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África: mortalidade materna cai para metade em 20 anos

16 de Maio, 2012
O número de mulheres que morrem na gravidez e durante o parto caiu para metade nos últimos 20 anos, indicam dados hoje divulgados pela ONU, mas que alertam para os altos índices de mortalidade materna na África Subsaariana.

O número de mortes anuais associadas à maternidade passou de 543 mil em 1990 para 287 mil em 2010, uma redução de 47 por cento, adianta o relatório Tendências da Mortalidade Materna, dos fundos das Nações Unidas para a População (FNUAP), para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Apesar dos progressos alcançados, o relatório estima que muitos países, na maioria na África Subsaariana, não vão cumprir a meta dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), que prevê uma redução da mortalidade materna em 75 por cento em 2015.

Em 2010, o índice mundial de mortalidade materna situou-se em 210 mortes por cada 100 mil nascimentos, enquanto na África Subsaariana se registaram 500 falecimentos, a taxa mais elevada do mundo.

Os países em desenvolvimento desta região africana (162 mil mortes) e do Sudeste Asiático (83 mil mortes) concentram 99 por cento das mortes maternas registadas em 2010.

«Na África Subsaariana, uma mulher tem uma em 39 possibilidades de morrer durante a gravidez ou devido a complicações no parto, enquanto no Sudeste Asiático tem uma em 290 e nos países desenvolvidos uma em 3.800», adianta o estudo.

Entre os países lusófonos, Angola (450 mortes por 100 mil nascimentos), Moçambique (490 por 100 mil nascimentos) e Guiné-Bissau (790 por 100 mil nascimentos) continuam com altos níveis de mortalidade materna, adianta o relatório.

O texto sublinha os progressos de Angola e Moçambique, que em 20 anos conseguiram reduzir o número de mortes em 62 e 46 por cento respectivamente.

Na Guiné-Bissau, a redução, que se situa nos 29 por cento, é considerada insuficiente pelas Nações Unidas.

Cabo Verde (79 mortes por 100 mil nascimentos) e São Tomé e Príncipe (70) são juntamente com a Mauritânia os únicos países com baixas taxas de mortalidade na África Subsaariana, considerando as Nações Unidas que continuam a fazer progressos.

Em Timor-Leste, o número de mortes é de 300 por 100 mil nascimentos, mas o relatório considera que, com uma taxa de redução de mortes anual de 6 por cento, o país está no caminho certo para atingir em 2015 a meta de redução da mortalidade materna.

Portugal, que em 1990 registava 15 mortes por 100 mil nascimentos, reduziu para oito mortes, enquanto o Brasil as 120 mortes de 1990 caíram em 2010 para 56.

Os 10 países com maiores índices de mortalidade materna em 2010 foram a República Democrática do Congo (15 mil mortes por 100 mil nascimentos), Paquistão (12 mil mortes), Sudão (10 mil mortes), Indonésia (9.600 mortes), Etiópia (nove mil mortes), Tanzânia (8.500 mortes), Bangladesh (7.200) e Afeganistão(6.400).

O relatório destaca ainda que outros dez países - Bielorrússia, Butão, Estónia, Guiné Equatorial, Irão, Lituânia, Maldivas, Nepal, Roménia e Vietname - conseguiram cumprir antecipadamente a meta dos ODM para esta área.

O estudo adianta que a cada dois minutos uma mulher morre em todo o mundo por causa de complicações relacionadas com a gravidez ou o parto. As quatro principais causas de morte são hemorragias severas, infecções, hipertensão e aborto em condições precárias.

As Nações Unidas reconhecem que o principal desafio em matéria de estatísticas sobre mortalidade materna «é a falta de dados fiáveis», uma vez que nos países em desenvolvimento estas mortes são frequentemente mal classificadas.

Lusa/SOL




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