A Casa da Música vai ficar numa «situação financeira insustentável» em 2012 com os cortes de 30 por cento previstos no Orçamento do Estado (OE), alertou hoje o PCP, após reunir com a administração daquela fundação.
«O que temos pela frente é a possibilidade de a programação externa da Casa da Música ser substancialmente reduzida para 2012 e, mesmo para além dessa diminuição de programação, a gestão financeira da fundação pode tornar-se numa situação financeiramente insustentável», denunciou o deputado comunista Honório Novo, em conferência de imprensa, na sede do partido, no Porto.
Os deputados do PCP Honório Novo e Jorge Machado reuniram hoje de manhã com a administração da Casa da Música e, depois de falarem com Nuno Azevedo e Borges Coelho, foram informados de que a transferência anual de 10 milhões de euros, previstos num contrato estabelecido com o Estado, vai sofrer um corte de «30 por cento», ou seja deverão receber em 2012 «sete milhões de euros».
Preocupados com a «quebra de um contrato estabelecido em 2006 que previa a responsabilidade da manutenção do edifício da Casa da Música e da Orquestra com uma transferência anual de 10 milhões de euros», o PCP assume que vai lutar pela reposição dos níveis de financiamento que o Estado acordou.
«Vamos procurar intervir, na parte do debate da especialidade do OE 2012, para que haja uma reversão destas decisões que não ponham em causa a actividade e a programação cultural da Casa da Música», assegurou o deputado.
A transferência estatal deste ano para a Casa da Música baixou 15 por cento - de 10 para 8,5 milhões de euros -, um corte que obrigou a Casa da Música a realizar incidências extraordinárias na gestão financeira para que a execução orçamental não tenha um défice em 2011.
A Casa da Música é hoje uma referência nacional e internacional de um projecto cultural, mas é também um projecto de importância inclusiva do ponto de vista social, através do Serviço Educativo e da aposta em novos públicos, como por exemplo dos estabelecimentos prisionais.
A Casa da Música emprega 400 pessoas no total: 200 postos de trabalho directo e 200 postos indirectos e este ano estima-se que receba cerca de «300 mil visitantes não espectadores», dos quais cerca de 45 mil em visitas guiadas, o que transforma o projecto atractivo ao nível económico e turístico, acrescentou o deputado.
Em entrevista à Lusa no início de Outubro, o administrador delegado da Fundação Casa da Música, Nuno Azevedo, defendeu que uma das prioridades para a área da Cultura, que devia ser prevista no OE 2012, era a «promoção da capacidade de criação artística nacional» e sua respectiva «internacionalização».
A administração da Casa da Música, contactada pela Agência Lusa, optou por não fazer comentários sobre o teor do encontro.
Lusa/SOL