Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Quando nos últimos dias se falou dos ‘brilhantes’ resultados nos exames de Matemática e em mais uma ronda de candidaturas à Universidade, não pude deixar de recordar um período da minha vida onde a indecisão estava a dar cabo de mim. Corria o mês de Julho do ano de Mil Novecentos e Oitenta e Sete, na graça do Senhor, e eu acordava com a decisão de seguir Arquitectura e deitava-me com a certeza de ir para Eng.º Civil. Mas para o leitor compreender a situação, vou recuar uns quatro anos.

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Sempre tive o ‘sonho’ – objectivo identificado no imaginário, cuja concretização depende da vontade do próprio, da sociedade, do meio ambiente e da ponderação de prós e contras ou custos e benefícios, podendo ser substituído por outros objectivos sem que daí resulte dano considerável para quem o formulou (segundo bluewater68) – de seguir Arquitectura. Gostava de ver projectos. Imaginava e desenhava a casa onde um dia havia de viver. Numa época onde a televisão só tinha dois canais e onde consolas de jogos eram Ficção Científica, Desenhar era uma forma de ocupar o tempo. Por estes motivos, após concluir o 9º ano, tomei a primeira decisão que iria condicionar o meu futuro escolar e decidi inscrever-me na escola António Arroio, como forma de obter a melhor preparação para mais tarde poder frequentar a Escola Superior de Belas Artes.

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Se as disciplinas de desenho eram feitas com gosto e davam boas notas, o mesmo já não se passava com a famosa Matemática. Quer dizer, eu nem tinha de me preocupar com a nota, já que o professor era tão mau, mas tão mau, que ele próprio se recusava a chumbar alguém. Não quero divagar sobre quais as justificações que manteriam alguém assim a leccionar, mas em termos práticos posso dizer que foi uma nulidade aquilo que aprendi na disciplina de Matemática no 10º e 11º ano.

Chegado ao 12º ano, tive de tomar a segunda decisão curricular. Ficar na António Arroio e apanhar com os exames de acesso de Geometria Descritiva e Física, ou, mudar para uma escola que permitisse o exame de Geografia. Nesse tempo, o acesso à faculdade era feito com dois exames em três disciplinas nucleares possíveis. Escolher duas entre Geometria Descritiva, Geografia, Física e Matemática, não provocava qualquer dúvida. Por isso, toca a marchar para a escola secundária da Cidade Universitária. Foi quando descobri que o ‘King’ e a ‘Copa’ eram formas viciantes de ocupar os tempos livres.

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Finalmente vem a hora de todas as decisões. A média obtida nos anos anteriores teria um peso de 30% (não me recordo) e o resto seria decidido em dois exames. Se Geometria Descritiva foi trigo limpo, Geografia nem por isso. Ó miséria, ó inclemência. Seria possível que a média de acesso em Arquitectura fosse acima de 16 valores? Mas eu ia desenhar casas ou ia fazer uma operação ao cérebro? Ó tristeza, que a minha média não dava para concretizar o sonho. Opções? Ir para um curso que não fazia parte do guião do sonho, ou, andar um ano a marcar passo para tentar subir a média. Isso conduziu-me à terceira decisão curricular e empurrou-me para um externato ali para os lados do CC Imaviz.

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Passado mais um ano, toca de repetir os exames de acesso. Por algum motivo que ainda hoje desconheço, eu e Geografia não éramos unha com carne. Em resumo, um ano perdido e a mesma média que me impedia de um dia poder aparecer em filmes caseiros, na qualidade de Arquitecto.

Se a Faculdade das Belas Artes estava inacessível por uma questão de números, outros números, do género financeiros, poderiam permitir manter o sonho vivo, bastando apenas candidatar-me à Faculdade Lusíada e esperar que a minha patrocinadora educacional conseguisse pagar todos os meses cerca de 25 contos (uns 125€, para aqueles que nunca conheceram o escudo). E seria preciso somar todos os custos em material e livros escolares, que não era pouco para o curso em causa. Na altura também havia o problema do curso ainda não estar reconhecido.

A alternativa seria esquecer os dois anos em que a Matemática foi uma brincadeira, o facto de não ter tido Física no 12º ano, e candidatar-me ao curso de Eng.ª Civil no IST. Pelo menos seria o mais parecido com o grande sonho.

