SOL

Abram Alas....

            

As pessoas de grande relevo não são as que se distanciam das multidões mas aquelas que as arrastam.

 

Ao nosso redor criamos um espaço oval imaginário. Uma bolha protectiva, uma muralha de fogo ou escudo defensivo convencemo-nos gradativamente da existência de barreiras territoriais.

 

Posicionamo-nos num elevador sem nos ter sido ensinada a etiqueta envolvida. Ao primeiro lance analisamos o tamanho e o número de pessoas. Depois procuramos o nosso espaço, ocupamos os cantos de imediato e é a partir deles que nos reajustamos. Os homens colocam as mãos à frente do corpo e as mulheres agarram as bolsas. À medida que o espaço se esgota posicionamos as mãos ao longo do corpo e encolhemos os ombros. Não nos colocamos de costas para a porta, com um número reduzido de pessoas, para evitarmos criar situações desconfortáveis. E tampouco fixamos as pessoas mas sim a luz indicativa que acende à medida que atingimos o piso. Evitamos falar para não envolver outros numa conversa desnecessária. Se o elevador está lotado, ao contrário de lugares públicos aonde evitamos cortar o espaço de outrem, comportamo-nos como se fossemos invisíveis (cá não está ninguém).

 

Também bizarra é a distância entre empregado e patrão. No local de trabalho, nos EUA, é comum as pessoas se tratarem pelo nome próprio (Joe, Scott is on vacation) enquanto em outros países usam o nome comum (engenheiro Sócrates o director do Banco … está de férias). Mas o espaço concedido continua a ser proporcional à influência, num elevador o patrão pode mexer-se um pouco mais à vontade e os cubículos ou escritórios são maiores.

 

O nosso conceito sobre espaço gera interesse e também confusão a nível pessoal, regional ou global. A zona de conforto individual depende mais da personalidade do que da nacionalidade, raça ou sexo. Como não há duas pessoas iguais manusear o espaço acaba por ser delicado.

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Sorte de Cão

                                        

Olá sou o Bo e estou desterrado nos EUA, não sei porque carga de águas tal aconteceu. O que posso dizer é que houve para aí umas trapalhadas e foi a público, como o Cristo e Barrarás, escolheram-me e aqui estou na Casa Branca.

 

Alguns dias depois da chegada, levaram-me para uma sala a abarrotar de gente. Pensei que me iam leiloar. Os portugueses sempre tiveram esse hábito, levavam as pessoas das Africas para as Américas colocavam-lhes uma tabuleta ao pescoço e vendiam-nas por tuta-e-meia (não é do meu tempo mas ouvi falar). Voltando ao que interessa, estava à espera que me colocassem a tabuleta e em vez disso veio um colar todo folclórico, aqui começam o Carnaval mais tarde. Uma vez na sala aquilo era fotografias por tudo o que é canto. Foram tantas que até fiquei cego como uma toupeira. Com aquelas andanças distraíram-se e não houve leilão. Safei-me por um triz.

 

Uns dias mais tarde amarram-me pelo pescoço e (é desta que eu vou) levaram-me a conhecer o ambiente. Passei por aqui… passei por ali é tanta coisa que não consigo ajuntar, lembro-me da Sala Oval, ali aquilo fia mais fino, talvez quisessem-me advertir para não fazer das minhas, como O Clinton, vocês compreendem. A gaja devia de ser boa para ele fazer uma pouca-vergonha daquelas. Eu como o Clinton? Não, tenho mais vergonha do que isso. Nessas coisas nunca se pode dizer dessa água não beberei. Vocês sabem que a maluqueira dá na cabeça.

 

Sabiam que o Vai-e-Vem vai parar definitivamente? Vai ser substituído por uma nova nave que terá o desenho de um míssil. Também o processo de aterragem vai ser novamente de pára-quedas, dizem que é mais seguro. Fiquei parvo quando ouvi que os cosmonautas americanos vão depender do transporte dos russos para viajarem para a estação espacial, «good luck!». Estou aqui há pouco tempo mais já me desenrasco no inglês. Tenho jeito para línguas.

