AS OBRAS PÚBLICAS E AS piquenas E MÉDIAS EMPRESAS
Onde acaba o mito e começa a
realidade
Ainda recentemente na caixa
de comentários de um artigo anterior, era aflorada a questão
dos apoios que competiam ou não ao Governo, na criação de condições propícias à
criação de emprego.
Durante a última campanha eleitoral, uma das tónicas principais que
vários dos partidos da oposição colocaram nas suas críticas ao Governo – na sua
“fúria” contra o investimento público -, foi a de que as obras públicas
existiam como uma espécie de negociata em favor das grandes empresas de
construção. O objectivo era triplo e óbvio, à direita: atacava-se o “maldito”
investimento público, insinuava-se que havia um proteccionismo do Governo aos “poderosos
tubarões” do sector (com a Mota Engil, de Jorge Coelho, à cabeça…) e lançava-se
charme e simpatia para cima da multidão de piquenos e médios empresários (que
constituem um volumoso universo eleitoral, a não desprezar…)! E assim se foi
criando em alguma da opinião publicada (e “blogada”) esse mito de que, de cada
vez que o Estado investe numa obra, o faz em benefício de uma grande empresa –
detida ou gerida por um “amigo” do partido governamental – e em prejuízo das piquenas
e médias empresas!
Esse mito caiu agora redondamente! Dei por isso num curto texto que
João Galamba editou no blogue Jugular,
onde aparece estampada uma notícia do jornal de Negócios (edição em papel) que
não teve ainda o merecido destaque (e ainda há quem diga que o PS e o Governo têm
uma agência de informação…). Em causa, o Programa de Modernização de Escolas,
que afinal contribui para a criação de inúmeras piquenas e médias
empresas e para cerca de 25.000 empregos, em função da subcontratação que as
grandes adjudicatárias efectuam.
Seguindo o artigo de João Galamba, chegamos ao excerto da notícia
do Negócios que destrói o mito e nos transporta para a realidade:
«"O programa de
modernização de escolas está, neste momento, a funcionar como um balão de
oxigénio para muitas pequenas e médias empresas de construção que pesam,
segundo as contas do Negócios, quase metade dos mais de mil milhões de euros
que já foram colocados a concurso até agora (...) João Sintra Torres afirma que
cada escola pode chegar a ter entre 50 e 80 empresas a trabalhar em várias
actividades necessárias e que o programa deverá criar até 25 mil empresas (...)
além dos "gigantes" Mota-Engil, Somague, Soares da Costa e Edifer,
foram adjudicadas empreitadas a sociedade como a Patrícios, Edivisa, Ladário ou
Cantinhos, entre muitas outras, que ganharam por vezes dezenas de milhões de
euros em contratos (...)" (página 6 do Jornal de Negócios de 12 de Novembro de 2009)» e o toque final com que Galamba adorna a
história é dirigido ao populismo
xenófobo que Manuela Ferreira Leite evidenciou há bem pouco tempo: « O Negócios não tratou de apurar a
nacionalidade dos trabalhadores, pelo que se espera que Ferreira Leite diga que
estes 25 mil trabalhadores são todos de Cabo Verde e da Ucrânia e que, por
isso, este programa prejudica Portugal.». O que João Galamba se esqueceu é da máxima que MFL
escarrapachou nos cartazes com que inundou o país. E por isso, acredito que, em
vez de uma declaração como a que Galamba sugere, veremos a muito curto prazo, Manuela
Ferreira Leite em nome da sua “política de verdade”, a dar os parabéns ao
Governo pelo êxito desta iniciativa, também
no universo das piquenas e médias empresas…