SOL

ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

 

ANOREXIA NERVOSA

As características essenciais da Anorexia Nervosa são bem definidas pela recusa do paciente em manter um peso corporal na faixa do que é normal para os limites mínimos e que é associada a um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo e, assim sendo, a recusa se alimentar é apenas uma consequência dessa distorção doentia do esquema de visionamento e de percepção corporal.  

O termo Anorexia pode não ser de todo correcto, tendo em conta que não há uma verdadeira perda do apetite mas sim, uma recusa do paciente se alimentar.

A Anorexia Nervosa é assim um transtorno alimentar caracterizado pela limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e ao medo mórbido de ganhar peso.

Normalmente a pessoa anoréctica mantém um peso corporal abaixo do nível normal mínimo para a sua idade e altura. Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve numa pessoa durante a infância ou no início da adolescência, pode haver um rotundo fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver aumento de altura.

A pessoa que pesa menos que 85% do peso considerado normal para a idade e altura costuma ser um dado valioso para se pensar na anorexia. A CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) recomenda que a pessoa que tenha um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou inferior a 17, 5 kg/m2 é passível de sofrer de anorexia. O IMC é calculado através da divisão do peso em quilogramas pela altura em metros. Estas medidas ou índices são apenas directrizes sugeridas pelos clínicos, dado que não é razoável especificar um padrão único para um peso normal mínimo aplicável a todos as pessoas de determinada idade e altura. Ao determinar um peso normal mínimo, o médico deve considerar não apenas essas directrizes, mas sobretudo a constituição corporal e a história ponderal do paciente.

A perda de peso nas pessoas com Anorexia Nervosa é obtida, principalmente, através da redução do consumo alimentar total, embora alguns pacientes possam começar "o regime anoréctico" excluindo das suas dietas aquilo que percebem que são alimentos altamente calóricos. De um modo geral, a maioria dos pacientes termina com uma dieta muito restritiva, por vezes limitada a apenas alguns poucos tipos de alimentos. Nos casos mais graves o paciente adopta métodos adicionais de perda de peso, os quais incluem auto-indução de vómito, uso indevido de laxantes ou diuréticos e prática de exercícios intensos ou excessivos.

As pessoas com este transtorno têm muito medo de ganhar peso ou de ficar gordos e este medo geralmente não é aliviado pela perda de peso. Na verdade, a preocupação com o ganho ponderal frequentemente aumenta à medida que o peso real diminui.

A vivência e a importância do peso e da forma corporal, como dissemos, são distorcidas nestes pacientes. Alguns deles acham que têm um excesso de peso global, independentemente dos resultados contrários da balança. Outros percebem que estão magros, mas ainda assim preocupam-se com o facto de certas partes de seu corpo, particularmente o abdómen, as nádegas e as coxas, estarem "muito gordas".

Na Anorexia Nervosa os pacientes podem empregar uma ampla variedade de técnicas para estimar o seu peso, incluindo pesagens excessivas, medições obsessivas de partes do corpo e uso persistente de um espelho para a verificação das áreas percebidas como "gordas". A auto-estima dos pacientes com Anorexia Nervosa depende obsessivamente da sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e como um sinal de extraordinária disciplina pessoal, ao passo que o ganho de peso é percebido como um inaceitável fracasso do seu auto-controlo. Embora alguns pacientes com este transtorno possam reconhecer que estão magros, eles tipicamente negam as sérias implicações do seu estado de desnutrição.

As mulheres que já menstruam costumam apresentar supressão das menstruações (amenorreia) quando acometidas de Anorexia Nervosa. Isso é devido aos níveis anormalmente baixos de secreção de estrogénios que, por sua vez, se devem a uma redução da secreção da hormona folículo-estimulante([FSH) e da hormona luteinizante (LH) pela pituitária. Essa ocorrência indica uma séria disfunção fisiológica na Anorexia Nervosa. A amenorreia em geral é uma consequência da perda de peso mas, numa minoria de pacientes pode até precedê-la. No caso de  jovens  que ainda não atingiram a puberdade, o aparecimento de menstruações (menarca) pode ser atrasada por esta doença.

Normalmente o paciente é levado para tratamento por membros da família, após a ocorrência de uma acentuada perda de peso ou do fracasso em fazer os ganhos de peso esperados. Quando o paciente procura auxílio por conta própria, geralmente é em razão do sofrimento subjectivo acerca das sequelas físicas e psicológicas da não ingestão de alimentos. Raramente um paciente com Anorexia Nervosa se queixa da perda de peso em si. Essas pessoas, muito frequentemente não possuem uma visão correcta para o problema ou apresentam uma considerável negação quanto à própria existência deste. Por isso, com frequência se torna necessário obter informações a partir dos pais ou outras fontes de informação externas, para determinar o grau de perda de peso e outros aspectos da doença.

