- Não custa tentar...
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Meu querido pai Natal, eu sei que nesta altura todos te escrevem a pedir mais do que aquilo que merecem, mas eu não sou menos que os outros e também tenho umas coisitas que me fazem muita falta. Põe lá os duendes a trabalhar a sério porque a minha lista aqui vai:
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- Estou fartinha de passar mais de meia hora a esticar o cabelo depois de cada lavagem. ‘Tá bem, ‘tá bem... eu sei que tenho muita sorte por ter cabelo, mas convenhamos que parecer um autêntico cocker spaniel se o deixar secar ao ar, não faz muito o meu género. É que, apesar de adorar cães, esta paixão tem limites. Quero um cabelo lisinho e brilhante, sem trabalheiras e que não seja peruca. É que eu não estou a ficar mais nova e esticar esta cabeleira dá uma dor nos braços que nem calculas;
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- Vê se dás a volta aos gerentes de lojas porque dava-me muito jeito que os saldos começassem mais cedo. ´Ta bem, ‘tá bem... ainda sou uma sortuda porque posso pensar em comprar mais um casaco, mas é que vi um novo que me fica muito bem, mas recuso-me a pagar uma barbaridade por ele. Além disso ainda há as botas, as malas, as calças, as camisolas, ... Eu sei que te podia pedir tudo isto, mas também acho que não convém abusar, pois deves ter uma agenda muito preenchida de solicitações. Assim, se eu fizer a minha parte (que é calar-me e não te pedir isto tudo), tu podes muito bem fazer a tua parte... promoções a partir de dia 10 deste mês, com 70% de desconto em todos estes artigos;
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- O perú de Natal já deve estar recheado e pronto a colocar no forno quando chegar a minha casa. Ora lá vem o sermão do costume... ‘tá bem, também sei que nem devia reclamar porque vou ter perú na mesa, no dia de Natal, mas arranjar as unhas nas vésperas e depois enfiá-las cheias de recheio pegajoso no traseiro do perú não é das coisas que eu mais ame. E não me podes condenar por isto, ok? Porque, a avaliar pelo teu físico, também já enfardaste uns perúzitos ao longo dos anos e aposto que não foste tu quem os recheou;
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- Empresta-me um dos teus duendes por uns tempos. Eu explico... é que, pelo que me tenho apercebido, eles trabalham um ano inteiro para satisfazer os pedidos das almas mais exigentes, sem reclamarem, sem necessitarem de cereais de todos os tipos, cores e feitios, sem acharem que salsichas de lata, hamburgueres McDonald’s ou douradinhos não são as únicas coisas que não têm veneno e que se podem dar às crianças, sem precisarem de se sentarem no sofá a ver tudo o que passa na TV e acabarem por adormecer e ressonar (que nem nas legendas me consigo concentrar quando isso acontece), sem pedirem o que quer que seja. Nem sonhas como ficaria feliz em tê-lo cá em casa como exemplo vivo para marido e filhos de que o jantar não nasce pronto na mesa, que as camas não se fazem com um simples estalar de dedos, que o dinheiro não nasce no multibanco só porque nos apetece enfiar lá um cartão, que a louça suja não corre satisfeita para dentro da máquina, que a Tita precisa de comer todos os dias e não tem preferências por quem lhe põe a comida na taça e, de vez em quando, precisa de uma banhoca com as problemáticas consequências (em seguida lavar a casa-de-banho 15 vezes e, mesmo assim, ainda encontrar mais pêlos do que aqueles que a cachorra alguma vez pode largar...), que os corredores de brinquedos dos hipermercados não são para uso exclusivo dos meus filhos, que as meias que se colocam para lavar não se desenrolam sozinhas dentro da máquina, que...;
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- Vê se arranjas forma de o meu chefe perceber que tarefas urgentes para “ontem” não podem ser pedidas “amanhã”, mas sim “anteontem”, que não tenho ideias milagrosas para duplicar o negócio pois se tivesse estava a trabalhar por conta própria, que viajar a trabalho não é lazer, mas sim a maior seca de todos os tempos, que de vez em quando me apetece conversar sobre collants e secadores de cabelo e que isso não interfere com a minha produtividade (ou não estivesse afinal numa equipa interna só de mulheres), que de vez em quando uma hora para almoço não me chega pois o shopping Vasco da Gama fica tão, tão perto...;
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- E arranja lá maneira de a roupa dos miúdos não se sujar, sem eu ter que plastificá-los. Como és muito ocupado, não tens visto o cesto da roupa suja cá de casa, mas digo-te... é demais! ‘Tá bem, também sei que é uma sorte eles terem tanta roupa, mas nem o teu amigo S.Pedro me tem ajudado... é que tem chovido como o caraças e isto anda a acumular. Ah... percebi, tens umas acções da EDP e estás a ganhar uns dinheiritos extra cada vez que eu utilizo o secador! Pois, parva sou eu que ainda acredito no pai Natal.
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Olha, OH OH OH para ti também!
- E se fossemos visitados pelos espíritos do Natal Passado, do Natal Presente e do Natal Futuro?
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Em 1843 sai a primeira edição de “A Christmas Carol”, de Charles Dickens. Algures durante a minha infância, lembro-me de ter lido esta história em banda desenhada (evidentemente em versão traduzida) e, confesso, nunca mais me lembrei da mesma até que, por estes dias, levei os filhotes ao cinema e fomos ver o velhinho “Conto de Natal”. Efeitos especiais à parte (o filme é em 3D) e perscrutando para além da modernice da técnica que nos prende obviamente à história, o conto não pode ser mais actual. E se fossemos visitados pelos espíritos do Natal Passado, do Natal Presente e do Natal Futuro?
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Quem não acredita que tudo o que fazemos ao longo da vida se arrasta connosco? E se fossemos visitados por estes três espíritos, o que eles nos diriam? O Natal Passado trazer-nos-ia apenas boas recordações? Como começámos a delinear a nossa vida desde tenra idade? Emprestámos a boneca, o carro ou o pião ao amigo que não tinha brinquedos? Ficámos com o berlinde do outro “esquecido” no bolso e nunca o devolvemos? Protegemos o amigo mais fraco do valentão que insistia em dar-lhe pontapés sem motivo algum? Sujámo-nos em conjunto na rua enquanto brincávamos, ou ficámos limpinhos a olhar para os meninos sujos com desdém? Mesmo com todos os nossos defeitos, a maioria tão própria da infância, soubemos distinguir o bem do mal? Chorámos e rimos com sinceridade?
E o Natal Presente, como nos chegaria? Será que temos plena noção do que nos rodeia? Saberemos fazer alguém feliz com um pequeno e simples gesto? Poderemos aliviar as dores de alguém? Estaremos disponíveis para receber, acarinhar, compreender sem questionar ou julgar? Teremos capacidade para guardar algumas das pedras que nos apetece atirar a todo o momento? Talvez possamos redistribuir a nossa riqueza, talvez tenhamos tanto que possamos dispensar, algo que é mínimo para nós mas que, para outro, pode fazer toda a diferença. Talvez possamos educar uma criança – e um adulto, porque não? – a apreciar o quanto é aprazível partilhar e pensar, sem pena mas com compaixão, com quem e em quem tem menos ainda do que nós. Saberemos nós ser verdadeiramente felizes com tudo o que temos? Acharemos nós que temos pouco porque há quem tenha mais que nós, mesmo que nada nos falte? Será que nos isolamos por egoísmo e achamos que estamos certos? Será que precisamos de momentos de paz e não os pedimos porque pensamos que a eles não teremos direito? Será que fazemos pelos outros o que podemos e, no entanto, nos esquecemos de nós? Será que só pensamos em nós?
