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Fim das reformas antecipadas aumenta despedimentos

16 de Abril, 2012por João Madeira
A decisão de suspender o regime de reformas antecipadas até ao fim do programa de assistência financeira aumenta o risco de despedimentos colectivos e de rescisões nas empresas. A aposentação antes dos 65 anos era um dos principais mecanismos de redução de pessoal, utilizado pela generalidade dos  grupos empresariais nos processos de reestruturação.

Segundo explicou ao SOL Luís Bento, docente universitário e consultor em recursos humanos, a medida do Governo vai «prejudicar fortemente» as empresas com necessidade de reduzir pessoal. «As principais alternativas vão ser o despedimento colectivo ou a manutenção de trabalhadores em excesso, o que penaliza a competitividade das empresas» , avisa.

Em Portugal, as reformas antecipadas generalizaram-se nos últimos anos. Bancos como o BPI ou o BCP são exemplos  de empresas que levaram a cabo, recentemente, programas de redução de pessoal assentes em passagens à reforma. E, no imediato, há várias companhias que serão afectadas pela decisão do Governo, já que têm planos de reestruturação em curso.

As empresas públicas de transportes estão entre as que poderão enfrentar dificuldades acrescidas. O Plano Estratégico de Transportes do Governo prevê a consolidação do sector e a dispensa de milhares de trabalhadores de empresas como CP, Carris, REFER, Metro ou EMEF. E, embora o método de redução de pessoal seja, sobretudo, as rescisões amigáveis, muitos trabalhadores só aceitam sair porque estão perto da idade de solicitar a reforma antecipada, disse ao SOL José Manuel Oliveira, responsável pelo sector dos transportes na CGTP. «Com o fim das reformas antecipadas haverá menos disponibilidade para saídas amigáveis. Abriu-se a porta para haver despedimentos colectivos» , avisa o sindicalista.

Já  os bancos não serão afectados. Embora os fundos de pensões tenham sido integrados  na Segurança Social, o Estado apenas assumiu a responsabilidade pelos aposentados até ao final de 2011. «Eventuais novas reformas antecipadas ficarão a cargo dos bancos», explicou ao SOL Teixeira Guimarães, do Sindicato dos Bancários do Norte.

O presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários realça também que a suspensão das reformas antecipadas no regime público  «não obsta a que se continuem a verificar reformas antecipadas no sector bancário» , desde que «sejam enquadradas nos termos do acordo Colectivo de Trabalho do Sector Bancário e sejam suportadas pelos Fundos de Pensões dos bancos e não pelo regime geral de Segurança Social» .

No caso da PT, por exemplo, as reestruturações têm vindo a ser feitas por via de pré-reformas e não de aposentações antecipadas, pelo que a medida não terá impacto na gestão de saída do grupo. O Sindicato Nacional dos  Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações antecipa a saída de 120 trabalhadores da operadora este ano, por esta via.

joao.madeira@sol.pt




25 Comentários
quijote
18.04.2012 - 09:13
Obviamente não serão os pé-rapados portugueses os clientes de que Portugal precisa. Só exportando o país poderá pagar a dívida do seu estado social, e para exportar é indispensável a boa vontade de todo o mundo. Os caloteiros dificilmente conseguem essa boa vontade.
jcesar
17.04.2012 - 22:57
quijote
17.04.2012 - 13:08

Só existe clientes se tiverem dinheiro para comprar os produtos, como o Governo tomou medidas que diminuíram drasticamente os rendimentos das famílias, estas ficaram sem dinheiro para consumir.