Um estranho comportamento em relação à comida pode ser exibido por alguns desses pacientes. Eles costumam esconder comidas nos armários, casas de banho, dentro das roupas ou podem preparar pratos extremamente elaborados para amigos ou familiares. Ou ainda, podem procurar empregos como empregadas de restaurantes, cozinheiros ou simplesmente coleccionar receitas e artigos sobre comida. A preocupação crescente com alimentos corre juntamente com a diminuição no seu consumo. Assim, intensificam o medo de ceder ao impulso de comer e aumentam as proibições contra a ingestão de comida. Padrões de pensamento pré-mórbidos assumem um novo significado, um estilo de raciocínio de tudo-ou-nada leva à conclusão de que um grama de peso ganho significa uma transição de normal para gordo.

 

CAUSAS

Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa. Há autores que evidenciam como causa a interacção sociocultural mal adaptada, factores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.

Aspectos biológicos incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções dos neurotransmissores cerebrais, tais como a dopamina, a serotonina, a noradrenalina e dos peptídeos opióides, sabidamente ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção do peso, além dos aspectos genéticos.

Vários trabalhos apontam para uma predisposição genética no desenvolvimento da anorexia. Estudos demonstram que existe uma taxa de concordância muito maior em gémeos monozigóticos em comparação com gémeos dizigóticos (56% contra 5%). Parentes do primeiro grau de pacientes com anorexia têm um risco aproximadamente 8 vezes maior de apresentar a doença do que a população em geral.

Os modelos de sistemas familiares procuram identificar determinados padrões de funcionamento familiar alterado, por exemplo, minimização de conflitos, envolvimentos da criança em tensões familiares, pais ausentes, mães que competem com as filhas, etc. Porém, estes factores hoje são vistos mais como conservadores do comportamento do que como factores que o causem.

Em cerca de um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias, particularmente envolvendo álcool e estimulantes. O uso de estimulantes frequentemente começa na tentativa de controlar o apetite e o peso. É provável que 30 a 50% dos pacientes com Bulimia Nervosa também tenham características de personalidade que satisfaçam os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade (mais frequentemente Transtorno da Personalidade “Borderline”).

Evidências preliminares sugerem que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Purgativo, apresentam mais sintomas depressivos e maior preocupação com a forma e o peso do que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Sem Purgação.

 

TIPOS

Os seguintes subtipos podem ser usados para a especificação da presença ou ausência de compulsões periódicas ou purgações regulares durante o episódio actual de Anorexia Nervosa.

Tipo Restritivo. Neste tipo a perda de peso é conseguida principalmente através de dietas, jejuns ou exercícios excessivos. Durante o episódio actual, esses pacientes não se desenvolveram compulsões periódicas ou purgações.

Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. É quando o paciente se envolve regularmente em compulsões de comer seguidas de purgações durante o episódio actual de anorexia. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa que comem compulsivamente também fazem purgações mediante vómitos auto-induzidos ou pelo uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas. Alguns pacientes incluídos neste subtipo não comem de forma compulsiva, mas fazem purgações regularmente mesmo após o consumo de pequenas quantidades de alimentos. Aparentemente, a maior parte dos pacientes com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo dedica-se a esses comportamentos pelo menos 1 vez por semana.

Comparados os dois grupos, os pacientes com Anorexia Nervosa, Tipo Restritivo, são menos graves e têm melhor prognóstico que aqueles com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. Esses últimos estão mais propensos a ter outros problemas de controlo dos impulsos, a abusarem do álcool ou de drogas, a exibirem maior instabilidade do humor e a serem sexualmente activos.

 

TRANSTORNOS ASSOCIADOS

Quando seriamente abaixo do peso, muitos pacientes com Anorexia Nervosa manifestam sintomas depressivos, tais como humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insónia e interesse diminuído por sexo. Esses pacientes podem ter um quadro clínico e sintomático que satisfaz os critérios para o Transtorno Depressivo Maior. Muitos dos aspectos depressivos podem ser secundários às sequelas fisiológicas e clínicas da desnutrição. Os sintomas de perturbação do humor devem, portanto, ser reavaliados após uma recuperação completa ou parcial do peso.

Características Obsessivo-Compulsivas, tanto relacionadas quanto não relacionadas com comida, com frequência são proeminentes. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa preocupa-se excessivamente com os alimentos, como dissemos acima.

Observações de comportamentos associados com outras formas de restrição alimentar sugerem que as obsessões e compulsões relacionadas a alimentos podem ser causadas ou exacerbadas pela desnutrição. Quando os pacientes com Anorexia Nervosa apresentam obsessões e compulsões não relacionadas a alimentos, forma corporal ou peso, pode haver um diagnóstico conjunto e concomitante de Transtorno Obsessivo-Compulsivo.

