SOL

Hospital de Guimararães, gripe A e o país do faz de conta

Hospital de Guimarães, gripe A e país do faz de conta

Os acontecimentos no Hospital de Guimarães do último Sábado são o espelho do que se passa no país em termos de saúde. Querem convencer-nos que urgência deste hospital se tornou caótica por causa da Gripe A. Nada de mais falso. Senão vejamos.

A equipe médica estava reduzida porque faltaram alguns dos elementos escalados. Desde há meses que esta e muitas urgências no país estão entregues a médicos contratados por empresas fornecedoras. Esses médicos sem vínculo contratual ao serviço público e mal pagos faltam com frequência. Diga-se em verdade que nada os impede pois são meros prestadores de serviços. Para quem defendia as virtudes do outsourcing (contratação externa) os resultados estão à vista. Poupa-se dinheiro porque pagar aos médicos do quadro as horas da urgência sairia muito mais caro mas situações lastimáveis como esta são a cada dia que passa mais frequentes.

Claro que pouco se fala disto porque não convêm e este ano a Gripe A tem costas largas. Como também pouco se fala das unidades que faziam atendimento de urgência à volta de Guimarães e foram sendo encerradas ou viram os horários reduzidos. Resulta pois patético o apelo da Ministra para os doentes recorrerem aos Cuidados Primários. A quais pergunto eu? Ainda não se deve ter apercebido do que o seu antecessor mandou fechar por aqueles sítios. A centralização das urgências que está em curso poupa dinheiro efectivamente mas pode gerar os caos como ontem aconteceu.

Em Guimarães como em quase todo o país os doentes suspeitos de Gripe não são atendidos separadamente dos restantes doentes da urgência. Só hoje se apressaram a abrir um atendimento separado para os suspeitos de gripe. Na região da grande Lisboa existem atendimentos de Centros de Saúde que ainda tentam separar os doentes até uma certa hora ou nos dias úteis mas depois é tudo à mistura.

Ontem em Guimarães foi tudo ao molho e fé em que a gripe até é benigna. Isto contraria as normas emitidas pela Direcção Geral de Saúde mas nunca se ouvi uma palavra do senhor Director Geral sobre este assunto. As normas até se escrevem, muitas vezes traduzidas «ipsis verbis» dos manuais internacionais, mas como depois não se podem ou não se querem fazer cumprir faz-se de conta que está tudo bem. Realmente vivemos num pais de fantasia tutelado por mentirosos.
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uma anedota-Sócrates, escutas e sexfone

A tradição já não é o que era. Tenho amigos que se gabam de fazer sexfone com as namoradas no outro lado do mundo e sei de alguns que são mesmo viciados em chats de sexo. Com camera ou sem ela, às vezes só com um telefone e lá vai disto. Fazem sexo. Um deles tornou-se mesmo viciado no chat da TVI para o qual vai enviando sms com um número de telemóvel.

Diz que já conheceu assim muitas mulheres. Sexo real nem por isso, dois ou três encontros mais nada. Mas conversas eróticas ao telemóvel é todas as noites. E lá vai vivendo a sua solidão. Há gostos para tudo. Quem não tem cão caça com gato, diz ele. Deve haver muita gente assim e o mundo virtual dá para tudo.

Imagino que o nosso primeiro-ministro também sinta essa solidão e de vez enquanto agarre no telemóvel e queira imitar o Clinton que fazia sexfone com a Mónica Lewinski quando não a apanhava na Sala Oval. Ainda se lembram? Pois é.

Acreditem. A verdadeira razão pela qual o Supremo Tribunal de Justiça decidiu destruir as gravações das conversas do Primeiro-ministro só pode ser esta…   

Sabem porque foram destruídas as escutas do Sócrates?

Porque eram de sexfone. Estava a brincar com a Vara ao telefone.
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casas brancas entre olivais - Ferreira do Alentejo

 Casas brancas de um lado e de outro, ao meio uma rua central. É assim Ferreira do Alentejo tal como muitas vilas e aldeias do Alentejo. Do Jardim do Ferrinho de Engomar, ornado com uma escultura de um antigo ferro de engomar de imponentes dimensões, até ao Parque Municipal, a vila atravessa-se a pé em poucos minutos.

