SOL

CASAMENTOS GAY

I

Tudo isto dos casamentos gay é um disparate do princípio ao fim. E é preciso dizê-lo e repisá-lo nua e cruamente.

Começa pela ficção, que a própria anatomia inequivocamente desmente, de se tomar por saudável um evidente distúrbio, seja ele congénito (rarissimamente), ou um hábito, vício ou opção.

Segue-se a ficção de que o actual casamento é discriminador. Mentira. Um homossexual já tem direito a casar como qualquer outro cidadão. O contrato de casamento não discrimina ninguém. Simplesmente, como em todos os contratos, por razões puramente pessoais (indiferentes para a lei) pode ter-se, ou não ter, interesse na celebração. Se um homossexual ou um impotente não querem casar por tal motivo, podem querê-lo por outro motivo qualquer (razões fiscais ou económicas, por exemplo) e o contrato continua à sua disposição. Tudo depende das suas vontades, não da lei.

Dir-se-á que, assim sendo, se torna necessário um outro contrato similar compatível com esse particular interesse dos homossexuais. E a gente pergunta porquê; e por que não também equivalentes interesses dos bissexuais e dos polissexuais. (Curioso que tal matéria já nem se analisa: apenas se discute o nome a dar ao contrato! Minado o terreno, os inadvertidos caem como tordos e os movimentos gay já ganharam meia batalha…)

As uniões homossexuais têm alguma utilidade social? Não vejo. Nem sequer para aumento da natalidade …

E – suposto que a homossexualidade merecesse alguma consideração especial! – qual o interesse, para os próprios contraentes, em que tais uniões se considerem casamentos ?

De se entregarem aos seus deleites, ninguém os impede… Por outro lado, já a comunhão de vida está prevista na lei, independentemente do sexo e da formalização, para efeitos fiscais e muitos outros (Lei nº 6/2001, de 11 de Maio)…

O que resta? Resta que toda a campanha assenta no desejo incontido de auto-justificação – que o mesmo é dizer, no propósito de que, no conceito geral, o seu desvio seja tido como normal; e na aversão a quaisquer considerações morais no domínio do sexo, o deus da “modernidade”.

E quando choram, disfarçados de vítimas, nós dizemos: “coitadinhos, deixa lá”…

E família passa a ser outra coisa.

II

PORQUE NÃO, SE DOIS HOMOSSEXUAIS SE AMAM?

 

A lei não sabe o que é amor. O contrato de casamento nem quer saber. E o conservador tem-lhe raiva.

Vão uns normais pombinhos à conservatória e explicam: - “Desejamos casar apenas por razões económicas”. Conservador: - “Vou conferir a papelada.” E outros nubentes: - “Sabe…motivos políticos…” Conservador: - “Estou disponível a 15 do corrente”.

E assim é que está certo.

Nem o contrato de casamento se destina a celebrar paixões, nem o legislador que o gizou era tão tonto como os governantes da “modernidade”. Deixou as palpitações do coração para os médicos e os poetas.

Não se alegue, pois, que o “amor” constitua, por si, fundamento jurídico, ou justificação para o casamento! O simples amor que possa surgir entre dois indivíduos, de um só ou de ambos os sexos, é lixo para o contrato; é completamente destituído de interesse para a lei.

Porque a função do contrato é bem outra.

O exclusivo fito do contrato de casamento é a fria e interesseira regulação, salvaguarda, estímulo ou o que se queira, da natural coesão social dos laços de sangue, efectivos ou potenciais, resultem eles do afecto, do divertimento, da conveniência ou do puro impulso animal. Porque aí reside a célula-mor da organização social. Laços esses, que eu saiba, só homem e mulher originam. O resto é treta.

Consta, no entanto, que os nossos governantes souberam da descoberta de uma pílula reprodutora. Que coisa admirável é o progresso!

