Lugar vazio, especulações ao rubro. Na quarta-feira, Kenny Dalglish chegou de uma viagem a Boston, nos EUA, de onde regressou já sem ser o treinador do Liverpool, após 16 meses no cargo. Os proprietários norte-americanos despediram a antiga glória dos ‘reds’ após um oitavo lugar na Premier League, e lançam-se agora para as danças no mercado de treinadores. Villas-Boas e Rafa Benítez são hipóteses, o mais cobiçado é Guardiola.
Mesmo com a conquista da Taça da Liga inglesa, que dá o acesso, na próxima época, à Liga Europa, este sucesso não ofuscou a fraca prestação do Liverpool esta temporada.
A equipa de Kenny Dalglish terminou a Premier League na oitava posição, a 37 pontos do líder, o Manchester City. Em casa, rubricou o pior registo desde 1959, época em que Bill Shankly tomou as rédeas e embalou o clube para o sucesso que atingiria o seu expoente nas décadas de 70 e 80, onde Dalglish era a maior figura de uma equipa onde também pontificavam nomes como Ian Rush, Graeme Souness ou John Barnes.
No total, dos 51 encontros que disputou esta época, os ‘reds’ venceram apenas 24, somando 15 derrotas e 12 empates. E no fim, veio o seu despedimento.
Agora, os norte-americanos do Fenway Sports Groups, proprietário do clube, têm novamente que mergulhar na busca por um novo treinador, da mesma maneira que o fizeram com Dalglish, em 2011, ao despediram Roy Hodgson, o hoje seleccionador inglês, que foi responsável, na altura, pelo pior início de temporada dos últimos 82 anos da história do clube.
Um banco a arder?
«Não se pode subestimar a pressão que é quando um futebolista vem jogar para o Liverpool», desenhou Dalglish ao Daily Telegraph, ao abordar a sua versão do retrato crítica que fizeram a três das suas contratações na época passada: Andy Carrol, Jordan Henderson e Stuart Downing. O mesmo se poderá dizer quanto ao posto de treinador.
Desde 2010, ano em que o clube foi colocado à venda devido a dificuldades financeiras, que a turbulência fora de campo tem sido reflectida nos relvados. Quem este Verão ao Liverpool, chegará a um clube ainda à procura da melhor postura após uma série de quedas e cambalhotas.
Talvez prevendo isso mesmo, Brendan Rodgers recusou sequer falar com os dirigentes dos ‘reds’. O técnico do Swansea City, equipa sensação da Premier League, preferiu continuar aos comandos da equipa galesa.
Villas-Boas entre os candidatos
Assim, as atenções viram-se agora para os restantes nomes da lista, que a imprensa reduziu a uma quadra: André Villas-Boas, Roberto Martínez, Rafa Benítez e Pep Guardiola.
Contra si o português tem o despedimento do Chelsea, em Março e, a par dos danos que lhe fez ao prestígio, o facto pesará aos olhos dos adeptos do Liverpool, por ter representado um dos seus rivais. Mais do que lembrarem-se do seu percurso fatídico em Inglaterra, Villas-Boas esperará que a direcção ‘red’ recorde antes a sua época de conquistas ao serviço do FC Porto.
Os dois nomes espanhóis têm ambos história nos bancos ingleses. Martínez está há três épocas no Wigan, que levou à Premier League e evitou por dois anos seguidos uma despromoção, além de ter alcançado várias vitórias contra Arsenal ou Manchester United, por exemplo.
Benítez, por seu turno, tem a vantagem das provas que já deu durante os seis anos que esteve ao leme do Liverpool, entre 2004 e 2010, onde chegou a conquistar uma Liga dos Campeões (2005).
Por último, a mais arrojada tarefa será contratar Pep Guardiola. O treinador anunciou em Abril que vai abandonar o Barcelona no final desta época, para replicar o que José Mourinho fez quando saiu do Chelsea, em 2007: tirar um ano sabático. A vontade do catalão não será fácil de manter pois, além deste alegado interesse dos ‘reds’, Guardiola já terá rejeitado uma proposta do Paris Saint-Germain.
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