Alberga no entanto um património histórico considerável e incomparavelmente bem cuidado. Desde a pequena igreja de portal manuelino passando pela Igreja de Santo António, agora transformada em Galeria de Arte que fica na confluência da Praça Comendador Infante Pessanha com a Rua da República, até aos muitos solares bem conservados há um mundo de pequenas coisas a descobrir. Vale a pena visitar o edifício da Câmara Municipal, com uma entrada que faz lembrar o cenário de um filme dos anos quarenta.

Quase no fundo da vila fica a celebre Igrejinha das Pedras, o ex-líbris do município, de planta circular e com uma cúpula cravejada de pedras negras simbolizando o apedrejamento de Cristo no Calvário. O contraste das pedras negras com a alvura da cal atrai a atenção dos visitantes. No interior da Igreja é o tecto azul e branco que chama a atenção pelos rendilhados primorosamente desenhados.

O sol queima e avança-se com dificuldade pelas ruas quase desertas. A temperatura vai atingir hoje os quarenta graus, uma situação mais que habitual nesta terra em Agosto. Os habitantes refugiam-se nos estabelecimentos onde há ar condicionado ou ficam no interior das suas casas.

Mas andar pelas ruas de Ferreira é também perceber que o comércio local já teve melhores dias e que agora enfrenta uma situação extremamente difícil. Há lojas fechadas. Não foi apenas a desertificação que atingiu a região, a actual crise faz-se sentir por aqui com particular intensidade.

É sabido que os alentejanos gostam de conversar. Não é difícil encontrar quem explique o que se está a passar no Alentejo. No café Xadrez dois jovens metem conversa e rapidamente tiram as dúvidas que se tinham instalado durante o passeio. «A agricultura que tradicionalmente foi o suporte da economia local e a grande geradora de emprego já não dá de comer a ninguém daqui» diz Nuno sem pestanejar. A namorada Rita acrescenta: «Abalou tudo. Os espanhóis não precisam de nós no olival. Nem nós queríamos, claro!» graceja.

Os olivais, a bandeira politica de Sócrates e dos autarcas da região, que brotaram como cogumelos e invadiram a paisagem alentejana nos últimos anos vêm inevitavelmente à baila. É difícil não se dar por eles. Entre Serpa, Beja, Aljustrel e Ferreira formam um reticulado cerrado que invade grande parte da paisagem.

«Isso dos postos de trabalho é uma treta. Sabias que o maior lagar da Europa fica aqui em Ferreira? Emprega sete trabalhadores» diz Nuno enquanto mexe o café. O jovem estudante universitário natural do concelho vêm até cá durante as férias escolares mas não pensa instalar-se em Ferreira quando acabar o curso. «Isto aqui não dá. Vir para cá é empatar a vida. E eu não sirvo para empregado da autarquia».  

Enquanto vão bebendo o café Nuno e Rita contam-nos como foram implantadas esses olivais que eles apelidam de Nódoas na Paisagem. «Aquilo a bem dizer nem são oliveiras. A oliveira é uma árvore respeitável e centenária. Aquilo são umas miniaturas que trouxeram de Espanha para durar uns anos. É agricultura intensiva. Crescem à força de herbicidas e agro-quimicos. Noutro dia ia eu a passar na estrada perto de Figueira de Cavaleiros e vi que a terra estava esverdeada. Tinham pulverizado tudo».

Rita que também já não vive em Ferreira mas visita a vila amiúde lamenta a forma como foram implantados os olivais «Arrasaram com tudo. Azinheiras, sobreiros, até restos arqueológicos foi tudo na frente. Entraram depois com as máquinas e riparam o solo. Tudo devidamente autorizado pela Direcção Regional de Agricultura do Alentejo e abençoado pelas autarquias. Às vezes trazem aí gente a ver e toca de lhes enfiarem com a lengalenga do desenvolvimento e dos postos de trabalho».

«Uma mentira» acrescenta Nuno «aquilo nem de grande mão-de-obra precisa. Os vigilantes são espanhóis. E quando é necessário gente preferem recorrer a trabalhadores emigrantes. Sai mais barato e não dão chatices. A pouca agricultura que há por aqui já quase só recorre a trabalhadores emigrantes. Ainda há dias em Selmes na Vidigueira encontraram romenos a viver em condições piores do que animais. Trabalham por qualquer preço e circulam entre a Andaluzia e o Alentejo. São máfias que os arregimentam e controlam. Os inspectores de trabalho têm mais que fazer do que andar por ai ao sol a ver quem anda a trabalhar».