Outras características ocasionalmente associadas com a Anorexia Nervosa incluem preocupações acerca de comer em público, sentimento de inutilidade, uma forte necessidade de controlar o próprio ambiente, pensamento inflexível, espontaneidade social limitada e iniciativa e expressão emocional demasiadamente refreadas.

Embora alguns pacientes com Anorexia Nervosa não apresentem resultados de análises anormais, a característica de semi-inanição deste transtorno pode afectar sistemas orgânicos importantes e produzir uma variedade de distúrbios. A indução de vómitos e o abuso de laxantes, diuréticos e enemas, por exemplo, podem causar diversos distúrbios. A desidratação pode ser reflectida por um elevado nível de ureia no sangue, a hipercolesterolemia é comum e os testes de função hepática podem estar alterados. Níveis alterados de várias substâncias fundamentais ao equilíbrio interno podem acontecer, como por exemplo, hipomagnesemia, hipozinquemia, hipofosfatemia e hiperamilasemia. A indução de vómitos pode provocar alcalose metabólica, elevado o bicarbonato sérico, hipocloremia e hipocalemia, e o abuso de laxantes pode causar acidose metabólica.

Os níveis de hormona tiroideana (tiroxina sérica ou T4) podem estar diminuídos, assim como pode haver aumento da cortisona plasmática (hiperadrenocorticismo) e a resposta anormal a uma variedade de provocações neuroendócrinas são comuns. Nas mulheres, estão presentes baixos níveis de estrogénio sérico, enquanto os homens têm baixos níveis de testosterona. Existe uma regressão do eixo hipotalamico-pituitário-gonadal em ambos os sexos, no sentido de que o padrão de secreção de hormona luteinizante (LH) em 24 horas assemelha-se àquele normalmente visto em pacientes pré-púberes ou na puberdade.

O electrocardiograma das pessoas com Anorexia Nervosa pode estar também alterado. São observadas diminuição do ritmo cardíaco (bradicardia sinusal) e, algumas vezes, outras arritmias. O electroencefalograma pode mostrar anormalidades difusas, reflectindo uma encefalopatia metabólica, consequente aos distúrbios hidroeletrolíticos. Os exames de imagem cerebral (tomografia) com frequência podem mostrar um aumento na razão ventricular-cerebral.

O exame físico desses pacientes pode mostrar amenorreia (supressão de menstruações), queixas de intestino preso (obstipação), dor abdominal, intolerância ao frio e letargia. Também pode haver queda significativa na tensão arterial (hipotensão), hipotermia e pele seca. Alguns pacientes ficam com os pelos do peito mais finos e desenvolvem uma espécie de penugem. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa apresenta pulso lento (bradicardia).

A anorexia nervosa pode levar à morte em consequência das alterações orgânicas e metabólicas secundárias, à desnutrição e ao desequilíbrio electrolítico. Isso exige uma constante avaliação clínica e laboratorial. A sua evolução é variável, podendo ir de um episódio único com recuperação ponderal e psicológica completa, o que é mais raro, até evoluções crónicas com inúmeros internamentos e recaídas sucessivas. O índice de mortalidade em função directa da doença é estimado entre 6 e 10%. A grande maioria dos pacientes mantém alterações psicológicas ao longo de toda a vida, tais como dificuldades de adaptação conjugal, papel maternal mal assumido, má adaptação profissional e desenvolvimento de outros quadros psiquiátricos, de entre os quais a depressão.



CARACTERÍSTICAS DA CULTURA, DA IDADE E DO SEXO

A Anorexia Nervosa parece ter uma prevalência bem maior nas sociedades industrializadas, nas quais existe abundância de alimentos e onde, especialmente no tocante às mulheres, ser atraente está ligado à magreza. O transtorno é provavelmente mais comum nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e África do Sul, mas poucos trabalhos científicos já publicados examinaram a prevalência noutras culturas. Os pacientes que emigraram de culturas nas quais o transtorno é raro para culturas nas quais o transtorno é mais prevalente podem desenvolver Anorexia Nervosa, à medida que assimilam os ideais de elegância ligados à magreza.

Factores culturais também podem influenciar as manifestações do transtorno. Por exemplo, em algumas culturas, a percepção distorcida do corpo pode não ser proeminente, podendo a motivação expressa para a restrição alimentar ter um conteúdo diferente, como desconforto epigástrico ou antipatia por certos alimentos.

A Anorexia Nervosa raramente se inicia antes da puberdade, mas existem indícios de que a gravidade das perturbações mentais associadas pode ser maior nos pacientes pré-púberes que desenvolvem a doença. Entretanto, também há dados que sugerem que quando a doença se inicia durante os primeiros anos da adolescência (entre 13 e 18 anos de idade), ela pode estar associada a um melhor prognóstico. Mais de 90% dos casos de Anorexia Nervosa ocorrem em mulheres.


