O meu divórcio com a Sétima Arte

Música no Coração 

 

Reconheço que a primeira vez que me cruzei com ela não foi amor à primeira vista. Tinha eu quatro anos. Na sala, era projectado um tal de ‘Música no Coração’. Contaram-me que, talvez embalado pela bela música que ecoava na sala, dormi durante a maior parte do tempo e nem prestei atenção à bela senhora que dava pelo nome de Sétima Arte.

Esse facto não foi impeditivo para ir construindo uma relação entre ambos. Ela, já centenária, causava-me fascínio e deixava-me boquiaberto com todas as cores e sons que tinha. Por vezes era monótona ou dava-me uma grande desilusão, outras vezes assustava-me do princípio ao fim e eu até ficava traumatizado (leia aqui), mas na maioria das vezes era bastante divertida e audaz, deixando-me com um sorriso na cara quando lhe dizia adeus.

 

Porém, um dia senti que algo não estava bem. Ela tinha mudado muito desde que eu a conheci. Antes, ela tinha casas grandes onde nos encontrávamos. Não me importava de partilhar as casas ‘Monumental’, ‘Império’ e ‘São Jorge’ com mais gente. Aliás, dava gosto ver aquelas casas com lotação esgotada. As visitas usavam a sua melhor roupa e a maioria gostava de aparecer nas tardes de Domingo. Os tempos eram outros e haviam funcionários para indicar os lugares aos visitantes. Os ‘espertos’ iam sozinhos à procura do lugar, mas a maioria gostava de ser encaminhada ao seu lugar marcado, por uns senhores que tinham uma lanterna. Havia uma postura de pontualidade que afectava a maioria dos visitantes permitindo que todos fossem encaminhados com calma aos seus lugares. Por vezes, quando todos já estavam sentados e as luzes já haviam sido apagadas para se começar a ver anúncios em formato gigante, lá se via o foco da lanterna para encaminhar um qualquer atrasado. Os presentes rangiam os dentes e esse acto imoral até era esquecido quando o filme começava a ser projectado. Era raro alguém entrar quando o filme já estava em exibição. Também haviam intervalos que permitiam esticar as pernas, ir à casa de banho e até mesmo comer um lanchezinho.

 

Os tempos foram mudando e ela sentiu-se obrigada a acompanhar as novas tendências, sob pena de ficar sem visitas. As grandes casas foram vendidas e substituídas por casas mais pequenas. Algumas sofreram obras e deram também lugar a salas mais pequenas. Aumentaram o número de sessões diárias, passando de três para cinco. O desassossego era total e as visitas tanto podiam chegar às 12:40 como às 00:15. Para se conseguirem fazer estas sessões, como ninguém queria cortar os filmes - ao contrário do que já fez a TVI (ver aqui) – a solução passava por eliminar os minutos de publicidade - que sempre disfarçavam as entradas de pessoas atrasadas - e os intervalos para esticar as pernas. O intervalo entre sessões ficou muito curto e os senhores das lanternas foram despedidos, já que os lugares deixaram de ser marcados. As visitas perderam o respeito por ela. Visitar uma das suas novas casas tinha-se transformado num acto banal, onde determinados comportamentos, que antes ninguém imaginava que pudessem ocorrer e seriam imediatamente classificados como uma absoluta falta de respeito, eram agora comuns, passando a haver apenas um ranger de dentes por parte de alguns e um encolher de ombros por parte dos restantes.

 

Foi então que decidi que estava na altura de pedir o divórcio. O mal não era ela, era eu. Decididamente, já não suportava frequentar as suas pequenas salas e ficar muito tempo sem me poder levantar. Sobretudo, não conseguia admitir a absoluta falta de respeito de muitas das suas visitas. A última vez que estive com ela numa sala de cinema, foi em 1995. Dessa despedida, recordo-me que era projectado um tal de ‘Se7en’.

Mas ficámos óptimos amigos e eu continuo a ter fascínio por ela. Vejo-a imensas vezes através de emissões em directo no pequeno ecrã ou em emissões em diferido, à custa de uns objectos a que chamaram DVD.

Nestas coisas, quem sai de casa costuma ficar a perder e foi isso que me aconteceu. Na sala onde tenho o pequeno ecrã é impossível reproduzir as excelentes condições de visionamento que ela possuía nas salas onde recebia as visitas. O ambiente não é intenso e é raro dar um pulo na cadeira, ou melhor, no sofá. Os sistemas dolby-surround são para esquecer, pois para serem usados na sua plenitude e com excepção dos que moram numa vivenda isolada, corremos sempre o risco do vizinho tentar derrubar a parede com o cabo da vassoura. O sonho era mesmo ter uma sala privativa.

 

Uma sala de sonho 

 

Pontualidade foi algo que evoluiu de forma errada com a sociedade. Existe falta de planeamento, que provoca atrasos consecutivos nos prazos de início e de execução das tarefas. Assim, todos dizem que nunca têm tempo para nada. Tal facto, poderá ser a explicação para alguns entrarem numa sessão de cinema já com quinze minutos de projecção. Como é óbvio, quem chega atrasado incomoda todos aqueles que tiveram a preocupação de chegar a horas. Como os cinemas querem vender bilhetes, nenhum vai impor regras que impeçam a entrada de pessoas com a sessão a decorrer, logo, estes actos vão sendo assumidos como algo normal.

 

Face aos casos de violência que vão acontecendo nos locais de diversão nocturna, há quem defenda os detectores de metais à entrada desses locais. Eu, defendia a existência de detectores de telemóveis à entrada das salas de cinema. A sua entrada seria pura e simplesmente proibida. Nos locais onde se deixam os casacos e guarda-chuvas, os espectadores seriam obrigados a depositar aí todos os aparelhos electrónicos que emitissem sons, que permitissem a comunicação oral ou o envio/recepção de SMS. No fim, mediante entrega do canhoto, poderiam reaver todos os seus bens electrónicos, indispensáveis para sobreviverem no século XXI.

Em tempo idos, os assuntos importantes eram tratados no intervalo da sessão, nos telefones públicos disponíveis. Ninguém era indispensável e todos entravam numa sessão cinema sem colocarem a hipótese de serem contactados, aliás, como poderiam ser contactados? Os tempos mudaram e todos passaram à condição de indispensáveis. Os objectos electrónicos de comunicação servem para serem usados em qualquer situação e pobre daquele que tenha o objecto desligado.

Para mim, é inconcebível que a meio de uma sessão de cinema se possa ouvir um tiri-ri-tiri-ri, ou um ‘ehhhhh marcarena, aiiiii’, ou um ‘I still miss you, a lálálá uuuh, a lálálá uuuh’, apenas porque o possuidor do telemóvel pensa que desligar o dito pode conduzir no futuro ao seu mau funcionamento.

