SOL
As vossas palavras são merecedoras de todos os raios de Sol

Por diversos motivos, várias vezes repensei a minha presença nos blogs do Sol. Apesar de afastada da escrita pública, fui observando muita coisa menos agradável a acontecer nesta dita comunidade.

Não poucas vezes abri o Word para teclar a minha fúria. Não poucas vezes escrevi... para apagar em seguida. Em constantes momentos indaguei se valeria a pena continuar numa plataforma em que tanta mesquinhez prolifera, através de inúmeros nicks que, sem qualquer pudor - e escondendo-se atrás de um teclado - aproveitam esta impunidade para darem largas à sua ignomínia.

Mas há coisas que só o acaso explica. Hoje fui parar ao blog da Lilica e ao seu último post. Conhecedora do texto apresentado, detive-me nos comentários. Assim, acabei por ir parar ao blog do Antóniogamito e fui bisbilhotando. Foi a primeira vez que entrei nos blogs de ambos e que boa surpresa.

Depois vi que a Almamater tinha colocado um post de um tema “algo difícil” de ler e comentar. Detive-me no comentário que a Portocego lá deixou e reflecti. Abri o meu mail e vi as mensagens da MargaridaMartins, dos Meninosdocoro e da Meduarda.

Recordei ainda todas as coisas fabulosas que fui lendo, ao longo deste meio ano no Sol, colocadas por tantos bloggers que têm o prazer de partilhar os seus mundos com os outros.

Caramba, esta comunidade está cheia de gente com grande valor, com uma riqueza de experiências de vida que não encontro por aí. Aqui vive-se também com muita sinceridade, com coragem, com dignidade de postura, com angústias, com delicadezas, com uma grandeza ímpar.

Então fiz a minha manobra interna de inversão:

“Porque motivo me apeteceu tanto destilar umas palavras pouco simpáticas para com aqueles que insultam, difamam e atacam com cobardia, quando há tantos por aqui merecedores de imensas vénias e elogios.

Porque motivo haveria de perder o meu tempo com aqueles que merecem apenas a indiferença, ao invés de me deliciar com os escritos de tantos, que são Homens e Mulheres de valor.”

Por isso, gente de grande carácter desta comunidade, pessoas de bem, gente com verdade e honra nas veias, bloggers de se tirar o chapéu, deixem que me renda perante todos vós e que vos enalteça pela coragem de escreverem e partilharem as vossas vidas, os vossos pensamentos, as vossas memórias e desejos, as vossas agruras e desafios.

Só posso sentir-me grata por escrever numa comunidade onde existe esta dimensão de valores, os vossos valores.

As vossas palavras são merecedoras de todos os raios de Sol.

Publicado 05 April 09 09:06 por Lucat | 26 Comentário(s)   
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Meu querido e dedicado “Picina”...

Meu querido e dedicado “Picina”... não, não me faltam dentes nem é uma gralha no meu português, mas lembrei-me de teres comentado, com a Padeira de Aljubarrota, a tu amiga Brites, que a Natureza foi madrasta numa parte importante do teu corpo – aquela que pensa... – e resolvi começar-te a tratar por “Picina”. Tem muito mais a ver e não acho adequado tratar-te por fofinho ou bolinha de pêlo, até porque creio que não entenderias a piada.

Sabes “Picina”, eu não estou à procura de uma nova relação. Não, não insistas... no dia da Criança faço doze anos de casada, muito bem casada, diga-se, e não há espaço para ti na minha vida. Pois é “Picina”, a verdade é uma coisa que idolatro e não sei como poderia dizer-te de outra forma que “não és homem p’ra mim, eu preciso muito mais, não és homem p’ra mim, eu mereço bem melhor (...) não és homem p’ra mim, nem és homem p’ra ninguém”.

Eu sei que te apaixonaste por mim porque eu sou directa, frontal e uma grande amiga da Padeirinha de Aljubarrota, mas não adianta. Não, não insistas, não te quero e ponto final. Parágrafo. The end!

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Há vários motivos que me levam a tomar esta decisão.

O primeiro já o disse: Amo o meu marido.

Segundo: Falta-te um bocadinho assim! Bem, é um bocadão, mas também não adianta ser tão cruel para contigo...

Terceiro: As águas paradas em ti atraem muita mosquitada e não é coisa que me agrade. As moscas também gostam do teu odor...

Quarto: A tua família parece-me mais adequada a um circo de aberrações, desde que não saiam da jaula e tenham todas as vacinas em dia...

Quinto: A tua imaginação é curta. Pois... também lhe falta um bocadinho assim...

Sexto: Apesar de te julgares uma princesa, nunca te deixaria usar a minha roupa, os meus brincos, a minha maquilhagem. É que há coisas que não partilho MESMO...

Sétimo: A minha família nunca te aceitaria, a filha dos meus pais foi criada com muito amor e educação e não serviria para estar ao lado de uma criatura como tu. Não te amofines, não estou a armar-me em superior, apenas acho que somos diferentes. É que eu posso andar na rua sem açaimo e tu não...

Oitavo: Irias morrer à fome. Nunca te daria qualquer refeição pois acho que devemos respeitar as tabuletas do Zoo: “Por favor, não alimente os animais”....

Nono: Não poderiamos tirar fotografias juntos, a menos que usasses uma burka ou um saco de papel pardo enfiado até ao pescoço. E, para isso, basta tirar fotografias com outro qualquer que se preste a isso, ou com a esfregona cá de casa...

Décimo: Nunca nos iriamos entender quanto aos programas de televisão, livros, filmes, conversas, artigos pessoais: eu gosto de variadíssimas coisas, tu só vês e falas do Ruca, do Noddy e da Hello Kitty...

Olha, não dá mesmo “Picina”, ‘tá?

Agora um conselho saído do fundo do coração, só para que não fiques deprimido por te ter repudiado desta forma: “Muda de vida, se tu não viveres satisfeito, muda de vida, estás sempre a tempo de mudar, muda de vida, não deves viver contrafeito, muda de vida, se há vida em ti a latejar, ver-te sorrir eu nunca te vi, e a cantar, eu nunca te ouvi, será de ti ou pensas que tens... que ser assim”.

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ps. Para quem tem uma média mensal de dois posts (33 em 13 meses), acredito que estejas mesmo desesperado de amor por mim. Não só passaste alguns dias a bisbilhotar o meu blog, como este mês estás fartinho de dar à tecla. Toma um comprimido que isso passa.

Ah, quase me esquecia... calculei que me fosses dedicar e deliciar com mais um dos teus belos e emblemáticos textos. Por isso, porque és previsível e as nossas inteligências não são comparáveis – eu tenho e tu não – esta minha “tampa” em relação ao teu amor impossível por “moi” já estava escrita.

Publicado 17 March 09 08:21 por Lucat | 19 Comentário(s)   
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Eu não sou um Piscinas a sério... IV Acto e final, Praesumptio juris et de jure

Olá a todos, queridos bloggers desta comunidade, que parece terem um certo respeitinho por mim, mas afinal não me gramam nem com bóias e barbatanas.

Quero confessar-vos uma coisa. Algo que me tem vindo a atormentar dia após dia. Um facto que, para muitos pode não ter qualquer importância, mas para mim, é justificativo deste meu comportamento.

Não... infelizmente não sou quem julgam. Eu não sou um Piscinas a sério... eu sou um mero tanquezito de betão armado (armado em parvo, é verdade), meio vazio e sem nunca ter sentido o cheiro de cloro. O único cheiro que sinto, em regime de permanência, é o das águas paradas em mim (e não é vontade de fazer xixi!!!). Deve ser por isso que, nas minhas águas pardacentas, habitam alguns vermes que os girinos fazem o favor de comer, aprendendo a sobreviver com as suas mãezinhas, as rãs.