Incapaz de tomar uma decisão, fiz as provas de acesso à Lusíada (tendo sido admitido) e candidatei-me ao IST.

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Foi assim, graças a uma balança perfeitamente equilibrada, que eu passei uma das semanas mais terríveis da minha vida. Tinha de tomar mais uma decisão curricular, que iria marcar o meu futuro e não encontrava um argumento que me fizesse decidir de forma inequívoca. Seguia o sonho, mesmo com enormes dificuldades financeiras e obtinha um curso numa universidade privada, podendo mais tarde ficar sujeito a estigmas profissionais, ou optava por uma solução que poderia trazer mais segurança e opções profissionais, estando no entanto sem bases sólidas para o frequentar?

Muitos Prós e Contras depois, a escolha acabou por ser feita sobre o curso de Eng.ª Civil.

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A primeira aula a que assisti foi uma Teórica de Química. Quando terminou, a única coisa que me ocorreu dizer foi “O que foste fazer…!?”.

E a Matemática? Muito simples. Durante dois anos, passei a fazer parte da mobília da Biblioteca da Penha de França. Nesse local, encontrava o incentivo e as condições adequadas para o estudo intensivo e solitário de Matemática do 10º ao 12º ano. Ou fazia isso, ou ficava a marcar passo por muitos e muitos anos, ou mudava de curso.

Pode ter existido facilitismo no recente exame de Matemática, apenas como forma de mostrar que as reformas no ensino dessa disciplina estariam a produzir bons resultados, mas se da parte dos alunos não houver uma preparação adequada e exigente, então vão haver muitas desilusões e ‘cadeirões’ em atraso durante muitos e muitos anos.

Nunca foi a favor de qualquer facilitismo no acesso á Faculdade. De nada serve escancarar as portas se depois, por falta de preparação, os alunos acabam por passar muitos anos a tentar fazer cadeiras em atraso. Nesse aspecto, acho que o grau de exigência deve existir desde o início. E se me perguntarem a opinião, acho que os exames do 9º ano foram uma excelente medida. Não sei quem escreveu isto em 2005, mas concordo em absoluto «É surpreendente que só agora haja exames, e que estes apenas abranjam a Matemática e a Língua Portuguesa. Mas é ainda mais surpreendente que o que deveria corresponder a uma prática rotineira tenha sido alvo de forte contestação. [+

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E o Sonho? O sonho foi-se. Ponto. Ou melhor, foi substituído por outros objectivos tangíveis sem que daí tenha resultado dano considerável para Moi-même. Seria preferível continuar a perseguir um sonho que muito certamente nunca seria concretizado? Abdicar de muitos momentos únicos na vida apenas para riscar o item da lista? Não penso assim.

Logo após ter tomado a grande decisão curricular, uma das frases mais ouvida foi “Deixa lá. Tiras agora esse curso e um dia mais tarde inscreves-te no outro”. É uma hipótese e nada impede que isso aconteça. Porém, depois de passar vários anos na faculdade, qual é a pachorra para voltar ao início? E muito provavelmente, na condição de trabalhador-estudante, o que torna ainda mais complicado todo o processo.

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Na maioria dos casos, o curso escolhido no acesso à universidade será uma escolha para toda a vida. Segundo alguns, uma escolha a fazer lembrar os eternos casamentos com mulheres não–modernas e não-tatuadas, onde elas eram autênticos livros em branco, possíveis de serem gatafunhados diariamente pelos seus companheiros.

Alguns poderão mudar de curso já dentro da Universidade.

Poucos, muito poucos, vão acabar um curso e avançar para o seguinte.

Por isso, o dia da inscrição no ensino superior é sempre um dia memorável, já que na maioria dos casos são feitas escolhas que definem o caminho académico a seguir, o qual, certamente, condicionará o futuro caminho profissional.

É engraçado constatar como o árduo caminho universitário começa logo nas longas filas para entregar a candidatura. Os “Zês” foram no dia dos “Ás” e dos “Bês”. Outros já iam no 3º ou 4º impresso pois pensaram estar a preencher o Euromilhões. Os impressos esgotaram. Uns não confiam na Net nem em Simplexes. E tal como alguns disseram, “Este é o dia que decide a minha vida” ou “É a oportunidade de uma vida”. Tudo isto e muito mais, num Vídeo RTP.

