como se “arrasta a asa” nos dias de hoje. Será que, nestes tempos de igualdade, a arte de cortejar é praticada pelos dois sexos da mesma maneira? As mulheres também oferecem flores e chocolates aos homens que pretendem conquistar? A descoberta ainda é feita com técnicas de espionagem e a abordagem com métodos de guerrilha?

 

Na revista vêm vários relatos pessoais, todos afinados no mesmo diapasão, e eu escolhi este:

 BICADA 

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OOPS! Acho que estou a precisar de reciclagem! Aqui não há guerrilha nenhuma. É mesmo blitzkrieg.

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Talvez por haver por aqui, neste SOL, tantas loas ao AMOR, à comunhão, à partilha de ideias e ideais, ao convívio calmo e duradouro, eu, que até sou um pouco para o racional, pensei que o romantismo estava de volta. Pois…parece que não.

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Ou então, todo o mundo virou bipolar: ora agora somos coelhinhos apressados, ora daqui a bocado viramos gansos apaixonados para toda a vida.   

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Se a minha geração foi a geração do compromisso: eu cedo isto, para ter aquilo, a geração actual parece ser anti-compromisso: eu quero isto e não cedo nada. E se esta atitude ainda vai servindo para o coelhinho, já para o lado do ganso não dá mesmo.

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E depois vêm os desabafos virtuais. Para não ferir susceptibilidades, fui buscar dois excertos ao outro lado do oceano. São de uma mulher que, por coincidência, tem a mesma idade da empresária:

“Eu queria tanto saber como preencher esse vazio que eu sinto... saber do que sinto tanta falta...

 Já tentei tanta coisa, eu juro...

 mas, talvez seja um vazio impreenchível...”

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“É que a poesia tem se perdido no ritmo alucinado e alucinante do nosso tempo.

 

Já não se amanhece o dia nas mesas de bar, trocando idéias confusas, chorando amores malfadados... muito menos nas praias observando os primeiros raios solares. Não! Tudo é perigoso agora. Tudo é muito perigoso. E a gente tem que se esconder.

 

Já não se reúnem mais amigos em casa para assistir a um filme proibido. Já não há mais amigos, nem filmes proibidos. Aliás, quase nada mais é proibido. Tudo é permitido e tudo perdeu a graça. Nós perdemos a graça.

 

Deixamos de perceber a graça das coisas simples da vida: o sorriso de uma criança não tem mais graça para nós. Não! Não podemos perder tempo com bobagens de criança.

 

 E assim, vamos nos perdendo... a boemia vai se perdendo... a poesia vai se perdendo... só nos resta a Nostalgia.”

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Pois é. Passar da fase do EU e TU para a fase do NÓS, dá um trabalhão do caraças. E quanto maiores forem o EU e o TU, menor será o NÓS.

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O FUTURO das relações humanas parece-me bem nebuloso.

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Kurioso

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Já por aqui falei sobre uma das minhas eternas dúvidas e fonte de curiosidade: porque é que somos assim?

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Porque somos assim enquanto indivíduos, grupos sociais, países, regiões, etc. Há inúmeras teorias (e livros de auto ajuda) a dizerem-nos que podemos ser isto e aquilo, mas verdade, verdadinha, é que cada um de nós muda, intrinsecamente, muito pouco.

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Pois eu acredito que nós (indivíduos, sociedades, países) temos uma elevada dose de herança dentro da nossa maneira de ser, da qual a parte genética até será minoritária. O que nos faz ser como somos, é um acumular gradual de hábitos, costumes, valores, comportamentos, e até modos de pensar e solucionar problemas.

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A colonização de Angola e Moçambique foi feita com as mesmas pessoas, mas, um século depois, os retornados de cada uma das “províncias” eram bem distintos, pois tinham sido formados em realidades distintas, tendo por isso heranças diferentes. A diferença entre Portugueses Angolanos e Portugueses Moçambicanos ficará para outro post pois preciso ainda de procurar suporte factual para a minha opinião puramente subjectiva.

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Hoje, gostaria de vos mostrar um exemplo da herança que nós lá deixámos, num e noutro lado daquele continente imenso.    

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As conversas com uma familiar que ainda reside em Moçambique, proporcionaram uma visita ao Google Earth para tentar localizar todas as casas onde fomos vivendo ao longo de 27 anos. Esta “visita” mostrou coisas extraordinárias: as “nossas” casas ainda existem quase todas; dentro da cidade há baldios que persistem ao fim de 50 anos; a área da cidade quintuplicou nestes 30 anos, com mares de barracas a estenderem-se por quilómetros. E a grande surpresa, e causa deste post, foram mesmo estes quilómetros de barracas a perder de vista, não pela sua quantidade, mas pela sua disposição.