Aproveitando esta minha onda de boa vontade, vou fazer-vos mais algumas confidências mas, por favor, prometam-me que as mantêm em segredo... é que eu não gosto muito de dar nas vistas e ainda posso ser alvo de uma inspecção sanitária, ao estar-me a fazer passar por Piscinas, quando nem para bebedouro de caprinos, bovinos, ovinos e equídeos sirvo!

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      Eu, a tia Gertrudes e o tio Simplício

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Tenho alguns traumas de infância, sabem. Isto até pode tornar-me um psicopata, um sociopata ou algo pior como... hum... ah, já sei: como um menino da mamã! Bem, da mamã não, que ela abandonou-me quando me nasceram os caninos, mas como um menino da titia. Pois é, a minha tiazinha Gertrudes tem aturado os meus dramas desde a infância até à adolescência. Os da fase adulta ainda não, pois ainda não cresci o suficiente para saber o que isso é. Mas a minha tiazinha Gertrudes é o meu porto de abrigo (embora tenha um bigode irritante e que pica, quando me esborracha com beijocas), é aquela que me entende de uma ponta à outra, aquela que me conhece desde a cabeça – que tem presa uma carinha não muito laroca, diga-se em abono da verdade – até ao dedão do pé - aquele que tem um calo que me atormenta cada vez que tento usar um sapatinho de salto alto - e passando pelo meio do meu corpo... para o qual a natureza não foi deveras generosa. Agora já percebem porque tenho este comportamento implicante e egocêntrico, não é? Falta-me um bocadinho assim...

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Depois temos ainda a minha bonequinha, a querida Beatrice. Dei-lhe um nome francês para não dar muito nas vistas e fazê-la parecer ahn... digamos... uma top model estrangeira, mas comprei-a nos saldos de uma sex-shop em Alguidares de Baixo, que estava a fechar para mudança de ramo (agora é um snack-bar que vende croquetes, minis e amendoins). Além disso nunca fui a França, nem tão pouco sei dizer mais do que “moi”, “je” e “rien” na língua francesa. Mas como dizia, a Beatrice é uma querida, não só adora o quimono que lhe ofereci, como não larga as pantufas felpudinhas que a tiazinha Gertrudes lhe trouxe há dois Natais. E dão-me um jeitão aquelas pantufas, ai se dão. Não é que posso arrastá-la pela casa toda que ela não fura? E nunca se queixa! E o que poupo em roupa e sapatos? E as vantagens do comando ser só meu? E o controlo do peso? Sim, sou eu que encho o pipo ou esvazio, consoante seja Inverno (mais cheinha, para aguentar as frias temperaturas) ou Verão (menos cheinha, para ficar melhor de biquini). Além disso a Beatrice concorda com tudo o que eu faço ou digo, não é minha querida? Agora vem aquela parte em que eu a agrarro pela parte de trás do pescoço e a faço mexer a cabeça em sinal de afirmação.

Vou poupar-vos em relação ao resto dos personagens da minha vida, para não vos maçar mais. É que ainda há o meu tio Simplício, que descobriu aos cinquenta anos que era gay, o meu primo Zacarias que já terminou a faculdade, mas ainda não conseguiu largar a chucha nem o cobertor azul clarinho e o meu vizinho Euclides, que tem tentado internar-me quase todas as semanas, sem que eu perceba porquê.

Bem, queridos bloggers deste Sol, compreendem agora verdadeiramente porque sou assim? Mas eu um dia cresço, prometo. Cresço e desapareço.

Beijinhos a eles, abraço a elas, que eu sou um tanque cheio de verdete, mas sou muito moderno nestas coisas das relações humanas.

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Escrito pela Padeira de Aljubarrota, após ditado pelo tanquezinho de águas paradas e cheio de verdete, com pretensões a algo maior e aprazível, onde alguém tivesse coragem de se banhar, sem passar pelos horrores de sofrer um ataque de urticária crónica.

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Este texto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência. Confused

Publicado 16 March 09 12:01 por Lucat | 32 Comentário(s)   
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O absurdo aconteceu, faz parte do meu dia-a-dia

Ontem saí cedo da empresa e fui buscar os filhotes à escola. Perto de casa, estava mesmo bem disposta, chegava a tempo e horas de preparar as rotinas de final de dia com alguma tranquilidade e, talvez, até poder deitar-me um pouco no sofá da sala. Já devia ter aprendido que não adianta fazer planos...

O portão grande da entrada, por onde passa o carro, estava aberto. Mau... não estava ninguém em casa, o pedreiro que tem vindo fazer umas obras tem a chave do portão pequeno... não havia vento... pois... nem metade do dito portão! É mesmo assim, foi desaparafusado, desmontado, tirado. Foi roubado!

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Numa outra experiência anterior, em que me haviam forçado a fechadura da porta principal da casa, telefonei para a polícia e a única coisa simpática que me disseram foi: “Mas a senhora tem alguém estranho dentro de casa? Se não tem e se não lhe levaram nada, não podemos mandar ninguém aí, o que pode fazer é vir até à esquadra apresentar queixa. E se verificar que alguém tenta entrar, então comunique-nos que fazemos deslocar um carro-patrulha”. Entre a estupefacção do “conselho” da autoridade e a fechadura avariada, a única coisa que fiz foi rir nervosamente, para evitar dizer umas gordas asneiras à frente dos meus filhos.

Desta vez, e à semelhança das febres dos miúdos – no segundo dia de febre digo logo ao médico que já é o quarto dia... – adoptei a mesma técnica. Telefonei para a P.S.P. e disse-lhes que me tinham roubado o portão da rua e que não entrava em casa pois tinha receio que estivesse alguém lá dentro. O carro-patrulha chegou meia-hora depois do telefonema.

Tiraram medidas, fizeram perguntas, pediram a minha identificação. Verificaram as entradas da casa e o exterior. Tomaram notas. Conclusão: percebi que o alumínio estava em alta no mercado paralelo, que se tivesse portões de madeira ou ferro não lhes tocavam pois não tinham qualquer valor comercial, que havia empresas que compravam e vendiam este tipo de material ao quilo. Na posse de um contacto de uma destas empresas “compradoras”, dado pela polícia, fui investigar hoje pela manhã. Na recepção dessa mesma empresa, apresentei o caso (sem mencionar sequer a palavra polícia) e abri o jogo: mais valia comprar o meu portão ao quilo, que gastar uma pequena fortuna num portão novo! Mesmo que isso significasse que teria que adquirir aquilo que já era meu, mas que por força dos amigos do alheio, me tinha sido usurpado. Dez minutos depois estava à frente do que restava do meu portão, juntamente com uma pilha de outros portões e portadas. A fechadura era a minha, os puxadores também. O portão estava desmontado, serrado, amontoado em tiras. O meu belo portão verde estava óptimo... para a sucata! Saí da empresa com a identificação e morada do “vendedor” do material, até porque é muito melhor para a imagem da dita empresa, fornecerem-me os dados a mim que serem pedidos localmente, na presença de agentes da autoridade. Dirigi-me à esquadra, mas com muito mais vontade de pegar num grupo de amigos do tamanho de jogadores de râguebi e fazer uma visita à criatura, que já sabia ser produto nacional e ter pouco mais de vinte anos. Ainda passei pela rua do simpático...

