A Mota-Engil considera que deve ser ressarcida pelos gastos no concurso para a construção da ligação de alta velocidade Lisboa-Poceirão e acredita que as negociações com o Executivo chegarão a «bom porto», disse o presidente executivo.
O concurso para a construção do troço de alta velocidade ferroviária Lisboa-Poceirão, que incluiria a terceira travessia sobre o rio Tejo, «foi anulado» ainda pelo anterior Executivo e estão a «decorrer negociações com o Governo», afirmou, em entrevista à Lusa, Jorge Coelho.
«É óbvio que temos direito, não é a ser indemnizados, mas a que sejam repostos os custos efectuados nesse consórcio. Estão a decorrer negociações, vão com certeza chegar a bom porto», disse o presidente da Mota-Engil, que liderava um dos agrupamentos concorrentes.
«O Estado anulou o concurso, está na lei que tem de haver uma reposição», insistiu, referindo que está a decorrer «uma fase de verificação de documentos», para aferir se o grupo tem direito a ser ressarcido pelos custos em que incorreu.
Jorge Coelho escusou-se a avançar valores, alegando que «quando se está numa conversa com o Estado é um erro» divulgá-los.
No Orçamento Rectificativo, o Governo inscreveu uma verba de 30 milhões de euros para «indemnizar os concorrentes cujas propostas não tenham sido excluídas, pelos encargos em que, comprovadamente, incorreram com a elaboração das mesmas».
Questionado sobre a decisão do Governo de abandonar definitivamente o projecto de alta velocidade ferroviária, o presidente da Mota-Engil escusou-se a comentar, afirmando ser uma «decisão política».
Sobre a renegociação dos contratos das concessões rodoviárias, afirmou ser uma matéria da competência da Ascendi, detida pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo.
«Como accionista, digo-lhe o que é a minha perspectiva: procuraremos sempre ajudar a encontrar soluções para os problemas e é nessa lógica que trabalhamos, com discrição, com profissionalismo», disse.
No que respeita à Liscont, detida pela Mota-Engil, Jorge Coelho disse que o grupo «aguarda com serenidade» uma decisão.
«Estamos à espera. O tribunal arbitral, por unanimidade, decidiu o que decidiu e aguardamos o desenvolvimento dessa questão», afirmou, considerando que a morosidade do processo «prejudica a competitividade da região de Lisboa».
Jorge Coelho escusou-se também a fazer comentários sobre a polémica em torno dos pagamentos feitos à Lusoponte, detida maioritariamente pela Mota-Engil, remetendo para o presidente da concessionária esclarecimentos sobre este tema.
«Ligue ao engenheiro Ferreira do Amaral [presidente da Lusoponte] que tem a confiança de todos os accionistas e foi indicado pela Mota-Engil. Fui eu, pessoalmente, que o convidei há uns três anos para ser reconduzido no cargo», disse.
A Mota-Engil realiza hoje a sua «assembleia-geral anual de accionistas no Porto onde os accionistas deverão aprovar as contas de 2011 e conhecer as principais perspectivas para 2012.
Lusa/SOL