Publicação: Monday, November 16, 2009 5:25 PM por filosorfico
Arquivado em:

Comentários

# re: CASAMENTOS GAY

Wednesday, November 18, 2009 12:40 AM por Aqua1986

"Começa pela ficção, (...) de se tomar por saudável um evidente distúrbio, seja ele congénito (rarissimamente), ou um hábito, vício ou opção."

A verdade é que só o senhor é que lhe atribui essa categorização, indo contra o que pensam organismos como a Organização Mundial de Saúde, a AAP (Associação Americana de Psicólogos), bem como qualquer outro organismo de saúde nacional ou mundialmente creditado. Aposto até que o seu diagnóstico deve ter receituário.

# re: CASAMENTOS GAY

Wednesday, November 18, 2009 12:49 AM por Aqua1986

"Segue-se a ficção de que o actual casamento é discriminador. Mentira. Um homossexual já tem direito a casar como qualquer outro cidadão. O contrato de casamento não discrimina ninguém. "

O senhor também tem direito a ter um carro e conduzi-lo no Algarve (supondo que o senhor não é do Algarve) e o senhor também tem o direito de passar férias num quintal debaixo da IC2, no entanto não é limitado a uma condução apenas no Algarve, nem é limitado a umas férias apenas no quintal da IC2... Outros são. Se é que me entende... Para si, que o modelo ideal é casar-se com uma senhora (ou passar férias num quintal da IC2) para outros pode não ser esse o exemplo de concretização, e não lhes vamos barrar o acesso à sua felicidade apenas porque o senhor gosta da poluição no IC2.

"Se um homossexual ou um impotente não querem casar por tal motivo, podem querê-lo por outro motivo qualquer (razões fiscais ou económicas, por exemplo) e o contrato continua à sua disposição. Tudo depende das suas vontades, não da lei." Não, depende da lei que não prevê o acesso às regalias e deveres que outras pessoas têm ao poderem contrair o casamento.

# re: CASAMENTOS GAY

Wednesday, November 18, 2009 12:56 AM por Aqua1986

e por que não também equivalentes interesses dos bissexuais e dos polissexuais. (Curioso que tal matéria já nem se analisa: apenas se discute o nome a dar ao contrato!

O senhor precisa de uma instrução urgente... Primeiro, os bissexuais são pessoas que ou gostam de uma pessoa de um sexo, ou gostam de pessoas do outro sexo... Não andam com duas pessoas ao mesmo tempo... :X esse comentario confesso que me deixou de boca aberta, qual o tamanho de falta de conhecimento...

"Minado o terreno, os inadvertidos caem como tordos e os movimentos gay já ganharam meia batalha…"

Aí está o seu problema... De alguma forma, julga que o seu papel, ou a sua vida será reduzida no meio desta coisa toda... Ou tem receio de algo que eu não consigo perceber... Quanto no muito, o senhor não se aprecebe que os gays existem, e que vão continuar a existir, e que em nada alteram a sua vida. São uma ameaça para si? Ameaça porquê?

# re: CASAMENTOS GAY

Wednesday, November 18, 2009 1:01 AM por Aqua1986

"E – suposto que a homossexualidade merecesse alguma consideração especial! – qual o interesse, para os próprios contraentes, em que tais uniões se considerem casamentos ?

De se entregarem aos seus deleites, ninguém os impede… Por outro lado, já a comunhão de vida está prevista na lei, independentemente do sexo e da formalização, para efeitos fiscais e muitos outros (Lei nº 6/2001, de 11 de Maio)…"

Finalmente um ponto inteligente no seu texto, uma questão pertinente e que tem o seu mérito... Mas então eu informo-lhe: há diferenças entre o casamento civil e as uniões de comunhão de vida (como o senhor lhe chama) ou uniões de facto.... Como é óbvio, senão não eram duas coisas diferentes... E que diferenças são essas? Direitos!

Efeitos sucessórios

Regime de bens

Regime de dívidas dos conjuges

Regime de dissolução

Chega?

