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Países periféricos intoxicam Banco Central Europeu

25 de Junho, 2011por Luís Gonçalves
O BCE está carregado de activos cujo valor real ninguém conhece. Mantém-se excessivamente alavancado e tem uma exposição aos periféricos que supera os 400 mil milhões.

A participação do Banco Central Europeu (BCE) na resolução da crise da dívida soberana na Zona Euro tem sido um jogo arriscado para uma das principais instituições europeias. Mais de um ano após o resgate da Grécia, e muito antes do auxílio à Irlanda e a Portugal, a instituição liderada por Jean-Claude Trichet já tinha accionado o seu próprio plano de ajuda aos países periféricos da moeda única (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha). Essa ajuda veio na forma de compra de dívida pública – contrariando as regras do banco central – e na concessão de crédito barato (taxas de 1%) aos bancos destes países por troca de activos cujo valor ninguém conhece com rigor.

A factura do auxílio de Frankfurt vem aumentando de mês para mês. O BCE tem hoje uma exposição de 400 mil milhões de euros às economias periféricas da Zona Euro, sobretudo Grécia e Irlanda que, em conjunto, são responsáveis por quase 300 mil milhões desta verba, segundo estimativas da Open Europe, um dos principais think tanks de Bruxelas. Só de Portugal, o BCE detém hoje 18 mil milhões em dívida pública e emprestou 41 mil milhões aos bancos nacionais.

O suporte à banca dos periféricos é uma das facetas mais visíveis da actuação do BCE na gestão da crise, mas também a mais perigosa. Com os mercados de financiamento fechados, a banca dos periféricos passou a depender exclusivamente do BCE para continuar a operar. Para aceder às linhas de crédito do BCE, instituições gregas, portugueses e irlandeses tiveram de entregar como moeda de troca os chamados colaterais, inundando o balanço do banco central com activos que o mercado desconfia que possam ser tóxicos, ou com valor muito abaixo do inscrito.

Colaterais incógnitos

Segundo estimativas fornecidas ao SOL pelo BNP Paribas, o total de colaterais entregues pelos bancos dos quatro periféricos ascende já a 450 mil milhões de euros. «Porém, estes são cálculos muito difíceis de confirmar e podem estar muito longe da realidade», alerta Clemente de Lucia, economista sénior para a Zona Euro do BNP Paribas e especializado na política monetária do BCE.

A incógnita sobre o real valor do balanço do BCE é uma das maiores ameaças à sua sustentabilidade caso se verifique, por exemplo, uma reestruturação de dívida de membros da Zona Euro. Este evento afectaria não só o valor da dívida pública desses países nas contas do BCE, como obrigaria a instituição a socorrer alguns bancos.

A Open Europe estima que, só em activos gregos, o BCE tenha inscrito mais de 190 mil milhões no balanço. Uma eventual reestruturação de 50% da dívida grega – considerado o mínimo necessário pelo mercado para o país recuperar – provocaria um ‘buraco’ entre 44,5 e 65,8 mil milhões, obrigando o BCE a recapitalizar-se, pois a sua base de capital e reservas não excede os 82 mil milhões.

O BCE tem mecanismos para se recapitalizar por si próprio – através da impressão de dinheiro, mas esta opção seria embaraçosa. Primeiro, porque a emissão de moeda provoca inflação, contra a qual o BCE ‘luta’ activamente; segundo, pelo embaraço político e danos à credibilidade. A segunda opção de recapitalização seria pedir aos Estados-membros ajuda financeira.

BCE vai manter política

A excessiva alavancagem é outro problema. Os activos do BCE totalizam hoje 1,895 biliões de euros – 24 vezes a sua base de capital e reservas. Este grau de alavancagem é muito superior ao verificado noutros bancos centrais na Europa (ver quadro). O Lehman Brothers, por exemplo, quando faliu tinha uma alavancagem de 30 vezes o seu capital.

As opiniões sobre a actuação do BCE dividem-se. Clemente de Lucia defende que o banco central tem sido a única instituição na Europa a actuar de forma «corajosa e rápida». Mas Mats Persson, director da Open Europe, salienta que, apesar das acções do BCE suavizarem os efeitos da crise no curto prazo, irão exponenciá-los no longo prazo. «O BCE construi para si próprio um buraco do qual não vai ter saída fácil», alerta.