São palavras duras, as destes jovens naturais do Concelho que não pensam instalar-se por cá depois de terminados os cursos. Alguma vez se cumprirá o sonho do poeta que cantava «O Alentejo esquecido ainda um dia há-de cantar»?

Reportagem escrita em Agosto de 2009

Fotografia de josep: Janela com flores em Arraiolos  

haicai suburbano num barco da Transtejo

Entre cá e lá

A vida num vai e vem –

E pagam-te bem?

Deparei-me com estas palavras escritas num barco da Transtejo. Pareceu-me um haicai pela forma e pela métrica com as suas quinze sílabas alinhadas em três versos. Será? Não sei. Esta forma poética oriental é mal conhecida entre nós.

Mas estas palavras, que um anónimo deixou inscritas numa parede, ilustram o dia a dia de uma população suburbana que diariamente atravessa o rio. Uma gente que sofre apertada por uma crise que não criou. Uma gente a quem quase tudo falta e que pouco tempo tem para se interrogar sobre a vida.

É porque a poesia deve estar no quotidiano, como um detonador de emoções e pensamentos, que aqui as deixo. Para pensarem se a vida assim vos sabe bem.
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Zé da Messa- a gente não se esqueceu de ti

 

 Conheci o Zé da Messa nos anos oitenta. Eu era então um jovem estudante farto do bafio em que se tinha tornado a militância maiosta na UJCR (União das Juventudes Comunistas Revolucionárias). Talvez tenha sido muito por causa do Zé que fui ficando ali pela Rua da Palma e devagarinho fui entrando na militância do PSR.

O Zé não tinha preconceitos nem ideias feitas sobre as pessoas. Aceitava cada um conforme era e descobria em cada um, o melhor que cada um tinha. O Zé não dividia, conciliava. O Zé não catequizava como os políticos ou os intelectuais que depois foram começando a aparecer por lá. Preferia o convívio compincha e era capaz de ouvir até os mais tristes desabafos. O Zé era um operário.

Foi com o Zé que aprendi a colar cartazes. Tenho muito orgulho em dizê-lo. Recordo com saudade as palavras que me disse quando notou a minha inexperiência em colagem «Olha faz-se assim estás a ver?» enquanto passava a brocha e depois esticava o cartaz. Pouco depois olhando uma parede de mármore bem lisinho disse «Vá experimenta aqui». E colei o primeiro cartaz da minha vida. Foi ali no Martim Moniz.

Colei depois muitos e muitos cartazes com o Zé. As acções de colagem eram momentos onde o inesperado rompia a cada passo. Havia os insultos, os ataques e os arranques sistemáticos dos cartazes por aqueles que odiavam tudo quanto era esquerdista. Convêm não esquecer que, no início dos anos oitenta, o PREC tinha deixado muitas feridas abertas na sociedade. Naquele tempo as colagens eram feitas por militância. O pagamento que recebíamos no fim da noite era a alegria do dever cumprido e o convívio em torno de umas imperiais naqueles lugares que fechavam tarde e que hoje já não subsistem, devorados que foram por discotecas e roulottes de cachorros.

Foi numa dessas primeiras noites de colagens, ali para os lados da Amadora que percebi bem o lado humano do Zé. Colávamos mais à frente e de repente apercebemo-nos de um sururu à porta de um café. Um camarada exaltado discutia com um homem. Tinha sido arrancado um cartaz. Fomos até lá e reparámos logo num miúdito, atrás de uma coluna meio assustado, que presenciava a cena. O Zé percebeu rapidamente o que se tinha passado. A criança por brincadeira arrancara o cartaz. O camarada notou e pediu explicações ao pai que não gostou e respondeu torto. O Zé só disse uma frase: «Deixa lá. Não vês que foi o puto?». E passou a mão pela cabeça da criança. O Zé era assim e por isso eu gostava tanto dele.

«Olha Zé a gente não se esqueceu de ti. Ouviste?». Eu sei que já estás a sorrir como sorrias sempre quando me vias aparecer para as colagens e a pensar lá com os teus botões «Olha onde o rapaz chegou. É doutor e agora até escreve sobre mim».