EPIDEMIOLOGIA

A taxa de prevalência de pacientes com anorexia é de 1% em toda a população e, destes, em cerca de 90% dos casos são mulheres. A doença acontece mais frequentemente nas classes sociais mais elevadas. A anorexia surge em 45% dos casos após uma dieta de emagrecimento; em 40% dos casos por ocasião de uma situação competitiva. Algumas profissões ligam esbelteza com realizações profissionais, e, no caso de grupos especiais (principalmente bailarinas e modelos) demonstraram ter um risco excepcionalmente elevado para o desenvolvimento de transtornos alimentares. A incidência de Anorexia Nervosa tem aumentado exponencialmente nas últimas décadas.


CURSO

A idade média para o início da Anorexia Nervosa é por volta dos 17 anos, com alguns dados sugerindo picos aos 14 e aos 18 anos. O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O aparecimento da doença está frequentemente associado com um acontecimento vital provocador de elevado stress, como sair de casa para estudar numa universidade distante, o casamento, a separação conjugal, etc.

O curso e evolução da Anorexia Nervosa são altamente variáveis. Alguns pacientes recuperam-se completamente após um episódio isolado, alguns exibem um padrão flutuante de ganho de peso seguido de recaída e outros vivem num curso crónico e deteriorante ao longo de muitos anos. A hospitalização pode ser necessária para a restauração do peso normal e para a correcção de desequilíbrios hidroelectrolíticos. Dos pacientes internados em hospitais universitários, a mortalidade a longo prazo por Anorexia Nervosa cifra-se à volta de 10%. A morte ocorre, com maior frequência, por inanição, suicídio ou por desequilíbrio electrolítico.

Existe um risco aumentado de Anorexia Nervosa entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com o transtorno. Um risco maior de transtornos do comportamento, principalmente depressão, também foi constatado entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com Anorexia Nervosa.

Meninas com nove anos já fazem dieta

Uma investigação conduzida no Reino Unido revela que, aos nove anos, são já muitas as crianças que se preocupam com o seu aspecto físico. Os cientistas da Universidade de Leeds chegaram à conclusão de que uma em cada cinco meninas com nove anos de idade fazem dieta porque, na escola, os colegas troçam do seu aspecto físico.

O investigador principal do estudo, Andrew Hill, alerta para o risco que estas crianças correm de vir a desenvolver desordens alimentares durante a adolescência. Isto porque a forma encontrada pelas meninas para reduzir o peso passa, muitas vezes, por saltar refeições, evitar determinados tipos de comida e/ou comer menos durante o dia. Através do estudo, percebeu-se que existe um grupo etário específico que está a desenvolver uma preocupação exagerada em torno da imagem.

No recreio, as crianças mais gordas são alvo de troça dos colegas mas são vários os factores que contribuem para esta preocupação: a pressão do órgãos de comunicação social, dos amigos e da própria família. Todos estes vectores, em conjunto, levam as crianças a acreditar que, realmente, «é esteticamente agradável ser magro». Os investigadores também perceberam que as meninas que são alvo de troça por parte dos seus colegas apresentam uma personalidade mais frágil e com menor auto-estima, mesmo quando não são, de facto, gordas.

 

A psicóloga Denise Bellotto de Moraes, da disciplina de nutrição e metabolismo da Unifesp foi responsável por uma pesquisa que avaliou o comportamento de 316 adolescentes dos 10 aos 19 anos de uma escola particular.

No levantamento, verificou-se que metade das 178 meninas estava insatisfeita com as medidas dos seus corpos, contra 30% dos meninos. Das garotas, 30% faziam dieta sem precisar. Para os nutricionistas, fisiologistas e pediatras o resultado dessa obsessão com as dietas é preocupante e pode comprometer o desenvolvimento equilibrado, podendo, inclusive ser o início de distúrbios alimentares graves, como a bulimia e a anorexia. 

O primeiro passo para uma alimentação saudável na adolescência é entender e aceitar as mudanças do corpo. Por exemplo; é normal que as meninas ganhem alguns quilos por volta dos dez anos, pois elas precisam de depósitos de gordura (em média elas têm de ter de 18% a 20%) para a produção das hormonas da puberdade e para se preparar para o fenómeno do "estirão", quando crescem rapidamente.

Critérios de Diagnóstico da Anorexia Nervosa

A. Recusa a manter o peso corporal num nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura (por ex., perda de peso levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; ou fracasso em ter o ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).
B. Medo intenso de ganhar peso ou se tornar gordo mesmo com o peso abaixo do normal.
C. Perturbação no modo de viver o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto-avaliação, ou negação do baixo peso corporal actual.
D. Nas mulheres pós-menarca, o surgimento de amenorreia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tem amenorreia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormonas, por ex., estrogénio.)
Especificar tipo:
Tipo Restritivo: durante o episódio actual de Anorexia Nervosa, o paciente não se envolveu regularmente num comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vómitos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas).
Tipo Compulsão Periódica/Purgativo: durante o episódio actual de Anorexia Nervosa, o paciente envolveu-se regularmente num comportamento associado ao acto de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vómito ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas).