Para já o BCE não dá sinais de que irá alterar a sua política, continuando a dar crédito ilimitado aos bancos comerciais, aceitando colaterais e mantendo a sua inflexível posição contra qualquer reestruturação da dívida na Zona Euro. Em Maio, Jean-Claude Trichet afirmou que esta crise «não é do euro ou da união monetária, mas uma crise de políticas económicas em alguns Estados-membros e uma crise de vigilância mútua». Ontem, afirmou que a crise da dívida é a maior ameaça à estabilidade financeira da Zona Euro.

luis.goncalves@sol.pt




21 Comentários
Platao
27.06.2011 - 05:48
Carapeteiro
26.06.2011 - 01:10

Sim senhor, tiro-lhe o chapeu. E raro encontrar por aqui quem sabe do que fala. As minhas sinceras desculpas. E o habito de dar de caras com borra-botas que as vezes me tolda o discernimento...

Em todo o caso...

A funcao do BC e de gerir a liquidez do sistema de acordo com objectivos de estabilidade macroeconomica. Quando diz que a sua funcao e "financiar a banca" pode confundir-se com uma especie de obrigatoriedade ou generosidade, que de facto nao existe. No caso presente: o BCE nao e obrigado a financiar bancos semi-falidos. Sobretudo, o BCE nao pode simplesmente injectar liquidez no sistema (muito menos "imprimindo" dinheiro, ou seja, sem aceitar nada em troca) sob pena de criar outros efeitos perversos, em particular inflacao, depreciacao da moeda. Pior, o BCE nao pode injectar liquidez por contrapartida de lixo... que e o que se esta a passar. O BCE esta a limpar os balancos dos bancos. Nao conheco os detalhes das transaccoes, em particular a que ponto o BCE exige ou nao garantias adicionais e se expoe ao risco dos titulos que toma na sua carteira para emprestar a banca comercial. O que lhe digo e que a brincadeira tem um limite. Se no curto prazo funciona, a prazo e o proprio BCE que tera um problema, caso o incumprimento dos varios tiitulos de divida que toma se generalise... O que fara nessa altura? Assume as menos valias? Torna-se ele proprio insolvente? Refinancia-se junto de Estados falidos de cujos titulos resulta a sua propria insolvencia? Ha, pois e...

Abracos!
cescmelo
27.06.2011 - 00:12
Se o BCE tivesse que emitir 400 mil milhões de euros para cobrir o"buraco" dos ditos países periféricos, não haveria mortes e feridos por isso. Operação semelhante fez o FED ao comprar 600 mil milhões de dívida do estado americano (o que equivale a colocar mais moeda no circuido) e não demos conta que por lá a inflação disparasse.
Aderitos
26.06.2011 - 22:08
Isto não é com o intuito de ofender os economistas mas apenas para ser humorista. Cá vai:

DEUS CRIOU OS ECONOMISTAS,
PARA DAR ALGUMA CREDIBILIDADE AOS METEREOLOGISTAS.
Jperas
26.06.2011 - 21:52
interessante o que aqui li. sim, o carapeteiro tem razão a nivel económico. é assim que funciona. aliás é uma das razões pelas quais não podemos usar a nossa reserva de ouro. Porém, o raciocinio do economista está toldado pelos números, não vendo entao os bastidores da politica. Ouve lá óh platão... ja reparei que não te financiaram para depois ires financiar a banca. pena não é? deixa estar que quando o sistema financeiro internacional for alterado vais continuar sem ser financiado. mas já que os sitemas socialistas não funcionam, vamos ver se os outros funcionam. liberalitas, neo-liberalistas, radicais... mas espero que tenhas feito um bom pé de meia. e não é no banco.... é melhor no colchão. garanto-te. carapeteiro, toda a razão técnica. mas... vais ver que isto vai ser giro, porque realmente uma parte da economia esta a ser reinventada...;)
Carapeteiro
26.06.2011 - 10:18
Aderitos
25.06.2011 - 19:35
O seu comentário contém uma ironia muito fina, mas de facto não há nada a recear, não pelas razões que invoca com graça, mas por outras de natureza técnica.
Desde logo, até hoje nenhum banco central foi à falência. Bancos emissores de notas do séc. XIX, sim, mas ainda não existia o sistema do banco emissor único onde isso se verificou, nomeadamente Portugal, com estatutos de banco central.
A notícia fala dum problema de alavancagem para o BCE que não faz qualquer sentido, muito menos comparar com o Lehman Brother, que nunca foi banco central e especializou-se em trafulhices, como se sabe.
Isto é assim, porque não é com base no capital e nas reservas que o Banco Central faz a criação de moeda central. Essa moeda é criada ex-nihilo para refinanciar o sistema, recebendo em contrapartida determinadas garantias (a que o artigo chama colaterais, aliás, com pouca propriedade porque não é bem a mesma coisa. Essas garantias servem para vincular os bancos refinanciados a restituir a moeda emprestada (que é escritural, notem bem, não são toneladas de notas; estas só são solicitadas a pedido do público que as levanta dos seus depósitos e são em quantidade mínima comparada com a moeda escritural, para aí uns 2 a 4%, conforme os hábitos de pagamento na economia).