# re: CASAMENTOS GAY

Wednesday, November 18, 2009 1:06 AM por Aqua1986

"E família passa a ser outra coisa."

A família já é outra coisa... E fechar os olhos a isso é querer tapar o sol com a peneira. Não existe já um modelo de família, só de pais e filhos. Há famílias monoparentais, há famílias em que os netos são criados só pelos avós, há famílias só de irmãos, há pais ou mães solteiras, assim como há famílias homossexuais (irmã e mãe) e famílias homossexuaiss em que os intervenientes amam-se e têm relações sexuais entre si... Do qual o senhor ainda julga que deve impor o seu modelo a alguém....

# re: CASAMENTOS GAY

Wednesday, November 18, 2009 1:08 AM por Aqua1986

"A lei não sabe o que é amor. O contrato de casamento nem quer saber. E o conservador tem-lhe raiva.

Vão uns normais pombinhos à conservatória e explicam: - “Desejamos casar apenas por razões económicas”. Conservador: - “Vou conferir a papelada.” E outros nubentes: - “Sabe…motivos políticos…” Conservador: - “Estou disponível a 15 do corrente”. "

Que eu saiba todas as pessoas que eu conheço querem-se casar porque se amam!!!!

Se o senhor se casou (se é que se casou) por interesse, isso é algo que só lhe diz respeito. Mas mais uma vez, quem é o senhor para impor o seu modelo de vida?

# re: CASAMENTOS GAY

Wednesday, November 18, 2009 1:14 AM por Aqua1986

O erro nisto tudo, é muita gente julgar pensar que pode ter opinião (mesmo que não informada, não fundamentada, sobre todos os assuntos).. e a isso se chama pre-conceito (sem hifen) Porque como a propria palavra o indica, fazem um conceito antes (pre) de conhecerem a realidade!!!

Um saudoso abraço. E espero que o senhor se aperceba que não é ninguém para talhar o destino nem a felicidade de outros... Por isso faça como eu, e redima-se à sua simplicidade, as leis, são os políticos que as fazem, e os juizos, os juízes.

# re: CASAMENTOS GAY

Thursday, November 19, 2009 1:34 AM por filosorfico

Respostas a Aqua

Comentário 1  Também me quer parecer que, maioritariamente, a homossexualidade não será uma doença, mas vício adquirido, voluntária ou involuntariamente. Condiz. Do que não tenho dúvida é de que contradiz a evidente função dos aparelhos reprodutores de homem e mulher. Êsses conheço. De qualquer maneira, desajustamentos não devem ser incentivados e consagrados em contrato.

Comentário 2  Não percebeu. Repiso, por outras palavras, o que, afinal, já consta do post comentado:

TODO o cidadão (e, portanto, sem discriminação alguma) tem direito a unir-se ao sexo oposto pelo casamento, com todos os efeitos que daí resultam. NENHUM cidadão (e, portanto, sem discriminação alguma) tem direito a unir-se pelo casamento a pessoa do mesmo sexo.

Ora, uma coisa é o direito de acesso a um contrato previsto na lei; outra coisa, inteiramente diferente, é a conveniência ou inconveniência que pessoalmente se tenha no recurso ao mesmo. É natural, por exemplo, que um impotente não tenha interesse em casar; mas pode tê-lo (como, aliás, um homossexual), por razões outras. E ninguém o impede. De qualquer modo, UMA COISA É O DIREITO QUE SE TEM; OUTRA, O INTERESSE QUE HAJA NO SEU EXERCÍCIO. Como em qualquer outro contrato.

O passe de ilusionismo gay consiste em fazer com que o espectador confunda facilmente estes dois aspectos. Como o homossexual não tem interesse no sexo oposto (mas, antes, prefere pessoa do mesmo sexo), a razão do desinteresse é falsamente transmudada em impedimento.

