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Desde já aviso a todos os que se dispuseram a ler este meu post, que este é um texto chocante, não tanto pelo que escrevo mas, sobretudo, pelas imagens que aqui inseri.
É um post escrito com imensa emoção, enorme tristeza e repúdio pelas atrocidades que, no século XX, seres humanos ditos civilizados infringiram a outros seres humanos, cujo “crime” foi serem diferentes. Diferentes na raça, na religião, nas ideologias políticas, nos gostos sexuais, ou simplesmente porque eram deficientes.
Como todos já se aperceberam refiro-me ao Holocausto. Claro que houve muitos outros crimes odiosos cometidos por outros seres humanos contra os seus semelhantes mas, hoje e neste post, vou apenas escrever sobre os Julgamentos de Nuremberg que condenaram alguns dos principais responsáveis do Regime Nazi pelos seus crimes contra a Humanidade.
Ainda não estava terminada a Guerra, já os Aliados convictos da sua vitória debatiam a necessidade de julgar os principais líderes Nazis, bem como as suas organizações e instituições.
Assim, logo após o fim da II Guerra Mundial e tendo em conta todas as barbaridades cometidas pelos nazis, tornou-se urgente levar avante o julgamento dos principais responsáveis por esses horríveis crimes.

Sobre os antecedentes que levaram aos Processos de Nuremberg, saliento apenas que a escolha desta cidade para a realização dos diversos tribunais, teve a ver com factores de ordem prática e políticos. Por um lado, esta cidade possuía um Palácio de Justiça com capacidade para realizar um julgamento que implicava centenas de pessoas, por outro, esteve sempre ligada ao regime nazi (foi aqui que, em 1935, foram decretadas as primeiras leis anti‑judaicas, a “Lei da cidadania” e a “Lei da Protecção da Honra e Sangue Alemão”). Nuremberg era assim a cidade ideal para julgar os crimes cometidos pelos nazis.
Foram 13 os julgamentos que tiveram lugar naquela cidade entre 1945 e 1949, mas vou apenas referir-me ao primeiro e mais importante desses Julgamentos, onde foram julgados alguns dos principais responsáveis pelos odiosos crimes nazis.
Infelizmente, alguns desses líderes nazis conseguiram fugir e escapar a estes Julgamentos. Uns foram descobertos e julgados anos mais tarde, outros como Klaus Barbie, o “carrasco de Lyon” só recentemente, foi encontrado (em Julho de 1987, é finalmente, condenado pelo tribunal de Lyon à prisão perpétua por crimes contra a humanidade. Em 1991, morre na prisão, vítima de cancro).
Pela primeira vez na história criou-se um Tribunal (O Tribunal Militar Internacional) em que os vencedores, em conjunto, julgaram os criminosos de uma guerra.
Este primeiro Julgamento teve início em 20 de Novembro de 1945. Inicialmente eram 24 os réus, mas só 21 foram levados a julgamento. Robert Ley suicidou-se antes do início do tribunal, Gustav Krupp foi considerado demasiado fraco, e Martin Bormann que tinha fugido, foi julgado à revelia.

Cada um dos réus foi passível de uma ou mais das seguintes acusações: 1- Conspiração e actos deliberados de agressão 2- Crimes contra a paz 3- Crimes de Guerra 4- Crimes contra a Humanidade.
O Tribunal, terminou a 1 de Outubro de 1946, depois de quase um ano, em que foram ouvidas centenas de testemunhas, que relataram os maiores horrores, crimes e humilhações que jamais seres humanos sofreram às mãos de outros seres humanos, com a leitura das seguintes sentenças:
11 Condenações à morte por enforcamento: Hermann Goering, Joachim von Ribbentrop, Wilhelm Keitel, Ernst Kaltenbrunner, Alfred Rosenberg, Hans Frank, Wilhelm Frick, Julius Streicher, Fritz Sauckel, Alfred Jodl, Arthur Seyss-Inquart.
3 Condenações a prisão perpétua: Rudolf Hess, Walther Funk, Erich Raeder.
2 Condenações a 20 anos de prisão: Albert Speer, Balder von Schirach.
1 Condenação a 15 anos de prisão: Konstantin von Neurath.
1 Condenação a 10 anos de prisão: Karl Doenitz.
3 Absolvições: Hans Fritzsche, Hjalmar Schacht.
As sentenças foram executadas a 16 de Outubro de 1946. Os condenados com penas de prisão foram encarcerados na Prisão de Spandau, que após a morte do último destes prisioneiros, Rudolf Hess, em 1987, foi completamente destruída pelos Aliados.
Optei por não descrever o desenrolar deste Julgamento pois iria tornar este post demasiado extenso e penoso de ler. Assim, escolhi algumas fotografias que, melhor do que tudo o que eu escrevesse, mostram os horrores do Holocausto.
No meu álbum podem ver (se ainda tiverem estômago para isso) as fotografias inseridas neste post (não como eu gostava mas como consegui editá-las), bem como outras e respectivas legendas.