 

Licks

 

Bo.

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Pataca a mim, Pataca a ti, A mim Pataca

          

Por vezes em histórias contadas salientam-se pontos em detrimento de outros. As palavras do ex-presidente dos EUA Ronald Reagan, há cerca de 22 anos atrás ao comemorarem sete séculos e meio da existência de Berlim, pode muito bem cair nessa categoria.

 

«Derrube este muro» foi a frase dirigida ao então lidere soviético Mikhail Gorbachev, ficou como símbolo do desejo de Reagan de maior liberdade no Berlim Leste.

 

Ronald Reagan iniciou uma nova era económica, a chamada «Reaganomics». Á queda do muro de Berlim juntou-se o desmantelamento do capitalismo que assenta em três pilares principais a saber: conhecimento, bens e autonomia. Substituído pela economia de mercado estabelecida na ideologia que a compra e venda deve de ser exercida com o mínimo de regulamentação e isenta de coerção governamental.

 

A instabilidade do sistema capitalista obrigou à criação de uma arquitectura económica diferente e com ela, como é óbvio, uma série de reformas. A economia de mercado exige transparência dos mercados, a identificação dos principais participantes, o conhecimento das suas decisões e a movimentação de capitais. Teoricamente parece lógico e funcional. Da teoria à prática há um grande abismo a transpor. Por isso poderíamos perguntar:

 

  • Quão transparente é a coordenação entre os bancos centrais?
  • Até que ponto o crédito deve de ser estendido e quem tem acesso a ele?
  • Como abordar a especulação e o oportunismo?

 

O caso Madoff demonstrou ultimamente que o mínimo de regulamentação governamental pode ser doloroso porque permite uma série de fraudes agravados, neste caso de 50 biliões de dólares.

 

O outro exemplo é o de AIG (American International Group, Inc.) que depois de receber um compromisso do governo no montante de 182.5 biliões de dólares. Em seguida distribui por setenta e cinco dos seus administradores 218 milhões de dólares em bónus, oscilando entre um a quatro vírgula seis milhões por indivíduo.

 

Se a transparência nas transacções é um dos pilares fundamentais na economia de mercado, é um dos bens com muita procura e difícil de encontrar. Até hoje, está mais do que provado que deixar o mercado entregue nas mãos da Banca, Seguradoras, Grupos Financeiros, Multinacionais e ao sabor do investidor em geral não produziu resultados dignos de louvor.

 

A crise económica está longe de ser resolvida e prevê-se a sua retoma para fins deste ano princípio de 2010. Entretanto os paladinos da economia continuam a arrecadar os louros e as pessoas que trabalham e contribuem seriamente para o país são pilhados por charlatães.

 

As fotos deste bloque são extraídas do Yahoo Images

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A Fonte Da Juventude

                             

O senhor Faustino é um brincalhão por natureza. Tem por hábito dizer aos amigos, com um sorriso jovial e em tom divertido, «uma das coisas que aprecio ao envelhecer é poder assobiar enquanto escovo os dentes».

 

Envelhecer feliz é manter a graça do bom humor e do sorriso, apesar da beleza e da energia gradativamente se definharem.

 

Nas sociedades de consumo as técnicas de incentivo à compra de bens são muito refinadas. Muitos de nós acabamos por comprar coisas que raramente necessitamos ou usamos. Se está velho é obrigatoriamente substituído. Com essa mentalidade pode-se dar o caso de medir o entardecer da vida pela mesma bitola.

 

Na mente de muitos, idoso significa que está a cair aos bocados, fraco, enfermo, no ferro velho. Pensar assim torna difícil aceitar o avanço na idade de modo natural. O desgaste é grande. Não se pode impedir o envelhecimento mas pode-se evitar ser velho.

