SOL

A Tragédia Grega- MEDEIA de EURÍPEDES

MEDEIA por DELACROIX

.O ultraje pelo qual essa trágica amaldiçoada é obrigada a vivenciar, deixa-a acometida pela atér, cegueira moral que primeiro induz ao estado de desvario, depois, à ação desvairada e por fim, à ruína. A dor da mulher que, após muito amor e dedicação é trocada por outra, que se vê desnorteada pelo abandono do amado é universal e atualíssima. Infelizmente, quem paga o preço são os inocentes...

MEDEIA por CEZANNE

Representação da "Medéia" de Eurípides
Medéia, o rei Creonte e o Coro. Montagem da Medéia de Eurípides na FCL-Araraquara (UNESP) pelo Grupo Giz-en-Scène de Leituras Dramatizadas em 05/09/1999. Foto: J.A. Rosa, 1999.

Medeia e o Velo de Ouro, de H.J.Draper.
Medeia, Jasão e o Velo de Ouro, na volta da Colquida, para onde Jasão dirigiu a expedição dos Argonautas, com os 50 maiores heróis gregos, a fim de resgatar o Tosão de Ouro do carneiro encantado que tempos antes Mercúrio havia cavalgado em magnífico vôo, para salvar os príncipes Heles e Frixo da vingança de sua madrasta Ino. Heles caiu, exatamente sobre o ponto que no estreito de Bosforo separa o Mar Negro do Mediterrâneo, o Helesponto. Jasão, tempos depois, resgatou o velo do carneiro, com ajuda da princesa Medeia. O episodio foi eternizado no firmamento sob a constelação do Navio, hoje repartida em quatro, a Popa, a Quilha a Vela e a Bússola. (colaboração do poeta Ernane Gusmão)
Jasão e a Lenda dos Argonautas

Jasão entrega o tosão de ouro ao rei Pelias, seu tio.

Peça triste e que mostra uma Medéia cheia de rancor e mágoa, capaz de fazer as maiores atrocidades para se vingar da traição de seu marido, Jasão. Este que se casou com a filha de Creonte, rei de Corinto, (provavelmente o mesmo Creonte irmão de Jocasta, pois após a morte do rei de Corinto, um arauto vai a Tebas e avisa Édipo de que agora é rei de Corinto e Tebas, com Édipo exilado e com Creonte no trono real de Tebas, o único que possui o direito sobre o reinado de Corinto é também ele).
Na peça Medéia tenta por todos os modos se vingar de Jasão pela traição e humilhação a que a sujeitou, Creonte, rei de Corinto, sabe que Medéia é uma bárbara feiticeira, e a exila, por medo de que, em sua raiva, planeje algo contra sua filha e a casa real, ela então suplica por mais um dia de permanência para que arrume tudo para sua partida, é neste período que põe em prática seus planos.
Jasão oferece a Medéia uma ajuda em dinheiro para que vivas bem no exílio, visto que ela se nega a se humilhar e viver com ele no palácio como ama da rainha, pois ele insiste que só tomou o leito da princesa porque assim seus filhos com Medéia teriam irmãos no governo de Corinto e fariam parte da primeira fileira da cidade.
Ela recusa a oferta e furiosamente o se despede dele com palavras duras, enquanto em seu íntimo maquina as mais cruéis atrocidades. Para sua sorte, encontra Egeu, rei de Atenas, que ia ao Oráculo de Delfos, para saber quando teria filhos, pois ainda não possuía nenhum, conta ela a ele a sua história e pede exílio em Atenas, ele aceita e faz um juramente a pedido dela, assim os seus planos estão mais seguros, pois que terá para onde fugir.
Ela então prepara tudo, chama Jasão e pede desculpas falsamente por tudo que fizera e pede a Jasão que seus filhos sejam criados em Corinto em quanto ela vai ao exílio, ele diz que não sabe se Creonte concordarás, e ela manda a princesa presentes para que ajude a dobrar o rei.


Entretanto, esses presentes são sua vingança, visto que contém seus feitiços de modo que a princesa morre após vesti-los, esta descrição no livro é crua e fria, a princesa se decompondo com a carne saindo do corpo, no fim nem dava pra identificar o rosto dela, Creonte, desesperado se abraça à filha e morre do mesmo modo.
Jasão parte furioso ao encontro de Medéia que esta realizando a parte final da vingança, ela mata os próprios filhos para castigar Jasão, vence a si mesma e a sua consciência e os mata com o ferro cruel de forma brutal, Jasão, em seu desespero, implora para que ela abra a porta a fim de ele ver os filhos, mas ela não permite e foge levando o corpo dos filhos no carro que lhe deu seu avô, o Sol, de quem é descendente.
Assim termina essa tragédia, em que Medéia tira quatro vidas para se vingar da traição do marido, sendo que duas delas tirou com as próprias mãos e eram esses seus próprios filhos.  Existem muitas versões para o final de Jasão. Na primeira delas, o herói, desesperado se suicida. Em outra, quando descansava sob a sombra de Argos, morreu esmagado pela popa do próprio navio. Há ainda outra versão segundo a qual aliou-se a Peleu e assumiu enfim o poder em Iolco.

A montagem de Medéia, celébre tragédia de Eurípedes, chegou aos palcos gaúchos, no 28 de junho, no Theatro São Pedro, sob a direção de Luciano Alabarse. Os mais de 5 mil espectadores conferiram uma produção, com elenco de 20 atores, encabeçado por Sandra Dani no papel de Medéia, e o melhor, com texto integral da obra
Segundo a lenda grega, a feiticeira Medéia ajudou Jasão, líder dos argonautas, a obter o velocino de ouro. O mito é conhecido pelas versões literárias que lhe deram Eurípides, Ésquilo, Ovídio e Sêneca. Medéia era filha de Eetes, rei da Cólquida. Eetes possuía o velocino de ouro, que Jasão e os argonautas buscavam, e o mantinha guardado por um dragão. A maga Medéia apaixonou-se por Jasão e, depois de ajudá-lo a realizar sua missão, seguiu com o grupo para a pátria de Jasão, Jolcos, na Tessália. Mais tarde, Jasão apaixonou-se por Glauce e abandonou Medéia. Inconformada, ela estrangulou os filhos que tivera com Jasão e presenteou a rival com um manto mágico que se incendiou ao ser vestido, matando-a. Medéia casou-se, depois, com o rei Egeu, de quem teve um filho, Medos. Por ter, porém, conspirado contra a vida de Teseu, filho de Egeu, foi obrigada a refugiar-se em Atenas. Medéia foi honrada como deusa em Corinto e sobretudo na Tessália. Sua lenda serviu de tema a obras artísticas e literárias de todos os tempos, das quais a mais conhecida é a tragédia Medéia, de Eurípides.
Medéia, à E, observa enquanto as filhas de Pélias preparam o caldeirão para o feitiço que iria rejuvenescer o pai. Cópia romana do relevo de mármore de um altar de Atenas. Data do original: séc. -V. Berlim, Pergamon Museum. Foto de Barbara McManus, 1992.
Julgamento de Medeia

multiplico essa má sorte. Para uns eu sei demais e por isso me odeiam, outros não me entendem e me acham fechada, e para outros sou exatamente o oposto

(...)Medéia, sacerdotiza de Hecate, a trágica amante de Jasão que punirá, vingativa, o amado, matando-lhes os filhos. ela, que na tragédia de Eurípedes será constrangida a dizer: --

De todos os seres do mundo que têm alma e espírito, nós mulheres somos as mais infelizes. Devemos antes de tudo, com dispêndio de dinheiro, comprar marido dando um patrão à nossa pessoa..."

De todos os seres do mundo que têm alma e espírito, nós mulheres somos as mais infelizes. Devemos antes de tudo, com dispêndio de dinheiro, comprar marido dando um patrão à nossa pessoa..."

De todos os seres do mundo que têm alma e espírito, nós mulheres somos as mais infelizes. Devemos antes de tudo, com dispêndio de dinheiro, comprar marido dando um patrão à nossa pessoa..."

 

De todos os seres do mundo que têm alma e espírito, nós mulheres somos as mais infelizes. Devemos antes de tudo, com dispêndio de dinheiro, comprar marido dando um patrão à nossa pessoa..."

De todos os seres do mundo que têm alma e espírito, nós mulheres somos as mais infelizes. Devemos antes de tudo, com dispêndio de dinheiro, comprar marido dando um patrão à nossa pessoa..."

De todos os seres do mundo que têm alma e espírito, nós mulheres somos as mais infelizes. Devemos antes de tudo, com dispêndio de dinheiro, comprar marido dando um patrão à nossa pessoa..."

De todos os seres do mundo que têm alma e espírito, nós mulheres somos as mais infelizes. Devemos antes de tudo, com dispêndio de dinheiro, comprar marido dando um patrão à nossa pessoa..."

“(...) Vim pedir ódio. Vim pedir a coragem da vingança. Vingança é o único alento do oprimido, sua única esperança! (...) Gosto de sangue na minha boca. O homem pai dos meus filhos, que ajudei com a minha juventude, vai se casar com outra. Ele viajou seis meses, voltou, não deu sinal, foi na boca anônima que eu ouvi que ele ia se casar – pelo meu homem confiei nesta vida tão sobressaltada e agora eis-me abandonada, com dois filhos, sem dinheiro, sem parente para me receber e chorar minha raiva mais do que eu. (...) Eu já estou morta. Mas a morte só não basta. Eu quero o vento da desgraça”. (Med.,p.135)
Palavras de Medéia

-------------------

Para "espanto" dos mortais só é castigada pelo seu próprio sofrimento. O Sol, pai de seu pai, envia-lhe um carro que lhe permite a fuga gloriosa-

Jasão e Medea - John William Waterhouse, 1907

- John William Waterhouse, 1907

Maria Callas em Medeia numa encenação de Pasollini

Medéia por Pasolini
“Limitei-me a retirar do texto de Eurípides apenas algumas citações... Medéia é o confronto do universo arcaico e religioso com o mundo de Jasão, racional e pragmático. Jasão é o herói atual, que não apenas perdeu o senso metafísico como sequer se questiona sobre isso. A sua procura busca apenas o sucesso. Confrontado à outra civilização, à raça do espírito, Jasão dá início a uma tragédia impressionante.” (Pasolini)

Medeia
De Consuelo de Castro
Direção de Regina Galdino
Com Leona Cavalli , Cássio Scapin, Francarlos Reis, Rubens Caribé, Gustavo Trestini e Vanessa Bruno.
2004

Medeia- fragmento da peça de Marcelo Flecha

EURÍPEDES

Maria Regina Candido

 

"
Medéia é um dos mais marcantes trabalhos de valor imaginativo da literatura ocidental. Medéia é apresentada, inicialmente, como vítima, mas, ela é capaz de lutar e perseguir a sua vingança como um herói homérico.

 

De acordo com Jean-Pierre Vernant mito se apresenta como um relato vindo de épocas passadas e nesse sentido, o relato mítico não resulta da invenção individual e nem da fantasia criadora, mas da transmissão e da memória de uma sociedade (VERNANT, 2000: 12). Logo, para compreendermos o significado do mito de Medéia, temos a necessidade de interagir com a sociedade que o produziu.

A tragédia Medéia, apresentada no teatro de Dionisos em 431 a C., nos remete às práticas da magia, aos sentimentos femininos e à condição social da mulher grega no período clássico. Este tema integra o que se convencionou denominar de História de Gênero tornando possível demonstrar que a história das mulheres podia ter suas próprias heroínas que atuaram mesmo em condição de subordinação à figura masculina. Elas souberam manipular o poder ao qual estavam submetidas atuando por lances, empregando táticas e subvertendo a ordem.

Para apreendermos o lugar social da mulher na sociedade grega do período clássico devemos inseri-la em seu contexto social de produção (HILL, 1995: 21). Isto porque existe uma heterogeneidade de informação quando se busca referências sobre as mulheres na antigüidade, os dados variam dos poemas à prosa, do período arcaico ao clássico e de região. Embora haja uma diversidade de informação é possível estabelecer alguma generalização diante das inúmeras atribuições a elas destinadas como a procriação entre outras. Atribuições e responsabilidades assumidas em relação ao passados, presente e ao futuro de uma comunidade. Consideramos a possibilidade da construção da história das mulheres na atualidade e para atingir este fim, devemos compreender a sua atuação junto as sociedades do passado como a comunidade políade dos atenienses, buscando subsídios que nos possibilitem repensar a condição social da mulher no nosso tempo-presente.

Retornando a abordagem do mito: compreendemos a narrativa mítica da sacerdotisa de Hécate como um registro de memória que nos traz fragmentos do passado dos gregos. A memorização de um mito se faz em forma de poesia como na epopéia homérica que atuou primeiro como poesia oral, composta e cantada diante de um público que a reproduziu por gerações, através da participação ativa dos aedos - poetas cantadores, inspirados pela divindade denominada de Mnemosýne. Somente mais tarde é que a escrita alcança o mito resultando no estabelecimento de uma vertente oficial definida pelo texto escrito. Entretanto, devemos ressaltar que a narrativa mítica diferencia-se do texto poético pelo fato de comportar variantes, versões distintas, ou seja, permite ao narrador acrescentar e modificar a narrativa de acordo com o público ao qual se destinava (VERNANT, 2000: 13).

O poeta, ao compor a sua dramaturgia, deixou vestígios de acontecimentos do passado dos quais foi testemunha. Para nós, o passado tornou-se um país estrangeiro no qual tudo é feito de modo diferente. Entretanto, o registro de memória do poeta, em forma de poesia, nos permite estabelecer uma aproximação com a cultura dos helenos. Reconhecemos que as informações sobre as mulheres foram compostas pelos homens, os quais tiveram uma atitude de não nomeá-las, tornando-as uma realidade silenciosa. O poeta Eurípides, no entanto, as coloca em primeiro plano, embora no desempenho de atividades que os homens definiram e determinaram que elas atuassem, ou seja, o espaço fechado do gineceu no exercício dos cuidados domésticos. Acreditamos que os vestígios de memória registrados pela tragédia Medéia nos possibilitam repensar a atuação da mulher subvertendo a ordem estabelecida.

Eurípides expõe a protagonista trágica como uma mulher abandonada pelo marido que desejava contrair novas núpcias com a jovem princesa de Corinto como nos indica a citação: "pois, encontra-se órfã sem cidade, ultrajada pelo marido, sem mãe e nem irmão para abrigá-la do infortuno" (Eurípides, Medéia, v. 255). A situação nefasta de Medéia a coloca como esposa abandonada, mãe de duas crianças em situação de exílio e mulher estrangeira. O drama de Medéia, exposto logo no início da tragédia, visava despertar a comoção nos espectadores do teatro de Atenas, pois a infidelidade e a traição masculina não eram temas incomuns na sociedade grega, assim como não deixou de ser nos dias actuais. No caso da sacerdotisa de Hécate, o agravante estava no fato dela estar na condição de mulher estrangeira, longe de seus familiares, a ela estava sendo exigido que cedesse a sua posição de esposa para uma mulher mais jovem e de status social em melhores condições.

A tragédia Medéia tem por princípio o agon, principal requisito da vida do ateniense que se manifesta nas assembléias e tribunais. Nesta dramaturgia, o agon envolvia questões relacionadas à escolha e a acção humana que provinha da ética e obrigava o espectador a fazer uma escolha: a justiça ou a vingança. O poeta nos apresenta a reação dramática de uma mulher, inconformada com o abandono do marido que não considerou todo um passado comum de aventuras. Medéia praticou vários crimes e transgressões em nome do amor que sentia por Jasão.

No prólogo tomamos ciência da trajetória de Medéia que veio da remota região de Colquida para o exílio em Corinto. Naquela região, considerada bárbara, ela conheceu Jasão e, movida por uma avassaladora paixão, traiu seu pai ao ajudar o herói Jasão a conquistar o Velocino de Ouro através da arte da magia e encantamentos. O ardil, usado por Medéia foi descoberto, obrigando-a a fugir em companhia de seu amado. Seu pai, o rei Aeetes, empreende uma perseguição ao casal pelos mares, porém, ao fugir, Medéia havia trazido o seu irmão Absyrto, que foi morto em meio à viagem. Ela o executou e esquartejou o seu corpo, jogando os pedaços ao mar para atrasar a perseguição de seu pai. A fuga teve êxito, porque o rei interrompeu a perseguição para recolher os pedaços do corpo do filho, vendo diante de seus olhos o crime de Medéia que pôs fim a sua descendência.

O poeta nos expõe uma mulher, cujo comportamento integra o espaço do desvio ao padrão estabelecido e esperado pelo homem grego. Ao evidenciar este crime, o poeta traz à memória dos atenienses o fato de que a protagonista havia estado envolvida em outros crimes de morte. No episódio ocorrido na região de Iolco, Medéia ardilosamente havia providenciado a morte o rei da pior maneira que um ser humano poderia morrer (Eurípides, Medéia, v. 485): através das mãos de suas próprias filhas. Estas foram persuadidas a acreditar que esquartejando o corpo de seu pai, o rei Pélias, em meio a ervas e encantamentos, conseguiriam a proeza de rejuvenescer o velho rei; o resultado foi a destruição de todo o palácio (Eurípides, Medéia, v. 485).

Por este crime, o casal foi perseguido pelo filho do rei morto. O atendimento ao pedido de asilo em Corinto foi aceito na condição de Medéia fazer uso de seus conhecimentos mágicos para cessar a seca, a fome e a infertilidade que assolava a região.

Nos interrogamos sobre o objetivo da mensagem do poeta ao nos expor uma mulher estrangeira, atuante, detentora de saberes mágicos e considerada mulher de feroz caráter, de hedionda natureza e espírito implacável (Eurípides, Medéia. v. 100). Medéia representa a mulher envolvida em circunstâncias hostis, saiu da casa de seus pais muito jovem para acompanhar o seu marido. Acreditamos que houve uma empatia entre o personagem Medéia e o público feminino, pois casar jovem era uma situação familiar com as quais as mulheres de Atenas, presentes no teatro, se identificavam. Ao assistir uma dramaturgia, o ouvinte se identificava emocionalmente com o drama vivenciado pela protagonista, a ponto de perder o julgamento racional em prol da satisfação e de interesses emotivos, gerando uma tensão entre a simpatia e o julgamento justo.

No momento em que a protagonista discursa para o coro que representa as mulheres de Corinto, ela expõe uma tradição na qual todas se reconheceriam, pois desde muito jovem eram destinadas à subordinação à autoridade masculina. O responsável pela família providenciava o seu casamento para o qual era preciso um dote com o objetivo de comprar um marido e cabia à jovem aceitá-lo como senhor com total controle sobre a sua pessoa.

O acordo de casamento acontecia entre os homens e as jovens não tinham a oportunidade de escolher o marido, o que levou Medéia a afirmar que de todos os que têm vida, a mulher, seria o ser mais infeliz pela obrigação de aceitar um homem a quem não podiam repudiar, visto que a mulher divorciada não era bem vista nesta sociedade (Eurípides, Medéia, v. 235). Quando chegavam na nova residência não sabiam o que as aguardava, por não terem sido bem instruídas pelos familiares, tinham por obrigação adivinhar qual a melhor maneira de convívio com o esposo. A jovem tendo a sorte de conseguir um bom esposo teria uma vida invejável, caso contrário, viveria sob o jugo da violência para a qual a morte tornar-se-ia o bem mais suave (Eurípides, Medéia, 235-240); em caso de gravidez, por exemplo, a protagonista afirmava preferir lutar com escudo três vezes a parir uma só vez (Eurípides, Medéia, v. 250).

O lamento de Medéia tornou-se público através do uso da palavra, da retórica que era um instrumento fundamental para a construção do drama visando expor o cotidiano da mulher ateniense. Diante da sua falta de opção e liberdade, as mulheres, por serem retiradas muito jovens da casa paterna e serem confinadas no interior do oikos, atuariam como mulher e esposa devendo, por obrigação, cuidar dos escravos, do marido, dos filhos e exercer com eficácia as atividades domésticas (Eurípides, Medéia v. 245).

O padrão definido como ideal para o comportamento feminino foi construído pelo homem grego que esperava que ela seguisse o modelo mélissa, a saber: ser submissa, silenciosa e passiva, atributos contrários ao comportamento masculino definido como dominante, ativo, agressivo e agente de decisão.

No entanto, o comportamento de Medéia trazia à memória dos atenienses o mito de Pandora, de quem, afirmaria Hesíodo, descender toda a funesta geração de mulheres (Hesíodo, Teogonia, v. 585) e que Eurípides complementava ao afirmar serem as mulheres habilíssimas artesãs de todo os males (Eurípides, Medéia, v. 409). Essas palavras marcavam o inconformismo da protagonista com a sua atual situação, Ela expressava o seu desagrado ameaçando os seus inimigos, a saber: três de meus inimigos matarei: o pai, a jovem e meu marido (Eurípides, Medéia v. 375), e, ao mesmo tempo, alertava que ninguém a considere fraca, sem força, sossegada diante do infortúnio, mas de outro modo perigosa contra os seus inimigos (Eurípides, Medéia v. 410). A partir destas palavras, a protagonista de Eurípides, decidiu pela ação de vingança, atitude reconhecida nos heróis trágicos em sua busca desesperada por recuperar a honra ultrajada como o guerreiro Ajax de Sófocles.

Ajax e Medéia apresentam atitudes semelhantes: não suportam a idéia de serem vítimas de injustiças e de traição. Ambos não toleram a etimasmene - falta de respeito (Eurípides, Medéia, v. 1355) de seus inimigos que riem de suas atuais condições de fracasso; no caso de Medéia, por estar só - mone (Eurípides, Medéia v. 513) e abandonada - eremos (Eurípides, Medéia v. 255). Medéia decidiu agir com violência por não querer causar riso deixando impunes os seus inimigos (Eurípides, Medéia v. 1050). A sacerdotisa de Hécate deixava transparecer que a mais grave atitude diante de uma vítima de desprezo e fracasso era o riso - gelos (Eurípides, Medéia v. 383), e somente a vingança cruel através da morte poderia reverter esta situação tornando-a vitoriosa diante dos inimigos (Eurípides, Medéia, v. 395).

A semelhança entre Ajax e Medéia não é mera coincidência, pois o poeta coloca na personagem atitudes masculinas, mesmo sendo inapropriado para uma mulher agir com inteligência e coragem. O uso da palavra e sua atitude decisiva remetem às ações de heróis que atuavam de forma individual para solucionar uma situação imediata, como nos indicam os termos como ergasteon (Eurípides, Medéia v. 791) definido como algo que deve ser feito; a palavra tolmeteon (Eurípides, Medéia v. 1051) nos remete a algo ousado a ser realizado. O verbo kteno significa a decisão de, em tempo breve, matar, extinguir, exterminar. Com reações próprias de seres passionais, Medéia exibia o seu temperamento movido por forte emoção - thymos, sentimento que marcava toda a trajetória da narrativa, considerada fora da razão, da justiça coletiva, da justa medida; uma ação identificada em povos que viviam fora da cultura. Jasão reforçava este pensamento ao reafirmar que a grande dádiva que ele, cidadão grego, havia ofertado à Medéia foi tê-la tirado de terras bárbaras trazendo-a para residir na cultura helênica que conhecia a justiça, a ordem e as leis (Eurípides, Medéia, v. 535).