Ver:

       

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Maitê, o licenciado Pinto de Sousa e os portugueses

As afirmações de Maitê Proença sobre os portugueses no vídeo que filmou para o Canal GNT estão a chocar muita gente. Repugnante é mesmo a cuspidela com que a actriz mostra o seu grau de educação e o seu gosto de cunho duvidoso. Mas adiante. A senhora tem todo o direito de não gostar de Portugal e dos portugueses. Como por cá muita gente não gosta de brasileiros e os considera oportunistas, falsos amigos, intriguistas e trapaceiros.

São generalizações, estereótipos que ajudam alguns a catalogar o mundo, levando-os a perder o gosto pela descoberta das pessoas. Adiante. Não vem daí grande mal ao mundo porque apenas empobrecem quem delas faz uso.

Sobre os portugueses prefiro, para os pensar, cingir-me a factos concretos. E concreto é o facto que os portugueses elegeram mais uma vez o licenciado em engenharia José Sócrates Pinto de Sousa para dirigir o rumo do país por mais quatro anos. Isto sim resulta para mim incompreensível.

Como é possível que tenha tanta gente saído à rua nos últimos quatro anos praguejando contra tanta coisa que este senhor decidiu e agora o venham eleger de novo. Nunca um primeiro-ministro foi tantas vezes chamado de mentiroso e tão contestado por amplos sectores da população: Funcionários públicos, professores, agentes de autoridade, militares, juízes, rurais, agricultores, parturientes, velhos e novos.

Sócrates foi com razão contestado por reduzir as reformas, atentar contra os direitos adquiridos dos funcionários públicos, ter lançado o caos nas escolas, encerrar serviços de saúde e maternidades fazendo descer a qualidade do atendimento no Serviço Nacional de Saúde. Igualmente contestado foi por ter criado uma clientela de comissários políticos com que colonizou de alto a baixo os serviços públicos e condicionou os meios de comunicação. Tantos e tantas vociferaram contra ele e no final acaba ganhando as eleições.

Quantos dos que andaram por ai a dizer cobras e lagartos do primeiro-ministro, a encher as ruas ou a atirar-lhe bonés como fizeram os policias, num dos gestos mais ousados alguma feitos num país ocidental por agentes da autoridade contra governantes, sim quantos destes não acabaram depois a votar na mãozinha do partido do engenheiro. Pois é. Não vale a pena andar a gastar teclado com gente que não tem cultura politica. Por isso faço minhas as palavras da Maitê: «os portugueses são mesmo assim».

Doravante vou dedicar-me mais à escrita literária aqui neste blogue. Ficam então com este poema. Sempre é mais bonito do que dizer mal e talvez valha mais a pena.

Azeitonas do olival

Havia no verde uma promessa

Um fio de sol, um futuro

Caminho duro

Dum destino traçado e obscuro.

E entregou-se a azeitona

Ao esforço de crescer

Sem perguntar, sem saber

Que lhe reservara o porvir

Ser lume de candeia acesa

Fio de oiro

Que dá luz.
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escolha autarcas do seu tamanho

SE AINDA SE DÁ AO TRABALHO DE IR VOTAR VEJA LÁ SE AO MENOS ESCOLHE AUTARCAS DO SEU TAMANHO.   DEPOIS NÃO SE QUEIXE NEM DIGA QUE NÃO O AVISÁMOS.

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ganhar forças para novas lides

Fomos ganhar forças para novas lides. Boas férias (ou bom Verão) para todos os leitores e amigos.

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estou a ficar farto da Ministra da Gripe

A Ministra da Saúde não nos larga os ecrãs. Dia sim, dia sim lá vai mais um conferência de impressa para dar nota de mais uns casos de Gripe A. Parece não ter aprendido com o seu mal fadado antecessor que pela boca morre o peixe, nem conhecer o provérbio que ensina que em boca fechada nem entra mosca nem sai disparate.

Vai daí, abre a boca e toca de botar cá fora para fora a asneira. Ela até tem conhecimento que há gente de maus costumes e anti-social que anda a propagar a doença mas não diz nomes para não incomodar ninguém nem passar por bufa. O Pinto Monteiro que também, pobre coitado, não está de férias lá vai atrás e zeloso diz que vai analisar a denúncia. Acho que ainda vai arrolar a ministra como testemunha em mais um processo que será inconclusivo daqui a uns anos.

