A Sociedade de Transportes Colectivos do Porto registou, em 2011, um prejuízo de 54,5 milhões de euros, penalizado pelo agravamento em 70 por cento dos resultados financeiros negativos, anunciou hoje a empresa.
De 2010 para 2011, os prejuízos agravaram-se em 45 por cento (37,6 ME para 54,5).
Em conferência de imprensa para apresentação das contas referentes a 2011, a presidente do conselho de administração da STCP, Fernanda Meneses, afirmou que as «responsabilidades dispararam», designadamente no que diz respeito a amortizações à banca, com spreads elevados.
Contudo, Fernanda Meneses destacou o resultado operacional em 2011, que foi de 6,4 milhões de euros negativos, significando uma melhoria de 31 por cento face a 2010.
Em 2011, só com receitas próprias, a STCP atingiu uma taxa de cobertura de 70 por cento, contra os 66 por cento em 2010.
«Os rendimentos operacionais subiram e resultaram do aumento das receitas» em quatro por cento, apesar dos dois aumentos de tarifários.
A STCP fez um «um esforço enormíssimo para cortar nos custos com gastos operacionais», que diminuíram 2,2 por cento face a 2010.
Em relação aos gastos operacionais, a responsável apontou como «inultrapassáveis» o custo com gasóleo (6,3 milhões de euros) e com os subcontratos (6,6 milhões de euros).
Em 2010, a empresa de transporte público do Porto reduziu também os gastos com o pessoal (de 39,9 para 36,9 milhões de euros) e Fernanda Meneses afirmou que o corte só não foi maior porque «foram pagos quase três milhões de euros em indemnizações» por cessação de contratos.
A responsável considerou que na STCP, à semelhança do que acontece nas outras empresas de transporte público, o que é realmente «preocupante» é o «agravamento sucessivo» do passivo e que esse factor «não é controlável».
«Nós atrasamos demasiado tempo a contratualização do serviço público [a acontecer até 2019], atrasamos demasiado tempo a adopção de medidas para o reequilíbrio financeiro das empresas e para a resolução do passivo», sublinhou, acrescentando que a empresa «está a pagar um preço por isso».
A presidente da STCP sustentou que «o intervalo de tempo [para a contratualização do serviço público] é cada vez mais curto e o dinheiro é cada vez mais difícil de obter».
A responsável salientou ainda que a STCP registou em 2011 um EBITDA (lucros antes de impostos, amortizações e provisões) positivo de 1,2 milhões de euros contra os 2,7 milhões de euros negativos do ano anterior.
Já o EBITDAR (sem custos de leasing), que é um parâmetro utilizado para avaliar o desempenho operacional das transportadoras, foi o «melhor de sempre», atingindo os 7,2 milhões de euros.
No ano passado, destacaram-se também as poupanças induzidas pela utilização dos veículos a gás natural, que se situaram nos 4,3 milhões de euros, correspondendo a uma redução de 1.626 toneladas de CO2.
Em 2011, a STCP investiu apenas 949 mil euros, um valor «muito abaixo do esperado, mas que corresponde ao rigor» exigido.
Em termos de cumprimento dos objectivos propostos para 2011, a STCP ficou a um ponto percentual de conseguir atingir a taxa de ocupação dos veículos que tinha fixado em 15,1 por cento.
Lusa/SOL