E colocar no silêncio não é o mesmo que desligar. Mesmo no silêncio, há quem vá recebendo e enviando SMS. Porém, esquecem-se que a luz azulada de um telemóvel no meio de uma sessão de cinema, parece o farol do Cabo Espichel numa noite de lua nova. E esta atitude parece ser comum a todos. Faz pouco tempo que Paulo Portas foi ver o ‘The Departed’. A meio do filme, vejam o que lhe aconteceu: «…A mim aconteceu-me receber um sms mesmo na altura de um pormenor não despiciendo. Resultado – não tenho a certeza de ter percebido tudo. Vou ter de repetir…».

Uma prova do que estava a dizer. Ele ficou sem perceber um dos pormenores do filme (problema dele), mas de certeza que incomodou os vizinhos do lado com a luz que brotou do aparelhinho. Leia mais aqui.

 

Comida e bebida. Se nas lojas é proibido entrar a comer e a beber, então, porque motivo foram alguns cinemas adoptar essa escabrosa ideia proveniente dos EUA? Gostos não se discutem, mas eu não conseguiria estar a ver um filme com a sala a tresandar a pipoca. E nas cenas de suspense, onde o silêncio impera na acção por minutos e onde sabemos que a qualquer momento vai haver um ‘BUUUUH’ que nos fará saltar da cadeira, como é possível ter alguém do nosso lado a fazer:

CRUNCH, nhac, nhac, nhac, nhac

CRUNCH, nhac, nhac, nhac, nhac

SCHHHHHHHRULP (coca-cola)

CRUNCH, nhac, nhac, nhac, nhac…

E se vem o ‘BUUUUH’, o senhor engasga-se e cospe tudo para o pescoço do vizinho da frente?

E outro aspecto que nunca percebi. Ao comer as pipocas, os dedos vão ficando engordurados. Onde são limpos? Nas calças ou nas pontas dos braços da cadeira?

Já agora, e uns Hambúrgueres ou Cachorros quentes, para besuntar tudo com ketchup e mostarda?

 

Na altura do divórcio, o juiz ainda disse: “existe alguma forma de evitar esta decisão?”. Eu lá disse: “Bom, se todos aqueles que forem ao cinema assinarem a seguinte declaração, ainda poderei reconsiderar a minha decisão. Sr. Dr. Juiz, o documento poderia ser algo do género:

«Eu, _____ , portador do BI _____ , comprometo-me com os seguintes pontos sempre que entrar numa sala de cinema:

- Nunca irei entrar com as luzes da sala já apagadas;

- Nunca irei entrar com um telemóvel ligado;

- Nunca irei entrar com qualquer tipo de comida ou bebida;

- Se tiver tosse, irei desembulhar o rebuçado Dr.Byard em menos de dez segundos;

- Quando as luzes se apagarem, interrompo todas as conversas que possa estar a ter com vizinhos do lado;

- Quando as luzes se apagarem, não continuarei as conversas com o vizinho do lado, mesmo que a segredar ao ouvido;

- Se já tiver visto o filme, nunca, mas nunca em tempo algum, direi: nem imaginas o que vai acontecer agora – ou – este morre no fim!;

- Terei o cuidado de mudar de meias e de camisa;»

 

Eu sei, não sou uma pessoa fácil e tal como já mencionei, o problema é meu, não é dos outros.

 

Esta imagem, irá sempre representar a magia do cinema. Como a população da aldeia não cabia na sala de cinema, Alfredo faz a projecção do filme na parede de um edifício da praça. Salvatore, olha deslumbrado para a magia que acontecia.

 

Salvatore e Alfredo 

 

Fica também a memória de Philippe Noiret, falecido no final de 2006. Um dos filmes da minha vida, “Nuovo cinema Paradiso” (1988).

 

Num site sobre Cinema, que eu costumo visitar, fizeram um debate sobre as causas da diminuição acentuada nos últimos anos de espectadores nas salas de cinema. Foram colocados os seguintes pontos orientadores para o debate:

1) O poder avassalador das televisões;

2) O crescimento exponencial do mercado do DVD;

3) A importância da Internet no quotidiano dos cidadãos;

4) De que modo o aumento do número de estreias (6, 7 e mais por semana) produz um efeito de “apagamento” dos filmes com menores campanhas promocionais?

5) Quais os efeitos práticos da crescente “aceleração” da exibição dos filmes (por vezes automaticamente condenados a uma única semana nas salas)?

6) Porque é que, a par de estreias comercialmente irrelevantes, surgem cada vez mais filmes potencialmente interessantes a ser lançados directamente em DVD?

 

Apesar de não ser um ponto de debate, foram muitos os que se queixaram do preço dos bilhetes. Houve quem disse que levar quatro pessoas ao cinema representava um custo de vinte euros. Por esse valor, poderiam comprar o DVD e ver as vezes que bem quisessem. Leia todos os comentários do debate aqui.

 

Estarei sozinho neste processo de divórcio? Concorda com os pontos anteriores como explicação da inegável redução do número de espectadores nos últimos anos?

 

 

Aqui no SOL

O senhor Smith foi a Washington (meiadeleite)

Alice, cinema europeu vs. cinema norte-americano (meiadeleite)

12 Meses 12 Filmes - O Adeus (bp63)

Cinema em Casa substitui Salas de Cinema (samxis)

 

 

Publicação: Thursday, February 01, 2007 4:00 PM por bluewater68
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Comentários

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 4:46 PM por bluewater68

E se o 'Cinema Paradiso' escapou a algum dos presentes, "Let's look at a trailer"

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 5:03 PM por meiadeleite

Olá Blue!

Aqui está um assunto que apaixona a maioria das pessoas... Ao contrário de ti, não vou ao cinema como gostaria por compromissos familiares. E apesar de ser cultura, cultura, vou confessar aqui todos os meus "pecados" cinematográficos.

Em primeiro lugar, os não-pecados. Gosto de filmes que não são "main stream", vistos em salas que fazem intervalo e onde não se come. O King e o Nimas são os meus locais de culto,onde gosto de ir sozinha, para não ter de trocar meia dúzia de banalidades ao intervalo. Também gosto do Beloura, pois a certas horas está vazio, é muito confortável, e as salas são grandes.

Agora os pecados: também gosto de filmes idiotas, daqueles que de cultura não têm mesmo nada. A esses filmes levo telemóvel (em silêncio, está bem) e um balde de pipocas salgadas (com muitos guardanapos para limpar as mãos). Também levo um copo gigante de coca-cola e por vezes gomas ou chocolates. Uma vez que fui a correr à hora de almoço, levei o almoço todo, sem a menina da porta ver. Em geral, não falo durante o filme, mas o meu estatuto de fumadora de muitos anos deixa-me por vezes a tossir em momentos cruciais da acção. Horrível! Em dois anos vi o Munique e "Take the lead" com o António Banderas. Foi o que calhou à hora em que eu podia estar ali. Por mim, ia ao cinema duas vezes por semana! Também podia arranjar um "home movie", mas acho que não tem a mesma piada! :)

E quanto a episódios engraçados, tenho um: em Nova Iorque fui a uma sala de cinema minúscula, escura e suja no Time Square ver um filme muito alternativo iraniano. O cinema estava quase vazio, à excepção de uma família de iranianos sentada mesmo atrás de mim. Durante todo o filme comentaram os locais que reconheciam no filme, com a maior emoção e saudade na voz. Foi inesquecível.