O Natal Futuro assusta-me um pouco, muito provavelmente porque odeio ser julgada. O que gostava que ele me dissesse? Que visse em mim alguém com muitos defeitos, com muitas qualidades, com dias melhores e piores, como uma pessoa normal que, fazendo um pequeno esforço extra, poderia ser ainda melhor. O espírito do Natal Passado já foi, nada o fará regressar. O espírito do Natal Presente são os nossos actos agora. Ainda temos tempo para definirmos o que pretendemos que o espírito do Natal Futuro nos diga.
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Que esperam do vosso espírito do Natal Futuro?
- Gente de carne e osso! Ou... no meu caso... mais carne do que osso e agora vou ali chorar e já venho!!
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Depois de uma ausência algo sabática, que se deveu – fundamentalmente – a problemas de saúde, regresso de novo à panificação! Mais informo que não há salários em atraso aos trabalhadores desta empresa, mas que o preço do trigo está demasiado alto face ao actual salário mínimo, perdão... mísero nacional.
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No passado dia 27, dois desorganizadores muitíssimo organizados (o Masterpool e a Gomes2000), resolveram promover uma jantarada entre bloggers. Eu fui! Claro, é para comer, lá estou eu... E tive uma muito agradável surpresa, ao conhecer algumas das pessoas, ao vivo e a cores, que habitam, normalmente, este espaço Sol. É engraçado como imaginamos os bloggers e como eles são na realidade. São muito melhores e “prontos”!
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Primeiros – O Void (formiga), pareceu-me um comunicador por excelência, tem sempre um sorriso rasgado e bem-disposto e, apesar do nick “formiga”, é um homem grande e com muita presença. Fez-se acompanhar da sua belíssima Clara (espero não me ter enganado), que é uma mulher cheia de energia, mas muito apaixonada pelo seu marido. Acho que são mesmo aquele casal-tipo “foram feitos um para o outro”.
Segundos – O Beldroega pareceu-me uma pessoa de opiniões muito vincadas, muito bom conversador e tem um ar muito novinho. Descobri que o nick Beldroega teve origem no Alentejo e que também tem a ver com o facto de ele se considerar um amante das coisas naturais e selvagens.
Terceiros – O Fred (AlfredoRamosAnciães) tem uma expressão tão pacífica que nos traz alguma acalmia quando olhamos para ele. Não me esqueço do quanto ele respeita todos os seres vivos e do quanto isso faz dele, com toda a certeza, um ser humano excepcional.
Quartos – A Gominhas (Gomes2000) é o máximo. Tem mais energia que todas as baterias de lítio do país com carga máxima. Pareceu-me um furacão de impetuosidade e simpatia. É uma tagarela como eu e, assim, não me fez sentir deslocada J. É gira comó milho!
Quintos – A Minda (DesabafosdaMinda) parece uma miúda. Quando me disse a idade até me apeteceu chorar... ela tem um ar tão menineiro que acho que podia ser minha filha! E pareceu-me, em simultâneo, um doce de pessoa, muito tranquila, mas ao mesmo tempo uma mulher de armas, cheia de vontades e convicções.
Sextos – O Masterpool é altíssimo. É um homem charmoso, mas... tenho que contar-vos um segredo... foi muito mau para mim, no dia do lançamento do livro da Daniela (Portocego)! É que há um blogger desta comunidade que me faz urticária e ele – malvadinho – apresentou-se como sendo tal criatura. Ah, e ainda teve o desplante de dizer que eu tinha feito xixi com medo!!!! ‘Tá tramado, vou soltar as feras e ele há-de levar uma bela trinca num tornozelo.
Sétimos – O Pessoalíssimo não me passou cartão! Ficou muito quietinho no lugar dele e, aposto, achou que eu falava tão alto que era melhor não se meter comigo!
Oitavos – A Lucinda é uma mulher muito, muito interessante. Por um lado parece uma miúda, por outro é uma mulher que marca com o seu olhar. Tem uma voz muito doce, o que me valeu enquanto me lia as linhas da mão (pelo menos o tom suave da sua voz lá me ia deixando mais tranquila, à medida que me ia dando os resultados da leitura...).
Nonos – A ZCC parece o sossego personificado mas, conversando um pouco com ela, dá para perceber que “não lhe comem as papas na cabeça” e que não deixa por dizer aquilo que lhe vai na alma. Boa!
Décimos – Ainda vi, de relance, a PaJero e a Mini-Her. Tem um ar meio tímido, mas muito orgulhoso da sua barriguinha.
Décimos primeiros – Não cheguei a conhecer o Helder (HelderFráguas) pois cheguei um pouco mais tarde e ele já tinha jantado e saído.
Décimos segundos – Quero mais!
- As vossas palavras são merecedoras de todos os raios de Sol
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Por diversos motivos, várias vezes repensei a minha presença nos blogs do Sol. Apesar de afastada da escrita pública, fui observando muita coisa menos agradável a acontecer nesta dita comunidade.
Não poucas vezes abri o Word para teclar a minha fúria. Não poucas vezes escrevi... para apagar em seguida. Em constantes momentos indaguei se valeria a pena continuar numa plataforma em que tanta mesquinhez prolifera, através de inúmeros nicks que, sem qualquer pudor - e escondendo-se atrás de um teclado - aproveitam esta impunidade para darem largas à sua ignomínia.
Mas há coisas que só o acaso explica. Hoje fui parar ao blog da Lilica e ao seu último post. Conhecedora do texto apresentado, detive-me nos comentários. Assim, acabei por ir parar ao blog do Antóniogamito e fui bisbilhotando. Foi a primeira vez que entrei nos blogs de ambos e que boa surpresa.
Depois vi que a Almamater tinha colocado um post de um tema “algo difícil” de ler e comentar. Detive-me no comentário que a Portocego lá deixou e reflecti. Abri o meu mail e vi as mensagens da MargaridaMartins, dos Meninosdocoro e da Meduarda.
Recordei ainda todas as coisas fabulosas que fui lendo, ao longo deste meio ano no Sol, colocadas por tantos bloggers que têm o prazer de partilhar os seus mundos com os outros.
Caramba, esta comunidade está cheia de gente com grande valor, com uma riqueza de experiências de vida que não encontro por aí. Aqui vive-se também com muita sinceridade, com coragem, com dignidade de postura, com angústias, com delicadezas, com uma grandeza ímpar.
Então fiz a minha manobra interna de inversão:
“Porque motivo me apeteceu tanto destilar umas palavras pouco simpáticas para com aqueles que insultam, difamam e atacam com cobardia, quando há tantos por aqui merecedores de imensas vénias e elogios.
Porque motivo haveria de perder o meu tempo com aqueles que merecem apenas a indiferença, ao invés de me deliciar com os escritos de tantos, que são Homens e Mulheres de valor.”
Por isso, gente de grande carácter desta comunidade, pessoas de bem, gente com verdade e honra nas veias, bloggers de se tirar o chapéu, deixem que me renda perante todos vós e que vos enalteça pela coragem de escreverem e partilharem as vossas vidas, os vossos pensamentos, as vossas memórias e desejos, as vossas agruras e desafios.
Só posso sentir-me grata por escrever numa comunidade onde existe esta dimensão de valores, os vossos valores.
As vossas palavras são merecedoras de todos os raios de Sol.
- Meu querido e dedicado “Picina”...
