
Há seis meses, as Nações Unidas declararam a Somália como «zona de fome», hoje o estado de calamidade foi formalmente reduzido para o de «emergência humanitária».
Na escala - baseada na taxa de mortalidade - utilizada pela ONU a Somália, que estava no nível cinco, passou para o nível quatro, mantém-se, por isso, numa situação delicada em que é necessária uma assistência contínua.
Jose Graziano de Silva, o director da Agência para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO), afirma que «O Corno de África é a região mais importante para a FAO e vamos fazer o nosso melhor para aumentar a segurança alimentar na área», porque «Acreditamos que é possível ter um Corno de África livre da fome».
Depois de meses sem chuva, a 20 de Julho a ONU declararia que várias partes do país eram zonas de fome. Os somalis deslocavam-se para campos de refugiados no Quénia e na Etiópia, caminhavam, por vezes, durante semanas e os membros mais fracos das famílias – as crianças e os idosos - eram deixados para trás, para morrerem sozinhos.
Poucas semanas depois, quando dois adultos ou quatro crianças por cada 10 mil pessoas morriam de fome por dia, o estado de fome foi alargado e a comunidade internacional enviou aviões e barcos com ajuda humanitária. A crise, agora numa fase menos crítica, foi a pior desde 1991-92, quando centenas de milhares de somalis morreram à fome.
Há poucas semanas, um relatório conjunto da OXFAM e de outra organização humanitária veio revelar que a comunidade internacional foi demasiado lenta na resposta a esta crise, apesar dos pedidos de ajuda e dos avisos do desastre que se aproximava.
SOL/AP