Falta aparecer a Judiciária que deve estar preste a desencadear a operação com nome de código «Espirro no catarro» que vai fazer o levantamento exaustivo dos tipos que passaram pelos Centros de Saúde algarvios e espirraram sem antes terem ligado a linha Saúde 24. Vão todos ficar certamente a aguardar julgamento com termo de identidade e residência acusados do crime de propagação de doença infecto contagiosa. 

Enfim esta gente lá sabe ao que anda. Com o Francisco George mais meia DGS (Direcção Geral de Saúde) a banhos e o governo inteiro de férias estes coitados devem ter sido encarregues de fazer este frete. E lá vão martelando a ideia que o governo e as autoridades estão sempre presente e prontas a zelar pelos portugueses. Como se a gente não soubesse já o que a casa gasta.

Se o governo quer mesmo ser envolvido nesta campanha era preferível pôr os ministros a fazer uns sketches publicitários que passariam enquanto estes se encontrassem de férias. Deixo sugestões. O Augusto Santos Silva no Parlamento a limpar as maçanetas das portas enquanto grita «Façam como eu. Malhem no vírus da Gripe A. Grande Limpeza».

Ou a Lurdinhas a entrar numa escola, a cumprimentar os professores a mais de um metro e a dizer «Mantenha-se sempre a mais de um metro de gente suspeita. Atchim». Porque não ressuscitarem também o Correia de Campos e apresentarem-no a dividir comprimidos de Tamiflu na mesa da cozinha rodeado de criancinhas enquanto vai dizendo «No poupar é que está o ganho. Divida em pedacinhos os comprimidos que chegam para a família toda».

Chega. Basta. Há alturas em que dá vontade de dizer a um governo destes como disse o Rei Juan Carlos ao presidente Chavez «por que no te callas?».

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socialistas da Sé - malhar em vez de votar

A eleição do secretariado da secção do Partido Socialista da freguesia da Sé no Porto acabou ontem da pior forma. Os socialistas envolveram-se em cenas de pugilato quando procuravam eleger o seu secretariado tendo feito voar pelo ar cadeiras e mesas deixando parcialmente escaqueirada a sede da secção. Um dos potenciais candidatos a cabeça de lista pelo PS à Junta de Freguesia acabou mesmo com o nariz partido pelo seu adversário político, o actual presidente da Junta de Freguesia da Sé. A Policia tomou conta da ocorrência, uma cena típica de faroeste onde não faltaram familiares e capangas arregimentados por cada uma das facções.

 

Dirão alguns que se trata de uma idiossincrasia local, de uma disputa de gente arruaceira com sangue na guelra e uns copitos a mais própria do microcosmo que é o Bairro da Sé no Porto. Nada de mais errado. Os socialistas têm esta propensão para malhar inscrita no seu código genético.

 

Que o diga Francisco Assis que foi enxovalhado e corrido a baldes de lixo pelos seus próprios correligionários quando procurava amainar uma disputa entre facções em Amarante. E quem já se esqueceu da pancadaria armada pelo socialista Narciso Miranda na lota de Matosinhos, durante a campanha para as Europeias em 2004, que acabou por provocar um ataque cardíaco fatal ao Professor Sousa Franco apanhado no meio da refrega.

 

A propensão dos socialistas para malhar está inscrita no seu código genético desde as bases até às cúpulas. É um estilo de fazer politica. Os autarcas da freguesia da Sé mais não fizeram agora do que dar continuidade a essa tradição antiga dos socialistas pondo em prática esse gosto que nem mesmo o Ministro Augusto Santos Silva teve vergonha de assumir perante o Secretariado Nacional. Eles gostam de malhar.

 

Gostam de malhar e ameaçam quem se mete com eles. «Quem se mete com o PS leva» disse com toda a sua arrogância o ex-ministro socialista Jorge Coelho agora reconvertido em arrumador de contentores e mestre-de-obras na Mota-Engil. E quem não se lembram das palavras de Margarida Moreira, a Directora Regional de Educação do Norte que comparou os professores ao esparguete ameaçando esticá-los até os partir? Ou do gesto chifrudo do ex-ministro Manuel Pinho no Parlamento outra clara demonstração da forma arruaceira de fazer politica desta gente.

 

Os socialistas são assim. Estás lhes inscrito no código genético. Quando lhes falham os argumentos ou se sentem ameaçados foge-lhes o pé para o chinelo, arregaçam as mangas e lá vai disto. Malham. Nos outros ou entre eles. Quem não os conhecer que os compre.

