segunda-feira, 21 de Abril de 2014, 13:09
Pesquisa
pesquisar
Emprego Imobiliário Motores
iPad
Ajuda externa: Bem-vindos a 1984

22 de Setembro, 2012por Ricardo Rego
Com o FMI no país e os portugueses na rua, o PSD ameaçava não votar o OE do ‘seu’ Bloco Central. As contas públicas derrapavam. A oposição pedia a demissão de Soares. As semelhanças com os dias de hoje são assustadoras.

Qualquer semelhança entre a crise de 1983-85 e a actual – política e económica – não é coincidência. É antes a prova de como a estabilidade das coligações é testada quando se trata de definir os grandes planos estratégicos para o país em ambiente de resgate internacional.

Em 1984, Mário Soares e Mota Pinto lideravam um Governo de coligação PS-PSD que pediu ajuda ao FMI em Agosto do ano anterior, poucos meses depois de o PS vencer as eleições legislativas de Abril com 36,11% dos votos. O CDS, então na oposição (lugar que hoje pertence ao PS), não perdia a oportunidade de capitalizar as notícias sobre as alegadas rupturas no Governo. «Começou por se pensar que este Governo ia durar quatro anos, mas a sua incapacidade, aliada à instabilidade do PSD, levaram a concluir que o Executivo apenas duraria até às Presidenciais. Hoje, já nem nesse prazo se acredita», sentenciava o líder dos centristas em 1984, Francisco Lucas Pires, num debate no Parlamento onde, aliás, apresentou uma moção de censura no final deste ano.

O país estava em crise e os indicadores não deixavam espaço para dúvida: a taxa de desemprego subia aos 10,6% e a inflação estava nos 30,8%; a recessão prevista, 1%. E os custos sociais da segunda presença do FMI em Portugal – a primeira foi em 1977 – notavam-se nas ruas à medida da perda do poder de compra. «Todos os números estão a vermelho: a inflação, o desemprego, os depósitos a prazo, a economia paralela institucionalizada», apontava Lucas Pires.

O Orçamento do Estado (OE) para 1985 era, por isso, determinante para o país receber a última tranche do empréstimo do FMI. Mário Soares prometia aos portugueses que a instituição financeira deixava de ditar as regras ao país em 1985 e tratou de fazer cumprir uma série de medidas de austeridade para garantir a boa avaliação e minimizar as «dificuldades com o FMI» que, segundo o Expresso, via com «desagrado a derrapagem das contas do sector público alargado». Receita: desvalorizar a moeda e procurar consensos para um ano que prometia ser de rigores.

Soares jogava as presidenciais

Na prática, Soares chamava-lhe política de rigor e de verdade. Implicaria um ano de sacrifícios com algumas perdas de regalias em sectores como a Saúde e a Segurança Social.

O PSD de Mota Pinto, dentro do Governo, insistia nos grandes cortes no sector público. Ernâni Lopes, ministro das Finanças, viu o apoio de Soares reforçado no desafio de manter o défice de 85 em 7,5% do PIB, mas demorou algum tempo a convencer os sociais-democratas da coligação. Antes, era arrasado no Parlamento por não conseguir explicar um buraco de 73 milhões de contos no Orçamento Suplementar de 1984, quando o memorando com o FMI previa apenas um buraco de 23 milhões. Por causa disso, o grupo parlamentar do PSD ponderou, até à última, a abstenção na votação do diploma.

PCP e CDS já vinham insistindo na remodelação urgente no Governo desde o início do ano. Ganharam um novo argumento quando os ministros da CEE adiaram a assinatura do acordo de adesão de Portugal à comunidade. Uma derrota para Soares – que jogava naquele mandato a adesão de Portugal à Europa unida e as eleições Presidenciais, sem perder de vista a estabilidade da coligação.

A oposição aproveitou para pedir eleições: «A coligação só se mantém por inércia. O único objectivo que parecia manter, já depois de todos os outros terem fracassado, era a integração europeia em Janeiro de 86. E isso acaba também por falhar. O primeiro-ministro tem de assumir este fracasso e demitir-se», ordenava o líder do CDS.

O primeiro-ministro socialista não via com bons olhos a forma como o Orçamento estava a ser tratado no seio do Governo e da coligação. O grupo parlamentar do PSD punha em causa alguns pontos da proposta Orçamental para 85 – como as verbas a transferir para as empresas públicas e para as autarquias que, neste caso, deveriam ser superiores às previstas no documento. «Soares não está disposto a deixar de aproveitar no próximo Orçamento as potencialidades que a correcção do desequilíbrio da balança das transacções correntes permite explorar, só porque o PSD não quer que ele seja candidato às presidenciais», explicava o Expresso.