Beijos para ti,

meiadeleite

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 5:33 PM por ifabiao

Há muito que não vou ao cinema...Acho que o último filme que vi foi "A Paixão de Cristo" e o pessoal aos poucos a sair enjoado...

Confesso que gostava de ir masi vezes, mas...

Enfim, a TV cabo e os DVD resolvem a falha.

Bjks

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 6:27 PM por Mendro

Acho que tenho o mesmo defeito. Isto de cinema já não é como nos bons velhos tempos

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 6:34 PM por Blanco

Olá blue

Vou, praticamente, todas as sextas ao cinema com um grupo de amigas. Adoro cinema e, para mim, ver um filme no cinema dá-me mais prazer que em casa. Concordo consigo que esta coisa de se comer nas salas, os telemóveis a tocar e os comentários que alguns fazem com total desrespeito é horrível.

Gosto de ir ao cinema Londres porque não se pode comer, tem as "lanterninhas" para indicar o lugar e tem intervalo, além do mais é o mais barato.

Nesta última fui ver o Scoop ao Corte Inglês, as cadeiras são óptimas, tem "lanterninhas", mas lá estão os roedores o tempo todo a fazer barulho e ainda por cima aumentaram o preço dos bilhetes no de 1 de Janº.

Também gosto muito do Cinema Paraíso, ainda há pouco o revi em DVD.

Cump.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 7:35 PM por bluewater68

'meiadeleite',

no King, tinha amigas que trabalhavam na Assírio Alvim. Calculo que o facto de haver uma livraria, fosse também um dos motivos que te levasse a esse cinema. Além dos títulos pouco comuns.

Mas diz-me, todos levam guardanapos?

Essa cena em Nova Iorque, estou a fazer uma imagem e achei algo mesmo bonito. Estou a imaginar uma família de portugueses, a ver um filme com imagens de Portugal e a demonstrarem enorme saudade. E por causa da família de Iranianos, lembrei-me de um filme um pouco depressivo, mas que gostei bastante, o "Uma casa na bruma" (creio que a família era iraniana).

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 8:01 PM por boogie

Olá Blue

Concordo absolutamente consigo. Eu adoro cinema e vou muitas vezes mas as condições da maior parte  das salas não são  convidativas.São pequenas e sufocantes.

As melhores que conheço são as  do Corte Inglês. Mas são da Lusomundo e portanto há sempre o problema das pipocas e dos roedores.

O filme Cinema Paraiso é uma obra prima cinematográfica.

Cumprimentos

Boogie

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 8:37 PM por bluewater68

'IFabiao',

das vezes que fui ao cinema, lembro-me que nunca saí a meio. Era uma espécie de questão de honra. Mesmo que fosse horrível, já que tinha gasto o dinheiro, ficava sempre até ao fim.

'Mendro',

eu espero que isto não seja um 'defeito'. Mas é uma verdade que o hoje em dia, o acto de ir ao cinema, não tem nada a ver com o passado. E não é que o meu passado seja muito distante. Mas, como é que dantes, um cinema da dimensão do o Império, ficava com lotações esgotadas durante muito tempo?

'blanco',

isto de não ir ao cinema há doze anos anos, tem destas coisas, pois pensava que os 'lanterninhas' tinham passado à história. O cinema Londres era um dos preferidos da minha mãe. Por curiosidade, no Londres, quanto custa um bilhete? na imagem que eu encontrei de um bilhete do Corte Inglês, o custo era de 5.40€

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 8:40 PM por bluewater68

'boogie',

outra novidade que eu desconhecia. As salas da lusomundo são as que permitem o consumo de pipocas e bebidas?

Sempre que vejo o Cinema Paraíso, quando o Salvatore regressa à sua terra natal, sem reconhecer nada e ouve-se em fundo a música linda do filme, é tiro e queda: onde está o lenço?

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 9:07 PM por amargura

Boa noite Bluewater68,

E nunca me divorciaria da Sétima Arte ... Adoro ir ao cinema, mesmo ouvindo o desagradável som das pipocas (que só como em casa)! Apesar de ter essa coisa em casa do "cinema em casa" mesmo com o vizinho com a vassoura (isso não acontece porque só lá vai ao fim-de-semana e se vem ....) Claro que em casa eu gosto de ir ao cinema e os meus filhos também, ganhamos em maioria ... O meu marido gosta de ver cinema em casa - ele, certamente, já se divorciou da Sétima Arte.

Eu adoro ir ao cinema ... mesmo com os pontos negativos que apresentou ... E principalmente ir com os meus filhos, claro que só vimos filmes de animação ... Farto de me rir ... E aí tenho o olhar de condenação do meu filho mais velho!!!

E outra coisa, nunca abandono (como muitos fazem) sem ver todo o filme, mesmo a ficha técnica, é um vício que tenho!

Gostei muito do seu post ...

Beijinhos

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 9:26 PM por bluewater68

'amargura',

o divórcio com a sétima arte, terá de ter da minha parte uma tentativa de reconciliação. Assim que a princesa Jr. tiver idade, terei que voltar às salas de cinema. Mas como eu adoro cinema de animação, penso que não haverá problemas.

E esse aspecto da ficha técnica, também tinha esperança que alguém o mencionasse. Era algo que eu achava estranho quando ia ao cinema. Por vezes, ainda de luzes apagadas, as pessoas já se levantavam para abandonar a sala e havia sempre alguém que ficava sentado, de forma muito descansada, a apreciar a tal ficha técnica.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 9:38 PM por ifabiao

Blue, eu não saí a meio, mas tive que olhar fixamente para o canto superior do ecran quando Jesus estava a ser chicoteado porque era só "sangue e carne".O cinema principal cá de Leiria é grande e tem uma tela enorme o que realça ainda  mais o filme.Houveram pessoas que não aguentaram.

Bjks

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 11:06 PM por Reis

Olá BW

Como te compreendo...

Sinto a falta das grandes salas

Sinto falta dos intervalos - 2, no mínimo

Sinto falta do estalar do projector

Sinto falta até das fitas partidas - também acontecia, lembras-te?

Sinto falta do cheiro a pó das cadeiras forradas a veludo já coççado

Sinto falta do ding-dong que nos arrastava para longe do "foyer"

Mas a magia permanece.

P.S. - escusado será comentar a qualidade de mais este post

Fica bem

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 11:09 PM por recardenense

Boa noite Mister Blue:

Como parece que já sabe, fui arrumador, porteiro e operador de cabine em cinemas.

Depois fiz filmes. Não como artista, mas como técnico,desde a revelação do filme , `gravação do som, à sincronização, etc.