 

A atitude é importante. Todos nós temos tempo limitado e como tal devemos usá-lo da melhor maneira. Gastar o tempo de modo pesaroso, a lamentar-se será um desperdício de um bem extremamente precioso e, além do mais, que se esgota constantemente. O segredo de viver está no usufruir cada momento da melhor maneira. Com alegria, graça, humor. Sentir-se feliz.

 

Uma das muitas particularidades do senhor Faustino é a de partilhar as boas memórias com outros. As más não interessam, já o corroeram, só servem para extrair lições, nada mais. Também tem a particularidade de transformar algo de natureza temporária em prazenteiro, precioso e agradável, tanto para si como para os que o rodeiam.

 

O senhor Faustino ocupa bem o seu tempo. É evidente que se senta defronte da televisão, mas não é por horas e horas a fio. Cuida da pequena horta que lhe dá umas alfaces e alguns pés de couves. Trata de umas árvores de fruto, que o mantém ocupado na poda e na colheita. Faz brinquedos de madeira e, com três cores bases, é capaz de dar ao pinho um tom folclórico. Dá os seus passeios pela tarde com regularidade. Em suma continua a extrair da fonte da juventude o vigor necessário para o dia-a-dia.

Sofia Loren disse certa vez «a fonte de juventude existe, é a tua mente, os teus talentos, a criatividade que consegues trazer à tua vida e aos que amas. Quando aprenderes a extrair dessa fonte, na realidade, deixas-te de ser velho.

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Se Fosse Poeta

                             

Dedicava um poema inteirinho à paz, sem nunca mencionar a guerra. A não ser que ficasse tolhido pelo patriotismo e cego deixasse de ver a miséria que a guerra arrasta e a devastação que deixa. Ou a qualquer custo sentisse o futuro glorioso da vitória.

Sim, porque para os senhores da guerra um homem tem de se apresentar como um toiro em pontas: nobre, bondoso, bravo, que não se derrote, sempre pronto, bonito, investir a direito e de cabeça baixa. Há ainda quem o compare a um corcel árabe. Mas nunca a um toro boiante junto à costa. Embalado nas ondas. Graciosamente erguido e depois, na fúria da força, catapultado contra as rochas. Herói fragmentado. Deixou-se abater pela causa ignóbil de uns poucos.

Morrer por morrer, morro por mim.

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A Caravana Passa!

         

As recompensas de viajar são elevadas, umas mais do que outras como é óbvio. Viajar ao mundo da inveja tem a peculiaridade de nos tornar donos de nossas próprias vidas. Sair de um sistema viciado e escravizado, poder cortar as amarras e gritar «Sou Livre!»

 

Calcula-se que a água cobre 75% da superfície terrestre. A inveja deve muito bem e em termos magros entender-se por 90% da população. A sobrevivência na água depende de se saber nadar, entender os mecanismos da natação e coordená-los, especialmente se nos encontramos fora de pé. Do mesmo modo compreender a estrutura básica da inveja, o que a propala pode ser muito útil.

 

A inveja é uma doença crónica. O invejoso «não pode ver uma camisa lavada a outro» por se sentir inferior, minimizado, frustrado, triste, acanhado e assim por diante. A avaliação pessoal do invejoso é baseada no que os outros têm ou possuem. E como existe sempre alguém que supera outro em algum campo específico, não tem sossego.

 

Incapaz de escrutinar algo de bom ou compreender nos outros o brilho dos olhos, a alegria e a luminosidade do carácter. Impossibilitado de aceitar que o mundo é versátil e único. Vive num estado inconsciente em relação às suas mágoas e frustrações. Gera aversão a tudo e termina por se rejeitar a si próprio. Quando encontra algo digno de admiração minimiza-o. Começando primeiro por gabar-se de suas próprias realizações e depois com uma crítica arrasante coloca-o abaixo da lama.

 

Ser alvo de inveja não é fácil como também não o é nadar numa corrente marítima. As forças esgotam-se facilmente ao nadarmos contra a corrente e isso pode custar caro. Para salvar a vida teremos de utilizar a energia da corrente, deslizar nela e nadar para um dos lados.