Medéia muda de atitude visando atingir seu objetivo. Ela passa a agir de acordo com o modelo estabelecido pelos homens, ou seja, submissa, obediente, deixando transparecer que aceitava o destino determinado por Jasão e Creonte. Ela prometia acatar a ordem do rei que havia determinado a sua saída de Corinto (Eurípides, Medéia, v. 927). Para reafirmar o seu arrependimento e compromisso, Medéia envia, através de seus filhos, o presente de núpcias (envenenado) para a noiva de Jasão, e desta maneira ela mata a princesa e o rei.

O discurso dissimulado tem por princípio a arte da persuasão, da força da palavra que convence e permitindo a realização de sua vingança. Como mulher, ela não tinha a capacidade do uso da força física precisando, portanto, buscar meios alternativos para fazer valer a sua vontade e vencer o inimigo. A única solução foi usar o conhecimento do qual provinha sua habilidade e o saber que dominava: a arte da magia no uso de filtros e venenos, cujo conhecimento fazia parte de sua tradição familiar por ser sobrinha de Circe, sacerdotisa de Hécate e neta de Hélios.

Sua ascendência lhe forneceu força, coragem e magia, atributos essenciais para sacrificar e enterrar os filhos no santuário de Hera Akraia. De acordo com os mitógrafos anteriores ao final do V século, os filhos de Medéia teriam sido mortos pela população de Corinto para vingar a morte de seus soberanos. Entretanto, o poeta Eurípides estabeleceu uma nova vertente mítica mostrando que as crianças haveriam sido executadas como sacrifício aos deuses pela própria sacerdotisa de Hécate. Talvez uma forma cruel e eficaz de vingança contra o abandono do marido e uma maneira de expor o quanto ela era terrível com os seus inimigos, pois, matando os filhos ela extinguia a descendência de Jasão que reconhecia: sem filhos você me destruiu (Eurípides, Medéia, v. 1325).

O poeta coloca Medéia fugindo em direção à Atenas, lugar em que a sacerdotisa utilizaria os seus saberes mágicos a serviço do rei Egeu, ao afirmar: cessarei o teu ser sem filhos e te farei semear filhos, tais drogas conheço (Eurípides, Medéia, v. 715). Esta informação nos remete à proposta de Eurípides de usar o palco trágico como o espaço das denúncias relativas às transformações, que aconteciam na sociedade ateniense no final do V século.

Analisando a personagem Medéia, algumas questões nos chamam a atenção: a protagonista não representa a mulher grega devido a sua atitude considerada bárbara, como nos informa as palavras de Jasão ao afirmar que nenhuma mulher grega ousaria matar os próprios filhos (Eurípides, Medéia, v. 1340). Então que tipo de mulher ela representaria?

Medéia usa a palavra para convencer, apela para a morte visando remover obstáculos, usa da astúcia, da faca e do veneno que, no conjunto, não formam poderes sobrenaturais. As práticas mágicas de Medéia nos indicam o domínio e o conhecimento de ervas, infusões e raízes que não denotam possuir poderes mágicos. Este domínio e saber poderiam ser encontrados em algumas mulheres que circulavam em Atenas, sendo comum entre as mulheres atenienses e estrangeiras que necessitavam do uso de plantas e ervas para fins terapêuticos.

Medéia representava a mulher estrangeira que detinha esta habilidade e o conhecimento de sua função e eficácia. A documentação textual nos indica várias mulheres míticas que detinham o conhecimento e o domínio de ervas e filtros para encantamentos como Helena e Circe. Este saber, que se estendeu por tradição às mulheres, consistia na habilidade em manejar o cozimento das ervas, folhas e raízes para fazer infusões e filtros, que, devido ao seu poder de cura, passaram a ser considerados mágicos. Acreditamos que a ausência de conhecimento específico do funcionamento da natureza feminina fomentou a necessidade do domínio do uso das ervas pelas mulheres, com o objetivo de atender aos seus problemas de saúde.

O conhecimento das ervas atendia tanto às mulheres casadas quanto às prostitutas e hetairas que necessitavam saber que o efeito de folhas da família das mentas era muito útil para os problemas menstruais; as dores de varizes eram amenizadas com fricção de folhas de hera; a cebola selvagem e o alho triturados com óleo e vinho, tornavam-se eficazes para conter sangramento e secreção vaginal; a erva artemísia atuava sobre o ovário e plantas como a belladona podiam ser usadas como calmante, mas que em porções concentradas tornavam-se abortivas; já as ervas da família do ópium eram eficazes como analgésicos para as mulheres em trabalho de parto.

Temos por suposição que Eurípides expõe na habilidade de Medéia, que esta habilidade era um saber prejudicial à comunidade masculina. O seu desagravo seria a extensão do temor dos homens de Atenas pela participação ativa das mulheres junto ao uso das ervas e ungüentos considerados mágicos. A preocupação do poeta com o uso das raízes pode estar direcionada às ervas específicas que visavam despertar o interesse sexual. Um episódio desta natureza pode ser observado na citação da Ilíada (XIV, 198) quando uma mulher solicita à deusa Afrodite que a encante com o desejo e o feitiço do amor para que ela possa usar deste ardil com o seu amado. Acreditamos que esta mulher tenha sido aconselhada a usar as folhas de orquídias trituradas com vinho, um eficaz medicamento contra a impotência masculina - o termo orchis significa testículo em grego - e, no caso das porções/kukeon e filtros mágicos, ao serem ingeridos pelo ser amado, podiam ter como resultado a sua morte.

As ervas consideradas mágicas usadas pelas mulheres em forma de banhos e ungüentos, permaneciam em seu corpo em meio a fragrâncias aromáticas, mas havia a possibilidade de causar problemas na virilidade masculina, quando se tratava de ungüentos contraceptivos que podiam fomentar a impotência masculina. Havia plantas, ervas e raízes que também eram conhecidas por suas virtudes apotropaicas e usadas como amuleto contra a má sorte e roubos. Umas faziam prosperar os negócios outras eram eficazes para arruinar a saúde e as atividades do inimigo.

Concluímos que o poeta utiliza o espaço do teatro de Atenas, através da personagem Medéia, para fazer uma denúncia, alertando para a emergência de antigos saberes integrando novas práticas sociais como o uso do conhecimento mágico das ervas e filtros para atender desejos individuais. O uso das práticas mágicas das ervas e raízes tanto podia atender às necessidades de medicamentos para curar as doenças femininas, quanto ser usado como veneno para efetuar uma vingança. Medéia com a sua sophia expõe a ambigüidade de um saber que poderia ajudar um amigo com os seus benefícios, mas poderia ser fatal e destruir os inimigos. Como nos afirma Medéia, temido será sempre quem possui este saber, pois aquele que provocou este ódio não celebrará facilmente a bela vitória.

Revista Mirabilia

Maria Regina Candido

Eurípedes ( 484 ac - 406 ac )

Vida

"Não se sabe ao certo, mas os antigos acreditavam que Eurípedes nasceu em Salamina em 480 aC, no dia da maior batalha naval da guerra contra os persas. Outros acreditam que a data mais correta seja algum dia por volta de 485 aC.

Há evidências de que sua família fosse abastada. Também há registros de que Eurípedes tenha desempenhado funções em templos gregos na juventude, mas, à medida que foi crescendo e conhecendo o pensamento de gente como Protágoras, Sócrates e Anaxágoras, foi perdendo paulatinamente suas crenças e começou a questioná-las em seus trabalhos. Anaxágoras, por exemplo, sustentava que o sol não era uma carruagem dourada que percorria o céu, como se cria, mas uma enorme e sólida esfera de terra ou rocha.

Casou-se duas vezes e teve três filhos, e fala-se que teria uma quarta filha que teria morrido de ataque de um cão raivoso (diz-se também que isto é só uma das muitas anedotas criadas por Aristófanes, que jamais perdia uma chance de ridicularizar Eurípedes).

Os registros de sua vida pública, para além das competições teatrais, são quase inexistentes. A única história confiável é uma escrita por Aristóteles relacionando Eurípedes a uma disputa sobre liturgias - um acontecimento que demonstra forte evidência de sua boa condição na sociedade em que vivia.

Acredita-se que tenha visitado Siracusa, na Sicília, que tenha exercido diversas atividades públicas durante sua vida, e que tenha aceitado o convite do rei Arquelau I da Macedônia e vivido neste país depois de 408 aC. De acordo com Pausânias, Eurípedes foi sepultado por lá.

Obras

Eurípedes competiu pela primeira vez no principal festival dramático de Atenas em 455 aC., um ano após a morte de Ésquilo. Ficou em terceiro lugar. Em 441 a.C. ganhou o primeiro prêmio, tendo ganho mais quatro vezes em outras ocasiões.

Foi um alvo constante do humor de Aristófanes, sendo personagem em algumas peças, especialmente em "Os Sapos", em que Dioniso viaja ao Hades para resgatar Eurípedes entre os mortos. A nota satírica consiste em que, no último instante, os deuses se decidem por salvar a Ésquilo no lugar de Eurípedes. Em 408 a.C., após sua última participação no festival ateniense, mudou-se para a Macedônia, onde escreveu a peça Arquelau, em homenagem a seu novo protetor.

Morreu em 406 a.C. na mesma Macedônia, provavelmente por causa do inverno rigoroso do país.

Entre seus melhores trabalhos, temos Alceste, Medéia, Electra e As Bacantes. Também de nota são Os Ciclopes, a única sátira de Eurípedes a chegar completa aos dias de hoje.

De suas peças, chegaram completas até nós as seguintes: Medéia, Hipólito, Hécuba, Andrômaca, Alceste, As bacantes, Héracles, A Heracléade, As suplicantes, As mulheres de Tróia, Electra, Ifigênia em Áulida, Helena, Íon, Orestes, Ifigênia em Táurida, As fenícias e O ciclope.

Dentre as peças de que só conhecemos fragmentos incluem-se: Telefo, Os Cretenses, Stheneboea, Belerofonte, Cresfonte, Erecteu, Feton, O Sábio Melanipes, Alexandre, Palamedes, Sísifo, Melanipes Cativo, Andrômeda, Antíope, Arquelau, Hipsipile, Édipo e Filoctetes."

Texto por Rico Ferrari

Publicado por Jaguar | 54 Comentário(s)

Escultura e Pintura da Renascença-MIGUEL ÂNGELO

BIOGRAFIA

 

" Miguel Ângelo Buonarroti Simoni nasceu em 6 de Março de 1475, em Caprese, no estado de Toscânia na Itália. Seu pai, Lodovico, era residente em magistratura em Caprese, entretanto, Miguel Ângelo cresceu em Florença e mais tarde viveu com um escultor e sua esposa na cidade de Settignano, onde seu pai tinha uma mina de mármore e uma pequena fazenda.

Contra a vontade de seu pai, Miguel Ângelo escolheu ser aprendiz de Domenico Ghirlandaio por três anos começando em 1488. Impressionado, Domenico recomendou-o para Florença para estudar com Lorenzo de Médici. De 1490 a 1492, Miguel Ângelo frequentou a escola de Lorenzo e durante sua estada, seria influenciado por muitas pessoas proeminentes que modificariam e expandiriam suas ideias na arte e ainda seus sentimentos sobre sexualidade. Foi durante este período que criou dois relevos: Batalha de Centauros e Madona das pegadas.

Após a morte de Lorenzo em 1492, Piero de Médici (filho mais velho de Lorenzo e novo chefe da família Médici) recusou-se a suportar o trabalho artístico de Miguel Ângelo. Também nessa época, as ideias de Savonarola tornaram-se populares em Florença. Sob essas suas pressões, Miguel Ângelo decide sair de Florença e vai para Bolonha por três anos. Logo depois, o Cardeal San Giorgio comprou a obra de Miguel Ângelo em mármore Cupido e decidiu chamá-lo a Roma em 1496. Influenciado pela antiguidade de Roma, ele produziu Baco e Pietà. Quatro anos mais tarde, Miguel Ângelo retornou a Florença, onde ele produziu seu mais famoso trabalho: David. Ele também pintou a Sagrada Família da Tribuna. Miguel Ângelo foi convocado novamente a Roma em 1503 pelo recém designado Papa Júlio II e foi comissionado para construir a tumba papal. Entretanto, durante a patronagem de Júlio II, Miguel Ãngelo tinha constantemente que interromper seu trabalho para fazer outras numerosas tarefas. A mais famosa é a pintura monumental do tecto da Capela Sistina no Vaticano, que levou quatro anos para ser feita (1508 - 1512). Por essa e outras interrupções, Miguel Ângelo trabalharia na tumba por 40 anos sem nunca a terminar. Em 1513 o Papa Júlio II morreu e seu sucessor Papa Leão X, um Médici, comissionou Miguel Ângelo para reconstruir o interior da Igreja e San Lorenzo, em Florença, e adorná-la com esculturas. Miguel Ângelo relutantemente aceitou, mas foi incapaz de terminar a tarefa (o exterior da igreja ainda não está adornado até hoje).

Em 1526, os cidadãos de Florença, encorajados pelo saque de Roma, expulsaram os Médici e restauraram a república. Miguel Ângelo voltou para sua amada Florença para ajudar a construir as fortificações da cidade de 1528 a 1529. A cidade caiu em 1530 e os Médicis voltaram ao poder.

A pintura de O Último Julgamento, na janela do Altar da capela Sistina foi comissionado pelo Papa Paulo III, e Miguel Ângelo trabalhou nele de 1534 a 1541. Então, em 1547, foi apontado como arquitecto da Basílica de São Pedro no Vaticano. Sete anos mais tarde, em 18 de Fevereiro de 1564, Miguel Ângelo morre em Roma aos 89 anos de idade."

 

http://www.esec-rio-tinto.rcts.pt/Projectos/BECRE/comtexto05ABR2005.html

 

        MIGUEL ÂNGELO ( 1475 - 1528  )


A Pietà de Miguel Ângelo
 
A Pietà de Miguel Ângelo
 
 

"A Pietà é uma das mais famosas esculturas feitas por Michelangelo (pintor, escultor, poeta e arquitecto renascentista italiano). Ela representa Jesus morto nos braços da Virgem Maria.
 
História
 
Em 26 de Agosto de 1498 (faz hoje 508 anos), o cardeal francês Jean de Bilheres encomendou a Miguel Ângelo uma imagem da Virgem para a Capela dos Reis de França, na antiga Basílica de São Pedro.
 
Juntando capacidades criadoras geniais a uma técnica perfeita, o artista toscano (Toscana é uma região da Itália central) criou então a sua mais acabada e famosa escultura: a Pietà.
 
Iniciara-se como artista ainda durante o Quattrocento, em Florença, onde trabalhou para os Médicis, mas a Pietà foi a sua primeira grande obra escultórica. Trata-se de um trabalho de admirável perfeição, organizado segundo um esquema em forma de pirâmide, um formato muito utilizado pelos pintores e escultores renascentistas.
 
Nesta obra delicada o artista encontrou a solução ideal para um problema que preocupara os escultores do Primeiro Renascimento: a colocação do Corpo de Cristo morto no regaço de Maria. Para isso alterou deliberadamente as proporções: o Cristo é menor que a Virgem, quer para dar a impressão de não esmagar a Mãe e mostrar que é seu Filho, quer para não “sair” do esquema triangular. A Virgem Maria foi representada muito jovem e com uma nobre resignação: a expressão dolorosa do rosto é idealizada, contrastando com a angústia que tradicionalmente os artistas lhe imprimiam.Torna-se assim evidente a influência do “pathos” dos clássicos gregos.
 
O requinte e esmero da modelação e o tratamento da superfície do mármore, polido como um marfim, deram-lhe a reputação de uma das mais belas esculturas de todos os tempos. Michelangelo tinha apenas 23 anos de idade. Em função da sua pouca idade na realização desta obra não acreditaram que ele fora seu autor. Assim, esculpiu o seu nome na faixa que atravessa o peito da figura feminina."
Fonte: Wikipédia.

David, de Miguel Ângelo

 Esculpida em 1501 (há mais de 500 anos!), «David» é considerada uma das estátuas mais famosas do mundo, ao lado de «Moisés» e da «Pietá», também de Miguel Ângelo.Esta escultura foi feita em honra do rei David, que a Bíblia relata ter derrotado sozinho, apenas com a ajuda de uma funda (uma espécie de fisga) um poderoso gigante, chamado Golias.
Ou seja, os pequenos podem vencer os maiores, sem usar a força bruta.

Esta estátua tem características interessantes:

--A estátua não é do tamanho de uma pessoa normal .Mede precisamente quatro metros e trinta e quatro centímetros.

--A cabeça
 A cabeça do «David» é muito maior do que devia ser em relação ao corpo. Como nós vemos a estátua "cá de baixo", a cabeça tem de ser maior para compensar a distância a que a vemos. Se a estátua tivesse apenas 2 metros e a cabeça fosse nessa proporção, o David seria um cabeçudo!
Pensa-se que Miguel Ângelo a fez assim de propósito, porque sabia que a estátua ia sempre ser vista de baixo para cima.
Olhando desta forma, as pessoas veriam uma cabeça de tamanho normal!

--A mão direita:
A mão direita é muito maior do que a esquerda.
Aqui as razões não são as mesmas da cabeça, já que a mão esquerda está perto da cabeça e a direita está para baixo. A explicação pode ser uma referência muito óbvia à «mão forte» de David, já que foi com ela que derrotou Golias.

.--Os pés:
Apesar de «David» personificar o homem de corpo perfeito, os seus pés são muito pequenos em relação ao resto do corpo.
Será, mais uma vez, uma questão de proporção?

-- Os olhos:
 Provavelmente nunca ninguém reparou muito bem nos olhos do «David», porque a sua cabeça está muito longe do chão.
Nos últimos tempos, os olhos foram vistos de maneira diferente: os especialistas dizem que os olhos da estátua são... de um míope!

--A nudez:
 Sabias que há pessoas capazes de tudo?
É que o «David» está completamente nu, como era normal nas esculturas da época.
No entanto, existem muitas pessoas que não concordam com isso e consideram a estátua um pouco imoral. Houve uma associação que recolheu 20 mil assinaturas a exigir que se vestissem umas cuequinhas na estátua...

www.junior.te.pt/servlets/Rua?=FamososArtesA...

outro ângulo da estátua.

Estátua de MOISÉS na Igreja de S.Pedro das Cadeias em Roma

Moisés é uma de suas esculturas mais apreciadas . Finalizada quando Miguel Angelo tinha 41 anos, mostra a plena maturidade do artista e é considerada uma das obras de arte mais representativas da escultura moderna, admirada universalmente pela hamonia das suas proporciões e, também, pelas expressões do rosto. O seu tamanho é colossal, foi esculpida em mármore de Carrara e pesa aproximadamente 25 toneladas. Conta-se que , após ter acabado esta obra, olhou-a atentamente , e atirou-lhe ao joelho o martelo dizendo: "levanta-te e fala", reconhecendo que à sua estátua só lhe faltava isso para ter vida. Quem já viu a estátua, reparou por certo que no joelho ainda se nota a consequência desse acto , uma fenda leve , mas visível sem recorrer a lupa.

O Moisés de Miguel Ângelo é um instantâneo de uma altura em que os judeus já se expandem em adoração do bezerro de oiro, e o interlocutor de Deus, indignado, reprime-se, encaracolando os anéis da barba como quem remói a ira, momentos antes de, num acesso de ira ,quebrar as tábuas da lei.

Na cara pode notar-se a existência de uma grande  força interior, e sentimentos de desânimo, de tristeza, de revolta.Tal como se levanta a hipótese de que a Mona Lisa é a cara do seu criador-Leonardo Da Vinci,também há quem considere que Miguel Ângelo esculpiu o seu rosto na estátua de Moisés.

.

BACO,o Deus romano do vinho e da vinha, da embriaguez e dos instintos livres.

Aos vinte anos viaja a Roma onde realiza a escultura dedicada a Baco, feita a pedido do banqueiro Jacobo Galli. Segundo o seu contemporâneo Condovi ,esta obra tinha forma que correspondía em cada uma das partes à intenção dos escritores da antiguidade. O corpo deste jovem é um tanto efeminado, mas Versari dirá que esta é a característica do deus grego Dionisio. Porém segundo Miguel Angelo "o deus tem na mão esquerda , em ar de descuido, uma pele de leão, símbolo da morte e um cacho de uvas, símbolo da vida, do qual bebe um Fauno.

Fresco "O JUÍZO FINAL"

No Juízo Final (1534-1541) o novo espírito domina já sem nenhuma delimitação. Já não é um momento de beleza e perfeição, de força e juventude o que surge diante de nós e sim uma imagem da confusão e do desespero, um grito de libertação do caos, que de repente ameaça devorar com tudo. O dever de entrega, de purificação de toda a vida terrena, de purificação do corpóreo e do sensual domina a obra. A harmonia espacial das composições renascentistas desapareceu. Trata-se agora de um espaço irreal, descontínuo, sem unidade.

O Juízo Final é um protesto de violento êxito contra a forma bela, acabada e sem mácula do Renascimento. Sua falta de forma tem dentro de si algo de agressivo e autodestruidor. (...) Figura e espaço, homem e mundo já não se encontram em relação harmônica. (Arnold Hauser).

Detalhe do Juízo Final

 

A CRIAÇÃO DE ADÃO

"No princípio Deus criou o Céu e a Terra."

Miguel Angelo, admirado pelo  Papa Júlio II,  foi por este  contratado para realizar a pintura no tecto da Capela Sistina, localizada no Vaticano. Um dos fragmentos mais conhecidos, "A Criação de Adão", foi pintado em 1511, na fase final. A cena está no espaço central da abóboda da capela. Exaltando a nobreza do ser humano, a atitude repousada de Adão contrasta notavelmente com a figura divina ,pois que esta é apresentada como um ser cheio de força  apesar de encarnar uma figura  humana .


Miguel Ângelo, Criação de Adão, Detalhe.
Note-se que não há diferenças entre as mãos de Deus
e as de Adão.

O Tecto da Capela Sistina, onde Miguel Ângelo pintou, entre outras cenas, A CRIAÇÃO DE ADÃO  e O PECADO ORIGINAL.

