As cidades portuguesas de Almada, Aveiro, Cascais, Gaia e Lisboa destacaram-se pelo seu grau de inteligência urbana, no ‘Índice de Cidades Inteligentes 2020’.
Portugal tem cada vez mais cidades inteligentes e vai conquistando lugares nos rankings de cidades sustentáveis. O Porto classificou-se na 12ª posição de uma lista composta por 31 cidades europeias no European Green City Index e no Índice de Cidades Inteligentes 2020 – um estudo elaborado por um grupo de trabalho da INTELI, apoiado pela Siemens. Almada, Aveiro, Cascais, Gaia e Lisboa foram as cidades que mais se destacaram pelo seu grau de inteligência urbana.
Mas como se mede a inteligência de uma cidade? De acordo com este estudo os principais pilares das iniciativas de cidades inteligentes centram-se em âmbitos como governação, energia, mobilidade, edifícios, gestão da água e resíduos, segurança, saúde, cultura, entre outros.
Controlo de tráfego em tempo real, gestão inteligente do estacionamento, infra-estruturas de carregamento para veículos eléctricos e promoção do transporte público e de modos alternativos de transporte são alguns exemplos concretos. Ou a utilização de equipamentos para monitorização do consumo de energia por via remota, iluminação pública inteligente, contentores de resíduos com sensores de limitação de carga e sistemas de telegestão para redes de distribuição de água a nível urbano.
«A opção por soluções sustentáveis com vista à criação de ‘cidades inteligentes’ é uma decisão que deve ser partilhada por todos os agentes da sociedade, incluindo os cidadãos. É importante saber comunicar as vantagens e a visão das smart cities, e envolver todos os decisores e utilizadores no processo da edificação do futuro mais sustentável», explica Fernando Silva, director de Smart Grids e Low and Medium Voltage da Siemens Portugal. O responsável admite ainda que a forte contenção financeira que vivemos poderá e deverá funcionar como um argumento a favor de soluções mais eficientes, que garantem maior poupança e economia de processos.
Em 2025, 600 cidades vão gerar 60% do PIB mundial
O estudo revela que as cidades agregam 50% da população mundial e contribuem para 60-80% do consumo e energia e 75% das emissões de carbono (UNEP, 2011), originando fenómenos de desigualdade e exclusão social. Este cenário tende a agravar-se quando se prevê um crescimento populacional de sete para nove biliões em 2040, principalmente nos países em desenvolvimento (ONU, 2012). Por outro lado, as previsões apontam para que as 600 maiores urbes do mundo produzam 60% do PIB mundial em 2025 (Mckinsey, 2011).
«Em resposta a este crescimento, as cidades a nível mundial, e as portuguesas não são excepção, terão de investir nas suas infra-estruturas de uma forma sustentável. Mas para concretizar este objectivo é necessário que as empresas estejam preparadas, disponibilizando aos decisores e, por via destes, às cidades, uma vasta oferta de soluções sustentáveis para a mobilidade, redes eléctricas, protecção ambiental e poupança de energia nos edifícios», refere director da Siemens.
Fernando Silva explica ainda que o conceito de smart city abarca cinco dimensões: Governação, Inovação, Sustentabilidade, Inclusão e Integração. As cidades sustentáveis do futuro já estão a ser pensadas numa lógica integrada. Este é um tema multidisciplinar que engloba questões no domínio económico, social, cultural, tecnológico, das acessibilidades, diversidade, qualidade de vida e, naturalmente, energia.
Um estudo recente (Lee & Hancock, 2012) fala da existência de 143 projectos de cidades inteligentes em todo o mundo: 35 na América do Norte, 11 na América do Sul, 47 na Europa, 40 na Ásia e 10 na África e Médio Oriente. Na Ásia e Médio Oriente prevalece a construção de cidades a partir do zero, e na Europa e América do Norte imperam projectos de regeneração urbana inteligente.
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