O único problema sério que um banco central pode enfrentar é o dos pagamentos ao exterior, decorrentes das transacções internacionais. Foi por isso que o FMI teve de socorrer Portugal nas décadas de 70 e 80. Se há défice externo é necessário pagar com ouro ou divisas e é para isso que as reservas são importantes, a não ser que esse banco central seja emissor duma moeda internacionalmente aceite como meio de pagamento, como é o caso do dólar, desde o Acordo de Bretton Woods de 1944. Para o euro pretendia-se o mesmo estatuto, mas até hoje não é líquido que o tenha conseguido, apesar de o BCE ter cumprido todos os requisitos em termos de credibilidade (independência, combate à inflação, etc.).
Lixiviador
26.06.2011 - 09:19

rectifico o que antes disse e concordo com o Aderitos.

sendo VP do BCE um "tuga" famoso e chico esperto, certamente não vai ao charco...

Carapeteiro
26.06.2011 - 01:18
Antonio2001
25.06.2011 - 19:36
V. não sabe o que é moeda central nem moeda escritural, coisa que se aprende nas faculdade estatais e talvez nas de diploma ao domingo. V. tem conhecimentos muito primários, só conhece a moeda sob a forma de notas, é, portanto, ignorante, mas atreve-se a chamar burros aos outros. Afinal que é burro?
Carapeteiro
26.06.2011 - 01:10
Platao
25.06.2011 - 21:00
Sei do que estou a falar, não seja presunçoso. Se for preciso indico-lhe bibliografia.
Um banco central é o banqueiro dos bancos e do Estado, não concede crédito a mais ninguèm. Os bancos de segunda ordem refinanciam-se no banco central a fim de concederem o crédito às empresas e famílias, através do mecanismo do multiplicador do crédito. Outra fonte de financiamento dos bancos de segunda ordem é constituída pelos depósitos, mas a mais importante é a do redesconto e operações de open market do Banco Central.
Isto ensinava-se antes do acordo de Bolonha (agora não sei) no 2º ou 3º ano das faculfades de Economia.
Qualquer licenciado em Economia proveniente faculdades públicas sabe isso, não é preciso ser prémio Nobel. Agora se andou numa faculdade de diploma ao domingo, já não digo nada.
Para o que V. escreveu, fui muito brando.
Platao
25.06.2011 - 21:00
Carapeteiro
25.06.2011 - 17:54

Para este Nobel da Economia, a funcao do Banco central e financiar a banca comercial. Apre!...

Se comeca por aqui, onde ira parar... Alguem anda a re-inventar a Economia... nao admira que estejamos onde estamos. socrates devia achar mais ou mesmo o mesmo ou entao tinha uma economia inventada por ele, so para a xuxaria que so funciona no mundo cor-de-rosa da xuxaria. Deve ser isso.

A unica coisa que funcionou foi o financiamento dos seus proprios bolsos. Ai nada falhou, tudo bateu certo. Ja o resto, e o que se ve.

Olha se o Banco Central deve financiar a banca, porque nao financiar-me a mim e eu depois trato de financiar a banca?...

Platao
25.06.2011 - 19:46
Carapeteiro
25.06.2011 - 17:54

Para este Nobel da Economia, a funcao do Banco central e financiar a banca comercial. Apre!...

Se comeca por aqui, onde ira parar... Alguem anda a re-inventar a Economia... nao admira que estejamos onde estamos. socrates devia achar mais ou mesmo o mesmo ou entao tinha uma economia inventada por ele, so para a xuxaria que so funciona no mundo cor-de-rosa da xuxaria. Deve ser isso.

A unica coisa que funcionou foi o financiamento dos seus proprios bolsos. Ai nada falhou, tudo bateu certo. Ja o resto, e o que se ve.

Olha se o Banco Central deve financiar a banca, porque nao financiar-me a mim e eu depois trato de financiar a banca?...