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Como sou a favor da justiça pelos meios legais, apresentei os novos dados na esquadra. Os agentes que receberam ontem a queixa só entram às 13 horas de hoje. Ainda não reportaram, oficialmente, a queixa de ontem. Ainda não preencheram o formulário onde podem ser acrescentados novos dados. Conforme combinado com o agente que me recebeu hoje pela manhã, vou ficar à espera que me contactem para lhes facultar estes novos elementos. Entretanto tenho o nome e endereço da criatura nas minhas mãos e uma tremenda vontade de o encostar à parede... Vou aguardar pelas instruções da polícia, que pouco ou nada vão poder fazer. Aposto que a criatura ainda vive com algum dos progenitores, não tem rendimentos legais, não tem bens em seu nome, não é procurado por homícidio, não tem ponta por onde se lhe pegue e nem vale a pena apresentar-se na esquadra, para sair cinco minutos depois de ser identificado formalmente... mas tem cara para dois belos pares de estalos, corpo para uma bela sova e ouvidos para perceber que se voltar a repetir a graçola, ainda lhe acontece uma desgraça maior, que implique uns ossos partidos. Nesta altura só consigo sentir-me grata por ter amigos de tamanho extra-large! Para quem costuma acreditar na Justiça, começo a ficar um pouco descrente. E o pior é que isso não me preocupa nem um pouco!

Publicado 11 March 09 01:14 por Lucat | 41 Comentário(s)   
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Aos professores!

Antes de mais gostaria de afirmar que nada tenho a ver com a classe dos professores. Não tenho familiares, amigos ou sequer conhecidos a leccionar. Quando este, digamos, conflito entre professores e Governo começou, fiz buscas na internet, jornais, revistas, assisti a programas na tv, para que pudesse esclarecer os pontos que me suscitaram dúvidas. Em seguida fui falar com a professora do meu filho mais velho (que frequenta o 4º ano do ensino básico) para ouvir, da sua própria boca, o que se passava na sua sala de aula e na sua profissão enquanto docente. Não tenho por hábito opinar gratuitamente, informo-me primeiro para depois tomar uma posição que me pareça a mais correcta.

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Quero com isto tudo dizer que julgo a "atitude anti-professores" tudo menos decente. De um momento para o outro, parece-me que esta classe profissional se transformou no "saco de boxe" de tantas injustiças que proliferam no país. Os professores não podem servir de bodes expiatórios para tudo o que vai muito mal na nação.

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Sabem que muitas das nossas crianças foram alvo de avaliação logo no início do ano lectivo? Pois é, uma das modalidades de avaliação, chama-se a Avaliação Diagnóstica. É realizada no início de cada ano lectivo, devendo articular-se com estratégias de diferenciação pedagógica, de superação de eventuais dificuldades dos alunos e facilitação da sua integração.

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Conseguem explicar-me como raio um professor (muitos têm crianças novas nas suas salas de aula) consegue avaliar, previamente, um aluno sem o conhecer minimamente. Reparem que estamos a falar de uma escola, não de uma empresa com objectivos financeiros a 4 anos, com um produto que já foi alvo de inúmeros estudos de mercado...

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Dizer mal é facílimo, difícil é argumentar para além da mesquinhez do dinheiro que gera muitos desamores por esta classe. Estou-me francamente nas tintas para que os professores ganhem regiamente, desde que cumpram com a sua missão: ENSINAR, e ensinar BEM. Se os professores dos meus filhos estiverem motivados, o seu ensino será, possivelmente, exemplar. É isso que pretendo para eles. Nada mais. Ou acham que os nossos impostos são mais bem empregues em mais de duas centenas de deputados do Parlamento, uma dúzia de ministros e um sem número de gestores públicos que têm vindo a cometer erro atrás de erro e a encher as suas contas privadas?

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Mas eu nao me estou nas tintas para que os professores não trabalhem. Longe disso. Tentem saber quanto tempo, para além da permanência dentro de uma sala de aula, os professores gastam em preparação das mesmas, correcções de provas, "n" formulários e directrizes do ME e das próprias escolas. Quando chega a chamada hora de ensinar, como é? Não há pachorra. É isso que eu reclamo. Basta de papelada inútil. Os professores sempre foram avaliados e sem esta carga burocrática - imaginam quantos formulários existem? Eu fiz uma busca e descobri este exemplo:

"Início do ano: Planificações (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Critérios de Avaliação/correcção (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Descriminação de competências a atingir (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); articulações interdisciplinares (1 pág. por turma = total de 6 págs.); (...) são fotocopiadas (1 exemplar para o dossier de Directores de Turma, no Plano Curricular de Turma, 1 exemplar para o Conselho Executivo, anexo à acta, 1 exemplar para os registos pessoais dos próprio professor, 1 exemplar para o dossier de Departamento ...). Logo, num total de 36 páginas (120 fotocópias)."

Isto é uma gota de água comparado com o resto da "papelada" ao longo do ano.

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Quando chegam à sala de aula, estão descontentes e com razão. E mesmo que sejam profissionais excepcionais, como vão ter condições para ensinar com alma e coração?

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E, fundamentalmente, creio que já chega de manobras e aproveitadorismo político, a bem do ensino, dos professores, dos alunos e de todos os que se preocupam com o futuro do sistema escolar.

Notas finais:

- A professora do meu filho tem duas crianças com necessidades de aprendizagem especial na sua sala e prepara aulas distintas para estas crianças, sem nunca deixar de as integrar no grupo dos restantes alunos. Os restantes meninos aprendem com ela uma valiosa lição de vida com esta atitude e são extremamente protectores destas duas crianças, passando essa preocupação para além da sala de aulas;

- A professora do meu filho tem uma criança na sua sala que acumula faltas atrás de faltas, pois tem que ficar a tomar conta de uma sobrinha com meses. Esta situação penaliza-a pois será uma criança com francas probabilidades de reprovar no final do ano lectivo, embora nada possa fazer quanto à assiduidade desta criança a não ser alertar, frequentemente, a mãe da mesma;

- A professora do meu filho leva, diariamente, lanche para outras duas crianças algo negligenciadas pelos seus encarregados de educação e não faz alarde disso, soube-o pelo meu filho e confirmei isso com ela.

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A professora do meu filho não vai ser avaliada por tudo isto, apesar do seu constante empenho que vai muito além das suas funções enquanto docente, mas que faz dela um ser humano excepcional.

Se me for permitido, por aquela senhora, fazer a sua avaliação enquanto mãe e encarregada de educação do Carlos, a professora do meu filho vai ter a minha nota máxima.

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Observação: Este post é a readaptação de um dos primeiros que coloquei na Máquina do Pão. Está aqui reeditado a pedido de uma professora muito especial, que conheci virtualmente.

Publicado 05 March 09 10:37 por Lucat | 48 Comentário(s)   
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Eu não minto! Não acreditam?

Aprendemos, desde muito tenra idade, que a mentira é uma coisa feia. Que se mentirmos, os outros perdem a confiança em nós. Que mais vale uma verdade dolorosa que uma mentira piedosa. Que a mentira é facilmente descoberta e que nada melhor que a honestidade. Nas palavras e nos actos.

Depois crescemos. E começamos a mentir! E mentimos com a consciência de que o estamos a fazer.

- Mãe, hoje chego mais tarde pois fico a estudar em casa da Nicas. Mentira… vamos dar uma volta e ver se encontramos rapazes giros! Ah, também aproveitamos para experimentar uma cerveja, para parecermos mais crescidas.

- Filho, um dia explicamos-te para que serve um preservativo. Mentira… fomos surpreendidos pela tua pergunta e não sabemos como te responder, sem que fiquemos embaraçados. Para a próxima vê lá se perguntas qualquer coisa mais fácil, tipo: as cenouras têm vitaminas? Ou os pintos são amarelos?

- Avó, desculpe mas passei o dia agarrada ao computador e não tive tempo de lhe telefonar. Mentira… esqueci-me e não me apetece admiti-lo, até porque já sei que vem aí um sermão daqueles e só chego a casa amanhã.

