Eu tinha para mim que o melhor ministro do Governo de Sócrates tem sido, de há muito, o das Finanças, Teixeira dos Santos. Vejo agora que o Finantial Times, analisando a actividade de 19 ministros da UE, elaborou um ranking, em que o nosso Teixeira dos Santos aparece muito mal qualificado, como o 4º pior deles. Acredito que o Finantial Times, pela sua boa reputação e especialidade, sabe analisar melhor os ministros das Finanças do que eu. Portanto, passo a considerar Teixeira dos Santos um mau ministro das Finanças (o que bate certo com os últimos e preocupantes dados sobre o desemprego, o actual problema mais grave da novssa vida político-social). Mas continuo, apesar de tudo, a achar que ele é o melhor ministro do Governo de Sócrates.
Melhor ainda, só outro governante, mas esse não é ministro - é secretário de Estado: Fernando Serrasqueiro. Neste caso, não há ironias; nunca vi fazer-se tanto, e tão bem, pelos consumidores (esquecendo a tragédia da actual ASAE, com aquele seu presidente, que acredito não ser responsabilidade de Serrasqueiro).
 Corre no PS o novo desporto que os socialistas quase todos pretendem realizar: o Assalto à Vara. Pratica-se em recintos fechados.
Um artigo de um pediatra daqueles que agradam aos jornais, Mário Cordeiro, no Público de hoje, trata de lúcidas as mulheres de esperanças que se vacinam contra a gripe A, apesar de todas as dúvidas levantadas pelas sucessivas mortes de fetos após as vacinas, e de paranóicos todos os que acham melhor examinar com prudência os verdadeiros efeitos secundários da vacina. E fá-lo com aquele ar suficiente e absoluto de quem normalmente não tem razão. Pessoalmente, teria pânico de pôr um filho nas mãos dele. No DN de hoje, o presidente da Sociedade Portuguesa de Obstectrícia, Luís Graça, embora se pronuncie ainda favorável à vantagem da vacina (sem a suficiência nem o absolutismo patetas de Cordeiro), admite a necessidade de acompanhar com muita prudência e atenção tudo o que se está a passar. Soube hoje de uma mulher de esperanças, a tratar-se com um médico da Alfredo da Costa, que depois do 3º caso conhecido de feto morto após a vacina, foi aconselhada a esperar. Disseram-lhe, ao que parece, que hoje mesmo os médicos daquela Maternidade iriam procurar debruçar-se sobre o problema, e tentar apurar qual a posição mais prudente. Também se noticiou que a Comissão Europeia ordenou um inquérito ao que se está a passar. Temos de evitar que se repita o caso da Talidomida (medicamento contra os enjoos das mulheres de esperanças que em 1961 provocou o nascimento de muitas crianças com malformações congénitas gravíssimas, e demorou demasiado a ser retirado do mercado). No tempo da Talidomida a desgraça parece ter sido haver demasiados M. Cordeiros, cheios de suficiência. Felizmente, desta vez, ouvem-se mais alto vozes com uma prudência maior. E a ironia máxima, num momento em que se diz que a vacina usada em Portugal pode ter efeitos secundários a prazo imprevisíveis, é ver como os poderes públicos, em lugar de se colocarem na posição de servidores da população, sendo os últimos a vacinarem-se (como acontecia nos bons tempos das democracias), resolveram auto-proclamar-se prioritários. A não ser que estivessem mesmo com boas intenções, temessem os efeitos secundários, e quisessem servir de cobaias antes de porem em risco as populações...
Logo a seguir ao 25 de Abril, era eu muito novo, e naquela vaga de progressismo, falando com Natália Correia, ela própria uma conhecida opositora do anterior regime, declarei-me um apoiante entusiasta da igualdade das mulheres. E ela, com o seu ar teatral, puxou uma fumaça, agitou a boquilha, e deu-me um ralhete, para concluir: «Eu, como mulher, não quero o direito à igualdade, exijo o direito à diferença».
