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Festival de Teatro de Almada: a crise chegou mas não venceu

4 de Julho, 2012por Rita Silva Freire
É uma tradição de Verão: durante duas semanas, todos os caminhos conduzem a Almada, onde se respira teatro. Arranca hoje a 29.ª edição do Festival de Teatro de Almada que, todos os anos, nos brinda com o que de melhor se faz em teatro pelo mundo e em Portugal.

Peter Stein é o convidado de honra desta edição – que se prolonga até dia 18 – e que, apesar da crise e dos cortes drásticos de 38% nos apoios às artes, apresenta uma programação de luxo, com extensões a Lisboa e a Braga.

São 18 espectáculos de teatro, dança, novo circo e pantomina (sete portugueses e 11 internacionais), quatro deles em estreia. Uma programação apenas possível devido às boas relações dos organizadores com os artistas. «Este é um local de resistência e um festival organizado por artistas», explica RodrigoFrancisco, director-adjunto doTeatroMunicipal de Almada.

«Por isso não passa por agenciamentos, falamos directamente com os artistas.Quando vêm a Almada adaptam-se ao que podemos dar».É que, se no ano passado, em que a crise já se fez sentir, o festival contou com um orçamento de 580 mil euros para 27 espectáculos, este ano o valor reduziu-se para 350 mil euros, o que significa menos nove produções.

Os senhores que regressam

O festival inaugura-se com A Idade de Ouro, espectáculo coreografado por Pedro G.Romero no qual se poderá assistir ao movimento de um dos mais destacados bailarinos de flamenco actuais.

Faust Fantasia é o espectáculo que o alemão PeterStein, um dos grandes mestres do teatro europeu, traz a Lisboa, para ver noSãoLuiz, a 9 e 10. Outro grande nome do teatro europeu que virá ao festival é o suíço Christoph Marthaler, com +-0 (Um Acampamento no Subártico), a 13 e 14, no Centro Cultural de Belém. E, para os que não conseguiram assistir, no ano passado, a Que Fazer? (O Regresso), de Jean-Charles Massera e Benoît Lambert, a peça volta à cena, a 14, na Escola D.António da Costa. É possível, ainda, ver o espectáculo de novo circo de Victoria Thierrée-Chaplin, Murmúrios dos Muros, na Culturgest, entre 12 e 15.

Para os que preferem a língua portuguesa, destaque para o espectáculo da Cornucópia O Sonho da Razão, uma colagem de textos de Diderot, Voltaire,Marquês de Sade e Voisenon, de Luís Miguel Cintra(entre 5 e 8, no Teatro doBairro Alto), O Mercador de Veneza, de William Shakespeare, por RicardoPais (em estreia, a 5 e 6, no TeatroMunicipal de Almada) e O Sr.Ibrahim e As Flores doCoração, de Eric-EmmanuelSchmitt, pelo TeatroMeridional, numa encenação de MiguelSeabra (em estreia, a 16 e 17, noFórum Romeu Correia). Oportunidade, ainda, para ver a criação colectiva dos belgastg STAN comTiagoRodrigues,Nora, de Henrik Ibsen (em estreia, entre 6 e 9, noTeatroMunicipalMaria Matos).

E como nem só de palco vive o festival, há também debates, encontros com o público, uma exposição de José Loureiro(autor do cartaz doFestival) e duas mostras documentais: uma retrospectiva da carreira de Cecília Guimarães e uma retrospectiva dos 40 anos da Companhia de Teatro de Almada.

rita.s.freire@sol.pt




1 Comentário
MSMINHO
04.07.2012 - 14:25
De teatro sei pouco ou nada. Ouvi falar de um tal Gil e pouco mais, mas, já que estamos na página da cultura eu queria era saber das 36 cadeiras do Relvas feitas num ano!


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