25 DE NOVEMBRO, SEMPRE!
Há 34 anos, deram-se passos
decisivos para a consolidação da
democracia
Passou hoje mais um aniversário sobre o 25 de Novembro de 1975!
A data, para quem goste efectivamente de viver em liberdade e em regime
democrático, deve ser comemorada de forma tão esfuziante e com convicção
idêntica aquela com que se comemora o 25 de Abril.
Se a 25 de Abril de 1974 se pôs fim a um regime ditatorial e
abominável, criando-se condições para ser introduzido o regime democrático em
Portugal, a 25 de Novembro de 1975, impediu-se que outra ditadura pudesse ter
início!
Vasco Lourenço, Jaime Neves (na foto) e Ramalho Eanes tiveram há 34 anos,
papel fundamental, ao impedirem que o radicalismo de extrema esquerda tomasse
em definitivo conta do país. E possibilitaram que em 1976 fosse redigida e
consagrada uma Constituição democrática.
Terminou naquele dia o que ficou conhecido como o Verão Quente
de 1975 e o P.R.E.C.(Período Revolucionário em Curso).
O jornal Público, editou há 3 dias um extenso e pormenorizado
trabalho, com o historial dos principais factos que antecederam o 25/11/75.
Pelo menos aqueles que são dados hoje como adquiridos. Que outros ainda estão
envoltos em mistério e algumas dúvidas, como é referido na parte final do
excelente artigo.
A forma que escolhi para assinalar tão significativa data foi
trazer aqui esse artigo (onde se conta como foi evitada uma guerra civil que
estava iminente) e e a memória do que terá sido talvez o debate político mais
marcante de toda a história democrática portuguesa, onde Mário Soares
enfrentou Álvaro Cunhal, marcando perfeitamente a diferença entre uma
esquerda democrática e outra totalitária, que seria derrotada 19 dias depois. A
frase que perdurou até aos dias de hoje, desse debate foi o “Olhe que não, olhe que não...”, com que Cunhal retorquiu à afirmação de
Soares de que “O que o
Partido Comunista deu provas, durante estes meses, é que quer transformar este
país numa ditadura.”. No
domingo 23 de Novembro, na Fonte Luminosa, o Partido Socialista reunia centenas
de milhares de manifestantes “pela liberdade contra a ditadura e pelo socialismo conta a
aventura”, no que terá
sido o marco partidário mais significativo na contra a tentativa totalitária
comunista. A 24 de Novembro, em comunicado do PS podia ler-se: «Assumiu particular significado o
comício-manifestação na Fonte Luminosa em Lisboa. Centenas de milhares de
pessoas encheram por completo a Alameda Afonso Henriques, mostrando, assim, que
Lisboa é Socialista e que o Povo trabalhador de Lisboa, na sua grande maioria,
está com o PS e condena a actuação golpista e antidemocrática dos sectores
político-militares que tentam derrubar o VI Governo»... Até hoje, o PCP nunca conseguiu
digerir esta oposição que o PS lhe moveu... o que justifica em grande medida,
que o PS continue a ser na actualidade, o seu principal adversário político!

Panfleto do PS a anunciar a manifestação da Fonte
Luminosa, em 23 de Novembro de 1975 (em cima) e fotos da
manifestação, que se estendia até ao I.S.Técnico (em baixo)

Sugere-se leitura e visionamento, que avivem as memórias dos que
conheceram esse período.
«Domingo, 9 de Novembro. Uma gigantesca manifestação de apoio ao
VI Governo Provisório foi convocada para o Terreiro do Paço pelo PS e o PSD.
Pinheiro de Azevedo, com Mário Soares e Sá Carneiro, ficou numa das janelas da
sala do Estado-Maior da Armada. Mas mal o primeiro-ministro começou a
discursar, denunciando o golpismo do Partido Comunista, rebentou uma granada de
fumo no meio da multidão. Gerou-se o pânico, correrias, gritos, uns tentando
abandonar a praça, outros deixando-se atropelar, outros tentando encontrar e
castigar os culpados. Pouco depois, começou a ouvir-se um tiroteio vindo dos
arcos da praça. A Polícia Militar tentava dispersar a tiro os desordeiros,
provocando o pandemónio. Da janela, Pinheiro de Azevedo gritava: "O povo é
sereno! O povo é sereno! É apenas fumaça! É apenas fumaça! O povo é
sereno!"» (em Público)