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Nisto do sonho Arquitectónico não me admirava que um dia fosse abordado por um tipo parecido com o Matt Damon mais anafado (ler aqui) e que ele me dissesse algo do género,

- Olá, eu sou tu. Não me olhes assim. Tá tudo bem contigo? Feliz com o teu trabalho? Eng.º Civil!? Parece que sim. Dizem que os sonhos são para quando se está a dormir. MUDASTI! MUDASTI!

Provavelmente dizia-lhe para ir chatear o vizinho do lado e para me deixar em paz com o Icetea que eu já bebo há vários anos.

O caminho seguido foi bem diferente do que eu sempre tinha sonhado. No entanto, isso não invalidou que o objectivo académico fosse feito com gosto e empenho, e que a realização profissional acabasse por acontecer.

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Dedico este texto a todos os que vão começar uma das etapas mais importantes da sua vida e desejo que consigam realizar todos os seus sonhos académicos ou profissionais.

E sobretudo, dedico este texto a todos os que, com muita coragem e dedicação, decidem voltar a tirar um curso superior, frequentando aulas à noite e ficando menos tempo com aqueles que mais gostam. Neste SOL, transmito toda a força para Patana.

Publicação: Tuesday, July 15, 2008 6:59 PM por bluewater68
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Comentários

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Tuesday, July 15, 2008 7:27 PM por camionista

BW:

Que melhor lição do que o testemunho desta nota autobiográfica?

Tenho alguém próximo de mim que bem precisava de ler este seu texto, e de encaixar a lição.

E até eu próprio dei comigo a pensar no que poderia/deveria ter feito, e não fiz, na altura adequada. Mas o tempo não volata para trás...

Um abraço

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Tuesday, July 15, 2008 7:35 PM por pessoalissimo

:))

Excelente post!

Já há tempos que ando para narrar os acontecimentos em torno da minha licenciatura, mas outras ideias foram entretanto surgindo, e fui adiando. Como fazemos com tantas outras coisas na vida, os tais "sonhos" às vezes eternamente adiados.

Sobre o curso dos teus sonhos só te digo uma coisa, eu comecei-o em 1978 e acabei-o em 1994. Mas só exerci a profissão uma meia dúzia de anos, devido a problemas de saúde.

Porque demorei tanto tempo? - Fui baldas? Não! - Fui nabo? - Não! - Desinteressei-me? - Não!

Aconteceu-me o que acontece a tantos: quando ingressei em Arquitectura, já trabalhava e tive de fazer opções. Felizmente, abriram um curso nocturno e foi assim que, a espaços, lá fui fazendo o curso. Cumpri um sonho! De pouco me valeu! Tinha 40 anos quando o conclui. Entretanto, fiz mais uns tantos! :)

Ainda estás em bom tempo para cumprires esse e outros sonhos. Não há aí na Uiversidade do Algarve esse curso?

Abraço

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Tuesday, July 15, 2008 7:38 PM por pessoalissimo

Ainda volto... :)

Para quem não acredita que o tempo não volta para trás e os sonhos ficam por cumprir, podia trazer aqui inumeros exemplos de homens e mulheres que os sessenta, setenta e mesmo aos OITENTA ANOS voltam à escola para cumprir mais um sonho. Nunca é tarde...

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Tuesday, July 15, 2008 7:38 PM por pessoalissimo

Ainda volto... :)

Para quem não acredita que o tempo não volta para trás e os sonhos ficam por cumprir, podia trazer aqui inumeros exemplos de homens e mulheres que aos sessenta, setenta e mesmo aos OITENTA ANOS voltam à escola para cumprir mais um sonho. Nunca é tarde...

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Tuesday, July 15, 2008 8:13 PM por Luana

Eu continuo a ter a ceretza que tu és um dos bloguers mais interessantes deste Sol. Deste e de todos os outros. Lamento mais uma vez não ter tempo para marcar encontros inevitáveis com gente como tu, que fax parte desta comunidade, para colocar mais pessoas em campo a lutar por coisas que valham a pena.

