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'Portugal está melhor, mas os portugueses estão pior'

4 de Maio, 2012
Um ano depois de Portugal ter assinado um acordo de ajuda externa com a ‘troika’, o antigo ministro da Segurança Social António Bagão Félix diz que o país está melhor, mas vê os portugueses em pior situação.

«Portugal está melhor no sentido em que, apesar de estar numa situação de reduzida soberania económica e orçamental, tem melhorado alguns indicadores» como o relativo às necessidades de financiamento externo, sublinha o antigo ministro da Segurança Social e do Trabalho no Governo de Durão Barroso e antigo ministro das Finanças de Santana Lopes.

Em entrevista à agência Lusa, Bagão Félix reconhece uma melhoria nos números, mas a visão é outra quanto às condições de vida dos portugueses.

«A questão social fundamental é a do desemprego. Essa é a medida de todas as medidas. A medida moral de uma economia, a medida moral e ética de uma política reside na sua capacidade de combater a pobreza e gerar emprego», refere.

Questionado sobre se o país está melhor neste parâmetro, o antigo ministro adiantou: «Aí estamos pior. Em parte em função do programa de ajustamento que tinha estas naturais consequências».

No balanço que faz do primeiro ano de ajuda externa, Bagão Félix salienta duas reflexões sobre o percurso do país.

Critica a falta de atenção que é dada às pessoas e a excessiva atenção que é dada aos números, mas também às diferentes velocidades a que são tratadas as questões.

«Sou muito favorável à ideia de uma política personalista que perceba que a política é a procura do bem comum e a procura do bem comum passa pela cultura do próximo e das pessoas. E aí, há uma certa tendência para se falar sobretudo de quantidades, de números, de tendências e pouco do tal personalismo que é preciso», explicita.

O outro ponto de reflexão «é a circunstância de as medidas terem velocidades diferentes».

O antigo ministro nota que «as medidas ao nível do rendimento disponível, dos salários, das pensões e ao nível dos contribuintes, dos impostos, foram tomadas rapidamente».

Já medidas como a renegociação das Parcerias Público-Privadas, (PPP) a questão das rendas excessivas no sector eléctrico ou a possibilidade de algum aumento da carga fiscal sobre rendimentos mais elevados ou bens de luxo, poderia ter sido «mais acelerada», adianta.

«Percebo que o reformado não tem advogados, o funcionário não tem advogados e as PPP têm bons advogados… desejaria que fosse mais rápido», conclui o antigo governante.

Para o futuro, Bagão Félix deixa um alerta: «Os próximos quatro, cinco anos vão ser muito difíceis».

As medidas de austeridade, a impossibilidade de atingir taxas de crescimento suficientes para diminuir o desemprego e o tempo que demorará até que as medidas estruturais possam ter efeitos sobre a actividade económica são os argumentos avançados pelo antigo ministro para justificar a sua antevisão.

Bagão Félix lembra que aprendeu que quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresce dois por cento ou mais, há criação de emprego.

«Mas isso era numa economia fechada, não aberta, não global. Era numa economia baseada no sector industrial e no sector primário, hoje é baseada no sector terciário onde a maior parte do crescimento do produto se faz à custa do aumento da produtividade e não da geração de emprego», justifica.

Questionado sobre se o país pode «morrer da cura» que está a ser imposta, o antigo ministro responde: «Corremos esse risco também pelo carácter cego destes programas de ajustamento» que aplicam a mesma receita sem olharem às especificidades de cada economia.

Apesar das críticas, Bagão Félix diz que o Governo não tem alternativa e que tem de tentar cumprir o programa assinado com a ‘troika’, mas defende que o Governo, numa fase posterior, deveria tentar renegociar, juntamente com um alargamento do montante do empréstimo, um alargamento do prazo.