TRATAMENTO

Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito à adesão do paciente ao tratamento, pois, como vimos, a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas vêm como verdadeiros inimigos interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar os seus pesos. Portanto, o médico deve encorajar hábitos alimentares normais e ganhos de peso sem que isto se torne o único ponto de incidência do tratamento.

 

Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder a internamento da paciente para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar. A família deve ser orientada sobre a gravidade do problema bem como falsas expectativas sobre o facto da cura ser fácil, porque não é.

Se o tratamento é em regime de hospitalização procede-se à correcção hidroeletrolítica, dieta hipercalórica mesmo contra a vontade da paciente, correcção de possíveis alterações metabólicas e início do tratamento psiquiátrico.

Psicologicamente deve-se abordar o caso cognitivamente e/ou comportamentalmente, encorajando a adopção de atitudes mais sadias por parte da paciente, que é recompensada com elogios e diminuição de situações de aversão como restrição da sua mobilidade. A psicoterapia individual é indicada visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas de pensamento falaciosos.

A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, faz-se à custa de antidepressivos, nomeadamente com tricíclicos que tenham como efeito colateral também o estímulo do apetite e o ganho de peso, como é o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina. Havendo necessidade de sedação (quase sempre há), recomenda-se que seja feita com neurolépticos e, preferencialmente, com aqueles que também aumentam o apetite, como é o caso da levomepromazina.

Mesmo após a melhora é bom ter em mente que as recaídas são frequentes. No caso do internamento, a taxa de recidiva imediata é superior a 25%. Portanto o acompanhamento destas pacientes deve-se fazer por vários anos seguidos.

Referências:

Ballone GJ - Anorexia Nervosa, in. PsiqWeb

Publicação: Saturday, May 12, 2007 3:53 AM por Oidotsuc

Comentários

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Saturday, May 12, 2007 11:31 AM by jzarro

Notável este artigo sobre a anorexia.

Trata-se de um assunto que me diz muito uma vez que tenho uma irmã que sofre desta doença há mais de 25 anos!! Muitas das fotografias que encontramos no blog poderiam ser dela.

Felizmente está muito melhor, mas com várias recaidas ao longo dos anos, necessitando de ser internada periodicamente para ser "obrigada" a seguir um regime alimentar mais equilibrado.

Um grande abraço deste seu amigo que já deixou de ficar surpreendido com a qualidade dos artigos deste blog.

João Zarro

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Saturday, May 12, 2007 2:29 PM by Oidotsuc

Caro João Zarro,

A anorexia é, de facto, uma doença complexa.

Penso que tudo o que se possa fazer para tornar a sua detecção mais precoce é uma grande ajuda que se pode dar aos pacientes, pois quanto mais cedo a doença for tratada menos difícil será a sua recuperação.

Na realidade, estas fotografias são de casos avançados da doença, mas não é raro, encontrarmos situações avançadas como estas. E tudo porque se cria uma rotina de habituação quer dos doentes quer de quem os acompanha que torna difícil, no dia-a-dia, a percepção correcta de se o doente está a ganhar ou a perder peso.

Envio-lhe um grande abraço e não posso deixar de o cumprimentar pelo talento da sua escrita e pelas suas pinturas.

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Sunday, May 13, 2007 1:12 AM by chinezzinha

Oidotsuc

O post está excelente. Uma vez entrei por curiosidade para um grupo da MSN de uma tal de Ana.Fiquei chocada com as mensagens de lá. Dicas e mais dicas para emagrecer. Li uma ou duas e chegou. Se eu quisesse emagrecer e ingressasse nesse grupo a fulana convencia-me. Ela e outras.Tenho a certeza.

Cancelei a participação do grupo no dia seguinte. Andava atrás de artigos sobre anorexia nervosa e através desse grupo fui dar a dezenas de blogs que também me impressionaram muito. Esse grupo vim a saber mais tarde que a MSN o tinha fechado. Isto terá sido há uns 7 anos.

Desisti da pesquisa, porque ficava "doente" ao ver tudo aquilo.

Parabéns!

bjinhos

Ana

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Sunday, May 13, 2007 3:09 AM by Oidotsuc

Olá Ana,

Este é um problema que começa por vontade do próprio.

É preciso muito para tirar um doente deste problema.

E é tão fácil aliciar quem tem propensão para este problema.

Bastam duas ou três palavras ... mágicas.

Um beijinho

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Monday, May 14, 2007 8:50 PM by noelsantarosa

Olá Oidotsuc!