Os homossexuais, no entanto, ansiosos de uma igualdade (retrógrada, como lhes explicaria Natália), antes de começarem a pedir quotas de representatividade nos órgãos políticos (como as mulheres igualitárias), querem uma igualdade geral e absoluta. E tanto, que são hoje os únicos a quererem casar. Claro que os homossexuais toda a vida casaram, mas com pessoas do sexo diferente. Talvez hoje já não se sintam confortáveis assim. Quando casarem (e o mundo não acabará por isso, ficará apenas mais disparatado), teremos talvez de descobrir um instituto diferente para as famílias de heterossexuais, que desejem o regulamento da sua vida familiar, como casais e em relação também aos filhos. Se alguém, neste tempo de correntes retrógradas (como bem lhes chamaria Natália), reconhecer aos heterossexuais o direito à diferença (que temo bem estar em causa, e a pedir luta). De resto, reparo que o projecto de casamento homossexual do PS nem sequer vem dar igualdade, porque continua a impedir a adopção por casais homossexuais. Digo isto só para desfazer o argumento. Porque já agora acho preferível não se fazer das criancinhas cobaias de brinquedo, em experiências para satisfazer o «orgulho gay» (que é o «machismo» dos homossexuais).
A imprensa de quase todo o mundo destacou, em fotografia, o vergar excessivo de espinha de Barak Obama a cumprimentar o imperador do Japão. Estes complexos republicanos em relação ás monarquias, que seguramente alentam os monárquicos (e com razão), constituem o lado menos compreensível da República e dos republicanos. Mas parecem incontroláveis. E fazem lembrar um certo Presidente português recente a cumprimentar um monarca estrangeiro.
Eu ainda acredito nas vantagens da República, cuja chefia emana da vontade popular e não de um acaso sanguíneo (e sabe-se como o sangue está cada vez mais sujeito a maleitas) - e proponho que se treinem os Presidentes, antes de se encontrarem com monarcas, para não sucumbirem aos fascínio da aristocracia puramente familiar. Afinal, a República americana é um exemplo para todo o mundo, incluindo o Japão.
Aguiar-Branco, que tanto tinha criticado a direcção de Menezes por querer contratar uma empresa de comunicação para o grupo parlamentar do PSD - então liderado por Santana Lopes -, acabou por contratar ele uma dessas empresas, no mesmo grupo que trabalha para o primeiro-ministro do PS. É que, agora com ambições de poder maiores, talvez Aguiar-Branco tenha concluído, vendo o exemplo de Sócrates, que também ele só poderá vender-se bem como um sabão - que é preciso transformar em sabonete perfumadíssimo.
António Guterres é o único português a aparecer na lista dos mais poderosos (encabeçada pelos Presidentes dos EUA e da China) da Forbes. É curioso que de todos os portugueses, mesmo dos que estão em cargos internacionais de maior relevância, seja ele o único escolhido. Percebe-se que Barroso, por exemplo, é apenas visto como instrumento de poder de outros.
Também Putin, mesmo só primeiro-ministro, em 3º lugar da lista, está muito à frente do actual Presidente da Rússia (43º). A lista procura ser objectiva. E Guterres, sem Pina Moura por perto, pelos vistos funciona mesmo.
O DN noticia hoje que Manuela Moura Guedes acaba de renovar por mais 30 dias uma baixa psiquiátrica. Isto pode explicar muito o que foi o seu telediário, as obsessões temáticas e as discussões com alguns entrevistados.
O problema é agora imaginar o regresso a funções de responsabilidade no jornalismo. Não digo que a passagem pelas baixas psiquiátricas impeça uma pessoa de voltar a ser jornalista - desde que consiga controlar a doença que motivou a tal baixa. Mas seguramente não a torna credível para responsabilidades editoriais mais elevadas.
A nova administração do BPP quer que o Governo garanta, obviamente com o dinheiro dos contribuintes, o pagamento a todos os clientes do Banco do «retorno absoluto». Talvez não fosse mal fazer estes administradores contribuírem com os seus próprios fundos e salários. Porque é demasiado fácil carregar sobre os contribuintes. Mas imoral: porque a maioria desrtes ou não sabia sequer do BPP, ou não era lá admitida, ou teve a prudência de não acreditar e investir em fundos miríficos. Eu, por exemplo, se nunca andei atrás dos fundos do BPP, porque hei-de ver os meus impostos imdemnizarem quem andou?