 

Fonte:

 

http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Porto&Option=Interior&content_id=1329740

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quando é proibido amar

 

    fotografia de T. enviada por telemóvel

1.

Toia pára o carro mesmo à porta do Hotel. Entro, beijo-a e ela arranca. Digo-lhe: Leva-me para longe. Ela não diz nada. Acelera, contorna a rotunda e mete a direito na direcção de Ferreira do Alentejo. Vejo os campos amarelos à nossa volta e poiso delicadamente a mão sobre a sua perna. É lindo o teu Alentejo, digo-lhe ao ouvido baixinho como se não quisesse quebrar a magia. São tão diferentes os nossos mundos, meu querido. São sim meu amor e podíamos fazer deles um só para nós. Toia olha a estrada e não responde. Vai acelerando e travando e quando reduz o seu braço cruza o meu e sinto um arrepio a atravessar-me por dentro.Beringel surge ao longe entre o amarelo liso da paisagem. Olho-a e vejo-a concentrada na estrada. Em silêncio. Apagou-se-lhe aquele sorriso que eu não me cansava de lhe dizer ser o mais bonito do mundo. Entendo-a. Toia tem o seu mundo onde eu apenas entro como intruso. Não sei mesmo se alguma vez quis ser mais. Tive medo. A vila fica para trás. São nove e meia da manhã e já faz um calor imenso neste Agosto em que deixei Lisboa e a vida que levo para vir ter com ela. Toia gosto muito de ti, sabes não sabes? digo afagando-lhe o rosto e o cabelo que eu gostava de dizer-lhe ter a cor do verão. Sorri e diz que sim, que sabe. Mas os olhos cor de mel dela parecem-me hoje mais tristes.

2.

Conheci Toia por acaso. O destino colocou-nos lado a lado no Intercidades Faro-Lisboa. Reparei logo no sorriso que me deu quando pediu para se sentar no lugar que ficava ao lado do meu junto à janela. O sorriso mais bonito do mundo como me habituei depois a lembrar-lhe. Atravessámos o Alentejo falando do nosso amor por esse lugar onde o céu toca a terra. Nascera em Mértola e tinha crescido por lá. Depois casou e foi viver para Beja. Tinha uma vida normal, filhos e marido e era designer de interiores. Por isso viajava. Era a profissão que a fazia feliz. Trocámos números de telemóvel e despedimo-nos. Desde esse dia não parei mais de pensar nela. Vi-a atravessar campos de girassóis na primavera, sentar-se nas fontes no Verão, decorar a sua loja no Natal. Desesperava por um toque no telemóvel, uma mensagem dela. Dava as minhas aulas com o telemóvel no silêncio colocado sobre o tampo da mesa. Os alunos a principio estranharam o comportamento mas aos psiquiatras admite-se tudo. Olha o prof deve ter-se apaixonado não larga o telemóvel, ouvi uma vez comentar uma aluna, quando dava uma aula sobre desenvolvimento da criança. Tínhamos aquele código de honra de nunca ligar sem saber se o podíamos fazer. Tínhamos as nossas vidas e os nossos mundos tão diferentes. E tínhamo-nos um ao outro à distância.

3.

Tomamos café aqui? Queres conhecer Ferreira? pergunta Toia. Digo-lhe que sim. Mas não me tocas querido. O Alentejo é muito pequeno e sorri então com aquele sorriso que é o mais bonito do mundo. O Ferro de Engomar é um café que fica em frente a um jardim na entrada da vila. Sentámo-nos numa mesa junto à vitrine. Nas outras mesas há mulheres a falar. Olham-nos de soslaio. Como me sinto importante nas terras pequenas. Estamos a dar nas vistas não? pergunto-lhe. Sim é porque és muito bonito, responde ela. Toia pede um bolo e um café. Eu apenas um café. Fico a olhá-la em silêncio. Quase não trocamos palavras. Depois saímos para a rua. A vila são algumas casas com uma estrada ao meio. Vou mostrar-te a Igrejinha das Pedras, diz Toia. O calor escalda. Sinto a paz que têm estes lugares. Passamos por um rua sem ninguém onde um cão dorme à sombra. Disparo a minha máquina e nem o ruído dos nossos passos ou o obturador o despertam. Avançamos entre as casas brancas por ruas sem gente. O sol queima os nossos corpos. Escorre pela face dela um pingo de suor. Apetece-me muito beijá-la, tomar-lhe a mão mas sei que não posso. Querida o que é aquilo? procuro-lhe incrédulo quando vejo aparecer aquela casa tão branca com um topo em abóbada crivada de pedras negras. Vamos ver. Espanta-te querido, diz Toia. Entramos e estamos dentro de um capela com um tecto muito azul bordado a ramagens brancas. Toia aperta-me a mão. Beijo-a.              