Comentário 3  Quanto aos bissexuais, se é tudo de uma vez ou sucessivamente, não sei. Não fui espreitar. O que conta para aqui é que têm apetite para dois pratos â mesa. O resto é um meu alerta para os incautos: faço o mesmo com o Professor Karamba.

Comentário 4  O que querem sei eu: querem casar com tudo o que daí resulta. A  questão é se tal se justifica. Todas os aspectos que enumera têm solução satisfatória, com irrelevantes diferenças, fora do casamento (testamentos, doações, etc), mas já não dou consultas. E querem casar para se divorciarem ?!

Comentário 5   Juridicamente, que se saiba, família ou é constituída por pessoas ligadas por laços de sangue ou pelo casamento. Nisso, nada mudou. O que essencialmente mudou foi a facilidade com que se casa e descasa. E quanto às pouca-vergonhas, acha que são timbre da “nova família” ou que dão mérito à vossa pretensão?! Tanto ainda não, graças a Deus!

Comentário 6   Só por amor… Não me falou atrás em heranças, sucessões, dívidas, coisas assim prosaicas?

Comentário 7  Ninguém se conhece, não é?...Retribuo o abraço e agradeço a oportunidade que me deu de esclarecer mais una vez o assunto.

# re: CASAMENTOS GAY

Sunday, November 22, 2009 5:53 PM por Aqua1986

Comentário 1 - Quer me convir que o senhor não pratica certos comportamentos sexuais, porque como refere, a sua boca, nem outras partes do seu corpo não são órgãos com funções reprodutoras... Ok. Compreendo, no entanto, como o próprio senhor afirmou e eu sublinho e acrescento: ainda bem que nem a sexualidade e nem como cada um a vive é objecto de contrato nem de legislatura jurídica. O que está em causa em parte é o reconhecimento jurídico de uma realidade, que em muito ultrapassa o que se faz só numa cama.

Fala-me em transmudar, mas é o senhor quem muda uma realidade para um aspecto simplório da vida de um casal. A essência da homossexualidade não está naquilo que eles fazem na cama, nem como a essência da heterossexualidade. Só no seu mundo é que as pessoas se casariam (salvo os impotentes, alvo da sua solidariedade) com o objectivo ou o fim do sexo.

Comentário 2 - Não vale a pena repetir-me.

Comentário 3 - Aposto que a sua heterossexualidade lhe dá um conforto e a garantia máxima que lhe confere o poder de exclusividade que vai contra os conceitos de promiscuidade e de monogamia existentes. Parabéns. No entanto, lhe garanto que bissexualidade não tem esses sinónimos, nem como heterossexualidade/homossexualidade é sinónimo de monogamia. Instrue-se.

Comentário 4 e 5 - Querem os mesmos direitos, os mesmos erros, e as mesmas expectativas que qualquer casal heterossexual. Um homossexual não deixa de ser reconhecido como pessoa homossexual pelo Estado, porque a sexualidade é irrelevante juridicamente. Mas um casal homossexual deixa de ser reconhecido como casal homossexual, ao contrário de um casal heterossexual. Aí está sim, a discriminação presente. Ou vai-me dizer que não existem casais homossexuais? E se são um casal, que sejam reconhecidos como tal, com todos os direitos, bem como todos os deveres perante o Estado. Pois...

Se o senhor chama de "poucas-vergonhas" a todos os modelos de família diferentes do modelo tradicional, se é contra os divórcios, se é contra a equalidade do papel da mulher (e esta sim ter uma voz no casamento, e poder escolher cuidar dos seus filhos sozinha) só lhe tenho a dizer que o seu comentário é do mais retrógrado, asqueroso, machista, fascista que poderia existir num modelo de família tradicional mas do Estado Novo. Concerteza, não terá grandes apoiantes.

Comentário 6 - Só para si é que as heranças, sucessões e dívidas é que não são prova do objectivo de um amor num casamento? Por amor de Deus, antes pelo contrário, são a prova ou que um dia um casal se amou, e partilhou ou angariou dívidas em comunhão, bem como ou a prova de que um casal quer provar o seu amor, e quer que um deles obtenha os bens do outro, caso haja uma fatalidade, e esses bens não são extraviados por terceiros....

