SOL

N - Sair

Varres as ...c..i....n....::..z..::::...a.......:s:::...... e as engelhas ao avental. Vejo-te passar aquele canto à frente, olhar de não reparaste. Do caminho até ------------> à PÁ! lamentas nunca ter lido o terceiro livro da terceira prateleira a contar de cima da quarta estante (344344344344344344), nunca ter agradecido o <º) em lã-ããã-ãããh que te deram, ter deixado o cinzento do tem-discos? e a cozinha casinhas de bonecas, mas não perdes muito tempo com isso. Aqui e agora sentes ------ o ------ cheiro ------ da -------

- A comida está pronta!

Sais sem olhar para trás e deixas-me o Mundo inteiro só para mim.

XIV - Aproximação

Varres as cinzas e as engelhas ao avental. Vejo-te passar aquele canto à frente, olhar de não reparaste. Do caminho até à pá lamentas nunca ter lido o terceiro livro da terceira prateleira a contar de cima da quarta estante, nunca ter agradecido o pássaro em lã que te deram, ter deixado o cinzento do tempo invadir o gira-discos e a cozinha de bonecas, mas não perdes muito tempo com isso. Aqui e agora sentes o cheiro da

- A comida está pronta!

Sais sem olhar para trás e deixas-me o Mundo inteiro só para mim.

MEncostar

sem a.jeito, onde termina o encosto e começa o empurrão?

 

XIII - Encosta

É só passando o limite que nos conhecemos verdadeiramente.  Aos outros tem dias. Ajeito o escadote e a saia às pregas, subo-o polegar a polegar e empurro a entrada de madeira do sotão sombrio. A lâmpada ainda resiste.

ELLE - [só]Focar

"Como uma palavra que se vai adiando numa carta e no fim não se escreve."

 

Com sonhos palavras e pulsos derrubo as paredes lá fora e em destruir construo o eu cá dentro. 

Firo ao de leve a imagem que vês e entre gélidas rajadas de vento as partículas de areia colam-se-me aos dedos. Finas. Finos. Uma folha na areia o que faz? Fecho-me cá dentro e transformo-te a imagem por crer e sem querer o princípio de outra imagem sobressai evidente. E quanto mais a evidência se abre em copas e expele ditames e engole sapos mais eu fico vermelha por não conseguir acompanhar a imagem, como se fossem horas de jantar

- Já vou!

Pudesse eu escolher as horas e agora seria depois do jantar. Quando ainda restam o perfume e o travo a néctar dentro das quatro paredes que nos a.fundam e a toalha da mesa ao xadrez está prestes a levitar. E nisto ai eu que a imagem me escapa. E nem sequer lhe sei dar sobremesa.

E tu, já não escreveste uma palavra?

segundo XII - TRemendo

 

- linhas traços pontos espaços -

 

Eu: Eu não disse? Repara como o cá e o lá se dissolvem.
Tu: Continua.
Eu: Nem mais; continua como um pensamento em trânsito. Uma linguagem própria, uma com(a)preensão anormalmente una e estrutural do mundo. Mas nem sempre em linha contínua. Eu explico: imagina o mundo lá em baixo como um só deserto, de um só nome e uma só cor, e tu, que sabes melhor, por cima, aos solavancos, paragens forçadas, sim, no ar, sim, como se cada fronteira e conflito fossem teus, que os vês. Nisto todos os sopapos são para ti mas parece que é o piloto que os sente e nele sentir tu também e isso engole-te como um deserto com nome e

[intervalo no ar]