4

Paramos em Figueira de Cavaleiros. Outra vez aqueles olhos a poisarem em cima de nós. A fazerem nos sentir forasteiros ou será antes amantes escondidos? Toia dá-me a mão e entramos assim no restaurante. São mesas corridas e toalhas aos quadradinhos. Parece que entrámos num filme, digo-lhe a sorrir. Chegam as entradas e escolhemos o vinho. O telemóvel dela toca. Desculpa é o meu marido. Toia sai e fica lá fora parada a falar ao telemóvel. Ao sol brilha-lhe ainda mais o vestido verde de ramagens. Olho-a e reparo como o vestido lhe molda as formas e a faz parecer uma Vénus grega. Quando sopra uma aragem o cabelo solta-se. O teu cabelo tem a cor de verão costumava dizer-lhe. É linda mas não é minha, nunca vai ser, penso. O meu coração enche-se de uma tristeza imensa e tenho de fazer força para não chorar. Nunca me escondeu que era casada. Nunca menti quando lhe disse que era a minha alma gémea. Sabíamos bem o jogo que jogávamos. Sabes o que nos pode acontecer? Queres sofrer? tinha-me perguntado logo no principio quando nos começamos a encontrar. Não respondi. Já sofria.

5

Estou sozinho no meu quarto de hotel. O sol desce e eu fico a ver a luz desvanecer-se sobre os telhados de Beja. Vejo a Torre no cimo do casario e depois desço os olhos até ao teu prédio. Imagino-te a cozinhar, os teus filhos sentados ao computador e o teu marido vendo o telejornal. Porque haverias de trocar uma vida simples por um destino desconhecido? Porque não fui capaz de te dar essas asas que me pedias para voar? Descobri contigo o Alentejo que sempre tinha sonhado. Os campos na vastidão do amarelo, aquele céu que quase cega ao meio-dia quando é Verão, o silêncio. Aprendi os caminhos de terra batida e os limites dos corpos à beira de se entregarem. Ensinaste-me o prazer da espera até ao limite. Nunca fizemos sexo. E no entanto nunca estive tão à beira de o fazer. Dói tanto. Contigo descobri também que a beleza quando é imensa pode dar vontade de chorar. São as coisas simples que mais tocam o coração. Ouves? Oiço. É uma perdiz no restolho, olha vai levantar. Sinto uma força tão grande dentro de mim, dizias tantas vezes quando olhávamos o pôr-do-sol e ficávamos os dois com os olhos rasos de lágrimas. Porque não fui capaz de te dar a força que te faltou para voar? Olho a estrada que desce da cidade e desemboca na rotunda. A cada momento parece-me ver surgir o teu carro mas não. Hoje definitivamente percebi que nunca te poderei ter. Nunca? Misturam-se dentro de mim como num cadinho de emoções a beleza do lugar e a tristeza da perda. Saio da varanda e corro a cortina. Atiro-me sobre a cama e choro. Choro muito.     

A.P.

Almada, 23 de Julho de 2009          

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de férias em Lagos

O aroma das laranjas

Vem perfumado de sal

Na meia praia esquecida

Onde acaba Portugal

 

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o mar é nosso e Tróia também

Havia as dunas, a areia quente quando o sol batia a pino e os corpos que pediam sombra e companhia para deitar. E havia aquele azul todo atravessado de branco, espuma e bandos tardios de gaivotas. E pouco mais pedíamos nesse tempo. Ao calor do Verão vinha juntar-se o teu calor de corpos enlaçados, o suor caindo em bagas, crescendo em nós nos nossos corpos. Tínhamos tudo. Era nosso o mar, era nosso o céu, era nossa a liberdade. E sabíamos em Tróia que cavalos disfarçados ou traidores nunca haveriam de ter poder sobre nós. Amávamos e isso dava-nos a tranquilidade azul dos deuses remetendo as guerras para o espaço inútil do esquecimento. Nesse tempo éramos nós os heróis.