Há dias, escrevi, qualquer coisa no género:

Águeda tem a maior sala de cinema do País. Leva mil e tal pessoas, isto hoje já não se usa e agora já só dá aos fins de semana, embora dê estreias. Aquilo que estiver em Lisboa está aqui. O operador e a mulher, eram aqui residentes no prédio, (que fica a menos de 100 metros)até há pouco. Enquanto há uma década, eram casas cheias, agora há sessões de uma dúzia de espectadores. A culpa é de várias ordens e até monetária.

Sobre cinema, lembro que antigamente, o puritismo americano, não deixava ver nem sexo, nem carinhos na tela. Quando um casal ia para a cama, a próxima cena era o casal a acordar. Foi o neo-realismo italiano, em meados dos anos 50 que começou a mostrar mais o corpo da mulher e algumas cenas mais ousadas. Pode parecer anedota, mas não é: houve um filme com a Sofia Loren, em que ela se começava a despir. Ela era focada atravéz da janela. Na altura, mais ousada, passa um comboio. Quando este acaba de passar, já a luz está apagada. Pois garanto que é verdade, havia homens que iam no dia seguinte, a ver se o comboio vinha atrazado.

Embora não seja do seu tempo, em Moçambique os filmes, americanos, eram estreados meses antes de Portugal, pois eram recebidos através de Johanesburgo. Lourenço Marques foi a primeira cidade a ter Cinemascópio, fora dos USA.

E mais não digo.

Humberto

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 11:25 PM por Anahory

Olá Bluewater

Mais um excelente post que li com imenso interesse. bem bomo os comentários.

Eu continuo a ir ao cinema mas não como antigamente.

Como tu tenho saudades das salas grandes, dos lugares marcados mas sobretudo dos intervalos. Hoje em dia quando um filme acaba até nos custa mexermo-nos.

Quanto aos telemóveis detesto quando tocam, apitam ou acendem as luzes....

Também detesto os conversadores e os atrazados, e o problema é que as pessoas não se preocupam nem pensam nos outros e por vezes (muitas) as regras de educação são esquecidas.

Pipocas não costumo comer mas se o fizer tenho sempre lenços para limpar os dedos.

Mas tenho um vicio: as gomas - tenho que ter sempre gomas quando vou ao cinema, mas tenho o cuidado de nao fazer barulho a tirá-las e também não faço barulho a comê-las.

Beijos

Kiki

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Thursday, February 01, 2007 11:49 PM por Blanco

No corte Inglês já são 5,50, no Londres em Dezembro eram 5 euros. É evidente que o Londres a nível de comodidade já não é o que era, mas tem todos os outros factores que enumerei e além do mais quando saímos podemos ir tomar um sumo e uma fatia de bolo de chocolate na Magnólia, é ouro sobre azul.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 10:49 AM por JATavares

BW, Bom Dia!

Tenho de lhe dar um grande abração por este post.

Eu não seria capaz de, em relação ao cinema, exprimir tão bem os meus sentimentos  como foi capaz de o fazer.

Depois, a chave d'ouro do seu post,  aquele, que é o filme da minha vida "Cinema Paraíso". Às vezes mato saudades e sento-me a vêlo pois tenho-o gravado em cassete.

O meu cinema paraíso chamava-se Cinema Ginásio, se alguém do Barreiro ler este comentário sabe de que cinema estou a falar. O preço dos bilhetes era baixo. Penso que a CUF mantinha aquela sala de cinema sem preocupações lucrativas. Não sei.

No Barreiro existiam outras  grandes salas de cinema: o Cine Teatro Barreirense, O Cinema dos Penicheiros, o cinema do Luso.

Havia também um cineclube, aliás, quase todas as vilas operárias tinham um cineclube onde se visionavam e discutiam os filmes do neo-realismo italiano.

Desapareceu tudo!

Nos anos 60 nós acreditávamos que o mundo ia melhorar, que amanhã seria melhor que hoje, havia uma euforia e uma esperança muito grande no futuro - desapareceu tudo. E tudo o vento levou.

O cinema, tal como o teatro, levam-nos à reflexão, precisamos auscultar a opinião dos outros em relação ao que vimos, cria-se a necessidade de um fórum: um cineclube onde se debatem ideias.

Ora o que menos interessa aos poderes que hoje nos governam é que se debatam ideias. Para isso eles usam a TV com aquelas telenovelas, muito piores que o "Tide" da rádio dos anos 50. Sobretudo usam o futebol, não como desporto (desporto interessa-lhes pouco) mas como pólo aglutinador das massas.

Retirar da TV o bom cinema, o teatro e substituí-los pelo futebol (agora não só o nosso mas o de toda a Europa, é uma fartura de futebol) faz parte de uma estratégia europeia de massificação das pessoas, no pressuposto de que para pensar estão lá os que se autoconsideram eleitos. Só falta proibirem-nos de pensar.

Nunca se reflectiu tão pouco como agora.

A minha esperança é que a NET venha a ser o grande instrumento para a troca de ideias entre as pessoas.

Ah, e Lisboa! Lembro-me tão bem do "West Side Story", em Portugal chamaram-lhe Amor sem Barreiras. "Música no Coração" que esteve anos em exibição. Lisboa tinha mais de 40 salas de cinema!! Frequentei muitas, também havia o Piolho com sessões contínuas. Aí sim, entrava-se e saía-se a qualquer momento, ficava na rua da Betesga, mais tarde degradou-se e passou a ser sala de pornografia gratuita.

Como eu gostava de cinema! Tanto, que até tenho medo de falar nisso, vão chamar-me saudosista!

Em Luanda os cinemas (anos 70/2) eram diferentes, ao ar livre, espaços espectaculares, paraísos de sonho, o Miramar, o Alvalade! Também existiam salas como as de Lisboa.O Nacional  (penso que é onde hoje se aloja o parlamento angolano), O Colonial!

E na tropa o cinema não estava esquecido: quando estive e Tancos o cinema era diário, quase gratuito , 10 tostões por noite! Era fantástico. Em Estremoz também havia uma sala lindíssima, se a memória me não atraiçoa, chamava-se Cine Teatro ..... o nome já me falha mas frequentei-o vezes sem conta. Até no Grafanil havia um cinema!

Meu Deus o que nós devemos ao cinema.

O meu divórcio do cinema, é um divórcio forçado, um hábito de ausência que tem a ver com o nascimento dos meus filhos e sequente indisponibilidade para sair à noite com a minha mulher (também não seria de bom tom ir um de cada vez). Quando namorávamos, sim, frequentávamos muito o cinema, apaixonados na altura pela obra de Ingmar Bergman de quem acho que vi todos os filmes. Nessa altura o cinema de melhor qualidade passava no Estúdio, por cima do Império (?) na Alameda X com Almirante Reis.. Aí vi filmes de carlos Saura, de Visconti, de Bergaman, de tantos outros!

