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Portugal e Grécia: o bom e o mau aluno

15 de Fevereiro, 2012por Diogo Pombo
É no limite da Europa à beira mar plantado que, do outro lado do Atlântico, se acredita estar o melhor exemplo de como se deve ‘obedecer’ às instruções para lutar contra a crise do euro. Os esforços a que a austeridade tem obrigado os portugueses, apesar de bem vistos, poderão não evitar um futuro mais optimista para Portugal.

Em suma, é esta a visão transmitida por um artigo publicado na madrugada desta quarta-feira pela edição online do New York Times. O texto explicar o caso português no meio do puzzle da crise financeira da zona euro, comparando-o principalmente à Grécia para não só tecer elogios, como igualmente para desenhar negras perspectivas para o nosso país.

A começar pelas diferenças. Ao contrário da nação grega, Portugal tem feito tudo o que lhe foi pedido quando, em Maio de 2011, a ‘troika’ – FMI, UE e BCE -, concordou em ceder um pacote de ajuda de 78 mil milhões de euros para o país recuperar uma dívida que, na altura, registava um défice de 107% em relação ao PIB.

Quase nove meses volvidos, o défice rondará agora os 118%. E para o diário norte-americano, a explicação não demora a ser resumida: de facto, a dívida portuguesa, em si, não aumentou, foi a economia que encolheu. Todas as reformas, cortes e ajustes, que foram apertando o cinto da austeridade, têm impedido que a dívida portuguesa aumenta, mas também que a nossa economia cresça.

O problema não é a dívida, mas a economia

Ao falar esta manhã na SIC, o jornalista Martim Cabral recorreu a um simples exemplo de crédito para explicar a situação descrita pelo NYT. Por alto, seria como se um qualquer cidadão português estivesse pagar a sua prestação mensal após um empréstimo do banco e, de repente, o seu salário fosse reduzido: as mensalidades (dívida) não aumentava, mas a sua capacidade financeira (economia) ia diminuindo.

De facto, as medidas adoptadas pelo Executivo de Passos Coelho e impulsionadas por Vítor Gaspar, ministro das Finanças e principal figura destacada no artigo, têm preservado a boa imagem portuguesa aos olhos da ‘troika’, ao contrário da Grécia, que tem sido alvo de exigências sucessivas, quase em forma de ultimato.

Ainda este fim-de-semana, a ‘troika’ exigiu que o governo de Lucas Papademos encontrasse maneira de poupar – leia-se, cortar -, mais 325 milhões de euros além dos cortes previstos no acordo para implementar novas medidas de austeridade no país, também exigido pelos responsáveis pela ajuda externa à Grécia. Esta semana, a ‘troika’ juntou a este outro pedido: uma garantia formal de todos os partidos gregos para que respeitem o acordo após as eleições legislativas marcadas para Abril.

Entre os condicionalismos que fazem divergir as dívidas portuguesa e grega, destaque para a principal diferença, no que a termo estritamente económicos diz respeito. Em Portugal, grande parte do valor da dívida é detido pelo sector privado, principalmente pelos bancos, que nos últimos 10 anos consumiram e gastaram mais do que lucraram. Na Grécia, porém, a dívida é detida pelo Governo, que financiou a maior parte do excessivo consumo dos últimos anos.

Apesar das boas perspectivas e elogios que Portugal vai recolhendo dos líderes europeus, David Bencek, um economista citado pelo diário sediado em Nova Iorque, defendeu que «a dívida [portuguesa] simplesmente não é sustentável» pois, e de volta a problema acima mencionado, «a economia real não tem estrutura para crescer no futuro e, portanto, não conseguirá pagar de volta a sua dívida a longo prazo».

Mesmo sem críticas, as previsões apontam para que a economia portuguesa não consiga crescer o suficiente para, no futuro, conseguir pagar a sua dívida. Mas, por enquanto, Portugal tem-se mantido afastado da turbulência e tensão que cada vez mais imperam na Grécia, que ainda é o centro das atenções da crise financeira europeia.

diogo.pombo@sol.pt




9 Comentários
gilgamesh
16.02.2012 - 16:28
Portugalix
15.02.2012 - 21:45

Assino por baixo! A Alemanha está a levar a UE pelo caminho errado. EStas politicas economicas impostas são suicidarias e iniquas! Isto vai dar molho vai!
Portugalix
15.02.2012 - 21:45
Poixxxxx.......Vamos alegremente a caminho da Banca Rota. A austeridade cega leva qualquer país à destruição, não havendo consumo onde fica a economia. O estado vive de impostos o dinheiro não nasce em arvores das patacas, como pode qualquer nação pensar pagar as dividas sem empresas, sem consumo ou seja sem IVA, sem impostos diretos e indiretos, com desemprego a crescer em prole das falências das empresas e os respetivos subsídios a ser pagos, qualquer recessão é sinonimo de perca de impostos. Quem investe num país que não tem estabilidade fiscal, uma justiça medieval em quem se lixa é o pé rapado, os ricalhaços empatam até prescrever. Por isso meus caros vão pondo as barbinhas de molho vamos a caminho da Grécia ou ainda pior. Mas temos comentadores burros que são os mesmos que diziam que Portugal não era como a Grécia nunca iria pedir ajuda financeira e aí está.
Carneirada
15.02.2012 - 20:12
"poderão não evitar um futuro mais optimista para Portugal."?????
Só li até este ponto e não percebi a ideia.
Porra, aprendam pelo menos a escrever!
OldPirate
15.02.2012 - 16:25

Nunca deixaram de ser turcos mas têm um ódio intestinal uns pelos outros.

quijote
15.02.2012 - 15:49
Portugal nunca terá crescimento económico sem ter pago primeiro o que deve. Os investidores de que Portugal precisa para crescer não arriscarão o seu dinheiro emprestando-o a caloteiros reconhecidos e certificados, e sem esse dinheiro não haverá emprego nem crescimento.
quijote
15.02.2012 - 15:46
A desgraça de Portugal é o monstro do estado social comunista, tal como na Grecia. Mas os gregos são caloteiros, aldrabões e mixordeiros, no fundo nunca deixaram de ser turcos.
cristinamrp
15.02.2012 - 15:39
Está muito deserto de comentários este artigo. Onde estão os direitistas sabichões e insultadores do costume? Diz aqui preto no branco que a DÍVIDA PORTUGUESA é a dívida privada, dos bancos que gastaram mais do que lucraram durante cerca de 10 anos e que a austeridade imposta por Bruxelas asfixia a economia real portuguesa e que o desfecho só pode ser o beco sem saída de Portugal não ser capaz de pagar a dívida de longo prazo. Em vez de peixeiradas porque não nos unimos todos para usar a cabeça e pensar em como vamos sair desta alhada em que nos metemos/meteram? Quando é que se vai começar a fazer política a sério que não seja na base do insulto, da mistificação dos factos, da discussão básica do Benfica/Sporting?? É que se sairmos do Euro e da Europa, já não temos colónias para nos safarmos e ou nos entendemos ou nos matamos uns aos outros.
gipsyking
15.02.2012 - 15:10
Espero que quem insistiu em chumbar o PEC IV, forçar o pedido de ajuda externa e ir para além da troika seja responsabilizado criminalmente.
AJPC
15.02.2012 - 14:11
O BOM É A GRÉCIA, O MAU É O TROIKA OS PASSOS MAU TSÉ -TUNG.


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