Acho que o esclarecido o assunto está.

# re: CASAMENTOS GAY

Sunday, November 22, 2009 11:42 PM por filosorfico

Não dou troco a insultos, até porque estamos em época natalícia. Aliás, mal eles me entraram pelos dois olhos saíram logo pelo outro.

1 Claro que é uma realidade, e ninguém disse o contrário. Apenas contesto que se pratique só na cama.  Ah! …e o mundo é nosso, não é meu.

2 – Também acho.

3 – Fui instruir-me. Diz-me o dicionário escolar que bissexual é sinónimo de hermafrodita. Aplicável a quem, não tendo dois sexos, no entanto aprecia ambos, não será de todo descabido. Mas proponha termo mais adequado…

4 e 5 – Casal, segundo o mesmo dicionário, é o conjunto de macho e fêmea. Mas compreendo que homossexuais o queiram ser. Eu também gostava de ser anjo.

6 – Eu penso que, se algum “extravio” pode haver, é em prejuízo dos herdeiros de sangue. Usem o testamento.

As suas considerações foram muito úteis no aspecto gramatical. Agradecido.

# re: CASAMENTOS GAY

Tuesday, November 24, 2009 5:21 AM por Aqua1986

Já dizia o meu avô, em tempos idos, "burro velho não aprende línguas" e "a burro velho, mais vale matá-lo que ensiná-lo"....

O problema da sua leitura e consulta gramatical, é que ela é tal o seu pensamento, tendencioso e limitativo. Concerteza não lhe explicarei o que é um bissexual, porque no seu dicinário também existem outras hipóteses de significado.. E optar por uma apenas, é como se eu lhe chamasse de "ordinário", e me quisesse cingir apenas ao que é vulgar...

Os meus comentários ficaram por aqui.

"Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos" by Rousseau, Jean Jacques

# re: CASAMENTOS GAY

Wednesday, November 25, 2009 4:49 PM por filosorfico

Julgava que, tendo um vocábulo vários significados, não pode pretender-se aplicá-los todos ao mesmo tempo. Mas que sei eu de modernidades?

Com certeza (também julgava que assim se escrevia) há excepções. O meu amigo, por exemplo, usa frequentemente "ordinarices" nos dois sentidos.

Rousseau (que logo se vê o meu amigo conhecer de ginjeira no original)tem lá os seus preconceitos. Eu tenho os meus: prefiro a sensatez ao disparate.

Creia-me sempre ao dispor para troca de impressões, a bem da Língua Portuguesa.

# re: CASAMENTOS GAY

Saturday, December 19, 2009 2:23 AM por Aqua1986

11 razões para os gays não se casarem (O NÃO precisa de argumentos):

Existem muitas razões válidas para os gays não se casarem e não terem os mesmos direitos, e estes argumentos foram criados por mentes brilhantes e muitos historiadores e antropólogos exímios na sua área:

1- Ser gay não é natural. E os portugueses sempre rejeitaram coisas naturais tais como as lentes de contacto, o parto de cesariana, o poliéster e o ar condicionado.

2- O casamento gay vai encorajar as pessoas a serem gays. Da mesma forma que pessoas falarem com pessoas mais altas, vão ficar mais altas ainda.

3- Legalizar o casamento gay vai liberalizar todos os comportamentos bizarros. Alguém pode até querer-se casar com um animal e como vocês sabem, uma vaca ou uma grande cabra são completamente capazes de consentir em assinar uma certidão de casamento.

4- O casamento hetero esteve sempre presente em toda a História e nunca mudou. As mulheres continuam a ser propriedade dos homens, os negros ainda não se casam com os brancos e o divórcio continua a não ser muito "legal" na acepção brasileira da palavra.

