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Três milhões sem comprar roupa

26 de Junho, 2012por Frederico Pinheiro
A política de austeridade não está apenas a deixar os bolsos dos cidadãos mais vazios. Está também a torná-los mais velhos e usados. Cerca de 2,96 milhões de portugueses, o equivalente a 34,4% da população com mais de 15 anos, não compraram qualquer peça de vestuário nova, entre o início de Abril de 2011 e o final de Março de 2012, de acordo com um estudo da Kantar Worldpanel, especialista em hábitos de consumo, encomendado pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição.

Os resultados são um sinal de que a privação económica está a afectar as famílias portuguesas. Apesar de o estudo não o indicar, o sociólogo e investigador do Observatório das Desigualdades, Renato Miguel do Carmo, diz serem as classes média e baixa as mais prejudicadas pela crise económica e financeira, levando-as a abdicarem de bens como o vestuário.

«Parece haver uma reconfiguração dos hábitos de consumo das famílias», refere ao SOL o investigador. «Tudo é cortado, até os bens mais básicos, como o vestuário e até a alimentação».

As principais causas que estão a levar os cidadãos a usarem a mesma roupa durante mais anos, segundo o sociólogo, são o aumento do número de pessoas sem trabalho – cerca de 1,2 milhões – e a compressão salarial como política adoptada para aumentar a competitividade do país, na perspectiva do Governo.

Sacos de compras mais leves

Estas medidas estão na base de um ciclo vicioso que contrai de forma intensa o mercado interno, analisa o presidente da Associação do Têxtil e Vestuário, João Costa. Segundo o estudo da Kantar Worldpanel, mesmo quem foi às compras levou menos peças para casa: 35 unidades nos últimos doze meses, até ao fim de Março deste ano, contra 38 no período homólogo. Em média, os gastos totais ascenderam a 343 euros, menos 30 do que nos 12 meses anteriores.

Tal obriga as empresas portuguesas do sector a cortarem custos – despedir trabalhadores e fechar lojas – para se adaptarem à redução do consumo. João Costa tem esperança que a economia atinja «um ponto de inversão».

Enquanto esse dia não chega, as empresas do sector têxtil terão de continuar a apostar nas vendas para o exterior. «Cerca de dois terços das vendas do sector depende dos mercados externos», refere o também gestor da empresa Red Oak. Isto quer dizer que a quebra no mercado interno abala o tecido empresarial, mas as exportações ajudam as empresas a manterem-se vivas.

 

Descontos nas lojas

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística revelados esta semana, a percentagem do orçamento familiar gasto em vestuário e calçado caiu de 7%, em 2000, para 3% entre 2010 e 2011.

Já segundo dados do Eurostat, o consumo de cada português é 82% da média europeia. Portugal está em 17º lugar da União Europeia. Atrás estão todos os 10 países da antiga Europa de Leste.

É para mudar este cenário de quebra no consumo que lojas como a Zara começam hoje a vender produtos com descontos. Outras, como a Mango, já começaram, apesar da época oficial de saldos apenas arrancar no dia 15 de Julho.

frederico.pinheiro@sol.pt

 