Um aparte: existe uma canal chamdo TV Memória. Qual memória , qual carapuça, nunca os vi transmitirem os bons programas que a televisão transmitia nos anos 60 e 70, de cinema, de teatro do bom cinema português dos anos 40 e 50. Que memória tão curta que a televisão tem! Memória morre quando chega à fronteira do 25 de Abril?! Pelo amor de Deus  não nos façam mais parvos que aquilo que somos! Tem a memória muito curta a nossa televisão ou será que (como aconteceu com muita documentação que existia nas escolas e liceus) foi tudo queimado?!!!!

Tenho muita pena de já não termos as grandes salas de cinema que povoavam o nosso país.

Já me esquecia: os meus primeiros amores ao cinema ocorreram na Baixa da Banheira, onde morámos quando os meus pais se deslocaram da Beira para o Barreiro, eu era muito pequenito, aí com cinco anos, ainda não havia televisão, o cinema lá era projectado numa barraca como as do circo! Era giríssimo e nós entrávamos naquele mundo se sonhos, lembro-me do Joselito, do Bimbo e de tantos outros de que já não sou capaz de mencionar o nome.

Na Colónia de férias da CUF, em Almoçageme também tínhamos cinema que fazia as maravilhas dos nosssos serões.

Será que ainda podemos ir ao cinema!!!!

Um abraço e um pedido de paciência para ler estes desabafos

JT

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 11:07 AM por JATavares

PS esqueci-me dum pormenor:

Em 98 fui visitar os States. Fiquei espantado, em New York, as pessoas continuam a fazer filas enormes para comprarem bilhetes para a sua ida ao cinema, ou ao teatro. É espectacular o gosto que aquela gente tem pelo cinema.

Ora, admitindo que Huntington tem razão quando distingue a civilização da América do Norte USA e Canadá da civilização europeia; ele diz que são realidades distintas, não restam, pelo menos para mim, dúvidas de que na Europa o lugar do cinema, do teatro e do musical foram completamente absorvidos pelo futebol espectáculo. Isto não tem nada de inocente, as massas deixam-se levar e deixam-se moldar.

Para quem se desculpa com os custos dos bilhetes de cinema eu só quero perguntar: os bilhetes para o futebol são mais baratos?.

JT

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 11:14 AM por dissidencias

Olá BW,

Entre ontem e hoje, consegui ler o teu mais do que fantástico e brilhante artigo sobre a sétima arte. é que os teus artigos têm que se ler com muita atenção.

Dizes que tiveste a tua primeira vez aos 4 anos. Eu deve ter sido mais ou menos a mesma coisa. Lembras-te do Alfredo (penso que era ssim que se chamava) do Cinema Paraído (que também referes em cima)? Pois bem, o meu pai desde os seus 17 anos que é dirigente associativo (e hoje já tem 69 anos, mais um ano do que tu, portanto, hehehehe). O meu pai aproveitava todos os minutos para dinamizar e trabalhar em prol de uma Associação Recrativa, Cultural e Desportiva de uma pequena terra (hoje é gigante) nos arredores de Lisboa. Lembro-me perfeitamente que as "latas redondas" chegavam, num autocarro de carreira norma, à sexta-feira à tarde e à noite já o meu pai estava a projectar o filme (saliente-se que nem sempre era o meu pai o projeccionista, porque essa função ia rodando entre os elementos da Direcção da Associação). Repetia-se a exibição ao sábado à noite e ao domingo à tarde (e, raramente, aos domigos à noite). Uma semana antes da exibição chegavam os cartazes com fotografias a preto e branco, de cenas dos filmes, os quais eram espalhados pelas vitrines do CLube (conheciamos o espaço, como "O Clube). TInha para aí uns 7/8 anos quando vi pela primeira vez o Wester-Spaghetti de Sérgio Leone com música de Ennio Morricone) "'Once Upon A Time In The West". Lembro-me como se fosse hoje da cena em que o vilão Frank, protagonizado por Henry Fonda, mata a sangue frio o rapazinho filho do Irlandês (aliás, este é um dos meus filmes de culto que revejo sempre que a nostalgia me ataca). Vi também comédias (da Pink Panter, com Peter Sellers, ou o Gendarme, com Louis de Funes enre outras). Lembro-me também de ter visto a longa metragem da série televisiva "Galáctica", etc. etc.... Depois, deveria ter eu ai uns 10/11 anos, a cinema acabou e o Ckube passou a dedicar-se, quase em exclusivo, ao futebol, potenciado pelo meu pai, cujo maior sonho da vida dele era eu ter seguido a carreira de futebolista... Mas eu nem gosto muito de futebol... QUe pena...

A primeira vez que fui a um grande cinema, tinha para aí uns 9 anos e foi no saudoso Condes, onde assisti ao filme "7 noivas para 7 irmãos" (que por acaso passou há dias na RTP1).

A partir daí, as sextas feiras à tarde para mim eram sagradas: cinema. Dos meus 12 anos até aos 16 anos mantive, muito regularmente, este ritual. A partir dos 16 anos, troquei as salas de cinema pelo video e aumentei para o triplo o meu visionamente de filmes. COmprava as revistas de referencia da época que ainda guardo religiosamente ("What video" e outras de que já não me lembro o nome e que ainda estão na casa do meu pai). Nesse período, já tinha uma grande paixão pela comédia e, juntamente com o meu maior amigo (que hoje, por sinal, mora em Olhão, por imperativos profissionaos, razão pela qual de vez em quando vou até lá visitá-lo) fizemos uns videos caseiros de comédia com uma daquelas câmara antigas que se dividiam em duas partes e que davam cabo das costas a qualquer um. Fizémos sketcs engracadíssimos. Ficaram famosos os nossos telejornais, e isto à data de 1986, imagine-se... Se naquela altura houvesse o YouTube... Mas naquela altura havia apenas a RTP1 e a RTP2. EU criava argumentos doidos, mas que na maior parte das vezes não passaram à acção. COnfesso que não sei onde se encontram as nossas brincadeiras, mas da próxima vez que estiver com ele, vou-lhe perguntar se ele anda guarda alguma coisa.

Depois com a entrada na universidade, passei a frequentar mais o cinema, porque em terra de estudantes (Coimbra) tem que se sair de casa para conviver, pois então... O CInema Avenida, na Av. Sá da Bandeira, mesmo perto do sítio onde eu morava (eu morava a escassos 100 metros da Associação Académica). Também frequentava o Sólum, no Calhabé, ao pé do Estádio Municipal (Hoje conhecido por Estádio Municipal de Coinbra).

Actualmente, vou só ao cinema ver ou filmes infantis ou filmes de grande comédia, com a mulher e filho. Os últimos filmes que vi no cinema foram: "Por água abaixo" e "Borat", no passado mês de Dezembro. A maioria dos filmes, vejo-os em DVD. O próximo filme que deverei ver cá em casa, juntamente com a familia e o "Jantar de Palermas". o meu filho, de 6 anos adora a "Guerra das Estrelas", j+a viu vezes sem conta os seis episódios da saga e adorou ir ao Museu da Electricidade ver a exposição "StarWar"...