5- O casamento hetero perde todo o sentido se o casamento gay for aprovado. O casamento da Britney que durou 50 horas, perderia todo o seu significado.

6- Só os casamentos hetero são válidos, porque produzem crianças. Casais gays, inférteis e os velhos não devem ser permitidos a casar, porque os nossos orfanatos ainda precisam de mais crianças.

7- Obviamente pais gays só criam filhos gays, tais como pais héteros só criam filhos heteros.

8- O casamento gay não tem o apoio dos religiosos. Pensando bem, isto é fundamental num estado laico.

9- Crianças nunca podem ter sucesso sem um modelo de homem e mulher como pais. Exige-se também que as mães solteiras criem os seus filhos juntamente com os vizinhos do lado.

10- O casamento gay é uma moda moderna, que modificará completamente os fundamentos da sociedade. Nós até rejeitámos os carros, a Internet e a terciarização da economia....

11- (último) O casamento gay é algo de povos subdesenvolvidos, tais como o Canadá, Bélgica, Suiça, Áustria, Dinamarca, Inglaterra, etc... Portugal está muito à frente desses países....

Muito obrigado por entenderem a minha causa. Casamento gay? NAhhhhh!

Aqua1986

# re: CASAMENTOS GAY

Monday, December 21, 2009 11:51 PM por filosorfico

Inadvertidamente, coloquei em postagem de 20 de Dezembro a minha resposta às últimas "alegações" de Aqua. Reproduzo-a agora aqui para maior facilidade de confronto:

Olá, Aqua! Não contava que continuasse a bracejar. Vamos a ver se consigo fazer de conta que as suas observações têm algum nexo.

1 – Se souber ler o que escreveu, há-de verificar que cai numa contradição qualquer. Tente. De qualquer modo , das comparações feitas resulta, parece, que considera a homossexualidade algo nascido da iniciativa humana e não da própria natureza. Concordo. Só as comparações me parecem desajustadas. Talvez melhor o vício do jogo, do tabaco, da droga ou o alcoolismo, uma vez que ainda não foi inventada a melhor comparação: aparafusar um parafuso noutro parafuso e não na rosca.

2 – Pois é. Sabe o que são os maus exemplos… Felizmente os comportamentos não têm nada a ver com estaturas. O que talvez aconteça é que diminuam os casamentos hetero pela incomodidade das confusões…

3 – Pelo rumo que as coisas levam, é capaz de ter razão. Embora mais bizarro seja difícil.

4 – Realmente o casamento hetero sempre foi …hetero. Do mesmo modo que a paternidade e maternidade sempre foram o que são, embora tenha havido o direito de vida e de morte sobre os filhos, depois suprimido, e agora redivivo na modalidade de abortamento oficial.

5 – É claro que o casamento passa a ser um contrato diferente. Portanto, desvirtuado. De Britney só soube agora o que me conta. Pobrezinha!

6 – Por favor, diga só coisas que sejam de compreender.

7 – Não é desdobramento do que disse em 2 ?  Curioso falar em filhos de gays. Pressupõe antecedentes ou escapadelas hetero, ou recurso a bancos de esperma. Seja como for, nem sempre “quem sai aos seus não degenera”. A excepção confirma a regra.

8 – Num estado laico, o que é fundamental é ter juízo. Com ou sem apoio religioso.

9 – Crianças criadas em orfanatos não são impedidas, por isso, de virem a ser adultos normais e até exemplares. Todavia, toda a gente concorda que tal situação de prática orfandade não é a mais adequada para a sua formação e, sobretudo, para a sua felicidade. Pois a falta de pai ou de mãe, é uma semi-orfandade. Talvez até o meu amigo consiga tirar daqui as devidas ilações.

10 – É moderno e até progressivo, sim senhor. Como toda a outra poluição.

11 – Aqui, tenho de confessar um fraquinho: desde a primária, sempre gostei mais de redacções do que de cópias.

