A chanceler alemã, Angela Merkel, voltou hoje a defender uma "cultura de sustentabilidade na política financeira" europeia, sublinhando que a Alemanha já deu o exemplo, ao consignar na Constituição o chamado "travão" à dívida.
Através deste instrumento, entretanto incluído também no Tratado Orçamental Europeu, Berlim comprometeu-se a reduzir o défice estrutural a menos de 0,5 por cento do Produto Interno Bruto, até 2016.
Em discurso proferido numa conferência, em Berlim, sobre sustentabilidade do meio ambiente, a chanceler aproveitou ainda para criticar outros países europeus que precisam de recuperar as suas economias, afirmando que o princípio da sustentabilidade das dívidas públicas "foi descurado durante demasiado tempo" em algumas capitais europeias.
"Quem gasta sistematicamente mais do que produz vive à custa das gerações vindouras, compromete o futuro", disse Merkel, sem especificar o destinatário ou destinatários da sua mensagem.
Na opinião da chanceler alemã, são necessárias duas coisas para debelar a crise das dívidas soberanas: um compromisso de todos de respeitar a disciplina financeira, como se impõe no Tratado Orçamental Europeu e, simultaneamente, mais reformas estruturais para que haja mais crescimento económico.
"Cada euro que se gasta no serviço da dívida falta para fazer investimentos, e cada euro que falta nos investimentos diminui a competitividade e, consequentemente, as perspetivas de crescimento económico", advertiu a chefe do governo germânico, em vésperas de um Conselho Europeu, em Bruxelas, considerado por muitos analistas decisivo para o futuro da moeda única.
Lusa / SOL