A Portugal Telecom (PT) e a EDP são as duas empresas nacionais em maior risco de uma descida da sua notação financeira caso a Grécia venha a abandonar a moeda única, revelou hoje a Fitch.
A lista compilada pela agência de notação financeira inclui maioritariamente empresas energéticas de países periféricos como as espanholas Endesa, Gas Natural, Hidroelectrica del Cantabrico e Iberdrola, mas também a Telefonica.
A Fitch atribui neste momento uma notação à PT de BBB, com perspectiva negativa, enquanto a EDP está um grau acima em BBB+, em 'rating watch negative', enquanto Portugal se encontra em BB+.
«A preponderância de nomes relacionados com energia [‘utilities’] reflectem o domínio dessas entidades dentro dos mercados de obrigações periféricas, mas também as notações financeiras relativamente elevadas atribuídas previamente. Em cada um dos testes de 'stress' soberanos, o sector energético teve um desempenho mais baixo do que outros sectores», escreve a Fitch num documento intitulado O futuro da zona euro – O impacto sobre empresas.
Com uma hipotética saída ordenada da Grécia da zona euro a Fitch alertou que a acção provável seria cortar o 'rating' dos países periféricos, de Chipre à Itália, devido à «potencial volatilidade do precedente da Grécia e o risco de contágio aos bancos, mercados de obrigações e fuga de capitais».
A agência de notação financeira Fitch considera que uma eventual saída da Grécia da zona euro teria um impacto especialmente concentrado em Portugal, Espanha e Itália, podendo alastrar-se a outros países caso a saída viesse a ser desordenada.
De acordo com uma análise da agência, um eventual abandono do país da moeda única poderá trazer problemas a muitas empresas por toda a Europa. A dimensão do impacto dependerá dessa saída ser feita de forma ordenada ou desordenada, ficando, no entanto, Portugal, Espanha e Itália sempre no centro dos problemas.
«O contágio de uma hipotética saída da Grécia da zona euro pode prejudicar empresas por toda a Europa, mas principalmente se a saída for desordenada. Uma saída desordenada teria um impacto muito alargado com o potencial para ‘downgrades’ em toda a Europa, mas de forma mais concentrada em Espanha, Portugal e Itália», diz a análise.
Lusa/SOL