 

Por focalizar a atenção na avaliação pessoal, colocamo-nos numa posição de poder esquadrinhar a crítica e ver se encontramos algum mérito digno de consideração. É difícil evitar ser alvo de inveja. Contudo é possível transformar algo negativo em positivo e extrair grande proveito.

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Reflexões: Seja Você Mesmo!

        

É o pior conselho jamais dado a certas pessoas, disse Tom Manson.

 

Para evoluirmos como indivíduos temos de ter um ponto de partida ou eixo. Pontos fundamentais de referência para o progresso individual na vida não devem de ser comparados com os de outras pessoas. Se tal acontecer o nosso padrão passa a ser gerido por fora, saímos do nosso eixo, das nossas referências natas. Perde-se facilmente o equilíbrio salutar indispensável ao fortalecimento da nossa identidade.

 

William Shakespeare disse «Deus deu-te uma face, e tu transforma-la noutra».

 

O processo educativo na família, na escola e na comunidade está fortemente enraizado na mania comparativa. Somos constantemente pressionados com comparações. Na família ou somos nós o padrão ou outros são nos apontados como tal. A carga comparativa é tremenda e de grande magnitude. Infelizmente poucas vezes nos damos conta dela. Sendo assim todo o nosso modo de viver e objectivo de existir perde-se.

 

No sistema escolar as coisas acabam por serem mais acentuadas. O sistema vive de comparações. Acabar com as comparações seria exterminar o sistema de ensino. O pódio, o primeiro lugar, o segundo…, as classes mais adiantadas ou atrasadas, as avaliações de professores e de alunos e, a culminar, as notas. Portanto neste sistema altamente comparativo aprende-se tudo com referências externas. Como tal gera-se um desequilíbrio na identidade individual.

 

Naquela vizinhança havia o forte hábito de perguntar às crianças o que tinham tido para o almoço. O Joãozinho foi ensinado em casa a vencer o problema. Ora um belo dia, quando questionado, respondeu na ponta da língua «um bife com batatas fritas e um ovo a cavalo». «Ó Joãozinho cheiras a peixe», responde-lhe a inquiridora (para não lhe chamar outra coisa). É que sabe Dona Maria «o cheiro das sardinhas é mau de tirar».

 

Isto acaba por ser uma anedota. Mas salienta perfeitamente a força cultural da comparação. As pessoas contam o dinheiro dos outros, examinam os seus carros, as casas, como se vestem. É uma seiva cultural, corre nas veias a tal ponto que nos submetem diariamente, em todo o lugar e momentos das formas mais variadas, ao peso das comparações. Dificultando grandemente o progresso individual e, poderíamos ir mais longe, colectivo.

 

Para nos fortalecermos interiormente temos de reajustar o processo comparativo.

 

A avaliação pessoal fortalece a identidade, reorganiza-nos e reajusta-nos no eixo devido, proporcionando o apoio necessário para um progresso saudável. Podemos comparar o progresso feito, com aquilo que éramos e com o que somos. Aonde estamos e para onde vamos. Significa isso que não necessitamos dos outros na nossa vida? De modo algum. Aqueles que nos rodeiam podem ser avaliados pelo que conseguiram, dentro do seu ritmo, nível pessoal e circunstâncias. O nosso mundo não se baseará em sermos mais do que ninguém. Os alvos alcançados são dentro do nosso potencial. A avaliação pessoal levará a um progresso predominante.

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A Bom Porto!

         

Uma breve retrospectiva ao ano de 2008 leva-me a concluir que foi um ano sem igual. Executei uma série de decisões financeiras que não levaram a nada. Tentei o impensável. Li e reli livros sobre investimento na bolsa e nos imóveis. Ponderei o que os especialistas tinham a dizer sobre certos e determinados aspectos do negócio e em todas elas fiquei em branco. Não encontrei solução possível para o emagrecimento do capital investido. Enfim um ano para esquecer, seria um ajuste fácil de digerir e passar à frente.