Quando vou ao cinema, peço sempre à menina que me dê lugares afastados de comedores de pipocas e de sorvedores de sumos. FInicialmente, ficam sempre a olhar para mim, surpreendidas, mas depois lá me arranjam um cantinho mais afastados da espécie "Pipokus Obsecadus"...

Também um dos meus maiores sonhos é ter uma sala de cinema privada, na minha casa, tal como aquela que aparece na foto... Ainda não perdi a esperança... Pode ser que até aos 40 consiga concretizar o sonho...

Concordo com os pontos do acordo e assino por baixo.

Bem, vou-me mas é calar, até porque tenho que ir acabar um capítulo da minha tese... em Ciências da Estupidez e das Coisas Medianamente Parvas".

Concluindo: o que tu tens aqui não é nenhum post...

O que tu tens aqui é um postalhão!

Um grande abraço de solidariedade para a tua causa, amigo BW: "Cinemas livres de pipocas"

dissidencias

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 11:27 AM por unroyal

Blue,

Eu vou regularmente ao cinema e gosto. Prefiro ver filmes em salas de cinema do que na TV ou em DVD, apesar dos telemóveis e pipocas.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 11:31 AM por crisruas

Bom dia bluewater,

Adoro ir ao cinema. Concordo que já não tem o fascínio de antigamente. Aos seus "Monumental", "Império" e "S. Jorge", acrescento "Tivoli" e "Condes". E acrescento ainda o Éden, menos frequentado, mas onde vi o "Tubarão, em 1975, ou 1976, devia ter uns 13 ou 14 anos! Vi o Era bom ir com os amigos, vir cá fora no intervalo, principalmente no S. Jorge, com aquela varanda, comentar os filmes, enfim todo um ritual que se perdeu, e é uma pena. Adorei o Cinema Paraíso! Um filme inesquecível.

Um bom fim de semana para si

Cristina

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 11:33 AM por bluewater68

'ifabiao',

o pior que me aconteceu foi ter ido ver o 'Tubarão' com tenra idade. Nesse ano, nem consegui entrar no mar de Sesimbra, sempre com medo de perder uma perninha ou algo do género.

...

'reis',

lembro-me das fitas partidas e da mudança de bobines.

Uma vez, fomos ver à noite o "Exorcista" numa reposição num cinema da Praça do Chile. Não bastava o filme ser como era, para ainda termos um maluco atrás de nós, com um chapéu-de-chuva com ponta de metal na mão, a fazer ruídos estranhos e bater com a ponta do chapéu no chão.

Sobre as cadeiras, creio que as melhores eram as do Star, que era o amis moderno da sua altura. As piores, talvez fossem as do Condes.

...

'recardenense',

a sua experiência anterior, deve torná-lo no mais saudosista sobre este assunto.

Mas essa sala para mil e tal pessoas ainda mantém essa dimensão? não foi transformada em várias salas pequenas?

O filme 'Cinema Paradiso' retrata muito bem a evolução das cenas mais ousadas. De início, todos os beijos eram cortados por ordem do padre, que era o censor da aldeia. Quando por fim, todos conseguem assistir ao primeiro beijo na tela, é a loucura total. Na parte final do filme, o Salvatore, sozinho numa sala privativa para projecção de filmes, vê uma sequência de imagens precisamente sobre a evolução dessas cenas ousadas.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 12:38 PM por bluewater68

'kiki',

ainda gostava de saber se alguém já viu o vizinho do lado a limpar os dedos às pontas dos braços da cadeira.

Para mim, é mesmo uma questão de se viver em sociedade. Eu embirro mesmo com todos esses comportamentos descritos e por isso, afastei-me de vez. Não tenho em casa as condições ideais de visionamento, mas tenho toda a liberdade para apreciar um bom filme, sem ser incomodado pelos restantes.

...

'blanco',

é como alguém mencionava no tal debate. Uma família de quatro pessoas representa um custo de 22€. Talvez possam fazer isso uma vez por mês, mas não o farão com muita frequência. E há um aspecto interessante do custo dos bilhetes paar o futebol, que o JATavares mencionou e que deverá ser discutido.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 12:57 PM por crisruas

Pois era! O Star! Eram óptimas. E depois ir comer um gelado à mexicana. Que belos tempos! Estou a ficar saudosista!

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 1:33 PM por meiadeleite

Sou a única bloguer do SOL que come pipocas no cinema! :)

Queria acrescentar uma coisa que vi muitas vezes nos Estados Unidos, onde o cinema é uma coisa de agora e não do passado. Para além das bichas para os bilhetes, também se bate palmas no final quando se gosta muito do filme.

Beijos,

meiadeleite

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 3:02 PM por ifabiao

Pois..ver o tubarão no cinema, deve ter sido dose...Mas também já vi um, com leões, que se chamava "Predadores na noite".Tive que fechar os olhos por vezes porque iam mesmo ao pormenor quando os leões esventravam as pessoas e as cenas eram umas atrás das outras.Foi HORRÍVEL.

Quanto ao pior que me podem fazer no cinema é: não parar de falar, ter um cabeçudo à frente e os télélés a tocar em uníssono.

bjks

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 3:10 PM por bluewater68

'jatavares',

um comentário que por si só dava um texto e uma imagem que faço de si, a escrever sobre o cinema, com os olhos a brilhar de emoção.

Infelizmente, o cinema na televisão pública não é alternativa viável em muitos casos. Os filmes de qualidade acabam por passar a altas horas da noite, como se ninguém tivesse que trabalhar ou conseguisse estar acordado até às 03:00. Há dias, a SIC exibiu o '25ª Hora', do Spike Lee, com hora de início prevista para as 00:40. As escolhas de filmes para uma Domingo à tarde, onde a família pode estar reunida, são sempre de carácter duvidoso. A minha avó lá dizia que o Domingo à tarde era o pior dia para ver televisão. É difícil de explicar aos 'iluminados' que gerem a programação que crianças e idosos podem de igual forma ficar transtornados com determinados filmes, e que tiros, guerra e monstros são difíceis de assimilar.

No meu texto sobre os tais 'filmes para adultos', eu mencionava o facto de pelo o Natal haver sempre a reposição de filmes de animação e de as sessões estarem sempre esgotadas. Tal como esse fenómeno do 'Música no Coração'. Apesar de já o termos visto cem vezes, eu ainda paro e fico a olhar para o mesmo sempre que ele é exibido.

Antigamente, o cinema era efectivamente o meio de diversão preferido. Não havia Vídeo, DVD, a televisão só tinha dois canais e não haviam Centros Comerciais.