15 Comentários
Quetzal
27.06.2012 - 21:23
Portugal atingira uma sociedade igualitária ,TODOS NA MISÉRIA!Os últimos 6 governos tem trabalhado exemplarmente nessa sociedade !Na Coreia do Norte não existem fiscais de finanças ,nem empresas privadas ,tudo o mundo de vez em quando tem direito a meia tigela de arroz ,Portugal está no cominho do bom socialismo porque em Portugal não se pode sequer se micro empresário ,viver do RSI é mais aconselhável!
ASS1719
27.06.2012 - 18:55
SE OBSERVAREM COM ATENÇÃO, MUITAS CASAS COMERCIAIS ESTÃO A FECHAR, E POSTERIORMENTE, SÃO OS CHINESES, QUE VOLTAM A ABRIR. ESTES COMEÇARAM, POR: VENDA DE BUGIGANGARIAS, DEPOIS PASSARAM AO VESTUÁRIO, E CALÇADO. POR FIM, JÁ TÊM LOJAS COM PRODUTOS DE HORTICULTURA. AMANHÃ, TOMAM CONTA DOS COMBUSTÍVEIS, NÃO FALANDO DA ELECTRICIDADE.
NA DÉCADA DOS ANOS 80/90, HOUVE MUITOS RESTAURANTES QUE FORAM COMPRADOS PELOS BANCOS, ATÉ ALGUMAS TASCAS, PASSARAM A SER DEPENDÊNCIAS BANCÁRIAS.
MORAL DA HISTÓRIA: ABRIRAM MUITAS EMPRESAS EM PORTUGAL, QUE NÃO TINHAM UM MÍNIMO DE SUSTENTAÇÃO, MAS ENFIM, OS DITOS EMPRESÁRIOS, ALIÁS, CONHECI MUITOS QUE ABRIAM EMPRESAS EM VÃOS DE ESCADA. O QUE INTERESSAVA, ERA ABRIR, ERA UM MANJAR PARA AS FINANÇAS. RESULTADO, ESTÁ À VISTA. HÁ CRISE, É VERDADE, MAS SE VIRMOS AS COISA EM TERMOS COMPARATIVOS, DEU NO QUE DEU. MUITAS EMPRESAS FORAM DESCAPITALIZADAS, PARA A COMPRA DE BOAS VIVENDAS, CARROS DE LUXO, GRANDES VIAGENS, ENTRE OUTRAS COISAS, NÃO AGUENTARAM A PEDALADA. INFELIZMENTE CONHECI, E CONHEÇO MUITO DESTE HISTORIAL. MUITOS NÃO TÊM UM CÊNTIMO NO BANCO. SÃO MENTALIDADES, NÃO PRETENDO FAZER JUÍZO DE VALORES. CADA UM MANDA NO SEU DINHEIRO.
Quetzal
27.06.2012 - 17:27
Temos tido nestes últimos 15 anos uma cambada de idiotas que pensam que as empresas são minas de ouro inesgotaveis ,depois dá nisto .Fecharam dezenas de milhares e continuaram a fechar ainda mais pois trabalhar com prejuízo consecutivo ninguém aguenta por muito tempo!Ponham mais impostos especiais opor conta seus idiotas para fecharem o resto ,há 16 anos muitos aplaudiam estas medidas pois diziam á boca cheia»««está todo o mundo a fugir ao fisco ,blá ,blá ...assim fechadas ninguém foge ao fisco palermas!Os fiscais das finanças para meter nojo diziam ```»»«A gente bem sabe como elas se fazem,,,idiotas do cara***** agora não é preciso fiscais ,até sobram despeçam-nos ,assim poupa-se nos salários desses m****s!
GUEDES1955
27.06.2012 - 16:17
Aqui ao fundo desta página, por debaixo dos comentários dos ilustres portugueses, estão três fotografias do grande causador da desgraça:
pauloc
27.06.2012 - 09:06
E tudo por causa de uma crise que não existe. Depois de todas as nossas empresas vendidas ao grande capital a crise acaba.
Banze
27.06.2012 - 07:47
As famílias e empresas estão cada dia a ficar mais pobres, sendo prever que muitas empresas já não abrirão as portas depois das férias de verão. O orçamento de estado vai precisar de novo retificativo.
As empresas exportadoras têm outras empresas PME que trabalham para elas. As empresas exportadoras representam quantos postos de trabalho? 4% ? 5% ? nem que dobrem as empresas exportadoras conseguém absorver 5% dos desempregados.
É uma grande mentira o governo dizer que as exportações são a solução dos problemas económicos.
E as empresas do mercado interno. Querem fecha-las? Já não falta muito e vamos ter 2 milhões de desempregados
DEIXALA
27.06.2012 - 05:38
Adoro este SOL...
?
Aproveitou logo para dar uma ajudinha à D.Zara e Mangona!Estas podem começar a fazer descontos mais cedo visto que também são as que começam a vender mais caro os mesmos trapinhos?
Zeus
27.06.2012 - 03:22
É o “sucesso” do Euro e da UE. Pelo menos no dizer dos nossos políticos que são lambe-cús da Cabra NAZI Boche Merkla.

Quanto mais depressa o Euro e a UE acabarem e cada País começar a Governar o seu destino melhor para todos. Esta UE se continuar vai inevitavelmente conduzir a Europa a novas Guerras. Os primeiros sinais disso já são visíveis em vários países.