 

No entanto do ano transacto extrai lições valiosíssimas. Não é que sejam desconhecidas, são do quotidiano, com outros níveis de profundidade. Em cada estágio ensinaram-me a ver ângulos diferentes. A formação da pérola começa com a irritação de um grão de areia. Na vida as coisas, por vezes consideradas garantidas, nem sempre estão lá aguardando a nossa chegada.

 

Quando deduzi que nada funcionava. Fiz um balanço rápido dos verdadeiros valores e agarrei-me a eles com unhas e dentes. Fiquei determinado a perseverá-los. Não foi fácil. Como não teria sido uma decisão de ânimo leve, a qualquer comandante de navio, lançar a carga a bordo ou estibordo, para salvar a nau e os tripulantes.

 

Com algumas mazelas consegui manter a flutuação. O ditado popular «vão-se os anéis ficam os dedos» ajudou-me a separar as coisas supérfluas. Tive a oportunidade de aprender um pouco mais sobre a minha pessoa, debaixo de circunstâncias adversas. O «segredo é a alma do negócio», no meu caso, conhecer a minha tolerância de quando comprar ou vender foi verdadeiramente importante e saí a valorizar ainda mais a «tripulação».

 

O que espero de 2009?

 

Economicamente continuará sombrio apesar de os juros continuarem a baixar consideravelmente. A compra pelo governo americano de títulos no valor e 500 biliões de dólares não evitará o quebra-cabeças que se avizinha no tocante a falências, desempregos e créditos sem cobertura.

 

Na Bolsa a coisa não será assim tão diferente. Depois de se evaporarem 14 triliões de dólares, em valor, a recuperação do mercado será morosa. Os investidores terão que reconstruir novamente a confiança no mercado e isso levará o seu tempo. Porque os 6,9 triliões de dólares perdidos, este ano, não esquecem de um dia para o outro.

 

A réstia de esperança que os economistas apresentarem, no início do ano, terá uma curta vida de seis meses. Depois prevê-se uma economia lenta até ao seu reajuste total.

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No poupar é que está o ganho!

           

Por estes lados também existe a preocupação de poupanças. Na maioria das ressacas económicas quem acaba por sair a perder é o «Zé». Os campos sempre mais atingidos são: exigências na produtividade e cortes nos benefícios. Acaba-se por ter menos do que quando se começou. Ao contrário de alguns que lhes é reposto o que perderam para poderem começar de novo com o pé direito.

Nesta quadra, seis dias de feriados juntos com alguns dias de férias e o corte nos custos diários que cada empresa tem para manter as portas abertas, engloba milhões. O empregado conclui racionalmente que mais vale tirar uns dias de férias do que perder o emprego. Por outro lado as companhias aumentam a sua margem de lucros. Só à giza de exemplo o Cisco Systems poupará um bilião de dólares nas suas dependências nos EUA.

A palavra «crise» desgasta-se. Alguns até alegam que nem vale mais a pena apontar culpas no cartório. As coisas não são assim tão lineares como parecem. Numa pesquisa feita aos vinte bancos que receberam mais de um bilião de dólares do resgate de 700 biliões. Inquiria-se sobre a utilização do capital da parte dos mesmos. Dinheiro que saiu dos contribuintes para apaziguar uma quantidade de más administrações. Nenhum deles fez questão de responder ao inquérito.

Cansamos com as desculpas de mau pagador. A presente Administração foi mal informada pelos senhores que continuam a gerir os capitais. Permitiram uma série de esquemas financeiros não provados,  a nível nacional. Não se pode ignorar uma falta dessa magnitude. Foi sempre assim, quem acaba por pagar as favas é o «Zé» que continua a preparar a lancheira e a sacrificar as férias. Os administradores das grandes empresas vão continuar a viajar para Washington, de jacto privado, a fim de solicitarem fundos na ordem dos biliões.

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Perdi a Razão?