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Meu querido e dedicado “Picina”... não, não me faltam dentes nem é uma gralha no meu português, mas lembrei-me de teres comentado, com a Padeira de Aljubarrota, a tu amiga Brites, que a Natureza foi madrasta numa parte importante do teu corpo – aquela que pensa... – e resolvi começar-te a tratar por “Picina”. Tem muito mais a ver e não acho adequado tratar-te por fofinho ou bolinha de pêlo, até porque creio que não entenderias a piada.
Sabes “Picina”, eu não estou à procura de uma nova relação. Não, não insistas... no dia da Criança faço doze anos de casada, muito bem casada, diga-se, e não há espaço para ti na minha vida. Pois é “Picina”, a verdade é uma coisa que idolatro e não sei como poderia dizer-te de outra forma que “não és homem p’ra mim, eu preciso muito mais, não és homem p’ra mim, eu mereço bem melhor (...) não és homem p’ra mim, nem és homem p’ra ninguém”.
Eu sei que te apaixonaste por mim porque eu sou directa, frontal e uma grande amiga da Padeirinha de Aljubarrota, mas não adianta. Não, não insistas, não te quero e ponto final. Parágrafo. The end!
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Há vários motivos que me levam a tomar esta decisão.
O primeiro já o disse: Amo o meu marido.
Segundo: Falta-te um bocadinho assim! Bem, é um bocadão, mas também não adianta ser tão cruel para contigo...
Terceiro: As águas paradas em ti atraem muita mosquitada e não é coisa que me agrade. As moscas também gostam do teu odor...
Quarto: A tua família parece-me mais adequada a um circo de aberrações, desde que não saiam da jaula e tenham todas as vacinas em dia...
Quinto: A tua imaginação é curta. Pois... também lhe falta um bocadinho assim...
Sexto: Apesar de te julgares uma princesa, nunca te deixaria usar a minha roupa, os meus brincos, a minha maquilhagem. É que há coisas que não partilho MESMO...
Sétimo: A minha família nunca te aceitaria, a filha dos meus pais foi criada com muito amor e educação e não serviria para estar ao lado de uma criatura como tu. Não te amofines, não estou a armar-me em superior, apenas acho que somos diferentes. É que eu posso andar na rua sem açaimo e tu não...
Oitavo: Irias morrer à fome. Nunca te daria qualquer refeição pois acho que devemos respeitar as tabuletas do Zoo: “Por favor, não alimente os animais”....
Nono: Não poderiamos tirar fotografias juntos, a menos que usasses uma burka ou um saco de papel pardo enfiado até ao pescoço. E, para isso, basta tirar fotografias com outro qualquer que se preste a isso, ou com a esfregona cá de casa...
Décimo: Nunca nos iriamos entender quanto aos programas de televisão, livros, filmes, conversas, artigos pessoais: eu gosto de variadíssimas coisas, tu só vês e falas do Ruca, do Noddy e da Hello Kitty...
Olha, não dá mesmo “Picina”, ‘tá?
Agora um conselho saído do fundo do coração, só para que não fiques deprimido por te ter repudiado desta forma: “Muda de vida, se tu não viveres satisfeito, muda de vida, estás sempre a tempo de mudar, muda de vida, não deves viver contrafeito, muda de vida, se há vida em ti a latejar, ver-te sorrir eu nunca te vi, e a cantar, eu nunca te ouvi, será de ti ou pensas que tens... que ser assim”.
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ps. Para quem tem uma média mensal de dois posts (33 em 13 meses), acredito que estejas mesmo desesperado de amor por mim. Não só passaste alguns dias a bisbilhotar o meu blog, como este mês estás fartinho de dar à tecla. Toma um comprimido que isso passa.
Ah, quase me esquecia... calculei que me fosses dedicar e deliciar com mais um dos teus belos e emblemáticos textos. Por isso, porque és previsível e as nossas inteligências não são comparáveis – eu tenho e tu não – esta minha “tampa” em relação ao teu amor impossível por “moi” já estava escrita.
- Eu não sou um Piscinas a sério... IV Acto e final, Praesumptio juris et de jure
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Olá a todos, queridos bloggers desta comunidade, que parece terem um certo respeitinho por mim, mas afinal não me gramam nem com bóias e barbatanas.
Quero confessar-vos uma coisa. Algo que me tem vindo a atormentar dia após dia. Um facto que, para muitos pode não ter qualquer importância, mas para mim, é justificativo deste meu comportamento.
Não... infelizmente não sou quem julgam. Eu não sou um Piscinas a sério... eu sou um mero tanquezito de betão armado (armado em parvo, é verdade), meio vazio e sem nunca ter sentido o cheiro de cloro. O único cheiro que sinto, em regime de permanência, é o das águas paradas em mim (e não é vontade de fazer xixi!!!). Deve ser por isso que, nas minhas águas pardacentas, habitam alguns vermes que os girinos fazem o favor de comer, aprendendo a sobreviver com as suas mãezinhas, as rãs.
Aproveitando esta minha onda de boa vontade, vou fazer-vos mais algumas confidências mas, por favor, prometam-me que as mantêm em segredo... é que eu não gosto muito de dar nas vistas e ainda posso ser alvo de uma inspecção sanitária, ao estar-me a fazer passar por Piscinas, quando nem para bebedouro de caprinos, bovinos, ovinos e equídeos sirvo!
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Eu, a tia Gertrudes e o tio Simplício
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Tenho alguns traumas de infância, sabem. Isto até pode tornar-me um psicopata, um sociopata ou algo pior como... hum... ah, já sei: como um menino da mamã! Bem, da mamã não, que ela abandonou-me quando me nasceram os caninos, mas como um menino da titia. Pois é, a minha tiazinha Gertrudes tem aturado os meus dramas desde a infância até à adolescência. Os da fase adulta ainda não, pois ainda não cresci o suficiente para saber o que isso é. Mas a minha tiazinha Gertrudes é o meu porto de abrigo (embora tenha um bigode irritante e que pica, quando me esborracha com beijocas), é aquela que me entende de uma ponta à outra, aquela que me conhece desde a cabeça – que tem presa uma carinha não muito laroca, diga-se em abono da verdade – até ao dedão do pé - aquele que tem um calo que me atormenta cada vez que tento usar um sapatinho de salto alto - e passando pelo meio do meu corpo... para o qual a natureza não foi deveras generosa. Agora já percebem porque tenho este comportamento implicante e egocêntrico, não é? Falta-me um bocadinho assim... .

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Depois temos ainda a minha bonequinha, a querida Beatrice. Dei-lhe um nome francês para não dar muito nas vistas e fazê-la parecer ahn... digamos... uma top model estrangeira, mas comprei-a nos saldos de uma sex-shop em Alguidares de Baixo, que estava a fechar para mudança de ramo (agora é um snack-bar que vende croquetes, minis e amendoins). Além disso nunca fui a França, nem tão pouco sei dizer mais do que “moi”, “je” e “rien” na língua francesa. Mas como dizia, a Beatrice é uma querida, não só adora o quimono que lhe ofereci, como não larga as pantufas felpudinhas que a tiazinha Gertrudes lhe trouxe há dois Natais. E dão-me um jeitão aquelas pantufas, ai se dão. Não é que posso arrastá-la pela casa toda que ela não fura? E nunca se queixa! E o que poupo em roupa e sapatos? E as vantagens do comando ser só meu? E o controlo do peso? Sim, sou eu que encho o pipo ou esvazio, consoante seja Inverno (mais cheinha, para aguentar as frias temperaturas) ou Verão (menos cheinha, para ficar melhor de biquini). Além disso a Beatrice concorda com tudo o que eu faço ou digo, não é minha querida? Agora vem aquela parte em que eu a agrarro pela parte de trás do pescoço e a faço mexer a cabeça em sinal de afirmação.