O PECADO ORIGINAL E EXPULSÃO DO PARAÍSO

Photobucket - Video and Image Hosting

O momento da tentação é particularmente rico em pormenores. Um dos mais surpreendentes é a própria figuração do pecado. A serpente não é representada como tal, nem só com cabeça de mulher, mas sim com corpo feminino que encontra o seu reflexo na posição reclinada de Eva, a sugerir a sensualidade e o erotismo habitualmente associados ao pecado. Miguel Ângelo, contudo, baralha os dados e distribui a culpa por todos: Adão, ele próprio, ergue-se para colher o fruto da árvore proibida em vez de apenas aceitar a maçã das mãos de Eva. Aliás, basta olhar para aqueles corpos para perceber isso mesmo: são corpos com músculos, com carne, com volume – são corpos com vida, que despertam o desejo, o erotismo, o amor talvez! Ou será por acaso que Adão se parece tanto com Apolo, o deus grego do amor?

Photobucket - Video and Image Hosting

Depois, é o castigo por desobedecerem a Deus. Adão e Eva são expulsos do Paraíso pelo anjo, simbolizando aqui a vingança, que parece surgir da árvore – tal como a serpente!

 Mas,  Miguel Ângelo tem piedade dos seus personagens, tanto mais quanto ainda lhes resta um pouco da inocência primitiva: a habitual folha de parreira a tapar o sexo de Adão ficou na árvore
Publicado por Jaguar | 53 Comentário(s)

Os Grandes Teatros- A ÓPERA DE PARIS

Edifício da Ópera de Paris

A ópera é um edificio em estilo  neoclassico barroco inaugurado em 1875 por Charles Garnier, chamado por esse motivo Opera Garnier. Destacam-se a sua escadaria de mármore, a grande ante-sala, o auditorio e o Museu da ópera.

 " Em 1858, Napoleão III decidiu construir o Edifício da Ópera de Paris.

 As anteriores salas do género existentes na cidade, desde a fundação da Académie Royale de Music, em 1669 por Luis XIV, foram de construção provisória ou destruídas por incêndios.

Em 29 de Dezembro de 1860, realizou-se o concurso público para escolha do projecto e autor, onde participaram 171 arquitectos. O eleito foi o jovem de 35 anos, Charles Garnier, que concebeu o edifício inspirado no estilo Tradicional Italiano.

A construção começou em 1861 e prolongou-se por 14 anos, tendo sida inaugurada em 5 de Janeiro de 1875. O próprio arquitecto foi responsável pela supervisão e coordenação do trabalho de escultores, pintores e mosaístas.
É um edifício típico de arquitectura do Séc. XIX, escondendo uma cortina de ferro debaixo da decoração flamejante.
O exterior é ornamentado com magníficas colunas,  figuras de anjos e outras estátuas. O interior é decorado de veludo, folha delgada de ouro, figuras de ninfas e querubins.

Ocupa uma área total de 11.000 metros quadrados, com um enorme espaço de bastidores do palco, que pode albergar 450 artistas. O Auditório central tem capacidade para 2.200 lugares sentados, e o seu tecto principal foi pintado por Chagall em 1964.

 As anteriores salas do género existentes na cidade, desde a fundação da Académie Royale de Music, em 1669 por Luis XIV, foram de construção provisória ou destruídas por incêndios.

Em 29 de Dezembro de 1860, realizou-se o concurso público para escolha do projecto e autor, onde participaram 171 arquitectos. O eleito foi o jovem de 35 anos, Charles Garnier, que concebeu o edifício inspirado no estilo Tradicional Italiano.

A construção começou em 1861 e prolongou-se por 14 anos, tendo sida inaugurada em 5 de Janeiro de 1875. O próprio arquitecto foi responsável pela supervisão e coordenação do trabalho de escultores, pintores e mosaístas.
É um edifício típico de arquitectura do Séc. XIX, escondendo uma cortina de ferro debaixo da decoração flamejante.
O exterior é ornamentado com magníficas colunas,  figuras de anjos e outras estátuas. O interior é decorado de veludo, folha delgada de ouro, figuras de ninfas e querubins.

Ocupa uma área total de 11.000 metros quadrados, com um enorme espaço de bastidores do palco, que pode albergar 450 artistas. O Auditório central tem capacidade para 2.200 lugares sentados, e o seu tecto principal foi pintado por Chagall em 1964.

 

O Teatro e a Praça

A Ópera de Paris
A Ópera é um dos monumentos mais belos da cidade. Situado a 10 minutos do Museu do Louvre, na Avenida da Ópera, uma das poucas aveninas de Paris que não tem nenhuma árvore plantada por ordem  de Napoleão III. que tinha medo de que um tiro o surpreendesse por entre a folhagem .A Ópera impressiona pela sua gradiosidade, pela deslumbtante e rica decoração ,com relevo para os  dourados e candelabros.

O Ballet da Ópera tem uma dupla vocação: a manutenção de um repertório excepcional, pela transmissão direta e intensa, e, por outro lado, a abertura para a criação. Sob a direção de Brigitte Lefèvre desde 1995, o Balé é um local de alta efervescência coreográfica que acolhe os maiores artistas do momento e inúmeras companhias estrangeiras. Além disso, dispõe de um vasto repertório que cobre o período romântico (Filippo Taglioni), as obras primas clássicas (Marius Petipa) e os Balés russos, obras modernas (Martha Graham), o neoclássico do século XX (George Balanchine, Maurice Béjart, Jerome Robbins), e obras contemporâneas (Carolyn Carlson, Alvin Ailey, Mats Ek). Esse repertório é enriquecido a cada temporada por encomendas de criações (Blanca Li, Saburo Teshigawara, Odile Duboc). Trata-se, portanto, de um equilíbrio único no mundo

Ópera de Paris, maior teatro lírico do mundo, projetado por Charles Garnier e edificado de 1862 a 1875

Fachada do palácio Garnier, a Ópera.

                                                Alto Ecletismo: Grande Ópera de Paris.
                                                     Projeto: Charles Garnier, 1861-74.

"A prática eclética serviu bem ao público burguês de então, e os problemas  funcionais, tecnológicos, e de conforto, foram nivelados aos problemas estéticos e estilísticos. É neste momento que ocorre a dissociação entre o construtivismo e a Arquitetura, o que muitas vezes vai exigir a colaboração entre um engenheiro e um arquiteto – nas estações ferroviárias, nos mercados etc. –, e para este último foi reservado um papel secundário, segundo uma crítica que perdurou até meados do século XX, o papel de "decorador de fachadas".

Por último, temos o Ecletismo Tardio, no final do século XIX e início do século XX, quando a arquitetura eclética convive com outras tendências dissidentes, como o Art Nouveau, o Expressionismo, e mesmo o Movimento Moderno.

Costuma-se diferenciar, também, o Ecletismo Tipológico – ou Historicismo Tipológico, na terminologia de Patetta –, que se baseia na escolha prévia de um estilo histórico, de acordo com a teoria associacionista, e do código estilístico consensualmente adotado pela 'Academia', do Ecletismo Sincrético – ou pastiche compositivo. Nesta orientação, o arquiteto se dá uma maior liberdade com relação ao modelo, misturando fontes distintas, inventando soluções inadmissíveis estilisticamente, e acusadas freqüentemente de "mau gosto".

Estátuas da Ópera

Um dos detalhes mais chamativos da fachada principal é ma policromía : Garnier esteve atento à polémica suscitada por Hittorff e outros autores sobre a pintura na arquitectura dos templos gregos; ele mesmo tinha proposto um colorida restauração do templo de Egina.

E a cor parecía especialmente apropiada para um teatro; Garnier usou uma ambiciosa selecção de mármores para colunas e ornamentos

busto de mozart sobre a fachada da opera

Os salões de Dança da Opera

O majestoso Palácio GARNIER, com 2.200 lugares, foi finalmente inaugurado em 15 de janeiro de 1875, com a representação do terceiro acto da ópera A Judia, de Fromental Halévy, e trechos de Os Huguenotes, de Giacomo Meyerbeer. Possui 11.000 m² de área construída e um imenso palco capaz de comportar em cena, simultaneamente, 450 artistas.

O Palco , em frente

Magnífica sala  vermelha  com tecto decorado pelo pintor Marc Chagal

O grande auditório central, que Garnier desenhou com particular cuidado, é uma ostentação: grande, pesadamente decorado de acordo com os tamanho e a textura . Provavelmente poderá considerar -se o detalhe mais "técnico" entre os que aprontou o desenhador.Os seus cachos de luzes de distintas apariências (bolas, tulipas, candelabros) deslumbram pela magnificência.

 

Pintura de Marc Chagal

Pormenor da pintura do tecto da auroria de Marc Chagal

Foyer pintado pelo clássico Jules-Élie Delaunay

Grande Foyer de Paul Baudry

Escadaria da ópera

Escadaria da Opera

O foyer,  lugar de descanso para o público de importancia ,exibe esta pompa e circunstância

 próprias do desenho  clássico:  tudo é aparatoso, uma afirmação desafiante do luxo burguês.

As dimensões do foyer,  excessivas sob qualquer ponto de vista, estão reforçadas pela repetição de elementos em profundidade , e a superposição em altura .O ornamento, como em todo o edificio, inclui muitas esculturas,mas é de marcado carácter arquitectónico, pois, mais que  abundante, é grande, volumoso, pesado. A decoração pictórica, especialmente a que cobre o tecto, é ambiciosa, como  noutros pontos do edificio

Na Opera de Paris, Maria Callas na Tosca

Na ópera, Maria Callas na "NORMA"em1964

mosaicos decorativos

O flamengo na Ópera

A primeira bailarina Laëtitia Pujol , em Don Quichotte, apresentado na Ópera  em 2002, com coreografia de Rudolph Nureyev.

O Ballet da Ópera de Paris é único no mundo. A riqueza de seu repertório clássico e contemporâneo, a juventude de seus intérpretes e a excelência de suas estrelas fazem dele um lugar essencial da dança de hoje

Plácido Domingo no papel -título de Parsifal  na Ópera

Publicado por Jaguar | 62 Comentário(s)

Santos de Madeira e Santos de Barro VI

E temos a santa de volta. Pálida e triste, que esteve entre os mortos a assistir a sofrimentos, alguns insuportáveis.

-irmã? que penitência tão má,a que o padre lhe deu. Assistiu a muitos velórios?

-Sim,balbuciou, com voz fraca de quem veio do silêncio das profundezas.

Foram vários os mortos :velhos, novos, crianças. Claro que foram estas últimas que me causaram maior dor, que todas eu senti como filhos meus.

-Pelos velhos, irmã, o sofrimento mostrado era mais contido?

-Ai irmão, houve apenas dois estranhos. Num ,os filhos passaram as horas de atenção ao cadáver a falar da divisão do património. Eu a certa altura até tive a impressão que os olhos do morto se abriram com aquela falta de respeito.No outro, havia só senhoras que passaram o tempo a falar mal de outras, delas conhecidas......Mas...e por aqui, como de têm passado os dias?

-O padreca foi-se embora, irmã,adiantei , que quiz ser eu a dar-lhe a boa nova.....

-Foi? Mas....

-Foi.Um catraio ,o filho do Albano,num dia em que estava dentro da igreja à espera que o pai saisse da sacristia, viu o pecaminoso comportamento do padre para com a irmã ,e tudo contou em casa. E já se vê, o povo mexeu-se

e o bispo recambiou o malvado para bem longe destes sítios.

-E como é o novo padre, contem, contem depressa.....

E lá fizémos o retrato simpático e merecido do novo pároco :jóvem, bem disposto, passa por nós e pergunta :como estão meus amigos,enfim, aquilo a que os paroquianos de agora chamam um tipo porreiro.Desculpe irmã o calão, mas na su ausência abrimos de mais a boca e demos larga à raiva que tínhamos ao padre, lançando palavrões mais ousados.

-Olhe e ele, o parde novo, já aqui veio mais do que uma vez à sua procura.

-De mim? Para quê?

-Parece que a Santa Macarena da capela da Praça de touros precisou de pintura e a irmã terá de estar amanhã no altar dela , porque os cavaleiros gostam de ir lá solicitar boa lide.

E , no dia seguinte,o pároco com mais uns populares vieram retirá-la do altar para a levar para a tourada.

-Que beleza de Santa aqui temos, exclamou o padre, com entoação limpa, para os transportadores da santa. Tenham cuidado com ela-avisou -que não caia novamente .

-Coitada, veio dos velórios e agora vão pô-la a ver sangue nos animais, disse, com pesar o Cepticim.

--quem me dera que fosse eu o escolhido, que gosto do espectáculo, mas os cavaleiros e os toureiros preferem santas....retorquiu o Alegrim

-Vai-lhe fazer bem, a música, os olés, a barafunda das chocas, o brilho das fatiotas dos cavaleiros , as palmas do público.Isto, desabafou o Optimim.....Vão ver que vem outra.Chegou tão pálida, coitada.... a festa taurina vai animá-la.

Cerca de duas horas e meia voltou a nossa amiga.

-Irmã? Tão afogueada...foi cansativa a tarefa?.

-Eu não gosto de touradas, falou baixo só para mim. Acho desumano o que fazem ao touro.O sangue deste, senti-o eu descer pela minha garganta,e, de cada vez que espetavam as farpas no animal,eu as sentia nas minhas costas...mas...

--sim.....

--Ai irmão havia uma cavaleiro de casaca de veludo verde bordada a ouro ...

e--??

-Ele me pediu uma faena de glória e eu do lado dos touros, foi uma aflição na escolha .Mas o cavaleiro era tão gentil, tão bonito, que lhe disse que sim....No final veio agradecer-me e beijou-me os pés. Fiquei arrepiada.

-Mas isso é paixão, irmã, disse eu, com um aperto no peito.E a partir desse momento, durante o perído crepuscular de conversa , contou os pormenorees do espectáculo, desta vez para todos ouvirem.

Fiquei doente.

.

jaguar

Publicado por Jaguar | 97 Comentário(s)

HOLOCAUSTO DIÁRIO na PALESTINA perpretado por ISRAEL

.

PALESTINA - A erradicação do território
PALESTINA - A erradicação do território

PALESTINA
A erradicação do território
A guerra, na Palestina, não é feita apenas contra a população, mas contra o território. A destruição vista pela delegação de escritores que visitou a região, em março deste ano, ganhou este relato emocionante de Christian Salmon. Na mesma delegação, foram Russel Banks (Estados Unidos), Bei Dao (China), Breyten Breytenbach (África do Sul), Vincenzo Consolo (Itália), Juan Goytisolo (Espanha), José Saramago (Portugal) e Wole Soyinka (Nigéria)
O JUDEU ARIEL SHARON, O  GRANDE MATADOR

Poesia para os nazi-sionistas raivosos

 

Não iremos embora

Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidro
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
...
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas
Para arrancar a comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
...
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede espremeremos as pedras
E comeremos terra quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso sangue

Aqui
Temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro
.

Poesia da resistência palestina Tawfic Zayyad, palestino de Nazaré

.

.................................

Para não esquecermos o sofrimento diário do povo palestiniano a quem os judeus aplicam o ensinamento que receberam dos nazis.

PS-O BLOGUE da colega TALINA tem bastante documentação  sobre  recente ATAQUE ISRAELITA à Faixa de  GAZA.

Publicado por Jaguar | 130 Comentário(s)

Humanismo Pré-Renascentista-DECAMERON de BOCCACCIO

GIOVANNI BOCCACCIO ( 1313 -1375 )

Giovanni Boccaccio (Paris, 16 de junho de 1313 - Certaldo, Toscana, 21 de dezembro de 1375) foi um autor e poeta italiano, o maior discípulo de Petrarca, um importante humanista renascentista autor de um número notável de obras incluindo Decamerão, Visão Amorosa e Mulheres Célebres.

Encontrados 14 pensamentos de Giovani Boccaccio

O amor é de uma natureza tal que quanto mais se ama mais se deseja amar.

.

Fazei o que dizemos e não o que fazemos.

.

E tem certeza disso: é casta apenas aquela que nunca foi pedida por ninguém, ou que, se pediu, não foi ouvida.

.

Fazer grande estardalhaço a propósito de uma ofensa de que fomos vítimas, não atenua o desgosto, mas aumenta a vergonha.

.

A pobreza é exercitadora das virtudes dos nossos talentos.

.

É (...) melhor arrepender-se por ter feito alguma coisa do que por não ter feito nada.

.

Num voo de pombas brancas, um corvo negro junta-lhe um acréscimo de beleza que a candura de um cisne não traria.

.

Apenas a miséria é sem inveja.

.

Mais vale agir na disposição de nos arrependermos do que arrependermo-nos de nada termos feito.

.

Os ignorantes julgam a interioridade a partir da exterioridade.

.

A pobreza não tira a nobreza a ninguém, a riqueza sim.

.

As ligações de amizade são mais fortes que as do sangue da família.

.

A súbita pobreza abriu-lhes os olhos, que a riqueza lhes havia mantido fechados.

.

As riquezas pintam o homem, e com as suas cores cobrem e escondem não apenas os defeitos do corpo, mas também os da alma.

Giovanni Boccccio ( 1313-1375 )

Giovanni Boccacio

(Paris?, 1313 - Certaldo, 1375)

Escritor italiano. Filho ilegítimo de um comerciante florentino e de uma dama francesa, Giovanni Boccaccio é o grande narrador do século xiv. Na sua juventude escreve principalmente obras literárias e poéticas em italiano, enquanto na sua velhice predominam as obras latinas de erudição e poesia. O seu pai tenta encaminhá-lo para a carreira de cambista, para o que o envia para Nápoles. Mas ele detesta este trabalho e realiza estudos de Direito Canónico. Na sua formação tem grande importância o ambiente cultural da corte dos Anjou (Nápoles) e o trato com homens cultos, como o jurista e poeta Cino da Pistoia e o astrónomo genovês Andalò del Negro. Nesta primeira etapa da sua vida, lê muita poesia e variada literatura, desde os clássicos latinos até à literatura medieval de França e de Itália. São uns anos felizes, no mundo da burguesia rica e livre de preconceitos de Nápoles. Ali se apaixona por uma dama da corte, a qual canta com o nome de Fiammetta. Cerca de 1340 volta a Florença chamado pelo pai. Nos anos seguintes percorre as cortes do Norte de Itália. Em 1348 volta de novo a Florença, onde o surpreende a epidemia de peste que descreve mais tarde na introdução ao Decameron e que lhe tira o pai e muitos dos seus amigos. Em 1350 tem lugar o seu encontro com Petrarca, de grande transcendência psicológica e cultural. Continua a relacionar-se com ele em Pádua, Milão e Veneza, sempre com afecto e admiração. Por estas alturas, Boccaccio já é um poeta estimado pelos seus concidadãos, que o encarregam de diversas missões diplomáticas. Cerca de 1361 retira-se para Certaldo, onde se dedica menos à literatura que ao estudo, então nascente, das humanidades. Os seus últimos anos são dolorosos (a morte da sua filha, as doenças, a pobreza). Em 1373, o município florentino encomenda-lhe umas leituras públicas da Divina Comédia. Doente e ofendido pelas críticas de alguns doutos florentinos, retira-se de novo para Certaldo, onde morre aos sessenta e dois anos.

A principal criação de Boccaccio é o Decameron. Trata-se de uma colecção de cem contos narrados, para entreter, por sete donzelas e três jovens que fogem de Florença, assolada pela peste. É um conjunto de lendas, anedotas, contos e novelas de variada procedência e maravilhosamente enraizado na realidade da época. Deste fresco social, pintado com grande realismo, desprende-se toda uma arte de viver. Pela sua maestria nas descrições, pela sua penetração psicológica, pela sua arte de contar, Boccaccio é o primeiro grande narrador moderno.

Entre as suas obras menores contam-se o romance Filocolo; Fiammetta, reflexo da sua paixão amorosa por Maria d'Aquino; e Ninfale Fiosolano, fábula sobre as ninfas de Fiesole. Da sua abundante obra latina sobressaem De casibus virorum ilustrium e De claris mulieribus."

http://www.vidaslusofonas.pt/giovanni_boccacio.htm,

..........BOCCACCIO Il Decamerone - Novella Prima Tom II No.3 Londra 1757

Two Nuns discovering a sleeping Gardener Engraving on copper by le Mire after Gravelot

"No ano de 1348, sete moças e três rapazes resolvem deixar a cidade de Florença para fugir da Peste Negra. Assim inicia-se o Decameron, de Boccaccio. Estes dez jovensabandonam a cidade para ficarem em um castelo onde teriam maior segurança. Para passar o tempo, Pampinéia sugere que escolham, a cada dia, alguém para reinar entre eles e, além disso, que contem, cada um, uma novela por reinado. Para isso, os jovens combinam que cada reinado corresponderá a uma jornada e cada jornada será composta por dez contos. E, entre uma jornada e outra, a história dos dez aventureiros se desenrola. É essa a base da estrutura do Decameron, pois a partir daí começam a ser contadas novelas (em um total de cem) que não têm relação com a história dos seus dez narradores, que são as personagens principais do Decameron. Essas novelas são "encaixadas", umas às outras, através do enredo da obra, que propicia, por intermédio deste convívio entre os jovens, que as histórias narradas, embora não possuam qualquer relação entre si, não fiquem desunidas mas que tenham um elemento de coesão fazendo com que o Decameron não seja apenas um livro com cem contos soltos. No início da obra temos a impressão de que ela é narrada em primeira pessoa, embora não o seja. O Decameron é narrado em terceira pessoa, sendo que o narrador é onisciente intruso e dirige-se às leitoras mulheres (narratárias). Há alguns espaços de grande importância na obra. Um é a cidade de Florença, onde acontece a epidemia que os obriga a fugir. Há a Igreja de Santa Maria Novela onde os jovens combinam a aventura e, também, os castelos para onde eles vão mais tarde e onde contam as novelas que compõem a obra. O tempo deve ser de aproximadamente dez dias, pois cada um dos dez jovens reinará por um dia, porém, há um fim de semana em que eles decidem não contar história alguma. No texto fica claro que a aventura dos jovens inicia em uma terça-feira pela manhã. As dez personagens principais eram Pampinéia, Fiammetta, Filomena Emília, Laurinha, Neífile e Elisa, as moças e Pânfilo, Filóstrato e Dionéio, os rapazes. Além deles há os criados que são as personagens secundárias. A acção Decameron gira em torno da necessidade que os jovens têm de protegerem suas vidas e da forma que eles encontram para isto. "

http:tatianflor.vila.bol.com.br/tatiana.html

http:tatianflor.vila.bol.com.br/tatiana.html

Segismunda com o coração de seu marido ( em -Decameron )

Decamerone o Decameron (do greco antico, deca = dieci; emeron = di giorni)

o Decameron (do greco antico, deca = dieci; emeron = di giorni)

O livro fala de um grupo de jóvens sete raparigas e tres rapazes
que, entretendo-se fora da cidade (durante dez dias) para fugir à peste negra, contando uma novelas, de teor humoristico e com frequentes referências ao erotismo bucólico do tempo. Por este conteúdo ultimo , o libro foi considerado cheio de imoralidade e de escandalo, e foi durante muitop tempo censurado ou como não adequadamente consideradio comouma estoria da literatura.



