
Uma bomba atingiu esta quarta-feira um camião militar sírio na cidade de Deraa, ferindo seis soldados. O camião escoltava um comboio que transportava alguns observadores da missão da ONU naquele país, incluído o chefe da missão e um grupo de jornalistas que os acompanhava.
Um jornalista da Associated Press que se encontrava no grupo confirmou que a explosão atingiu em cheio o veículo militar, destruindo por completo as janelas e causando uma densa nuvem de fumo negro no local. O comboio onde viajavam não foi, no entanto, atingido.
Entre os seis soldados feridos, três foram imediatamente afastados do local para receberem assistência médica.
O atentado com uma bomba de estrada ocorreu apenas alguns segundos depois de o comboio que transportava o Major General Robert Mood, chefe do grupo de observadores da ONU na Síria, ter passado no local. A explosão ocorreu a apenas pouco mais de 100 metros de distância do referido comboio.
Permanece ainda incerto quem está por detrás da autoria do ataque. Todavia, acredita-se que o incidente possa ser uma resposta às recentes declarações do líder rebelde sírio, o coronel Riad al-Assad, que ameaçou retomar os ataques devido ao facto de o governo não estar a honrar o cessar-fogo prometido. «O nosso povo está a pedir que o defendamos», disse Riad al-Assad ao jornal sírio sediado em Londres Asharq al-Awsat.
As declarações publicadas ontem poderão estar na origem de uma nova fenda no já frágil plano de paz proposto pelo enviado especial da ONU, Kofi Annan, com vista ao cessar-fogo difinitivo entre as forças de segurança do governo de Bashar al-Assad e a oposição rebelde ao regime.
Ontem, Annan fez uma avaliação sombria da crise síria, ao afirmar que a violência permanece em «níveis inaceitáveis» e que o seu plano de paz pode mesmo ser a última hipótese de o país escapar a uma autêntica guerra civil.
AP/SOL