Vou poupar-vos em relação ao resto dos personagens da minha vida, para não vos maçar mais. É que ainda há o meu tio Simplício, que descobriu aos cinquenta anos que era gay, o meu primo Zacarias que já terminou a faculdade, mas ainda não conseguiu largar a chucha nem o cobertor azul clarinho e o meu vizinho Euclides, que tem tentado internar-me quase todas as semanas, sem que eu perceba porquê.
Bem, queridos bloggers deste Sol, compreendem agora verdadeiramente porque sou assim? Mas eu um dia cresço, prometo. Cresço e desapareço.
Beijinhos a eles, abraço a elas, que eu sou um tanque cheio de verdete, mas sou muito moderno nestas coisas das relações humanas.
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Escrito pela Padeira de Aljubarrota, após ditado pelo tanquezinho de águas paradas e cheio de verdete, com pretensões a algo maior e aprazível, onde alguém tivesse coragem de se banhar, sem passar pelos horrores de sofrer um ataque de urticária crónica.
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Este texto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência. 
- O absurdo aconteceu, faz parte do meu dia-a-dia
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Ontem saí cedo da empresa e fui buscar os filhotes à escola. Perto de casa, estava mesmo bem disposta, chegava a tempo e horas de preparar as rotinas de final de dia com alguma tranquilidade e, talvez, até poder deitar-me um pouco no sofá da sala. Já devia ter aprendido que não adianta fazer planos...
O portão grande da entrada, por onde passa o carro, estava aberto. Mau... não estava ninguém em casa, o pedreiro que tem vindo fazer umas obras tem a chave do portão pequeno... não havia vento... pois... nem metade do dito portão! É mesmo assim, foi desaparafusado, desmontado, tirado. Foi roubado!
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Numa outra experiência anterior, em que me haviam forçado a fechadura da porta principal da casa, telefonei para a polícia e a única coisa simpática que me disseram foi: “Mas a senhora tem alguém estranho dentro de casa? Se não tem e se não lhe levaram nada, não podemos mandar ninguém aí, o que pode fazer é vir até à esquadra apresentar queixa. E se verificar que alguém tenta entrar, então comunique-nos que fazemos deslocar um carro-patrulha”. Entre a estupefacção do “conselho” da autoridade e a fechadura avariada, a única coisa que fiz foi rir nervosamente, para evitar dizer umas gordas asneiras à frente dos meus filhos.
Desta vez, e à semelhança das febres dos miúdos – no segundo dia de febre digo logo ao médico que já é o quarto dia... – adoptei a mesma técnica. Telefonei para a P.S.P. e disse-lhes que me tinham roubado o portão da rua e que não entrava em casa pois tinha receio que estivesse alguém lá dentro. O carro-patrulha chegou meia-hora depois do telefonema.
Tiraram medidas, fizeram perguntas, pediram a minha identificação. Verificaram as entradas da casa e o exterior. Tomaram notas. Conclusão: percebi que o alumínio estava em alta no mercado paralelo, que se tivesse portões de madeira ou ferro não lhes tocavam pois não tinham qualquer valor comercial, que havia empresas que compravam e vendiam este tipo de material ao quilo. Na posse de um contacto de uma destas empresas “compradoras”, dado pela polícia, fui investigar hoje pela manhã. Na recepção dessa mesma empresa, apresentei o caso (sem mencionar sequer a palavra polícia) e abri o jogo: mais valia comprar o meu portão ao quilo, que gastar uma pequena fortuna num portão novo! Mesmo que isso significasse que teria que adquirir aquilo que já era meu, mas que por força dos amigos do alheio, me tinha sido usurpado. Dez minutos depois estava à frente do que restava do meu portão, juntamente com uma pilha de outros portões e portadas. A fechadura era a minha, os puxadores também. O portão estava desmontado, serrado, amontoado em tiras. O meu belo portão verde estava óptimo... para a sucata! Saí da empresa com a identificação e morada do “vendedor” do material, até porque é muito melhor para a imagem da dita empresa, fornecerem-me os dados a mim que serem pedidos localmente, na presença de agentes da autoridade. Dirigi-me à esquadra, mas com muito mais vontade de pegar num grupo de amigos do tamanho de jogadores de râguebi e fazer uma visita à criatura, que já sabia ser produto nacional e ter pouco mais de vinte anos. Ainda passei pela rua do simpático...
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Como sou a favor da justiça pelos meios legais, apresentei os novos dados na esquadra. Os agentes que receberam ontem a queixa só entram às 13 horas de hoje. Ainda não reportaram, oficialmente, a queixa de ontem. Ainda não preencheram o formulário onde podem ser acrescentados novos dados. Conforme combinado com o agente que me recebeu hoje pela manhã, vou ficar à espera que me contactem para lhes facultar estes novos elementos. Entretanto tenho o nome e endereço da criatura nas minhas mãos e uma tremenda vontade de o encostar à parede... Vou aguardar pelas instruções da polícia, que pouco ou nada vão poder fazer. Aposto que a criatura ainda vive com algum dos progenitores, não tem rendimentos legais, não tem bens em seu nome, não é procurado por homícidio, não tem ponta por onde se lhe pegue e nem vale a pena apresentar-se na esquadra, para sair cinco minutos depois de ser identificado formalmente... mas tem cara para dois belos pares de estalos, corpo para uma bela sova e ouvidos para perceber que se voltar a repetir a graçola, ainda lhe acontece uma desgraça maior, que implique uns ossos partidos. Nesta altura só consigo sentir-me grata por ter amigos de tamanho extra-large! Para quem costuma acreditar na Justiça, começo a ficar um pouco descrente. E o pior é que isso não me preocupa nem um pouco!
- Aos professores!
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Antes de mais gostaria de afirmar que nada tenho a ver com a classe dos professores. Não tenho familiares, amigos ou sequer conhecidos a leccionar. Quando este, digamos, conflito entre professores e Governo começou, fiz buscas na internet, jornais, revistas, assisti a programas na tv, para que pudesse esclarecer os pontos que me suscitaram dúvidas. Em seguida fui falar com a professora do meu filho mais velho (que frequenta o 4º ano do ensino básico) para ouvir, da sua própria boca, o que se passava na sua sala de aula e na sua profissão enquanto docente. Não tenho por hábito opinar gratuitamente, informo-me primeiro para depois tomar uma posição que me pareça a mais correcta.
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Quero com isto tudo dizer que julgo a "atitude anti-professores" tudo menos decente. De um momento para o outro, parece-me que esta classe profissional se transformou no "saco de boxe" de tantas injustiças que proliferam no país. Os professores não podem servir de bodes expiatórios para tudo o que vai muito mal na nação.
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Sabem que muitas das nossas crianças foram alvo de avaliação logo no início do ano lectivo? Pois é, uma das modalidades de avaliação, chama-se a Avaliação Diagnóstica. É realizada no início de cada ano lectivo, devendo articular-se com estratégias de diferenciação pedagógica, de superação de eventuais dificuldades dos alunos e facilitação da sua integração.