Boccaccio. IL DECAMERONE DI BOCCACCIO. Printed by Christofal Valdarfer. (Venice) 1471.

Como era a vida na época em que é escrito o DECAMERON

O Decameró de Giovanni Boccaccio é uma obra escrita nos finais da Idade Média ,a seguir exactamente ao pré-renascimento.. Esta obra juntamente com outras que vão ser escritas por Petrarca e Dante, irão ser as primeiras obras próprias do Renascimento, o que vai dar origem a novas tendèncias de escrita, que outros escritores vão adquirir. .

Florença, o ano de 1348 irá conhecer uma vaga enorme de peste que vai matar um elevado número de citadinos, entre eles, o pai er a madrasta de Boccaccio.Tal acontecimento vai servir de musa a Boccaccio psara lhe dar uma nova ideia para escrever. A obra será o Decameron, onde se relecte sobre o tipo de sociedade que existia havia a´época asim como a terrível pest que a assolou. Detse modo será uma obra totalmente realista .

Ao mesmo tempo ressurgirá um grande crescimento económico nas cidades, provocando na burguesia evoluções nalguns aspectos nomeadaa,ente no comércio,e no sistema de intercâmbio com a utilização da moeda.;comença-se a utilitzar la escrita com mais frequência, e començar a colocar valores sobre todos os bems materiais . Vai então surgir o começo de capitalismo,com a burguesia a ter mais poder que antes, prucurar um sistema de governo que lhe seja mais favorável.. Ms isto é uma rebeldia contra os poderes imperias dos papas que no entanto os verão diminuídos,.. A Itàlia conhecerá grandes confrontos entre as grandes cidades, assassinatos e guerras. guerras que se estender por toda a Europa

A Europa daquela época écaracterizada por les constantes conflitos de que resulta a fome e sucessivas epidemias por causa da falat de condições de higiene.

Inevitáveis atritos entre la burguesia e os nobres, os artesãos e comerciantes, os emperadores e a igreja.

Esta crise terminar no século XV.




NOVELLA CI.

Messer Guiduccio de' Contrati cade malato. Essendo amorosamente curato dalla moglie prestamente guarisce. Per alcune bisogne si reca in un suo podere fuori citt� ma tosto inavvertitamente ritorna, Avendo trovato la donna insieme con lo suo amante egli molto argutamente dice di esser stato sanato da un vaccino.

A estória de Cimon e Iphigenia

Decameron- A quarta jornada ou quarta novela


Le Décaméron
Miniatura do manuscrit de Jean sans Peur ilustrando lo episódio em que o rei  Candaule, por vaidade,revela a um seu favorito  os encantos da sua mulher dormindo.

Vingança em Veneza, conto inserido no DECAMERON, considerado como estória

aconselhada a adultos e menores, sendo uma boa introdução a´eitura da Obra máxima de Boccaccio

Boccaccio adapatado ao Cinema

Boccaccio '70" (1962 - 195m)

SINOPSE

VERSÃO RESTAURADA E REMASTERIZADA

"Boccaccio '70 é um exemplo acabado da imaginação e talento de toda uma geração que mudou a face do cinema. Optimista, provocador, divertido e sempre muito sensual, o filme resistiu bem à passagem do tempo."
-Rui Brazuna, PREMIERE

Inspirado no clássico Decameron, de Boccaccio, quatro grandes mestres do cinema Fellini, Visconti, De Sica e Monicelli, criaram uma comédia inesquecível, em quatro episódios sobre moralismo e puritanismo:

Renzo e Luciana, de Mario Monicelli com Marisa Solinas, a divertida história de um casal de operários que tem de manter em segredo o seu casamento para não perder o emprego. Um dia são descobertos pelo chefe e acabam despedidos.

, de Mario Monicelli com Marisa Solinas, a divertida história de um casal de operários que tem de manter em segredo o seu casamento para não perder o emprego. Um dia são descobertos pelo chefe e acabam despedidos.

As Tentações do Dr. António, de Federico Fellini com Anita Ekberg, A fantástica história de um homem cinzento que vê o mal em tudo (Peppino de Filippo) e que fica perturbado pela presença de um outdoor com uma bela e sensual mulher. O retrato ganha vida e a irresistível mulher torna-se uma obsessão alucinante para Dr. António.

, de Federico Fellini com Anita Ekberg, A fantástica história de um homem cinzento que vê o mal em tudo (Peppino de Filippo) e que fica perturbado pela presença de um outdoor com uma bela e sensual mulher. O retrato ganha vida e a irresistível mulher torna-se uma obsessão alucinante para Dr. António.

O Trabalho, de Luchino Visconti com Romy Schneider, é uma contemplação graciosa do casamento. Acompanhe a vingança de uma mulher às infidelidades do marido (Thomas Milian).

, de Luchino Visconti com Romy Schneider, é uma contemplação graciosa do casamento. Acompanhe a vingança de uma mulher às infidelidades do marido (Thomas Milian).

A Rifa, de Vittorio de Sica com Sophia Loren no papel de uma deliciosa mulher que causa todo o tipo de problemas a si própria quando decide ser ela mesmo o prémio de um jogo.

, de Vittorio de Sica com Sophia Loren no papel de uma deliciosa mulher que causa todo o tipo de problemas a si própria quando decide ser ela mesmo o prémio de um jogo.

O segmento de Monicelli foi cortado antes da apresentação do filme no Festival de Cinema de Cannes e foi apenas reinserido para o DVD, apresentado numa versão restaurada e remasterizada. Com uma duração final de cerca de 200 minutos, Boccaccio '70 reúne ainda um elenco extraordinário de sex symbols vintage: Sophia Loren, Anita Ekberg, Romy Schneider e Marisa Solinas.

REALIZADORES
Vittorio De Sica, Federico Fellini, Mario Monicelli, Luchino Visconti.

INTÉRPRETES
Marisa Solinas, Germano Gilioli, Anita Ekberg, Peppino De Filippo, Romy Schneider, Tomas Milian, Romolo Valli, Sophia Loren, Luigi Giuliani, Alfio Vita..

Cena do filme DECAMERON de Pier Paolo Pasollini

Inspirado no clássico Decameron, de Boccaccio, quatro grandes mestres do cinema Fellini, Visconti, De Sica e Monicelli, criaram uma comédia inesquecível, em quatro episódios sobre moralismo e puritanismo:

Renzo e Luciana, de Mario Monicelli com Marisa Solinas, a divertida história de um casal de operários que tem de manter em segredo o seu casamento para não perder o emprego. Um dia são descobertos pelo chefe e acabam despedidos.

, de Mario Monicelli com Marisa Solinas, a divertida história de um casal de operários que tem de manter em segredo o seu casamento para não perder o emprego. Um dia são descobertos pelo chefe e acabam despedidos.

As Tentações do Dr. António, de Federico Fellini com Anita Ekberg, A fantástica história de um homem cinzento que vê o mal em tudo (Peppino de Filippo) e que fica perturbado pela presença de um outdoor com uma bela e sensual mulher. O retrato ganha vida e a irresistível mulher torna-se uma obsessão alucinante para Dr. António.

, de Federico Fellini com Anita Ekberg, A fantástica história de um homem cinzento que vê o mal em tudo (Peppino de Filippo) e que fica perturbado pela presença de um outdoor com uma bela e sensual mulher. O retrato ganha vida e a irresistível mulher torna-se uma obsessão alucinante para Dr. António.

O Trabalho, de Luchino Visconti com Romy Schneider, é uma contemplação graciosa do casamento. Acompanhe a vingança de uma mulher às infidelidades do marido (Thomas Milian).

, de Luchino Visconti com Romy Schneider, é uma contemplação graciosa do casamento. Acompanhe a vingança de uma mulher às infidelidades do marido (Thomas Milian).

A Rifa, de Vittorio de Sica com Sophia Loren no papel de uma deliciosa mulher que causa todo o tipo de problemas a si própria quando decide ser ela mesmo o prémio de um jogo.

, de Vittorio de Sica com Sophia Loren no papel de uma deliciosa mulher que causa todo o tipo de problemas a si própria quando decide ser ela mesmo o prémio de um jogo.

O segmento de Monicelli foi cortado antes da apresentação do filme no Festival de Cinema de Cannes e foi apenas reinserido para o DVD, apresentado numa versão restaurada e remasterizada. Com uma duração final de cerca de 200 minutos, Boccaccio '70 reúne ainda um elenco extraordinário de sex symbols vintage: Sophia Loren, Anita Ekberg, Romy Schneider e Marisa Solinas.

REALIZADORES
Vittorio De Sica, Federico Fellini, Mario Monicelli, Luchino Visconti.

INTÉRPRETES
Marisa Solinas, Germano Gilioli, Anita Ekberg, Peppino De Filippo, Romy Schneider, Tomas Milian, Romolo Valli, Sophia Loren, Luigi Giuliani, Alfio Vita..

Cena do filme DECAMERON de Pier Paolo Pasollini


Roda da Fortuna - Jean Delville, 1940
Koninklijk Museum vor Schone Kunst, Antwerp 


Canto XXXV

Para Boccaccio a força essencial da vida é omor e a fortuna; os valores fundamentais do homem: ingenuidade, generosidade, cortesia. A sensualidade (que determina o amor terreno) é vista como uma calma maneira de viver, não como paixão culpada e degradante.
Nela o dia le novelle é animado com um tom fortemente satirico contra a visão dos senhores e dos religiosos. Boccaccio considera equivalentes as três religiões maiores: judaismo, cristianismo e islamismo.. Nas partes I e II debruça-se sobre o tema da fortuna, visto como um fortuito acaso de algo adverso ou favorável, não como instrumento da providência divina. Na III parte fala de infelizes aventuras eróticas (não obscenas). Nos IV V capítulos escreve sobre os amores felizes e infelizes. Nos três capítulos seguintes (VI, VII e VIII) aborda a inteligência e o engenho humanos.Boccaccio aprova a ironia e a zombaria dos burgueses nos confrontos insensatos ainda que o burguês se avalize de intrigas e acções desonestas .A inteligência está vincolada à moral e aos costumes.

Gustaf Wappers
Boccace lisant le Decameron à la reine Jeanne de Naples, 1849
Huile sur toile - 171 x 228 cm
Bruxelles, Musées royaux des Beaux-Arts de Belgique

 

The Decameron Tarot Deck
Publicado por Jaguar | 97 Comentário(s)

Renascença Pré-Barroca- TICIANO

TICIANO   (  1490 - 1576 ) auto-retrato

.TICIANO -auto-retrato

Donae ( 128 X 178cm ) - cerca de 1554 - Museu do Prado, Madri

Maria Madalena

Ticiano, "Amor Sagrado e Amor Profano" (1514)

Ticiano, Bacanal

Rapto de Europa

Vénus e Adonis


Júpiter e Antíope - Vecellio Tiziano, 1540-1542
Musée du Louvre, Paris

Figura 13.12  Vênus no Espelho (Ticiano, 1550)

 

Vénus de Urbino de Ticiano Vecelli, 1487-1576

Ticiano, Sexto Tarquínio e Lucrécia

Tiziano, Sísifo, 1548, Veneza ,1490-1576

CARLOS V, Picanoteca de Munique

 

Retrato do 3º Duque de Alba por Ticiano


Alegoria do tempo governado pela prudência (1565), de Ticiano

Ticiano: La Virgen con santos y miembros de la familia Pesaro, 1519-26 (óleo sobre tela. Iglesia de Santa Maria dei Frari de Venecia)

S.FRANCISCO XAVIER

São Jerônimo, pintura de Ticiano de 1542

Ticiano, ECCO  HOMO

"Em 1530, Ticiano assistiu à coroação, em Bolonha, do imperador Carlos V, que se converteu em seu principal patrono. O rei nomeou-o pintor da corte três anos depois e lhe concedeu um título de nobreza, fato inusitado que revela o prestígio conquistado pelo artista.

Nas décadas seguintes, o trabalho de Ticiano como retratista levou-o a várias cidades italianas e à sede imperial de Augsburgo.

Uma série de obras excepcionais contribuiu para estabelecer um arquétipo de retrato oficial, como em "O duque de Urbino" e a monumental composição eqüestre "Retrato de Carlos V depois da batalha de Mühlberg".

A singular capacidade do autor para revelar a personalidade de seus modelos mostrou-se especialmente em "Retrato do papa Paulo III com seus sobrinhos" e "Filipe II". Caminhos diferentes seguiram suas telas religiosas e mitológicas: o apogeu naturalista da "Vênus de Urbino" cedeu lugar a uma violência formal, fruto de passageira atração pela estética maneirista.

Em 1551 Ticiano fixou-se em Veneza. O cromatismo exuberante das cenas mitológicas que pintou entre 1554 e 1562 para Filipe II da Espanha -- "Danae recebendo a chuva de ouro", "O rapto de Europa" -- prenunciou o estilo revolucionário de seus últimos anos, em que se desligou gradualmente das linhas para compor as formas mediante espessas pinceladas, que ele freqüentemente retocava com os dedos.

Exemplos significativos dessa técnica quase impressionista foram a nova versão de "Descida ao túmulo", a "Coroação de espinhos" e a "Pietà", obra concluída por Palma o Jovem. Ticiano morreu em Veneza, em 27 de agosto de 1576."

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações

Baco e Ariadna

 Nem sempre é verdade que os amados pelos deuses são cedo chamados  para junto deles.

Com efeito, Ticiano, amado pelas divindades devido à beleza  que imprimia na sua pintura era um

dos seus eleitos  No entanto viveu até aos noventa e nove anos, perído em que  reinaram três monarcas

catorze papas e catorze perfeitos ou príncipes em Veneza..Apenas a algumas semanas antes de morrer, foi visto a beber em

honra ou à memória dos amigos, mirando longamente as moças que por ele passvam e por cujas mães e avós

tinha sido apanhado pela paixão, sentimetno com que sempre pintou os seus quadros. Sobreviveu aos seus contemporâneos

Henrique VIII, Lutero, Calvino, Francisco e Carlos V.

Forte como uma rocha que apenas sossobrou perante a peste demolidora.Uns meses mais, e teria tido uma vida secular.

.

jaguar

 

Vénus de Urbino de Ticiano Vecelli, 1487-1576

Ticiano, Sexto Tarquínio e Lucrécia

Tiziano, Sísifo, 1548, Veneza ,1490-1576

CARLOS V, Picanoteca de Munique

 

Retrato do 3º Duque de Alba por Ticiano


Alegoria do tempo governado pela prudência (1565), de Ticiano

Ticiano: La Virgen con santos y miembros de la familia Pesaro, 1519-26 (óleo sobre tela. Iglesia de Santa Maria dei Frari de Venecia)

S.FRANCISCO XAVIER

São Jerônimo, pintura de Ticiano de 1542

Ticiano, ECCO  HOMO

"Em 1530, Ticiano assistiu à coroação, em Bolonha, do imperador Carlos V, que se converteu em seu principal patrono. O rei nomeou-o pintor da corte três anos depois e lhe concedeu um título de nobreza, fato inusitado que revela o prestígio conquistado pelo artista.

Nas décadas seguintes, o trabalho de Ticiano como retratista levou-o a várias cidades italianas e à sede imperial de Augsburgo.

Uma série de obras excepcionais contribuiu para estabelecer um arquétipo de retrato oficial, como em "O duque de Urbino" e a monumental composição eqüestre "Retrato de Carlos V depois da batalha de Mühlberg".

A singular capacidade do autor para revelar a personalidade de seus modelos mostrou-se especialmente em "Retrato do papa Paulo III com seus sobrinhos" e "Filipe II". Caminhos diferentes seguiram suas telas religiosas e mitológicas: o apogeu naturalista da "Vênus de Urbino" cedeu lugar a uma violência formal, fruto de passageira atração pela estética maneirista.

Em 1551 Ticiano fixou-se em Veneza. O cromatismo exuberante das cenas mitológicas que pintou entre 1554 e 1562 para Filipe II da Espanha -- "Danae recebendo a chuva de ouro", "O rapto de Europa" -- prenunciou o estilo revolucionário de seus últimos anos, em que se desligou gradualmente das linhas para compor as formas mediante espessas pinceladas, que ele freqüentemente retocava com os dedos.

Exemplos significativos dessa técnica quase impressionista foram a nova versão de "Descida ao túmulo", a "Coroação de espinhos" e a "Pietà", obra concluída por Palma o Jovem. Ticiano morreu em Veneza, em 27 de agosto de 1576."

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações

Baco e Ariadna

 Nem sempre é verdade que os amados pelos deuses são cedo chamados  para junto deles.

Com efeito, Ticiano, amado pelas divindades devido à beleza  que imprimia na sua pintura era um

dos seus eleitos  No entanto viveu até aos noventa e nove anos, perído em que  reinaram três monarcas

catorze papas e catorze perfeitos ou príncipes em Veneza..Apenas a algumas semanas antes de morrer, foi visto a beber em

honra ou à memória dos amigos, mirando longamente as moças que por ele passvam e por cujas mães e avós

tinha sido apanhado pela paixão, sentimetno com que sempre pintou os seus quadros. Sobreviveu aos seus contemporâneos

Henrique VIII, Lutero, Calvino, Francisco e Carlos V.

Forte como uma rocha que apenas sossobrou perante a peste demolidora.Uns meses mais, e teria tido uma vida secular.

.

jaguar

Publicado por Jaguar | 56 Comentário(s)

A TORRE de BABEL

Torre de Babel  --GUSTAVE DORÉ

Os sábios adiantam vários motivos que levaram à construção da torre. Uns acham que a finalidade seria obter uma torre muito alta, e colocar no topo dela um objeto de idolatria. Sendo assim, todos os que olhassem para os céus, mesmo à distância, avistariam o idolatrado, assim, acabando assim de interiorizar a idéia de quem controlava o que acontecia lá em baixo era o ícone, o que seria uma guerra contra o verdadeiro Deus.

Outra opinião é baseada na prevenção contra novo dilúvio,como o que tinha acontecido mil anos antes.A torre tinha pois de ser bastante alta para os defender dessa possível ira de Deus.

Observamos através deste facto que estas pessoas certamente não acreditavam na palavra de Deus, que tinha prometido, logo após o dilúvio, que nunca mais o faria novamente. Inclusivamente como símbolo desta aliança com a humanidade, Deus criou o arco íris.

Como castigo da construção da torre, Deus deu a cada uma das pessoas uma língua própria,( o que levou à dispersão destas em 70 nações). pelo que se tornou impossível a continuação da construção em causa.

"Segundo o Antigo Testamento (Gênesis 11,1-9), torre construída na Babilônia pelos descendentes de Noé, com a intenção de eternizar seus nomes. A decisão era fazê-la tão alta que alcançasse o céu. Esta soberba provocou a ira de Deus que, para castigá-los, confundiu-lhes as línguas e os espalhou por toda a Terra.

Este mito é, provavelmente, inspirado na torre do templo de Marduk, nome cuja forma em hebraico é Babel ou Bavel e significa "porta de Deus". Hoje, entende-se esta história como uma tentativa dos povos antigos de explicarem a diversidade de idiomas. No entanto, ainda restam no sul da antiga Mesopotâmia, ruínas de torres que se ajustam perfeitamente à torre de Babel descrita pela Bíblia.

Não foi exatamente nas planícies áridas da Mesopotâmia que Pieter Brueghel, o Velho, localizou sua pintura a óleo Torre de Babel (1563), mas nas terras baixas e férteis de Flandres. Sem dúvida, os estudos que muitos artistas realizaram sobre o Coliseu de Roma proporcionaram o modelo para este edifício de arcos superpostos. Muitos arqueólogos relacionam o relato bíblico da Torre de Babel com a queda do famoso templo-torre de Etemenanki, na Babilônia, depois reconstruído pelo rei Nabopolasar e seu filho Nabucodonosor II. Dizem também que a torre foi um zigurate, uma construção piramidal escalonada"

http://www.historiadomundo.com.br/babilonia/torre-babel/,

Pieter Brueghel
PIETER BRUEGHEL

"A altura da torre é matéria de especulação, mas visto que a torre pode ser simbolicamente considerada uma precursora do desejo do homem de construir edifícios altos pela a História, a sua altura é um aspecto significativo do seu mitos. A Torre histórica encomendada por Nabucodunosor a cerca de 560 a.C. na forma de um zigurate de oito níveis é vista pelos historiadores como tendo cerca de 2000 metros de altura e 100 de largura.

A Torre de Babel Bíblica contudo, teria sido construída 2000 anos antes. A narrativa no livro do Génesis não menciona a altura da torre, e por isso não tem sido um grande tema de debate entre fundamentalistas Cristãos. Há, porém, pelo menos duas fontes extra-canonicais que mencionam a altura da torre.

O Livro dos Jubileus menciona a altura da torre como sendo de 5433 cúbitos e 2 palmos (2484 metros de altura). Isto seria aproximadamente quatro vezes mais alto do que as estruturas mais altas do mundo de hoje e em toda a história humana. Tal afirmação seria considerada mítica para a maioria dos estudiosos, visto que construtores em tais tempos antigos seriam considerados incapazes de construir uma estrutura de quase 2,5 quilómetros de altura.

A outra fonte extra-canonical é encontrada no Terceiro Apocalipse de Baruch; menciona que a 'torre da discórdia' alcançava uma altura de 463 cúbitos (212 metros de altura). Isto seria mais alto do que qualquer outra estrutura construída no mundo antigo, como a Pirâmide de Quéops em Guiza, Egipto e mais alta do que qualquer estrutura construída na história humana até à construção da Torre Eiffel em 1889. Uma torre de tal altura no mundo antigo teria sido tão incrível ao ponto de merecer a sua reputação e menção na Bíblia e outros textos históricos."

 

Teoria bíblica

Segundo a Bíblia os homens eram um só povo e falavam uma só língua, porém, Deus confundiu a língua dos homens, pois estes estavam buscando interesses nocivos e egoístas, dos quais estavam obtendo grande êxito. A idéia principal da torre seria a plenitude humana por seus próprios méritos, sem a ajuda de Deus.

Após isso, os povos foram espalhados pela terra cada um conforme sua língua.(Gênesis Cap-11)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Torre_de_Babel,

autor que desconheço

Frei Betto *


Adital

A natureza obedece a ciclos repetitivos: estações do ano, fases da Lua, movimento da Terra em torno do Sol etc. Na agricultura, a seqüência inelutável de semear, nascer, brotar, frutificar e morrer. Não por acaso os antigos reforçavam o patriarcalismo associando a mulher à terra na qual o homem "planta" a semente (daí "sêmen") da vida. Ele portava a vida em potencial, como o camponês guarda consigo as sementes. Ela atuava como mero receptáculo, vaso no qual a semente germina.