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Um parênteses para explicar, de uma forma simplista, as principais diferenças da Angola e do Moçambique coloniais.

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Angola sempre esteve mais ligada a Portugal, quer pela proximidade, quer pelo relativo isolamento em relação aos seus vizinhos mais próximos, vizinhos estes que, devido a inúmeras convulsões internas e divisões tribais, nunca se tornaram nações de referência. O modelo, ou matriz, angolano era assim europeu continental (latino). Já Moçambique estava muito longe da “metrópole”, e, muito mais importante, tinha como vizinho o país mais desenvolvido de África. E se os diversos Congos nunca conseguiram, ou puderam, intervir e influenciar Angola, a África do Sul foi sempre um parceiro privilegiado de Moçambique. A “latinidade” que os portugueses pudessem trazer ao chegar a Moçambique, era rapidamente abafada pela fortíssima influência anglo-saxónica. Desde a condução pela esquerda, passando pelas actividades económicas até chegar à toponímia geográfica que converteu designações portuguesas em corruptelas inglesas. “Delagoa bay” era a tradução de baía da lagoa, e fazia parte do nome de uma série de empresas. Se espreitarem o link, verão que a wiki tem um artigo bastante completo em…Inglês.

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Não admira, por isso, que Lourenço Marques tivesse sido desenhada a “régua e esquadro”. Ruas largas perpendiculares formando quarteirões quadrados (pleonasmo???) com passeios largos, semeados de árvores de grande porte. Uma monotonia que era um regalo para a vista e…para se andar de bicicleta. Este urbanismo ortogonal foi sendo aplicado ao longo dos anos em todos os novos bairros até 1975.

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Após a independência era natural que os novos países quisessem ver-se livres de todas as “pesadas heranças”, esquecendo rapidamente os hábitos e costumes do colonizador. E, sendo o caos a forma natural de África, seria de esperar que a (auto)construção explosiva de centenas de milhar de barracas no prazo de duas décadas resultasse numa amálgama caótica semelhante ao que se vê nos arredores do Cairo , de S. Paulo, ou da cidade  do México.

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Surpresa:

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 ARREDORES DE MAPUTO

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Não queria acreditar no que estava a ver! Depois de vários zoom in e zoom out, tentando encontrar Lourenço Marques dentro de Maputo, consegui descobrir a “minha” cidade num cantinho daquele quadriculado imenso. Só quem conhece África pode perceber o quanto esta realidade é assombrosa. Este tipo de “urbanismo” em bairros de barracas é intrínseco aos seus habitantes. Os auto-construtores copiaram um modelo que acharam prático, funcional e económico. E copiaram-no de duas realidades distintas. Da cidade dos “ricos” lá ao pé da água, e das townships Sul africanas que conheceram quando trabalhavam nas minas. As townships eram “reservas” urbanas construídas pelo governo durante o apartheid para manter confinados os não brancos. Eram casas razoáveis construídas ao longo de ruas largas e rectas que, oficialmente, se destinavam a proporcionar uma habitação condigna e saudável, mas que também se destinavam a permitir o rápido acesso e circulação das forças de segurança em caso de “complicações”.

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Quando consegui fechar a boca, meia hora depois, fui espreitar Luanda.

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 ARREDORES DE LUANDA

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Aqui sim, encontrei o que estava à espera. Como o modelo base já era desordenado, ele simplesmente foi sendo replicado dando origem a um caos latino-africano. As duas imagens têm o ponto de vista à mesma altitude, e focam uma área distando cerca de 7 kms do centro de cada uma das cidades.

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Não me compete julgar qual dos modelos é mais válido, até porque não poderia ser isento. O meu ponto é tentar mostrar que também os países, tal como as pessoas, agem instintivamente de acordo com heranças que muitas vezes tentam renegar.

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Kurioso

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CARTAZ 

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Como explicar este cartaz a um miúdo de 7 anos que quer mostrar que já sabe ler?

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Como explicar este cartaz a uma jovem de 77 anos que quer mostrar que ainda consegue ler?

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Se isto está dentro da “norma”, eu, que acho o cartaz uma aberração, sou anormal?

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Kurioso

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PS. Este cartaz está à beira de uma estrada principal onde todos os dias passam milhares de carros em marcha lenta.

Faz amanhã dois anos que escrevi aqui o primeiro post. Dois anos passam num instante, mas quantas coisas kuriosas eu observei neste SOL.

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Nos primeiros tempos, deslumbrado, deixei por aqui tempo que fez falta para outras pessoas e outros interesses. Porque estava de boa fé, acreditei em embustes, e tomei partido em guerras tontas. Porque as palavras podem ter significados diferentes para escritor e leitor, fui mal interpretado várias vezes.