E termino com a questão do futebol. Os bilhetes são consideravelmente mais caros que os do cinema. A questão é que paar dois espectáculos com duração semelhante, é mais provável sairmos de barriga cheia de um cinema do que do futebol. Mas tudo o que foi feito em prol do futebol e que retirou espectadores a outros espectáculos, está agora a virar-se contra o próprio futebol. O 'espectáculo' BoavistaxSporting, foi visto por 5.000 fieis. E os outros milhares que poderiam encher o estádio? foi uma questão de frio? Há dias, ouvi que a média de assistência nos nossos estádios era de 30%, longe dos 80% em Inglaterra. E em Inglaterra faz muito mais frio do que cá.

E já que mencionou os EUA, convém referir que lá, as transmissões desportivas na TV são uma constante, e apesar de não haver a febre do futebol, existe a febre do Basquetebol, do Basebol, do Futebol Americano, etc. E esses locais estão sempre repletos de público, que, ainda arranjam tempo para formar filas para os cinemas ou teatros.

E como vou longo, refiro mais um aspecto. O meu padrinho, contou-me que no Brasil, as idas ao teatro são uma constante e as sessões estão sempre cheias. No tal país dos contrastes, a cultura tem uma dimensão muito maior do que cá.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 5:21 PM por bluewater68

'dissidencias',

aqui, só não ofereço os cafés porque a máquina está avariada. De resto, tenho óptimos sofás onde todos se podem sentar para ler o texto com calma.

Se bem que não tenha nada a ver com os Western-Spaghetti, fizeste-me lembrar os inúmeros filmes com o Terence Hill e o Bud Spencer. Foram imagem de marca de uma época. O Pink Panter e o Gendarme eram as melhores comédias que existiam na altura e nós vibrávamos com esse humor. Hoje, já não conseguia achar piada, mas na altura era o máximo. E o Galáctica veio substituir o Guerra das Estrelas e deu lugar a mais uma colecção de cromos que eu nunca consegui acabar.

Dissicencias, por vezes é mesmo preciso estar no lugar certo à hora certa. Quem sabe se esses vídeos não teriam dado lugar a uns Gato Fedorento?

E sobre grandes comédias, penso que deverás ficar sempre limitado, face a restantes títulos. É que humor de qualidade, infelizmente, não aparece com frequência.

Essa exposição vai-me passar ao lado. A Princesa Jr. limita as idas a Lisboa e quando acontecem, são sempre a correr.

Na altura dos lugares marcados, o objectivo era sempre pedir bilhetes: "ao meio e o mais atrás possível.". Era engraçado, naqueles filmes muito concorridos, quando os únicos bilhetes disponíveis ficavam na primeira fila. Quando líamos as legendas, parecia que estávamos num jogo de ténis.

E eu falei do incómodo que é um telemóvel no cinema, mas nada se compara ao toque de um telemóvel num teatro. O efeito é mesmo destruidor.

...

'unroyal',

como estiveste em Luanda, faço-te a pergunta: como é por lá o cinema?

...

'crisruas',

num texto que eu fiz sobre o filme 'Tubarão', tinha a dúvida sobre o ano em que o vi e mesmo onde. Ao ler o seu comentário, fez-se luz. Tenho quase a certeza de também o ter visto no Éden e a recordação complementa-se com os corrimões metálicos desse cinema, que eram inconfundíveis. E na varanda do S. Jorge, havia sempre uma multidão que aproveitava para fumar o seu cigarrinho e para trocar impressões sobre a primeira parte do filme. E de três cinemas da chamada 'zona fina', Império, Star e Londres, resta um.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 5:37 PM por crisruas

É bem verdade bluewater, bem verdade. Resta um, já não como era, mas pelo menos ficou. Dividido em 3, parece-me, mas ficou. Do Éden lembro-me dos corrimões e das cadeiras que eram duras, duras. Mas com 14 anos, quem é que repara nisso? Belos, belíssimos tempos.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 6:54 PM por bluewater68

Para quem aqui venha, saliento o texto de JATavares, em http://sol.sapo.pt/blogs/jatavares/archive/2007/02/02/Cinema_3A00_homenagem-ao-post-do-Blue-Water.aspx, que presta homenagem às belas mulheres do cinema de outros tempos.

E como aqui se falou de censura de imagens ousadas onde as belas mulheres eram intervenientes, deixo a cena em que Salvatore pede para colocar um filme antigo que tinha trazido da visita à sua aldeia natal. Nesse filme, estavam todas as cenas que tinham sido cortadas ao longo dos anos.

FINE

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Friday, February 02, 2007 11:33 PM por MssN

Querido BW

Actualmente as salas de cinema com barulho de pipocas e copos de coca cola e filmes contìnuos, deixaram de ter o encanto das sessões com documentários e dois intervalos.

Gostei muito deste post.

Beijo

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Saturday, February 03, 2007 12:21 PM por Central

Caro Blue

Visitar o seu blogue é melhor do que ir ao cinema (!!!) pela diversidade de temas e excelência de textos..

Pois no meu tempo de militar, no S. Jorge, eram 100$00 para o porteiro e entrada gratuita. O pré era escasso... e havia que aproveitar.

A falta de assiduidade tem a ver com a maior oferta em termos de salas de cinema e de horários, com o preço dos bilhetes e com a pirataria que permite antecipar a chegada do filme à casa dos espectadores, antes de este ser exibido nas grandes salas.

Abraço

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Saturday, February 03, 2007 12:26 PM por EuniceTavares

Olá Blue!

Não fiquei indiferente à imagem que colocaste do filme Música no Coração. Há muito tempo que esse filme não dá na tv.Já era usual em todos os natais dar este filme. E o incrível era que eu voltava sempre a vê-lo. Há qualquer coisa naquele filme que me encanta muito. Talvez a História que está por trás. Não sei..

Outro filme que mencionaste - Seven - é um dos filmes da minha vida. Não porque tem um papel muito bem representado pelo Brad Pitt, mas pelo filme em si, que está muito bem feito.

Eu confesso que sou uma apaixonada pela Sétima Arte. Adoro ir ao cinema e acho que muitos filmes são muito melhores quando vistos na tela do cinema. E perdem o impacto quando vistos no ecrã do pc ou da televisão. Não dispenso as minhas pipocas, confesso.... Mas, o que acontece normalmente é eu comer as pipocas enquanto vejos os anúncios. Porque depois, durante o filme, já não consigo continuar a comer. Tenho medo de me distrair e perder alguma parte importante do filme. O telemóvel fica desligado e esquecido no fundo da carteira.. ou vemos o filme ou olhamos para o telemóvel.

Quanto aos cachorros, concordo contigo. Não consigo imaginar-me a comer um cachorro ou algo semelhante no cinema... e depois fica-se todo besuntado de molhos e.... não me parece...

Achei muita piada quando falas do engasgar-se e cuspir para o vizinho da frente. Fiquei com uma imagem super engraçada na minha mente... eheh

Mais uma vez, tens aqui um post muito digno do Bluewater. Parabéns!