Tu ainda vais realizar muitos sonhos porque és muito jovem, o país há-de mudar e um artista é semrpe um artista e tu não és uma pessoas vulgar. Quem te conhece sabe e sente que encontraste a mulher da tua vida, que sonham juntos e juntos já fizeram a coisa mais linda do mundo que é a nossa Rosa Leonor ou estrela, como quiseres. Os jovens como tu nunca ficam na berma da estrada a apanhar boleia porque tu sabes o que custa a vida e tens lutado por fazer o que deves.

Um dia vou ter tempo de ficar mais perto das pessoas e vou poder fazer com que estrelas como tu, brilhem mais alto no céu deste país. Porque ainda sou daquelas que acredita no Segredo.

Um abraço forte e intenso para essa família lindã

Luana

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Tuesday, July 15, 2008 8:28 PM por gomes2000

olá bluewater,

adorei ler este teu percurso, e sinceramente pareceste-me ligeiramente amargurado com o tema. Eu vou deixar só isto:

Eu queria muito trabalhar em relações internacionais ou hotelaria; na altura o curso no privado só havia na Madeira o que ia dar ao mesmo (despesas) do que ir para o ISLA ou outro. Adorava ter estudado também o árabe, russo além de alemão, francês e inglês. O que queria mesmo era estar ligada a turismo, intérprete, ... Eu fiquei-me pelo 12º ano com média de 17 e 84% na PGA (prova geral de aptidão). A mim, acho que foi o desinteresse pelos métodos de ensino aliado a uma irreverência insensata que me fez desistir.

Falando nos métodos de ensino: será que os professores de matemática dos 10º e 11º naqueles anos eram todos maus?!!!

Uma amiga minha seguiu o curso e tirou. Tinha um sonho idêntico ao meu. Trabalhou em rent-a-cars, numa galeria de arte da Câmara e agora está finalmente ao fim de 20 anos num quiosque/ posto de turismo!!!! Qual sonho....

Olha, não quero arranjar desculpas para a minha desistência, o Prof. Fernando tem toda a razão quando fala que nunca é tarde. Para ti também. Apenas, pessoalmente acho que a minha oportunidade académica passou. E que agora tenho outras prioridades. Quem sabe um dia sejam as linguas outra vez.

Já sabes também o que acho da qualidade do ensino privado.

Quanto á patana, acho-a espectacular pela coragem, mãe, trabalhadora e está num recomeçar! Desejo-lhe toda a sorte do mundo porque força ela tem. Muitos parabéns aos dois, e a ti em especial que fizeste este post tão escolar e que me trouxe tantas recordações.

Beijinhos, boa semana para vocês

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Tuesday, July 15, 2008 9:05 PM por Tozzola

Blue-tvman-water, já conheces a teoria do Big Bang?????     :-)

RTP2 - 20H45 - 2ª a 6ª

Prá descontra....

Abraço

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Tuesday, July 15, 2008 10:05 PM por bluewater68

camionista,

eu não sei se serei um exemplo pela constante mudança de objectivos. Não escrevi, mas posso adiantar que no 4º ano, quando foi necessário optar por uma especialização, acabei por escolher 'hidráulica' em vez de 'estruturas'. E não me arrependo de o ter feito. E agora, a ocupação profissional é bem diferente da formação académica.

Mas tal como o Fernando disse a seguir, "Nunca é tarde".

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Fernando,

nota que eu concordo contigo em relação a uma visão do tipo "Nunca é tarde". Mas vejo-me mais depressa a aprender outra coisa qualquer do que a tirar Arquitectura. Aliás, isso ou algo que envolva pelo menos 5 anos de estudo. Já tive a minha dose. Acreditas que ainda hoje tenho um sonho horrível onde julgo que ainda me falta um cadeira para fazer e que por causa dela nunca mais termino o curso? :))

As Belas Artes ainda não decidiram expandir-se para estas terras. Creio que existe Arquitectura Paisagística.

Tenho pena de nunca mais ter desenhado. Neste momento, se tivesse de escolher algo, acho que optava de imediato por um curso de pintura. Porém, pela minha maneira de ser, acho que só pintaria quadros semelhantes aos da Maluda :))

E digo-te mais. Se chegar à reforma e me aceitarem como professor, gostaria imenso de ensinar numa dessas Universidades da Terceira Idade. A cadeira seria Tecnologias, claro está.

