A Casa da Tina
Hoje vou tentar levar-vos através das palavras a uma casa especial. A casa da Tina. Uma casa rústica de aldeia, onde as relíquias e memórias do passado, se converteram pela mão da dona da casa, a Tina, em certezas e promessas de bons momentos no presente e no futuro, proporcionando a quem a frequenta e visita, momentos inesquecíveis de amizade, tranquilidade e hospitalidade afável e gentil , que nos transportam para um mundo à parte. Um mundo cada vez mais raro. O mundo do calor da amizade e do respeito, das longas conversas entre amigos, da boa comida, dos prazeres da leitura ao som da música clássica ou simplesmente da sinfonia dos pássaros. O mundo das paisagens campestres onde os nossos olhos descansam da pressa dos dias e a alma se recompõe para enfrentar os ritmos stressantes da vida moderna. Um reino perfumado pelas flores que campeiam à volta da casa e no pátio, condizente com um certo ambiente Zen que paira no ar.
Conheci a Casa da Tina num dia soalheiro de Outono. Só indo conhecer
pessoalmente a casa e a dona, podem compreender realmente como a casa transmite as mesmas ondas de paz que a dona da casa transmite, no trato com os visitantes e amigos.
Cheguei à casa num sábado de Outubro a meio da tarde, uma tarde bucólica onde a aldeia parecia dormir embalada pelos pássaros e pelo terno calor do sol. A entrada tem um pequeno alpendre por onde entramos num outro mundo. A sensação que se têm é que entramos numa espécie de Mini-País das Maravilhas. A casa centenária, foi restaurada mantendo a traça original e adoptando-lhe todo o conforto e funcionalidade da vida moderna. A sala de estar onde um rádio antigo nos dá as boas vindas, a sala interior de refeições com uma lareira enorme e um arquibanco, onde se inicia o prelúdio que transforma as noites frias em serões quentes, apoiada por uma bem equipada cozinha, que pode aquecer o estômago, enquanto a lareira aquece o corpo.
As divisões interiores, mantêm a dignidade e a honra conferida pela história e pela cultura da aldeia. A decoração é simples e sóbria, tornando as divisões bastante acolhedoras, não havendo lugar para instrumentos de trabalho rústicos, que nos levariam a um ambiente da época demasiado forçado e pesado. Noutros tempos foi uma casa rural, agora é uma espécie de casa de Fadas.
Os nomes dos quartos representam bem a magia e o amor com que foi reconstruída a Casa da Tina. O quarto das Virgens, decorado a branco com rendas e bordados, um quarto com histórias dentro. O quarto das Princesinhas, exactamente do tamanho adequado ao nome. O Sunrise Room, onde a luz das manhãs soalheiras dá os bons dias aos hóspedes. O Sweet Room , onde duas camas de ferro esperam pacificamente por conversas que se alongam noite dentro.
Depois descobre-se o pátio interior enorme, com um tapete verde onde apetece rebolar como as crianças e onde um pequeno tanque e a fonte central disputam a nossa atenção, juntamente com um telheiro enorme, onde mesas e cadeiras nos chamam para um petisco ou um chá demorado, ou umas apetecíveis cadeiras de lona branca nos instigam a por a conversa em dia com os amigos enquanto a tarde cai suavemente.
Uns anexos do outro lado do pátio, foram transformados nuns amorosos quartos, com uns nomes de filmes para toda a família: Piggy e Babe. Depois vem aquela parte fundamental numa casa rural e que eu gosto mais, a Casa do Forno
onde está a cozinha tradicional. É aí que nascem os doces e os pitéus que a Tina faz com carinho para todos os amigos e hóspedes da casa. Ao lado a casa da lenha, abrigada num telheiro entre paredes de barro.
Sai-se do pátio por um portão antigo e estamos na Eira, um amplo espaço aberto à plenitude dos campos e da floresta em redor da casa. Sobre uma parte da Eira, um sótão enorme com umas amplas janelas, onde vai ser construída uma biblioteca. Um espaço para meditar, ler e ouvir música vendo os campos, os pássaros, as flores em redor. Um ambiente para fruir em paz.
A casa é linda, tudo lá respira um ambiente de tranquilidade e pacificação. É um oásis no tempo
apressado dos dias rápidos da nossa vida de todos os dias. Gostei de conhecer este recanto bucólico de Portugal. O ar puro que se respira naquela Eira conquista-nos os pulmões, tal como o perfume das flores e o chilrear dos pássaros nos conquistam a alma. A Casa da Tina foi reconstruída com muito amor e alegria. O mesmo amor e alegria com que a Tina recebe os amigos e visitantes. Comprovem por vós próprios assim que puderem.
Da casa partem circuitos que nos conduzem a saudáveis passeios no pinhal, ao Parque Natural do Pisão, à Lagoa da Ervideira ou à Junqueira.
A Casa da Tina fica na zona de Leiria, na aldeia de Lage, perto de Monte Redondo, entre Leiria
e Figueira da Foz, a 3 Km da saída de Monte Redondo na A17, a 3 Km do parque natural do Pisão, a 15 Km da lagoa da Ervideira, a 17 Km da Praia do Pedrógão e 50 km da Nazaré e a outros tantos de Fátima.
Dispõe de 4 quartos, num total de 6 camas para 10 pessoas e área total de construção e jardim interior 500m e está disponível todo o ano, para amigos. Deixo-vos aqui o e-mail de contacto, pois vale bem a pena descobrir esta casa de Paz. A Casa da Tina.
Não sei se conseguiram viajar até à casa pelo meu texto, no entanto vejam aqui e depois aqui, mas o melhor que têm a fazer é comprovarem por vós próprios, indo até lá …e…sejam felizes.
Um dia prometo escrever uma história inspirada à volta desta casa.
P.S. Deixo-vos por fim uma sugestão sobre uns livros que podem ser umas boas prendas de Natal e que a a Meiadeleite apresenta no blogue do Encontro de Blogues do SOL (aqui). De uma uma cajadada podem matar dois coelhos, ter uma boa prenda e ajudar o Nuno Cabruja.
MarAzul
Novembro 2007