Beijinhos grandes e bom fim de semana!

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Saturday, February 03, 2007 1:04 PM por MartaAlexandraDuarte

Meiadeleite: não és a única, não. ;o)

Não sei... quem gosta de cinema, continua a gostar e a ir.

A questão do preço não se coloca assim tanto: com tantas promoções a decorrer (para jovens, para utilizadores de certas marcas de telemóvel... agora até para quem vai ao Mac, etc etc etc) até é raro uma pessoa ir a um cinema e não conseguir arranjar desconto.  Podia ser mais barato, sim, mas todos sabemos que é um negócio.

Mesmo o número de pessoas que frequenta salas de cinema, os filmes escolhidos, tudo varia tanto consoante o sítio... Lembro-me de filmes que não passaram na minha cidade por supostamente "não terem qualidade" e serem um sucesso de bilheteiras e receberem os aplausos da crítica noutros lados.

Enfim... Gosto de ver um filme no conforto do lar de vez em quando. Mas a sala de cinema ainda é mágica.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Saturday, February 03, 2007 1:22 PM por bp63

Caro Bluewater

Achei imensa piada ao seu post. Também gostava de ver cinema noutras condições. Penso que o pior problema, não são as condições actuais de visionamento mas sim as condições de educação. O comer, o telemóvel, as entradas e saídas, etc, só têm a ver com a educação das pessoas, nada mais. E isso, já vem de longe, mesmo quando uma ida ao cinema tinha um outro sabor.

Não sou um nostálgico do cinema (nem da vida). Acho que o melhor está sempre para vir.

Vê-se hoje cinema em condições como nunca. Voltamos a ter ecrans grandes ( e não salas domesticas armadas em cinema), com um som muito bom ( e não o fritar batatas de antigamente), boa definição e sobretudo boas cadeiras com posicionamento correcto para que toda a gente veja as imagens completas que estão no ecran.

Mesmo o problema sonoro e cheiroso das pipocas não é nada de inovador. Lembro-me antigamente dos velhos rebuçados e chocolates que nunca mais acabavam de se desembrulhar. Para não falar dos balões das chicletes que rebentava. Enfim, como disse, tudo é uma questão de educação, agora como antigamente.

Os multiplex devolveram a massificação ao cinema, que sempre teve. Por isso ele continua. Quando começar a ser uma coisa mais refinada e elitezada , vai fechar as portas (como já fechou). O Cinema é um negócio de massas e de tecnologia.

Gosto de encarar o desenvolvimento como novas portas para o futuro. Os telemóveis, os carros, etc,  fazem mal mas não podemos passar sem eles. É o preço da evolução social.

Se tiver que gramar as pipocas do vizinho para continuar a ver cinema em boas salas, prefiro. Prefiro isso a ir para salas bebes, quartetos, e afins, que de tanto querem ter respeito pela obra projectada, esqueceram-se das condições do principal elemento de quem a vê, o espectador.

Um cinema é uma festa. E as festas têm que ser em grande.

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Saturday, February 03, 2007 2:28 PM por bhtp1

Boa tarde,

" O sonho era mesmo ter uma sala privativa". Também o meu!! Adoro cinema! Sempre gostei e sempre gostarei!

Mais uma vez um excelente post!

Um grande abraço

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Saturday, February 03, 2007 10:56 PM por recardenense

Caro Blue:

Hoje volto a comentar, algumas coisas:

Sobre o cine-teatro daqui de Águeda, ele foi começado antes da revolução, mas depois esteve parado e só nos anos 80 foi acabado. Hoje não se faria.

Vi agora o Tótó. Há que anos não via imagens dele. Sabe que ele na vida real, era Visconde?.

Eu também vi o Cinema Paraíso.

Sabe, o que também afastou muita gente do cinema, foi a falta de educação cívica, que apareceu, pois as pessoas pensavam que tudo podiam dizer. Então nas cenas mais ousadas, não se podia ir com a mulher ou com a família, pois algumas vezes, fui a Aveiro ao Avenida e ainda antes do primeiro intervalo, me vim embora com a mulher. Isso em Lourenço Marques, nem os prêtos (sem ofensa, pois eles não são inferiores) faziam. Ainda hoje é quase igual, seja aqui ou em Lisboa.

Sobre o preços: hoje tudo está caro. Sobre futebol-vem mesmo a calhar... viu o que aconteceu na Sicilia? Por todo o lado parece que o mundo está maluco.

Quanto ao ter sala própria. Na imagem do "tube", está um homem sózinho a ver o filme. Isso não me surpeende, pois já uma vez o Manuel Rodrigues de L. Marques, vendeu os seus 1532 lugares e fez a projecção do filme para um único espectador.

Eu sou (era) maluco por música sinfónica. Ora esta não se pode ouvir muito baixo, pois perdem-se muitos sons de certos instrumentos. Eu tive a felicidade de ter a primeira aparelhagem Pioner quadifónica. Corria o ano de 1973. Pois na minha casa no terraço, tinha arrumos e a minha oficina, onde reparava rádios e afins. Pois foi ali que fiz isolamento e que ouvia quando podia a música. Mesmo agora, aqui no computador, a maioria das vezes estou a escrevar ouvindo Vivaldi ou Mozart.

E mais não digo.

Um abraço, para si e para todos aqueles que lerem.

Humberto

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Sunday, February 04, 2007 1:30 AM por camionista

comentado antes de ler ...nadinha.

Guardo sempre para o fim a leitura dos posts do BW.

Fácil de perceber porquê, não?

Mas, infelizmente, uma vez chegada a altura, um inimigo impiedoso já me derrubou: o cansaço.

O BW não é de guardar rancores, pois regularmente lá vai ao meu espaço, ás vezes a puxar-me para as alturas. Optimista, o diabo do homem!

Esta não vai ser excepção. Primeira tarefa para amanhã.

Sonhos cor-de-rosa para toda a gente!

(para os restantes, pesadelos de qualquer outra cor, desde que cinzento)

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Sunday, February 04, 2007 10:32 AM por camionista

Pronto! Voltamos, mais ou menos recuperados.

Vamos ao assunto:

A palavra é FANTÁSTICO!

Foi aqui traçado, de uma forma bastante sentida, o retrato fiel de uma época que já não volta.

Não se falou só de cinema(s), mas principalmente da

perda (oxalá que não irremediável) de uma determinada maneira de viver em sociedade.

E de como o progresso acelerado destes últimos anos nem tudo nos deu a ganhar.

Espero que todos tenham visto o 'Cinema Paraíso'.

Como estou a ficar um bocado lamecha, tive de tirar os óculos várias vezes, durante o visionamento deste último vídeo. Coisas da idade, acho eu...

PARABÉNS, bluewater!

Grande Abraço!

# re: O meu divórcio com a Sétima Arte

Monday, February 05, 2007 3:50 AM por LuisaGiao

Boa noite

Que nostalgia senti ao ler este texto.

Luísa

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