        

Não podia acreditar no que via. Fechei sucessivamente os olhos, abanei a cabeça e tornei a fixar-me bem no rolar dos contadores. Por uns momentos pensei que estivessem trocados, mas não. Será uma falta de pressão na bomba? Tampouco.

 

Era bem real. Não eram alucinações nem um truque óptico. Finalmente ao cabo de quatro anos (se a memória não me atraiçoa) voltei a pagar o preço da gasolina a $1.65 USA dólar o galão (aproximadamente 1.30 euro).

 

Levou tempo para a gasolina baixar. O resto continua na mesma. Na altura que o barril de petróleo subiu para 150 USA dólares, o preço das carnes, frutas e legumes duplicou. Pelo modo como param as modas não vejo modos de descerem, a curto prazo. Mas a gasolina desceu e que se mantenha assim por muitos bons dias.

 

Se tal acontecer e segundo a analise dum amigo meu «o povo americano não se revolta desde que tenha gasolina e comida barata. O governo sabe disso e mantêm as coisas ao um preço acessível».

 

Que Deus te ouça! Já estava a ficar preocupado com a revolução.

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Rescaldo!

           

Há quem diga que chorar faz bem!

 

Chorei de raiva (por não chorar pelo devido).

 

... pela vitória, pela derrota, de medo, de fraco, humilhado, triste, só, amargurado, por recordar, por heroísmo, por apego, por amor, pela vida, pela morte, pela chegada, pela partida, pela paz e pela guerra.

 

Chorei profusamente até sentir em tuas lágrimas o alívio.

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O Dia Embranqueceu.

      

Era um daqueles dias que parecia não querer despontar. Umas vezes fazia sol outras chuva. Por vezes umas rajadas de vento muito forte com uns pequenos intervalos de bonança. E foi assim todo o dia. Finalmente despontou pela entrada da noite. Agora há que aguardar pela manhã seguinte (pensei).

 

O mundo não pára. Os problemas que a humanidade se confronta hoje não desaparecem dum momento para o outro, com o empossar dum presidente. Não quero dizer com isso que as pessoas não fazem a diferença. Fazem sim.

 

Para mudar o mundo é preciso mais do que um tsunami, ou um terramoto de 12 graus na escala de Richter. Ou injectar dinheiro, montes de dinheiro, nos senhores da banca.

 

Precisamos duma reviravolta intelectual na maneira como direccionamos o presente e projectamos o futuro.

 

O mundo financeiro e o político encontram-se em lados opostos. Os primeiros negoceiam e especulam o futuro os outros andam à roda a tapar buracos e a atenuar o presente. Mundos opostos. Acredito que matematicamente seja possível encontrar a solução, há tantos algarismos negativos como positivos. Mas as contas não se inclinam para isso.

 

Então… qual será a solução? Não a tenho e não a vejo. Uma coisa boa que reservo é a esperança.

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O Plano de Socorro - 700 biliões de dólares.

                         

Nos anos 90 um analista impressionado com o produto final disse alto e em bom som para todos nós empregados «o dinheiro não constitui problema». Nessa altura as companhias com produtos baseados na Internet eram um chamariz de investidores ávidos de ganhos astronómicos. Infelizmente as coisas não continuaram naquela velocidade e quando a maioria das pessoas enfrentaram a realidade foi tarde demais. Uma companhia atrás de outra despenhou-se nas malhas da falência.

A bolha do imobiliário rebentou com efeitos catastróficos globais. Há quem lhe chame de tsunami, outros ciclone para mim foi a maior fraude que presenciei.

Neste momento todos apontam o dedo tentando livrar-se das culpas no cartório.

Do presidente aos senadores todos se apresentam como pessoas idóneas. Hoje dei-me ao cuidado de ouvir o senador que representa a comissão para este cataclismo expressar-se em termos de quem quer que as coisas sejam feitas de maneira digna e imparcial. Chamando a contas os responsáveis (ou irresponsáveis) génios financeiros.