- Chefe, estava um trânsito infernal por isso cheguei atrasada. Mentira… apeteceu-me ficar na cama mais meia hora. Estava tão quentinha e enroscada. Estou perdoada?

- Cliente, este é o produto mais indicado para si. Mentira… este é o produto que temos em overstock e, se não o despachamos rapidamente, temos o administrador à perna e nem sabe do que ele é capaz.

- Político, acredito que pode prestar um bom serviço à comunidade, por isso vou votar no seu partido. Mentira… não acredito em nenhum de vós e só voto para depois poder reclamar sem remorsos. Aliás, o que me apetecia mesmo era mandá-los todinhos numa caixa para a Sibéria. Sem retorno!

- Vizinho, não oiço os seus filhos, esteja descansado. Mentira… eles são mesmo eléctricos e acho que jogam ao berlinde na cozinha. Ou então resolvem calçar os sapatos de salto alto da mãe.

- Amiga, não te preocupes, esse corte de cabelo fica-te lindamente. Mentira… pareces um faisão empalhado, depois de três décadas ao pó. Mas onde é que tu foste arranjar esse penteado?

- Fornecedor, não posso almoçar consigo hoje. Mentira… acordei com os pés de fora e tenho mais que fazer que passar a hora de almoço a aturá-lo. Além disso, eu acho que você ficava ofendido se lhe dissesse uma coisa destas.

- Colega, podes terminar este relatório pois ainda tenho que acabar o mapa de previsões mensais? Mentira… estou mais que despachada, mas se fizeres tu o relatório, eu posso ir para a net ver as últimas. Se encontrar alguma peça gira para ti, depois chamo-te para espreitares, boa?

- Todos, passei bem, muito obrigada. Mentira… tenho horas. Acho que agora estou na hora não.

Sem querer ser mais ou menos que os outros, costumo ser acusada de ser demasiado crua nas respostas que dou. Talvez porque abomine, sobremaneira, as mentiras. Adoptei uma estratégia para dizer sempre a verdade e deixar todos na dúvida se estarei ou não a falar a sério: limito-me a responder com sinceridade, mas com muito humor à mistura. A experiência tem-me ensinado que as verdades doem menos, quando ditas com boa disposição. Experimente passar por todas as respostas acima e dizê-las com um sorriso maroto. Doem menos, não é? E quem acha que o vai levar a sério, mesmo dizendo a verdade? Pois é… quase ninguém.

E ainda se riem de mim quando afirmo que nunca minto. Mas não minto mesmo. O quê? Não acreditam? Tongue Tied

Publicado 04 March 09 10:41 por Lucat | 40 Comentário(s)   
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Se fumar, não paga!

Há um mercado perto de minha casa. Dentro desse mercado há um café. Nesse café trabalha uma senhora que também tem um part-time num restaurante da cidade.

Hoje fui lá beber um café e resmunguei que deveria ser permitido, aos donos dos estabelecimentos, decidirem se o mesmo poderia ser ou não para fumadores. Mas porque não há-de existir esta hipótese de escolha? Ok, o trabaco é prejudicial à saúde, ok a lei existe e é para ser respeitada, ok quem não fuma não tem que suportar o fumo dos outros. Mas não é ok que não possam existir espaços apenas para fumadores! E que não se acrescentem mais umas alíneas a esta lei anti-tabágica. Então vejamos: eu sou fumadora e deveria poder ir a um café onde fosse permitido fumar. Os que não são fumadores deveriam poder ir a um café onde fosse proibido o tabaco. A segunda premissa é verdadeira, respeitável e admirável, a primeira já não porque não me permite optar por manter um vício sob o qual tenho plena consciência que me faz muito mal – embora seja maior e vacinada e livre de me matar devagarinho se muito bem me apetecer. E nem vale a pena vir aí o argumento que há espaços mistos desde que devidamente assinalados, ventilados e com a dimensão mínima permitida por lei. Todos conhecemos a realidade física dos cafés de bairro. Quantos têm cem metros quadrados? Quantos têm poder financeiro para reestruturar o espaço e colocarem os ventiladores e exaustores adequados a uma perfeita extracção de fumos? Quantos têm a dimensão suficiente para que existam espaços separados para fumadores e não fumadores?

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Depois do desabafo, vem a verdadeira história: contava-me a senhora do café que por causa desta nova “lei anti-tabaco” já ficou com duas contas penduradas no restaurante. A técnica é surpreendentemente simples e eficaz. Um grupo janta, pede os cafés e as sobremesas. Todos se comportam lindamente e são clientes muito educados. Depois do repasto pedem um digestivo e, antes que o mesmo chegue à mesa, vestem os casacos - porque na rua está frio – e vão “fumar um cigarro”. E não voltam.

Ao dono do restaurante resta-lhe o “consolo” que pelo menos os digestivos não lhe entraram no prejuízo, desde que não tenha seguido as instruções legais de venda de bebidas alcoólicas e não tenha adquirido os doseadores estanques para as garrafas! Assim sempre pode entorná-los de volta para as mesmas...

A Tita. Ou... fui trocada por outra!

Amanhã o Carlos faz dez anos. Como achámos que deveríamos assinalar a ocasião com algo muito especial resolvemos, pai e mãe, oferecer-lhe um bichinho de estimação que não fosse tão idiota como aquele que já temos.

A ideia é, de facto, maravilhosa. A concretização da mesma está a deixar-me em ponto de rebuçado!

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Na noite de quinta para sexta-feira, depois de um cansativo dia de trabalho, estive até cerca das quatro horas da manhã a ajudar uma colega, na revisão final do livro que o marido vai lançar no mês de Março. Claro que para quem se levanta habitualmente por volta das sete horas, digo já que não foi fácil. Durante toda a sexta-feira estive com uma valente enxaqueca e sem saber bem como me chamava, tal era a necessidade que o meu cérebro tinha de dormir mais umas horitas.

Depois de assistir à festa de carnaval da escola do Vasco – fizeram a festa do pijama – fui directinha para casa para a rotina habitual: banhos, jantar, escovagem de dentes, xixi e cama. Pensava eu...

Eis que, ainda antes mesmo do jantar estar na fase de confecção, entra-me a Tita pela casa dentro! E o que faz alguém normal quando lhe trocam as voltas e anulam a combinação existente que era só receber a Tita no Sábado? O que faz uma pessoa desesperada por uma boa noite de sono, quando se instala em nossa casa uma visita que chega antes do dia, da hora marcada? Pois... barafusta, resmunga, pragueja, discute. Mas isso é o que faz uma pessoa normal! Eu, que sou uma completa idiota, rendi-me aos encantos das quatro patas da Tita, do seu focinho doce, dos seus olhos ternurentos, do seu mês e uma semana de idade.

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Escusado será dizer que a noite tranquila que se adivinhava – e que eu ansiava de tal maneira, qual sedenta em pleno deserto por um copo com água fresca – dissipou-se por completo. A Tita quis brincadeira entre a uma e as duas horas da madrugada. A Tita quis comer por volta das três. A Tita insistia em subir para a minha cama cerca das quatro. A Tita dormiu duas horas esta noite. A Tita está a deixar-me à beira de um ataque de nervos ou do ultimato à família: É ela ou eu!

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Bem... agora já são horas de jantar e, depois de uma sesta reparadora do cansaço e da enxaqueca, a Tita está mais que perdoada. É uma fofa e estamos apaixonados por ela. Os miúdos estão delirantes, finalmente têm um cão ao qual podem fazer festas sem serem trincados, com o qual podem brincar sem que ele lhes rosne (para quem não sabe, temos outro cão – o estúpido e esquizofrénico Gaspar, sob o qual já escrevi um post anterior).