Soares enfrentava um dos seus momentos mais difíceis. O FMI aguardava a aprovação do OE-85 para se pronunciar sobre a política económica do país. Temia-se uma terceira carta de intenções. Mais dura. Depois de uma maratona de três dias, o Conselho de Ministros não conseguiu o entendimento sobre o diploma. Cedência aqui, cedência ali, até que PS e PSD decidiram assinar um acordo: enterrar o assunto Presidenciais até Julho de 1985 e deixar passar um OE decisivo.

ricardo.rego@externo.sol.pt




70 Comentários
Antonyjunior
24.09.2012 - 15:41
Viriato Pedrada
24.09.2012 - 08:06

Nunca me importou ou importa que estejam em desacordo ou que sejam contra mim.
Importa acima de tudo que se fale e escreva verdade.
A verdade não tem cor…excepto a sua!

Desde o 25 do 4 de 74 até Setembro de 1982 governou o Conselho da Revolução reflectindo opções políticas e ideológicas decorrentes do período revolucionário, consagrando a transição para o socialismo, assente na nacionalização dos principais meios de produção e mantendo a participação do “Movimento das Forças Armadas no exercício do poder político”, através do Conselho da Revolução.

Não interessa quem era o 1.º Ministro; constata-se que mandava a esquerdalha!

Em 1977/78 o FMI emprestou-nos 111 milhões de euros.
Governava então Mário Soares desde 1976 a 1978 (27,5 meses) e mais que Soares governava o Conselho da Revolução, como sede da parasitagem! O custo das nacionalizações começaram logo aí a pesar na economia nacional.

Em Setembro de 1982, governo de Pinto Balsemão, é alterada a Constituição.
As Forças Armadas representadas pelo Conselho da Revolução DEIXAM de comandar os governos/poder político. (é criado o Tribunal Constitucional)

Portugal continua economicamente débil e em 1983 no governo em que Soares era 1.º Ministro, já sem Conselho de Revolução, é solicitada a 2.ª intervenção do FMI, cujo financiamento total, para que tudo ficasse conforme, corresponderia a cerca de 555 milhões de euros.(1983/85)

Em 2011 no governo de Sócrates são pedidos 78.000 milhões.
Portugal tinha dinheiro para mais 40 dias!
Aos 78.000 milhões deve somar 43.000 milhões do BCE.
Deve somar 30.000 milhões só do sector dos transportes rodoviários e ferroviários.
Deve somar outros calotes sabiamente escondidos à troika e à oposição da altura.
Como se verifica, esquerdalha e socialismo, com coincidência ou não, andaram sempre de mão dada no calote e nos empréstimos.

Por último, um governo de gestão pode e deve tomar todas as decisões excepto a feitura de leis ou decreto-lei. Sendo Sócrates o 1.º ministro, competia-lhe pedir o empréstimo.
Viriato Pedrada
24.09.2012 - 08:06
A história repete-se e o que aconteceu agora, já aconteceu noutros tempos. Então vamos ver quem chamou e quem provocou a vinda do FMI.

Então eu explico:

A 1ª vez, Soares chamou o FMI, no seguimento do PREC, altura em que laranjas e azulinhos-céu se piravam para o Brasil e Espanha, deixando os socialistas a acantonarem a comunada e a aguentarem os revolucionários.

A 2ª vez, Soares chamou o FMI, em 83, em consequência da bancarrota deixada por Balsemão, Cavaco e João Salgueiro, que teve início com Sá Carneiro.

Assim se percebe a ânsia que o PSD teve para que fosse Sócrates a chamar o FMI, mesmo que sem legitimidade porque em gestão, para que nunca se diga que o PSD já o fez.
Não o fez, preferiu deixar para os outros !!

http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/06/resgate-portugal-nao-era-necessario.html

http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/07/licao-de-educacao-bancada-do-psd.html

http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/09/europa-tres-anos-de-crise-da-divida.html


DEIXALA
24.09.2012 - 07:29
ACABEI DE LER QUE O PS fazia coligação com o PSD?E o então partido da cristandade tudo fez para atirar a coligação peça sanita abaixo,por conveniência!
Antonyjunior
24.09.2012 - 01:06

MPortugal
23.09.2012 - 22:48

Se a ideia é dizer que estamos a passar por um tempo semelhante a 1984, estão a tentar enganar a a malta. 2012 é muitíssimo pior.