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Tuesday, July 15, 2008 10:49 PM por bluewater68

gomes2000,

pode dar essa ideia mas não é o caso. Isso só aconteceria se eu mantivesse o sonho vivo, o que não é o caso. Era de facto um sonho e até uma paixão. Mas a vida não se proporcionou a que ele se concretizasse e por isso, ficou ultrapassado por outros objectivos. Para quê continuar com determinado objectivo. Isto podia levar agora a outra discussão. Nos tempos que correm, a vida, infelizmente, não se presta muito a sonhos nem a grandes paíxões.

Um dia, o futuro da minha filha será ela a decidir. Mas se me perguntar a opinião, dir-lhe-ei para escolher algo que lhe possa trazer estabilidade profissional e para deixar para mais tarde algum sonho que anos mais tarde só lhe possa trazer dores de cabeça.

Mesmo quando se concretiza um sonho é preciso um pouco de sorte como em tudo na vida. Existem aqueles a quem as oportunidades parecem chover do céu, e outros que se vêm aflitos para arranjar seja o que for.

Mesmo que alguns sonham se desvaneçam ou sejam mesmo eliminados, o importante é sonhar sempre e sentirmo-nos bem com o que fazemos.

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Tozzola,

eu até me esqueço da existência de muitos canais, e esse é um deles. E a essa hora nunca tenho nada para ver. Agradeço a sugestão e amanhã vou dar uma espreitadé-la.

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Wednesday, July 16, 2008 10:45 AM por bluewater68

Luana,

ontem o teu comentário escapou-me e foi por isso que não te respondi. Agradeço as tuas simpáticas palavras pois são um grande estimulo. Mas tu é que fazes falta para espevitares isto com as tuas ideias e o teu debate. Quem já teve o prazer de trocar ideias contigo concordará comigo. Com a chegada do Verão calculo que andes numa lufa-lufa a preparar tudo para receber de forma majestosa todos os que te visitam. E pena tenho eu de não poder dar um salto a essa Ilha. E pelos melhores motivos, espero que o 2º Encontro de Blogues possa contar com a tua presença.

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Wednesday, July 16, 2008 11:13 AM por meiadeleite

Olá!  tive a média, entrei onde queria, não tinha sonhos. nunca usei o que tirei, fiz sempre outras coisas e ainda bem. penso que a escolha de um curso hoje não é tão prisioneira como já foi, mudar de carreira várias vezes já faz parte do modo de vida, num mundo mais aberto. beijinhos.

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Wednesday, July 16, 2008 8:27 PM por bluewater68

Amiga,

eu creio que a instabilidade e a precariedade no trabalho obriga a que as pessoas deixem de acreditar que um emprego seja para toda a vida, a tal prisão que acontecia há uns anos atrás. Digo-te que é uma situação com que eu não me dou bem, já que sou bastante avesso à mudança.

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Wednesday, July 16, 2008 10:00 PM por PSCGF

Blue :)

Adorei. Primeiro porque é dedicado á Patana . Ela tem muita força e coragem. Eu sei do que falo.

Depois porque o teu testemunho reflete muitas historias que eu conheço. E essencialmente a historia escolar da minha filha ... E o trauma eterno da matemática.

Mas venho só acrescentar que no meu escritorio trabalha uma advogada, uma psicologa criminal , uma fisoterapeuta , uma gestora ...etc etc...

E trabalham num escritorio de Despachante e Transitário.

Pergunto-me ... Algo não estará mal ou sou só eu que vejo ???

Beijinhos

Paula

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Wednesday, July 16, 2008 10:03 PM por bp63

Não trazendo um grande painel de informação, como é hábito, este foi dos textos teus que mais gostei de ler. Talvez porque é daqueles em que a palavra se aproxima mais da pessoa.

E olha que eu vinha apenas para uma vista de olhos e voltar mais tarde e fiquei logo agarrado à primeira.

Realmente os sonhos... esses bandidos que nos vestem ao longo do tempo, mas que teimam em nos deixar nus constantemente.

Se falasse do meu percurso assim, seria uma coisa quase que surreaslista. Não fiz o que quis mas estou aqui. Pronto.

Concordo contigo, ficamos presos à primeira escolha, mesmo que se pensasse "tiro este e depois aquele que quero". Ná! A paulada da vida manda-nos sempre para caminhos contrários, mas que agora são tão nossos como a própria pele.

