Os portugueses já conheciam o conceito de outras paragens. Na República Dominicana, Cuba, México ou Cabo Verde predominam os resorts com tudo incluído (TI), onde uma simples pulseirinha atribuída no check in dá acesso a alojamento, alimentação, bebidas e actividades, tudo ‘temperado’ com praia e piscina a dois passos.
Porém, este sistema está a atravessar fronteiras e a instalar-se em Portugal. Neste Verão, e para responder à procura crescente, as principais redes hoteleiras introduziram ou reforçaram a oferta desta modalidade.
O grupo Pestana, por exemplo, passou nesta época estival a ter regime TI num hotel do Algarve e em dois na Madeira. No arquipélago, as reservas deste produto já pesam 40% no total. «A modalidade foi lançada este ano porque o mercado demonstrava uma tendência de procura, a nível nacional e internacional», explica fonte do maior grupo hoteleiro português. Se correr bem, o Pestana admite que poderá alargar o conceito a toda a rede.
Ganhar à concorrência
As famílias – portuguesas, mas também estrangeiras, sobretudo inglesas, alemãs e nórdicas –, são o principal público do tudo incluído. E a crise pode potenciar a procura, uma vez que, neste tipo de férias – que têm um preço fixo à partida – é mais fácil aos clientes controlar custos, concordam os hoteleiros e operadores ouvidos pelo SOL.
Além disso, lembram que a aposta no TI – que, garantem, será para manter nos próximos anos – diversifica a oferta turística em Portugal, permitindo competir com destinos concorrentes. «Os hotéis e empreendimentos turísticos no Algarve sentiram necessidade de ter esta oferta para continuar a manter os clientes e taxas de ocupação e para serem competitivos face à concorrência mais directa, onde esse segmento tem vindo a afirmar-se, como a Turquia, Egipto, Tunísia e Caraíbas», justifica Elidérico Viegas, presidente da associação que representa o sector na região (AHETA).
«Vamos intensificar a oferta mas, vamos concentrá-la em três unidades de modo a especializarmo-nos neste segmento e melhorar a oferta deste produto. O Hotel Vila Galé Náutico passará inclusive a funcionar apenas neste regime no período de Abril a Outubro, em 2012», avança por sua vez o director de marketing e vendas do Vila Galé.
Das 17 unidades que tem no país, o segundo maior grupo português está a aplicar o tudo incluído em cinco delas e tem registado aumentos na procura de 5%. No Algarve e na Madeira, este sistema chega a pesar 50% das reservas no Verão, aponta Gonçalo Rebelo de Almeida.
No caso da Dom Pedro Hotels, que tem TI num hotel do Algarve e noutro na Madeira, o número de clientes a aderir a este modelo subiu 10%. «Temos tido procura muito interessante deste regime por parte de outros segmentos como os incluídos no Turismo de negócios», relata o director de marketing, Pedro Ribeiro. Optar por este conceito, sublinha, foi uma forma de «diversificar a nossa oferta e de inovar. Sabíamos que existiam clientes que procuravam este regime e não o oferecendo perdíamos hipóteses de captar estes fluxos para as nossas unidades», assume.
Também o grupo CS estreou este ano a modalidade tudo incluído em unidades algarvias.
Para as agências e operadores turísticos, a oferta de pacotes de TI também está a crescer e a ganhar mercado. Por exemplo, a Abreu está a comercializar pacotes em 20 unidades algarvias, de 3 a 5 estrelas. «É uma tendência que tem vindo a crescer, nomeadamente no Algarve e Madeira», concorda fonte das agências Top Atlântico.
Contudo, este não é um produto consensual. Inclui vantagens, mas também levanta dúvidas aos agentes do sector, que lhe apontam desvantagens.
ana.serafim@sol.pt