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Brian de Palma: 'Os Óscares são um show de televisão em que se vendem roupas pelo meio'

23 de Julho, 2013por Paulo Portugal, em Paris
Realizou Carrie, Os Intocáveis, Scarface ou Vestida Para Matar. Simplificou o guião de A Guerra das Estrelas, descobriu Robert De Niro e popularizou Stephen King. Conversámos com o cineasta Brian De Palma, agora que o seu mais recente filme, Paixão, acaba de estrear nas salas portuguesas.

Em Paixão sentimos um grande respeito por Hitchcock. O que considera mais inspirador na sua obra?

Essa é uma pergunta a que ando a responder há 40 anos. Aprendi muito com os thrillers de Hitchcock. Ele criou uma gramática de cinema que muitos de nós usamos, mas tenho o meu olhar sobre as coisas.

Pareceu-me detectar referências a filmes como A Mulher Que Viveu Duas Vezes. Estarei errado?

Sabe há quanto tempo os realizadores filmam escadas de caracol? Isso começou no cinema mudo, pois é a forma melhor de captar alguém a subir escadas. Hitchcock usou esse truque em A Mulher que Viveu Duas Vezes mas antes disso ele já tinha sido usado dezenas de vezes.

Percebe-se que os sonhos têm um papel fundamental nos seus filmes…

A maior parte das minhas ideias ocorre durante os sonhos. O nosso subconsciente está sempre a trabalhar…

Em Paixão há um smartphone que toma conta da acção. É um fã da tecnologia?

Quando andava no liceu, construía computadores, por isso já vê que o meu gosto pela tecnologia vem de trás. Hoje andamos com iPhones e filmamos tudo. Até as minhas filhas me obrigam a tirar fotografias às pessoas com quem falo [faz uma pausa para tirar uma fotografia ao entrevistador]. É para elas verem o que o pai anda a fazer.

Até que ponto lhe parece que as ferramentas tecnológicas podem influenciar o cinema?

Quando eu comecei tínhamos de arranjar muito dinheiro para fazer um filme. A minha primeira longa-metragem custou 100 mil dólares, que eu arranjei de uma rapariga rica. O meu segundo filme custou 50 mil. É claro que ambos foram um flop. Para o terceiro filme consegui angariar 20 mil dólares. E foi um sucesso. Hoje as pessoas queixam-se de não terem dinheiro para fazer filmes, mas qualquer um os pode fazer. É tudo digital, pode ser montado num computador. E se não consegue arranjar um cast e escrever um guião, o melhor é fazer outra coisa. Hoje já não existem essas desculpas.

Sente que faz parte de uma geração de cineastas que mudou o cinema?

Sim, faço parte de um grupo de realizadores que chegaram quando o sistema de Hollywood estava a acabar. Éramos um pouco loucos e criámos filmes um bocado estranhos, como Easy Rider, mas que fizeram imenso dinheiro. De repente éramos considerados os príncipes da cidade.

Começou por fazer um cinema muito experimental. Gostaria de ter seguido essa via?

No início experimentamos tudo para percebermos o que podemos fazer. Fiz uma série de documentários e filmes experimentais, e ganhei vários prémios. Mas só com o meu terceiro filme, que foi Greetings [1968, com Robert De Niro], comecei a entrar no esquema de Hollywood. Fiz vários filmes independentes de que ninguém se lembra. Carrie foi o meu décimo filme.

É verdade ou é um mito que foi você quem escreveu as primeiras linhas do guião de A Guerra das Estrelas?

Não, não escrevi essas linhas. O George Lucas tinha uma entrada demasiado complicada e eu apenas lhe disse: ‘George, não se percebe nada do que está aqui escrito’. Então eu e um argumentista simplificámos o texto. Tenho sido acusado de ser o tipo sarcástico que fazia pouco da ‘Força’... É verdade que sempre fui o ‘palhaço’ oficial daquele grupo, mas também sou um grande amigo do George e estava lá para ajudar. O meu maior contributo foi desembaraçar aquela confusão no início.

Mas é verdade que descobriu o Robert De Niro. Como aconteceu isso?

Ele veio ver-me por causa de um anúncio que eu tinha colocado numa revista para arranjar uma pessoa que visse os filmes. E acabou por fazer uma audição para um filme que eu estava a fazer numa garagem. Foi logo impressionante e eu contratei-o. Depois fez dois filmes e algumas peças de teatro comigo.

Continuam em contacto?

Nem por isso. Vi-o recentemente num jantar que o George [Lucas] deu. Apareceu com a mulher.

Já venceu diversos prémios, mas nunca chegou a ser nomeado para um Óscar. Que importância dá a isso?

Na América os prémios não passam de shows de televisão em que as estrelas desfilam na passadeira vermelha. Pelo meio vende-se roupa e jóias.

Conseguiu antecipar o sucesso de algum dos seus filmes?

Só de Os Intocáveis.

E Carrie?

Carrie não. Era um filme de terror barato que foi lançado no Halloween. O Stephen King nem sequer era conhecido. O livro não vendeu muito bem e só durante a produção de Carrie se tornou um best seller. Mas ninguém sabia quem era o Stephen King.

Scarface [1983] foi outro dos seus grandes sucessos. Estava à espera disso?

Não. Quando foi mostrado em Hollywood, as pessoas saíam da sala. Pensei que seria massacrado. Só quando chegou ao público se percebeu que era algo que nunca se tinha visto antes.

Há algum filme seu que considere especial?

Sobretudo os filmes controversos. Fala-se muito de O Padrinho, mas para Coppola foi uma experiência traumática. Ele era para ser despedido quase todos os dias. Vestida para Matar foi arrasado pelos movimentos de libertação femininos...

É importante chocar o público?

É importante apanhá-lo desprevenido. É como tirar o coelho da cartola e voltar a pô-lo na cartola quando já não estão a olhar.

É na televisão que vemos alguns dos bons momentos da ficção actual. Como encara isso?

A televisão é um meio dominado por produtores e argumentistas. Os realizadores são os tipos que tiram os cabos do caminho... Veja Os Sopranos ou Mad Men: são quase como o Guerra e Paz. As personagens são desenvolvidas ao longo de anos! Isso não tem precedente.

online@sol.pt




1 Comentário
donnisinnod
23.07.2013 - 19:48
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