Abraço

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Wednesday, July 16, 2008 10:11 PM por patana

Blue,

Obrigada pelo apoio e incentivo. Acabaste de me dar alento para estudar Sociologia da qual vou ter exame amanhã. Comecei hoje as minhas férias (yupi!) mas foi um começar um pouco triste porque apesar de ter muita vontade de agarrar na minha filhota e ir para a praia, tenho de estar aqui a marrar para não fazer má figura (e olha que para mim fazer boa figura é ter um 10!).

Mas só faltam 3 exames e o dia 25 vai chegar para eu poder ir à feira da Serra (conheces?) espairecer as ideias.

Realmente nunca é tarde para realizarmos os nossos sonhos mas tem de se ter muita força de vontade para tropeçar, cair e tornarmos a levantarmo-nos nesta vida académica nocturna.

Vale o apoio a 150% do meu marido e 75% da minha filhota (ela não compreende tão bem) mas pode ser que ela ao ver o meu esforço se entusiasme em estudar e entrar no que quer para não passar pelo que eu estou a passar.

Confesso que Recursos Humanos não era minha opção de juventude (nem Secretariado que foi o que tirei também em pós-laboral). Pensei em Direito, em Psicologia e mais tarde em Serviço Social mas há 5 anos convidaram-me para trabalhar em Recursos Humanos e confesso que apesar de gostar imenso e achar que desempenho bem ao meu "job" quero aprender mais. E anos de experiência com um canudo na mão valem muito mais!

Tenho pena de não teres  seguido o teu sonho. Não te achas com coragem de fazê-lo agora? A Universidade de Faro não tem?

Mais uma vez obrigado pelo apoio!

Beijocas

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Wednesday, July 16, 2008 10:22 PM por patana

Voltei só para dizer que também tenho problemas com Matemática e grandes. Não tenho bases nenhumas e por volta do 7º ano desinteressei-me, tendo sempre fugido à Matemática e quando me meti nesta aventura nunca sonhei vir a ter de estudar algo relacionado com ela. No 1º semestre safei-me com 10 a Técnicas Quantitativas de Gestão (Estatística mais light) mas vou fazer Estatística (à séria) em Setembro.

Faltei agora porque se não for, deixam-me fazer o exame sem pagar 85.00 em vez de tentar, chumbar e ter de pagar, mas tenho um feeling de que vai ser das últimas cadeiras do curso a fazer.

Beijocas e não desistas do teu sonho

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Wednesday, July 16, 2008 10:57 PM por Tozzola

Ora viva compadre alentejano sem travões..... :-))

Espero que tenhas reforçado o stock de tampões para os ouvidos, máscaras anti-poluição e óculos para o deserto. Os motards e o resto da tropa estão a chegar ao Faro do calor e do som.

E que tal uma sonoterapia?

Abraço

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Wednesday, July 16, 2008 11:15 PM por meiadeleite

Blue, nem me ponhas aqui em favorito, estou a descredibilizar esse grupo... tenho outro link mais verdadeiro! :)     A maior parte dos jovens, talvez, não sei, penso, não querem essa estabilidade. Claro que se a formação fôr pouca, as hipóteses de subir são menores e fica-se à mercê de patrões. Isso não acontece no caso de pessoas muito qualificadas, são os patrões que as procuram. é um mercado como outro... os talent-hunters. E funciona a nível internacional, já não estamos sós, competimos sempre com gente de muito lado.

Depois de acabar o liceu, sempre estudei à noite, sei qual é o peso da Patana (parabéns!!!!!). Vale bem a pena...  e mais uma coisa que me tinha esquecido: fomos colegas :))) também andei um ano na cidade universitária !  mas devo ter andado dois ou três antes de ti.  Beijinhos

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Thursday, July 17, 2008 12:13 PM por bluewater68

Paula,

ela tem toda a minha admiração, porque de facto não é fácil.

Eu esqueci-me de referir que em alguns casos, não interessa o curso em que se entra na faculdade, mas apenas se procura lá estar para depois dar o salto para outro lado. Não sei se isso ainda é assim, mas na altura havia facilidade em trocar de curso. Uma colega minha, tinha estado antes em Psicologia, quando decidiu que a melhor opção seria mudar para Eng.ª Civil. Hoje trabalha nas Estradas de Portugal. Foi mesmo uma mudança radical.