O Carlos recebeu o presente de aniversário mais marcante que poderia e está deslumbrado. Percebeu, imediatamente, a responsabilidade que tem perante a cachorrinha e preocupa-se em limpar de imediato os seus xixis, se não tiver tempo de a encaminhar para os jornais que foram colocados estrategicamente para esse efeito. O Vasco julga que ela já é grande o suficiente para poderem jogar os dois à bola. O meu marido está fascinado com a Tita pois ela dormiu, durante esta tarde, toda enroscada junto ao pescoço dele. E eu vou, com toda a certeza, dar em doida, até me habituar à ideia de que deixei de ser a única princesa cá de casa.

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Ps: Desde ontem à noite que os meus filhos não discutem um com o outro. Desde ontem à noite que só falam baixinho. Desde ontem à noite que começaram a andar, ao invés de correrem dentro de casa. Desde ontem à noite que os hábitos dos meus filhos se modificaram, sem ralhetes, sem castigos, sem explicações. Abençoada a hora em que juntámos a Tita à família.

Publicado 21 February 09 11:58 por Lucat | 39 Comentário(s)   
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Fazer dieta! Quem? Eu?

Hoje uma colega de trabalho virou-se para mim e disse-me: “É impressão minha ou engordaste?” Fiquei em absoluto estado de choque!

Plano de dieta de segunda a domingo para pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar: um copo com água e uma folha de alface a cada refeição. Se tiver muita fome, comer mais uma folha de alface, mas pequenina…

Consequências mais que previsíveis:

No final do primeiro dia já discuti com o marido, recusei-me a fazer o jantar para a família, despi-me e meti-me na cama para não ter que falar com mais ninguém. Custou-me um bocado a adormecer... não percebo porquê;

No final do segundo dia já não falo com a minha mãe, não atendo as chamadas dos meus sogros, chamei imbecil ao meu chefe, formatei o disco do computador do trabalho e telefonei para a empresa dizendo que havia uma bomba no edifício;

No final do terceiro dia, já ameacei pôr os filhos fora de casa, deitei a Playstation no lixo e a Nintendo também, parti alguns DVDs e triturei as contas da água e da electricidade na máquina de cortar papel;

No final do quarto dia, já entreguei o cão no canil, pus a máquina de roupa a lavar em vazio, deixei a água do lavatório a correr durante toda a noite depois de lavar os dentes e comecei a falar sozinha;

No final do quinto dia, deixei a chave pendurada na porta da rua depois de sair de casa, pedi a demissão, tomei dois comprimidos para a enxaqueca, tirei as pilhas do comando da televisão porque o programa me estava a irritar e deitei fora o bilhete de identidade;

No final do sexto dia, já fiz as malas para sair de casa, insultei a vizinha do lado quando ela me perguntou como estava, comecei a sonhar com alface durante o dia e a ver tudo em estranhas tonalidades de verde;

No final do sétimo dia, já pedi o divórcio, pus os filhos à venda na internet, comprei um bilhete só de ida para o Butão e fiz uma fogueira com a colecção de livros cá de casa;

No domingo... quase uma semana depois de ter sido chamada à atenção pela minha querida colega, mandei-lhe uma mensagem para o telemóvel dizendo: “Minha querida, gorda estás tu!”

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No dia seguinte comi um belo cozido à portuguesa! Sem remorsos.

Publicado 16 February 09 08:01 por Lucat | 45 Comentário(s)   
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Receber uma carta de amor? Basta querer!

Minha querida Luísa,

Esta é a primeira carta de amor que te escrevo. Nem sei bem por onde começar... estou a tentar encher-me de coragem para te dizer tudo o que sinto a teu respeito. Não é fácil, não é mesmo nada fácil.

Sabes, desde que te vi pela primeira vez – com olhos de ver – que achei que ficarias comigo para sempre. Aliás, não achei. Tive a mais completa das certezas. Às vezes não é fácil viver contigo, às vezes tens umas mudanças de humor que não entendo. Mas tens um coração enorme e isso ultrapassa todas as arrelias que, por vezes, me trazes.

Estar contigo 24h por dia tem as suas vantagens. Conheço-te melhor que ninguém. Sei sempre aquilo que pensas. Por um lado isso traz-me uma responsabilidade acrescida pois sei que sou responsável pela maioria das tuas atitudes. Estás tão presa em mim que acabamos por ser como um espelho.

Apesar de te amar profundamente , tenho que te dizer umas coisinhas. Não te aborreças, mas amar é mesmo assim.

Há coisas em ti que umas vezes me divertem, outras vezes me irritam. Que mania tu tens de ter sempre a resposta na ponta da língua e nem sequer pensas antes de abrir a boca. Francamente, já tens idade para te controlares um pouquinho, não? Depois há aquela coisa estranha – quase a raiar a doença – de fazeres festas a todos os animais que encontras na rua. O pior é que eles simpatizam todos contigo, mesmo os mais ferozes. E essa coisa de fazeres amizade com todos os cães de guarda das casas das redondezas há-de trazer-te alguns amargos de boca... os donos que descubram que tu dás a volta aos bichos de tal maneira que eles, que os treinaram para serem mauzinhos, abanam logo as caudas na tua presença!

Depois porque motivo metes conversa com toda a gente, dás troco a todas as pessoas que se metem contigo e ainda resmungas quando não te deixam ir embora, pois está-lhes a saber bem a conversa? A culpa também é tua!

Cozinhas lindamente, eu sei, mas então porque te queixas que nunca consegues fazer dieta? A culpa é toda tua.

Falta-te espaço no quartinho de vestir. Pois, claro que falta, já está cheio de roupa, sapatos, botas, malas. E ainda dizes que não sabes o que hás-de usar... olha, nem comento!

Outra coisita... não te aborreças, mas eu acho que ressonas. Senão porque é que de vez em quando ouves: “estás a fazer muito barulho e eu não consigo dormir”? Pois, rende-te à evidência e não resmungues.

Também não percebo porque adoras uma boa discussão e tens sempre que ter a última palavra. Nem que seja: “Hum...”! Não é normal... não é mesmo nada normal. Sabes bem que passam a vida a dizer-te que tens sempre argumentos para tudo. Não sei bem se isso é bom ou se é mau.

Mas também tens coisas óptimas, tens uma fabulosa auto-estima, tentas ser uma mãe maravilhosa e presente, mesmo que isso passe por repreenderes os teus filhos quando eles o merecem, ou por lhes impores algumas regras que eles por vezes não compreendem. Mas tu explicas-lhas e fica tudo bem. És uma mãe-galinha, mas sabes que os teus filhos também têm que dar as suas quedas e aprenderem a levantar-se sozinhos, embora eles saibam que estás sempre por perto. Mas como eles sabem que tens um coração de algodão-doce para com eles, basta que façam aquele ar de meninos perdidos que tu te derretes num instante. Eles têm bem a quem sair quando querem alguma coisa.

Consegues ser feliz com aquilo que tens. Não tens o céu nem o paraíso, tens uma vida igual a tantas, mas sabes dar valor às pequenas coisas que contribuem para a tua tranquilidade. Não precisas de jóias, viagens, sinais exteriores de riqueza para te sentires bem com a tua vida. Basta-te teres a tua família por perto e harmonia dentro de tua casa para sentires que a vida vale a pena.

Os valores que os teus pais te transmitiram são aqueles que também tentas transmitir aos teus filhos. Podes ter a certeza que serão seres humanos excelentes se aprenderem contigo estes bons princípios que tens. É a melhor herança que lhes podes deixar: o respeito por si próprios, pelos outros e pelo mundo que os rodeia. Orgulha-te do que aprendeste com os teus pais, se és como és, muito a eles o deves.