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Conseguem explicar-me como raio um professor (muitos têm crianças novas nas suas salas de aula) consegue avaliar, previamente, um aluno sem o conhecer minimamente. Reparem que estamos a falar de uma escola, não de uma empresa com objectivos financeiros a 4 anos, com um produto que já foi alvo de inúmeros estudos de mercado...
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Dizer mal é facílimo, difícil é argumentar para além da mesquinhez do dinheiro que gera muitos desamores por esta classe. Estou-me francamente nas tintas para que os professores ganhem regiamente, desde que cumpram com a sua missão: ENSINAR, e ensinar BEM. Se os professores dos meus filhos estiverem motivados, o seu ensino será, possivelmente, exemplar. É isso que pretendo para eles. Nada mais. Ou acham que os nossos impostos são mais bem empregues em mais de duas centenas de deputados do Parlamento, uma dúzia de ministros e um sem número de gestores públicos que têm vindo a cometer erro atrás de erro e a encher as suas contas privadas?
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Mas eu nao me estou nas tintas para que os professores não trabalhem. Longe disso. Tentem saber quanto tempo, para além da permanência dentro de uma sala de aula, os professores gastam em preparação das mesmas, correcções de provas, "n" formulários e directrizes do ME e das próprias escolas. Quando chega a chamada hora de ensinar, como é? Não há pachorra. É isso que eu reclamo. Basta de papelada inútil. Os professores sempre foram avaliados e sem esta carga burocrática - imaginam quantos formulários existem? Eu fiz uma busca e descobri este exemplo:
"Início do ano: Planificações (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Critérios de Avaliação/correcção (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); Descriminação de competências a atingir (1 pág. por turma/disciplina/área = total de 10 págs.); articulações interdisciplinares (1 pág. por turma = total de 6 págs.); (...) são fotocopiadas (1 exemplar para o dossier de Directores de Turma, no Plano Curricular de Turma, 1 exemplar para o Conselho Executivo, anexo à acta, 1 exemplar para os registos pessoais dos próprio professor, 1 exemplar para o dossier de Departamento ...). Logo, num total de 36 páginas (120 fotocópias)."
Isto é uma gota de água comparado com o resto da "papelada" ao longo do ano.
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Quando chegam à sala de aula, estão descontentes e com razão. E mesmo que sejam profissionais excepcionais, como vão ter condições para ensinar com alma e coração?
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E, fundamentalmente, creio que já chega de manobras e aproveitadorismo político, a bem do ensino, dos professores, dos alunos e de todos os que se preocupam com o futuro do sistema escolar.
Notas finais:
- A professora do meu filho tem duas crianças com necessidades de aprendizagem especial na sua sala e prepara aulas distintas para estas crianças, sem nunca deixar de as integrar no grupo dos restantes alunos. Os restantes meninos aprendem com ela uma valiosa lição de vida com esta atitude e são extremamente protectores destas duas crianças, passando essa preocupação para além da sala de aulas;
- A professora do meu filho tem uma criança na sua sala que acumula faltas atrás de faltas, pois tem que ficar a tomar conta de uma sobrinha com meses. Esta situação penaliza-a pois será uma criança com francas probabilidades de reprovar no final do ano lectivo, embora nada possa fazer quanto à assiduidade desta criança a não ser alertar, frequentemente, a mãe da mesma;
- A professora do meu filho leva, diariamente, lanche para outras duas crianças algo negligenciadas pelos seus encarregados de educação e não faz alarde disso, soube-o pelo meu filho e confirmei isso com ela.
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A professora do meu filho não vai ser avaliada por tudo isto, apesar do seu constante empenho que vai muito além das suas funções enquanto docente, mas que faz dela um ser humano excepcional.
Se me for permitido, por aquela senhora, fazer a sua avaliação enquanto mãe e encarregada de educação do Carlos, a professora do meu filho vai ter a minha nota máxima.
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Observação: Este post é a readaptação de um dos primeiros que coloquei na Máquina do Pão. Está aqui reeditado a pedido de uma professora muito especial, que conheci virtualmente.
- Eu não minto! Não acreditam?
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Aprendemos, desde muito tenra idade, que a mentira é uma coisa feia. Que se mentirmos, os outros perdem a confiança em nós. Que mais vale uma verdade dolorosa que uma mentira piedosa. Que a mentira é facilmente descoberta e que nada melhor que a honestidade. Nas palavras e nos actos.Depois crescemos. E começamos a mentir! E mentimos com a consciência de que o estamos a fazer.
- Mãe, hoje chego mais tarde pois fico a estudar em casa da Nicas. Mentira… vamos dar uma volta e ver se encontramos rapazes giros! Ah, também aproveitamos para experimentar uma cerveja, para parecermos mais crescidas.
- Filho, um dia explicamos-te para que serve um preservativo. Mentira… fomos surpreendidos pela tua pergunta e não sabemos como te responder, sem que fiquemos embaraçados. Para a próxima vê lá se perguntas qualquer coisa mais fácil, tipo: as cenouras têm vitaminas? Ou os pintos são amarelos?
- Avó, desculpe mas passei o dia agarrada ao computador e não tive tempo de lhe telefonar. Mentira… esqueci-me e não me apetece admiti-lo, até porque já sei que vem aí um sermão daqueles e só chego a casa amanhã.
- Chefe, estava um trânsito infernal por isso cheguei atrasada. Mentira… apeteceu-me ficar na cama mais meia hora. Estava tão quentinha e enroscada. Estou perdoada?
- Cliente, este é o produto mais indicado para si. Mentira… este é o produto que temos em overstock e, se não o despachamos rapidamente, temos o administrador à perna e nem sabe do que ele é capaz.
- Político, acredito que pode prestar um bom serviço à comunidade, por isso vou votar no seu partido. Mentira… não acredito em nenhum de vós e só voto para depois poder reclamar sem remorsos. Aliás, o que me apetecia mesmo era mandá-los todinhos numa caixa para a Sibéria. Sem retorno!
- Vizinho, não oiço os seus filhos, esteja descansado. Mentira… eles são mesmo eléctricos e acho que jogam ao berlinde na cozinha. Ou então resolvem calçar os sapatos de salto alto da mãe.
- Amiga, não te preocupes, esse corte de cabelo fica-te lindamente. Mentira… pareces um faisão empalhado, depois de três décadas ao pó. Mas onde é que tu foste arranjar esse penteado?
- Fornecedor, não posso almoçar consigo hoje. Mentira… acordei com os pés de fora e tenho mais que fazer que passar a hora de almoço a aturá-lo. Além disso, eu acho que você ficava ofendido se lhe dissesse uma coisa destas.
- Colega, podes terminar este relatório pois ainda tenho que acabar o mapa de previsões mensais? Mentira… estou mais que despachada, mas se fizeres tu o relatório, eu posso ir para a net ver as últimas. Se encontrar alguma peça gira para ti, depois chamo-te para espreitares, boa?
- Todos, passei bem, muito obrigada. Mentira… tenho horas. Acho que agora estou na hora não.
Sem querer ser mais ou menos que os outros, costumo ser acusada de ser demasiado crua nas respostas que dou. Talvez porque abomine, sobremaneira, as mentiras. Adoptei uma estratégia para dizer sempre a verdade e deixar todos na dúvida se estarei ou não a falar a sério: limito-me a responder com sinceridade, mas com muito humor à mistura. A experiência tem-me ensinado que as verdades doem menos, quando ditas com boa disposição. Experimente passar por todas as respostas acima e dizê-las com um sorriso maroto. Doem menos, não é? E quem acha que o vai levar a sério, mesmo dizendo a verdade? Pois é… quase ninguém.