E a Matemática é mesmo um Papão. Ou melhor, está transformada num Papão. Tem de existir forma de criar interesse, cativar e tornar 'simples' o seu ensino, sem nunca comprometer o nível de exigência adequado.

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bp63,

apesar da maioria dos meus textos não seguir esta linha, de vez em quando lá me saem estas confissões. Talvez fosse um género que eu utilizasse mais vezes, se a Net não fosse tão escancarada.

Eu nisso dos sonhos acho que tenho um sentido prático. Eles existem e são formulados com hipóteses de concretização. Se essas hipóteses forem mínimas ou nulas, o melhor é mesmo abandonar esses sonhos. De nada serve, ou não se aconselha, a passar uma vida a tentar perseguir um sonho que pode ser inatingível. Ao fazer isso, podem-se perder muitas outras coisas boas.

E "tiro este e depois aquele que quero" também é uma teoria que se aplica às viagens. Na minha opinião, o ideal é tentar fazer todas as viagens 'malucas' ou mais ousadas quando ainda não se tem grandes compromissos, sejam filhos ou uma casa para pagar. É que depois é bem mais difícil que possam vir a acontecer.

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Patana,

começo pelo fim. Não tenho coragem, não :)) acredita. O que está feito está feito e não me consigo mesmo imaginar a frequentar outro curso de 5 anos. Além do facto do curso não existir na Universidade de Faro. Formações de curta duração ainda me apanham. Por isso, dou-te todo o valor e transmito toda a força possível, para que ultrapasses mais essa etapa e que rapidamente possas beneficiar desse curso.

Marrar para fazer boa figura e ter um 10, foi comum na minha licenciatura, em particular nas cadeiras de Análise Matemática. E o 10 mais desejado e suado foi no hiper-mega-super-cadeirão de Probabilidades e Estatística. Uma pequena história - Dois colegas meus eram para ter ido de férias. Na véspera decidiram tentar fazer esse exame. Juntaram-se para estudar, mas acabaram num aniversário. À noite ainda foram beber uns copos às Docas. No dia seguinte foram para o exame e ficaram ao pé de um carola que até os podia ajudar. Copiaram desalmadamente e passaram com 10. O crime compensa.

Conheço a Feira da Serra mas sou mais adepto da Festa da Ria Formosa (da VIVMAR). É em Faro e não tem a balbúrdia do Festival do Marisco de Olhão. De 31/07 a 09/08.

E tenho a certeza que um dia a tua filha vai seguir o teu exemplo e mesmo tentar superar-te, o que só poderá ser positivo.

O último cadeirão do curso foi Electromagnetismo. Por causa dessa ainda andei mais um ano a marcar passo. E já me estava a 'passar dos carretos', por ver que a maioria dos meus colegas já tinha terminado a epopeia e eu ainda andava a marcar passo. Ainda hoje não sei como fiz aquilo, mas acabei por ter 19 no exame, tendo sido a nota mais alta em todo o curso :)) Foi da raiva :))))

# re: Acesso à Universidade, Matemática, Sonhos e afins

Thursday, July 17, 2008 12:25 PM por bluewater68

Tozzola,

nem me digas nada. Tenho de propor a um motard do Norte se gostaria de trocar de casa comigo durante estes dias.

Aqui num Blogue de Faro, tive o azar de dizer que eu pertencia aos 1% de Farenses que não têm paciência para a Concentração. Ui! o que fui dizer :)) tive de lá voltar e dizer que me tinha esquecido que nestes dias, quem não disser bem da Concentração não pode ser um bom Farense :))

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Amiga,

recentemente deu na televisão a abertura de uma quantidade considerável de vagas para engenheiros irem trabalhar para a Noruega. Não sei se relacionado com a exploração do Petróleo. E para o curriculum conta muito uma experiência a nível internacional.

Eu tinha a hipótese de assistir às aulas à noite para tentar fazer uma cadeira em atraso. Se conseguia assistir a uma que fosse, seria uma sorte. Isto depois de ter aulas durante o dia e de ter trabalho em part-time pelo meio. Era mesmo incompatível.

A Cidade Universitária tinha bom ambiente. E as jogatanas de cartas eram uma verdadeira perdição :))

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