Antonio2001
25.06.2011 - 19:36
Ao comentario aqui

Um banco central não pode simplesmente começar a imprimir papel ! sempre á cada burro.
Nesse caso nunca se punha em causa a falencia de um pais, bastava fazer papel.
Aderitos
25.06.2011 - 19:35
Não há motivo para recear qualquer falha no BCE, é bom lembrar que este banco conta com um vice-governador que tem atrás de si uma carreira brilhante, do último cargo que ocupou como governador do BP, saiu em glória não deixando nenhum banco falir.
Platao
25.06.2011 - 19:10
Carapeteiro
25.06.2011 - 17:54

Para este Nobel da Economia, a funcao do Banco central e financiar a banca comercial. Apre!...

Se comeca por aqui, onde ira parar... Alguem anda a re-inventar a Economia... nao admira que estejamos onde estamos. socrates devia achar mais ou mesmo o mesmo ou entao tinha uma economia inventada por ele, so para a xuxaria que so funciona no mundo cor-de-rosa da xuxaria. Deve ser isso.

A unica coisa que funcionou foi o financiamento dos seus proprios bolsos. Ai nada falhou, tudo bateu certo. Ja o resto, e o que se ve.

Olha se o Banco Central deve financiar a banca, porque nao financiar-me a mim e eu depois trato de financiar a banca?...

Platao
25.06.2011 - 19:02
Carapeteiro
25.06.2011 - 17:54

Nao digas asneiras para nao fazeres figura de urso, pa! Poupa-te. E poupa-nos.

Deixa o BCE a acumular lixo nos seus cofres e vais ver onde parara a Europa dentro de uns 5 a 10 anos. E se pensas que a simples impressao de notas de Euro nos salva, aconselho-te a informares-te melhor, a ler uns livros.

Lembra-te la: Portugal nao imprimia Escudos quando o FMI por ca andou nas duas ultimas vezes? E antes disso, quando Salazar chegou ao governo, nao imprimiamos nos Escudos? Achas que a miseria existia porque a impressora nao tinha tinta?...

Tem juizo!

Deus nos livre destes economistas de ocasiao...
Platao
25.06.2011 - 18:57
Dizia socrates que Portugalnao precisava de ajuda externa.

Afinal parece que so o BCE ja nos tinha emprestado 59 mil milhoes, entre divida publica e divida da banca que em parte serviu tambem para financiar o Estado.

O mentirsoso socrates deixa-nos este presente envenenado, enrolado na mentira mais bandalha... uma mentira que valia 59 mil milhoes de Euros em ajuda directa do BCE... numa altura em que Portugal, segundo o bandalho-mor socrates nao precisava de ajuda. O que teria sido se precisasse.

Se juntarmos ao novo pacote de ajuda, serao 78 mais 59, ou seja 137 mil milhoes!

Tao diferentes que nos eramos da Grecia.

Estes xuxas sao um perfeito nojo. E parece que estao a eleger um novo lider... Parece que ainda nao se extinguiram.
Carapeteiro
25.06.2011 - 17:54
Esta notícia é um disparate e foi escrita por alguém que não faz ideia do que é um banco central.
Um banco central tem capacidade financeira sem limites porque é o emissor da moeda! a sua função normal é financiar os bancos de segunda ordem (antigamente bancos comerciais) e o Estado. A treta da alavancagem não se lhe aplica.
Não faz qualquer sentido chamar à colação o Lehman Brothers especialista em vigarices.
Platao
25.06.2011 - 16:52
Convem lembrar o que dizia o malogrado trafulha-mor imediatamente antes de fugir: "Portugal nao precisa de ajuda externa!"

Parece que ja moravam no BCE 18 mil milhoes de divida publica portuguesa e 41 mil milhoes de divida dos bancos portugueses, da qual uma parcela importante deve ter servido para financiar o Estado.

E uma mentirinha, a ultima, do porco xuxa que difere da verdade em 59 mil milhoes de Euros. Saiu em grande estilo a xuxaria...
Antiesquerdalha0004
25.06.2011 - 16:19
É no que dá o dirigismo económico da união soviética europeia! Queriam lixo portuga e grego? Não se queixem agora!
Lixiviador
25.06.2011 - 15:12

será que também vai ao "charco" ?
bem merece porque só têm burocratas a gerir a UE !

Miguel Silva
25.06.2011 - 14:56
Junta-te a Portugal virtual, copia já o link: http://tiny.cc/prsf6



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