SOL

vinheta VIII

Não sei se é só amizade

Este muito te bem-querer

Tamanha é a saudade

Quando não te posso ver.

 

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o artigo censurado de Mário Crespo- é preciso dizer basta

O artigo censurado de Mário Crespo segue abaixo. Portugal está a tornar-se numa república de bananas onde uns medíocres projectos de ditadores continuam a governar com a nossa conivência. Urge dizer basta.

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

 

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os comentadores da crise - economia e ilusionismo

Um texto muito interessante que acabei de encontrar on-line. A arte do ilusionismo está em distrair a atenção do espectador e esconder o que não deve ser visto. É exactamente o que fazem os analistas económicos e os comentadores politicos.

A propósito dos comentários sobre a crise

Desde o inicio de Novembro que vão aparecendo nos meios de comunicação social sucessivas levas de economistas, políticos, empresários, banqueiros e jornalistas a solo ou em painéis emitindo as suas opiniões sobre a grave situação económica de Portugal.

Com complicados exercícios de deve e haver misturados com gráficos e termos meio esotéricos pretendem demonstrar ao cidadão comum que o país está a caminho da falência. Pelo meio referem-se quase sempre, com intenção pedagógica, ao caso da Grécia que está um ainda pior e se prepara para iniciar um processo draconiano de reformas.

Soa um pouco a estranho que gente tão bem informada se esqueça por completo do exemplo da Islândia. É que este também é muito, mas mesmo muito, pedagógico. Se não vejamos. A Islândia entrou em colapso financeiro em 2008 mercê da economia de casino que praticou durante anos. As suas gentes vivem hoje mergulhadas num dia-a-dia cheio de dificuldades pelas quais não são responsáveis.

Os dirigentes políticos que foram, esses sim, responsáveis pela falência da Islândia preparavam-se agora para ceder às pressões dos governos da Inglaterra e Holanda. e pagarem enormes indemnizações aos investidores destes dois países que viram desaparecer o seu dinheiro na roleta económica que foi a Islândia dos anos antes da crise. Mas os islandeses disseram basta. E exigiram um referendo para serem eles a decidir. Os islandeses preparam-se para se recusar a pagar mais por uma crise pela qual não são responsáveis. Por isso da Islândia ninguém fala. E percebe-se bem porquê.

Não convêm que os portugueses saibam e comecem também a ganhar a consciência que devem recusar-se a pagar por erros que não cometeram. Que ponham em causa o auxílio aos banqueiros arruinados por operações especulativas. Que comecem a questionar os ajustes directos e as derrapagens orçamentais de milhões que enriquecem as empresas de construção e ajudam a financiar partidos políticos. Seria perigoso se os portugueses começassem a questionar as Parcerias Público Privadas onde o estado sai sempre a perder ou que apontassem o dedo aos responsáveis pelo desnorte que grassa na Administração Pública e permite coisas como a emissão de cheques falsos pelo Ministério da Justiça.

Seria perigoso se os portugueses se recusassem a aceitar o encerramento de mais serviços públicos ou começassem a reagir à degradação inaceitável da sua qualidade resultante do garrote financeiro que lhes vem sendo imposto por orçamentos cada vez mais restritivos.

Seria de facto muito perigoso se os portugueses dissessem basta. Se recusassem a degradação das suas condições de vida. Aos doutos economistas, políticos, empresários, banqueiros e jornalistas que nos invadem as casas através da televisão, das rádios e dos jornais interessa antes que a crise pareça uma catástrofe natural de que ninguém tem culpa, que a todos atinge e à maioria vai impor ainda mais sacrifícios. É este o grande exercício de ilusionismo que nos apresentam todos os dias.

NOTA - retirado da lista tertulia_liberdade e recebido via APD, a quem agradecemos. O original não se encontra assinado.

Retirado daqui:

http://blogosocialportugues.blogspot.com/2010/01/proposito-dos-comentarios-sobre-crise.html

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vinheta VII

As nuvens não deixam ver

No céu, o Sol que nasceu

Também eu não posso ter

Teu coração junto ao meu.

 

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assina contra a extradição dos independentistas bascos

Não à extradição dos independentistas bascos!