A dissociação entre ser humano e natureza advém do aparecimento da cidade, surgida por volta de 3500 a.C. Já não são os humanos que se adequam à natureza. A relação se inverte. Os humanos criam para si um espaço, o urbano, separado do rural. E deixam de ser mero mantenedores dos ciclos reprodutivos da natureza, para se tornarem produtores, inventores, artífices.

Rompe-se o equilíbrio ecológico. Os humanos se emancipam, submetem a natureza às suas exigências e projetos. O corte é muito bem simbolizado no episódio da torre de Babel (Gênesis 11, 1-9), jóia literária em menos de dez versículos.

Segundo o autor bíblico, após o Dilúvio "todos se serviam da mesma língua e das mesmas palavras". Não havia diversidade de enfoques e opiniões. O ponto de vista de um, o poderoso, era o de todos. E a atividade agropastoril igualava as pessoas.

O advento das cidades-Estado provoca um movimento migratório do campo para a urbe, representada no relato bíblico pela "terra de Senaar". Ali os humanos decidem "construir uma cidade" - a Babilônia, que significa "porta do deus" - com "tijolo que lhes serve de pedra e o piche de argamassa". (A Babilônia era a capital da Mesopotâmia, atual Iraque).

A revolução tecnológica representada pelo tijolo (insuperado até hoje) imprime aos humanos a consciência de que não estão mais condicionados pela natureza. A relação se inverte. Agora é o ser humano que condiciona a natureza. Transforma-a em artefato, cultura, faz do barro cozido a nova pedra e do piche, a argamassa.

Tais avanços enchem os humanos de orgulho. Não satisfeitos de "construir a cidade", decidem abrir a "porta do deus", ou seja, erguer "uma torre cujo ápice penetre nos céus". Aqui o relato expressa duas ambições, a de edificar uma montanha artificial (a torre), repositório da divindade, e a de "penetrar nos céus", quebrar o limite entre o humano e o divino, o profano e o sagrado, a Terra e o Céu. Já não é a divindade que desce à Terra, é o ser humano que invade o Céu graças à obra de suas mãos.

Toda essa sabedoria explica a arrogância decorrente, ainda hoje, de avanços científicos e tecnológicos. Queremos ser deuses. E agora, como nunca, ansiamos pela imortalidade, como Gilgamés, a primeira figura urbana da história, rei da cidade-Estado de Uruk, na Mesopotâmia, no terceiro milênio a.C. Fortunas são consumidas neste sonho: resfriamento de embriões e cadáveres, clonagem, cirurgia plástica, terapias de rejuvenescimento, drágeas em quantidade, exercícios físicos, dietas para todos os gostos, equipamentos miraculosos, livros de auto-ajuda etc. Tudo para nos livrar da velhice e permitir que desfrutemos, para sempre, de uma vida saudável… Morrer tornou-se acidente de percurso.

O versículo 4 registra as propostas de construção da cidade e da torre, e destaca o principal motivo de tal empreitada: "para ficarmos famosos e não nos dispersarmos pela face da Terra". Não se tratava de obter felicidade, bem-estar, bênçãos divinas. Importava a fama, possuir um nome sobreposto aos demais, e ficar segregado, seguro.

A fama nem sempre traz felicidade e a segurança, liberdade. Quanto mais famosa a pessoa, maiores os cuidados de segurança para evitar assédio e risco. Pelo fato de atrair dinheiro e poder, a fama é uma das mais sedutoras tentações. Pode-se obtê-la também pela via do poder, mas nem sempre através da riqueza, exceto se houver ostentação.

Babel é semantema de Babilônia. Deriva da raiz hebraica "bil", que significa "confundir". Narra o texto bíblico que Javé, ao observar Babel, convenceu-se de que os humanos se fechavam em seus próprios e ambiciosos projetos, deixando de acolher os desígnios divinos. "Isso é o começo de suas iniciativas!" - disse o Senhor. "Agora nenhum projeto será irrealizável para eles".


* Frei dominicano. Escritor

www.adital.com.br.

Maurits Cornelis Escher

Basilio Cortijo pintou o Incêndio da Torre de Babel.
DAN RUTTER
Dan Rutter criou uma assombrosa torre de Babel que bem podería existir realmente na nossa época.
Un lugar donde se vive e não é necessário sair dela, algo semelhante aos grandes centros de negócios de Nov York , uma cidade dentro de uma cidade, mas não só contemplando a parte financeira, antes incluindo também as industrias
Goste-se ou não da ideia, la imagem realizada en 3D é espectacular.
MONSU DESIDERIO

(...)Ninguém mais se entendeu.

" As línguas separaram a humanidade

Tamanha foi a desavença entre os humanos, que cada grupo resolveu partir para um canto distinto da terra. Desse desentendimento de Jeová com os homens teriam nascido as confusões que conhecemos e que padecemos. Um Deus que temia a força daqueles a quem dera vida, agora os enfraquecia pela eternidade afora, dando um idioma diferente a cada um deles. Foi certamente pensando nisso que Jean Jacques Rousseau, no seu Ensaio sobre a Origem das Línguas, afirmou que elas nasceram das paixões (dos rancores herdados dos tempos da Torre de Babel) e não das necessidades. Ou, como ele mesmo sentenciou, "não é a fome ou a sede, mas o amor, o ódio, a piedade, a cólera que lhes arrancaram as primeiras vozes... para repelir um agressor injusto, a natureza impõe sinais, gritos e queixumes."

Em Busca do Entendimento Perdido

Desde então, tudo levava a crer que inúmeras tentativas de reunir a humanidade, seja em que projeto for, redundavam em fracasso. Neste tempo todo, não faltaram profetas, nem poetas, conquistadores ou estadistas, filósofos gregos ou humanistas renascentistas, racionalistas ou revolucionários, messias de toda a ordem, que não tentassem reparar o estrago feito por Jeová nas antigas terras da Babilônia, e fazer com que a humanidade reencontrasse uma maneira de falar a mesma língua, ou pelo menos se sentasse ao redor da mesa e, mesmo por sinais, tentasse recuperar o entendimento perdido pelos tataranetos de Noé. E eles foram inúmeros. "

http://www.terra.com.br/voltaire/artigos/babel.htm

Aldeia que é uma TORRE DE BABEL natural

Restaurando a Torre de Babel

de Babel

"O atual aceleramento da globalização, que se soma ao fato da humanidade ter concordado, desde o século XIX, em obedecer no mundo inteiro o mesmo horário - o de Greenwitch -, em ter adotado o mesmo calendário - o ocidental cristão - , e, ter eleito uma assembléia mundial - a ONU -, funcionando desde 1947, leva-nos a crer que, durante o futuro milênio, a Terra se unificará, permitindo que os homens voltem a falar uma linguagem só.

http://www.terra.com.br/voltaire/artigos/babel.htm

SINDROME DA TORRE DE BABEL  ???
A NOSSA TORRE (autor que desconheço)
.

A figura de Deus,descrita no Antigo Testamento ,deixa muito a desejar. Impõe restrições a Adão e Eva que eles comem a maçã e são expulsos do paraíso.Irrita-se com os humanos de quem deve cuidar e amanda com um dilúvio.Faz Abraão aceder a matar o filho, o que à última da hora não aconteceu, porque enfim, Deus queria prova de que era a ele que todos amavam e obedeciam.

Nesta história da Toprre de Babel , cujas motivações para a sua construção são

várias, como vimos, a Bíblia afirma que Deus interveio e castigou quem a construía, dando a cada uma língua própria.Dividir para reinar. Que Deus tão bera.

Suponho que faltarão razões outras para levar a cabo a obra e não terão sido mencionadas nos textos-estou a lembrar-nme na possibilidade de a torre servir essencialmente como reservatório de água.

Fossem quais fossem os motivos, a constrrução de uma torre elevada, colocando de parte os aspectos de defesa, serão símbolo de riqueza . E ,espiritualmente, talvez mesmo, para quem sobe ao topo de uma, se sinta mais perto de algo divino. Se tivesse sido esta a motivação dos construtores da Torre de Babel , Deus deveria ter ficado feliz, porque afinal os que nela tarbalhavam queriam apenas ficar perto de quem amavam.Deua desconfiou que não seria essa a razão.

Deus não quiz que o perturbacem com "concorrências ideotas."....

E, tomando uma torre como uma elevação de nós, dos nossos sonhos,quem mentalmente não tem uma no cérebro ou no coração?

É que não há machado que corte a raíz ao pensamento...nem mesmo aquele Deus tão prepotente.

.

jaguar

DUKE DE BEDFORD
Publicado por Jaguar | 61 Comentário(s)

Santos de Madeira e Santos de Barro - V

 

.

E estamos outra vez sem a Santa , pois que novamente teve de ir receber tratamento na casa de restauro. E tudo por culpa do padreca que não a largava.Fazia-lhe um assédio quase diário quando se fechavam as portas da igreja.Chegava ao altar dela, mostrava que tinha comichão onde seria de respeito aguentar tal incómodo. Mas a aflição era grande e abraçava-a e beijava-a com aqueles beiços porcos que a lambuzavam com a saliva de quem anda obsecado com a satisfação de desejos carnais. Até que a Santa se esgueirou entre os braços dele e se estatelou no chão.

Não sei o que aconteceu aos outros santos, os de madeira,onde me incluo, que não conseguiram cair do altar abaixo. Foi à bruxa, o maldito ,e a bruxa lá nos amarrou os pés, não vejo outra hipótese.

O ranhoso do padre já percebeu que a santa não o suporta e não sei qual vai ser o comportamento dele a partir desta nova queda.Respeito da nossa parte não tem nenhum, que mal se fecha a igreja, é um coro de assobios e impropérios que os santos lhe lançam. É pena que o safado não nos possa ouvir.

---Ora, adiantou o santo Lacrimim,vai continuar na mesma.Tem cara de quem,quando deseja alguma coisa, a há-de ter.

----Eu acho que foi a última vez que o gajo foi badalhoco, opinou o Ponderim,que se o bispo sabe das quedas, ainda leva daqui a nossa santinha.

----Estou a pensar, retorquiu o Cepticim, que desta vez ela vem mal tratada do hospital,pois ficar duas vezes em cacos é coisa que deixa marcas e a o padre não lhe vai achar graça e portatnto nem vai mais olhar para ela.

E a nossa amiga regressou dos tratamentos. Estávamos todos com ansiedade para ver qual o aspecto que a sua figura apresentaria.E, haja Deus, que o há, pois vinha mais bonita do que antes.

---Então irmã? Os cacos ficaram bem colados? Não há perigo de a irmã se desfazer em bocadinhos?

Sorriu:

-----Não, amigos, quem me tratou , fê-lo com desvelo e respeito, e utilizou técnicas e produtos de grande qualidade.Ainda não é desta que se vêem livres de mim.

Mas estava enganada .

Daí a pouco apareceu o pároco para ver o resultado da operação.Olhou -a por largo tempo e,depois, com ar furioso,rangeu os dentes e gritou:

----Albano?

Era o acólito que ainda não tinha ido para casa.

----Albano?Telefona ao padre Funerim.Ele ontem disse que o santo que tinha na capela funerária se tinha partido. Diz-lhe que que amanhã lá terá uma santa para o substituir.

E ,no dia seguinte, depois de uma noite sofrida por todos com as lágrimas da nossa amiga, foi ela levada , de castigo, porque mais bela viera da colagem dos cacos, para estar , sozinha, noite e dia numa capela mortuária.

----Até breve irmã, dissemos, e que a sua estadia seja apenas de dias.

Foi incapaz de abrir a boca. Triste, tão triste, que se via mesmo preferir cair e ficar em pó.

E a igreja silenciou com uns soluços de um ou outro ao olhar para o altar vazio da nossa imaculada e bela amiga.

.

jaguar

Publicado por Jaguar | 81 Comentário(s)

A Pintura Flamenga-PIETER BRUEGHEL, O VELHO

Suposto auto-retrato de Pieter Brueghel

 ( PIETER BRUEGEL (1525/30 - 1569 )

Pieter Brueghel, O Velho, é é um dos masiores pintores flamengos do século XVI.O seu genio tem sido equiparado frequentemente ao de El Bosco com quem partilha um certo f tratamento fantástico em determinadas cenas como "O Triunfo da Morte" que está exposto no Museu do Padro . Praticamente desconhecido na sua fase de formação, os únicos dados sobre a sua vida e a sua carreira oferece-nos ums biografia de que o presenta como um ignorante dedicado à pintura cómica. No entanto, parece suficientemente demostrado que foi um homem de certa cultura, na medida em que contactou com estudiosos cientístas do seu país. Para mais, viajou pela Itália para aprender a forma de pintar dos renascentistas permanecendo , como interno, uma temporada no atelier de um professor siciliano.A sua viajem valeu-lhe também uma importante colecção de esboços excelentes sobre a paisagem dos Alpes, que teve de atravessar durante a sua viagem. Talvez isto tivesse resultado mais importante para a sua carrera que a aprendizajgem com os italianos, pois que no seu regresso criou uma série de paisagens muito difundidas na Europa mediante a gravação. Com esta esta mesma técnica, realizou certos temas moralizantes, normalmente ilustraçõess a refranes típicos, algo que El Bosco também tinha feito. A sua inclinação por los temas populares tornou-o conhecido como Brueghel , o Campesino.


www.soledad-fernandez.com

.

Brueghel pintou vários quadros sobre o mesmo temaapós a sua estadia en Roma. Esta é conhecida como a Grande Torre de Babel, e resulta evidente que los níveis de construção são inspirados no impressionante Coliseu romano, que Brueghel visitou.. Talvez o grandioso dessas ruinas tivesse inspirado Brueghel o sublime e ao mesmo tempo o vão e o efímero do esforço humano. Assim es como generalmente se interpreta esta imagen: la Torre de Babel, monumento à inutilidade do homem e a sua inconsequência, mas simultaneamente  tão magnífica... No interior da torre podem catalogar-se todo o tipo de actividades humanas, todas contribuindo para a elevação da torre.As cores são excelentes e a paisagem de fundo está na melhor tradição das  panorámicas d

A  Pequena Torre de Babel

O triunfo da Morte (1562

Interpreta como uma alegoría da peste negra, que assolava periodicamente a la população da época. Exércitos de esqueletos avançam sem parar, desde o horizonte, arrasando tudo por onde passam. Num primeiro plano  desenrola-se a batalha final contra as hostes do mal, que usam tampas de caixões à guisa de escudos. O massacre é apoteótico, os homens são despejados em massa para um túnel que parece a porta do inferno (direita). Um esqueleto montando um esfomeado cavalo percorre o campo de batalha seifando cabeças com uma guadanha (centro), enquanto o carro dos mortos recolhe os crâneos (esquerda).

O triunfo da Morte (1562

Interpreta como uma alegoría da peste negra, que assolava periodicamente a la população da época. Exércitos de esqueletos avançam sem parar, desde o horizonte, arrasando tudo por onde passam. Num primeiro plano  desenrola-se a batalha final contra as hostes do mal, que usam tampas de caixões à guisa de escudos. O massacre é apoteótico, os homens são despejados em massa para um túnel que parece a porta do inferno (direita). Um esqueleto montando um esfomeado cavalo percorre o campo de batalha seifando cabeças com uma guadanha (centro), enquanto o carro dos mortos recolhe os crâneos (esquerda).

Sucumbem à morte ,nobres e plebeus sem distinção. No  primeiro plano (da esquerda para a dereita) o rei agoniza enquanto la morte  lhe rouba as riquezas. Os bispos e monjas caiem, e de nada serve aos nobres cavaleiros enfrentarem-se de espada na mão.Como único sinal de esperança, o tocador e uma dama dedicam as  suas últimas horas a cortejar-se amorosamente, alheios a tanta destruição(extremo direito).

 

Paisagem com a queda de Icaro. (1558).

Uma cena de grande beleza estética, como era de se esperar de um importante mestre flamengo, talvez o maior deles, mas uma cena definitivamente prosaica e terrena - o dia-a-dia da humanidade da época de Brueghel. Nada mais distante de grandes e trágicos personagens mitológicos como Ícaro. 

Os ceifeiros

Pertence à serie conhecida por "os meses", que ilustra as actividades rurais nas distintas estações do ano e da qual  lamentavelmente se conservam apenas cinco das doze obras. Esta corresponde a Agosto, durante la colheita do trigo.

Mostra os campesinos trabalhando mas tambem tomando o seu tempo de descanso.

O fundo de tons amarelos  a dureza das gavilhas de trigo nos recordam  Van Gogh, que retomou o tema três séculos mais tarde.

A queda dos Anjos

queda dos anjos rebeldes

Esta é uma das obras de Bruegel em que fica mais evidente a origem mitológica cristã do tema tratado, mas sua abordagem não é nada tradicional. Pelo contrário, ele apropria-se de símbolos evangélicos e os junta com imagens que expressam os horrores e alucinações trazidas do fértil imaginário medieval

Vários anjos caem . Trombetas são tocadas e os anjos, mesmo com suas puras vestes alvas, travam uma batalha sangrenta com criaturas surreais e demoníacas. Um clima sinistro e confuso envolve a cena, o horror preenche quase todo o quadro. .

A batalha que aqui vemos tem como referência uma das transfigurações da luta entre o bem e o mal da mitologia cristã, são anjos rebeldes em guerra com anjos de Deus. A forma como o artista configura seus personagens, no entanto, não deixa exatamente clara quem representa o bem e quem o mal.

Caçadores na neve

Imagem: Brueghel o ancião - inverno paisagem com um pássaro trap.jpg 

Paisagem de Inverno

O Quartier Bruegel

Os seus quadros, que realçam o absurdo na vulgaridade, estão no entanto plenos de animação e pequenos detalhes, expondo as fraquezas e loucuras humanas, apresentando alguma semelhança com os de Hieronymus Bosch

Jogos de Crianças

pintor flamengo, quis fixar num único quadro todos os jogos infantis que conhecia. Muitos dos jogos que ele mostrou foram identificados. Olhando para o quadro identifique quantos brinquedos estão reproduzidos. Esta pintura é de 1560 e as crianças divertem-se com objectos simples: paus, chapéus, aros, entre outros.

Terra de cocaigne -é um mito medieval terra de abundância, onde toda a dureza da vida camponesa medieval, não existe.  Cockaigneé uma terra de  contrastes contraries, onde as restrições da sociedade são diminuídas , a liberdade sexual é permitida, e a comida deliciosa e abundante.

A parábola do Cego

La Parábola dos cegos de Brueghel O Velho, ilustra a passagem de S. Mateus: “quando un cego guia outro cego, ambos caiem no abismo

Dia sombrio

A  Batalha entre  Carnival e  Lent

A Boda

A Dança

Peter Bruegel, o Velho
(1525/30-1569), Breda – Países Baixos (atual Holanda).

Nos Países Baixos da época de Peter Bruegel a Reforma protestante estava a todo vapor e as guerras religiosas que ali aconteceram levaram a região a buscar independência em relação ao domínio espanhol. A região conquistou sua independência em 1648, propiciando o desenvolvimento de sua cultura burguesa e protestante. Bruegel é apontado como o primeiro artista do Maneirismo naquela região e chegou a ser comparado com Tintoretto, pois compartilhava com o mestre veneziano uma visão cósmica do mundo com a diferença de não costumar tratar temas bíblicos em suas obras. O misticismo é um elemento essencial no trabalho de Bruegel, mas se mostra em elementos naturais comuns como árvores, montanhas, pássaros, e nuvens. Pelo caráter, ao mesmo tempo, trivial e inquietante das figuras por ele representadas, sua Obra é de um simbolismo bastante aberto e mantem sua densidade poética até os dias de hoje.

Diferente de seus contemporâneos Tintoretto
e El Greco, Bruegel não distorcia as figuras, mantendo as proporções e relações espaciais de herança naturalista. Mas ele vai além do Naturalismo, chegando ao Realismo. Suas imagens não mostram nem bravura, nem sutileza em suas colocações, transparecem uma visão crítica e reveladora acerca do homem, do mundo e da sociedade de sua época. Ele retratou a vida como uma mistura e riso e dor, dos excessos do prazer às desgraças sociais.

Tanto em Bruegel como em
Bosch, seu antecessor do Gótico Tardio, há uma oscilação entre as tradições do Gótico, na utilização de símbolos e convenções, e as inovações da pintura flamenga do século XV, baseadas em observações do homem e da natureza. A influência de Bosch em Bruegel se mostra na ironia da linguagem grotesca e nos seres estranhos representados: monstros, híbridos de peixes, répteis, anfíbios que habitam diversas de suas obras - como podemos conferir nas obras A queda dos Anjos e O Triunfo da Morte. Ou seja, a iconografia de ambos é semelhante, porém, enquanto Bosch se destaca pelo aspecto fantástico dos mundos que criou, Bruegel enfocou as contradições do homem em sociedade - como podemos ver na obra Misantropo.

Mostra os campesinos trabalhando mas tambem tomando o seu tempo de descanso.

O fundo de tons amarelos  a dureza das gavilhas de trigo nos recordam  Van Gogh, que retomou o tema três séculos mais tarde.

A queda dos Anjos

queda dos anjos rebeldes

Esta é uma das obras de Bruegel em que fica mais evidente a origem mitológica cristã do tema tratado, mas sua abordagem não é nada tradicional. Pelo contrário, ele apropria-se de símbolos evangélicos e os junta com imagens que expressam os horrores e alucinações trazidas do fértil imaginário medieval

Vários anjos caem . Trombetas são tocadas e os anjos, mesmo com suas puras vestes alvas, travam uma batalha sangrenta com criaturas surreais e demoníacas. Um clima sinistro e confuso envolve a cena, o horror preenche quase todo o quadro. .

A batalha que aqui vemos tem como referência uma das transfigurações da luta entre o bem e o mal da mitologia cristã, são anjos rebeldes em guerra com anjos de Deus. A forma como o artista configura seus personagens, no entanto, não deixa exatamente clara quem representa o bem e quem o mal.

Caçadores na neve

Imagem: Brueghel o ancião - inverno paisagem com um pássaro trap.jpg 

Paisagem de Inverno

O Quartier Bruegel

Os seus quadros, que realçam o absurdo na vulgaridade, estão no entanto plenos de animação e pequenos detalhes, expondo as fraquezas e loucuras humanas, apresentando alguma semelhança com os de Hieronymus Bosch

Jogos de Crianças

pintor flamengo, quis fixar num único quadro todos os jogos infantis que conhecia. Muitos dos jogos que ele mostrou foram identificados. Olhando para o quadro identifique quantos brinquedos estão reproduzidos. Esta pintura é de 1560 e as crianças divertem-se com objectos simples: paus, chapéus, aros, entre outros.