E ainda se riem de mim quando afirmo que nunca minto. Mas não minto mesmo. O quê? Não acreditam? 
- Se fumar, não paga!
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Há um mercado perto de minha casa. Dentro desse mercado há um café. Nesse café trabalha uma senhora que também tem um part-time num restaurante da cidade.
Hoje fui lá beber um café e resmunguei que deveria ser permitido, aos donos dos estabelecimentos, decidirem se o mesmo poderia ser ou não para fumadores. Mas porque não há-de existir esta hipótese de escolha? Ok, o trabaco é prejudicial à saúde, ok a lei existe e é para ser respeitada, ok quem não fuma não tem que suportar o fumo dos outros. Mas não é ok que não possam existir espaços apenas para fumadores! E que não se acrescentem mais umas alíneas a esta lei anti-tabágica. Então vejamos: eu sou fumadora e deveria poder ir a um café onde fosse permitido fumar. Os que não são fumadores deveriam poder ir a um café onde fosse proibido o tabaco. A segunda premissa é verdadeira, respeitável e admirável, a primeira já não porque não me permite optar por manter um vício sob o qual tenho plena consciência que me faz muito mal – embora seja maior e vacinada e livre de me matar devagarinho se muito bem me apetecer. E nem vale a pena vir aí o argumento que há espaços mistos desde que devidamente assinalados, ventilados e com a dimensão mínima permitida por lei. Todos conhecemos a realidade física dos cafés de bairro. Quantos têm cem metros quadrados? Quantos têm poder financeiro para reestruturar o espaço e colocarem os ventiladores e exaustores adequados a uma perfeita extracção de fumos? Quantos têm a dimensão suficiente para que existam espaços separados para fumadores e não fumadores?
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Depois do desabafo, vem a verdadeira história: contava-me a senhora do café que por causa desta nova “lei anti-tabaco” já ficou com duas contas penduradas no restaurante. A técnica é surpreendentemente simples e eficaz. Um grupo janta, pede os cafés e as sobremesas. Todos se comportam lindamente e são clientes muito educados. Depois do repasto pedem um digestivo e, antes que o mesmo chegue à mesa, vestem os casacos - porque na rua está frio – e vão “fumar um cigarro”. E não voltam.
Ao dono do restaurante resta-lhe o “consolo” que pelo menos os digestivos não lhe entraram no prejuízo, desde que não tenha seguido as instruções legais de venda de bebidas alcoólicas e não tenha adquirido os doseadores estanques para as garrafas! Assim sempre pode entorná-los de volta para as mesmas...
- A Tita. Ou... fui trocada por outra!
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Amanhã o Carlos faz dez anos. Como achámos que deveríamos assinalar a ocasião com algo muito especial resolvemos, pai e mãe, oferecer-lhe um bichinho de estimação que não fosse tão idiota como aquele que já temos.
A ideia é, de facto, maravilhosa. A concretização da mesma está a deixar-me em ponto de rebuçado!
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Na noite de quinta para sexta-feira, depois de um cansativo dia de trabalho, estive até cerca das quatro horas da manhã a ajudar uma colega, na revisão final do livro que o marido vai lançar no mês de Março. Claro que para quem se levanta habitualmente por volta das sete horas, digo já que não foi fácil. Durante toda a sexta-feira estive com uma valente enxaqueca e sem saber bem como me chamava, tal era a necessidade que o meu cérebro tinha de dormir mais umas horitas.
Depois de assistir à festa de carnaval da escola do Vasco – fizeram a festa do pijama – fui directinha para casa para a rotina habitual: banhos, jantar, escovagem de dentes, xixi e cama. Pensava eu...
Eis que, ainda antes mesmo do jantar estar na fase de confecção, entra-me a Tita pela casa dentro! E o que faz alguém normal quando lhe trocam as voltas e anulam a combinação existente que era só receber a Tita no Sábado? O que faz uma pessoa desesperada por uma boa noite de sono, quando se instala em nossa casa uma visita que chega antes do dia, da hora marcada? Pois... barafusta, resmunga, pragueja, discute. Mas isso é o que faz uma pessoa normal! Eu, que sou uma completa idiota, rendi-me aos encantos das quatro patas da Tita, do seu focinho doce, dos seus olhos ternurentos, do seu mês e uma semana de idade.
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Escusado será dizer que a noite tranquila que se adivinhava – e que eu ansiava de tal maneira, qual sedenta em pleno deserto por um copo com água fresca – dissipou-se por completo. A Tita quis brincadeira entre a uma e as duas horas da madrugada. A Tita quis comer por volta das três. A Tita insistia em subir para a minha cama cerca das quatro. A Tita dormiu duas horas esta noite. A Tita está a deixar-me à beira de um ataque de nervos ou do ultimato à família: É ela ou eu!
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Bem... agora já são horas de jantar e, depois de uma sesta reparadora do cansaço e da enxaqueca, a Tita está mais que perdoada. É uma fofa e estamos apaixonados por ela. Os miúdos estão delirantes, finalmente têm um cão ao qual podem fazer festas sem serem trincados, com o qual podem brincar sem que ele lhes rosne (para quem não sabe, temos outro cão – o estúpido e esquizofrénico Gaspar, sob o qual já escrevi um post anterior).
O Carlos recebeu o presente de aniversário mais marcante que poderia e está deslumbrado. Percebeu, imediatamente, a responsabilidade que tem perante a cachorrinha e preocupa-se em limpar de imediato os seus xixis, se não tiver tempo de a encaminhar para os jornais que foram colocados estrategicamente para esse efeito. O Vasco julga que ela já é grande o suficiente para poderem jogar os dois à bola. O meu marido está fascinado com a Tita pois ela dormiu, durante esta tarde, toda enroscada junto ao pescoço dele. E eu vou, com toda a certeza, dar em doida, até me habituar à ideia de que deixei de ser a única princesa cá de casa.
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Ps: Desde ontem à noite que os meus filhos não discutem um com o outro. Desde ontem à noite que só falam baixinho. Desde ontem à noite que começaram a andar, ao invés de correrem dentro de casa. Desde ontem à noite que os hábitos dos meus filhos se modificaram, sem ralhetes, sem castigos, sem explicações. Abençoada a hora em que juntámos a Tita à família.
- Fazer dieta! Quem? Eu?
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Hoje uma colega de trabalho virou-se para mim e disse-me: “É impressão minha ou engordaste?” Fiquei em absoluto estado de choque!
Plano de dieta de segunda a domingo para pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar: um copo com água e uma folha de alface a cada refeição. Se tiver muita fome, comer mais uma folha de alface, mas pequenina…
Consequências mais que previsíveis:
No final do primeiro dia já discuti com o marido, recusei-me a fazer o jantar para a família, despi-me e meti-me na cama para não ter que falar com mais ninguém. Custou-me um bocado a adormecer... não percebo porquê;
No final do segundo dia já não falo com a minha mãe, não atendo as chamadas dos meus sogros, chamei imbecil ao meu chefe, formatei o disco do computador do trabalho e telefonei para a empresa dizendo que havia uma bomba no edifício;
No final do terceiro dia, já ameacei pôr os filhos fora de casa, deitei a Playstation no lixo e a Nintendo também, parti alguns DVDs e triturei as contas da água e da electricidade na máquina de cortar papel;
No final do quarto dia, já entreguei o cão no canil, pus a máquina de roupa a lavar em vazio, deixei a água do lavatório a correr durante toda a noite depois de lavar os dentes e comecei a falar sozinha;
No final do quinto dia, deixei a chave pendurada na porta da rua depois de sair de casa, pedi a demissão, tomei dois comprimidos para a enxaqueca, tirei as pilhas do comando da televisão porque o programa me estava a irritar e deitei fora o bilhete de identidade;
No final do sexto dia, já fiz as malas para sair de casa, insultei a vizinha do lado quando ela me perguntou como estava, comecei a sonhar com alface durante o dia e a ver tudo em estranhas tonalidades de verde;
No final do sétimo dia, já pedi o divórcio, pus os filhos à venda na internet, comprei um bilhete só de ida para o Butão e fiz uma fogueira com a colecção de livros cá de casa;
No domingo... quase uma semana depois de ter sido chamada à atenção pela minha querida colega, mandei-lhe uma mensagem para o telemóvel dizendo: “Minha querida, gorda estás tu!”