Os cidadãos, abaixo-assinados, vêm por este meio apelar aos tribunais e ao Governo português para que não permitam a extradição dos independentistas bascos Garikoitz Garcia e Iratxe Yanez para o Estado espanhol. Denunciamos as graves violações dos Direitos Humanos que sofreram, ao longo das últimas décadas, milhares de cidadãos bascos que, com ou sem participação na luta armada, foram detidos e submetidos a sessões de tortura. Executando-se a extradição, o Estado português ficará responsável pelo que suceder aos dois cidadãos bascos.

Várias entidades e organizações, entre as quais o Relator da Comissão da ONU contra a Tortura e a Amnistia Internacional, têm denunciado, ao longo dos anos, as sucessivas denúncias de tortura por parte de presos políticos bascos. Simulação de afogamento, asfixia através de saco, choques eléctricos nos genitais, tortura do sono e espancamentos são alguns dos métodos utilizados. Entre os milhares de casos destacamos alguns. Em 2001, Unai Romano saía com a cara irreconhecível de um interrogatório policial. Em 2004, foi publicado o relato chocante de Amaia Urizar, que num interrogatório viu o seu corpo ser violado com uma pistola. Em 2008, após ser detido, Igor Portu dava entrada no Hospital de Donostia com uma perfuração num pulmão.

Um Estado que tortura, proíbe partidos políticos e manifestações, fecha jornais e rádios e ilegaliza organizações juvenis e populares e que mantém os seus detidos durante mais de uma semana sem qualquer acesso a advogados, familiares ou cuidados médicos não pode ser considerado um Estado de Direito. Nesse sentido, correspondendo à Convenção da ONU contra a Tortura, não se pode extraditar ou permitir através de outras manobras o envio de Garikoitz e Iratxe para o Estado espanhol.

Portanto, os abaixo-assinados apelam aos tribunais e ao Governo português para que cumpram o artigo 7.º dos Princípios Fundamentais da Constituição da República Portuguesa: "Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados. (...) Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão".

Organização promotora: Associação de Solidariedade com Euskal Herria (País Basco)

Assina em http://www.petitiononline.com/ehpt1974

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vinheta VI

Nesta manhã de Janeiro

Só me aquece o coração

A saudade que é braseiro

A tua recordação.

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extraditar para a tortura não- um comunicado da ACED

Não é possível aceitar a extradição de pessoas sob tutela criminal para territórios sob a alçada de Estados que não respeitam os direitos humanos, como é o caso actual e infelizmente de Espanha

Durante o fim-de-semana foi anunciada a detenção de duas pessoas pela GNR, bem como foram anunciadas conversações entre os governos de Espanha e Portugal para uma extradição dos detidos para Espanha.

A ACED chama a atenção para o facto de haver, desde 2003, um contencioso entre o Estado espanhol e a ONU, através dos sucessivos relatórios e pareceres dos Altos-comissários da ONU responsáveis pela vigilância do respeito dos tratados internacionais contra a tortura.

No essencial pode resumir-se o contencioso ao facto de os governos espanhóis, do PP primeiro e do PSOE no poder desde essa altura, se recusarem a acatar as recomendações de implementação de medidas de prevenção, assim como acabar com o estatuto do incomunicado, sob cuja cobertura centenas de queixas anuais chegadas às organizações de direitos humanos (não apenas as dos país Basco, mas de todas as regiões de Espanha, envolvendo nacionais de todas as nações espanholas) denunciam as torturas infligidas a mais de metade das pessoas que são levadas pelas polícias, sem informação às famílias ou acesso a advogados por muitos dias.

À União Europeia não basta clamar pelos direitos humanos. É indispensável que lute para a sua defesa, nomeadamente acatando os procedimentos previstos nos tratados internacionais livremente subscritos pelos Estados e que, como qualquer contrato, devem ser para respeitar (ou não será assim?). Infelizmente não é o caso dos sucessivos governos espanhóis. E por muita simpatia que possa existir – e é bom que exista – entre os dois governos e os povos que coabitam na Península Ibérica, não é aceitável que o governo português aceite fingir de surdo e cego aos apelos infrutíferos da ONU para a prevenção da tortura, sob a cobertura legal de tratados a que Portugal está também vinculado por vontade própria. Ao governo português resta, para manter a dignidade do Estado neste aspecto, fazer sentir ao Estado espanhol que o respeito do direito internacional e da Convenção Contra a Tortura, em particular, é uma questão de honra para a União Europeia e de identidade civilizacional que há que respeitar e aprofundar. Não é possível aceitar a extradição de pessoas sob tutela criminal para territórios sob a alçada de Estados que não respeitam os direitos humanos, como é o caso actual e infelizmente em Espanha.

