O vice-chanceler alemão e ministro da economia, Philipp Roesler, considerou hoje «exemplar para a Europa e para o mundo» a aplicação do programa de ajustamento financeiro em Portugal, após uma reunião com o homólogo português, em Berlim.
«Apesar de todas as dificuldades, Portugal tem conseguido implementar a consolidação orçamental e as reformas estruturais, um caminho muito difícil, mas que está a ser traçado de forma exemplar para a Europa e para o mundo», disse o político liberal, à margem da Bolsa de Contactos Portugal Plus, na capital alemã, para promover as exportações portuguesas e incentivar os investimentos alemães no país.
«Portugal está a percorrer um caminho extraordinário, e chegou o momento de lhe dar vida económica», acrescentou Roesler.
O vice-chanceler alemão comentou também as recentes manifestações contra a ‘troika’ e a política de austeridade em Portugal, admitindo que «as reformas são difíceis para as pessoas», e mostrando «respeito pela via de concertação social» do governo PSD/CDS.
Convidado pelos jornalistas a comentar o descontentamento que se traduziu nas recentes manifestações, Álvaro Santos Pereira, por seu turno, sublinhou o «espírito de união que tem existido em Portugal», acrescentando que, para ultrapassar as dificuldades actuais «é necessário manter o diálogo social».
«As pessoas estão preocupadas com o seu futuro, o governo mantém o diálogo social, mas só mantendo também a consolidação orçamental e as reformas estruturais conseguiremos sair da crise», disse o ministro luso.
É este conjunto de factores, acrescentou, «que distingue Portugal de outros países da Europa, fomos e seremos capazes de manter a paz social», garantiu Santos Pereira, dando como exemplo o acordo alcançado já depois das manifestações para a reforma do trabalho portuário.
Lusa/SOL
"Portugal vai dar a volta à crise mantendo o diálogo social", reiterou o ministro da economia.
Os dois ministros, que discursaram também na abertura da primeira edição do Portugal Plus, em Berlim, sublinharam ainda que esta bolsa de contactos "já começou a dar frutos", traduzidos em negócios fechados por empresas portuguesas.
Na bolsa de contactos participaram 16 empresas portuguesas de vários ramos de actividade, e cerca de duas dezenas de firmas que não se deslocaram a Berlim têm também contactos programados com parceiros alemães.
A bolsa de contactos estará também na quinta-feira, em Estugarda, para que as empresas portuguesas possam apresentar-se a potenciais clientes ou parceiros do sul da Alemanha.
Outras duas iniciativas do género marcadas para Essen e Munique foram entretanto anuladas, "por razões logísticas", como explicou à Lusa Bernardo Meyrelles, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, instituição que coordenou esta acção a partir de Lisboa, com o apoio dos governos português e germânico.