Porque és honesta, porque sabes ser humilde quando é necessário embora sejas muito orgulhosa, porque a tua teimosia acaba por ser engraçada, porque sabes guardar um segredo, porque és uma boa amiga e por isso também tens três boas amigas, porque és uma filha grata e uma mulher de paixões, porque és um osso duro de roer, mas isso até te traz um certo encanto, porque o respeito faz parte da tua essência, porque prezas o amor por tudo e por todos, porque és uma tremenda resmungona, porque não baixas os braços perante uma dificuldade, porque és uma manipuladora adorável e tens plena consciência disso, porque odeias leite e manteiga, porque és tagarela, porque tens pavor de galinhas, mas já tiveste uma pitão ao pescoço, porque sabes infernizar a paciência daqueles que te aborrecem, porque és como és, porque se fosses de outra forma eu não te conseguiria escrever esta carta de amor.

Estarei para sempre contigo,

Luísa

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Esta carta de amor é de mim para mim J

É a prova de que não precisamos de ter alguém ao nosso lado para recebermos uma carta de amor no dia de São Valentim, basta pensarmos um pouco em nós próprios, naquilo que somos e darmo-nos o devido valor.

Publicado 14 February 09 04:02 por Lucat | 23 Comentário(s)   
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Darwin desculpa, mas estás completamente enganado!

Eu sei que hoje é o teu aniversário. Eu sei que não é todos os dias que alguém faz duzentos anos, mas daí até achares que eu descendo do macaco vai um passo de gigante. Tu tens noção daquilo que dizes? Põe lá bem a mão na consciência... desde quando é que a minha origem pode advir de um ser vivo que passa o tempo livre a catar – E COMER – os piolhos que encontra no pêlo dos outros? Pois... boa pergunta não é? É que nem me conheces assim tão bem para afirmares uma obscenidade destas! Que nojo... blharcccc.

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Eu, em certa medida, até te compreendo. Aposto que isso teve a ver com a tua indefinição profissional. Convenhamos que começar por Medicina, continuar em Direito, passar por História Natural e Geologia só podia dar nisto. Nunca te disseram que há uns gabinetes de apoio à definição vocacional dos alunos? Hum? Era preciso estoirares assim a fortuna da família? Afinal acabaste por te meter num navio com nome de raça de cão – o Beagle – para eu chegar à brilhante conclusão que afinal não me conheces nem um bocadinho! E também não percebo porque raio dizes que a Terra não sustenta todo e qualquer indivíduo, mas que apenas aqueles que se adaptam e vencem a competição por comida e abrigo, estão aptos para sobreviver. Luta por comida? What? Tu sabes bem que eu faço as compras de hipermercado na internet. Tu tens perfeita noção que eu abomino filas, atropelos e confusões. Pois é... eu não luto pelos produtos na prateleira, se não houver o que encomendo, tenho uma lista de substituições, se ainda assim não houver o que quero, telefonam-me! Ora toma. Luta por abrigo? What? Tu não leste bem o meu post dos electrodomésicos e das botas, pois não? Eu digo lá que comprei um mega chapéu-de-chuva... pois... pelos vistos andas a dormir ou a dar demasiados passeios pelas Galápagos.

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Bom, de qualquer modo e como hoje é o teu aniversário, deixa-me dar-te umas dicas. Aqui vai uma lista de animais dos quais eu posso descender. Aviso já que o macaco não faz parte da maldita, ok?

- O hipopótamo: Tu sabes que sempre tive problemas com a dimensão da minha cintura, até gosto de água e sou capaz de matar para proteger as minhas crias. Bem, por outro lado não tenho um pé assim tão pequeno... afinal calço 40! Pronto, o hipopótamo não serve;

- O panda: Conheces bem a minha paixão por óculos escuros pretos e sabes que gosto deles em tamanho grande. Mas não me vejo a comer bambu a toda a hora... está bem, o panda também não dá;

- O gato: Ah pois, nisso tens toda a razão, quando algo não me agrada ponho, facilmente, as unhas de fora. Mas não sou traidora. Ok, descartemos então o gato;

- O elefante: Sim, parece-me bem, tem uma memória imensa, preserva a cultura de grupo e dá valor às tradições e, como diz a minha mãe, eu também fico de trombas quando as coisas não me correm de feição. Mas pensando melhor, o número de unhas em cada pata não me parece o adequado à enorme paleta de vernizes que colecciono. Este também não resulta;

- O cão: Até me sinto tentada a concordar, é um fiel amigo, fica maluco com o cheiro de um prato bem cozinhado, gosta de passear, rosna se for preciso... Mas não creio que abane o rabo se alguém me mandar um osso. Não, o cão não;

- A lontra: Acho que estás no bom caminho. Eu gosto de crustáceos, amo ter a ninhada por perto e brincar com as crias dentro de água. Por outro lado já não tenho paciência para passar os dias de pêlo molhado como acontecia quando fazia natação. Venha o próximo;

- A tartaruga: Homem espertalhão, eu tenho mesmo uma bela carapaça que me protege dos dentes afiados que por aí andam. E gosto imenso de nadar. Mas não me peças que abandone os meu filhotes à sua sorte ou que façam sopa comigo. Isso não. Next;

- Humm...

- Ahnnn...

Ai caramba, tu não me irrites! Tens perfeita noção que adoro argumentar e por isso não me vires as costas no meio desta discussão. O que pretendes afinal? Queres que eu te dê razão que eu bem te conheço! Eu sei muito bem que, por seres do signo Aquário, és pouco emocional e não compreendes a complexidade emocional de algumas pessoas como eu, mas não finjas que não estou aqui!

Conseguiste enervar-me. Leva lá a bicicleta. Eu descendo do macaco. Satisfeito?

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E parabéns... teimosinho!

Publicado 12 February 09 08:24 por Lucat | 20 Comentário(s)   
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Obrigada por tudo o que aprendi consigo. Nunca o esquecerei.

Foi ele quem me fez a minha primeira entrevista profissional. Alto, imponente, falando um português perfeito, embora com um profundo sotaque alemão. Se por um lado me parecia deveras intimidador, por outro o seu olhar transmitia algo que me desafiava a demonstrar que eu era a pessoa indicada para o lugar.

Eu tinha aproximadamente 20 anos e ainda estudava. Lembro-me que nem estava muito nervosa, mas o nome da empresa e a sala da administração eram um mundo novo para mim.

Terminámos a conversa com um forte aperto de mão. O primeiro de muitos durante cerca de quinze anos.

Aprendi tanta coisa com este homem. Ele vivia o trabalho com uma paixão estranha. Parecia que a empresa era quase uma extensão da sua casa - a qual ele preservava com admiração, que fazia parte da sua família - a qual ele tanto amava. Era quase sempre o primeiro a chegar e nunca dispensava a ronda diária por todos os departamentos perguntando, invariavelmente, como estavam as vendas. Sentava-se connosco no refeitório, contava histórias, perguntava como estavam algumas das nossas tarefas.

Quase no seu final de carreira recordo-me que já estava doente, mas não me lembro que alguma vez se tivesse queixado ou que isso condicionasse a sua invulgar capacidade de trabalho.

Percorreu inúmeras milhas aéreas sempre defendendo a sua dama – a empresa que se ainda hoje persiste a ele pode agradecer. Foi um inovador, um curioso, um batalhador. Começou as suas funções no armazém da empresa ainda muito novo, até chegar à administração. Era vaidoso e orgulhoso do que tinha alcançado. Digno de todo o mérito. Não era perfeito, foi injusto algumas vezes, mas foi um profissional exemplar.

