Comprei há alguns dias a versão iTunes do album "King Of Pop" de Michael Jackson. Fico envergonhado, e peço desculpa ao autor por isto, por ter levado tanto tempo para o comprar, por ter esperado que ele morresse para o comprar. Antes de ter comprado este album tinha 3 músicas de Michael no iPod e ouvia sempre com grande nostalgia e ficava um bocado irritado por o génio que nos mostrou o "Beat It" se ter tornado, como alguns jornalistas faziam questão de me lembrar, num ser esquisito.
A cobertura jornalítica da vida de Michael Jackson nos últimos anos cegou-me, fez-me esquer que o maior artista da nossa história só se tornou grande por causa da música, da dança e da generosidade que sempre demonstrou, com África e com os desamparados especialmente.
Lembro que fiquei chocado quando vi na Euronews as notícias no dia 25 de Junho e depois confirmei no maior site de fofoca do mundo, TMZ.com. De repente, correram na minha memória sucessos de Jackson como "Thriller", "Remember The Time", "Heal The World", "They Don't Really Care About Us" e "I'll Be There" (a minha favorita) que interpretou ainda como membro dos Jackson 5, não conseguia perceber que o grande Michael, que deixou naquele momento de ser esquisito, tinha partido.
Rei, desculpa. Descanse em paz.
94 millions euros baby
Florentino Perez está de volta ao futebol, como se esperava, voltou em grade. O presidente do Real Madrid em menos de uma semana levou Kaká por 65 milhões de euros e Cristiano Ronaldo por mais de 90 milhões de euros.
A mim parece excessivo investir (apostar) tanto dinheiro num futebolista, agora o mais caro de sempre. Mas só no fim da primeira época de Ronaldo em Madrid é que podemos começar a fazer contas. Porque no desporto, as contratações são apostas, podem correr bem ou mal.
Todos sabemos que Ronaldo queria ir para Madrid. Ronaldo não parecia muito interessado em futebol, mas sim em fama. O miúdo de ouro do futebol português queria ser o mais bem pago e o mais caro jogador de futebol e conseguiu. Mas Ronaldo terá uma grande pressão todas as vezes que vestir a camisola do Real Madrid e será ensombrado pelo brasileiro Kaká e pelo futuro melhor jogador do mundo, Lionel Messi.
A mim parece que a aposta tem grandes hipóteses de falhar, porque não me parece que o Real Madrid conseguirá formar uma equipa tão boa e equilibrada como a do Barcelona.
Isabel dos Santos
Li hoje na revista Focus uma reportagem sobre os investimentos em Portugal e com portugueses da empresária angolana Isabel dos Santos, filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos.
A revista fala na possibilidade de Isabel dos Santos associar-se à Sonae e levar esta para Angola depois de ter negócios com Amorim, Espírito Santo, BPI e ZON. A empresária foi muito elogiada pelas suas qualidades no mundo dos negócios e descrição na vida pessoal.
Isabel dos Santos é sem dúvida a maior empresária angolana, é accionista directa ou inderecta de três dos maiores bancos privados em Angola (BIC, BFA, BESA), controla a maior empresa de telefonia móvel angolana (Unitel) e a cimenteira (Cimangola). Posto isto, a minha pergunta é simples: será que os portugueses encarariam com mesma naturalidade da Focus, se a filha do presidente Cavaco Silva fosse dona de 30% do PSI-20?

A Newshold controla 84% do SOL
Enquanto os jornais portugueses dedicam-se a escrever e falar sobre a crise, os angolanos dedicam-se a comprar "Portugal S.A".
O semanário SOL passou a ser controlado por um grupo luso-angolano cujos accionistas angolanos (como é hábito) fazem parte da elite política comandada por José Eduardo dos Santos. Vaz da Conceição, citado como accionista da Newshold que comprou 84% da empresa que detém o SOL é um acessor do presidente angolano.
No meio de tudo isto, uma boa notícia, o SOL passa a ser distribuido em Angola no mesmo dia que sai em Portugal.
O clássico auxílio dos árbitros
Já escrevi aqui antes que o futebol é um desporto retrógado onde todas as inovações terminam na última bola ou nas botas dos jogadores. Onde mais interessa, na verdade desportiva, pouco ou nada se faz.
A vergonha da final da Taça da Liga vem provar porque é que o futebol anda descredibilizado. Quando existem tantos meios para auxiliar as decisões e especialistas e exemplos para legislar nesse sentido, não se percebe a intransigência da FIFA (parece que é a última barreira, já que os árbitros estã a favor do chamado "vídeo-arbitro" segundo o próprio Lucílio Batista).
A FIFA diz que as tecnologias retiram a alma do futebol. Não me parece, se olharmos à volta. O que seria do ténis sem o "olho do falcão"? do futebol americano sem as câmeras? do basquetebol sem os vídeos para determinar a validade das jogadas em cima da buzina final? Da Formula 1 sem as imagens de TV?