Excelente este seu artigo, como aliás já me começo a habituar ver por aqui.

Claro que a Anorexia é uma doença complexa, mas também já reparou que a maioria das fotos que aqui colocou estão relacionadas com o mundo da moda?

Pois é meu caro amigo.

Ao longo da minha vida profissional, no mundo da publicidade e do Marketing e logo também ligada à moda e aos seus meandros, vi muitas jovens modelos entrarem por esse caminho nem sempre fácil de se sair.

A nossa sociedade de consumo, cria estereótipos que de tempos a tempos leva à inversão de valores.

A moda das mulheres muito magras começou na década de 60 quando a modelo Twiggy surgiu pela mão do fotógrafo Justin de Villeneuve, contrapondo o conceito de beleza feminina de uma Marilyn Monroe e de muitas sexy simbols da década de 50.

O mundo da moda e os seus ditames, tem criado situações de total irresponsabilidade no que toca à saúde e ao verdadeiro bem estar de quem a segue e se tivermos em conta que é no período da adolescencia, onde o corpo assume um papel de importancia tremenda que os jovens começam a dar mais atenção ao seu aspecto físico e às modas, então percebe-se como esses ditames os forçam até situações extremas como é o caso da Anorexia e da Bulimía que geralmente lhe está também associada.

Chocante, mas real!

Felizmente que já existem organizações ligadas ao mundo da moda que começam a tomar consciencia deste fenómeno e estão a dar pequenos mas rigorosos passos para travar tal flagelo.

Mais uma vez daqui lhe mando os meus parabéns pelo excelente trabalho e empenho em dar informação rigorosa a quem o lê.

Um abraço

Noel

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Monday, May 14, 2007 10:30 PM by Oidotsuc

Olá NoelSantaRosa,

Agradeço o seu simpático comentário revelador da sua experiência nesta área que tantas preocupações nos merece.

A anorexia é uma doença. E como doença deve ser prevenida. Mas, se as medidas de prevenção não resultarem totalmente, então devemos atalhar as ocorrências deste flagelo o mais cedo possível, logo que surgem os pimeiros sintomas. Porque a recuperação, nessa fase, é bastante mais bem sucedida.

Mais uma vez lhe deixo os meus agradecimentos por tão bem elaborado comentário.

Um abraço

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Sunday, May 20, 2007 1:45 AM by Anahory

Olá

Só hoje vi este post que está extraordinariamente bem estruturado e completo.

A Anorexia Nervosa bem como outras doenças do comportamento alimentar são de facto muito complexas e muito graves.

Como referiu afectam normalmente as jovens mas são muitos os casos que duram anos, tornando-se crónicos e que assim tb afectam adultos.

Muitos e muitos parabéns por um dos melhores trabalhos que já li sobre este tema (e já li bastantes.

Vou aliás copiá-lo e imprimi-lo.

Biejos

Kiki

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Sunday, May 20, 2007 2:27 AM by Oidotsuc

Olá Kiki,

Obrigado pela visita.

Tudo o que se possa fazer pela detecção precoce desta doença é muito bem vindo.

Vivemos em sociedade. Temos que criar mecanismos de entre-ajuda.

Um beijinho

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Thursday, May 24, 2007 8:45 PM by camionista

O meu amigo, como sempre, não hesita em entrar a fundo pelos temas.

Imagens verdadeiramente de choque, a ilustrar a informação correcta e completa, que espero façam pensar um pouco as pessoas directamente envolvidas.

Parabéns pelo excelente trabalho!

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Friday, May 25, 2007 11:41 AM by Oidotsuc

Caro amigo Camionista,

Muitas vezes, na euforia do "Glamour" fazem-se excessos que se pagam a vida toda.

Se podemos prevenir, então porque não o fazemos?

Um abraço e obrigado pelos cumprimentos

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Saturday, May 26, 2007 12:21 AM by twiggy

Depois disto nunca mais farei dieta na vida. agora a sério, isto é tenebroso e preocupante e ainda bem que o abordáste.

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Saturday, May 26, 2007 3:36 PM by Oidotsuc

Olá Twiggy,

Este problema é, de facto, sério.

Obrigado pela tua visita Twiggy.

E não te recrimines por teres sido tu a impulsionadora da nova estética do corpo feminino, com outro ideal de curvas, menos curvas, muito menos curvas.

Tu não mandaste ninguém exagerar.

E temos que prevenir novos casos.

Não é facil!

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Sunday, May 27, 2007 12:14 AM by Melita

Olá,

Um trabalho que considero completo para quem queira saber a realidade desta doença...

Sendo uma preocupação constante da classe médica em geral e pais, existem alguns sites que ajudam, mas mencionarei o NDCA - Núcleo de Doenças de Comportamento Alimentar que podem visitar em http://www.comportamentoalimentar.pt/

Um abraço

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Sunday, May 27, 2007 3:10 PM by Oidotsuc

Olá Melita,

Grato pelo comentário.