Tu: Não era bem isso que eu tinha em mente, mas eu também só vejo uma varanda.
Eu: E vês bem, porque ver não é ser. Isto é: podes ver tudo mas nem tudo pode ser tudo. Vês uma varanda que bem podia ser uma estrada. Não completamente dentro, não inteiramente fora. Não do lado de cá, não longinquamente do lado de lá. Metáfora de metáfora.
Tu: Estou a ver. Fala-me mais do que vês.
Eu: Tens dois hemisférios: ou olhas para dentro de ti para veres o mundo, ou olhas para o mundo para te veres a ti. Uma varanda é impensável sem o dentro e o fora. Como uma estrada é impensável sem bermas, uma direita e uma esquerda. Como tu és impensável sem o barulho dos guizos que prendeste à tua mochila.
Tu: O que têm os guizos a ver com tudo isto?
Eu: Tu és os teus guizos e o barulho que eles fazem e do qual alguns gostam e outros fingem gostar. Outros nem reparam que tens guizos, outros tantos não reparam em ti. Trabalhas e os teus guizos tilintam mesmo em silêncio. Mesmo em silêncio nem precisam tilintar. Para quem te conhece, estão em ti.
Tu: Vamos supor que entendo. Mas como é se eu parar de olhar para mim e para os meus guizos e olhar para o outro lado?
Eu: Olhemos. Repara como a cidade cresce e reparando cresces tu e ao mesmo tempo ficas pequenino, como uma Alice sebastianisticamente perdida no nevoeiro, na esperança de que algum dia alguém te venha a achar. Te queira vir a achar.
Tu: A varanda liga-me ao mundo. É isso?
Eu: Pelo contrário. A varanda é um adiamento da união que não se pode ter, porque para tudo há que haver uma margem, uma berma.
Tu: Mas porque perseguimos aquilo que não podemos ter?
Eu: Porque no fundo acreditar é humano. Acreditar na união do eu e do tu de tal forma que não é preciso ver a berma para saber que está lá. Como uma palavra que se vai adiando numa carta e no fim não se escreve.

XII - REmendo

- linhas traços pontos espaços -

- Eu não disse? Repara como o cá e o lá se dissolvem.
(continua)

K - Transitar

façumastrada

de novo. e de novo a ideia da estrada ficou para trás, reduto sombrio, e são os pés, os olhos e os lábios secos que recarregam a novidade e insistem em desviar cortinas rubras para assistir ao primeiro nascer do sol. Tropeço nas rochas e rio-me de tropeçar nas rochas e faço um intervalo na terra e rio-me de fazer um intervalo de tropeçar tropeçando e

façumaoar.

Só não gosto de intervalos no ar.

XI - Lasca

façumastrada

J - DITAr

 

"... e é um bilhete."

 

ida                                                                                                                                                              volta

X -ejo

Enterrados os mortos

passa-se a língua pelas feridas como se pode

sem

tempo

espaço

mesa

para o luto.

 

Leio palavras na palma da mão.

- linhas traços pontos espaços -

e é um bilhete.

IX - Luz

Um ano depois de escavar. 

 

Fossem as palavras descomplicadas, não as tinha trocado por uma pá.

 

Lá em baixo, a distância negra

arranca-me do corpo.

 

Inclino-me.. inclino-me.. inclino-me..

(o meu corpo ou eu?)

Sem chão mas com pé,

a queda é invariavelmente vertical.

 

Vertiginosa, não há tempo para imagens

ainda que me assista

vez única

a voltar atrás -

à origem clara das coisas -

e a ajeitar a posição da árvore ao sol

apenas pelo sabor tenro do fruto.

Mas o som contínuo que me envolve e adivinha o

é claustrofóbico e desfaz o desengano da quedanolugar.

Impetuosa, não há espaço para memórias-tabu.

 

Haverá mesa para "Desculpa"?

 

PÁ!

VIII - Rol

Uma
duas
três
coisas que detesto em ...


Terracota. A sombra frágil da prateleira no corredor estreito faz um desvio inesperado da monumental linha imaginária que a sustenta.
É provável que seja o peso das especiarias e das viagens, cada uma no seu lugar, na sua história, longe, longe, pó. A derrota permeável das massas e dos anos. Ou a névoa pardacenta da frigideira que de anti-esturro não tinha
a.lento, o fumo espessa os movimentos rarefeitos na casa.
E súbito tudo é agitação desalinhada em sirene sem batuta. E já gritas, já ralhas, já semeias, já sabes, já colhes, já comes, já gostas do cheiro a

Quem me o há-de lembrar?

Comprar um côco bem grande, dois quilos de açúcar de cana e três litros de leite. Ligar à Ana e confirmar se a dose é aceite. E se há-de ficar meia hora ou até duas a cozinhar.

Talvez devesse fazer isto antes daquilo; mas se o fizer a nuvem não vai subir, a sombra não se vai espalhar, e no fim não haveria nada a achar. Depois de escavar.

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