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Adeus à alta rotação

7 de Maio, 2012por Rui Antunes
Fórmula 1 resistiu 13 anos no circuito do Estoril, que recebeu este domingo a 13.ª corrida de MotoGP. Deve ter sido a última. 

Fernanda Pires da Silva, a mulher que idealizou o autódromo do Estoril e lhe empresta o nome, lutou contra tudo e todos para o erguer, em 1972, nos terrenos adquiridos ao amigo Lúcio Tomé Feteira (cuja herança se tornou assunto nacional, após a morte de Rosalina Ribeiro, em 2009, no Brasil).

Foi no maior país da América do Sul que a empresária portuguesa viu a primeira pista de corridas motorizadas. E da sua persistência em construir uma em Portugal nasceu o circuito que haveria de receber 13 Grandes Prémios de Fórmula (1984 a 1996) e 12 de MotoGP (desde o ano 2000)

Adeus Lauda, olá Senna

No domingo correu-se pela 13.ª vez no Estoril para a competição rainha do motociclismo de velocidade. Segundo o promotor do Mundial, Carmelo Ezpeleta, foi a última. «O Estoril não continuará» , adiantou o responsável à Catalunya Radio , ressalvando que o calendário definitivo para 2013 só ficará definido em Setembro.

Como na F1, o Mundial de MotoGP despediu-se do histórico circuito português ao fim de 13 corridas. E desta vez não haverá mais voltas a dar: foi o adeus definitivo do Estoril à elite do desporto motorizado, a morte do sonho de Fernanda Pires da Silva.

Foi um sonho feliz. Alain Prost e Nigel Mansell, com três vitórias cada na Fórmula 1, e Valentino Rossi, com cinco triunfos em MotoGP, encabeçam os principais dominadores do traçado ao longo dos tempos. Mas o primeiro a celebrar foi Nikki Lauda, outro monstro das quatro rodas.

No Grande Prémio de estreia da F1 no autódromo do Estoril, o último da temporada em 1984, Lauda discutia o título com Prost, seu companheiro de equipa na McLaren. O francês até podia vencer, desde que o austríaco cortasse a linha de chegada logo atrás – e foi o que aconteceu, depois de Mansell se ter despistado quando seguia no segundo posto.

Nikki Lauda abria assim o champanhe do seu terceiro e último título mundial no pódio do Estoril. Seria o epílogo de uma era no ‘grande circo’ e o prenúncio de outra que começaria a desenhar-se no Grande Prémio de Portugal do ano seguinte.

No meio da tempestade que molhou o asfalto da primeira à última volta, emergiu um jovem piloto brasileiro de 24 anos, ao volante de um Lotus. Era Ayrton Senna da Silva, que então conquistava a primeira vitória na F1 e se projectava para o intenso duelo que viria a travar com o gaulês daí em diante.

Em 1995, David Coulthard tornou-se o segundo piloto a estrear-se a vencer na F1 em Portugal, mas a sua carreira nunca atingiu o nível que prometeu. O que ninguém lhe tira é a volta mais rápida do Circuito do Estoril, em 1m22,446 segundos.

‘Pista traiçoeira’

À média de 157 km/hora, Jorge Lorenzo foi até hoje o mais veloz nas motos, com 1m35,715 segundos. O piloto espanhol da Yamaha, campeão em 2010 e já por três vezes vencedor no Estoril. No domingo foi segundo, atrás do australiano Casey Stoner, que assim recuperou a lideranção do presente Mundial com um ponto de vantagem sobre o español.

Apresentada no site oficial da competição como «uma das pistas mais traiçoeiras do calendário», a corrida portuguesa tem os dias contados. Na ‘festa’ de despedida, além do triplo vencedor Lorenzo, esteve o único que o supera em triunfos, Valentino Rossi, e ainda Dani Pedrosa, que ganhou no ano passado.

rui.antunes@sol.pt




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