Daniel Luís, uma Petição que eu não vou assinar
Daniel Luís, uma Petição que eu não vou assinar
Porque será que eu não fiquei surpresa com o resultado da reunião do conselho científico onde foi analisado o caso da demissão do professor Daniel Luís? Considerando todos os acontecimentos, alguém com o mínimo de razoabilidade, seria capaz de ver desde logo que o desfecho só poderia ser um. Só quem acredita em milagres ou só quem insiste em dar palmadinhas nas costas, sem olhar para todas as consequências nefastas que possam suceder ao principal interessado, é que insiste em incentivar um caso que está perdido desde o início.
O professor Daniel Luís tinha de entregar uma tese de doutoramento e não o fez. Terminado o prazo, apenas escreveu capítulo e meio de um total que, após diversas insistências para que dissesse quantos capítulos teria a sua tese, nunca chegámos a saber qual seria. Disse ter tido divergências com a pessoa que estaria a orientar a sua tese e que pediu para que fosse orientado por outra pessoa. Chegou ao fim do contrato e foi informado que iria ser despedido com justa causa, baseado no facto de não ter terminado a tese de doutoramento no prazo previsto. Depois disso, em vez de tentar resolver a situação de forma discreta e pacífica, apelando ao bom senso dos decisores, optou por uma vingança cega, atacando todos os que o rodeavam e colocando a universidade do Minho em cheque. Fez questão de divulgar que outros colegas demoravam muitos anos até conseguirem terminar a tese de doutoramento e que não percebia porque não teria também direito a tais benefícios. A ajudar à festa, ficou deslumbrado com todos os que lhe davam palmadinhas nas costas a incentivar uma luta sem tréguas contra aqueles que teriam feito censura contra si. Procedeu da pior forma possível e foi incentivado de forma bastante negativa. Como se tudo isso não bastasse, apelou para o tal conselho científico, pensando que todas as suas afirmações pudessem ser esquecidas. Transmitiu uma péssima imagem da universidade do Minho e ainda esperava que o pudessem transferir de departamento, onde supostamente poderia continuar com as suas diversões extra-contratuais, esperando ainda ter várias benesses que o deixassem continuar a adiar a entrega da tese de doutoramento. Quem pensa e age desta forma, não pode estar a ver a realidade com clareza. E graças a tudo isto, arrisca-se a ficar sem outras opções de trabalho. Que outras universidades vão dar trabalho a um professor que demonstrou não ser capaz de cumprir um ponto fundamental do seu contrato, que não hesita em lavar a roupa suja em público, comprometendo todos os que o rodeiam, e que aparenta gostar mais das actividades extra-curriculares do que cumprir com objectivos traçados dentro da universidade?
Estou muito revoltada com o que li no seu último post: Espero que esta tarde seja feita justiça, pois caso contrário, deixarei de acreditar na humanidade, nos homens e mulheres que me rodeiam e desaparecerei definitivamente deste mundo.
Quem diz apenas revela um enorme egoísmo, alguém que apenas é capaz de olhar para o seu próprio umbigo, que só se sente bem quando tudo gira à sua volta em seu proveito. Ao proceder como procedeu, ao insistir numa luta que só irá prejudicar aqueles que lhe são próximos e ao escrever uma coisa destas, eu só posso ficar cada vez mais desiludida e revoltada com este caso.
E depois de ler este artigo no Público http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1392373&idCanal=58 e ler a maioria dos comentários, percebe-se que já são vários a partilhar da opinião que aqui escrevi. Um caso de suposta censura, pela forma como está a ser conduzido, começa a transformar-se num caso de um professor que não trabalhou quando deveria trabalhar, que enxovalhou e comprometeu outras pessoas da sua universidade, mas que insiste em que lhe sejam dadas todas as condições para que continue nas suas actividades extra curriculares que apenas servem para alimentar o seu ego.
Será possível que não percebam que neste caso, as palmadinhas nas costas, não são a melhor forma de ajudar? Mas depois eu é que estou enganada.