Terra de cocaigne -é um mito medieval terra de abundância, onde toda a dureza da vida camponesa medieval, não existe.  Cockaigneé uma terra de  contrastes contraries, onde as restrições da sociedade são diminuídas , a liberdade sexual é permitida, e a comida deliciosa e abundante.

A parábola do Cego

La Parábola dos cegos de Brueghel O Velho, ilustra a passagem de S. Mateus: “quando un cego guia outro cego, ambos caiem no abismo

Dia sombrio

A  Batalha entre  Carnival e  Lent

A Boda

A Dança

Peter Bruegel, o Velho
(1525/30-1569), Breda – Países Baixos (atual Holanda).

Nos Países Baixos da época de Peter Bruegel a Reforma protestante estava a todo vapor e as guerras religiosas que ali aconteceram levaram a região a buscar independência em relação ao domínio espanhol. A região conquistou sua independência em 1648, propiciando o desenvolvimento de sua cultura burguesa e protestante. Bruegel é apontado como o primeiro artista do Maneirismo naquela região e chegou a ser comparado com Tintoretto, pois compartilhava com o mestre veneziano uma visão cósmica do mundo com a diferença de não costumar tratar temas bíblicos em suas obras. O misticismo é um elemento essencial no trabalho de Bruegel, mas se mostra em elementos naturais comuns como árvores, montanhas, pássaros, e nuvens. Pelo caráter, ao mesmo tempo, trivial e inquietante das figuras por ele representadas, sua Obra é de um simbolismo bastante aberto e mantem sua densidade poética até os dias de hoje.

Diferente de seus contemporâneos Tintoretto
e El Greco, Bruegel não distorcia as figuras, mantendo as proporções e relações espaciais de herança naturalista. Mas ele vai além do Naturalismo, chegando ao Realismo. Suas imagens não mostram nem bravura, nem sutileza em suas colocações, transparecem uma visão crítica e reveladora acerca do homem, do mundo e da sociedade de sua época. Ele retratou a vida como uma mistura e riso e dor, dos excessos do prazer às desgraças sociais.

Tanto em Bruegel como em
Bosch, seu antecessor do Gótico Tardio, há uma oscilação entre as tradições do Gótico, na utilização de símbolos e convenções, e as inovações da pintura flamenga do século XV, baseadas em observações do homem e da natureza. A influência de Bosch em Bruegel se mostra na ironia da linguagem grotesca e nos seres estranhos representados: monstros, híbridos de peixes, répteis, anfíbios que habitam diversas de suas obras - como podemos conferir nas obras A queda dos Anjos e O Triunfo da Morte. Ou seja, a iconografia de ambos é semelhante, porém, enquanto Bosch se destaca pelo aspecto fantástico dos mundos que criou, Bruegel enfocou as contradições do homem em sociedade - como podemos ver na obra Misantropo.

Uma cena de grande beleza estética, como era de se esperar de um importante mestre flamengo, talvez o maior deles, mas uma cena definitivamente prosaica e terrena - o dia-a-dia da humanidade da época de Brueghel. Nada mais distante de grandes e trágicos personagens mitológicos como Ícaro. 

Os ceifeiros

Pertence à serie conhecida por "os meses", que ilustra as actividades rurais nas distintas estações do ano e da qual  lamentavelmente se conservam apenas cinco das doze obras. Esta corresponde a Agosto, durante la colheita do trigo.

Mostra os campesinos trabalhando mas tambem tomando o seu tempo de descanso.

O fundo de tons amarelos  a dureza das gavilhas de trigo nos recordam  Van Gogh, que retomou o tema três séculos mais tarde.

A queda dos Anjos

queda dos anjos rebeldes

Esta é uma das obras de Bruegel em que fica mais evidente a origem mitológica cristã do tema tratado, mas sua abordagem não é nada tradicional. Pelo contrário, ele apropria-se de símbolos evangélicos e os junta com imagens que expressam os horrores e alucinações trazidas do fértil imaginário medieval

Vários anjos caem . Trombetas são tocadas e os anjos, mesmo com suas puras vestes alvas, travam uma batalha sangrenta com criaturas surreais e demoníacas. Um clima sinistro e confuso envolve a cena, o horror preenche quase todo o quadro. .

A batalha que aqui vemos tem como referência uma das transfigurações da luta entre o bem e o mal da mitologia cristã, são anjos rebeldes em guerra com anjos de Deus. A forma como o artista configura seus personagens, no entanto, não deixa exatamente clara quem representa o bem e quem o mal.

Caçadores na neve

Imagem: Brueghel o ancião - inverno paisagem com um pássaro trap.jpg 

Paisagem de Inverno

O Quartier Bruegel

Os seus quadros, que realçam o absurdo na vulgaridade, estão no entanto plenos de animação e pequenos detalhes, expondo as fraquezas e loucuras humanas, apresentando alguma semelhança com os de Hieronymus Bosch

Jogos de Crianças

pintor flamengo, quis fixar num único quadro todos os jogos infantis que conhecia. Muitos dos jogos que ele mostrou foram identificados. Olhando para o quadro identifique quantos brinquedos estão reproduzidos. Esta pintura é de 1560 e as crianças divertem-se com objectos simples: paus, chapéus, aros, entre outros.

Terra de cocaigne -é um mito medieval terra de abundância, onde toda a dureza da vida camponesa medieval, não existe.  Cockaigneé uma terra de  contrastes contraries, onde as restrições da sociedade são diminuídas , a liberdade sexual é permitida, e a comida deliciosa e abundante.

A parábola do Cego

La Parábola dos cegos de Brueghel O Velho, ilustra a passagem de S. Mateus: “quando un cego guia outro cego, ambos caiem no abismo

Dia sombrio

A  Batalha entre  Carnival e  Lent

A Boda

A Dança

Peter Bruegel, o Velho
(1525/30-1569), Breda – Países Baixos (atual Holanda).

Nos Países Baixos da época de Peter Bruegel a Reforma protestante estava a todo vapor e as guerras religiosas que ali aconteceram levaram a região a buscar independência em relação ao domínio espanhol. A região conquistou sua independência em 1648, propiciando o desenvolvimento de sua cultura burguesa e protestante. Bruegel é apontado como o primeiro artista do Maneirismo naquela região e chegou a ser comparado com Tintoretto, pois compartilhava com o mestre veneziano uma visão cósmica do mundo com a diferença de não costumar tratar temas bíblicos em suas obras. O misticismo é um elemento essencial no trabalho de Bruegel, mas se mostra em elementos naturais comuns como árvores, montanhas, pássaros, e nuvens. Pelo caráter, ao mesmo tempo, trivial e inquietante das figuras por ele representadas, sua Obra é de um simbolismo bastante aberto e mantem sua densidade poética até os dias de hoje.

Diferente de seus contemporâneos Tintoretto
e El Greco, Bruegel não distorcia as figuras, mantendo as proporções e relações espaciais de herança naturalista. Mas ele vai além do Naturalismo, chegando ao Realismo. Suas imagens não mostram nem bravura, nem sutileza em suas colocações, transparecem uma visão crítica e reveladora acerca do homem, do mundo e da sociedade de sua época. Ele retratou a vida como uma mistura e riso e dor, dos excessos do prazer às desgraças sociais.

Tanto em Bruegel como em
Bosch, seu antecessor do Gótico Tardio, há uma oscilação entre as tradições do Gótico, na utilização de símbolos e convenções, e as inovações da pintura flamenga do século XV, baseadas em observações do homem e da natureza. A influência de Bosch em Bruegel se mostra na ironia da linguagem grotesca e nos seres estranhos representados: monstros, híbridos de peixes, répteis, anfíbios que habitam diversas de suas obras - como podemos conferir nas obras A queda dos Anjos e O Triunfo da Morte. Ou seja, a iconografia de ambos é semelhante, porém, enquanto Bosch se destaca pelo aspecto fantástico dos mundos que criou, Bruegel enfocou as contradições do homem em sociedade - como podemos ver na obra Misantropo.

Mostra os campesinos trabalhando mas tambem tomando o seu tempo de descanso.

O fundo de tons amarelos  a dureza das gavilhas de trigo nos recordam  Van Gogh, que retomou o tema três séculos mais tarde.

A queda dos Anjos

queda dos anjos rebeldes

Esta é uma das obras de Bruegel em que fica mais evidente a origem mitológica cristã do tema tratado, mas sua abordagem não é nada tradicional. Pelo contrário, ele apropria-se de símbolos evangélicos e os junta com imagens que expressam os horrores e alucinações trazidas do fértil imaginário medieval

Vários anjos caem . Trombetas são tocadas e os anjos, mesmo com suas puras vestes alvas, travam uma batalha sangrenta com criaturas surreais e demoníacas. Um clima sinistro e confuso envolve a cena, o horror preenche quase todo o quadro. .

A batalha que aqui vemos tem como referência uma das transfigurações da luta entre o bem e o mal da mitologia cristã, são anjos rebeldes em guerra com anjos de Deus. A forma como o artista configura seus personagens, no entanto, não deixa exatamente clara quem representa o bem e quem o mal.

Caçadores na neve

Imagem: Brueghel o ancião - inverno paisagem com um pássaro trap.jpg 

Paisagem de Inverno

O Quartier Bruegel

Os seus quadros, que realçam o absurdo na vulgaridade, estão no entanto plenos de animação e pequenos detalhes, expondo as fraquezas e loucuras humanas, apresentando alguma semelhança com os de Hieronymus Bosch

Jogos de Crianças

pintor flamengo, quis fixar num único quadro todos os jogos infantis que conhecia. Muitos dos jogos que ele mostrou foram identificados. Olhando para o quadro identifique quantos brinquedos estão reproduzidos. Esta pintura é de 1560 e as crianças divertem-se com objectos simples: paus, chapéus, aros, entre outros.

Terra de cocaigne -é um mito medieval terra de abundância, onde toda a dureza da vida camponesa medieval, não existe.  Cockaigneé uma terra de  contrastes contraries, onde as restrições da sociedade são diminuídas , a liberdade sexual é permitida, e a comida deliciosa e abundante.

A parábola do Cego

La Parábola dos cegos de Brueghel O Velho, ilustra a passagem de S. Mateus: “quando un cego guia outro cego, ambos caiem no abismo

Dia sombrio

A  Batalha entre  Carnival e  Lent

A Boda

A Dança

Peter Bruegel, o Velho
(1525/30-1569), Breda – Países Baixos (atual Holanda).

Nos Países Baixos da época de Peter Bruegel a Reforma protestante estava a todo vapor e as guerras religiosas que ali aconteceram levaram a região a buscar independência em relação ao domínio espanhol. A região conquistou sua independência em 1648, propiciando o desenvolvimento de sua cultura burguesa e protestante. Bruegel é apontado como o primeiro artista do Maneirismo naquela região e chegou a ser comparado com Tintoretto, pois compartilhava com o mestre veneziano uma visão cósmica do mundo com a diferença de não costumar tratar temas bíblicos em suas obras. O misticismo é um elemento essencial no trabalho de Bruegel, mas se mostra em elementos naturais comuns como árvores, montanhas, pássaros, e nuvens. Pelo caráter, ao mesmo tempo, trivial e inquietante das figuras por ele representadas, sua Obra é de um simbolismo bastante aberto e mantem sua densidade poética até os dias de hoje.

Diferente de seus contemporâneos Tintoretto
e El Greco, Bruegel não distorcia as figuras, mantendo as proporções e relações espaciais de herança naturalista. Mas ele vai além do Naturalismo, chegando ao Realismo. Suas imagens não mostram nem bravura, nem sutileza em suas colocações, transparecem uma visão crítica e reveladora acerca do homem, do mundo e da sociedade de sua época. Ele retratou a vida como uma mistura e riso e dor, dos excessos do prazer às desgraças sociais.

Tanto em Bruegel como em
Bosch, seu antecessor do Gótico Tardio, há uma oscilação entre as tradições do Gótico, na utilização de símbolos e convenções, e as inovações da pintura flamenga do século XV, baseadas em observações do homem e da natureza. A influência de Bosch em Bruegel se mostra na ironia da linguagem grotesca e nos seres estranhos representados: monstros, híbridos de peixes, répteis, anfíbios que habitam diversas de suas obras - como podemos conferir nas obras A queda dos Anjos e O Triunfo da Morte. Ou seja, a iconografia de ambos é semelhante, porém, enquanto Bosch se destaca pelo aspecto fantástico dos mundos que criou, Bruegel enfocou as contradições do homem em sociedade - como podemos ver na obra Misantropo.

Publicado por Jaguar | 62 Comentário(s)

A Padroeira dos Ciganos-SANTA SARA

 

.

Conta a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões.

Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar.

Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito.

Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer.
Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias.
Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio.

Segundo o livro oráculo (único escrito por uma verdadeira cigana) "Lilá Romai: Cartas Ciganas", escrito por Mirian Stanescon - Rorarni, princesa do clã Kalderash, deve ter nascido deste gesto de Sara Kali a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: "Dalto chucar diklô" (Te darei um bonito lenço).

Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no Sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um Diklô, o mais bonito que encontrassem.

E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.

Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos.

Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo.

A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco).

Talvez seja este o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte de simpatias e garrafadas milagrosas para fertilidade.

GUARDIÕES DA LUZ

A imagem de Santa Sara fica na cripta da igreja de Saint Michel, onde estariam depositados seus ossos.

O epíteto "Kali" significa "a negra", porque sua tez é escura. Seu culto se liga ao culto das Madonas Negras,

Fontes variam: se sua canonização consta de 1712, ou se é uma santa regional. Sua festa é celebrada nos dias 24 e 25 de maio, reunindo ciganos de todo o mundo.

Sua imagem é coberta de lenços, sendo ela uma protetora da maternidade. Mulheres (Romi) que não conseguem engravidar e mulheres que pedem por um bom parto, ao terem seus pedidos atendidos, depositam aos seus pés um lenço (diklô). Centenas de lenços se acumulam aos seus pés.

As pessoas fazem todo tipo de pedido para Santa Sara, por sua fama de atender todos os que depositam verdadeira fé nela. Mas perseguirá os opressores, os racistas, aqueles que vão contra seus protegidos prímevos, que são os ciganos. Santa Sara é a santa dos desesperados, dos ofendidos e dos desamparados.

"O dia de Santa Sara, padroeira dos ciganos, é comemorado em 24 de Maio em todo Brasil e na Europa (especialmente na cidade de Saintes Maries de La Mer, no Sul da França). Nesta data,é realizada a grande festa em louvor a Santa Sara. No dia 25 também são homenageadas outras duas santas muito queridas pelos ciganos: Salomé e Jacobina.

Sara esát ligada a história das tradições cristãs da idade média e nunca foi canonizada pela igreja católica, restringindo-se a uma santa de culto local.

Não se sabe realmente a razão exacta que levou o povo cigano a eleger Santa Sara como sua padroeira, mas ela que é a mais venerada e a ela que levam os seus pedidos e súplicas.

Há duas lendas que envolvem Sara. Uma delas conta que ela fazia parte dos grupos de crisãtos que fugiram da perseguição de Roma e atravessaram os mares numa embarção saindo da Palestina. Sara era uma serva, de pele cor de azeitona, que acompanhava os cristãos desta embarção, onde estavam Maria mãe de Jesus, Maria Salomé, Jacobina, Salom, Tiago, João, Lázaro entre outros. Dizem que esta embarção se aportou numa ilha pequena a alguns quilmetros a leste do Petit-Rhne, onde hoje é a pequena cidade Saintes Maries de La Mer, na região da Provença. Santa Sara foi a primeira a ser convertida ao cristianismo ao ter morrido ao serviço das suas companheiras de viagem.

Já uma outra versão afirma que Sara já habitava a Camargue quando os cristãos lá chegaram, e que ela lhes ofereceu ajuda .

Os ciganos vêm de toda a Europa e Oriente para esta grande festa do dia 25 de maio. Muitos chegam de carros-reboque, outros em suas carroças bem coloridas, outros de automóveis luxuosos ou nas suas camionetas. A pequena cidade do litoral da França se torna movimentada e alegre com a chegada dos visitantes. Neste dia os ciganos se encontram e matam as saudades de seus amigos e parentes, comemorando com muita música, dança, comidas e bebidas esta linda festa que se inicia no dia 23 de maio e que segue noite adentro até à madrugada do dia 24.

Há então uma procissão às 15 horas do dia 24, onde a imagem da santa é colocada num andor e sai da cripta onde se encontra. Neste local ficam todos os pedidos e ali que são feitas as orações. Da cripta ela é carregada por oito ciganos até às areias da praia. Uma grande multidão segue a procissão, inclusivé os padres católicos, que acompanham a santa entoando os seus cânticos religiosos que se misturam com a música dos ciganos e o bater de palmas dos seguidores de Sara.Os cavaleiros da Ordem de São Jorge a protegem dos fanáticos e vândalos. No momento em que chegam à praia e entram com Sara nas águas do mar faz-se total silêncio. Levada ao alto, Sara parece viva a contemplar o mar e a sentir o vento em sua face!"

Terço de Santa Sara

Lenços de Santa Sara

Oferecer lenços para Santa Sara Kali é sinal de gratidão por algo alcançado
O lenço é um simbolismo forte entre os ciganos.
Significa a aliança da mulher casada em sinal de respeito e fidelidade.
Santa Sara Kali protege as mulheres que querem ser mães e sentem dificuldades em engravidar.
Protege, também, os partos difíceis. Basta ter fé na sua energia

Saída do andor de Santa Sara da Igreja do Rosário em Santos


Igreja medieval  de Saintes Maries de la Mer ,

õnde estarão as relíquias de Maria Madalena e de santa Sara

Cripta com as relíquias de Santa Sara

As relíquias de Santa Sara

Poderia haver alguma ligação entre os Templários, a Santa Sara dos ciganos, o tarot e o Santo Graal?

" Mitologicamente o Povo Cigano está ligado Kali - a deusa negra da mitologia hindu, associada a figura de Santa Sara, cujo mistério envolve o das "virgens negras", que na iconografia cristã representa a figura de Sara, a serva que teria acompanhado as três Marias: Jacobina, Salomé e Madalena, e, junto com José de Arimateia fugido da Palestina numa pequena barca, transportando o Santo Graal (o cálice sagrado). A lenda diz que desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Então Sara retira o dikl (lenço) da cabeÇa, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem

ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Milagrosamente, a barca sem rumo e à merc ê de todas as inteméries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos na Gália (Hoje França) Na região de Marselha no porto de Camargue na cidade de Petit-Rhne, hoje Saintes-Maries-de-La-Mer. Posteriormente Sara teria sido levada a um antigo mosteiro da Bretanha. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias. (Alguns acreditam que essa é a origem do costume das ciganas de usarem lenço) Diz o mito que a barca teria perdido o rumo durante o trajecto e atracado no porto de

Camargue, nas margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido como "Saintes Maries de La Mer", transformando-se desde então num local de grande concentração do Povo Cigano.

Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali chamada também pelas ciganas por ajudá -las diante de dificuldades de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam -lhe promessas , e, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no sul da Frana, fariam uma noite de viglia e depositariam nos seus pés como oferenda um dikl, o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça. É de se notar que a fertilidade é um dos maiores poderes atribuídos ao Santo Graal. "

.

Orações Ciganas

 

Oração à Santa Sara-Kali

 

SARA, SARA, SARA, fostes escrava de José de Arimatéia,

no mar fostes abandonada (pedir para que nada nos abandone: amor, saúde, dinheiro, felicidade...)

teus milagres no mar sucederam e como santa te tornastes,

a beira do mar chegastes e o "CIGANOS" te acolheram,

SARA, Rainha, Mãe dos Ciganos ajudaste

e a ti eles consagraram como sua protetora e mãe vinda das águas.

SARA mãe dos aflitos,

a ti imploro proteção para o meu corpo,

luz para meus olhos enxergarem até no escuro (pedir força para os seus olhos, vidência),

luz para o meu espírito e

amor para todos os meus irmãos: brancos, negros, mulatos,

enfim a todos os que me cercam.

Aos pés de Maria Santíssima, tu, SARA

me colocarás e a todos os que me cercam

para que possamos vencer as agruras que a terra nos oferece.

SARA, SARA, SARA,

não sentirei dores nem tremores,

espíritos perdidos não me encontrarão

e assim como conseguistes o milagre do mar,

a todos que me desejarem mal,

tu com as águas me fará vencer (quando a pessoa não está bem e querendo resolver algo muito importante beber três goles de água).

SARA, SARA, SARA,

não sentirei dores nem tremores,

continuarei caminhando sem para assim

como as caravanas passam, no meu interior tudo passará

e a união comigo ficará e,

sentirei o perfume das caravanas que passam

deixando o rastro de alegria e felicidade,

teus ensinamentos deixarás.

Amai-nos SARA,

para que eu possa ajudar a todos que me procurem,

ajudados pelos poderes de nossos irmãos Ciganos,

serei alegre e compreensivo(a) com todos os que me cercam.

Corre no Céu, corre na Terra, corre no Mundo e

SARA, SARA, SARA estará sempre na minha frente,

sempre atrás, do lado esquerdo, do lado direito.

E assim dizemos:

somos protegidos pelos Ciganos e pela SARA

que me ensinará a caminhar e perdoar.

Reze 3 Ave Marias (1ª para SARA, 2ª para os Ciganos e a 3ª para você)

SARA, SARA, SARA, fostes escrava de José de Arimatéia,

no mar fostes abandonada (pedir para que nada nos abandone: amor, saúde, dinheiro, felicidade...)

teus milagres no mar sucederam e como santa te tornastes,

a beira do mar chegastes e o "CIGANOS" te acolheram,

SARA, Rainha, Mãe dos Ciganos ajudaste

e a ti eles consagraram como sua protetora e mãe vinda das águas.

SARA mãe dos aflitos,

a ti imploro proteção para o meu corpo,

luz para meus olhos enxergarem até no escuro (pedir força para os seus olhos, vidência),

luz para o meu espírito e

amor para todos os meus irmãos: brancos, negros, mulatos,

enfim a todos os que me cercam.

Aos pés de Maria Santíssima, tu, SARA

me colocarás e a todos os que me cercam

para que possamos vencer as agruras que a terra nos oferece.

SARA, SARA, SARA,

não sentirei dores nem tremores,

espíritos perdidos não me encontrarão

e assim como conseguistes o milagre do mar,

a todos que me desejarem mal,

tu com as águas me fará vencer (quando a pessoa não está bem e querendo resolver algo muito importante beber três goles de água).

SARA, SARA, SARA,

não sentirei dores nem tremores,

continuarei caminhando sem para assim

como as caravanas passam, no meu interior tudo passará

e a união comigo ficará e,

sentirei o perfume das caravanas que passam

deixando o rastro de alegria e felicidade,

teus ensinamentos deixarás.