A Direcção da

Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento (ACED)

http://iscte.pt/~apad/ACED/

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boas entradas em 2010

BOAS ENTRADAS

fotografia de josep: iluminações no Porto Janeiro de 2009

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grandes superficies-patrões ou terroristas?

Patrões ou terroristas

Hoje em dia fala-se muito de terrorismo. Da Al Quaed e de Bin Laden pela capacidade que têm de destruição e de ameaça à vida e ao bem-estar das pessoas. Mas esquecem-se dos terroristas do quotidiano. Aqueles que exercem a coação, criam o medo, espezinham as leis e destroem lentamente a vida das pessoas.

Contra esses nem as polícias, nem os estados, nem os tribunais se parecem preocupar. Agora compreendo bem aquele trabalhador dos escritórios de uma grande superfície que um dia com um simples vírus informático provocou enormes estragos no sistema de gestão de stocks ou a operadora de caixa que quando percebeu que ia ser despedida se passou a esquecer de registar um produto de vez em quando oferecendo uma prenda aos clientes. Ou até os que roubam sistematicamente nas grandes superfícies.

Quando se aviam num supermercado, quando fazem as vossas compras não se esqueçam que aquelas pessoas que vos atendem podem estar a ser vítimas de um terrorismo bem mais subtil e perigoso do que aquele com que se abrem os telejornais. Porque mexe com as suas vidas e o seu quotidiano. E porque acontece todos os dias e fica impune. E já agora porque não começar a pensar em boicotar as grandes superfícies que tratam assim os seus trabalhadores? É que até podemos comprar noutros lados.

Leiam a reportagem do jornalista Paulo Mora do Público e depois digam se não tenho razão:

 

Nos hipermercados, trabalha-se muitas horas seguidas. Chegou até a estar marcada uma greve para hoje, que foi desconvocada. Mas quem são? Como é o seu dia-a-dia? Fomos falar com eles, na véspera do Natal

Marisa (*) abre e fecha a boca como quem está a dizer qualquer coisa. Ali, na balança, não é suposto fazerem-lhe perguntas, mas fazem. "Os alhos estão ali junto às cebolas", é o que os lábios dela pronunciam. Mas o que se ouve é: "..." Perdeu a voz por trabalhar demasiadas horas no bacalhau. "Senha 62!", gritava, em frente ao cartaz que classifica o bacalhau e o Natal de cada um dos clientes que enchem completamente o hipermercado. "Miúdo. Corrente. Crescido. Graúdo. Especial." Avançava para a serra eléctrica com o peixe seco na mão. "Em postas finas? São 35 euros. Senha 63!" Nove horas seguidas. No turno seguinte estava, afónica, a pesar os vegetais.

"Ontem deixei cair uma palete no pé", queixa-se Ana, mais de 40 anos, óculos grossos, farda e boné brancos, enquanto arruma os pacotes de frutos secos. "Mal consigo andar. Mas agora não posso fazer folgas. Só daqui a duas semanas."

Filomena está há 10 horas seguidas na caixa. "Alô? Boa tarde? Não, não é para dizer boa tarde. Não há razão para dizer boa tarde. É que estas beterrabas não têm cadastro. Passo-as e não regista. Podes vir aqui?"

Os produtos têm um código de barras, e o trabalho de Filomena é passá-los num scanner e metê-los num saco. Cada vez que o faz, a leitura óptica processa instantaneamente a informação de preço e características e envia-a para a área de gestão de stocks. Ao mesmo tempo, o sistema está a detectar automaticamente as variações no comportamento dos clientes, os seus hábitos de consumo, concretos e potenciais.