O site indicado é excelente.

Um abraço

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Monday, May 28, 2007 6:43 PM by FELICE

Olá

Enquanto houver parâmetros de beleza ligados ao estar magra/elegantíssima (tipo esqueleto), será sempre assim (infelizmente). Apesar, como como mostra neste completíssimo post, ser um problema muito complexo e grave (mental) e uma faixa etária ser alvo deste flagelo ...

Parabéns pela partilha.

Smile

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Monday, June 11, 2007 2:33 AM by Oidotsuc

Olá Felice!

De facto a sociedade impele-nos para comportamentos desviantes. Por um lado estes disturbios ligados à alimentação como a anorexia e a bulimia, tantas vezes associados. Por outro lado todo um conjunto de estilos de vida e de comportamentos sedentários que levam à elevada percentagem de indivídous com excesso de peso, muitos deles com situações de obesidade e obesidade grave.

Mas há que ir travando novas batalhas à medida que sugem as adversidades.

É assim a vida em comunidade!

Agradeço o comentário

# ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Thursday, July 26, 2007 12:59 AM by arlanda

Olá! bem eu sei que tão a seguir o que é correcto mas cá está de dentro a ver este problema a conviver todos os dias com ele é bem diferente.

É verdade que a anorexia é uma doença, mas também é verdade que é difícil vencê-la. Eu só descobri o meu problema bem depois de o ter e um passo que me custou muito tomar foi aceitar que eu tinha esse problema alimentar...ainda agora que iniciei tratamento me custa muito e, por vezes sinto uma enorme vontade de desistir de tudo e voltar à minha "rotina saudavel". Sei que a minha "rotina saudável" era simplesmente um enorme erro e sem a atenção das pessoas que me rodeavam, talvez já não estivesse aqui a escrever este post.

Irrito-me quando vejo blogs e sites na internet a favor deste distúrbio alimentar, como é que há jovens que querem ter esta doença só para serem "elegantes" será que não entendem que podem morrer.

Eu passei por isto e sinceramente não é nada agradável, sensação de vazio, solidão, depressão, ódio de nós mesmos, nojo de sermos quem somos....tudo isto é péssimo e uma tortura para a nossa mente!

Eu comecei este ciclo com uma simples dieta, mas aos poucos sentia que a dieta era como uma "libertação" dos meus problema familiares, parecia que se não comesse me sentiria mais capaz de ajudar a minha família e as outras pessoas, que me tornava mais e melhor, mas foi.....um enorme erro.

A minha situação foi-se agravando, aos poucos deixei de comer, comecei a isolar-me e a sentir-me mal quando era olhada.Começaram a aperceber-se da minha perda de peso e fui obrigada a alimentar-me e então comecei a provocar o vómito (actos que não me orgulho, mas que me pareciam a melhor solução).

Mas este ciclo de vomitar não durou muito, pois não conseguia sentir-me "bem" quando vomitava. Então descobri algo que me permitia ficar melhor....cortar-me. Cortava os meus braços e pernas e, depois, chorava sozinha e sentia-me uma fraca e parva.

Passado pouco tempo comecei a ter pensamentos suicidas e tentei matar-me 4 vezes, mas (felizmente) não consegui levar etes meus actos até ao fim, umas fui encontrada, mas da 1ª vez simplesmente não tive coragem....

Recordar tudo isto é horrível, mas pior ainda é saber que existem jovens como eu a favor desta doença.....

Enquanto escrevo isto penso em como estava mal e como quase perdi a minha juventude, sendo eu ainda uma jovem que acabou de fazer 16 anos....é triste pensar em como estava perdida.

Actualmente faço terapia, tenho nutricionista e psikiatra e atrevo-me a dizer que foram eles que me salvaram do pior...

Desculpem este desabafo!

E adorei este post....é necessário alertar a sociedade...

Abraços desta jovem

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Saturday, July 28, 2007 1:21 PM by Oidotsuc

Olá Arlanda,

Obrigado pelo teu testemunho pessoal.

Sabes que és uma entre muitos com este problema.

Mas a vida é assim mesmo, uma luta diária connosco próprios, para nos ultrapassarmos, para vencermos, para sermos quem queremos ser.

E vale a pena viver.

Intensamente.

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Friday, August 31, 2007 12:57 AM by arlanda

desisti da terapia e da vida!estou desorientada!

o que fazer?

bj

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Friday, September 07, 2007 12:55 AM by Oidotsuc

Olá Arlanda,

Só agora li este teu comentário. E fiquei preocupado.

Mas recomendo-te uma coisa. Posso?

Sempre que estiveres ou te sentires desorientada, procura (sempre mas mesmo sempre!) companhia. Um problema fica sempre menor se o dividirmos por dois. Ou por três.

