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Protagonistas da crise na Guiné-Bissau discutem solução para regresso dos civis ao poder

29 de Abril, 2012
O conjunto dos protagonistas da crise na Guiné-Bissau reuniram-se hoje em Banjul, capital da Gâmbia, num encontro presidido pelo presidente gambiano, Yahya Jammeh, para tentar encontrar uma solução que garanta o regresso dos civis ao poder.

«Não temos nada contra o povo da Guiné-Bissau. A Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO) está lá para vos ajudar a resolver os vossos problemas, mas posso também garantir-vos que a paciência da CEDEAO está a esgotar-se», declarou, citado pela AFP, o chefe de Estado gambiano na abertura dos trabalhos, em que participaram os ministros dos Negócios Estrangeiros de sete países oeste-africanos do «grupo de contacto», constituído por aquela organização.

«Em menos de sete anos, quantos presidentes da Guiné-Bissau perderam a vida? Quantos chefes de estado-maior perderam a vida? Quantas pessoas foram mortas em total impunidade?», questionou Yahya Jammeh às três dezenas de personalidades guineenses presentes, entre as quais representantes da junta militar que tomou o poder no país no passado dia 12 de Abril, mas também membros do conjunto da classe política, autoridades religiosas e da sociedade civil.

«Estamos aqui para dizer-vos que em último recurso, ou vocês escolhem uma solução pacífica com a CEDEAO, ou a CEDEAO tomará medidas para pôr fim ao que se passa em Bissau», preveniu também o presidente gambiano.

Desde a sua independência em 1974, a Guiné-Bissau vive ao ritmo dos golpes de Estado, tentativas de golpe e assassinatos políticos sob o fundo de rivalidades para controlar o tráfico de cocaína.

Na passada quinta-feira, os chefes de Estado de seis países da África ocidental, reunidos em cimeira extraordinária em Abidjan, deram um ultimato de 72 horas aos golpistas para que aceitem as decisões da CEDEAO com vista ao regresso à ordem constitucional, sob pena de sofrerem sanções individuais, diplomáticas e económicas.

No dia seguinte, a junta militar anunciou que aceitaria as exigências, que incluem uma transição no prazo máximo de doze meses e aceitação do envio para o país de uma força militar regional. Num segundo sinal de compromisso com o acordo, o presidente interino deposto, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, detidos no dia do golpe, foram libertados e evacuados para a capital da Costa do Marfim.

A força da CEDEAO, que deverá contar com entre 500 e 600 homens, condiciona a sua chegada à Guiné-Bissau à saída dos 650 soldados angolanos presentes no território desde 2011 e cuja presença, fortemente contestada pelo exército guineense, foi uma das justificações declaradas do golpe.

Uma mini-cimeira que reunirá os chefes de Estado do grupo de contacto, inicialmente prevista para se realizar em Dakar, terá lugar em Banjul no próximo dia 3 de Maio, anunciou hoje a CEDEAO através de um comunicado.

Lusa/SOL

 




2 Comentários
quijote
30.04.2012 - 11:47
Qualquer governo civil que eventualmente tome posse em Bissau tem de reconhecer que o poder é do exército. Tal como o PSD em Lisboa governa sem hostilizar o poder do PCP.
icebreaker
29.04.2012 - 22:32
desde que os portugueses saíram de lá, da forma como saíram, que aquela terra nunca conseguiu ter paz.. mesmo entre eles que são todos primos uns dos outros, não há entendimento..

é claro que essa divisão, numa terra que até tem potencialidades e bastantes riquezas, não é de todo incocente.. se a esfera da Lusofonia for afastada (o que ainda não se conseguiu), é mais um anexo para a comunidade francófona..

com a pressão que o narcotráfico está a ter para se afastar da periferia americana, países ingenuos e manobraveis como este são uma Mina de ouro.. com a influência portuguesa é que é uma chatice, torna-se mais difícil de dominar o país


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