# re: CASAMENTOS GAY

Wednesday, December 30, 2009 12:42 AM por Aqua1986

Bem, obrigado por me ter sido concedido o seu direito à resposta, que isto hoje em dia para se conquistar direitos tal como outro qualquer cidadão anda difícil. Após leitura geral do seu comentário, farei o favor de responder a cada tópico seu, para ver se nos entendemos...

1- Uma dica: Noruega - Oslo - Museu da História Natural - Exposição com fotos de 1500 espécies animais onde estão relatados comportamentos de relações homossexuais. http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1202884-EI238,00.html

Vai agora dizer-me que, tal como disse, a homossexualidade é iniciativa humana? Foram os homens que ensinaram aos animais a homossexualidade? Humm.. Parece-me que o seu Deus anda distraído. Logo, homossexualidade = vicio, iniciativa humana descartada.

2- Quando duas pessoas de raças diferentes puderam casar, as pessoas de raças iguais casaram-se com menos frequência? E que implicações negativas isso trouxe?

3- É evidência que o senhor não percebe sequer a ironia. Por isso é que não entendeu sequer o intuito do meu texto... Compreendo, afinal o raciocínio e a ironia não tenha sido fomentado a ensinar na sua escola, tamanha era a importância de em vez de se ensinar a pensar, decorar-se as linhas e as estações de ferro em Portugal.

4 e 5- Realmente, a única conclusão que posso tirar da história é que o casamento civil sempre foi civil. Mas o contrato já foi diversas vezes alterado! Primeiro, antes de haver casamento civil, o casamento não passava de um acordo ou contrato comercial entre duas partes. Mais tarde, o Romantismo veio alterar esta imagem e passou-se a existir o conceito de casar por amor. Passou-se a aceitar o casamento entre pessoas de raças ou origens diferentes... Tal como o direito ao divórcio. Até ao séculopassado era comum que o casamento fosse visto como algo indissolúvel (embora pudesse ser anulado) não havendo reconhecimento legal do divórcio. 1975 - abrangência pela parte do Estado dando os mesmos direitos do casamento pela Igreja (matrimónio) ao casamento civil! Mais tarde, a mulher passou a ter os mesmos direitos que o homem no casamento. O senhor imagina referendar-se, em pleno século XXI se a mulher devia ter os mesmos direitos que o homem no casamento? Se a mulher tinha direito ou não ao voto? Ou se na altura da escravatura, se se devia acabar ou não com ela??? É absurdo! Pois, o casamento civil não é algo estanque ao contrário do que o senhor afirmou, e não é a sua abrangência a mais pessoas que altera o seu significado! Se é do tempo do Pré-Romantismo, temos pena!

6- Mais uma vez, peço desculpa por não ter compreendido a Ironia. Já me apercebi que não é erro seu.

7- Pois, mas existem, e se há quem zele pelos interesses da criança, com a falta de uma lei de adopção, muitos desses filhos que existem, após a morte de um dos progenitores é separada do/a acompanhante do pai ou da mãe e tem destino incerto...

8- Num estado laico, não é a igreja que impõe as suas leis.

9- Ninguém diz o contrário. Mas eu prefiro saber que um casal que quer dar amor a uma criança, essa criança merece mais o amor que lhe é oferecido do que a permanência numa entidade. Os orfanatos não são uma solução, são o meio de resolução de um problema! Logo a permanência nos orfanatos não pode ser preferível só porque só há um casal que quer adoptar essa criança, mas que tem uma orientação sexual diferente!

E há o caso também escondido, do reconhecimento de crianças que são criadas por casais homossexuais! Essas sim, não podem ser discriminadas!

10. Poluição é o que o senhor faz neste blog, com ideologias tão retrógradas, que disfarçadas pela sua boa ortografia, são o assassinato de causas pela igualdadade, a pluralidade e a liberdade individual! Nós só queremos ser iguais a si! E isso ofende-lo tanto!

