No meio do rebentar de uma crise interna, a chanceler alemã, Angela Merkel, anulou hoje a visita que tinha prevista a Roma e manifestou um «profundo pesar» pela demissão do presidente Christien Wulff, numa declaração dada esta manhã à imprensa, apenas hora e meia depois do anúncio.
Wulff, para quem o ministério Público de Hannover pediu na quinta-feira o levantamento da imunidade devido a suspeitas de prevaricações, anunciou a sua demissão nesta manhã de sexta-feira alegando que o país «precisa de um presidente capaz de resolver os desafios nacionais e internacionais sem impedimentos».
Merkel deveria encontrar-se hoje em Roma com o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, mas a deslocação foi adiada, segundo o governo alemão, para a próxima semana, se possível.
Desde meados de Dezembro, Christien Wulff tem sido alvo de críticas dos media alemães, que o acusam de ter tentado abafar um caso de crédito privado concedido pela mulher de um amigo industrial quando era chefe do governo da Baixa Saxónia.
Desde então, o presidente alemão não tem parado de ser alvo da divulgação de novos casos. Depois de rejeitar sempre as acusações de que era alvo, acabou por apresentar a sua demissão esta sexta-feira.
'Grande respeito e profundo pesar'
Angela Merkel, que nomeara o também membro do seu partido convervador União Democrática Cristã para a presidência em 2010, falou aos jornalistas cerca de uma hora e meia após o anúncio da demissão e afirmou que recebeu a notícia com «grande respeito e profundo pesar»
Segundo o jornal alemão Der Spiegel, a chanceler observou também que os recentes acontecimentos ressalvam a força do sistema jurídico alemão, mostrando que todas as pessoas são tratadas de forma igual, idependentemente da sua posição política ou económica.
A Alemanha tem agora 30 dias para convocar a Assembleia Federal que procederá à eleição de um novo presidente. Até lá, Angela Merkel manifestou a intenção do seu governo de coligação de aproximar todos os partidos políticos num esforço para encontrar o «candidato comum» para substituir Wulff.
Até lá, Wulff anunciou que Horst Seehofer, líder do União Social Cristã da Baviera, partido irmão da CDU de Merkel, vai assumir as responsabilidades.
(actualizada às 13h17)
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