Ao vermos Angela Merkel a presidir às cerimónias de comemoração dos 20 anos do derrube do Muro de Berlim, rodeada de líderes mundiais, constatamos que a chanceler alemã se impôs como a grande líder de toda a Europa. Já nem faz sentido falar do eixo Paris-Berlim. Sarkozy está desacreditado, Brown não convence apesar das ideias que vai vertendo, Berlusconi é anedótico - e enfim, aquela política vinda da Alemanha de Leste tornou-se uma diplomata maior que o próprio Kohl. A única em condições de falar com Obama. E não, como Blair em relação a Bush, em puro seguidismo.
Alguém se surpreendeu com o piscar de olho do Governo do PS ao CDS, na discussão do seu Programa? O próprio CDS, com aquele caderno de encargos que apresentou ao PS, não estava já também a fazer um enorme piscar de olho? O pior de tudo é termos de levar com as medidas fracturantes, para compensar. Era bom que o PSD se endireite depressa, para podermos aspirar as umas eleições antecipadas. Até porque, pelas intervenções de Sócrates na Assembleia, se admitirmos que ele deixou de ser animal feroz, não deixou seguramente de ser arrogante. É que o animal feroz podia ser um estilo. Agora a arrogância é carácter e educação.
 O juiz Rui Teixeira, o instrutor do processo da Casa Pia, veio agora a público defender que as fugas de informação não partiram dos magistrados - e por isso os magistrados resolveram acusar os jornalistas, que certamente plantam em casa este género de processos. E nós todos, que nos lembramos de ele ir à Assembleia da República, com uma câmara de TV atrás, pedir a retirada de imunidade a Paulo Pedroso, devemos andar com a memória desarranjada. Rui Teixeira provavelmente nunca foi à Assembleia da República, pelo que não podia ter ido de câmara de TV atrás, e seguramente não conhece Paulo Pedroso, e talvez até nem o tenha mandado prender com base em nenhuma prova sólida. No fim, ainda nos vai dizer que nunca ligou a indícios que só se adaptavam a preconceitos pessoais. E como não parece haver sanções naquela carreira, mas apenas uma solidariedade corporativa dos colegas, pode continuar assim eternamente, a lixar os contribuintes com o dinheiro dos próprios contribuintes.
Uma secção de registos da imprensa noticiava há dias os 36 anos de Filipe Costa, dirigente da Juventude Socialista. Se as Juventudes partidárias são dirigidas por homens de 36 anos - e supondo que eles não sejam tão atrasados mentais que estejam ainda numa mentalidade de 20 -, talvez se torne urgente os partidos arranjarem agora umas organizações de adolescentes (parece que a maturidade se tem adiado dentro dos partidos), que tratem dos problemas daquela idade que sempre se chamou juventude, entre os 18 e os 21 ou 22 anos, e que tinha problemas específicos (que iam da vida de estudantes de uns, à dos que não podiam sê-lo de outros). Bem sei que Sócrates foi estudante até muito tarde, e de forma excessivamente informal. Mas daí a haver uma organização de juventude com dirigentes de 36 anos... Então quando começarão eles a serem homenzinhos, para formarem família, entrarem no mercado de trabalho e terem os problemas mais normais das pessoas adultas, como sempre aconteceu?
Lá se inaugura mais uma Feira da Golegã, a apanhar o Dia de S. Martinho (11/11), e que se estenderá até ao próximo fim-de-semana. Desta vez, a coisa decorre com mais calma. Neste fim-de-semana são só atrelagens - e a malta de Lisboa nos copos, à noite. A Feira a sério começa 4ª-feira, com a abertura das casetas e a exposição dos cavalos.
Este ano, o presidente da Câmara, o médico José Veiga Maltez, tendo feito o pleno dos vereadores nas últimas autárquicas (concorrendo pelo PS, que não enjeita as famºílias tradicionais), convida de vez em quando opositores não eleitos, para o irem ouvir de perto às reiuniões de vereação. Outra novidade importante da terra, é o Hotel Lusitanus (um autêntico hotel-boutique), com o seu fantástico restaurante - que não vai dar para todos.
Uma escultura de Giacometti, L'homme qui chevire, foi vendida por quase 13 milhões de euros (19 milhões de dólares), num leilão da Sotheby's, em Nova Iorque.
As crises já não são o que eram - e há sempre fortunas prontas a investir em boa arte (haverá investimentos mais seguros?), mesmo que sejam quantias astronómicas. Vamos lá ver como corre por cá a Arte Lisboa, entre 18 e 23 deste mês de Novembro (como habitualmente, no Pavilhão 4 da FIL, no Parque das Nações).
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