---2012 é pior porque Sócrates foi mais sofisticado e o melhor.
A crise, como diz, assim o indica. Os socialistas e a esquerdalha já por (3) TRÊS vezes fazem a linda caca de vender o país!

Quando tudo estiver resolvido, o ps e esquerdalha que governa bem com o dinheiro dos outros, voltam ao poder para venderem novamente o país.

Depois vem outros armados em otários e bons e, em vez de vos limparem o sebo, voltam a recuperar o país.

E depois é sempre a mesma treta...repetitiva...com outros Robins Hoods CALOTEIROS.

Siga a festa...
Aderitos
24.09.2012 - 00:18

O CDS, então na oposição (lugar que hoje pertence ao PS),

O CDS não estava coisissima nenhuma no lugar que hoje pertence ao PS. Para refrescar a memória ao escriba dete artigo, aí vai o resultado das legislativas de 1983 das quais se formou o governo do bloco central.

Resumo das Eleições Legislativas Portuguesas de 1983



Partido

Votos

Votos (%)

Votos (±)

Assentos

Assentos
(%)

Assentos
(±)





Partido Socialista(a)

2 061 309





36,11%
+36,11%

101

40,4%

+101





Partido Social Democrata

1 554 804





27,24%
+27,24%

75

30%

+75





Aliança Povo Unido(b)

1 031 609





18,07%
+1,32%

44

17,6%

+3





Centro Democrático Social

716 705





12,56%
+12,56%

30

12%

+30





Partido da Democracia Cristã

39 180





0,69%
+0,69%

0

0%

0











Partido Social Democrata


1 554 804





27,24%










Aliança Povo Unido(b)

1 031 609





18,07%


44








Centro Democrático Social

716 705





12,56%

30



MPortugal
23.09.2012 - 22:48
Se a ideia é dizer que estamos a passar por um tempo semelhante a 1984, estão a tentar enganar a a malta. 2012 é muitíssimo pior.
ASS1719
23.09.2012 - 16:04
SALAZAR, ANDA CÁ ABAIXO VER A TRAMPA QUE ANDAM A FAZER!..
tratorderasto
23.09.2012 - 13:43
As falências existem,os socialistas de uma maneira ou doutra estão envolvidos.
Para mim as falências são uma diversão.
Sensor
23.09.2012 - 13:14
A verdade é esta: - sempre que a sequiosa cáfila máfiosa do PSD queria ir "ao pote" arranjava maneira de afundar externamente Portugal e depois abocanhar a presa.


Sempre foi assim, e sempre assim será se não aprendermos.

*
Os outros Partidos podem ser todos eles uma grande trampa, mas uma diferença há fundamental. Quando falamos de PSD não falamos de um partido politico português, falamos de uma agremiação tentacular com interesses, vínculos e submissa a poderes abancados nos piores lugares do mundo. Aprendam otários tugas e livrem-se desta praga.
Nandez
23.09.2012 - 13:00
muitas coisas iguais, mas as moscas/politicos e ladroes, são os mesmos, as mesmas mherdas, e assim, muito mais mherdisses, e como atrás se diz, os ladroes são sempre a mesma raça, ou seja politicos....e daqui poe 20 anos mais ou menos, haverá situação semelhante, com os politicos sempre prontos a meter a mão no dinheiro do povo.
feleizmente que daqui a 20 anos a familia sóares não terá fundação, e o velho sóares, um refinado patife, estará morto...bem morto,
MariaPortuguesa
23.09.2012 - 12:59
parasol
23.09.2012 - 12:42

Tens razão, pá! O Sócrates é o herói deste povo, nós é que somos uns ingratos. Vai lá buscá-lo a Paris para ele vir resolver os milhões que voaram, que não é culpa dele (nahhh!) mas ali do vizinho da esquina porque deixou a janela aberta.
parasol
23.09.2012 - 12:42
unicornio
23.09.2012 - 11:14 Socrates nunca teve o povo contra ele. Teve komunas e oportunistas.
Nunca, no tempo de Socrates houve uma manif em que até a Catarina do bloco de esquerda foi apupada.
Nos tempos do Prec a komunada trauliteira desculpava-se com a herança fascista.
Agora a direita trauliteira desculpa-se com a herança Socratica.
Os mesmos metodos, as mesmas desculpas, os mesmos resultados.
jcesar
23.09.2012 - 12:15
unicornio
23.09.2012 - 11:14

Sócrates em 6 anos aumentou a dívida pública de 68% para 94%.