Eu sou a favor do "apito tecnológico".
Lunda, Angola (+ em unroyal no flickr)
O primeiro ministro português anda muito empenhado em enviar empresários portugueses para Angola e vender computadores Magalhães, aliás, durante a passada semana José Sócrates dedicou-se inteiramente à estas duas actividades.
1. O Magalhães apesar das falhas já detectadas é um boa máquina, apesar de ter muitos concorrentes, tem a vantagem de ter o primeiro ministro como "garoto propaganda" que como todos os outros anunciadores, comete excessos.
2. Quanto à Angola, esteve em Portugal o presidente José Eduardo dos Santos (JES), que chegou à Lisboa no mesmo dia que parti para Dublin e por esta razão acompanhei a visita pela net. O que mais chocou aos analistas portugueses foi a harmonia a volta da dita visita de Estado. As perguntas incomodas foram silenciadas e negócios pomposos super divulgados, como o banco da CGD e da Sonangol que mais parece uma holding financeira do que uma empresa petrolífera.
O que pouco se diz é que a Sonangol é um péssimo exemplo de distibuição de combustível, é proprietária de uma empresa de aviação deficitiária e que a gasolina vendida na sua rede monopolista não serve para os carros modernos que a Sonangol oferece aos seus administradores e colaboradores de topo.
A Sonangol não é uma grande empresa porque tem uma equipa visionária e competente, a petrolífera angolana é resultado de um monopólio na distribuição e de benefícios de consessão atribuidos pelo Estado.
Eu compreendo a aflição de Sócrates e que se sinta obrigado a vender produtos portugueses para o exterior mas pode poupar-nos de certos exageros como elogios ao regime de JES que tem entregado a economia à pequeno ciclo de familiares e amigos (a filha do presidente angolano é sócia do BES no BESA, acionista do BFA e do BPI e pretende associar-se à ZON em Angola além de ser dona da maior operadora móvel do país).
Quando voltar para Angola no dia 17, encontrarei Luanda toda pintada para receber o papa Bento XVI, afinal não é só economicamente que Angola está na moda, parece que espiritualmente também, se fosse o Sócrates pediria ao amigo José Eduardo que entregasse um Magalhães ao papa e publicitá-lo como o melhor intrumento de evangelização do mundo.

A possível cidade perdida de Atlantis ( 31 15'15.53N 24 15'30.53W)
Um utilizador da ferramenta Google Ocean, que faz parte do Google Earth poderá ter descoberto a cidade perdida de Atlantis que, segundo a descoberta em causa, se situa entre Portugal e Marrocos. A ser confirmada será a segunda grande descoberta via Google Earth depois de ter sido encontrada uma floresta rica em insectos e cobras.
A cidade perdida de Atlantis foi descrita por Platão como uma ilha maior que a Líbia e a Ásia juntas em frente ao estreito de Gibraltar rica e com uma civilização extremamente avançada.
Mais, pode ser lido em inglês aqui.

José Sócrates
O premier está muito empenhado em denúnciar supostas campanhas que visam atingir o seu "bom nome" com objectivo final de reduzi-lo politicamente, insinuando que o timing para a saída das notícias foi ponderado com a data das eleições legislativas que se aproximam. Mas em momento algum pareceu-me convinvente, pelo contrário, Sócrates estava muito nervoso (em abono da verdade fica muitas vezes) e as pessoas costumam enervar-se tanto para desmentir cabalas como para dizer mentiras.
O que me pergunto é: e se o primeiro-ministro for julgado e considerado culpado por um juíz?
De facto o caso ganhou maior popularidade com a proximidade das eleições, mas o dito timing não é sinónimo de mentira, ainda que tenha como objectivo atingir política e pessoalmente Sócrates nada elimina a possibilidade do primeiro ministro ser corrupto, penso que Sócrates deveria estar empenhado em provar que não é corrupto e perder menos energias a atacar jornalistas.
Zimbabwe
O banco central zimbabueano vai emitir notas de 100 triliões de dólares zimbabueanos - na contagem clássica portuguesa, 100 triliões são 100 biliões, i.e., 100 000 000 000 - que valem mais ou menos 30 dólares americanos (cerca de 20 euros).
Quando estudei macroeconomia na faculdade servi-me muitas vezes de dois livros do professor norte-americano N. Gregory Mankiw: Principles of Economics e Macro. O professor americano (em cujo blogue fui guiado à notícia da BBC News sobre as notas zimbabueanas) usou sempre o caso alemão como exemplo de hiperinflação que já fui completamente batida pela taxa de infalação do país de Mugabe de 231 milhões %.