Filomena está a recolher toda esta informação, sem saber. "Se houver greve, eu não faço. Já me avisaram que as chefias vão ter de comunicar à gerência quem foram as trabalhadoras que faltaram. E depois, quando for para renovar o contrato..."

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) não sabe ao certo quantos trabalhadores no sector da grande distribuição estão numa situação de precariedade. Mas o número situa-se entre os 30 e os 40 por cento dos quase 90 mil empregados das empresas da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). Têm contratos a termo, a seis meses, que são ou não renovados consoante os gerentes estão satisfeitos. E eles são difíceis de satisfazer, a julgar pelo elevado índice de "rotatividade" no sector. Num hipermercado, onde podem trabalhar de 200 a 400 pessoas, quase todos os dias surgem operadores novos nas caixas.

 

Um "saco de horas"

Os trabalhadores da APED têm horários flexíveis. O sistema, acordado entre as empresas e os sindicatos, permite trabalhar 40 horas semanais, em jornadas de 8 horas, ou mais. Isto em teoria. Na prática, diz Elisabete Santos, da direcção do CESP, os operadores já fazem 50 horas semanais, que deveriam ser compensadas cada 8 semanas. Mas essas folgas extra raramente são gozadas. Passam para um "saco de horas" eternamente adiado. Segundo o CESP, a alteração que a APED quer agora introduzir não será mais do que a legalização dessa situação de facto.

Em períodos "especiais", como o Natal, os trabalhadores chegam a estar 14 horas seguidas ao serviço. Almoçam e jantam o que trazem na marmita, na sala dos funcionários, e voltam ao trabalho. Quando estão em locais de função ininterrupta, como na caixa, têm direito, teoricamente, a 10 minutos para irem à casa de banho. Na prática nem sempre conseguem substituição e, sim, é verdade que há muitos casos em que urinam ali mesmo. Numa reunião com as chefias, que alguém relatou a Elisabete Santos, chegou a ser sugerido que as operadoras usassem fraldas. Quando vão à casa de banho, não é raro haver uma câmara à entrada, para controlar o tempo que passam lá. Mas a pressão não acaba aí. Em vários hipermercados, há câmaras colocadas nas áreas de pessoal, e as trabalhadoras têm as malas revistadas à entrada e à saída. Em alguns, como os do grupo Auchan, há um semáforo aleatório na porta. Verde, pode seguir. Vermelho vai à revista. Noutros, como no Pingo Doce, existe o chamado "Stop aos cacifos", em que os compartimentos privados dos trabalhadores são abertos e verificados.

 

Horário "de bolso"

Mas, além da extensão das jornadas de trabalho, os seus horários podem ser alterados a cada dia, consoante as conveniências do serviço. Uma coisa é o "horário afixado", outra é o informal "horário de bolso". Este é o que pode ser alterado de véspera, convocando o trabalhador para o dia em que tinha marcada uma folga, ou prolongando o trabalho até às 10 ou 11 da noite. Legalmente, hoje em dia, isto não pode ser feito. Mas é. Segundo a proposta da APED, esta prática passaria a ser legal.

Para muitos trabalhadores, é impossível viver assim. Ou por terem filhos, ou por viverem longe e precisarem de 3 ou 4 horas por dia para os transportes, ou porque, à hora em que saem, já não há autocarros nem comboios, acabam por aceitar, "voluntariamente", um regime de part-time, com metade do salário. Há supermercados em que todos os operadores de caixa trabalham em part-time.

Raquel tem um filho de 9 anos, que entra às 8h00 na escola e sai às 18h. Se os horários fixos forem cumpridos, tudo corre bem. Raquel levanta-se às 6h30, deixa o filho na escola às 7h30 e vai para o trabalho, no Lidl, às 9h00. Ou então entra às 7h00, deixa o filho com a mãe às 6h00, para ela o levar à escola. Nestes dias, Raquel, como sai às 16, pode ir buscar o filho. Nos outros sai às 22, ou mais tarde, pelo que tem de pedir à mãe que vá buscar o filho. Mas a mãe trabalha, também com longos horários, tal como o marido de Raquel, que é motorista e nunca sabe a que horas chega a casa. Ou seja: se o horário de Raquel é alterado na véspera, a sua vida torna-se num caos.