11. Pois, mas se cada um avançasse segundo o aparecimento das suas próprias ideias, não tínhamos saído da Pré-historia, à espera que todos inventassem a roda!

O senhor cai no erro de, com a necessidade de justificar uma aversão sua, criar conceitos, desvirtuá-los completamente, não notando no ridículo que isso possa parecer, e acima de tudo, dando falsas ideias e moralismos que em nada avançam com o progresso e a compreensão dos povos. Digo-lhe uma coisa: "Uma sociedade moderna é aquela que não castiga, mas acolhe e reconhece todos os seus membros! Tudo o resto, é subdesenvolvido!"

# ÚLTIMA RESPOSTA

Thursday, December 31, 2009 2:06 PM por filosorfico

Caro Aqua:

Não posso ficar eternamente a atendê-lo. Já tudo o que diz foi rebatido, salvo, suponho, o argumento a que podemos chamar “museológico”, à falta de melhor. Vou, pois, tecer as minhas últimas considerações. Se quiser retorquir, faça-o por favor no seu blogue, ao qual facilmente acederá quem estiver interessado.

Visitemos, então, o museu. Deve haver lá um bichinho, que hipocritamente se intitula de louva-a-deus. Se o comportamento animal nos serve de paradigma, então eu consigo justificar toda a espécie de sadismo sexual, inclusive – calcule-se! – matar e comer o cônjuge, que é isso o que o bicho faz.

E, se atendo ao comportamento da cadelinha Cuca, a que dediquei um soneto neste blogue, também passo a considerar normal o furto, pois a marota apodera-se e enterra quanto encontra “á mão”: roupa a secar, galochas… Coisa essa tanto mais natural quanto é certo que os animais não costumam sentir escrúpulos em apossar-se do alheio. Que o digam macacos e pegas…

O cuco, até se encaixa no lar alheio e expulsa os respectivos donos. De modo que é perfeitamente razoável retomar as chamadas “ocupações selvagens” pós-25 de Abril.

Posso, até, justificar a tortura: pois não é o que fazem os gatos aos ratos e as orcas aos pinguins, antes de os matarem?

E ninguém me censure se urinar num candeeiro, como os cães.

Muito seriamente, Aqua: justificar o comportamento humano com o comportamento animal é um argumento extremamente infeliz e deprimente.

Se com essa comparação quer significar que a homossexualidade é genética, apenas tenho para lhe responder que nunca tal foi provado; e que estou convencido de que em 99% dos casos é apenas um vício, adquirido sabe-se lá em que circunstâncias, tal como o vício do tabaco, que é o meu. Isto porque os disparates humanos são muito mais frequentes do que os erros da natureza.

Mas a questão fulcral não é essa! Cada qual vive a sua sexualidade conforme quer. Ninguém tem o direito de se imiscuir nesse assunto do foro íntimo. Onde foi buscar a ideia tonta de que me ofende a sua (presumível) sexualidade?! Diferença de ideias e comportamentos não significam menosprezo pela pessoa! Possivelmente, o Aqua será bem melhor do que eu…

Queixas de ódios e homofobias são lágrimas de crocodilo que em mim não colam. Se eu protestar contra o congelamento das rendas não estou a odiar os inquilinos; e, se me insurgir porque as acho elevadas, não estou a odiar os senhorios. “Homofobia” calha melhor às lésbicas; e, para o equivalente masculino, talvez “femeofobia”.  

A questão não é pois essa, e sim o projecto de um contrato disparatado e inconveniente. Disparatado porque, contraditória e injustificadamente, inclui, num instituto jurídico regulador e protector das relações inerentes à fecundidade, uma situação de inelutável esterilidade natural. Inconveniente e daninho porque destrói pela base a própria essência de casamento e família e promove, dignificando-o, um vício; ou, se preferir, uma evidente disfunção. Sintetizo, é claro.

O resto são considerações marginais que nada interferem no que importa.

Feliz Ano Novo.

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