Um dos muitos problemas que se apresentam é que os chamados génios económicos não querem abdicar dos salários que o Wall Street os habituou, milhões de dólares anualmente fora as compensações. E para agravar a situação, também, não querem aceitar as perdas das suas más decisões. Que pague o contribuinte que é para isso que está «a matar o coiro».

Se o governo federal comprar as amortizações a preço reduzido as instituições financeiras não terão a latitude de manobra que desejam nesta economia de mercado. Os resultados serão uma pausa económica que pode levar anos para se restabelecer.

Por outro lado se pagar demais, o contribuinte ficará com um peso financeiro tremendo. E pode-se depreender que em tempos de crise é o Zé que aperta o cinto.

Atribuir um cheque de 700 biliões de dólares a uma instituição reguladora que no passado defendeu perante o Senado que o governo deveria se manter o mais afastado possível e deixar o mundo financeiro atingir os seus objectivos é assunto sério.

Foram ineficazes ao analisarem a economia de mercado e aconselharam pessimamente tanto o governo como o contribuinte. Os buracos na economia continuam. Se o preço do imobiliário continuar a cair as amortizações que hoje são consideradas boas, amanhã entrarão em colapso. Produzindo novas pressões nas instituições financeiras. A contínua desvalorização do dólar e uma nova ronda de inflação. As soluções não podem ser esboçadas num fim-de-semana.

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Pena Capital

    

Alphonse Karr (1808-1890) ao defender a pena de morte disse «se tivermos de abolir a pena de morte, gostaria de ver os meus amigos assassinos tomarem a iniciativa».

Os 668 indivíduos executados nos EUA, desde 1998 a 2006, mataram 1442 pessoas o que dá uma média de 2,1 vítimas por assassino executado.

Um homem condenado à morte por violação e depois enterrar a menina viva. Antes de receber a sentença e convidado a comentar disse «fiz o que devia ter feito» aludindo que aliviou o sofrimento da criança por a livrar dum pai incestuoso. O juiz perante tamanho absurdo e evidência de falta de remorso disse «condenar uma pessoa à morte não é coisa fácil. Hoje tu facilitaste-me o trabalho.»

Presentemente nos EUA 36 estados têm a pena de morte. E desde 1976 a 2008 foram executadas 1111 pessoas, 79% da raça branca, 5% latinos, 14% raça negra e os restantes 2%.

O estado da Califórnia tem 667 que aguardam execução. A maioria deles não serão executados. Nos últimos 32 anos, na Califórnia, foram executadas 13 pessoas. O sistema permite uma série de apelos. Comparando o  julgamento com possibilidade de pena de morte com um de prisão perpétua os custos são cinco vezes mais.

Depois há a despesa no corredor da morte, ao longo dos quinze a vinte anos com privilégios especiais, que lançam um fardo pesadíssimo no contribuinte difícil de aceitar. No sentido monetário ou no politicamente correcto a pena de morte tem os seus dias contados. Argumenta-se que a pena de morte também não reduz o homicídio. Os métodos de execução divergem, em 35 estados usam a injecção letal e a cadeira eléctrica é usada em Nebraska. A câmara de gás é inconstitucional.

Neste tema extremamente sensível de debater alguns ainda querem fazer ver que entre a lapidação e a cadeira eléctrica existem poucas diferenças. Nos EUA ninguém é executado por adultério, homossexualidade, apostaria mas sim por assassinato.

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O Transporte Do Futuro Veio Para Ficar.

   

O barril do crude atingiu, hoje, um recorde de $142.60 em Nova Yorque.  Estamos metidos num sarilho de todos os tamanhos. As companhias petrolíferas dizem que não ganham para as despesas.

A Exxon-Mobil já vendeu a maior parte das bombas de gasolina nos EUA e quer vender as restantes 2200 alegando que não dão para as despesas. Contudo continua a fornecer-lhes o combustível.

Não dá não dá... mas no último trimestre arrecadaram mais de 12 biliões de dólares, lucro líquido.

Arre mula!

 

PS. As fotos deste blogue são extraídas do Yahoo Image.

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