O presidente do Turismo do Algarve alertou hoje para as consequências negativas que as greves previstas na NAV e na TAP podem ter na actividade turística, levando ao encerramento de mais empresas e provocando mais desemprego.
António Pina disse à Lusa que «não está em causa a legitimidade desses trabalhadores para recorrerem a greves», mas pediu aos representantes dos controladores aéreos e dos pilotos da companhia de aviação portuguesa para «pensarem também nos outros trabalhadores e nas consequências que estas paralisações poderão ter».
O responsável do Turismo do Algarve considerou que as greves anunciadas pelos trabalhadores da NAV Portugal, para os próximos dias 29 e 30 de Junho e 1, 2 e 3 de Julho, e dos pilotos da TAP, entre 5 e 8 de Julho e 1 e 5 de Agosto, podem «afectar de forma profunda as Pequenas e Médias Empresas (PME) e o desemprego no Algarve», que já é a região do país com a maior taxa de pessoas sem trabalho.
«Estamos perante a situação bizarra de a greve e a luta pelos direitos de uns trabalhadores levar outros ao desemprego», afirmou ainda o presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve (ERTA).
António Pina explicou que esta preocupação, manifestada em nome da Direcção do Turismo do Algarve, tem por base as previsões da Academia do Turismo, um painel composto por cerca de 200 personalidades ligadas ao sector, que apontam para uma quebra no turismo interno e espanhol e um aumento do turismo externo.
«Com as medidas de austeridade e o aumento do IVA e as portagens na Via do Infante (A22), o turismo interno e espanhol deverá sofrer uma diminuição, mas há a esperança de que o turismo externo compense esta quebra. E isto pode afectar essa esperança», acrescentou.
O Turismo do Algarve referiu num comunicado que «as paralisações por parte dos trabalhadores da NAV e da TAP, que abrangem controladores aéreos e pilotos, vão afectar centenas de voos e terão efeitos desastrosos sobre o já debilitado sector turístico, com particular incidência noutros postos de trabalho e na situação financeira das empresas do sector».
A Direcção do Turismo do Algarve apela, por isso, a que «o diálogo seja reiniciado e que sejam encontradas as melhores soluções para os trabalhadores e, por consequência, para o Turismo Nacional».
Lusa/SOL