Dez pessoas por quarto e um chuveiro para cada 75 trabalhadores, é apenas um par de condições que têm sido oferecidas aos funcionários da limpeza dos Jogos Olímpicos. Tudo enquanto vivem em contentores, onde chega a entrar água da chuva. A chover começaram as queixas de muitos estrangeiros que se candidataram a um trabalho, originalmente destinado a londrinos.
As fotografias aéreas reveladas pelo Daily Mail mostram em parte as condições com que se depararam os funcionários, encarregues de assegurarem a limpeza das instalações da aldeia olímpica, em Londres.
Dezenas de contentores, típicos de um qualquer porto europeu, alinhados e destinados ao alojamento das centenas de pessoas que se candidataram a um trabalho nos Jogos Olímpicos. O espaço está localizado perto do estádio olímpico que foi erigido para os Jogos. As condições com que ali se vive, porém, são retratadas negativamente pelo discurso de quem lá vive.
©Daily Mail
O tablóide inglês falou com vários funcionários, cujas queixas desenharam o cenário: um espaço «horrível», com chuveiros e retretes «sujas», onde os rácios de um chuveiro para cada 75 pessoas e uma retrete, em média, para cada 25, ajudam a que, por exemplo, um trabalhador húngaro diga mesmo que «tudo se parece a uma favela».
A precipitação que tem caído sobre Londres fez com que muitos contentores começassem a verter água pelo tecto. As mesmas chuvas também formaram grandes poças de água que rodeiam as cabines, e obrigaram as pessoas a utilizar caixotes de madeira para se movimentarem sem se molharem.
Uma espanhola, estudante de 21 anos, que está a trabalhar e a viver nos contentores, deu a sua opinião. «Quando vi pela primeira vez os portões de metal e a torre [localizada no meio do espaço], fez-me lembrar um campo de prisioneiros. É horrível», descreveu.
O relato de alguns trabalhadores revelou que, durante as primeiras duas semanas que passaram em Londres, não havia trabalho, mas ainda assim todos tinham que contribuir para o pagamento dos serviços de limpeza dos contentores onde pernoitam. No total, são cerca de 700 euros por mês, valor que deve ser dividido por todos.
Perante as críticas dos trabalhadores, a Spotless International Services, empresa encarregue de gerir o espaço, defendeu-se através de Craig Lovett, o seu porta-voz.
«Isto não é uma prisão, ninguém é forçado a ficar aqui. Muitos dos nossos funcionários vieram de regiões onde há grandes taxas de desemprego e estão muito contentes por estarem a trabalhar nos Jogos Olímpicos», explicou.
Porém, e nos meses que antecederam a prova, sempre terá sido dito que estes postos de trabalho eram destinados sobretudo a londrinos, mas verifica-se uma maioria de trabalhadores vindos de outros países.
SOL