Como referi no início, este é um texto escrito com imensa emoção, nem poderia ter sido de outra forma, pois foi escrito por alguém cuja nome da sua família constou num documento elaborado pela Embaixada Alemã em Lisboa, em Setembro de 1940, sobre a Comunidade judaica, que incluía uma lista das principais famílias judaicas (como facilmente podem imaginar, caso os nazis tivessem alguma vez ocupado Portugal, o destino dessas famílias não teria sido nada bom).
Nos nossos dias, continua sem se saber o número exacto de pessoas mortas pelo regime nazi, mas sabe-se que esse número ascende a muitos milhões, entre os quais cerca de 6 milhões de Judeus.
Para que nunca, nunca mais se possam repetir tais odiosos crimes, Para todos os que hoje em dia negam a existência do Holocausto,
Por todos as vítimas do Holocausto,
Pelos meus sobrinhos e seus filhos, Por todas as gerações futuras,
Para que nunca se esqueçam nem deixem esquecer, eu nunca me calarei, nem nunca me cansarei de denunciar Hitler, o regime Nazi e os crimes e atrocidades do Holocausto.
Termino com uma citação da Bíblia:
“Ouvi, anciãos, e prestai atenção! Vós todos, que habitais a Terra. Foi no vosso tempo que isto se passou, Ou no tempo dos vossos pais?
Contai aos vossos filhos, E que eles o contem aos filhos deles, E os filhos destes à geração seguinte.”
Kiki Anahory Garin
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About Anahory
Nasci em Lisboa a 21 de Janeiro de 1959.
Com 29 anos e após ter passado um concurso a nível nacional, fui trabalhar na Comissão Europeia, em Bruxelas, como Secretária na Tradução Portuguesa, onde estive cerca de 15 anos. Estou reformada desde Setembro de 2002, pela CE, devido a doença. Tive, por um lado, o azar de ter que me reformar, por outro a sorte de o ter conseguido, o que nem sempre acontece.
Sempre gostei de escrever, por isso ao ver a iniciativa do SOL, não resisti a criar o meu próprio blog.
Foi uma aventura e um desafio, que se transformou em algo de muito positivo, pois a realização pessoal não tem a ver com grandes feitos, mas sim com fazermos algo de que gostamos.
Escolhi o nome KAnahory para o meu blog, pois K é a inicial de Kiki, nome pelo qual sou chamada. Anahory é o meu apelido de origem judaica. Para evitar as confusões habituais explico: O meu bisavô que era judeu de sangue e religião, casou com uma católica. Os seus descendentes foram educados na religião católica. Assim e apesar de ser descendente de um família judia, sou católica.
Sinto pelos judeus não só um enorme orgulho como um enorme amor, valores que me foram transmitidos pelo meu Bisavô, Avó e Pai. Defenderei sempre o direito à existência do Estado de Israel na Palestina, assim como tudo farei para impedir que os Judeus sejam aniquilados, não deixando, no entanto, de ser justa, por isso mesmo nem sempre concordo com as medidas dos Governos de Israel.
Ao contrário de muitos que atacam Israel, para mim a vida de um palestiniano tem o mesmo valor que a vida de um israelita. Não faço distinções entre vidas humanas. Todas elas são igualmente importantes. Mas distingo terroristas de inocentes.
Sou uma pessoa bastante sincera e frontal que defende aquilo em que acredita, por vezes demasiadamente “apaixonada” mas sempre de forma correcta, respeitando os outros e as suas ideias.
Espero dos outros o mesmo respeito.
Como, provavelmente, todos os bloguistas do SOL, espero que visitem e comentem o meu blog, possibilitando, deste modo, debates de ideias e opiniões. A todos esses, o meu obrigada.
Kiki Anahory Garin
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