Deixou-nos no passado dia 3, depois de muitas complicações de saúde que o fizeram aperceber-se que o final estava próximo e resguardar-se apenas junto da sua família mais próxima. Várias vezes pensei que gostaria de falar com ele, dizer-lhe o quanto tinha sido importante para mim, mas nesta altura ele já não queria o contacto de gente de fora do seu aconchego familiar.

Algum tempo depois de ele ter saído da empresa -  afastado pela casa-mãe pois sempre se opôs à iberização da sua dama (o que, inevitavelmente, acabou por acontecer) – pensei em ligar-lhe, apenas para lhe perguntar como estava e transmitir-lhe o quanto tinha aprendido com ele. Nunca o fiz. Primeiro porque tinha receio que me recebesse menos bem. Podia sentir-se ofendido pois eu continuava a trabalhar na empresa e ele já não. Segundo porque poderia pensar que era um atrevimento de minha parte, na medida em que ele ainda era um homem cheio de contactos importantes e poderia pensar que o meu telefonema talvez fosse de puro interesse. Nada mais errado. Devia ter ligado. Hoje já não o posso fazer.

No funeral estavam muito poucas pessoas. Fundamentalmente seus ex-colaboradores, a mulher, a filha que ele sempre adorou, os seus dois netos de quem ele tinha tanto orgulho e para quem ele tinha sido não só avô como o pai que eles praticamente não tiveram e meia dúzia de amigos. Um homem que outrora tinha tanto poder que era seguido por uma comitiva imensa, acabava praticamente só. O que mais me entristeceu, para além da perda definitiva deste homem que me marcou profundamente e que sempre fará parte das minhas memórias, foi o facto de me parecer que tantos que lhe prestaram vassalagem enquanto poderiam conseguir alguns favores, o ignoraram na hora da sua partida. Afinal parece-me que só temos valor enquanto podemos mexer uns cordelinhos simpáticos em prol dos outros. Magoa-me esta mesquinhez.

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Sr.Birg, desculpe não ter conseguido assistir a toda a Missa de corpo presente. Foi mais forte que eu, tive que sair um pouco pois doeu-me muito a sua partida. As rosas brancas que lhe deixei no cemitério nunca serão suficientes para tapar a culpa que sinto por não lhe ter feito o telefonema que gostaria. Obrigada por tudo o que aprendi consigo. Nunca o esquecerei.

Publicado 07 February 09 01:31 por Lucat | 30 Comentário(s)   
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Os electrodomésticos, as botas ou antes partir uma perna?

Esta semana terminou muito bem... Estou mesmo satisfeita, aliás, satisfeita não. Estou com pilhas novas de felicidade... o micro-ondas deixou de aquecer e a máquina de lavar roupa, que também tem a função de secagem, deixou de centrifugar. Arghhhhhh! Tirem-me deste filme. Deve ser praga!

                          #*@F*&K@*G!*M#%H*R@S*#K@R*#$#!

Analisando as coisas numa perspectiva de mercado vou partir do pressuposto que tenho mesmo que substituir estes equipamentos, tendo em consideração o factor idade dos mesmos. Pondo as emoções ao largo, pode ser que este meu contributo para a economia do nosso país ajude a manter, pelo menos, um ou dois postos de trabalho por mais 24 horas.

Por outro lado, este investimento em electrodomésticos vai condicionar a aquisição de mais umas botas novas para juntar à colecção das já existentes, pondo em risco o posto de trabalho de alguém que pertença ao sector do calçado. Chamar-se-á a isto a falácia da economia?

Ainda assim, posso sempre contribuir para o crescimento da indústria farmacêutica pois vou tomar dois ansiolíticos para diminuir a minha fúria!

Decidi então que deveria contribuir, igualmente, para o incremento de vendas de produtos de beleza e para o desenvolvimento de uma micro-empresa: meti um dia de férias e vou disparada para o cabeleireiro. Se por um lado vou ver o trabalho a acumular na minha secretária quando regressar na segunda-feira, por outro vou permitir que a minha auto-estima não seja mais danificada por dois electrodomésticos imbecis e pelo condicionamento da aquisição de umas botas novas!

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Assinale com um “x” a opção desejada:

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                                                  o                                                                                                  o

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Tentando ver o lado positivo das coisas, atitude que tomo habitualmente mas que não me livra de alguns desassossegos interiores, penso logo: “Antes o micro-ondas e a máquina de roupa que uma perna partida”! Devo ser uma completa idiota... mas onde é que há um lado positivo nisto? Muito sinceramente acho que preferia partir a perna! Vejam só as vantagens: home-office durante um mês, podia comprar as botas pois experimentava-as na perna intacta, a despesa seria muito menor e ainda recebia emails e telefonemas de amigos e colegas preocupados. Ah, sem contar com o facto de a depilação ficar off durante um período mais alargado que o habitual.

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Fazendo uma retrospectiva de vida e pensando nos meus tempos de solteira e boa rapariga, a decisão estaria mais que tomada – evidentemente que comprava as botas, borrifava-me no micro-ondas e mandava a roupa suja para casa de mamãe. Como já sou crescidinha e com família, a ordem das prioridades de compras está completamente invertida. Há que substituir os electrodomésticos e deixar as botas na sapataria. Será isto aquilo a que chamam maturidade? Não tem piadinha alguma.

Agora só espero não partir uma perna!

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Notas adicionais depois do cabeleireiro, acabadinhas de escrever:

Tal como disse, assim fiz. Fui para o cabeleireiro. Estava vento, mas nada de especial. Quando saí com o cabelo lisinho, brilhante e bem penteado, chovia a potes, a bidons, a camiões-cisterna! Entrei numa loja chinesa que fica mesmo ao lado do salão e comprei um gorro preto horrível e um mega chapéu de chuva. Depois de tentar não pôr as patas nas poças, equilibrando o mega chapéu de chuva, cheguei a casa. Com a ventania imensa que estava, o gorro – que era indicado para uma cabeça cinco números acima da minha – já só estava a equilibrar-se no alto da minha maravilhosa cabecita e nos meus cabelos agora desgrenhados! Linda figura, sim senhora...
Telefonei para a minha mãe em perfeito desespero. Precisava de apoio feminino e ligar para o meu marido estava fora de questão - ele não ia perceber a dimensão do meu drama! Conselho sábio de mamãe: “Filha, mais vale meteres-te na cama”! Assim fiz, preparei-me para uma deliciosa sesta. Quinze minutos depois de adormecer ligou-me o meu chefe para me pôr ao corrente de uma troca de emails entre ele e um colega da Polónia... Voltei a adormecer passados os quarenta minutos de telefonema. Meia hora depois ligaram-me da TMN empresas... raios partam isto! Volto a adormecer, não sem antes proferir uns bons e gordos impropérios!! Eis que o telemóvel volta a tocar. Novamente o chefe. O assunto estava resolvido entre o colega da Polónia e o alemão que o estava a atormentar. Desisti da sesta...
Vou sair hoje à noite, em busca dos queridinhos electrodomésticos. Acho que vou de sabrinas... com a sorte com que ando, com saltos altos tenho a certeza que parto mesmo uma perna! Irra!

Estou baralhada... as minhas amigas também!

Tenho três grandes amigas entre os 32 e os 38 anos. Todas elas muito diferentes. As três são solteiras e não têm filhos.

Uma parece a princesa Letizia de Espanha, mas sem aquele ar anoréctico; outra parece a princesa Marie da Dinamarca; a terceira não se parece com princesa alguma porque é uma verdadeira rainha.