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Rapidamente tive que definir um “tempo” e um “modo” de estar neste mundo virtual onde, sãos e lunáticos, gregários e solitários, exibicionistas e tímidos, verdadeiros e falsos, convivemos sem regras e sem responsabilidade.

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E o meu “modo” é simples. Escrevo um post todas as semanas, sempre à sexta-feira, e dou uma espreitadela duas ou três vezes por semana. Visito com alguma regularidade três tipos de blogues: os que me interessam; os que me divertem; e os que me espantam. Infelizmente uma boa parte dos bloguers que escreviam o que me interessava, desistiu. Em compensação, os que me espantam são cada vez mais…  

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Porque não pratico os truques que todos conhecemos, e porque a minha escrita é amarga e pouco picante, os visitantes nunca foram numerosos, mas são bastante fiéis. Se eu fosse um restaurante seria talvez “O Funil”, ali para as avenidas novas. Nunca está cheio, mas tem sempre gente…

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E, se ao fim de dois anos as coisas não mudaram muito por aqui, as mesmas guerrinhas, as mesmas tricas, os mesmos compadrios e muitas zangas, compensados com bastante solidariedade e alguma amizade, eu mudei bastante.

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Para um “não falador” a escrita pode ser um escape bem interessante. Quando o vento está de feição, é gratificante sentir as ideias a saírem pela ponta dos dedos, e, para mim que sempre fui telegráfico, chega a ser assustador ver as palavras a amontoarem-se. E foi a escrever e a ler que cheguei a duas conclusões: nunca vou ser um escritor, mas penso que serei um escrevinhador o resto da vida.

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Os meus agradecimentos aos que me incentivaram quando comecei, e também àqueles que me vão acompanhando em cada semana (suspeito que uma boa parte são os mesmos…).

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Kurioso

Este regresso de férias está a ser mais complicado do que é habitual. Aparentemente não há nenhuma razão especial, mas ando macambúzio, modorrento, desfocado, chocho, lerdo, etc.

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Procurando uma causa para a coisa, comecei a pensar se o meu baixo astral poderia ser resultado dos deprimentes episódios da novela “Zé e Manela no país do Aníbal”, se seria da frustração dos julgamentos sem consequências, porque nunca acabam, ou daqueles outros julgamentos, que embora acabando com uma condenação, também não têm consequências. Talvez também tivesse contribuído a espantosa notícia de que se está a trabalhar afincadamente para que o prazo de espera das consultas de cirurgia não ultrapasse os nove meses (a barreira psicológica do período de gestação humana?...).

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De repente, lembrei-me de já ter lido algo sobre o amoc do regresso. Consulta-se o oráculo, e… 

“A tal da depressão pós-férias

Ela dá as caras logo nos primeiros dias de trabalho e vem acompanhada de desânimo, dores de cabeça e cansaço profundo.

De acordo com uma pesquisa da psicóloga Ana Maria Rossi, mais de 35% dos trabalhadores apresentam o problema quando retornam do merecido descanso, principalmente os insatisfeitos com o emprego ou aqueles que sentem difi culdade para voltar ao dia-a-dia do escritório. "Além de se sentirem deprimidas, várias pessoas atingem o mesmo nível de estresse de antes das férias", conta Ana, que é presidente da Isma-BR, entidade de estudo e gerenciamento de estresse. Para alguns, os sintomas vão embora depois de uma semana. Mas poderiam ser evitados. Veja abaixo

VOLTAR COM ALTO-ASTRAL
- Procure, se possível, dividir as férias em dois períodos durante o ano. Descansar por um mês e ralar os outros 11 aumenta o sentimento de frustração no retorno ao emprego.
- Volte de viagem pelo menos dois dias antes do término das férias. Assim dá para ir ao supermercado, desfazer as malas com tempo e se adaptar de novo à rotina.
- Não se desespere com o trabalho acumulado. Arregace as mangas para concluir as tarefas imprescindíveis e deixe o que não for urgente para depois, sem medo nem tantas cobranças.

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Fiquei triplamente aliviado: é reconfortante saber que há um nome para as nossas maleitas; é animador pensar que, até no País mais alegre do mundo, há quem sofra do mesmo mal; e, muito mais importante, é motivador saber que eu posso resolver este problema, sem precisar de ajuda do Zé, da Manela ou do Aníbal (bem lixado estava…).

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Vou então trabalhar afincadamente para me livrar da Depressão Pós-Férias a tempo de poder enfrentar a DPE (Depressão Pós-Eleições), logo seguida da DPO (Depressão Pós-Orçamento), e, um pouco mais à frente, a DPN (Depressão Pós-Natal).

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Além das beatas nos passeios e carros mal estacionados, uma coisa os Portugueses têm garantida: sempre haverá uma depressãozinha à nossa espera no futuro próximo.

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Kurioso

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