Esta vida é boa. Só temos que descobrir como vivê-la. Tal como para respirar o esforço que o nosso corpo faz é imperceptível, assim, de igual modo, o simples acto de vivermos também tem  ser feito com um esforço imperceptível. Como respirar.

Ser feliz é um bem supremo. Só temos que encontrar o nosso caminho. E percorrê-lo. Porque saber a direcção certa não basta. Temos mesmo que percorrer o caminho. Por vezes, se um atalho não resulta, temos que achar outro que seja melhor. Mas, muitas vezes, mesmo quando estamos no caminho certo, interrogamo-nos sobre se será mesmo este o caminho com que sonhámos. Porque é um caminho duro. Quem disse que não era?

E ficamos confusos, não é? E é aí que,então, precisamos de ajuda. De um ombro amigo. De um conselho acertado. Para voltarmos à estrada. De novo. Como quem respira.

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Sunday, September 30, 2007 12:02 PM by arlanda

mas isto nao e nada facil!

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Sunday, September 30, 2007 9:29 PM by Oidotsuc

Olá Arlanda,

Tu sabes bem que não é fácil!

Mas também sabes bem que não podes desistir!

Quando estiveres cansada de lutar sózinha, busca um ombro amigo!

Força!

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Friday, June 27, 2008 4:42 PM by anapinto

olá

Li, reli, e voltei a ler...

é verdade tudo começou com uma simples dieta.

E agora não consigo parar.

è verdade induzo vómitos com frequência, mas o problema... é que deixei de comer, mas também não tenho fome.

tebho comportamentos obsessivos, principalmente com a balança. mas não estou magra ao contrário daquilo que dizem.SINTO-ME SÓ.

AS HORAS DA REFEIÇÃO SÃO VERDADEIRAS TORTURAS!

A DIFICULDADE DE RACIOCINIO .

NA REALIDADE NÃO SEI O QUE TENHO.

QUERO ESTAR SÓ!

TENHO 1,73M E PESO 55 KILOS, NÃO É ANOREXIA.

SÓ QUERIA ESTAR BEM ( MENTIRA) SE ESTAR BEM É COMER DESALMADAMENTE ENTÃO NÃO QUERO ESTAR BEM, PORQUE NÃO ESTOU MAGRA.

ESTOU CONFUSA...TRISTE...ANGUSTIADA.

É VERDADE QUE CADA KILO QUE PERCO É UMA SENSAÇÃO MUITO BOA...MAS DURA POUCO. pORQUÊ?

TENHO UMA FILHA DE 4 ANOS . "PENSA NA TUA FILHA " - DIZEM OS OUTROS

JÁ NÃO CONSIGO .....

QUERO DESCANSAR PROFUNDAMENTE.

OBRIGADO PELO DESABAFO

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Friday, June 27, 2008 10:43 PM by Oidotsuc

Olá Anapinto,

Já vi que tens uma grande vantagem, uma vez que reconheces o problema.

E sabes porque é que te sentes só? É simples! É porque as outras pessoas não te compreendem.

Não sabem qual é o prazer que se sente quando se induz um vómito que possa significar poder perder peso. E depois dizem "Que disparate!" sem saberem nada daquilo que estão a dizer.

Mas se reconheces o teu problema, tens que pensar em como resolvê-lo. Tens que criar aliciantes para comeres. Mesmo que não te apeteça comer durante uma semana inteira, tu sabes que tens de fazer, no mínimo, três refeições por dia. Dispensa comidas engordantes, come bem e alimentos saudáveis. E não precisas de comer muito. Apenas o que precisas.

Afinal, o teu peso é quase bom. Só tens que te esforçar um bocadinho para chegares a um índice de Massa Corporal superior a 20. Mas, vá lá. Dá uma folga e chega aos 21. Não te custa nada. E, sabes uma coisa? Quando chegares a esse peso de segurança, podes dar-te um prémio a ti própria. Mas, atenção! Que não seja um prémio de não comeres nada durante um dia inteiro. Senão volta tudo ao mesmo.

E lança um desafio a ti própria. O de descobrires aquilo que mais te abre o apetite: Nadar, estar ao sol, passear, fazer montanhismo, visitar uns amigos de infância,fazer voluntariado num Hospital Pediátrico ou no auxílio aos toxico-dependentes ou aos sem-abrigo, etc.

Mas tu é que tens de descobrir o que te motiva. E tu sabes! De certeza que sabes!

Então? De que estás à espera?

# re: ANOREXIA! DISSE O MÉDICO! E AGORA?

Monday, June 30, 2008 10:33 AM by anapinto

Que desespero tão grande, ontem lá com grande esforço como mais um pouco e hoje a balança acusou mais 700 gramas.

não estou nada bem,

Deus me ajude!

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