Não era assim quando entrou para a empresa, há 13 anos. Solteira, sem filhos, cumpria qualquer tipo de horário. Era a trabalhadora perfeita. Podiam pedir-lhe que trabalhasse mais horas, que saísse tarde, que não fizesse folgas. Os gerentes gostavam daquela disponibilidade e ela habituou-os mal. Quando, depois do nascimento do filho, começou a pedir mais estabilidade, isso foi mal visto. Entrou em conflito com as chefias e foi transferida para outro supermercado. Mais tarde, ao puxar uma palete de frescos, fez uma hérnia na coluna. Ficou sete meses em casa e voltou, com indicações médicas de não levantar pesos. De então para cá, têm-se sucedido os processos disciplinares.

"Não lhes interessa terem pessoas mais velhas, com filhos, e muito menos com problemas de saúde, ainda que tenham sido causados pelo trabalho", diz Raquel. "Preferem mandar-nos embora, a nós que já ganhamos mais, para darem emprego a raparigas novas. Por isso começam a fazer pressão, até desistirmos."

 

"Trabalho, casa, trabalho"

Uma operadora de caixa em início de carreira ganha o salário mínimo, 450 euros. Mas todos os anos é promovida automaticamente, até chegar ao topo, oito anos depois. Ganha então 605 euros, como operadora especializada.

E a ambição pessoal fica por aí. A menos que consiga entrar para as chefias. O salário pode então subir aos 811 euros, no caso de um chefe de secção, ou, no de um gerente de loja, aos 1129 euros. Mas a estes cargos já não se chega por antiguidade. É preciso ser convidado, mediante opinião favorável dos gerentes, o que apenas se obtém com anos de uma atitude de docilidade e obediência, abdicando voluntariamente de direitos. Atitude que quem é casado e tem filhos dificilmente consegue manter.

"Eu queria casar, desde muito nova", diz Marília, operadora de caixa no Pingo Doce. "Casar e ter filhos. Estava farta de viver em casa dos meus pais. Queria ter liberdade, ser independente. Mas agora tenho dois filhos e mal os vejo. É só trabalho, casa, trabalho. Praticamente não tenho vida. Mas que hei-de fazer? É preciso ir aguentando."

Marília não é sindicalizada porque acha que isso lhe traria problemas. Segundo a delegada sindical Elisabete Santos, muitas das quotas do CESP são cobradas em dinheiro, e não descontadas no salário, para que os gerentes não saibam. "No Continente, há muito medo de pertencer ao sindicato, mas o pior é no Corte Inglés", de onde o sindicato recebe, diz, muitas queixas de abusos e até de assédio sexual.

À pergunta "Se a empresa exigir 50 horas semanais e flexibilidade permanente de horário seria capaz de fazer greve?", a resposta de Marília é: "..."

(*) Marisa, Ana, Filomena, Raquel e Marília são, por pedido das entrevistadas, nomes fictícios

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/24-12-2009/em-postas-finas-sao-35-euros-senha-63-nove-horas-seguidas-18478149.htm

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a todos boas festas

BOAS FESTAS

O postal foi retirado daqui. Vale a pena espreitar.

http://brazilpostcard.com/mainbraz.html

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aminetu haidar regressou a casa

Aminatu Haidar já está em casa. Depois de 34 dias em greve de fome, a activista saharauí pode finalmente regressar a casa em El Aaíun no Sahara Ocidental e juntar-se à sua família.

Ainda que o caso de Aminatu Haidar esteja resolvido as autoridades marroquinas mantêm presos outros sete activistas dos Direitos Humanos e um jornalista. Todos eles estão presos apenas por exercerem o seu direito de livre opinião.

A Amnistia Internacional continua a recolher assinaturas para conseguir a sua libertação imediata e pede que se divulgue esta iniciativa. Informa os teus amigos para que assinem esta petição. Para que os oitos prisioneiros possam também regressar para junto dos seus como Aminetu Haidar.

aminetu haidar

MANIFESTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA DIA 15 PELAS 18.30 EM FRENTE AO CENTRO JEAN MONET EM LISBOA. 