Segundo uma notícia que li no semanário angolano Novo Jornal, Robert Mugabe prepara-se para visitar a Rússia e negociar os direitos de exploração de mineiros em troca de pelo menos cinco mil milhões de dólares. O Zimbabwe (em bom português de Portugal, Zimbabué) está a beira do colapso, a crise económica e social é resultado de políticas irresponsáveis e criminosas de Mugabe , mas ainda assim, o presidente e o primeiro-ministro russos, Medvediev e Putin respectivamente, estão dispostos a receber o presidente Mugabe que vê-se cada vez mais isolado por razões óbvias.
A inflação, que Miguel Cadilhe dizia ser como sal, tem de haver sempre um bocadinho, é no fundo uma espécie de imposto que afecta as disponibilidades das famílias, sobretudo em casos de hiperinflação. Mas a subida galopante dos preços é só um dos problemas criados por Mugabe e, na minha modesta opinião, só haverá solução com Mugabe fora do poder.
Porto Amboim, Angola
O ano acabou, como todos os outros teve bons e maus momentos. Perdi pessoas, fiz novos amigos, fiquei stressado mas também relaxei.
A minha casa agora é Luanda, esta cidade irritante que ainda conserva alguma beleza e continua com uma vibe única que, de certa forma, a torna suportável na presença de tanta confusão.
Este foi também o ano em que Angola foi à votos 16 anos depois, eu votei e nunca me esquecerei do quinto dia de Setembro. Trabalhei bué ao longo do ano, mas tive alguns momentos de bom lazer como os dias que passei na vizinha Namíbia ou em Lisboa, voltei ainda à N.Y, 7 anos depois , viajei muito por Angola e apaixonei-me por Porto Amboim, a terra da minha mãe que também passou a ser minha.
Também nunca hei-de esquecer o dia 2 de Novembro, dia em que assisti o final mais emocionante da história da F1 (a curva da junção do Autódromo José Carlos Pace em São Paulo está para sempre na minha memória), a Ferrari festejou durante meio minuto, quando Glock, lento foi ultrapassado por Lewis.
Outro dia histórico, foi o quarto dia de Novembro. O dia em que Barack Hussein Obama tornou-se no 44.º presidente dos Estados Unidos.
O meu Petro de Luanda voltou a ser campeão angolano de futebol, seis anos depois, mas Angola falhou o mundial (sul)africano :( e no basquetebol o Petro não pôde com o rival 1.º D'Agosto, enquanto que na NBA os Boston Celtics voltaram ao topo.
Este ano, empurrado pelo prémio Camões, descobri João Ubaldo Ribeiro. “Miséria e grandeza do amor de Benedita” é um grande livro. Mas não foi este ano que li Charles Dickens como tinha perspectivado, fica para 2009.
Espero ainda para 2009, muita paz, muito dinheiro no bolso e saúde para dar e vender.
Meus amigos, feliz natal e bom ano novo.
A filha do PR de Angola controla a holding resgistada em Portugal como Santoros (que detém 25% do Banco Bic Portugal) comprou quase 10% do BPI ao BCP.
Como escrevi no post anterior, a tendência de queda do preço do petróleo pode afectar gravemente os planos do governo angolano e a taxa de acumulação de reservas internacionais. Mas esta realidade não impede os ricos deste pobre país (com grandes necessidades de financeiamento do exterior) de comprar posições em bancos desperatly in need of cash no exterior. Curioso é o background dos players envolvidos na transacção.
O presidente angolano está neste momento na China a assinar acordos por mais dinheiro emprestado (mais dívida garantida com futuras reservas de petróleo) quando a Santoros investe no BPI em Portugal.
Edifício sede da Sonangol em Luanda
No dia qem que o MPLA coemorava mais um aniversário da sua fundação, o seu secretário-geral, Julião Mateus Paulo (Dino Matrosse) avisou os angolanos que o MPLA pensa em rever o seu programa de governo porque a crise que cortou para mais da metade os preços do barril de petróleo ameaça seriamente a sua realização.
As palavras de Dino Matrosse pecam por tardias. Os governantes angolanos andaram em estado de negação durante muito tempo, insistindo na tecla que "a nós a crise não atinge" quando esta já estava na nossa sala. Não preciso ser grande economista para perceber que em tempo de recessão o preço das matérias primas por quebra na procura tendem a descer.
O MPLA prometeu construir um milhão de casas e criar um milhão de empregos nos próximos quatro anos, números ambiciosos até em época de vacas gordas, agora quase ninguém sério acredita na realização de tais propósitos, por uma simples razão: com petróleo em queda, Angola não é um bom país para se emprestar dinheiro, e sem os fundos chineses as grandes obras públicas e sociais serão super afectadas
O MPLA vê-se agora obrigado a reconsiderar toda a sua política e vê a estrela da economia pujante a apagar-se. Nos próximos tempos a Sonangol não comprará bancos sem a devida ponderação, o governo não pode gastar rios em carros de luxo.