Amai-nos SARA,

para que eu possa ajudar a todos que me procurem,

ajudados pelos poderes de nossos irmãos Ciganos,

serei alegre e compreensivo(a) com todos os que me cercam.

Corre no Céu, corre na Terra, corre no Mundo e

SARA, SARA, SARA estará sempre na minha frente,

sempre atrás, do lado esquerdo, do lado direito.

E assim dizemos:

somos protegidos pelos Ciganos e pela SARA

que me ensinará a caminhar e perdoar.

Reze 3 Ave Marias (1ª para SARA, 2ª para os Ciganos e a 3ª para você)

Lendas diversas apontam que Sara teria falecido, após sua conversão ao Cristianismo; outras que teria sido uma sacerdotisa do Deus Mitra; outras que teria origem egípicia ou africana, o que justificaria a sua pele negra.

Porém o mais importante é o que ela representa para o Povo Cigano, que comemora suas festividades em 24 de Maio, quando milhares de devotos de quase todas as partes do mundo chegam em Saintes Marie de la Mer.

Babalorixá Paulo Newton de Almeida

Publicado por Jaguar | 53 Comentário(s)

KUSTURICA e os CIGANOS

 

.

Emir Kusturica

Kusturica é um director do caos. Com efeito é mestre  no entrelaçar de várias acções, personagens e figurantes, diálogos e efeitos sonoros  em cada cena. Do princípio ao fim,é um amontuado confuso  caracterizado  por música tocada  e gemida por um acordeão   ou por uma explosão bem no meio de  um pinhal ou num jardim. E é no meio deste circo espalhafatoso e imprevisto, que se irá desenrolar uma estória saborosa.

A estória,geralmente drama, sendo vivida naqueles cenários , fica desde logo situada entre o ridículo e a tragédia  e nasce a dúvida : a situação é para rir ou para levar a sério?. Mas nós acabamos por rir ,pois como seres humanos, sabemos muito bem fugir   à lógica.Talvez por isso Kusturica escolheu o povo cigano  para os seus personagens. Porque dentro da vida, cabe a tragédia ,mas arranjar-se-á sempre tempo para festas, danças ou casamentos. .

Kusturika é um nome que ficará marcado na história do cinema, como símbolo da irreverência e do tom jocoso com o qual nos brinda em todos os seus filmes, como é o caso deste Tempo dos Ciganos que ficará também marcado pelo facto de ser o primeiro a ser filmado apenas com diálogos falados em língua cigana.

É um dos mais reputados realizadores europeus. É difícil permanecer fiel às suas origens, às suas raízes?

.
" No Ocidente, quase todas as histórias se constroem mais ou menos sobre uma base mítica. Quando se faz um Harry Potter, as pessoas compreendem logo do que se trata. Pelo contrário, cada vez que faço um filme, tenho de impor uma dimensão mítica. Se faço um milhão de espectadores em França com Gato Preto, Gato Branco, ou meio milhão em Itália, ou não sei quanto em Inglaterra, é preciso multiplicar esses números por cinco, para imaginar quantos espectadores teria feito se o filme fosse rodado em inglês ou fosse sobre um mito ocidental. Noutras palavras se tivesse de escolher entre ser o Michael Jackson ou o Lou Reed, escolheria sempre o Lou Reed. Há vinte anos que tentam matar o cinema de autor em nome de um chamado ‘cinema independente’. Resultado: o independente torna-se cada vez mais dependente. Mas alguns autores no mundo ainda conseguem manter as distâncias. Dedico-me de corpo e alma ao que faço, à natureza das coisas e estou disposto a lutar por estas coisas durante toda a vida. Nos últimos tempos vi filmes magníficos de Kubrick, Visconti... Posso citar dez nomes de Kurosawa a Fellini, de Fellini a Bergman, de Bergman a Kubrick... Estes autores têm uma aura mundial. Mas um punhado de estúpidos quer matar este cinema em prol do box office. Isso deixa-me furioso, porque os belos filmes que citei são um bálsamo para o coração e tornam-no mais humano. "

in-entrevista cedida à "Folha de S.Paulo"


"Quais são as bases míticas dos seus filmes?
"A família é um valor universal. Para compreender uma história que se passa nos Balcãs, é preciso imaginar a família no centro. No nosso tempo, o aspecto científico tornou-se mais importante que a cultura. Por definição, a cultura é nacional, mas querem apagar as diferentes nacionalidades para que o mundo esteja unido por um só e único mito. É idiota, porque só 15 ou 20 por cento do nosso cérebro é que é racional. O resto é inconsciente e não sabemos muito bem para o que serve. Por isso ainda há uma parte de desconhecido. E se o cinema ianda é belo é porque no fala de pessoas pelo viés do intangível. Acho que a minha dimensão mítica funda-se numa série de elementos fáceis de reconhecer: a família é um elemento mítico, tal como herói face a um dilema no seio de uma família. O elemento mítico deve falar. Tenho muito orgulho por a minha visão de autor permanecer intocada. Nunca aceitei compromissos. Quase todos os meus filmes precisaram de mais de um ano de trabalho e não só por causa das minhas exigências estéticas, porque mesmo assim não quero excluir o público. Tento sempre abrir os meus filmes ao máximo de pessoas. "

in-entrevista cedida à "Folha de S.Paulo"

Emir Kusturica no Festival de Cannes 2004, cercado pelas atrizes Vesna Trivalic e Natasa Solak, que participaram de seu filme  " A vida é um milagre "

Emir Kusturica & No Smoking Orchestra

 "Blue Gipsy"  do bósnio Emir Kusturica.mostra um garoto oriundo de uma família cigana que está num reformatório para menores. O jovem de   "Blue Gipsy"acaba por viver  aventuras ao lado de outros garotos ,exactamente no lugar em que se imaginaria que ele passaria pelos piores apuros. Quando volta à guarda da família, o pai  violenta-o e obriga -o a  roubar, o que o leva a preferir regressar  ao reformatório, onde se sentirá mais “livre”. Se a intenção era alertar para a violência dos pais contra algumas crianças, Emir toca muito de leve no assunto, ficando mais centrado nas peripécias do garoto na sua caminhada.



Dom za vesanje (No tempo dos ciganos), de Emir Kusturica

"O Tempo dos Ciganos" - História que foca uma família de ciganos , que após terem ficado sem casa devido a uma explosão, confiam a sua filha a um amigo para este levá-la a um hospital para ser tratada a uma doença crónica que sofre nas pernas. Pouco depois, um dos irmãos da rapariga descobre que esta, afinal, foi vendida a um grupo de proxenetas que se dedica à prostituição infantil. O jovem herói segue a pista até Itália onde acaba por se envolver na vida do crime e tornando-se numa figura proeminente da máfia local."

Entre festas de casamentos, ou trabalhos como criar cal, ou dias de chuva, podemos observar um rol de situações caricatas de um humor característico do Kusturica, desde um homem a passear um porco, a outro que numa discussão com a mulher a pendura no cabide, até ao ciúme do peru perante o seu dono e ainda podemos ver as paredes duma casa serem içadas com a ajuda do reboque de um carro.
Pobreza versus riqueza, venda de crianças, prostituição infantil, roubo e assassínio é o modo como podemos resumir o filme que tantas gargalhadas arranca do espectador que o vê. Um drama que se camufla de comédia para que a vida não seja preta no branco e sem vontade de ser olhada.

Este filme apesar do tom jocoso, e harmonioso como as personagens se cruzam (sempre em festas e festejos) também denuncia certas realidades, certos podres da comunidade cigana, mas que ao fim ao cabo existe em qualquer uma. Um jogo de interesses, onde o que mais importa é o outro e o dinheiro que se consegue obter e a honra, para isso tudo é considerável viável de ser feito.

Tempos dos Ciganos ganhou o prémio de Melhor Realizador em Cannes no ano de 1989 e ainda foi candidato aos prémios César em França para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro."

Inês Montenegro

underground



underground

 

"Underground " - Durante a Segunda Guerra Mundial, Belgrado é bombardeada pelas tropas Nazis. Marko e  Blaky , dois amigos de longa data,  ripostam à invasão alemã. Blaky , o mais destemido, torna-se um homem procurado sendo obrigado a esconder-se numa cave, juntamente com alguns  amigos e familiares. Neste local, os refugiados contribuem secretamente para a causa construindo armas que Marko usa para a defesa da pátria. No entanto a guerra acaba, o mundo vive de novo em paz, passam-se quinze anos e... na cave, acredita-se que a guerra continua enquanto Marko vive no exterior desafogado com o lucro da venda de armas"

Gato Preto, Gato Branco

"Num cenário próximo das margens do Danúbio, Matko Destanov envolve-se em todas as negociatas que pode, invejando a riqueza do amigo Dadan . Com a ajuda de algumas mentiras, Matko consegue um empréstimo do "padrinho" local, Grga Pitic ,um companheiro de outros tempos, e de outros crimes, do seu pai, Zarije .Os "avôs" já não se encontram muito bem de saúde, mas mantêm o discernimento e o bom humor. Matko convence Dadan a ajudá-lo num roubo, mas as coisas vão correr mal, o que coloca o primeiro numa situação de dívida para com o segundo. Dadan aproveita o crédito para negociar o casamento da sua irmã, Afrodita com o filho de Matko, Zare  . Este, não está nada interessado, não só porque não gosta da noiva imposta - conhecida por "anã" e "joaninha" , mas porque está apaixonado por Ida  que trabalha num bar das redondezas. "

O Mundo dos Ciganos

" NASCIMENTO

Uma criança sempre é bem vinda entre os ciganos. É claro que sua preferência é para os filhos homens, para dar continuidade ao nome da família.
A mulher cigana é considerada impura durante os quarenta dias de resguardo após o parto. Logo que uma criança nasce, uma pessoa mais velha, ou da família, prepara um pão feito em casa, semelhante a uma hóstia e um vinho para oferecer ás três fadas do destino, que visitarão a criança no terceiro dia, para designar sua sorte.
Esse pão e vinho será repartido no dia seguinte com todos as pessoas presentes, principalmente com as crianças. Da mesma forma e com a finalidade de espantar os maus espíritos, a criança recebe um patuá assinalado com uma cruz bordada ou desenhada contendo incenso.
O batismo pode ser feito por qualquer pessoa do grupo e consiste em dar o nome e benzer a criança com água, sal e um galho verde.
O batismo na igreja não é obrigatório, embora a maioria opte pelo batismo católico.

CASAMENTO


Desde pequenas, as meninas ciganas costumam ser prometidas em casamento. Os acertos normalmente são feitos pelos pais dos noivos, que decidem unir suas famílias.
O casamento é uma das tradições mais preservadas entre os ciganos, representa a continuidade da raça, por isso o casamento com os não ciganos não é permitido em hipótese alguma. Quando isso acontece a pessoa é excluída do grupo.
É pelo casamento que os ciganos entram no mundo dos adultos.
Os noivos não podem Ter nenhum tipo de intimidade antes do casamento. Quando o casamento acontece, durante três dias e três noites, os noivos ficam separados dando atenção aos convidados, somente na terceira noite é que podem ficar pela primeira vez a sós.
Mesmo assim, a grande maioria dos ciganos no Brasil, ainda exigem a virgindade da noiva.
A noiva deve comprovar a virgindade através da mancha de sangue do lençol que é mostrada a todos no dia seguinte. Caso a noiva não seja virgem, ela pode ser devolvida para os pais e esses terão que pagar uma indenização para os pais do noivo.
No caso da noiva ser virgem, na manhã seguinte do casamento ela se veste com uma roupa tradicional colorida e um lenço na cabeça, simbolizando que é uma mulher casada. Durante a festa de casamento, os convidados homens, sentam ao redor de uma mesa no chão e com um pão grande sem miolo, recebem dos os presentes dos noivos em dinheiro ou em ouro.
Estes são colocados dentro do pão ao mesmo tempo em que os noivos são abençoados.
Em troca recebem lenços e flores artificiais para a mulheres. Geralmente a noiva é paga aos pais em moedas de ouro, a quantidade é definida pelo pai da noiva.

MÚSICA E DANÇA

Quando os ciganos deixaram o Egito e a Índia, eles passaram pela Pérsia, Turquia, Armênia, chegando até a Grécia, onde permaneceram por vários séculos antes de se espalharem pelo resto da Europa.
A influência trazida do oriente é muito forte na música e na dança cigana.
A música e a dança cigana possuem influência hindu, húngaro, russo, árabe e espanhol. Mas a maior influência na música e na dança cigana dos últimos séculos é sem dúvida espanhola, refletida no ritmo dos ciganos espanhóis que criaram um novo estilo baseado no flamenco. Alguns grupos de ciganos no Brasil conservam a tradicional música e dança cigana húngara, um reflexo da música do leste europeu com toda influência do violino, que é o mais tradicional símbolo da música cigana. Liszt e Beethoven buscaram na música cigana inspiração para muitas de suas obras.
Tanto a música como a dança cigana sempre exerceram fascínio sobre grandes compositores, pintores e cineastas. Há exemplos na literatura, na poesia e na música de Bizet, Manuel de Falla e Carlos Saura que mostram nas suas obras muito do mistério que envolve a arte, a cultura e a trajetória desse povo. No Brasil, a música mais tocada e dançada pelos ciganos é a música Kaldarash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento.
Essa música é repetida várias vezes enquanto as moças ciganas dançam.

MORTE

Os ciganos acreditam na vida após a morte e seguem todos os rituais para aliviar a dor de seus antepassados que partiram. Costumam colocar no caixão da pessoa morta uma moeda para que ela possa pagar o canoeiro a travessia do grande rio que separa a vida da morte.
Antigamente costumava-se enterrar as pessoas com bens de maior valor, mas devido ao grande número de violação de túmulos este costume teve que ser mudado.
Os ciganos não encomendam missa para seus entes queridos, mas oferecem uma cerimônia com água, flores, frutas e suas comidas prediletas, onde esperam que a alma da pessoa falecida compartilhe a cerimônia e se liberte gradativamente das coisas da Terra.
As cerimônias fúnebres são chamadas "Pomana" e são feitas periodicamente até completar um ano de morte. Os ciganos costumam fazer oferendas aos seus antepassados também nos túmulos."

Fonte: Guardiões da Luz

Publicado por Jaguar | 65 Comentário(s)

Ultra-Romantismo na poesia-LORD BYRON

LORD BYRON ( Grã Bretanha 1788 - Grecia, 1824 )

Byron à data da sua entrada na Universidade

aos 25 anos

Quando conquistou tudo o que todos querem cortejar, a pobre recompensa não vale os custos: juventude desperdiçada, alma aviltada, honra perdida, são os teus frutos, ó paixão triunfante!

.

A recordação da alegria já não é alegria, / Enquanto a da dor é ainda dor.

.

A recordação da felicidade já não é felicidade; A recordação da dor ainda é dor.

.

No amor alternam a alegria e a dor.

.

Só a mágoa deveria ser a instrutora dos sábios; / Tristeza é saber.

.

A vida é como o vinho: se a quisermos apreciar bem, não devemos bebê-la até à última gota.

.

Todas as tragédias terminam em morte e todas as comédias em casamento.

.

E, afinal de contas, o que é uma mentira? / É apenas a verdade mascarada.

.

O casamento vem do amor, assim como o vinagre do vinho.

.

O ódio é de longe o mais longo dos prazeres: amamos depressa mas detestamos com vagar.

.

É mais fácil morrer por uma mulher do que viver com ela.

.

Quando conquistou tudo o que todos querem cortejar, a pobre recompensa não vale os custos: juventude desperdiçada, alma aviltada, honra perdida, são os teus frutos, ó paixão triunfante!

.

A Adversidade é o primeiro caminho para a Verdade.

.

Enxugar uma só lágrima merece mais / Honesta fama, do que verter mares de sangue.

.

Na sua primeira paixão, a mulher ama o seu amante; em todas as outras, do que ela gosta é do amor.

.

Quando tiramos a vida aos homens, não sabemos, nem o que lhes tiramos, nem o que lhes damos.

.

Sabemos tão pouco do que estamos a fazer / neste mundo, que eu me pergunto a mim próprio se a própria dúvida não está em dúvida.

.

Só temos alegrias se as repartirmos: a felicidade nasceu gémea.

.

É quando pensamos conduzir que geralmente somos conduzidos.

.

O bem raramente é produzido por um bom conselho.

.

O dinheiro é a lâmpada de Aladino.

.

Para todos os ofícios, excepto o de censor, é indispensável uma aprendizagem: os críticos fazem-se antecipadamente.

.

Quem ama mente.

Frases de Byron

Poeta británico. Pertenecente a uma familia da aristocracia do seu país, perdeu o pai com três  anos. En 1798, ao morrer o seu tio avô William, quinto barão Byron, herdou dele o título a as propriedades.Educado noTrinity College de Cambridge, etapa em que curiosamente se distinguiu como desportista, apesar de ter nascido com uma deformação num  pé  , Lord Byron viveu uma juventude amarga por aquela deformação e pela tutela de uma mãe de temperamento irritável. Aos dezoitos anos publicou  o seu primeiro livro de poemas, Horas de ócio, e uma crítica adversa aparecida no Edimburgh Review provocou  a sua  violenta sátira intitulada Bardos ingleses e críticos escoceses, com a qual alcançou uma  certa notoriedade.

A uma taça feita de um crânio humano


Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás - pobre caveira fria
-Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.

Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
-Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do reptil.

Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro...
Podeis de vinho o encher!

Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida

Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
.Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!...

Lord Byron

Tradução de Castro Alves

Byron pintado por Gincle

Oh! na Flor da Beleza Arrebatada

Oh! na flor da beleza arrebatada,
Não há de te oprimir tumba pesada;
Em tua relva as rosas criarão
Pétalas, as primeiras que virão,
E oscilará o cipreste em branda escuridão.

E junto da água a fluir azul da fonte
Inclinará a Tristeza a langue fronte
E as cismas nutrirá de sonho ardente;
Pausará lenta, e andará suavemente,
Como se com seus passos, pobre ente!
Os mortos perturbasse, mesmo levemente!

Basta! sabemos nós que o pranto é vão,
Que a morte, à nossa dor, não dá atenção.
Isso fará esquecer-nos de prantear?
Ou que choremos menos fará então?
E tu, que dizes para eu me olvidar,
Teu rosto acha-se pálido, úmido esse olhar.

.

Byron

Byron deixando a Inglaterra

Lord Byron - Solitude

 

To sit on rocks, to muse o'er flood and fell,
To slowly trace the forest's shady scene,
Where things that own not man's dominion dwell,
And mortal foot hath ne'er or rarely been;
To climb the trackless mountain all unseen,
With the wild flock that never needs a fold;
Alone o'er steeps and foaming falls to lean;
This is not solitude, 'tis but to hold
Converse with Nature's charms, and view her stores unrolled.

But midst the crowd, the hurry, the shock of men,
To hear, to see, to feel and to possess,
And roam alone, the world's tired denizen,
With none who bless us, none whom we can bless;
Minions of splendour shrinking from distress!
None that, with kindred consciousness endued,
If we were not, would seem to smile the less
Of all the flattered, followed, sought and sued;
This is to be alone; this, this is solitude!

.

Byron

Byron in Albanian Dress, by Thomas Phillips

EnAo atingir a maior idade , Lord Byron emprendeu uma série de viajens assinalando-se as feitas a  Espanha, Portugal, Grecia e Turquía. No  regresso publicou, como memoria poética daquelas viagens, os dois primeiros cánticos de  " A peregrinação de Childe Harold ", que le valeram rapidamente a fama. O  herói do poema, Childe Harold, parece baseado em elementos autobiográficos, mas sem dúvida  recreados e aumentados para configurar o que sería o típico héroi byroniano –,caracterizado pela rebeldia contra a  moral e as convenciones estabelecidas e marcado por uma vaga nostalgia e exaltação de sentimentos, em especial o sofrimento por um indeterminado pecado original.

Byron no palácio MOCENIGO

No Palácio Mocenigo onde viveu sozinho
Lord Byron usava as grandes salas
Para ver a solidão espelho por espelho
E a beleza das portas quando ninguém passava

Escutava os rumores marinhos do silêncio
E o eco perdido de passos num corredor longínquo
Amava o liso brilhar do chão polido
E os tectos altos onde se enrolam as sombras
E embora se sentasse numa só cadeira
Gostava de olhar vazias as cadeiras

Sem dúvida ninguém precisa de tanto espaço vital
Mas a escrita exige solidões e desertos
E coisas que se vêem como quem vê outra coisa

Pudemos imaginá-lo sentado à sua mesa
Imaginar o alto pescoço espesso
A camisa aberta e branca
O branco do papel as aranhas da escrita
E a luz da vela - como em certos quadros -
Tornando tudo atento

.

sophia de mello breyner :

É bem conhecido o encantamento que o autor inglês Lord Byron (George Gordon Noel, ), sentia pela região de Sintra ,mas o menosprezo que demonstrava pelos portugueses tem sido calado.  A carta que se transcreve  fala  bem dois aspectos acima referidos - o elogio de Sintra e a crítica irónica aos lusos.

[Ao Sr. Hodgson]

"Lisboa, 16 de Julho de 1809."

"Até ao momento temos seguido a nossa rota, e visto todo o tipo de panorâmicas maravilhosas, palácios, conventos, &c., - o que, estando para ser contado na próxima obra, Book of Travels, do meu amigo Hobhouse, eu não anteciparei transmitindo-lhe qualquer relato de uma maneira privada e clandestina. Devo apenas observar que a vila de Cintra, na Estremadura, é talvez a mais bela do mundo.

Sinto-me muito feliz aqui, porque adoro laranjas, e falo um latim macarrónico com os monges, que o compreendem, uma vez que é como o deles, - e frequento a sociedade (com as minhas pistolas de bolso), e nado ao longo do Tejo, e monto em burros ou mulas, e digo palavrões em Português, e sou mordido pelos mosquitos. Mas quê? Aqueles que efectuam digressões não devem esperar conforto.

Quando os portugueses são pertinazes, eu digo 'Carracho!' - a grande praga dos fidalgos, que muito bem ocupa o lugar de 'Damme!' - e quando fico aborrecido com o meu vizinho declaro-o 'Ambra di merdo' [por 'Homem de m****' ?]. Com estas duas frases, e uma terceira, 'Avra bouro' [por 'Arre burro' ?], que significa 'Get an ass' ['Arranja um burro' ...!?!, obviamente uma tradução incorrecta.], sou universalmente reconhecido como pessoa de categoria e mestre em línguas. Quão alegremente vivemos sendo viajantes! - se tivermos comida e vestuário. Mas, em sóbria tristeza, qualquer coisa é melhor do que Inglaterra e eu estou infinitamente divertido com a minha peregrinação, até ao momento.