«Não é apenas para regatear mais um ou dois anos, é por causa do desfasamento temporal entre a necessidade de finanças públicas saudáveis e de ajustamento orçamental e por outro lado, as reformas estruturais que demoram 10, 15 anos a produzir efeitos», justifica.

Lusa/SOL




15 Comentários
paulopires68f
05.05.2012 - 14:04
Portugal está melhor em relação a...QUÊ e a QUANDO?

(à semana passada?...ao mês passado , ...a antes da eleições...?)

vendap
05.05.2012 - 03:22
Ele quer dizer que os donos do país estão melhor. OS servos é que estão pior!
asilvestre
05.05.2012 - 00:04
os portugueses só ficam melhor quando passarem das palavras aos actos.
jcesar
04.05.2012 - 22:40
O mais importante de um País são as pessoas, se os Portugueses estão pior, como é que Portugal pode estar melhor.

Realizaram-se algumas reformas importantes, mas existem outras ainda mais importantes, e que teriam maior impacto, que estão por fazer, outras caminham a passo de caracol, e outras que estão a tomar um rumo, muito diferente do que inicialmente estava previsto, por causa de cedências por parte do Governo.

E como os Portugueses estão pior, mais pobres, e existe mais desempregados, isto origina mais despesa, e menos receita.
parasol
04.05.2012 - 22:02

parasol
04.05.2012 - 22:02
Alguém devia informar este catolico praticante que o dogma da Igreja "do mal de cada um vem o bem comum" foi abandonado no século XVII...
Devia voltar à catequese...
mundonovo50
04.05.2012 - 21:12
as medidas de ajustamento negociadas com a troika para reduzir défices e dívidas em apenas dois ou tres anos são de uma violencia inaudita, as mentes que fazem estas negociações são de pessoas com perturbações mentais, hoje em dia tanto em Portugal como por essa europa fora os politicos sºão os carrascos dos povos e os povos deveriam fazer tudo ao seu alcance para os eliminar
nilo00
04.05.2012 - 20:26
Este srº queria dizer: os políticos nunca estiveram melhor,o povo é que está pior.
sibila
04.05.2012 - 20:22


Que dito tão esclarecedor até parece que os portugueses não fazem parte de Portugal ...
quijote
04.05.2012 - 20:03
Em todos os países comunistas o país fica bem e os habitantes passam fome.
lmaria
04.05.2012 - 19:59
Mas afinal o que é Portugal? Um País sem gentes? Como pode Portugal estar melhor quando as pessoas estão pior?
E quanto aos subsídios que nos foram usurpados, já percebemos que com o actual executivo eles não vão voltar.Há pois que escolher outros governantes.
Talvez o primeiro sinal de mudança comece a dar-se a nível europeu com as eleições de domingo na Grécia e em França.
Justus
04.05.2012 - 19:18
Que estupidez a deste senhor!!!!

Um país só está melhor quando o seu povo vive melhor.

Se os portugueses estão na pobreza e na miséria, como pode Portugal estar melhor?

Para este iluminado um país é algo de abstrato, é um quadradinho pintado a cor de rosa a pairar no espaço.

Para gente desta as pessoas não contam!!!

Querem lá saber da pobreza dos portugueses!! Os seus bolsos estão cheios daquilo que "trafulharam" e "usurparam"!

Deve ter boas reformas milionárias!!!
Miguelmartel
04.05.2012 - 18:07
O que o Dr. B. felix diz, não é novidade para mim, mais do que disse, já o anda a dizer há mais de três anos, Medina Carreira... são conquistas de Abril, que foram adiadas alguns anos, devido aos fundos comunitários que taparam a realidade do País.
ZePovinho
04.05.2012 - 17:55
O Mexia, o Catroga, a Cardona e uns amigos do partido parecem estar mesmo muito melhor.
antas
04.05.2012 - 17:51
O Portugal dos pequeninos só é lembrado pelos grandes quando é hora de grandes sacrifícios.Aconteceu durante as diversas guerras e acontece na actual crise económica.


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