Nigel Farage é o único líder Europeu com uma visão realista da UE e do Euro. Todas as previsões feitas pelo sr. Nigel Farage nos últimos anos sobre o Euro e a UE acertaram a 100%. Em contraste com todas as previsões feitas pela Comissão Europeia do Maoísta Barroso. E estão gravadas, pelo o que é fácil comprovar. Veja-se o vídeo:

“Nigel Farage was right!”
http://youtu.be/Wb-MWoZKYmg

Razão tem o sr. Vladimir Bukovsky, o mais famoso dissidente Soviético, que mostra no seu video as semelhanças que existem entre a construção desta UE e a da ex-União Soviética.
“The European Union - the New Soviet Union?”
(http://youtu.be/bM2Ql3wOGcU)
Rtheghost
27.06.2012 - 00:50
Eu não estou nessa estatística... comprei 12 pares de meias por 5 euros.
Leinad
27.06.2012 - 00:43
Primeiro, não comprar roupa não indica desde logo dificuldade. Eu não compro roupa desde Janeiro de 2011 e não é por dificuldade, é por não ter necessidade. O meu guarda roupa tem roupa de verão actualmente. No guarda roupa do outro quarto está a roupa de inverno (e no geral mais quente). Vindo o tempo frio troco a roupa de um guarda roupa para o outro. Sempre fiz isto, chego a passar ano e meio a dois anos sem comprar roupa nova simplesmente porque não tenho qualquer necessidade e não é por isso que a roupa passa a "parecer velha"... Tudo bem que quando compro é logo às 5 e 6 mudas completas (mas isso conta tanto casual como de trabalho).

Habituei-me desde pequeno a assim, compro quando há necessidade e não porque muda a estação do ano. E lembro-me que há uns 15~20 anos as famílias portuguesas tenham mais esse hábito também, mas infelizmente mudaram-se os hábitos (o boom dos centros comerciais) e passou-se a comprar roupa sempre que se sai de casa. Mais rapidamente compro uns sapatos ou ténis, que esses sim "gastam-se" bem depressa, do que compro roupa. Mas mesmo isso, os últimos que comprei foi uns ténis e vai para um ano (com 1 par já bem gastos para o que der e vier, já a quererem abrir a boca, e outros 2 já com largo uso mas conservados... sapatos muito dificilmente comprarei, 2 pares já com 5 anos e parecem novos... há técnica, ir trocando entre eles, para arejarem e não necessitarem de ser lavados tantas vezes, e nunca comprar somente porque fica bem com a roupa, comprar algo mais "genérico" que fique bem com o máximo de combinações possíveis).

Não digo com isto que não haja quem não compre ou se coiba de o fazer por ter dificuldades, porque há. Mas arrisco-me a dizer que grande parte dos que compravam roupa e agora não compram, quando compravam não era por necessidade ou para satisfazer um desejo uma vez por outra.
Siffrediano
27.06.2012 - 00:25
Três milhões sem comprar roupa e umas "vips" neste país com dinheiro para comprar sapatos Loubotin de 500 euros cada par e até sandálias da Fly London a mais de 100 euros o par(umas sandálias!!)!!!Enfim...Há uns que dão umas dezenas de euros por ano(nem por mês é!!)para comprarem umas peças de roupa,e "outros/as" que têm a carteira recheada chegando a gastar centenas de euros em cada compra de cada vez que vão a uma loja!!Podem acreditar pois já presenciei tais actos.
macanudo
26.06.2012 - 22:23
Esta já tem BARBAS!!!!
Não se recordam daquele político que arregaçou as calças e disse «PORTUGAL ESTÁ DE TANGA»!!!!
GALAICOLUSITANO
26.06.2012 - 22:17
TUDO EM CUECAS PARA A RUA DE PISTOLAS NA MÃO.
Manuel Rocha Rocha
26.06.2012 - 21:24
MOVC
26.06.2012 - 21:12

Quer dizer com isso que não se passa nada mal em Portugal?

Vivem todos bem?
MOVC
26.06.2012 - 21:12
Dada a minha idade, quejá vai longa, recordo bem que no tempo em que era miuda, as pessoas comuns -nem pobres, nem ricas- só compravam a roupa de que precisavam, aparte uma rara extravagância por ocasião de um evento especial.Isto porque a aquisição compulsiva, como forma de auto-compensação para todas as frustrações pessoais não tinha ainda tomado conta dos cérebros, que aliaz nesse tempo eram mais sólidos, digo eu.Infelizmente, no presente, não comprar uma peça de roupa durante um ano é tido como sinal de miséria, de catrástofe social e de desgraça terrível. Os tempos mudam!


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