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No dia seguinte comi um belo cozido à portuguesa! Sem remorsos.
- Receber uma carta de amor? Basta querer!
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Minha querida Luísa,
Esta é a primeira carta de amor que te escrevo. Nem sei bem por onde começar... estou a tentar encher-me de coragem para te dizer tudo o que sinto a teu respeito. Não é fácil, não é mesmo nada fácil.
Sabes, desde que te vi pela primeira vez – com olhos de ver – que achei que ficarias comigo para sempre. Aliás, não achei. Tive a mais completa das certezas. Às vezes não é fácil viver contigo, às vezes tens umas mudanças de humor que não entendo. Mas tens um coração enorme e isso ultrapassa todas as arrelias que, por vezes, me trazes.
Estar contigo 24h por dia tem as suas vantagens. Conheço-te melhor que ninguém. Sei sempre aquilo que pensas. Por um lado isso traz-me uma responsabilidade acrescida pois sei que sou responsável pela maioria das tuas atitudes. Estás tão presa em mim que acabamos por ser como um espelho.
Apesar de te amar profundamente , tenho que te dizer umas coisinhas. Não te aborreças, mas amar é mesmo assim.
Há coisas em ti que umas vezes me divertem, outras vezes me irritam. Que mania tu tens de ter sempre a resposta na ponta da língua e nem sequer pensas antes de abrir a boca. Francamente, já tens idade para te controlares um pouquinho, não? Depois há aquela coisa estranha – quase a raiar a doença – de fazeres festas a todos os animais que encontras na rua. O pior é que eles simpatizam todos contigo, mesmo os mais ferozes. E essa coisa de fazeres amizade com todos os cães de guarda das casas das redondezas há-de trazer-te alguns amargos de boca... os donos que descubram que tu dás a volta aos bichos de tal maneira que eles, que os treinaram para serem mauzinhos, abanam logo as caudas na tua presença!
Depois porque motivo metes conversa com toda a gente, dás troco a todas as pessoas que se metem contigo e ainda resmungas quando não te deixam ir embora, pois está-lhes a saber bem a conversa? A culpa também é tua!
Cozinhas lindamente, eu sei, mas então porque te queixas que nunca consegues fazer dieta? A culpa é toda tua.
Falta-te espaço no quartinho de vestir. Pois, claro que falta, já está cheio de roupa, sapatos, botas, malas. E ainda dizes que não sabes o que hás-de usar... olha, nem comento!
Outra coisita... não te aborreças, mas eu acho que ressonas. Senão porque é que de vez em quando ouves: “estás a fazer muito barulho e eu não consigo dormir”? Pois, rende-te à evidência e não resmungues.
Também não percebo porque adoras uma boa discussão e tens sempre que ter a última palavra. Nem que seja: “Hum...”! Não é normal... não é mesmo nada normal. Sabes bem que passam a vida a dizer-te que tens sempre argumentos para tudo. Não sei bem se isso é bom ou se é mau.
Mas também tens coisas óptimas, tens uma fabulosa auto-estima, tentas ser uma mãe maravilhosa e presente, mesmo que isso passe por repreenderes os teus filhos quando eles o merecem, ou por lhes impores algumas regras que eles por vezes não compreendem. Mas tu explicas-lhas e fica tudo bem. És uma mãe-galinha, mas sabes que os teus filhos também têm que dar as suas quedas e aprenderem a levantar-se sozinhos, embora eles saibam que estás sempre por perto. Mas como eles sabem que tens um coração de algodão-doce para com eles, basta que façam aquele ar de meninos perdidos que tu te derretes num instante. Eles têm bem a quem sair quando querem alguma coisa.
Consegues ser feliz com aquilo que tens. Não tens o céu nem o paraíso, tens uma vida igual a tantas, mas sabes dar valor às pequenas coisas que contribuem para a tua tranquilidade. Não precisas de jóias, viagens, sinais exteriores de riqueza para te sentires bem com a tua vida. Basta-te teres a tua família por perto e harmonia dentro de tua casa para sentires que a vida vale a pena.
Os valores que os teus pais te transmitiram são aqueles que também tentas transmitir aos teus filhos. Podes ter a certeza que serão seres humanos excelentes se aprenderem contigo estes bons princípios que tens. É a melhor herança que lhes podes deixar: o respeito por si próprios, pelos outros e pelo mundo que os rodeia. Orgulha-te do que aprendeste com os teus pais, se és como és, muito a eles o deves.
Porque és honesta, porque sabes ser humilde quando é necessário embora sejas muito orgulhosa, porque a tua teimosia acaba por ser engraçada, porque sabes guardar um segredo, porque és uma boa amiga e por isso também tens três boas amigas, porque és uma filha grata e uma mulher de paixões, porque és um osso duro de roer, mas isso até te traz um certo encanto, porque o respeito faz parte da tua essência, porque prezas o amor por tudo e por todos, porque és uma tremenda resmungona, porque não baixas os braços perante uma dificuldade, porque és uma manipuladora adorável e tens plena consciência disso, porque odeias leite e manteiga, porque és tagarela, porque tens pavor de galinhas, mas já tiveste uma pitão ao pescoço, porque sabes infernizar a paciência daqueles que te aborrecem, porque és como és, porque se fosses de outra forma eu não te conseguiria escrever esta carta de amor.
Estarei para sempre contigo,
Luísa
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Esta carta de amor é de mim para mim J
É a prova de que não precisamos de ter alguém ao nosso lado para recebermos uma carta de amor no dia de São Valentim, basta pensarmos um pouco em nós próprios, naquilo que somos e darmo-nos o devido valor.
- Darwin desculpa, mas estás completamente enganado!
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Eu sei que hoje é o teu aniversário. Eu sei que não é todos os dias que alguém faz duzentos anos, mas daí até achares que eu descendo do macaco vai um passo de gigante. Tu tens noção daquilo que dizes? Põe lá bem a mão na consciência... desde quando é que a minha origem pode advir de um ser vivo que passa o tempo livre a catar – E COMER – os piolhos que encontra no pêlo dos outros? Pois... boa pergunta não é? É que nem me conheces assim tão bem para afirmares uma obscenidade destas! Que nojo... blharcccc.
