A Grécia há muito que está no palco das atenções do teatro da Europa. Esta semana, os líderes europeus têm aguardado com ansiedade pela conclusão das negociações entre o governo de coligação, liderado por Lucas Papademos, e os principais partidos helénicos, com vista à aprovação de um acordo, exigido pela 'troika', para fazer cair mais austeridade no país.
Hoje, quinta-feira, as negociações internas na Grécia conheceram avanços significativos, embora ainda não tenham chegado a um consenso que permite levar o acordo a ser aprovado no parlamento grego, de modo a depois libertar os 130 mil milhões de euros do segundo pacote de ajuda externa.
O facto foi inclusive realçado por Wolfgang Schauble, ministro das Finanças alemão que, antes da reunião desta noite do Eurogrupo, em Bruxelas, sublinhou que o acordo final para libertar o segundo resgate à Grécia ainda não ficará fechado esta quinta-feira. Mas, em Atenas, o acordo interno para a austeridade tem já grande parte das medidas definidas, faltando ainda o consenso entre governo e partidos sobre os cortes a efectuar nas pensões.
O diário Ekathimerini anunciou a chuva de medidas de austeridade que o novo acordo vai introduzir na Grécia. Aqui ficam as principais.
- Redução em 22% do salário mínimo nacional, actualmente nos 751 euros. Para os jovens com menos de 25 anos, a redução será de 32%.
- O congelamento do salário mínimo para os próximos três anos.
- Aumentos salariais ficam congelados até à taxa de desemprego descer para os 10%. Actualmente, situa-se nos 19% - a Associated Press fala em 20,9%.
- O despedimentos de 15 mil funcionários públicos até ao fim de 2012, sob o objectivo de, até 2015, reduzir o número de funcionários para os 150 mil. No final de 2011, o governo grego revelou que existiam no país cerca de 714 mil funcionários públicos.
- Rever o estatuto especial dos salários de funcionários judiciais, médicos do Estado, diplomatas, da polícias e do pessoal militar.
- Redução em 15% das pensões de funcionários de empresas estatais.
- Privatização até ao final de Junho de várias empresas detidas pelo Estado, no sector do gás, petróleo e águas.
- Contratar 1000 auditores fiscais e aumentar até ao final de Abril o seu número total para os 2 mil.
- Recapitalização dos bancos gregos.
- Reduzir os gastos de cariz militar para 0,15% do PIB.
SOL