Apesar das diferenças, todas elas têm algumas coisas em comum. São independentes, bonitas, cultas, activas, sonhadoras e estão sós. As suas realidades separam-se geograficamente por três capitais europeias, apesar de serem portuguesas e trabalharem todas na mesma multinacional. A primeira vive em Lisboa, a segunda em Londres e a terceira em Madrid. As suas vivências são, portanto, distintas. Os seus contactos diários também.

O que as separa também é aquilo que as aproxima. Não encontram a sua metade da laranja, a tampa para a sua panela, o príncipe encantado, o companheiro de vida.

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Mas o se passa com os homens?

Os que são solteiros não querem compromissos; os que estão separados anseiam por alguma “liberdade” e não pretendem uma relação mais séria; os que estão divorciados fogem a sete pés de um novo relacionamento; os que têm filhos não pretendem ter mais; os que não têm filhos ainda acham que é cedo para pensar nisso; os viúvos comparam-nas constantemente com a mulher que outrora tiveram. Os mais novos são algo imaturos e inconstantes, os mais velhos não têm paciência para compromissos. E elas, apesar de maravilhosas, continuam sozinhas.

Não estamos, portanto, a falar de questões culturais já que os homens que se cruzam na vida das minhas amigas têm nacionalidades distintas. Ingleses, espanhóis, portugueses.

Serão os homens todos iguais, mesmo que tenham educações diferentes?

Que procuram eles numa relação a dois?

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As minhas amigas também têm personalidades que as diferenciam: uma adora crianças, é um doce de pessoa, a verdadeira fada-do-lar pois sabe fazer de tudo um pouco, é giríssima, tem um profundo sentido de família, é algo tímida mas cheia de garra, adora ser financeiramente independente e não baixa os braços perante um desafio, mas gostava de ter um companheiro que a abraçasse com alma; outra sonha com o casamento perfeito, filhos, ter um marido que cuide dela e de quem ela possa cuidar, ir buscar as crianças ao colégio, coordenar as compras e as necessidades domésticas, depender financeiramente da cara-metade e ser a verdadeira Cinderela dos tempos modernos; a terceira é um verdadeiro furacão, viajada, super-independente, é uma comunicadora nata e cativa todos em seu redor, é uma excelente profissional, tem verdadeira paixão por animais, uma educação invulgar e não encontra um companheiro à altura. As minhas três amigas têm um coração do tamanho do mundo.

À excepção da segunda, nenhuma das minhas outras amigas é muito exigente ou tem pré-requisitos na escolha da sua cara-metade. Evidentemente que já tiveram relacionamentos anteriores, evidentemente que já criaram expectativas – como todos nós – e continuam sós.

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As minhas amigas são um regalo para a vista. São o exemplo perfeito daquilo que aprendemos sempre - embora nem sempre concordemos ou entendamos - que os olhos comem primeiro! Apesar de tantos atributos, não encontram um companheiro para a vida.

Eu, pelos vistos, “escapei” a esta crise. Tenho um marido fantástico há quase 12 anos, dois filhos lindos, uma relação harmoniosa e feliz. Não lhes consigo explicar, sem que elas me gozem, que o que me atraiu primeiro no meu marido foram as mãos e o… ahn... digamos... traseiro (!) e que o resto veio depois. Hoje somos companheiros inseparáveis. Amanhã não sei, nenhum de nós possui artes divinatórias, mas hoje temos a certeza que queremos envelhecer um com o outro. Também eu era independente, vivia sozinha, tinha tido os meus relacionamentos e até achava que não me iria casar nunca. Será que sou eu que sou um caso raro? Será que é o meu marido uma pessoa fora do vulgar? Não me parece. Somos pessoas normalíssimas, como tantas.

A minha vida já foi idêntica à das minhas amigas actualmente.

Todas as filosofias baratas ou mais elaboradas sobre relacionamentos não são aplicáveis nestes três casos. Se por um lado um relacionamento que não resulta com uma é explicado com um chavão, o mesmo não se aplica noutra das amigas para um outro relacionamento qualquer.

Estou baralhada e elas também.

O que nos está aqui a escapar?

Publicado 27 January 09 10:44 por Lucat | 38 Comentário(s)   
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A minha rua é um mundo... há pardais, gatos e ladrões

8h05m. Hoje.

Quase no centro da cidade, numa rua tranquila só de vivendas – a maior parte com residentes acima dos 70 anos – estou a dar a habitual fatia de pão aos meus amigos pardais - que todas as manhãs estão à espera das migalhas que lanço pela janela da salinha de refeições.

Começo a ouvir um grito meio abafado, mas contínuo. Quase um gemido. Acho estranho, mas não dou grande importância porque as gatas das redondezas andam na época do cio e têm feito as suas costumeiras cantilenas, que quase me enlouquecem. Ainda por cima, como se habituaram a pernoitar nas almofadas das espreguiçadeiras, o barulho entra-me casa dentro. Para isto não há vidro duplo que seja suficiente!

O gemido transforma-se numa frase: “a minha carteira”. Os gatos não falam…

Em pânico corro para o portão, acompanhada pelo meu marido que estava na cozinha a preparar o pequeno-almoço dos baixinhos, que ainda dormiam. Debaixo de chuva ficámos a ver uma senhora de casaco comprido encarnado a afastar-se, na direcção de outras pessoas, com o seu guarda-chuva tombado num dos lados do corpo. Uma das vizinhas da frente também foi até ao portão. Um outro vizinho espreitou na janela do primeiro andar da sua casa. Imóveis, estupefactos, tomamos consciência do que tinha acontecido, aquilo que nunca pensamos que possa ocorrer junto à porta de nossa casa. Um assalto por esticão.

Cinco minutos antes, eu tinha acabado de entrar em casa, vinda da papelaria que fica perto. Tal como aquela senhora. Guarda-chuva e carteira ao ombro. A rua estava sossegada. O tempo não era convidativo a passeios. Era cedo. Um dia normal.

Os meus filhos desceram as escadas assustados, pois acordaram com os lamentos da senhora. Tivemos que explicar o que se havia passado. Como se explica a duas crianças acabadinhas de acordar que, em plena manhã e na rua onde moram, uma senhora foi assaltada?

Se o meu sentimento de segurança ficou de rastos, se não prevejo que os tempos melhorem - muito pelo contrário - como vou convencer os baixinhos que foi uma situação passageira e infeliz? Como vou explicar de forma convincente, aos meus filhos, que não há perigos junto à porta de nossa casa, se os há? Como os tranquilizo se eu própria não me sinto tranquila?

Enquanto se vestiam, o Carlos, que tem 9 anos, dizia que os ladrões eram aqueles que usavam as calças descaídas e capuzes na cabeça. Ou aqueles que cobrem a cara… O Vasco, que tem 5 anos, argumentava que ladrões e piratas não existem a não ser nos filmes e desenhos animados. E eu lá explicava que muitas vezes as roupas não tinham nada a ver com a índole das pessoas. Que havia ladrões sim senhor, que não podemos confiar em todas as pessoas, blá, blá, blá. Depois aproveitei o embalo da conversa e o caminho para as escolas para lhes explicar que, em caso de assalto, não há que reagir. É entregar o que pedirem. Dei-lhes o exemplo que se roubassem a carteira da mãe, ou o relógio, por exemplo, a mãe ia ficar muito triste. Mas que uma mala, um relógio, seriam recuperáveis. E que nunca devemos pôr a nossa vida em risco por causa de um bem material.

Sei que hoje à noite vamos ter que voltar a falar deste assunto com eles. É desagradável tirar-lhes mais um pedacinho de infância, em que tudo deveria ser colorido e inocente. Não basta termos que explicar os horrores da guerra, da fome e outros que invadem as televisões, as revistas e os deixam perplexos. É a realidade que temos. Não me agrada.

Publicado 23 January 09 04:03 por Lucat | 18 Comentário(s)   
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