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Eu, em certa medida, até te compreendo. Aposto que isso teve a ver com a tua indefinição profissional. Convenhamos que começar por Medicina, continuar em Direito, passar por História Natural e Geologia só podia dar nisto. Nunca te disseram que há uns gabinetes de apoio à definição vocacional dos alunos? Hum? Era preciso estoirares assim a fortuna da família? Afinal acabaste por te meter num navio com nome de raça de cão – o Beagle – para eu chegar à brilhante conclusão que afinal não me conheces nem um bocadinho! E também não percebo porque raio dizes que a Terra não sustenta todo e qualquer indivíduo, mas que apenas aqueles que se adaptam e vencem a competição por comida e abrigo, estão aptos para sobreviver. Luta por comida? What? Tu sabes bem que eu faço as compras de hipermercado na internet. Tu tens perfeita noção que eu abomino filas, atropelos e confusões. Pois é... eu não luto pelos produtos na prateleira, se não houver o que encomendo, tenho uma lista de substituições, se ainda assim não houver o que quero, telefonam-me! Ora toma. Luta por abrigo? What? Tu não leste bem o meu post dos electrodomésicos e das botas, pois não? Eu digo lá que comprei um mega chapéu-de-chuva... pois... pelos vistos andas a dormir ou a dar demasiados passeios pelas Galápagos.
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Bom, de qualquer modo e como hoje é o teu aniversário, deixa-me dar-te umas dicas. Aqui vai uma lista de animais dos quais eu posso descender. Aviso já que o macaco não faz parte da maldita, ok?
- O hipopótamo: Tu sabes que sempre tive problemas com a dimensão da minha cintura, até gosto de água e sou capaz de matar para proteger as minhas crias. Bem, por outro lado não tenho um pé assim tão pequeno... afinal calço 40! Pronto, o hipopótamo não serve;
- O panda: Conheces bem a minha paixão por óculos escuros pretos e sabes que gosto deles em tamanho grande. Mas não me vejo a comer bambu a toda a hora... está bem, o panda também não dá;
- O gato: Ah pois, nisso tens toda a razão, quando algo não me agrada ponho, facilmente, as unhas de fora. Mas não sou traidora. Ok, descartemos então o gato;
- O elefante: Sim, parece-me bem, tem uma memória imensa, preserva a cultura de grupo e dá valor às tradições e, como diz a minha mãe, eu também fico de trombas quando as coisas não me correm de feição. Mas pensando melhor, o número de unhas em cada pata não me parece o adequado à enorme paleta de vernizes que colecciono. Este também não resulta;
- O cão: Até me sinto tentada a concordar, é um fiel amigo, fica maluco com o cheiro de um prato bem cozinhado, gosta de passear, rosna se for preciso... Mas não creio que abane o rabo se alguém me mandar um osso. Não, o cão não;
- A lontra: Acho que estás no bom caminho. Eu gosto de crustáceos, amo ter a ninhada por perto e brincar com as crias dentro de água. Por outro lado já não tenho paciência para passar os dias de pêlo molhado como acontecia quando fazia natação. Venha o próximo;
- A tartaruga: Homem espertalhão, eu tenho mesmo uma bela carapaça que me protege dos dentes afiados que por aí andam. E gosto imenso de nadar. Mas não me peças que abandone os meu filhotes à sua sorte ou que façam sopa comigo. Isso não. Next;
- Humm...
- Ahnnn...
Ai caramba, tu não me irrites! Tens perfeita noção que adoro argumentar e por isso não me vires as costas no meio desta discussão. O que pretendes afinal? Queres que eu te dê razão que eu bem te conheço! Eu sei muito bem que, por seres do signo Aquário, és pouco emocional e não compreendes a complexidade emocional de algumas pessoas como eu, mas não finjas que não estou aqui!
Conseguiste enervar-me. Leva lá a bicicleta. Eu descendo do macaco. Satisfeito?
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E parabéns... teimosinho!
- Obrigada por tudo o que aprendi consigo. Nunca o esquecerei.
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Foi ele quem me fez a minha primeira entrevista profissional. Alto, imponente, falando um português perfeito, embora com um profundo sotaque alemão. Se por um lado me parecia deveras intimidador, por outro o seu olhar transmitia algo que me desafiava a demonstrar que eu era a pessoa indicada para o lugar.
Eu tinha aproximadamente 20 anos e ainda estudava. Lembro-me que nem estava muito nervosa, mas o nome da empresa e a sala da administração eram um mundo novo para mim.
Terminámos a conversa com um forte aperto de mão. O primeiro de muitos durante cerca de quinze anos.
Aprendi tanta coisa com este homem. Ele vivia o trabalho com uma paixão estranha. Parecia que a empresa era quase uma extensão da sua casa - a qual ele preservava com admiração, que fazia parte da sua família - a qual ele tanto amava. Era quase sempre o primeiro a chegar e nunca dispensava a ronda diária por todos os departamentos perguntando, invariavelmente, como estavam as vendas. Sentava-se connosco no refeitório, contava histórias, perguntava como estavam algumas das nossas tarefas.
Quase no seu final de carreira recordo-me que já estava doente, mas não me lembro que alguma vez se tivesse queixado ou que isso condicionasse a sua invulgar capacidade de trabalho.
Percorreu inúmeras milhas aéreas sempre defendendo a sua dama – a empresa que se ainda hoje persiste a ele pode agradecer. Foi um inovador, um curioso, um batalhador. Começou as suas funções no armazém da empresa ainda muito novo, até chegar à administração. Era vaidoso e orgulhoso do que tinha alcançado. Digno de todo o mérito. Não era perfeito, foi injusto algumas vezes, mas foi um profissional exemplar.
Deixou-nos no passado dia 3, depois de muitas complicações de saúde que o fizeram aperceber-se que o final estava próximo e resguardar-se apenas junto da sua família mais próxima. Várias vezes pensei que gostaria de falar com ele, dizer-lhe o quanto tinha sido importante para mim, mas nesta altura ele já não queria o contacto de gente de fora do seu aconchego familiar.
Algum tempo depois de ele ter saído da empresa - afastado pela casa-mãe pois sempre se opôs à iberização da sua dama (o que, inevitavelmente, acabou por acontecer) – pensei em ligar-lhe, apenas para lhe perguntar como estava e transmitir-lhe o quanto tinha aprendido com ele. Nunca o fiz. Primeiro porque tinha receio que me recebesse menos bem. Podia sentir-se ofendido pois eu continuava a trabalhar na empresa e ele já não. Segundo porque poderia pensar que era um atrevimento de minha parte, na medida em que ele ainda era um homem cheio de contactos importantes e poderia pensar que o meu telefonema talvez fosse de puro interesse. Nada mais errado. Devia ter ligado. Hoje já não o posso fazer.
No funeral estavam muito poucas pessoas. Fundamentalmente seus ex-colaboradores, a mulher, a filha que ele sempre adorou, os seus dois netos de quem ele tinha tanto orgulho e para quem ele tinha sido não só avô como o pai que eles praticamente não tiveram e meia dúzia de amigos. Um homem que outrora tinha tanto poder que era seguido por uma comitiva imensa, acabava praticamente só. O que mais me entristeceu, para além da perda definitiva deste homem que me marcou profundamente e que sempre fará parte das minhas memórias, foi o facto de me parecer que tantos que lhe prestaram vassalagem enquanto poderiam conseguir alguns favores, o ignoraram na hora da sua partida. Afinal parece-me que só temos valor enquanto podemos mexer uns cordelinhos simpáticos em prol dos outros. Magoa-me esta mesquinhez.
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Sr.Birg, desculpe não ter conseguido assistir a toda a Missa de corpo presente. Foi mais forte que eu, tive que sair um pouco pois doeu-me muito a sua partida. As rosas brancas que lhe deixei no cemitério nunca serão suficientes para tapar a culpa que sinto por não lhe ter feito o telefonema que gostaria. Obrigada por tudo o que aprendi consigo. Nunca o esquecerei.