Período em que quase todos os Países da União Europeia aumentaram as suas dívidas públicas em mais de 20%.

Até a Alemanha que é a maior economia da zona Euro passou a sua dívida de 60% para mais de 80%.

Este Governo em pouco mais de um ano já passou a dívida de 94% para 115%.
Façam as contas, e digam lá afinal quem é o mais gastador.

Não conseguem controlar o défice, cada vez gastam mais.
O desemprego passou de 11% para 16% e a subir.
unicornio
23.09.2012 - 11:17
Niajar
23.09.2012 - 01:38


Acabem mas é com o RSI para a ciganada toda e esta merdha melhora logo....


E porque não acabar com os pedófilos paulo merdoso pedroso e ferro rodrigues que foi que o iunvento?.
unicornio
23.09.2012 - 11:14
Sem comentários.
Está tudo dito.

O ex-presidente do PSD, Luís Marques Mendes, afirmou esta noite estar contente pelo facto de o primeiro-ministro «ter dado sinal de saber ouvir o povo» ao admitir «deixar cair» as alterações que anunciou na Taxa Social Única.

«A coisa que me alegra é Pedro Passos Coelho já ter dito que está disposto a deixar cair a medida em sede de Concertação Social, com os parceiros sociais na próxima semana», afirmou Marques Mendes, na intervenção que proferiu em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, num jantar-comício promovido pelo PSD/Açores, segundo cita a Lusa.

Para Marques Mendes, que é membro do Conselho de Estado, o primeiro-ministro e líder nacional do PSD «tomou a decisão de ouvir o povo, em vez de ser teimoso», defendendo que, «se o engenheiro José Sócrates tivesse ouvido o povo e o que lhe diziam, às tantas o povo não passava hoje pela austeridade que passa».

«Se querem falar verdade, temos de dizer a verdade toda. O erro maior foi do Governo anterior, que deixou o país na banca rota», afirmou.

Marques Mendes admitiu que o atual executivo liderado pelo PSD «certamente que também comete erros», mas frisou que «quem criou esta situação terrível não foi Passos Coelho, nem o PSD, foi o PS, quando esteve no Governo».



jcesar
23.09.2012 - 10:40
Acabem mas é com o RSI para a ciganada toda e esta merdha melhora logo....

Niajar, muito inteligente.

Uma medida que representa à volta de 02% do PIB, se acabar com ela acha que acaba com os nossos problemas.

O grande problema é termos um Estado demasiado Gordo, com muitos afilhados, clientelas, e muitos boys, que este Governo prometeu reduzir, mas essa promessa ficou na gaveta.
parasol
23.09.2012 - 09:52
anomimo
23.09.2012 - 02:41 Aprendeste isso nas aulas de propaganda e subversão? Não estavas com atenção. Estás muito incoerente.

parasol
23.09.2012 - 09:51
Tonio
23.09.2012 - 09:39 As forças armadas, tal como em 1974 estão à espera de um aumento do vencimento.
A tanto os leva o petriotismo.
Tonio
23.09.2012 - 09:39
De que estarão à espera as Forças Armadas? Que a situação da Nação se deteriore completamente? Ou à espera que este Governo Anti-Patriota lhes dê uma migalhas daquilo que está a roubar aos Portugueses? Não me venham com a conversa de que a Marinha está a investigar se Militares no Activo e fardados foram à Manifestação em Belém. Se foram fizeram eles muito bem pois não serão coniventes com este Governo Anti-Patriota que, a coberto dum Memorando que os Portugueses nem sequer conhecem, leva este País para o descalabro total. Estão à espera de quê?!
anomimo
23.09.2012 - 02:41
Parabéns ao Sol por tentar virar a verdade ao contrário (mentira) mas o CDS de 1984 não é o PS de 2012, embora sejam ambos uma grande bosta. Um porque se travestiu de partido de centro, embora sendo um partido de extrema-direita, o outro porque faz passar a ideia que é líder da Oposição e alternativa ao Governo vigente, não sendo nada disso.



PUB
PUB
Siga-nos
CD Carríssimas Canções de Sérgio Godinho
Assinaturas - Revista FEEL IT (PT)
Siga o SOL no Facebook


© 2007 Sol. Todos os direitos reservados. Mantido por webmaster@sol.pt