Amanhã começaremos a percorrer cerca de 400 milhas até Gibraltar, onde embarcaremos para Melita [por 'Melilla' ?] e Bizâncio. Uma carta para Malta aí me encontrará, ou será reexpedida caso eu esteja ausente. Rogo-te que abraces o Drury e o Dwyer, e todos os Efésios que encontres. Escrevo com o lápis que me foi dado pelo Butler, o que torna o mau estado da minha [escrita?] mão ainda pior. Perdoa a ilegibilidade.

Hodgson! Envia-me as novidades, e as mortes e as derrotas e crimes capitais e as desgraças dos amigos; e dá-nos conta das questões literárias, e das controvérsias e das críticas. Tudo isto será agradável - 'Suave mari magno, &c.'. A propósito, tenho andado enjoado e farto do mar. Adieu."

"Sintra, Glorioso Eden"

Lo! Cintra's glorious Eden intervenes
In variegated maze of mount and glen.
Ah me! what hand can pencil guide, or pen,
To follow half on which the eye dilates
Through views more dazzling unto mortal ken
Than those whereof such things the bard relates,
Who to the awe-struck world unlocked Elysium's gates?

(Lord Byron)

 

 


Adeus! e para sempre embora,
Que seja para nunca mais:
Sei teu rancor - mas contra ti
Não me rebelarei jamais.

Visses nu meu peito, onde a fronte
Tu descansavas mansamente
E te tomava um calmo sono
Que perderás completamente:

Que cada fundo pensamento
No coração pudesses ver!
Que estava mal deixá-lo assim
Por fim virias a saber.

Louve-te o mundo por teu ato,
Sorria ele ante a ação feia:
Esse louvor deve ofender-te,
Pois funda-se na dor alheia.

Desfigurassem-me defeitos:
Mão não havia menos dura
Que a de quem antes me abraçava
Que me ferisse assim sem cura?

Não te iludas contudo: o amor
Pode afundar-se devagar;
Porém não pode corações
Um golpe súbito apartar.

O teu retém a sua vida,
E o meu, também, bata sangrando;
E a eterna idéia que me aflige
É que nos vermos não tem quando.

Digo palavras de tristeza
Maior que os mortos lastimar;
Hão de as manhãs, pois viveremos,
De um leito viúvo despertar.

E ao achares consolo, quando
A nossa filha balbuciar,
Ensiná-la-ás a dizer "Pai",
Se o meu desvelo vai faltar?

Quando as mãozinhas te apertarem
E ela teu lábio -houver beijado,
Pensa em mim, que te bendirei
Teu amor ter-me-ia abençoado.

Se parecerem os seus traços
Com os de quem podes não mais ver,
Teu coração pulsará suave,
E fiel a mim há de tremer.

Talvez conheças minhas faltas,
Minha loucura ninguém sabe;
Minha esperança, aonde tu vás,
Murcha, mas vai, que ela em ti cabe.

Abalou-se o que sinto; o orgulho,
Que o mundo não pôde curvar,
Curvou-se a ti: se a abandonaste,
Minha alma vejo-a a me deixar.

Tudo acabou - é vão falar -,
Mais vão ainda o que eu disser;
Mas forçam rumo os pensamentos
Que não podemos empecer.

Adeus! assim de ti afastado,
Cada laço estreito a perder,
O coração só e murcho e seco,
Mais que isto mal posso morrer.

Lord Byron

a passagem da poesia de Byron pelo tema do vampirismo

Byron,fascinou-se com o mito do vampirismo e dedicou-lhe alguns versos :

.
"Primeiro, o vampiro retira o teu cadáver da cova feita na terra. Perseguido terrivelmente, vagarás sugando o sangue de toda a tua raça. Da filha, irmã ,da mulher. À meia-noite a fonte de vida secarás, embora repugnado pelo banquete que necessariamente alimenta o teu vivo cadáver. As tuas vítimas são as que vão espiar e conhecer o demónio como mestre, rogando muitas pragas a ti e a ele. As flores murcharão nas tuas hastes..."


Anos mais tarde o amigo de Byron, Polidory, escreveu e publicou um conto sobre vampirismo baseado nas anotações da história contada por Lord Byron,

em noites de tempestade

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.
Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriarme; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus.
Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?
Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.
E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência-curto dia-,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

-- Lord Byron

Byron no leito de morte

Lá atrás num tempo sem tempo,
Escondido da vida, num canto
Qualquer foi enterrado o
Sentimento.

Tão importante e marcante,
Porém em sua cova não existe
Nome, nem data, indigente.

Desconhecido e ignorado,
Sem flores e poesia,
Passou desapercebido e jaz
Em uma lápide fria.

É avistado perambulando
Em noite escura,
Bebendo em uma taça feita de
Crânio os horrores da humanidade
Que o condenaram ao esquecimento.

.

LORDE BYRON

 

Estátua de Byron na Villa Borghese, em Roma

 -------------

" Um dos homens que mais mudou a cara da literatura nasceu em Londres, no dia 22 de Janeiro de 1788. George Gordon, mais conhecido como Lorde Byron, tinha uma ascendência aristocrática. Era o sexto barão Byron da linhagem. Sua mãe, Catherine Gordon Byron vinha da família dos Gordons escocês, uma família tradicional e muito conhecida por sua ferocidade e violência. Seu pai, John Byron, era um bon-vivant. Havia, junto com a esposa, imigrado para a França para fugir das cobranças de credores. Porém, como ela não queria que seu rebento nascesse em solo francês, não hesitou em voltar à ilha da rainha. John ficou e encontrou abrigou na casa de sua irmã. Em 1791, ele encontrou a morte, aparentemente por suicídio.

Logo após o seu nascimento, sua mãe o levou para a Aberdeen, Escócia, onde uma deformidade em seu pé logo ficou evidente. Ganhou botas especiais e passou por inúmeros tratamentos mas logo deixou estas dolorosas experiências para trás. O pequeno George vivia mergulhado em leituras, com atenção especial para a história de Roma. Seu sonho mais comum era de ser um comandante de um regimento de soldados alucinados e heróicos, acima de tudo.

Mas sua infância não se resumia a isto. Ele era marcado pelo amor. Aos sete anos, Byron se apaixonou perdidamente por sua prima, Mary Duff. Aos nove, sua babá o introduziu aos prazeres da carne.

Aos 10 anos, ele se tornou oficialmente Lorde Byron. Assumiu o poder da casa de Newstead, mas como ela se encontrava em total ruínas, ele e sua mãe se mudaram para Nottingham. As finanças minguavam. Tudo o que remetia ao nome dos Byron era motivo de processos por dívidas. O pequeno Byron foi enviado para a academia do doutor Glennie em Dulwich e logo em seguida para Harrow, onde se tornou o alvo predileto para zombarias dos demais alunos. Durante um Natal, ele retornou para Newstead, que havia sido alugada por Lorde Ruthyn, que o iniciou no bissexualismo. Apaixonou-se perdidamente por Mary Ann Chaworth, uma vizinha. Ficou tão obcecado que se recusou a voltar. Ruthyn praticamente o obrigou a retornar a força.

Em sua adolescência, Byron foi tomando consciência de seu poder. Possuidor de carisma, beleza e poder de sedução, ele logo começou a aproveitar seus dons. Em uma visita a Lorde Grey, acabou se envolvendo sexualmente com seu hospedador. Mulheres e homens no local desejavam aquele adolescente rebelde. Em seu retorno à escola, Byron foi além. Envolveu-se com colegas, empregadas, professores, prostitutas e garotas que adoravam um título de nobreza.

Em 1805, Byron teve um grande choque. Mary Ann casou-se. Logo, ele se torna mais rebelde ainda. Arrumou um trabalho em Cambridge mas nunca trabalhava, já que esta era a moda para os descolados da época. Era o tédio, o spleen. Era a forma que o então românticos viviam a vida. E da qual Byron foi o mestre supremo. Escrevia versos e mais versos e gastava muito dinheiro. Não demorou e todo o seu dinheiro foi embora, o que o levou a recorrer à empréstimos de familiares. E ele tinha apenas 17 anos. Chegou, inclusive, a pedir ajuda para sua meia-irmã Augusta Byron Leigh.

Ao passar um temporada com a mãe, coisa que ele odiava, Byron foi encorajada a publicar seus poemas por uma vizinha. Em 1806, o livro "Fugitive Pieces" foi lançado. Ele enviou cópias para dois amigos. Um deles respondeu que o poema "To Mary" era muito chocante para ser lido pelo público. Byron acreditou e mandou queimar todas as cópias da obra. Em 1806, o livro foi republicado com o nome de "Hours of Idleness", excluído o tal poema. Cópias e mais cópias foram vendidas mas a crítica se dividia. Byron respondeu a seus detratores com a sátira "English Bards and Scotch Reviewers".

Em junho de 1809, Byron e seus amigos John Cam Hobhouse e William Fletcher resolveram fazer um giro pela Europa. Acabaram conhecendo Portugal, Espanha, Grécia, Albânia, Malta e Turquia. Durante a viagem, ele entrou em choque com o conservadorismo português e quase protagonizou um duelo contra um marido enfurecido. Byron também conheceu Ali, o paxá da Albânia, muito conhecido por ser um carniceiro. O poeta ficou impressionado com o governante. Foi justamente nesta época que começou a escrever uma de suas obras-primas, "Childe Harold's Pilgrimage". Seus amigos retornaram à Inglaterra, mas Byron ficou na Grécia, vivendo numa escola para garotos. Manteve um tórrido caso com Nicolo Giraud, um jovem grego que chegou a salvar sua vida quando pegou malária. Em gratidão, o poeta pagou toda a educação de Nicolo. Mais tarde, retornou para a Inglaterra. Mas ele já não se reconhecia ali. Sua mãe havia morrido, um de seus melhores amigos morrera afogado e o casamento de sua irmã estava falido. Nesta época, abandonou a poesia. Mas por insistência de um amigo, os primeiros dois cantos de "Chile Harold" foram publicados em fevereiro de 1812. Foi um sucesso brutal. Ele se tornou uma sensação. Mulheres se jogavam em seu colo.

Lady Caroline Lamb era a mais notória e determinada a conquistar Byron. Emocional e excêntrica, Caroline Lamb era da alta corte e casada. Ela chegou, inclusive, a lhe enviar seus pelos pubianos. Byron, para escapar das garras de Caroline, confessou sua preferência sexual por garotos. Então, ela apareceu em seu quarto, vestido de oficial do exército, na tentativa de conquistá-lo. Foi a gota d'água. Com medo de seu genro, a mãe da apaixonada dama convenceu Byron a romper o romance. Para se confortar, ele mergulhou nos braços de Lady Oxford. Em seguida, tentou conquistar Annabella Milbanke, prima de William Lamb. Annabella o recusou e ele entrou em depressão.

Em 1813, Augusta o visitou, fugindo de credores e problemas pessoais. Os dois acabaram por ter um caso. Em 1814, Byron investiu novamente em Annabella. Desta vez deu certo. Em 2 de janeiro de 1815, os dois se casaram. Annabella era uma leitora assídua da literatura gótica. Tentou bancar a heroína e converter Byron. Em dezembro do mesmo ano, ela deu a luz à Augusta Ada. Dois meses depois, Annabella não o agüentava mais e pediu o divórcio. Caroline aproveitou para se vingar. Espalhou boatos sobre a sodomia do poeta. A fofoca se espalhou. Annabella não se manifestou, já que a história a favorecia no divórcio e lhe dava um ar de mulher de moral. Com isto, a sociedade londrina fechou as portas para Byron.

Em abril, ele decide voltar ao continente. Seguido por Hobhouse e Fletcher, ele arrumou mais um companheiro: John Polidori. Em maio, o grupo se encontrou com Percy Bysshe Shelley e Mary Godwin (mais tarde, Shelley), que viviam uma vida de desejos e pecados, já que Percy era casado e Mary era sua amante. O casal estava acompanhado de Claire Clairmont, irmã adotiva de Mary, que guiou a excursão a fim de se encontrar com Byron, com quem já se correspondia. Byron resolveu passar um tempo em Diodati, na Suíça. Os novos amigos se juntaram a ele. Hobhouse e Fletcher decidiram ficar na Inglaterra

Byron, precisando muito de um amigo, se ligou a Shelley. Passam horas discutindo filosofias e poesias. Navegavam pelo lago e visitavam os cenários da Nova Heloísa, de Rousseau. Chegaram, inclusive, a trocar rosas e carícias... Após visitar o Chateau de Chillon, Byron se inspirou a escrever um de seus mais belos poemas: "The Prisoner of Chillon". Numa noite chuvosa em Diodati, o grupo decidiu compor histórias macabras. Nasceu ali Frankenstein de Mary Shelley e O Vampiro, de Polidori.

Com tudo indo bem, Byron se viu num novo dilema. Mantinha Claire ocupada, copiando suas poesias até que ela lhe revelou estar grávida. Byron concordou em cuidar da crianças mas se recusou a continuar o caso com ela. Mudou-se para Veneza, onde, mais uma vez, apaixonou-se. Ali, terminou Childe Harold, escreveu "Manfred", "The Lament of Tasso", "Mazeppa", "Beppo" e começou "Don Juan". Sua vida sexual era frenética e lendária. Manteve várias amantes. Seu gondoleiro lhe trazia prostitutas todas as noites. Byron, inclusive, alugou um pequeno apartamento para se encontrar com estrelas da ópera e condessas.

Claire levou sua filha Allegra para a Itália. Byron ficou extasiado mas se recusou a encontrar com a mãe. Permitiu apenas que Shelley o visitasse. Foi o fim da ligação entre Byron e Claire. Em 1819, ele assumiu Teresa, a condessa Guicioli, como amante. Foi um escândalo. Não somente porque ela era casada mas também porque ele, Teresa e o marido dela viviam na mesma casa. No ano seguinte, envolveu-se com a política, juntando-se a combatentes pela independência italiana. Mas, aos poucos, sua vida iria mudar.

Em 1822, Shelley morreu afogado. Allegra, sua filha, morreu de febre. Byron ficou devastado. No ano seguinte, se juntou à causa grega pela independência da Turquia. Viajou até a Grécia mesmo convencido de que iria encontrar a morte. Encontrou abrigo com as tropas do príncipe Mavrocordato e financiou um navio de guerra. Em fevereiro de 1824, teve um ataque epilético. Dois meses depois, após enfrentar uma tempestade enquanto cavalgava, pegou um resfriado do qual nunca se recuperou. Em 19 de abril do mesmo ano, na cidade de Missolonghi, um Domingo de Páscoa chuvoso, aos 36 anos de idade, sua voz se calou após sofrer de delírios por dias a fio. O mundo perdia um dos mais empolgantes escritores de todos os tempos.

Com sua morte, ele não pode ler as cartas que chegaram da Inglaterra, que comunicavam que a Inglaterra havia formalmente o perdoado por suas indiscrições. Também se livrou da tormenta que se abateu sobre o jovem grego Lukas, que havia se tornado objeto de afeto de Byron. Na época, o poeta até se mortificou com uma dieta de água e biscoitos, que era uma prescrição medieval para curar a luxúria homossexual. Infelizmente, um homem fraco não poderia agüentar a pressão de uma guerra. Seu ataque epilético, muito provavelmente, foi causado por anorexia nervosa, mas seu médico diagnosticou como sendo uma doença cerebral causada por sua vida sexual conturbada. Pior, o incompetente médico não percebeu os sintomas de malária em Byron e preferiu fazer uma sangria no poeta. "Meus médicos me mataram", foi uma de suas últimas frases para seu criado. Após sua morte, foi feito uma autopsia. Os médicos encontraram lesões no cérebro, o que, para eles, comprovava que a morte foi causada por sua promiscuidade sexual.

Adorado na Grécia, ele foi embalsamado e seu coração foi retirado e enterrado em solo grego. Os restos mortais foram transportados para Inglaterra, mesmo contrário aos seus desejos. Ao chegar em Londres, a Abadia de Westminster se recusou a receber o funeral, alegando que ele era um pecador irreparável. Mesmo assim, o cortejo fúnebre foi assistido por milhares de pessoas. Byron foi enterrado na igreja Hucknall Torkard, próxima da Abadia de Newstead, ao lado de sua mãe e demais gerações de sua família. E conta uma lenda que Susan Vaughn, uma criada galesa que havia recusado as investidas de Byron, deixou sobre o seu túmulo os últimos tomos de "Don Juan", publicados um mês antes de sua morte e que durante muito tempo, o exemplar ficou em bom estado, como se alguém cuidasse dele eternamente. Curiosamente, 145 anos após sua morte, em 1969, a Abadia de Westminster construiu um memorial em homenagem ao mais libertino dos poetas ingleses."

http://br.geocities.com/edterranova/byron.htm.

Publicado por Jaguar | 49 Comentário(s)

A Cabeça do Morto

.

Foram os dois irmãos ao cemitério, que havia o levantamento de ossos do pai .

Ao fim de cinco anos, já se sabe, recado em casa para saber o que fazer da ossada.

E o coveiro já com a pá perto dos restos, avisou :

----Sejam corajosos que ás vezes vem carne junta

Carne junta? Mas os bichinhos não cumprem sempre o seu dever de destruir a carne podre?

---E o coveiro retirou um osso de um braço e colocou- o em cima da areia ainda fresca .

--- Parece que vêm limpinhos...os ossos..va lá...vá lá...

De seguida ,uma perna , também apenas besuntada de areia.

E foi tirando um a um ,os ossos que vinham separados.

--Ele morreu de quê?

--de uma carga de porrada que lhe deu o sacana do Vigorna.

----ah...afastem-se um bocado, pediu o coveiro.Tinha chegado à cabeça e esta vinha como se o morto fosse vivo.

---Dionísio?Vem aqui.

O rapazes ficaram sem fala. A cara do pai estava como era há cinco anos.O Lourenço, mais novo ,começou a tremer como varas verdes agarrado ao irmão, tapando a cabeça, para se esquivar à visão terrífica.

----Vou mandar chamar a guarda, adiantou logo o coveiro. E se calhar também o padre, que isto sai dos meus conhecimento.Lá ter um bocado de carne aqui, outro ali, até um cão lazarento se podia encarregar do trabalho de limpar o osso,mas neste caso, a coisa é estranha.

Correu a notícia pelas redondezas e foi uma romaria a caminho do cemitério para ver a coisa.A viúva não saíu de casa, de tão doente ficou com o sucedido.

Quando chegaram o padre e a guarda,já o coveiro tinha regado a cabeça do morto. Estava um brinquinho, como se costuma dizer nos casos de limpeza cuidada.

--E agora? perguntou o coveiro? Que se faz a isto?

--vai para a morgue para ser autopsiada, respondeu o padre, benzendo-se, mais por cagufa ,que por respeito para com o achado.

---Não, falou a cabeça morta.Não vou para lá que me esquartejam todo.

---O pessoal abismou-se e grande parte desatou a fugir...já não dormiriam em paz nessa noite.

-----Então o que fazemos de ti, perguntou, em voz escangalhada ,o padre?

-----Quero ver a cara do Vigorna, que o cabrão acabou de morrer.

---Como sabes?

----Não interessa. Amanhã é o enterro e eu quero estar cá para o ver.

E aconteceu como previu a cabeça.Veio o funeral do Vigorna. O caixão

foi aberto ao lado da cova que já tinha sido aberta para ele.A cabeça, repousada nas mãos do padre gritou:

----Estás a ver? Eu não disse que ainda havia de te ver morto? E fica sabendo, levas aí uns valentes cornos que ajudei a prantarem-te.

O caixão desceu à terra e de seguida a cabeça pediu que a queimassem.E cumpriu-se a última vontade de um morto.

.

jaguar

Publicado por Jaguar | 56 Comentário(s)

Galinha pintada à Picasso e com pilhas debaixo da Asa( E NÃO É QUE HÁ GALINHAS SEM VERGONHA NA CARA QUE VÊM PERGUNTAR -MAS NÃO HÁ VERGONHA NA CARA?)

-Alfredina?Vais à feira dos dezanove?

-Se Deus quizer não falto e até vou levar bicho para o concurso das galinhas.

Todos os  meses no dia dezanove, havia feira na freguesia,e, para animar a festa, um concurso para eleger o animal comestível que enchesse mais o olho aos feirantes e compradores.

--Não me digas que levas aquela galinha gorda que não sai do mesmo sítio, agachada nas pernas tortas e abertas.....

--Não...essa já devia ter ido para a panela, mas o meu Aliceu afeiçoou-se à ave e até lhe vai pôr a comidinha junto dela.Coitada, o c.u dela já está poisado no chão e mesmo assim o meu filho não quer que lhe faça um prato de guisado da bichita.E tu, não tens lá nenhuma franganota de jeito, mulher?

---Não tenho paciência p'ra isso. Tomara eu vender os tomates todos que o meu homem ontem andou a colher. É cá uma carrada deles que temo que  me apodreçam se não mos comprarem.

---Olha que me deste boa ideia....além de animais, os vegetais também deviam ir a concurso...

--ahhahhah.......

E ficaram por ali as trocas brejeiras...

No dia da feira lá estava a Alfredina com uma  galinha de pé amarrado a um cesto para não fugir.

----Que galinha estranha, diziam os visitantes....as penas estão pintadas de tal modo que até parecem o arco da velha.

----E não é só isso, logo acudiu a dona-querem ver?

Fez uma operação qualquer debaixo das asas da ave e esta começou a cacarejar a música de " estupidamente apaixonada "da Toya.Desta vez,a galinha tinha que levar o troféu para casa...

---Ó mulher podem pensar que a música vem de algum vendedor de Cedês.Põe altifalante para chamares a atenção, aconselhou a Lurdes.Olha, o Armindo da Toca tem ali instrumentos desses à venda.E Alfredina que tanto investiu na sua galinha, foi ao Armindo comprar um megafone .Assim, ela começou a gritar:
--Atenção:venham ver a galinha mais maravilhosa que veio para ganhar-Tem penas pintadas à Picasso , trabalho do meu compadre Aleixo e cacareja música que é um regalo de se ouvir.

E a voz alta chamava a atenção .Alguns passavam por lá, miravam a coitada da galinha pintada como se fosse uma galo de Barcelos e era um fartote de riso

--Mas , é ti Alfredina, por dentro, a carnita é a mesma da feira passada ou melhorou nalguma coisa?

---Olha - me p'ra eles-tem carne da melhor, que é criada ao livre e nada de alimentos de modernices.

Quem levou a fita de ganhadora, foi a galinha da ti Cacilda que tinha manchas normais e de música, era só o cocorocó   com que nasceu  com a graça de Deus.

--Não há direito. E eu que me empenhei tanto no raio da galinha, confessou triste a Alfredina.

---Pois é comadre, mas olhe que quem muita propaganda faz aos seus artigos,tem tiro pela colactra.....

E Alfredina não conseguiu vender a galinha pintada `a Picasso pelo Aleixo e  com a música pr'à conquista, que tinha debaixo da asa....

.

jaguar

Publicado por Jaguar | 66 Comentário(s)