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Bissau: 'Cadogo' e Raimundo Pereira não renunciam

16 de Maio, 2012por Pedro Guerreiro
O Presidente interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, recusou hoje a nomeação pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de Serifo Nhamadjo para o cargo de Presidente de transição.

Numa declaração à margem da reunião desta quarta-feira entre Raimundo Pereira, o primeiro-ministro guineense Carlos Gomes Júnior, ambos depostos no golpe de 12 de Abril, e representantes dos países lusófonos na sede da CPLP em Lisboa, o chefe de Estado interno considerou a nomeação de Nhamadjo «absolutamente inconstitucional». Raimundo Pereira disse ainda que «nunca» renunciou ao cargo assumido interinamente após a morte, em Janeiro, de Malam Bacai Sanhá.

Mais tarde, Gomes Júnior foi taxativo sobre a pretensão de lutar pela reposição da ordem constitucional na Guiné-Bissau, afastando a hipótese de exílio em Lisboa: «Para quê ficar em Portugal? Eu sou o primeiro-ministro da Guiné-Bissau! Vamos à luta!».

À porta da sede da CPLP, cerca de uma centena de guineenses manifestavam-se contra a acção golpista.

Gomes Júnior e Raimundo Pereira encontram-se desde as primeiras horas desta quarta-feira em Lisboa, onde mantiveram encontros com o primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho e o Presidente da República Cavaco Silva.

Portugal e CPLP continuam a condenar o golpe militar de 12 de Abril e a defender o reinício do processo eleitoral interrompido. Recorde-se que Gomes Júnior vencera a primeira-volta das presidenciais antecipadas, convocadas após a morte de Bacai Sanhá.

O apoio aos políticos depostos do PAIGC por parte da Lusofonia permanece garantido, apesar da decisão da CEDEAO, o bloco regional do ocidente africano, em nomear um chefe de Estado de transição, numa cedência aos golpistas.

Hoje, e corrigindo afirmações prévias que dariam a entender um apoio dos Estados Unidos a Serifo Nhamadjo, Washington fez saber que saúda os esforços de mediação da CEDEAO, mas que defende a reposição da ordem constitucional na Guiné-Bissau.

A discussão deverá voltar a subir às Nações Unidas, após uma semana em que os parceiros regionais violaram o aparente consenso em torno de Gomes Júnior e Raimundo Pereira.

pedro.guerreiro@sol.pt




4 Comentários
GUEDES1955
17.05.2012 - 10:00
Deixem a Guiné em Paz!
Os gaijos quiseram a independencia, que se combatam ate morrer.
Lamento apenas a vida do meu primo que antes do 25 de abril, morreu em combate numa picada na guiné!
Para quê?
Freda
17.05.2012 - 01:18
(...)"Portugal e CPLP continuam a condenar o golpe militar de 12 de Abril e a defender o reinício do processo eleitoral interrompido"(...)

Pois é!
O que Portugal, mas principalmente a CPLP, devia condenar e preocupar-se com Guiné-Bissau,por ser uma das principais rotas do tráfico de cocaína para a Europa.
O problema da Guiné-Bissau desde a sua independência, com golpes de estado e assassinatos é por causa da rivalidade, entre os narcotráficos que governam o país.
As circunstâncias da morte de Vieira nunca foram completamente esclarecidas, mas muito especulam que seu assassinato estava relacionado a problemas com o tráfico de drogas.
A presidência de Malam Bacai Sanhá - morreu em Paris devido a diabetes - foi difícil e complexa. Difícil no contexto do narcotráfico e também dos problemas sócio-econômicos do país.
Leiam pois:

(...)"Um estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IIEE), sedeado nos Estados Unidos, concluiu que boa parte da droga, que sai da América do Sul com destino à Europa, estará a financiar actividades terroristas. Cabo Verde entra na história por ser um dos países-trânsito num grande canal lusófono transatlântico, para fazer chegar a cocaína ao principal mercado mundial, a Europa. A droga sai preferencialmente do Brasil (mercado emissor), passa por Cabo Verde (trânsito), Guiné-Bissau (armazenamento) e Portugal (receptor) antes de ser comercializada nos restantes países do velho Continente."(...)in Google

Mais palavras, para quê?

Arthur
16.05.2012 - 20:13
Aquilo é um país que não devia existir, nasceram para viver em tribos, não para aquilo que querem fazer deles. Agora entendam-se.
pinto2007
16.05.2012 - 19:32
lá vêm os gringos a fazer a borrada habitual!


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