Para 2009, sabe-se que o preço dos combustíves (que são fortemente subvencionados) aumentará na ordem dos 100%. Aumento que pode levar o custo dos tranportes públicos à um nível insuportável para as familias menos favorecidas. O próximo ano, adivinha-se difícil, será um ano em os políticos têm de trabalhar fora da sombra do barril de petróleo à mais de cem dólares.

1st Family: Michelle, Malia, Barack e Sasha
Mia Couto escreveu um belo texto para o jornal moçambicano Savana que também foi publicado pelo semanário angolano Novo Jornal. O "Se Obama fosse africano?" de Mia Couto inspirou "Se Obama fosse europeu?" de Luzia Moniz cronista angolana que tem um espaço no Semanário Angolense.
Mia Couto fez referência aos discursos de muitos líderes africanos que chamaram Obama de irmão após a sua histórica eleição e depois apontou as razões da impossibilidade de Obama ser eleito presidente em muitos países africanos. Como o facto de ser da oposição e que concorreria contra um líder autoritário que limitaria o seu acesso aos mídia. Mia Couto falou ainda da questão de Obama ser mestiço o que o tornaria num alvo fácil dos falcões da política africana com a velha lenga lenga da genuinidade africana.
Mia Couto acrescentou ainda que Obama só não seria eleito porque a elite do poder tudo faria para o empatar, porque certamente o povo africano sonha diariamente com líderes inspiradores e amigos da democracia.
Do lado angolano, a senhora Luzia Moniz colocou o dedo da ferida da elite política europeia. Que pinta uma sociedade que luta pelas minorias mas não facilita o acesso desta aos mais altos escalões da sociedade. A mesma Europa que se entusiasma com Obama provavelmente não elegeria o filho de um africano negro com uma europeia branca. Até bem pouco tempo em França não existia um único presidente de camara não caucasiano de origem europeia.
Eu concordo em grande parte com os dois (Mia Couto e Luzia Moniz), penso que Obama teria grandes dificuldades em ser eleito em países como Zimbabwe, Camarões, Guiné Equatorial ou mesmo Angola. Assim como enfrentaria dificuldades se concorresse em Itália, França, Inglaterra ou Portugal.
1. Era impossível angariar fundos junto de empresários porque estes temeriam o poder instituído.
2. Em Angola, por exemplo, os 30 minutos de antena em horário nobre, ainda que comprados a preço de ouro seriam barrados pelos censuradores da Televisão Pública de Angola controlados pelo partido no poder.
3. Os colossos do poder são aversos à mudança e tudo faria para bloquear um líder que inspire tal sentimento, no caso africano.
4. Na Europa, a classe política é dominada pelo centro, caucasiano e cristão. Na Europa não se discutem questões raciais de forma aprofundada o que deixa muito por resolver.
5. Em alguns países europeus os africanos são associados à problema, atenuado com a estória de ser "um probelma social e não racial". Na verdade os guetos americanos ainda existem mas não são prisões que limitam o crescimento dos seus melhores rebentos, como é a Cova da Moura ou um qualquer gueto londrino ou parisiense.
O texto de Mia Couto pode ser lido aqui.

Manuel Pinho
«Manuel Sebastião, actual presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), era administrador do Banco de Portugal quando intermediou, em nome do ministro Manuel Pinho, um prédio que estava ligado ao Banco Espírito Santo.
À data da transacção, em Novembro de 2004, Manuel Pinho era administrador do BES e da própria ESAF, a empresa do grupo Espírito Santo responsável pela gestão de fundos de investimento.»
in Público
Penso que existem razões para que a independência de Manuel Sebastião seja questionada e que Manuel Pinho só tem que defender o presidente que escolheu para a Autoridade da Concorrência. Mas forma escolhida foi muito má. Daquelas que muito agradam ao Gato Fedorento.
Os Gatos são geniais, mas saídas destas e a cruzada envangelizadora da "Congregação do Magalhães" facilitam muito o trbalho deles. (os Gatos de quem gosto desde os tempos que eram underground e agora decretaram a minha obrigatoriedade de os assisitir quando decidiram chamar à nova série Zé Carlos - tal como eu).
Pinho disse que Sebastião andou na escola de Obama e é uma ganda economista, mas não falou sobre o que estava em questão: a independência. Manuel Pinho sempre teve uma relação difícil com o anterior presidente da AdC, o professor Abel Mateus, e chegou a desautorizar uma decisão da AdC a favor do Grupo Mello, era esperado que não reconduzisse Mateus mas convidar um amigo e parceiro de negócios levanta sempre suspeitas que devem sempre, claro, ser justificadas.