Vai-se tornando hábito usar este espaço para pedir a vós todos queridos visitantes e leitores que ajudem a salvar algo. Ontem os Jardins do Palácio de Cristal, hoje que assinem por Tróia esse espaço de nós todos que agora foi entregue a interesses privados que não deixam desfrutar às pessoas aquilo que é de todos. Tempos difíceis estes em que até o mar alguns querem ter só para o seu usufruto egoísta.

Deixo abaixo os links para a petição que vos peço para assinarem por Tróia e ainda um link para um filme premiado de Tiago Cravidão que mostra como os ofícios tradicionais do mar estão a ser destruídos porque está a ser roubado o mar aqueles que dele sempre viveram. Deixo também um link para a página da «Revista Rubra» que tem divulgado esta luta. É importante que toda a gente saiba disto e que toda a gente venha em defesa daquilo que é de todos nós.

Petição por Tróia a enviar ao presidente da Câmara Municipal de Grândola.

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N186

Filme de Tiago Cravidão:

http://www.dailymotion.com/video/x9n0mb_o-mar-e-nosso_news

Página da «Revista Rubra» com reportagens e notas sobre a campanha «O mar é nosso»

http://www.revistarubra.org/?cat=5
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salvar os jardins do Palácio de Cristal

Há lugares que por serem de tal forma belos devem permanecer intocáveis. No Porto, os Jardins do Palácio de Cristal, são sem dúvida um desses lugares. Os vários jardins, plantados na encosta sobranceira ao Douro, estão cheios de recantos onde há flores todo o ano. Os caminhos que atravessam o extenso parque, muitas vezes em escadaria, surpreendem-nos com pequenos lagos cheios de nenúfares a boiar.

Ali é possível em recolhimento olhar o Douro, descansar a vista sobre o Porto e Gaia, passear entre árvores centenárias, escutar a água caindo de velhas fontes de pedra ou ouvir o vento fazendo dançar as altas palmeiras da Califórnia, alinhadas como sentinelas, diante do rio. É um lugar como deve haver poucos no Mundo coroado pelo Pavilhão Rosa Mota.

Junto ao Pavilhão Rosa Mota existe uma esplanada surpreendentemente mágica. Fica ao lado de um lago que é rodeado por árvores centenárias e onde nadam patos habituados a virem comer ás mãos das crianças. Os pavões passeiam-se por entre quem toma café e às vezes, gaivotas mais atrevidas, disputam mesmo restos de comida que ficaram abandonados sobre as mesas surpreendendo os visitantes de primeira vez do jardim. Ao fim da tarde, da esplanada vêem-se os patos atravessarem o jardim em fila, direitos à relva, quase indiferentes aos passantes. Mesmo ao fundo fica uma das vistas mais deslumbrantes sobre o rio Douro e a Ponte da Arrábida.

É este lugar mágico que a Câmara do Porto quer miseravelmente desfigurar e entregar á iniciativa privada com uma pretensa «requalificação» do Pavilhão Rosa Mota. Se tal proposta chegar a ser concretizada, verificar-se-á não só uma alteração radical da área circundante do pavilhão (lago e tílias) por força da nova construção para eventos empresariais, como o município do Porto ficará detentor de apenas 20% do capital da nova sociedade gestora. À cidade rouba-se o seu património e espaço público, eliminam-se os seus espaços verdes e alimentam-se negócios, favorecendo privados.

Motivados pelo exemplo das movimentações cidadãs que impediram a demolição do Bolhão (mais de 50.000 cidadãs e cidadãos subscreveram uma petição ao parlamento) e temendo que se concretize a alienação de mais património ainda, alguns cidadãos e cidadãs do Porto lançaram um abaixo-assinado pedindo o fim imediato do processo agora aprovado e exigindo a salvaguarda do Pavilhão Rosa Mota e dos seus jardins como equipamento público para usufruto de todos numa cidade ecologicamente sustentada.

Ajuda a salvar este recanto mágico do Porto, cidade património da Humanidade, assinando a petição em:

http://www.petitiononline.com/rosamota/

Mais informações em:

http://pimentanegra.blogspot.com/2009/06/peticao-em-defesa-do-pavilhao-rosa-mota.html
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