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'Portugal não pode abrandar o ritmo da consolidação orçamental'

22 de Maio, 2012
O economista chefe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), Pier Carlo Padoan, afirmou hoje que, apesar da previsão de recessão de 3,2 por cento este ano, Portugal «não pode abrandar o ritmo da consolidação orçamental».

Pier Carlo Padoan falava esta manhã na sede da OCDE, em Paris, na apresentação do 'Outlook' económico da instituição, que traça para Portugal as projecções mais pessimistas relativamente a 2013 até agora divulgadas por instituições internacionais: uma quebra de 3,2 por cento no crescimento da economia este ano e 0,9 por cento no próximo, e uma taxa de desemprego que deverá ultrapassar os 16 por cento no próximo ano.

Os números da instituição para Portugal no que diz receito ao crescimento da economia são também mais pessimistas do que os do Governo, que aponta para uma contracção de 3 por cento do PIB este ano, seguida por uma ligeira retoma de 0,6 por cento no próximo.

O economista-chefe justificou este pessimismo com «factores externos», como a quebra na procura externa, mas também com os «problemas de competitividade» da economia portuguesa.

De todo o modo, acrescentou, «Portugal não pode abrandar o ritmo da consolidação orçamental».

No capítulo do seu 'Outlook' dedicado à economia portuguesa, a organização prevê uma redução no consumo privado de 6,8 por cento este ano e 3,2 por cento no próximo, e um crescimento das exportações de 3,4 por cento em 2012, 5,1 por cento em 2013. Estes valores são menos optimistas do que os do Ministério das Finanças.

No entanto, segundo o relatório da OCDE, a situação em Portugal corre o risco de piorar: «Uma deterioração adicional das condições de crédito na zona euro teria impacto sobre a actividade económica», lê-se.

Por outro lado, a OCDE nota que as exportações têm evoluído «surpreendentemente bem, talvez devido à diversificação e ao efeito benéfico das reformas estruturais». Se esta evolução persistir, considera, a recessão «será menos profunda e a recuperação mais forte que o projectado».

Para o conjunto da zona euro, a OCDE prevê que a economia encolha 0,1 por cento este ano, crescendo apenas 0,9 por cento em 2013.

Lusa/SOL

Tags: OCDE, Economia



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