Logo o Governo tem culpas na enorme recessão, que se está a assistir, e por arrasto o aumento do desemprego.
mmarioprata
17.04.2012 - 20:02
Quando uma pequena percentagem de comensais retira grandes fatias do bolo (SS), os restantes que são a grande maioria ficam com umas fatias quase invisíveis.
quijote
17.04.2012 - 13:08
As empresas encerram por falta de clientes, não por quaisquer medidas do governo.
acd31gbs
17.04.2012 - 00:20
Todas as medidas que este governo tem executado
estão a causar o encerramento das empreas,desem-
prego,a miséria generalizada dos portugueses e de Portugal.
Executive
16.04.2012 - 23:20
E eu que trabalho desde os 14 anos sou obrigado a ter de descontar 51 anos? é simplesmente injusto. E os políticos também vão ter a reforma só aos 65? só têm um nome P U L H A S.
mmarioprata
16.04.2012 - 22:13
Convém cortar nas com as reformas de quem descontou 35 ou 40 anos para suportar as pensões de milhares de habilidosos com 6, 12, 15 anos de descontos e algumas em acumulação.
quijote
16.04.2012 - 21:41
É melhor despedir funcionários em vez de os deixar ficar nas repartições a coçar os tomates.
mirodri
16.04.2012 - 21:32
é urgente cortar forte e feio nas reformas, principalmente do sector público. inadmissivel que acha cidadãos com mais direitos
apagaoerega
16.04.2012 - 19:49
Completamente de acordo com o quijote.
O Ceausescu também se f*d*u.
quijote
16.04.2012 - 18:04
Portugal precisa de um general Pinochet em Belém.
quijote
16.04.2012 - 18:03
Eu trabalhei desde os 17 anos, se tivesse esperado pelos 67 anos teria descontado 50 anos. Filhos da pata choca, querem matar os portugueses a trabalhar pelos ordenados de miséria que pagam.
O que isto precisa é mesmo uma Junta Militar que endireite o país e fuzile os esquerdalhos.
Silva50
16.04.2012 - 16:12
Cada POVO só tem aquilo que merece. O POVO assim o quis assim o tem. Agora nao adianta xorar.
mafpis
16.04.2012 - 15:52
Este tipo de análise não cabe na tragecrória governativa deste governo.Já provou por A+B que se está borrifando para a questão económoca do País, para o desenvolvimento, para o emprego dos mais jovens, para asustentabilidade de algumas empresas e o que estas representam em termos económicos e de emprego.
Este governo só se preocupa e só vê cortes.
Cortar, cortar ,cortar. Não interessa se cria pobresa, moséria, fome ou deliquencia. Desde que corte é uma vitória.
Então não é uma aberração, um trabalhador trabalhar a vida inteira desde os 15 anos ter agora 45 anos de descontos ou mais, cumprir com a meta criada pelos governos (40 anos) de carreira contributiva e não lhe ser concedida a reforma, mesmo sendo penalizado?
Isto aliado á forma traiçoeira e nojenta como publicaram a lei, definem bem o tipo de pessoas que estão no governo que nós elegemos
quijote
16.04.2012 - 14:29
Ninguém deve ser obrigado a trabalhar mais de 40 anos. E as pensões devem ser proporcionais aos descontos realizados.
HORACA
16.04.2012 - 13:59
quijote 11.29,

Não deve estar a ver bem.

Explique lá isso
nsgoncalo
16.04.2012 - 13:16
Para quem gosta muito de rir http://esorirmaisnada.blogspot.pt/
mmachado
16.04.2012 - 12:46
São tomadas medidas sem respeito pelas consequências trágicas na vida das empresas e dos trabalhadores. Isto é, tomam medidas de 5-6 igual ao que eles querem, mas não prevêm o saldo muito negativo para todos e até para os cofres do Estado. Cada vez pior!
quijote
16.04.2012 - 11:29
É injusto a idade de reforma condicionar a sua concessão sem levar em conta os anos de desconto. É injusto que se tratem em pé de igualdade trabalhadores com 20 anos de desconto e trabalhadores com 40, só porque atingiram a idade de reforma.
NaoGostoDesteGoverno
16.04.2012 - 11:10
Este governo está ferido de ilegitimidade desde o dia em que apresentou o seu programa de governação. Nenhum português tem qualquer dever de obediência democrática a este governo, pois o programa de governo que foi proposto por Passos Coelho em troca do voto dos cidadãos não é o programa que tem vindo a ser executado, pelo que o governo rompeu o contrato que propôs aos eleitores. Deste modo é legítimo o pedido de demisão do governo e a sua substituição por um governo de salvação nacional, sustentado numa proposta alternativa e essa só pode vir do sector oposto, proposta que sem descurar o que são as obrigações financeiras assumidas (as dívidas são para se pagarem), mas onde impere o bom senso politico e não a vesga prática de uma politica marcadamnete ideológica. Há que manifestar indignação para que o governo perceba que perdeu a base social de apoio que o elegeu, que a avaliar pelo descontamento que grassa o eleitorado já percebeu do erro que cometeu.



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