VÍGILIA HOJE ÀS 18.30 NA AVENIDA DA LIBERDADE EM FRENTE AO CONSULADO DE ESPANHA

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flores de aniz apanhadas em Baiona na Galiza

Flores de Aniz colhidas em Baiona na Galiza. Uma cortesia de Josep que as enviou para me confessar as suas saudades. Também tenho saudades tuas amigo. Quando voltares sabes onde me encontrar.

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Hospital de Guimararães, gripe A e o país do faz de conta

Hospital de Guimarães, gripe A e país do faz de conta

Os acontecimentos no Hospital de Guimarães do último Sábado são o espelho do que se passa no país em termos de saúde. Querem convencer-nos que urgência deste hospital se tornou caótica por causa da Gripe A. Nada de mais falso. Senão vejamos.

A equipe médica estava reduzida porque faltaram alguns dos elementos escalados. Desde há meses que esta e muitas urgências no país estão entregues a médicos contratados por empresas fornecedoras. Esses médicos sem vínculo contratual ao serviço público e mal pagos faltam com frequência. Diga-se em verdade que nada os impede pois são meros prestadores de serviços. Para quem defendia as virtudes do outsourcing (contratação externa) os resultados estão à vista. Poupa-se dinheiro porque pagar aos médicos do quadro as horas da urgência sairia muito mais caro mas situações lastimáveis como esta são a cada dia que passa mais frequentes.

Claro que pouco se fala disto porque não convêm e este ano a Gripe A tem costas largas. Como também pouco se fala das unidades que faziam atendimento de urgência à volta de Guimarães e foram sendo encerradas ou viram os horários reduzidos. Resulta pois patético o apelo da Ministra para os doentes recorrerem aos Cuidados Primários. A quais pergunto eu? Ainda não se deve ter apercebido do que o seu antecessor mandou fechar por aqueles sítios. A centralização das urgências que está em curso poupa dinheiro efectivamente mas pode gerar os caos como ontem aconteceu.

Em Guimarães como em quase todo o país os doentes suspeitos de Gripe não são atendidos separadamente dos restantes doentes da urgência. Só hoje se apressaram a abrir um atendimento separado para os suspeitos de gripe. Na região da grande Lisboa existem atendimentos de Centros de Saúde que ainda tentam separar os doentes até uma certa hora ou nos dias úteis mas depois é tudo à mistura.

Ontem em Guimarães foi tudo ao molho e fé em que a gripe até é benigna. Isto contraria as normas emitidas pela Direcção Geral de Saúde mas nunca se ouvi uma palavra do senhor Director Geral sobre este assunto. As normas até se escrevem, muitas vezes traduzidas «ipsis verbis» dos manuais internacionais, mas como depois não se podem ou não se querem fazer cumprir faz-se de conta que está tudo bem. Realmente vivemos num pais de fantasia tutelado por mentirosos.
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uma anedota-Sócrates, escutas e sexfone

A tradição já não é o que era. Tenho amigos que se gabam de fazer sexfone com as namoradas no outro lado do mundo e sei de alguns que são mesmo viciados em chats de sexo. Com camera ou sem ela, às vezes só com um telefone e lá vai disto. Fazem sexo. Um deles tornou-se mesmo viciado no chat da TVI para o qual vai enviando sms com um número de telemóvel.

Diz que já conheceu assim muitas mulheres. Sexo real nem por isso, dois ou três encontros mais nada. Mas conversas eróticas ao telemóvel é todas as noites. E lá vai vivendo a sua solidão. Há gostos para tudo. Quem não tem cão caça com gato, diz ele. Deve haver muita gente assim e o mundo virtual dá para tudo.

Imagino que o nosso primeiro-ministro também sinta essa solidão e de vez enquanto agarre no telemóvel e queira imitar o Clinton que fazia sexfone com a Mónica Lewinski quando não a apanhava na Sala Oval. Ainda se lembram? Pois é.

Acreditem. A verdadeira razão pela qual o Supremo Tribunal de Justiça decidiu destruir as gravações das conversas do Primeiro-ministro só pode ser esta…   

Sabem porque foram destruídas as escutas do Sócrates?

Porque eram de sexfone. Estava a brincar com a Vara ao telefone.
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