O Sporting é o clube português que vai levar mais jogadores ao Euro-2012. E o único que fornece outras selecções que não a das quinas. O russo Marat Izmailov e o holandês Stijn Schaars serão os dois representantes estrangeiros da 1.ª Liga no Euro-2012, com pontapé de saída na próxima sexta-feira.
A aposta nos mercados sul-americanos, cada vez mais insistente, poderia ajudar a explicar a escassa ‘presença’ dos clubes nacionais no Europeu da Polónia e Ucrânia. Mas o facto é que não é de agora – com a troika por cá – a incapacidade do futebol português para competir com as ligas mais ricas e atrair os melhores jogadores do Velho Continente.
Depois de as transferências internacionais terem começado a proliferar, nos anos 90, os clubes lusos abasteceram selecções estrangeiras em todos os Campeonatos da Europa, mas nunca de forma expressiva: incluindo o trio de pioneiros Schwarz, Thern e Yuran, em 1992, as seis edições mais recentes do Europeu só contaram com 16 jogadores saídos da Liga portuguesa.
Schaars e Izmailov são os últimos deste lote restrito, fruto da época positiva ao serviço do Sporting e de um passado nas respectivas selecções.
O russo, que soma 31 internacionalizações, não joga pela equipa nacional desde 2006, quando ainda defendia as cores do Lokomotiv de Moscovo. As lesões vedaram-lhe o acesso desde então, mas aos 29 anos está de volta.
«Izmailov já deu provas de que merece estar na seleção. Tem qualidade e é um jogador de equipa. Passou por dificuldades no Sporting e não era convocado há muito tempo, mas não acho que vá representar um problema» , sublinhou o seleccionador, o holandês Dick Advocaat, para justificar uma escolha que tem gerado desconfiança na Rússia.
Os 16 estrangeiros
Chegado a Alvalade no início desta época, Schaars é um caso diferente na Holanda. Já estivera no Mundial da África do Sul – alinhava então no AZ Alkmaar – e volta a ter a confiança do seleccionador Bert van Marwijk, que pensa utilizá-lo como defesa esquerdo.
O médio não se faz rogado e, em entrevista esta semana ao De Telegraaf , antecipou o possível duelo com dois adversários directos na fase de grupos, um português e outro dinamarquês: «Não sou um defesa de raiz, mas tacticamente sou forte e se for rápido na antecipação posso fazer das minhas fraquezas forças. Não tenho medo da velocidade de Nani ou Rommedahl» .
Acrescentando Rui Patrício e João Pereira (de partida para o Valência), o Sporting cede quatro jogadores ao Euro-2012, mais um do que o FC_Porto (Rolando, Moutinho e Varela) e o Sp. Braga (Miguel Lopes, Custódio e Hugo Viana) e dois do que o Benfica (Eduardo e Nélson Oliveira).
Estes quatro clubes foram os únicos em Portugal a ceder ‘matéria-prima’ às outras selecções em Europeus. Entre as ‘águias’ Schwarz, Thern e Yuran em 1992 e os ‘leões’ Izmailov e Schaars em 2012, estiveram presentes Iordanov (1996), Schmeichel e Mpenza (2000) pelo Sporting, Drulovic (2000) e Alenitchev (2004) pelo FC_Porto, Poborsky (2000), Fyssas, Andersson, Sokota (2004) e Katsouranis (2008) pelo Benfica e Linz (2008) pelo Sp. Braga.
Como Espanha preteriu o benfiquista Javi García e Bélgica, Roménia e Áustria não estão entre as finalistas do Euro-2012, nem o Benfica (através de Witsel) nem o FC_Porto (com Defour, Sapunaru e Janko) têm representantes fora da equipa das quinas – embora o dinamarquês Wass, emprestado ao Évian, de França, pertença aos quadros dos ‘encarnados’.
Domínio inglês
Entre os 25 países onde alinham os 368 convocados para a competição – as listas definitivas foram enviadas terça-feira para a UEFA e, a partir de agora, só são admitidas alterações em caso de lesões graves –, Portugal e os seus clubes surgem numa modesta 10.ª posição, com 12 jogadores distribuídos por três selecções ( ver infografia ).
Só fica à frente de seis finalistas do Euro – Dinamarca, Polónia, Croácia, República Checa, Suécia e Irlanda. E bem longe da Premier League inglesa, a principal fornecedora da prova, com 80 jogadores espalhados por 14 das 16 selecções (Grécia e Ucrânia são as excepções).
A equipa britânica é a única que recorreu apenas a clubes nacionais para elaborar a convocatória, em contraste com a Irlanda, que os ignorou por completo.
rui.antunes@sol.pt