O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou hoje que os «senhores» da troika «não têm muita compreensão para a sensibilidade social», à chegada para uma reunião com os representantes do FMI, BCE e União Europeia.
Ao Centro Europeu Jean Monnet, em Lisboa, onde se vai decorrer a reunião da central sindical com a 'troika', Arménio Carlos chegou com «uma mensagem muito simples: estas políticas estão a conduzir o país ao desastre económico e social».
«Isto não é ajuda, é agressão», afirmou o secretário-geral da CGTP sobre o programa de ajuda financeira a Portugal, adiantando que no encontro com os responsáveis da 'troika' vai propor «uma alteração de políticas para por a economia a crescer, porque se não crescer não há emprego».
Em declarações aos jornalistas, o dirigente sindical defendeu «uma alteração da política», considerando que a que está em curso «pode ser boa para os especuladores, o FMI, a UE ou para o BCE, mas para o futuro do país é péssima».
Arménio Carlos já tinha avançado à Lusa que a delegação da CGTP-IN ia aproveitar o encontro para apresentar as suas propostas à 'troika'.
«Vamos identificar os problemas, vamos identificar os causadores e vamos mostrar que existem outras saídas», disse o sindicalista.
A dinamização do sector produtivo, para reduzir as importações e a dívida, a promoção do emprego de qualidade e o combate à precariedade e uma nova política de rendimentos que assegure o desenvolvimento económico são algumas das propostas que a CGTP vai levar para a reunião.
O encontro realiza-se a pedido da 'troika' (UE/FMI/BCE) para fazer uma análise e avaliação da implementação do Memorando.
A UGT reuniu-se na segunda-feira com a 'troika' com o mesmo objectivo.
Esta é a segunda vez que as centrais sindicais se reúnem com a 'troika. A primeira foi antes da assinatura do Memorando de entendimento.
A missão conjunta do Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu iniciou há uma semana a terceira avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira de Portugal.
Os técnicos liderados por Poul Thomsen (FMI), Jürgen Kröger (CE) e Rasmus Rüffer (BCE) deverão permanecer em território nacional, a avaliar as metas do programa português, durante cerca de duas semanas, para decidir se recomendam ou não o desembolso da quarta tranche do empréstimo a Portugal.
Portugal recebeu até ao mês passado quase 40 mil milhões de euros do empréstimo do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia, mais de metade do valor total acordado com as instituições em Maio do ano passado.
A 'troika' irá analisar de perto as reformas estruturais, a reestruturação do Sector Empresarial do Estado, as dívidas por pagar há mais de 90 dias e o panorama macroeconómico, entre muitos outros aspectos.
Lusa/SOL