A Impresa disse hoje não temer as ameaças judiciais da Ongoing e ter esperança que o grupo liderado por Nuno Vasconcelos «reconheça finalmente que só tem a ganhar em voltar a ter uma relação adulta» com o grupo de Balsemão.
«A Impresa não teme evidentemente as ameaças judiciais com que a Ongoing o mimoseou ao longo da assembleia geral [AG] de accionistas e tem esperança que a Ongoing reconheça finalmente que só tem a ganhar se ultrapassar este complexo freudiano e voltar a ter, como no passado que lhe é tão familiar, uma relação adulta e coerente com grupo Impresa e o com o seu fundador», afirmou hoje à Lusa o administrador José Manuel Galvão Teles.
Reagindo ao anúncio da Ongoing avançar para os tribunais para impugnar as deliberações da AG, realizada na terça-feira, em que nenhum dos nomes propostos pelo grupo de Nuno Vasconcelos conseguiu um lugar no conselho de administração da Impresa, o administrador acusa a Ongoing de ter utilizado um «subterfúgio».
«O presidente da mesa da AG entendeu não considerar a proposta de um representante da Ongoing para o conselho de administração», admitiu, acrescentando que «em causa esteve o facto de, em vésperas de AG, a Ongoing ter dividido as suas participações pelas suas diferentes empresas, utilizando um subterfúgio, para assim passar a deter, numa das suas participadas, menos de 20 por cento do capital da Impresa e passar, assim, a usufruir de uma posição especial».
Segundo o administrador, «neste contexto, o presidente da AG decidiu imputar à Ongoing a totalidade dos 22,88 por cento que, efectivamente, detém da Impresa», anulando a possibilidade de propor uma administrador para o conselho de administração.
Recorde-se que António Pinto Ribeiro, representante da Investoffice, detida a 99,9 por cento pela Ongoing, disse à Lusa que “Pinto Balsemão quer fechar a Impresa apesar de ser uma sociedade aberta”, garantindo que a Ongoing vai impugnar as decisões da AG do grupo dono da SIC e do Expresso.
Em declarações à Lusa, José Manuel Galvão Teles rejeitou ainda as acusações de falta de esclarecimentos sobre o relatório e contas relativo a 2010, realçando que «o conselho de administração da Impresa sempre se mostrou disponível para prestar informações aos seus accionistas minoritários, respondendo antes e durante a AG, às dezenas de dúvidas levantadas pela Ongoing».
Mas, ressalva, «não deve prestar determinado tipo de informação a um grupo que considera concorrente, já que a Ongoing é proprietária, em Portugal, do Diário Económico e do Económico TV, além de controlar negócios de media em países, como é o caso do Brasil e de Angola, onde a Impresa já está presente e pretende alargar a sua área de intervenção».
O administrador da Impresa sustentou que «em defesa dos interesses da Impresa e dos seus demais accionistas, decidiu não dar resposta a duas solicitações da Ongoing: a lista dos vencimentos dos principais quadros dos diferentes órgãos de comunicação social da Impresa, que, foram por diversas vezes aliciados para trabalhar no grupo Ongoing e as projecções económicas para a SIC e para os seus diferentes canais temáticos».
Lusa/SOL